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Tratamento bem-sucedido de um paciente com miopatia induzida por estatina e distrofia miotônica tipo II com inibidor da pró-proteína convertase subtilisina/kexina tipo 9, alirocumab (Praluent)

20/12/2017 | Fonte: Fonte: J Clin Lipidol. 2017 Sep 4. pii: S1933-2874(17)30439-7

As opções atuais de tratamento para hipercolesterolemia em pacientes com intolerância a estatinas e distrofia miotônica ainda são limitadas. Neste estudo, publicado no Journal of Clinical and Lipidology, os autores investigaram um homem de 74 anos com hipercolesterolemia (LDL-C sérico de 210 mg/dL), hipogonadismo, diabetes mellitus tipo 2 controlado por insulina e níveis minimamente elevados de creatina quinase sérica (CK) (184 U/L, ref intervalo 38-174). Pouco tempo após o tratamento com sinvastatina o paciente desenvolveu mialgias graves nas extremidades proximais inferiores e superiores e concomitante aumento dos níveis séricos de CK para 317 U/L. Posteriormente o paciente foi tratado com várias estatinas, incluindo a rosuvastatina, e apresentou resultados semelhantes. O paciente também foi tratado com resina de ligação de ácidos biliares e ezetimiba, também sem apresentar melhoras. Neste momento foi confirmado o diagnóstico de distrofia miotônica tipo 2. O paciente foi, então, tratado com alirocumab, um inibidor de PCSK9, 75 mg por via subcutânea a cada 2 semanas com melhora significativa no LDL-C (90 mg/dL) e das mialgias. Os pesquisadores concluíram que os inibidores de PCSK9, como o alirocumab, podem ser um excelente agente de redução de lipídios em pacientes com intolerância a estatinas e distrofia miotônica. Uma resenha de: Successful treatment of a patient with statin-induced myopathy and myotonic dystrophy type II with proprotein convertase subtilisin/kexin type 9 inhibitor, alirocumab (Praluent) Autores: Shakir MKM, Shin T, Hoang TD, Mai VQ.

Prevenção de acidente vascular cerebral com a inclusão de ezetimiba à terapia com estatinas em pacientes com síndrome coronariana aguda no ensaio IMPROVE-IT

20/12/2017 | Fonte: Fonte: Circulation. 2017 Sep 30. pii: [Epub ahead of print]

Pacientes com síndrome coronariana aguda apresentam risco elevado de eventos isquêmicos recorrentes, incluindo acidente vascular cerebral (AVC). Estudos demonstram melhora nos resultados cardiovasculares após inclusão da ezetimiba à terapia com estatina em pacientes estabilizados após síndrome coronariana aguda. O objetivo deste estudo, publicado no Circulation, foi avaliar a eficácia da adição de ezetimiba à sinvastatina para prevenção de AVC e outros eventos cardiovasculares adversos no estudo IMPROVE-IT, com foco em pacientes que sofreram AVC antes da randomização. Os pacientes com síndrome coronariana aguda e registro de AVC foram randomizados para placebo/sinvastatina ou ezetimiba/simvastatina e seguidos por uma média de 6 anos. A eficácia do tratamento foi avaliada para toda a população e para subgrupos, tendo como base o primeiro e o total (primeiro e posterior) de eventos para os seguintes desfechos em 7 anos; AVC de qualquer etiologia, subtipos de AVC, além do endpoint primário pré-especificado do ensaio IMPROVE-IT. Dentre os 18.144 pacientes, cerca de 641 (3,5%) tiveram pelo menos um AVC, sendo a maioria composta pela forma isquêmica (527, 82%). Foram considerados como preditores independentes de AVC: AVC prévio, idade avançada, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca congestiva, diabetes, infarto do miocárdio e disfunção renal. Os resultados mostraram uma redução não significativa no primeiro evento de AVC de qualquer etiologia (4,2% vs 4,8%; HR 0,86, 0,73-1,00; p = 0,052) com ezetimiba/sinvastatina versus placebo/sinvastatina, motivada por uma redução significativa de 21% no AVC isquêmico (3,4% contra 4,1%; HR 0,79, 0,67-0,94; p = 0,008) e um aumento não significativo no AVC hemorrágico (0,8% vs 0,6%; HR 1,38, 0,93-2,04; p = 0,11). Na avaliação dos eventos totais, incluindo o primeiro AVC e todos os outros recorrentes, o tratamento com ezetimiba/sinvastatina reduziu o AVC de qualquer etiologia (HR 0,83, 0,70-0,98; p = 0,029) e o AVC isquêmico (HR 0,76, 0,630,91; p = 0,003). Os resultados também mostraram que pacientes que sofreram AVC antes da randomização apresentaram maior risco de recorrência, porém, demonstraram redução absoluta do risco de 8,6% para o AVC de qualquer etiologia (10,2% vs 18,8%, NNT = 12; HR 0,60, 0,38-0,95; p = 0,030) e 7,6% para AVC isquêmico (8,7% vs 16,3%; NNT = 13; HR 0,52, 0,31-0,86; p = 0,011) com a inclusão de ezetimiba à terapia de sinvastatina. Os pesquisadores concluíram que a inclusão da ezetimiba à sinvastatina em pacientes estabilizados após síndrome coronariana aguda reduz a frequência de SP, 27/11/2017 AVC isquêmico, com efeito particularmente elevado em pacientes com AVC prévio. Uma resenha de: Prevention of Stroke with the Addition of Ezetimibe to Statin Therapy in Patients with Acute Coronary Syndrome in IMPROVE-IT. Autores: Bohula EA, Wiviott SD, Giugliano RP, Blazing MA, Park JG, Murphy SA, White JA, Mach F, Van de Werf FJ, Dalby AJ, White HD, Tershakovec AM, Cannon CP, Braunwald E.

Efeito de estatinas e medicamentos não-estatinas de redução do colesterol LDL em resultados cardiovasculares na prevenção secundária: uma meta-análise de ensaios randomizados

20/12/2017 | Fonte: Fonte: Eur Heart J. 2017 Oct 23. [Epub ahead of print]

Evidências recentes para o controle da dislipidemia estendeu-se tanto para novos tratamentos como para níveis alvo de colesterol de lipoproteínas de baixa densidade (LDL-C) muito baixos. O objetivo deste estudo, publicado no European Heart Journal, foi comparar o impacto clínico de uma redução de LDL-C mais intensiva versus menos intensiva por meio de estatinas e medicamentos não-estatina atualmente recomendados na prevenção secundária. Para a realização deste estudo foram realizadas pesquisas nas bases de dados Medline, EMBASE e Cochrane. A busca teve como foco ensaios controlados randomizados de estatinas, ezetimiba, inibidores de pró-proteína convertase subtilisinakexina tipo 9 (PCSK9) ou sequestradores de ácidos biliares com número amostral superior a 500 pacientes e seguimento igual ou superior a 1 ano. Foram utilizados modelos de efeitos aleatórios com base no risco relativo (RRs) e intervalos de confiança de 95% (ICs) na comparação dos resultados. Foram incluídos 19 ensaios (15 de estatinas, 3 de inibidores de PCSK9 e 1 de ezetimiba) com 152.507 pacientes atribuídos aleatoriamente ao tratamento mais intensivo (n = 76.678) ou menos intensivo (n = 75.829). Os resultados mostraram que o tratamento mais intensivo foi associado a 19% de redução do risco relativo para o desfecho primário, ou seja, eventos vasculares maiores (RR 0,81, IC 95% 0,77-0,86). Observaram-se maiores reduções de risco sobre as reduções tanto dos níveis mais elevados de linha de base como dos níveis alvos de LDL-C. O benefício clínico foi significativo sobre os diferentes tipos de tratamento mais intensivo, sendo consistente tanto para estatinas (RR 0,81, IC 95% 0,76-0,86) como para não estatinas (inibidores de PCSK9 e ezetimiba, RR 0,85, IC 95% 0,77-0,94) como ativo (mais intensivo) de intervenção (P-interação = 0,38). Cada redução de 1,0 mmol/L no LDL-C foi associada com 19% de redução relativa nos eventos vasculares maiores. Os resultados também indicaram que fatores como morte, morte cardiovascular, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e revascularização coronariana também favoreceram o tratamento mais intensivo. Os pesquisadores concluíram que a redução de eventos vasculares maiores é proporcional à magnitude da redução de LDL-C em um amplo espectro de níveis de tratamento em prevenção secundária. Segundo os autores, a intensificação de estatinas e o tratamento complementar com inibidores de PCSK9 ou ezetimiba SP, 27/11/2017 estão associados à redução significativa da morbidade cardiovascular nesta população de alto risco. Uma resenha de: Effect of statins and non-statin LDL-Lowering medications on cardiovascular outcomes in secondary prevention: a meta-analysis of randomized trials Autores: Koskinas KC, Siontis GCM, Piccolo R, Mavridis D, Räber L, Mach F, Windecker S.

Impacto do pré-diabetes na composição da placa coronariana e resultado clínico em pacientes com síndrome coronariana aguda: uma análise do estudo PROSPECT

20/12/2017 | Fonte: Fonte: JACC Cardiovasc Imaging. 2017 Oct 14. pii: S1936-878X(17)30806-9

O pré-diabetes mellitus, ou seja, estágios iniciais do transtorno glicometabólico, é comum entre os pacientes com síndrome coronariana aguda, mas a extensão pela qual o pré-diabetes mellitus influencia as características da placa coronariana e o risco de eventos isquêmicos adversos ainda não está completamente esclarecido. O objetivo deste estudo, publicado no JACC Cardiovascular imaging, foi avaliar o impacto do pré-diabetes mellitus nas características da placa coronariana e nos resultados isquêmicos em pacientes com síndrome coronariana aguda. No estudo PROSPECT (Providing Regional Observations to Study Predictors of Events in Coronary Tree), pacientes com síndrome coronariana aguda foram submetidos à angiografia coronariana quantitativa, ecografia intravascular em escala de cinza e ultrassom intravascular de radiofrequência após intervenção coronária percutânea bem sucedida. Os pacientes foram divididos em 3 grupos de acordo com seu estado glicometabólico, baseado nas definições do American Diabetes Association, a saber: metabolismo normal da glicose, pré-diabetes mellitus e diabetes mellitus. Foram realizadas comparações entre os grupos com base nas características da placa coronariana e no risco de eventos cardíacos adversos maiores (definidos como morte ou parada cardíaca, infarto do miocárdio ou re-hospitalização para angina instável ou progressiva). Dentre os 547 pacientes, 162 (29,6%) apresentavam metabolismo normal da glicose, 202 (36,9%) e 183 (33,4%) tinham pré-diabetes mellitus e diabetes mellitus, respectivamente. Os resultados não mostraram diferenças significativas entre os grupos em relação aos achados de ultrassom intravascular indicativo de placas vulneráveis. Os pacientes com diabetes mellitus apresentaram taxa bruta de eventos cardíacos adversos maiores do que aqueles com pré-diabetes mellitus ou metabolismo normal da glicose (25,9% contra 16,3% e 16,1%, p = 0,03 e p = 0,02, respectivamente). Em um modelo de regressão de Cox ajustado usando os pacientes com metabolismo normal da glicose como grupo de referência, o diabetes mellitus (razão de risco: 2,20; intervalo de confiança de 95%: 1,25 a 3,86; p = 0,006), mas não pré-diabetes mellitus (razão de risco: 1,29; intervalo de confiança de 95%: 0,71 para 2,33; p = 0,41) foi associado com maior risco para eventos cardíacos adversos maiores. Os pesquisadores concluíram que o metabolismo prejudicado da glicose é comum entre os pacientes que apresentam síndrome coronariana aguda, e que o diabetes mellitus, mas não o pré-diabetes mellitus, está associado a um risco aumentado de eventos cardíacos adversos maiores, de modo que é importante evitar que os pacientes progridam do pré-diabetes mellitus para o diabetes mellitus. Uma resenha de: Impact of Pre-Diabetes on Coronary Plaque Composition and Clinical Outcome in Patients With Acute Coronary Syndromes: An Analysis From the PROSPECT Study Autores: Farhan S, Redfors B, Maehara A, McAndrew T, Ben-Yehuda O, De Bruyne B, Mehran R, Giustino G, Kirtane AJ, Serruys PW, Mintz GS, Stone GW.

Avaliação do controle de doenças de longo prazo em pacientes com dermatite atópica: estudo de validação do instrumento WCWs (Well-Controled Weeks)

18/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Apr 26. pii: S0091-6749(17)30677-2

A avaliação do controle em longo prazo da dermatite atópica é importante uma vez que se trata de uma doença recorrente-remitente. O instrumento WCWs (WellControlled Weeks) foi previamente utilizado para avaliar o controle em longo prazo da asma, porém ainda não foi validado para dermatite atópica. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi avaliar a viabilidade, a validade e a interpretabilidade das WCWs em pacientes com dermatite atópica. Os autores avaliaram três estudos de pacientes com dermatite atópica de moderada a grave, incluindo 4 a 6 meses de sintomas diário/semanal e dados de tratamento (estudo A, n = 336, estudo B, n = 60 e estudo C, n = 224). As WCWs foram definidas pela piora dos sintomas e pelo aumento do uso de medicamentos. A viabilidade, a validade de construção e a interpretabilidade das WCWs foram determinadas pela avaliação de dados ausentes, associação com resultados de dermatite atópica validados e efeitos chão e teto. Também foram utilizadas análises de regressão logística e linear. As WCWs foram viáveis para coleta, sendo que 95,2% (estudo A) e 94,7% (estudo B) contribuíram com dados para pelo menos metade dos pontos de dados semanais e 93,2% e 88,7% contribuíram para todos os pontos de dados até 4 meses. Os resultados mostraram que as WCWs foram significativamente associadas aos instrumentos de severidade de dermatite atópica validados, incluindo medidas de resultado orientadas para o paciente e sinais objetivos (Área do Eczema e Índice de Gravidade, Escore de Gravidade de Três itens e Seis Sinais, Escala de Dermatite Atópica de Seis Áreas). As odds para experimentar uma WCW se a gravidade da dermatite atópica fosse clara/leve foi de 5,8 (IC 95%, 3,5-9,7), 1,9 (IC 95%, 0,8-4,4) e 8,1 (IC 95%, 4,5-14,6) nos estudos A, B e C, respectivamente. As WCWs foram associadas a efeitos de teto: 31,6% (estudo A) e 37,5% (estudo B) dos participantes não tinham WCWs mais de 90% do tempo. Os pesquisadores concluíram que as WCWs são válidas e viáveis para avaliar o controle de longo prazo em ensaios de dermatite atópica, no entanto os efeitos do teto e o ônus da coleta de dados podem limitar o uso. Uma resenha de: Measuring long-term disease control in patients with atopic dermatitis: A validation study of well-controlled weeks Autores: Langan SM, Stuart B, Bradshaw L, Schmitt J, Williams HC, Thomas KS.

Transplante de timo para síndrome de DiGeorge completa: experiência europeia

18/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Apr 8. pii: S0091-6749(17)30576-6

O transplante de timo é uma estratégia promissora para o tratamento da síndrome de DiGeorge completa. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi confirmar e ampliar os resultados do transplante de timo em pacientes com síndrome de DiGeorge completa obtidos anteriormente em um único centro. Neste estudo, cerca de 12 pacientes com síndrome de DiGeorge completa foram submetidos a transplante com timo alogênico cultivado. Dois pacientes morreram de infecções virais pré-existentes sem ter timopoiese e uma morte tardia ocorreu por trombocitopenia autoimune. Uma criança teve choque séptico logo após o transplante, resultando em perda de enxerto e na necessidade de um segundo transplante. Cerca de 10 pacientes apresentaram evidências de desenvolvimento de timopoiese entre 5 e 6 meses após o transplante. A mediana das contagens de CD4 naïve (virgens) circulantes foi de 44 × 106/L (intervalo, 11-440 × 106/L) e 200 × 106/L (intervalo 5-310 × 106/L) aos 12 e 24 meses após o transplante. Os valores correspondentes para os círculos de excisão do receptor de células T foram de 2,238/106 células T (intervalo, 320-8,807/106 células T) e 4,184/106 células T (intervalo, 1,582-24,596/106 células T). As contagens geralmente não atingiram níveis normais para a idade, no entanto os pacientes foram capazes de limpar as infecções pré-existentes e as adquiridas posteriormente. Tendo como base uma mediana de 49 meses (intervalo, 22-80 meses), os resultados revelaram que 8 pacientes cessaram o uso de antimicrobianos profiláticos e 5 cessaram a reposição de imunoglobulina. A confirmação histológica da timopoiese foi observada em 7 dos 11 pacientes submetidos a biópsia de tecido transplantado, incluindo 5 pacientes que apresentaram maturação completa até o estágio terminal da formação do corpúsculo de Hassall. A expressão do regulador autoimune também foi demonstrada. Foram observadas complicações autoimunes em 7 dos 12 pacientes, sendo que em 2 pacientes a hemólise autoimune transitória precoce estabeleceu-se após o tratamento sem registro de recorrência, e, os outros 5 pacientes experimentaram problemas autoimunes em curso, incluindo tireoidite (n=3), hemólise (n=1), trombocitopenia (n=4) e neutropenia (n=1). Os pesquisadores concluíram que os resultados deste estudo confirmam os achados anteriores de que o transplante de timo pode reconstituir células T em pacientes com síndrome de DiGeorge completa, mas com frequentes complicações autoimunes em sobreviventes. Uma resenha de: Thymus transplantation for complete DiGeorge syndrome: European experience. Autores: Davies EG, Cheung M, Gilmour K et al.

Predição do risco de infecção em pacientes com mieloma múltiplo recentemente diagnosticado: utilidade do perfil imunológico

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Front Immunol. 2017 Oct 5;8:1247

Neste estudo, publicado no Frontiers in Immunology, os autores realizaram um ensaio exploratório translacional para avaliar a utilidade do perfil imunológico como meio de sinalizar o risco futuro de infecção em uma população de pacientes com mieloma e malignidade hematológica. Neste estudo, foram realizadas avaliações de células mononucleares do sangue periférico em 40 pacientes. Os pontos de análise foram: a linha de base, ao final da indução e durante um período de manutenção. Foram quantificadas as populações de células imunes e citocinas liberadas a partir de 1 × 106 células/ml cultivadas na presença de um painel de estímulos (citomegalovírus, influenza, S. pneumoniae, miristato-acetato de forbol e iomicina) e em meios isolados. As características do paciente e os episódios infecciosos foram obtidos a partir de registros clínicos. As variáveis imunológicas associadas ao aumento do risco de infecção no período de 3 meses após a coleta da amostra foram identificadas utilizando análise univariada (p <0,05) e refinadas com análise multivariada para definir um perfil imune preditivo. Foram estudadas 525 amostras de estimulantes com 19.950 combinações estimulantes-citocinas em três períodos, incluindo 61 episódios de infecção. A estimulação mitogênica de IL3 e IL5 foi significativamente associada ao risco aumentado de infecção subsequente durante a terapia de manutenção. Uma relação Th1/Th2 mais baixa e taxas de resposta de citocinas mais altas para IL5 e IL13 durante a terapia de manutenção também foram significativamente associadas ao aumento do risco de infecção. Na análise multivariada, apenas IL5 em resposta à estimulação mitogênica foi preditiva de infecção. A falta de resposta das citocinas e o valor numérico das células imunes não foram preditivas de infecção. Os pesquisadores concluíram que o perfil da liberação de citocinas em resposta à estimulação mitogênica pode ajudar a prever o início subsequente da infecção em pacientes com neoplasia hematológica durante a terapia de manutenção. Uma resenha de: Predicting Risk of Infection in Patients with Newly Diagnosed Multiple Myeloma: Utility of Immune Profiling Autores: Teh BW, Harrison SJ, Allison CC, Slavin MA, Spelman T, Worth LJ, Thursky KA, Ritchie D, Pellegrini M.

A gravidade da psoríase difere entre homens e mulheres: um estudo das medições dos resultados clínicos do índice de área e severidade da psoríase (PASI) em 5.438 pacientes do registro sueco

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Am J Clin Dermatol. 2017 Aug;18(4):583-590

A psoríase é uma doença comum da pele, e a psoríase moderada a grave está associada a um risco dose-dependente de morbidade metabólica e cardiovascular. Anteriormente, especulou-se que as mulheres são aometidas por psoríase menos grave, uma vez que os homens estão sobre-representados nos registros de psoríase e usufruem mais cuidados. O objetivo deste estudo, publicado no American Journal of Clinical Dermatology, foi investigar, pela primeira vez, as diferenças sexuais na severidade da psoríase utilizando um padrão-ouro de medição da gravidade, o Índice de área e Severidade da Psoríase (PASI) e os distintos elementos do escore PASI. Este foi um estudo transversal com base no registro nacional para o tratamento sistêmico da psoríase na Suécia (PsoReg), com 5.438 pacientes com psoríase moderada a grave. Diferenças no índice PASI e seus elementos no início foram testados por regressões logísticas ordinais multivariáveis. Os diferentes componentes do escore PASI foram utilizados para analisar a avaliação da gravidade da doença. Para cada área do corpo (cabeça, braços, tronco e pernas), o resultado das características da placa e o grau de envolvimento da pele foram utilizados como resultados. As mulheres apresentaram níveis estatisticamente inferiores de pontuação PASI (5,4) do que os homens (7,3) [p <0,001], que foi consistente em todas as idades. A diferença permaneceu estatisticamente significante em uma regressão linear multivariada. As análises detalhadas do PASI a partir dos testes de Mann-WhitneyWilcoxon e as regressões logísticas ordinais ajustadas confirmaram que as mulheres apresentaram escores significativamente menores do que os homens em todas as áreas do corpo, exceto pela cabeça. Não foram encontradas diferenças no uso de medicamentos antes do início, que possam causar essa diferença entre os sexos. Segundo os autores, como o PsoReg contém a medida do PASI detalhada da doença, que tradicionalmente são utilizadas para selecionar participantes apenas em estudos clínicos, uma população não selecionada de todo o país poderia ser investigada. O fato das mulheres terem uma psoríase menos grave pode explicar o domínio dos homens no tratamento sistêmico da psoríase. Essas descobertas motivam uma perspectiva de gênero no manejo da psoríase e na prevenção e gerenciamento de suas comorbidades. Uma resenha de: Severity of Psoriasis Differs Between Men and Women: A Study of the Clinical Outcome Measure Psoriasis Area and Severity Index (PASI) in 5438 Swedish Register Patients Autores: Hägg D, Sundström A, Eriksson M, Schmitt-Egenolf M.

Os fatores associados à asma em crianças e adolescentes são universais? Estudo sistemático multicêntrico brasileiro

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(3) :272-278

O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, foi comparar os fatores de risco associados à asma em escolares brasileiros habitantes de diferentes regiões do país. Participaram estudantes (4-8 anos, n = 4.262; 10-14 anos, n = 10.603) matriculados em escolas privadas ou particulares de onze centros de nove cidades brasileiras, utilizando-se o protocolo do International Study of Asthma and Allergy in Childhood (ISAAC). Após a obtenção das taxas de prevalência de asma, foram selecionados de modo aleatório estudantes com asma ativa (resposta afirmativa para "sibilos nos últimos 12 meses") e sem asma (resposta negativa) mantendo-se como base a proporção 1:2. A seguir os responsáveis responderam questionário complementar ISAAC sobre fatores de risco. A análise de regressão logística identificou os fatores associados à expressão da asma nos escolares, em cada centro de origem. Na faixa etária mais jovem, ter antecedente de rinite ou eczema atópico, história familiar de doenças alérgicas e ser exposto ao tabaco foram identificados pela maioria dos centros. Entre os adolescentes ocorreu o mesmo: ter rinite alérgica (8/11 centros), ter antecedentes familiares de doenças alérgicas (6/11), ser exposto passivamente ao tabaco (6/11), assim como a animais domésticos, sobretudo gato (5/11), nascer prétermo, ter baixo consumo de vegetais e suco de frutas foram os fatores identificados. Os pesquisadores concluíram que os fatores associados ao desenvolvimento de asma em escolares brasileiros não foram uniformes. Fatores genéticos, como ter outra doença alérgica, ou familiares com doença alérgica, foram identificados pela maioria dos centros participantes. A exposição ao tabaco, assim como a animais domésticos, também mostrou ser de importância clínica. Uma resenha de: Os fatores associados à asma em crianças e adolescentes são universais? Estudo sistemático multicêntrico brasileiro Autores: Dirceu Solé; Antonio C. Pastorino; Fabio Kuschnir; Inês C. Camelo-Nunes; Bruno A. Paes-Barreto; Arnaldo C. Porto; Magna A. Q. Coelho; Eliana C. Toledo; Fernanda P. Furlan; Rejane R. Casagrande; Fernando Palvo; Marly S. Freitas; Sergio L. O. Santos; Cristina A. Cardozo.

Avaliação do teste do soro autólogo e do teste do plasma autólogo na urticária crônica espontânea

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(3) :279-286

O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, foi comparar o teste do soro autólogo (TSA) e o teste do plasma autólogo (TPA) para o diagnóstico de autorreatividade em pacientes com urticária crônica espontânea (UCE) e avaliar sua relação com autoanticorpos antitireoidianos. Cinquenta pacientes com UCE foram pareados por sexo e faixa etária a 50 indivíduos saudáveis (controle) e comparados em relação aos resultados do TSA e TPA e autoimunidade tireoidiana. Vinte e três (46%) pacientes e 5 (10%) controles apresentaram TSA positivo; 16 (32%) pacientes e 7 (14%) controle apresentaram TPA positivo. Houve associação entre função tireoidiana e TSA em pacientes com UCE. Pacientes eutireóideos com UCE tiveram taxa maior de TSA positivo. Os pesquisadores concluíram que o TSA é simples e barato e contribui consideravelmente para a elucidação da patogênese da UCE e pode demonstrar a presença de autoanticorpos funcionais. Alguns autores sugerem que o TPA é mais sensível que o TSA. Todos os estudos relevantes sobre o assunto até o momento reportaram que ambos podem ser utilizados como métodos diagnósticos em pacientes com UCE. Segundo os autores, TSA e TPA podem ser utilizados para a avaliação de autorreatividade na etiologia da UCE, e autoanticorpos antitireoidianos devem ser investigados mesmo quando testes de função tireoidiana revelam-se normais. Uma resenha de: Avaliação do teste do soro autólogo e do teste do plasma autólogo na urticária crônica espontânea Autores: Cristiane Fernandes Moreira Boralli; Sérgio Duarte Dortas Júnior; Bruno Emanuel Carvalho Oliveira; Alfeu Tavares França; Solange Oliveira Rodrigues Valle

Remodelação cardíaca imediata e de médio prazo após cirurgia de substituição da valva pulmonar em adultos com tetralogia de Fallot reparada: ressonância magnética cardiovascular prospectiva e estudo clínico

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Circulation. 2017 Oct 31;136(18):1703-1713

A substituição da valva pulmonar (SVP) em pacientes com tetralogia de Fallot reparada oferece benefícios sintomáticos e redução do volume do ventrículo direito. Contudo, os dados sobre a taxa de adaptação estrutural e funcional ventricular ainda são insuficientes. O objetivo deste estudo, publicado no Circulation, foi investigar as alterações imediatas e de médio prazo pós-SVP e os preditores de reversão da remodelação. Foram selecionados para este estudo cerca de 57 pacientes com tetralogia de Fallot reparada, submetidos a SVP e com idade igual ou superior a 16 anos (idade média, 35,8 ± 10,1 anos, 38 homens). Os pacientes foram recrutados prospectivamente para ressonância magnética cardiovascular realizada antes da SVP (pSVP), imediatamente após SVP (mediana de 6 dias) e após uma mediana de 3 anos da SVP (mSVP). Os resultados mostraram reduções imediatamente após SVP e ao longo da mediana de 3 anos nos volumes diastólicos finais indexados do ventrículo direito e nos volumes sistólicos finais indexados do ventrículo direito (RVESVi) (volume diastólico final indexado do ventrículo direito pSVP versus imediatamente após PVR versus mPVR, 156,1 ± 41,9 versus 104,9 ± 28,4 versus 104,2 ± 34,4 mL/m2; RVESVi pPVR versus imediatamente após PVR versus mPVR, 74,9 ± 26,2 versus 57,4 ± 22,7 versus 50,5 ± 21,7 mL/m2; P <0,01). Os volumes sistólicos e diastólicos normais pós-operatórios do ventrículo direito (endpoint primário) alcançados em 70% dos pacientes foram preditos por um volume pré-operatório diastólico final indexado do ventrículo direito = 158 mL/m2 e RVESVi = 82 mL/m2. O RVESVi mostrou diminuição progressiva desde a linha de base, passando pelo período imediatamente pós-operatório até o seguimento com mediana de 3 anos, indicando a melhoria funcional intrínseca do ventrículo direito após a SVP. A fração de ejeção do ventrículo esquerdo melhorou (pSVP versus mSVP, 59,4 ± 7,6% versus 61,9 ± 6,8%; P <0,01) e ocorreu reversão da remodelação do átrio direito (pSVP versus mSVP, 15,2 ± 3,4 versus 13,8 ± 3,6 cm2/m2; P <0,01). Os resultados também mostraram que uma via de saída do ventrículo direito pré-operatória mais larga foi associada a uma melhora menos pronunciada na fração de ejeção do ventrículo direito/ventrículo esquerdo pós-PVR. A fração de ejeção do ventrículo direito e o pico de consumo de oxigênio prévio à mortalidade (P = 0,03) em uma mediana de 9,5 anos de seguimento. Os pesquisadores concluíram que há reversão significativa da remodelação estrutural cardíaca direita imediatamente após SVP, seguido por um processo contínuo de remodelação biológica adicional, manifestada por uma redução adicional no RVESVi. Os autores destacam ainda que a realização da SVP antes do RVESVi atingir 82 mL/m2 confere chances ótimas de normalização da função ventricular direita. Uma resenha de: Immediate and Midterm Cardiac Remodeling After Surgical Pulmonary Valve Replacement in Adults With Repaired Tetralogy of Fallot: A Prospective Cardiovascular Magnetic Resonance and Clinical Study Autores: Heng EL, Gatzoulis MA, Uebing A et al.

Genótipos de receptores adrenérgicos influenciam resultados pós-operatórios em lactentes no ensaio Single-Ventricle Reconstruction Trial

18/12/2017 | Fonte: Fonte: J Thorac Cardiovasc Surg. 2017 Nov;154(5):1703-1710.e3

Estudos demonstram uma associação entre genótipos do receptor adrenérgico (ADR) e desfechos adversos na insuficiência cardíaca. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Journal of Thoracic and Cardiovascular Surgery, foi investigar a associação de genótipos ADR com resultados pós Cirurgia de Norwood em lactentes com síndrome da hipoplasia do coração esquerdo (HLHS). Participaram deste estudo os lactentes com HLHS pertencentes à coorte Pediatric Heart Network Single-Ventricle Reconstruction Trial. Os pacientes foram submetidos à genotipagem para 4 polimorfismos de um único nucleotídeo (SNP, do inglês singlenucleotide polimorfism) em 3 genes ADR: ADRB1_231A/G, ADRB1_1165G/C, ADRB2_5318C/G e ADRA2A_2790C/T. Foi utilizada regressão de Cox para avaliar a associação do genótipo com a ausência de eventos adversos graves (morte, transplante, oxigenação extracorpórea por membrana, reanimação cardiopulmonar, falha de derivação aguda, reoperação não planejada ou enterocolite necrosante). A associação com complicações pós cirurgía de Norwood foi avaliada com regressão de Poisson e o tempo de seguimento foi de 14 meses. Os modelos foram ajustados para fatores clínicos e cirúrgicos. O estudo incluiu 351 pacientes elegíveis, sendo que 62% eram do sexo masculino e 83% eram brancos. A idade média no procedimento de Norwood foi de 5,6 ± 3,6 dias. Os resultados mostraram que 152 pacientes apresentaram eventos adversos graves durante o seguimento de 14 meses, incluindo 84 mortes e 10 transplantes. O genótipo ADRA2A_2790CC apresentou menor sobrevida livre de eventos adversos graves em comparação com os genótipos CT/TT durante o seguimento (teste Log rank, P =0,02), sendo, ainda, que tal associação foi independente dos fatores de risco clínicos e cirúrgicos (regressão de Cox ajustada, razão de risco 1,54 [95% do intervalo de confiança 1,04, 2,30] P = 0,033). A taxa de complicações pós cirurgia de Norwood não diferiu pelo genótipo. Os pesquisadores concluíram que os lactentes com HLHS que possuem genotipos ADR associados à maior liberação ou sensibilidade à catecolamina tiveram menor sobrevida livre de eventos no seguimento pós cirurgia de Norwood. Os autores destacam que o excesso de ativação de catecolamina pode afetar negativamente a adaptação cardiovascular após o procedimento de Norwood. Os autores sugerem, ainda, que estudos futuros devem explorar se a ativação adrenérgica direcionada para aqueles que possuem genótipos de risco pode melhorar os resultados. Uma resenha de: Adrenergic receptor genotypes influence postoperative outcomes in infants in the Single-Ventricle Reconstruction Trial Autores: Ramroop R, Manase G, Lu D, Manase D.

Estratégias de intervenção coronária percutânea em pacientes com infarto agudo do miocárdio e choque cardiogênico

18/12/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Oct 30. [Epub ahead of print]

Estudos indicam que a revascularização precoce da artéria culpada por meio de intervenção coronária percutânea (ICP) melhora os resultados de pacientes com infarto agudo do miocárdio e choque cardiogênico. Contudo, a maioria dos pacientes com choque cardiogênico apresenta doença multivaso, de modo que a realização imediata de ICP para estenoses em artérias não culpadas ainda é controversa. Neste estudo multicêntrico, publicado no New England Journal of Medicine, cerca de 706 pacientes que apresentavam doença multivaso, infarto agudo do miocárdio e choque cardiogênico foram aleatoriamente distribuídos a uma das duas estratégias iniciais de revascularização, a saber: apenas ICP da lesão culpada, com a opção de revascularização em etapas de lesões não culpadas; ou ICP multivaso imediata. O endpoint primário foi um composto de morte ou insuficiência renal grave que levou a tratamento substitutivo da função renal dentro de 30 dias após a randomização. Os endpoints de segurança incluíram sangramento e acidente vascular cerebral. Aos 30 dias, o endpoint primário composto da morte ou terapia renal substitutiva ocorreu em 158 dos 344 pacientes (45,9%) no grupo de ICP exclusivo de lesão culpada e em 189 dos 341 pacientes (55,4%) no grupo ICP multivaso (risco relativo, 0,83; intervalo de confiança de 95% [IC], 0,71 a 0,96; P = 0,01). O risco relativo de morte no grupo de ICP exclusivo de lesão culpada em comparação com o grupo ICP multivaso foi de 0,84 (IC 95%, 0,72 a 0,98; P = 0,03) e o risco relativo de terapia renal substitutiva foi de 0,71 (95 % CI, 0,49 a 1,03; P = 0,07). Não houve diferença entre os grupos para as seguintes variáveis: tempo para a estabilização hemodinâmica, risco e duração do tratamento com catecolaminas, níveis de troponina T e creatina quinase, taxas de sangramento e acidente vascular cerebral. Os pesquisadores concluíram que entre os pacientes que apresentaram doença arterial coronariana multivaso e infarto agudo do miocárdio com choque cardiogênico, o risco de 30 dias de um composto de morte ou insuficiência renal grave levando a terapia renal substitutiva foi menor entre aqueles que inicialmente foram submetidos apenas a ICP da lesão culpada do que os pacientes que se submeteram à ICP multivaso. Uma resenha de: PCI Strategies in Patients with Acute Myocardial Infarction and Cardiogenic Shock. Autores: Thiele H, Akin I, Sandri M.

Variação diurna da lesão miocárdica perioperatória em cirurgia cardíaca e sua prevenção pelo antagonismo de Rev-Erba: estudo randomizado de coorte de centro único pareado por escore de propensão

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Oct 26. pii: S0140-6736(17)32132-3.

A cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea provoca uma lesão de isquemia/reperfusão miocárdica perioperatória previsível que, por sua vez, está associada a resultados clínicos desfavoráveis. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Lancet, foi investigar a ocorrência da variação do momento do dia na lesão miocárdica perioperatória em pacientes submetidos à substituição valvar aórtica e seus mecanismos moleculares. Trata-se de um estudo prospectivo, de coorte, de centro único e observacional. Foi avaliada a incidência de eventos cardíacos adversos maiores em pacientes com estenose aórtica grave e fração de ejeção do ventrículo esquerdo preservada (>50%). Foram avaliados os pacientes encaminhados ao departamento de cirurgia cardiovascular no Hospital Universitário de Lille (Lille, França) para substituição valvar aórtica e submetidos à cirurgia na parte da manhã ou à tarde. Os pacientes foram combinados em pares com base no escore de propensão. Também foi realizado um estudo randomizado, no qual foi avaliada a lesão miocárdica perioperatória e as amostras de miocárdio. Os pacientes foram aleatoriamente atribuídos na razão 1:1 por meio de blocos permutados (tamanho de bloco de oito) para se submeterem à cirurgia de substituição valvar aórtica isolada na parte da manhã ou à tarde. Os autores também analisaram o miocárdio humano e de roedores em modelos de hipoxia-reoxigenação ex vivo, além de uma análise transcriptômica em amostras de miocárdio dos pacientes randomizados para identificar a(s) via(s) de sinalização envolvidas. O objetivo principal deste estudo, em específico, foi avaliar se a tolerância miocárdica à isquemia-reperfusão diferiu dependendo do momento da cirurgia de substituição valvar aórtica (manhã versus tarde), medido pela ocorrência de eventos cardiovasculares adversos maiores (morte cardiovascular, infarto do miocárdio e admissão no hospital para insuficiência cardíaca aguda). No estudo de coorte (n = 596 pacientes pareados submetidos à cirurgia no período da manhã [n = 298] ou da tarde [n = 298]), durante os 500 dias após substituição valvar aórtica a incidência de eventos cardiovasculares adversos maiores foi menor no grupo da cirurgia à tarde do que no grupo da manhã: razão de risco 0,50 (IC 95%: 32,77; p = 0,0021). No estudo randomizado, 88 pacientes foram submetidos aleatoriamente à cirurgia na manhã (n = 44) ou à tarde (n = 44); a lesão miocárdica perioperatória avaliada com a média geométrica da liberação de troponina T perioperatória foi significativamente menor no grupo da tarde do que no grupo da manhã (razão estimada da média geométrica para a tarde em relação à manhã de 0,79 [IC 95% 0,68-0,93; p = 0,0045]). Os resultados da análise ex vivo do miocárdio humano revelou variação intrínseca da manhã e da tarde na tolerância à hipoxia-reoxigenação, concomitante com alterações SP, 22/11/2017 transcripcionais na expressão do gene circadiano, com o receptor nuclear Rev-Erba sendo o mais alto da manhã. No modelo animal de Langendorff para lesão do miocárdio em hipoxia-reoxigenação, a deleção do gene Rev-Erba ou o tratamento antagonista diminuíram a lesão no momento da transição do sono-a-vigília, através de um aumento na expressão do modulador de lesão isquêmia-reperfusão CDKN1a/p21. Os pesquisadores concluíram que a lesão miocárdica perioperatória é orquestrada de forma transcripcional pelo relógio circadiano em pacientes submetidos à substituição valvar aórtica, e o antagonismo de Rev-Erba parece ser uma estratégia farmacológica para cardioproteção. Os autores destacam que a cirurgia da tarde pode fornecer proteção miocárdica perioperatória e levar a melhores resultados do paciente em comparação com a cirurgia da manhã. Uma resenha de: Daytime variation of perioperative myocardial injury in cardiac surgery and its prevention by Rev-Erba antagonism: a single-centre propensity-matched cohort study and a randomised study Autores: Montaigne D, Marechal X, Modine T et al.

Gradiente de saturação de oxigênio e concentração de lactato entre átrio direito e artéria pulmonar no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2017, vol.29, n.3, pp.287-292.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva, foi caracterizar as modificações na concentração sanguínea do lactato e da saturação de oxigênio em pacientes no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea. Foram coletadas amostras de sangue de 35 pacientes, de forma rápida e aleatória, do acesso arterial e das portas proximal e distal de um cateter pulmonar. Não foram verificadas diferenças estatisticamente significantes entre saturação de oxigênio no átrio direito (72% ± 0,11%) e na artéria pulmonar (71% ± 0,08%). A concentração sanguínea de lactato no átrio direito foi de 1,7mmol/L ± 0,5mmol/L, enquanto na artéria pulmonar esta concentração foi de 1,6mmol/L ± 0,5mmol/L (p < 0,0005). Os pesquisadores concluíram que a diferença entre as concentrações sanguíneas de lactato no átrio direito e na artéria pulmonar pode ser consequência da baixa concentração de lactato no sangue do seio coronário, já que o lactato é um importante substrato para o miocárdio durante este período. A ausência de diferenças entre saturação sanguínea de oxigênio no átrio direito e na artéria pulmonar sugere extração de oxigênio mais baixa pelo miocárdio, em razão do menor consumo de oxigênio. Palavras-chave: Oxigênio/metabolismo; Consumo de oxigênio/fisiologia; Lactato; Período pós-operatório; Cirurgia torácica; Circulação extracorpórea. Uma resenha de: Gradiente de saturação de oxigênio e concentração de lactato entre átrio direito e artéria pulmonar no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea Autores: Pendino, Juan Carlos et al.

Prevalência e predição de doença arterial coronariana obstrutiva em pacientes submetidos a cirurgia valvar primária

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.4, pp.348-356.

A prevalência de doença arterial coronariana (DAC) nos pacientes valvares é semelhante à da população geral, com associação usual aos fatores de risco tradicionais. Ainda assim, a busca por DAC obstrutiva é mais agressiva nos valvulopatas em pré-operatório, determinando a angiografia coronariana invasiva (ACI) a praticamente todos os pacientes adultos, uma vez que se acredita que a cirurgia de revascularização miocárdica deva ser associada à troca valvar. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi avaliar a prevalência de DAC obstrutiva e identificar fatores a ela associados em adultos candidatos à cirurgia cardíaca primariamente valvar entre os anos de 2001 a 2014 no Instituto Nacional de Cardiologia (INC) e elaborar um modelo preditivo de DAC obstrutiva através de escore derivado de análise multivariada. A partir da estimativa da probabilidade pré-teste de DAC obstrutiva, espera-se melhor estratégia pré-operatória para cada paciente. Foi realizado um estudo transversal avaliando 2.898 pacientes com indicação de cirurgia cardíaca por qualquer etiologia. Desses, foram estudados 712 pacientes valvopatas submetidos à ACI nos 12 meses anteriores à cirurgia. Diferenças com valor de p < 0,05 foram consideradas estatisticamente significativas. A prevalência de DAC obstrutiva foi de 20%. Um modelo preditivo de DAC obstrutiva foi criado a partir de regressão logística multivariada, utilizando as variáveis idade, dor torácica, história familiar de DAC, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, dislipidemia, tabagismo e sexo masculino. O modelo demonstrou excelente correlação e calibração (R2 = 0,98), além de ótima acurácia (ROC de 0,848; IC95% 0,817 - 0,879) e validação em diferente população valvar (ROC de 0,877; IC 95%: 0,830 - 0,923). Os pesquisadores concluíram que é possível estimar DAC obstrutiva a partir de dados clínicos com elevada acurácia, o que pode vir a permitir estabelecer estratégias pré-operatórias de acordo com a probabilidade pré-teste individual, evitando a indicação indiscriminada de procedimentos desnecessários e invasivos, principalmente nos grupos de menor probabilidade de DAC obstrutiva. Palavras-chave: Doença Arterial Coronariana; Doenças das Valvas Cardíacas; Angiografia Coronariana Invasiva; Angiografia por Tomografia Computadorizada. Uma resenha de: Prevalência e Predição de Doença Arterial Coronariana Obstrutiva em Pacientes Submetidos a Cirurgia Valvar Primária Autores: Cazelli, José Guilherme et al.

Anuloplastia mitral percutânea para insuficiência mitral secundária: primeiros resultados humanos

18/12/2017 | Fonte: Fonte: JACC Cardiovasc Interv. 2017 Mar 27;10(6):597-610

A insuficiência mitral secundária é caracterizada por cardiomiopatia, aumento anular mitral e coaptação deficiente de folhetos valvares. A “cerclagem mitral percutânea” aplica tensão circunferencial ao anel mitral, criando um “laço” por meio do seio coronário através do septo interventricular, protegendo as artérias coronárias presas da compressão e redução anular interativa, sob orientação ecocardiográfica. Este é o primeiro teste humano da anuloplastia mitral percutânea. Trata-se de um ensaio clínico de viabilidade inicial da anuloplastia mitral percutânea para tratar insuficiência mitral secundária, que foi publicado no periódico JACC Cardiovascular Interventions. Cinco indivíduos com insuficiência mitral secundária sintomática grave foram submetidos à anuloplastia mitral percutânea, com acompanhamento ecocardiográfico e tomografia computadorizada ao longo de 6 meses. Os resultados mostraram que a anuloplastia mitral percutânea foi bem sucedida em 4 de 5 indivíduos e falhou em 1 paciente devido à anatomia incompatível da veia coronária septal. Imediatamente e ao longo de 6 meses, as medidas da regurgitação valvar mitral (área efetiva do orifício e fração regurgitante) e as dimensões da câmara (volumes do ventrículo e átrio esquerdos) foram reduzidas progressivamente e as frações de ejeção aumentaram. Dois indivíduos com fibrilação atrial persistente e permanente reverteram espontaneamente ao ritmo sinusal durante o seguimento. Um paciente experimentou um pequeno infarto do miocárdio de uma oclusão coronária pequena não reconhecida. Outro paciente, experimentando choque cardiogênico na linha de base, morreu de insuficiência cardíaca intratável após 6 semanas. Os pesquisadores concluíram que neste primeiro teste humano, a anuloplastia mitral percutânea foi bem sucedida em 4 das 5 tentativas, proporcionou uma remodelação reversa (redução na regurgitação mitral secundária e volumes da câmara cardíaca) e sugeriu uma remodelação elétrica (reversão da fibrilação atrial). Os autores ressaltam a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. Uma resenha de: Mitral Loop Cerclage Annuloplasty for Secondary Mitral Regurgitation: First Human Results Autores: Park YH, Chon MK, Lederman RJ, Sung SC, Je HG, Choo KS, Lee SH, Shin ES, Kim JS, Hwang KW, Lee SY, Chun KJ, Kim CM, Kim JH.

Função coronária colateral e resultados clínicos entre pacientes com oclusão total aguda e crônica

18/12/2017 | Fonte: Fonte: JACC Cardiovasc Interv. 2017 Mar 27;10(6):585-593

A relevância funcional da circulação colateral coronariana em pacientes com oclusões totais ou quase totais (OQTs) e oclusões crônicas totais (OCTs) ainda não foi totalmente investigada. O objetivo deste estudo, publicado no JACC Cardiovascular Interventions, foi demonstrar como as mudanças na função colateral e seu significado clínico antes e após a intervenção coronariana percutânea são comparadas entre pacientes com síndrome coronária aguda e OQTs e OCTs. Foram avaliados 23 pacientes com OQT e 74 pacientes com OCT. Foram analisados os seguintes parâmetros nos vasos ocluídos: O índice de pressão colateral (CPI), fluxo fracionado de reserva do miocardio (FFRmyo) e fluxo fracionado de reserva coronariano (FFRcor) na hiperemia máxima induzida por adenosina intravenosa. As avaliações ocorreram na linha de base, após intervenção coronariana percutânea e em 1 ano. Os valores de FFRmyo e FFRcor foram significativamente menores, mas o CPI foi significativamente maior nos pacientes com OCT do que nos pacientes com OQT na linha de base e após a intervenção coronariana percutânea. Os resultados indicaram aumentos significativos no FFRmyo (p <0,001) e FFRcor (p <0,001), sem alteração significativa no CPI imediatamente após a intervenção coronariana percutânea em ambos os grupos de pacientes. Nos pacientes com OCT, o FFRmyo pós-intervenção coronariana percutânea <0,90 (p = 0,01) e o CPI pós-intervenção coronariana percutânea <0,25 (p = 0,033) foram preditores independentes do desfecho clínico. Os pacientes com CPI pós-intervenção coronariana percutânea elevado tiveram melhores resultados clínicos em pacientes com OCT com baixo FFRmyo pós-intervenção coronariana percutânea (log-rank p = 0,009), mas não um FFRmyo pós-intervenção coronariana percutânea alto (log-rank p = 0,492). Os pesquisadores concluíram que não houve retorno completo do fluxo colateral coronariano imediatamente após a intervenção coronariana percutânea em pacientes com OQTs e pacientes com OCTs. Os autores sugerem que apesar da boa função colateral em pacientes com OCT, a adoção de esforços intensos para reduzir a carga isquêmica pode melhorar o resultado clínico. Uma resenha de: Coronary Collaterals Function and Clinical Outcome Between Patients With Acute and Chronic Total Occlusion. Autores: Lee JH, Kim CY, Kim N, Jang SY, Bae MH, Yang DH, Cho Y, Chae SC, Park HS.

Pré-fragilidade aumenta o risco de eventos adversos em idosos submetidos à cirurgia cardiovascular

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.4, pp.299-306

A fragilidade é reconhecida como um importante preditor de eventos adversos em pacientes cirúrgicos idosos. Entretanto, os desfechos em pacientes com pré-fragilidade após a cirurgia cardiovascular ainda permanecem desconhecidos. O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi investigar os principais desfechos (tempo de internação, tempo de ventilação mecânica, incidência de acidente vascular cerebral e óbito intra-hospitalar) após cirurgia cardiovascular em pacientes com pré-fragilidade em comparação a pacientes sem fragilidade. 221 pacientes acima de 65 anos de idade, com diagnóstico de infarto do miocárdio ou doença valvar foram recrutados no estudo. Os pacientes foram avaliados pela escala de fragilidade clínica (CFS, Clinical Frailty Score) antes da cirurgia e separados em 2 grupos: sem-fragilidade (CFS 1~3) vs. pré-fragilidade (CFS 4). Para todas as análises, foi considerada diferença significativa quando p < 0,05. Não foram observadas diferenças nos dados antropométricos e demográficos entre os grupos. Os pacientes com pré-fragilidade apresentaram maior tempo de ventilação mecânica em comparação a pacientes sem fragilidade (193 ± 37 vs. 29 ± 7 horas; p < 0,05); resultados similares foram observados para tempo de permanência na unidade de terapia intensiva (5 ± 1 vs. 3 ± 1 days; p < 0,05) e tempo total de internação hospitalar (12 ± 5 vs. 9 ± 3 dias; p < 0,05). Além disso, os pacientes com pré-fragilidade apresentaram maior número de eventos adversos (acidente vascular cerebral-AVC 8,3% vs. 3,9%; óbito intra-hospitalar 21,5% vs. 7,8%; p<0,05) com risco aumentado para AVC (OR: 2,139, IC 95%: 0,622-7,351, p = 0,001; HR: 2,763, IC 95%: 1,206-6,331, p = 0,0001) e morte intra-hospitalar (OR: 1,809, IC 95%: 1,286-2,546, p = 0,001; HR: 1,830, IC 95%: 1,476-2,269, p = 0,0001). Além disso, um maior número de pacientes com préfragilidade necessitaram de fisioterapia domiciliar que pacientes sem fragilidade (46,5% vs. 0%; p< 0,05). Os pesquisadores concluíram que os pacientes com pré-fragilidade apresentaram maior tempo de ventilação mecânica e maior tempo de internação hospitalar, com maior risco de desenvolverem eventos cardiovasculares adversos em comparação a pacientes sem fragilidade. SP, 06/11/2017 Uma resenha de: Pré-Fragilidade Aumenta o Risco de Eventos Adversos em Idosos Submetidos à Cirurgia Cardiovascular Autores: Rodrigues, Miguel K. et al.

É Necessário Personalizar a Avaliação da Função Renal na Estratificação de Pacientes Submetidos à Cirurgia Cardíaca?

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.4, pp.290-298

A disfunção renal é preditor independente de morbimortalidade após cirurgia cardíaca. Para uma melhor avaliação da função renal, o cálculo do clearance de creatinina (CC) pode ser necessário. O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi avaliar objetivamente se o CC é melhor que a creatinina sérica (CS) para predizer risco nos pacientes submetidos à cirurgia cardíaca. Análise em 3.285 pacientes do Registro Paulista de Cirurgia Cardiovascular (REPLICCAR) incluídos de forma prospectiva, consecutiva e mandatória entre novembro de 2013 e janeiro de 2015. Foram obtidos valores de CS, CC (CockcroftGault) e do EuroSCORE II. Análise de associações da CS e do CC com morbimortalidade foi realizada mediante testes de calibração e discriminação. Por regressão logística múltipla, foram criados modelos multivariados independentes com CS e com CC para predição de risco de morbimortalidade após cirurgia cardíaca. Apesar da associação entre a CS e morbimortalidade, essa não calibrou adequadamente os grupos de risco. Houve associação entre o CC e morbimortalidade com boa calibração dos grupos de risco. Na predição do risco de mortalidade, a CS ficou descalibrada com valores >1,35 mg/dL (p < 0,001). A curva ROC revelou que o CC é superior à CS na predição de risco de morbimortalidade. No modelo multivariado sem CC, a CS foi a única preditora de morbidade, enquanto que no modelo sem a CS, o CC foi preditor de mortalidade e o único preditor de morbidade. Os pesquisadores concluíram que para avaliação da função renal, o CC é superior que a CS na estratificação de risco dos pacientes submetidos a cirurgia cardíaca. Uma resenha de: É Necessário Personalizar a Avaliação da Função Renal na Estratificação de Pacientes Submetidos à Cirurgia Cardíaca? Autores: Arthur, Camila P. S. e Grupo De Estudo Repliccar et el.

Valor potencial da cognição prejudicada na predição do acidente vascular cerebral: um estudo baseado na população do Reino Unido

18/12/2017 | Fonte: Fonte: J Am Geriatr Soc. 2017 Aug;65(8):1756-1762.

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Geriatric Society, foi investigar se a associação entre cognição prejudicada e maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) se mantém quando a cognição prejudicada é definida usando critérios diferentes para comprometimento cognitivo leve (MCI). Trata-se de um estudo prospectivo, de coorte, multicêntrico e realizado no Reino unido com 10 anos de seguimento. Participaram deste estudo indivíduos com idade entre 64 e 105 anos, pertencentes à coorte Medical Research Council Cognitive Function and Ageing (N = 13.004). Uma subamostra de 2.640 indivíduos foi selecionada com base na idade, centro e habilidade cognitiva para se submeter a uma avaliação cognitiva detalhada. Foi realizada entrevista para coleta de informações sobre características sociodemográficas, saúde, cognição e capacidade funcional. O estado cognitivo foi avaliado pelo Geriatric Automated Geriatric Mental State for Computer Assisted Taxonomy e pelo Cambridge Cognitive Examination. A incidência de AVC foi obtida por autorrelato, relatório de informantes e atestados de óbito. Com base no escore de avaliação basal do MMSE (Mini-Mental State Examination), os participantes foram divididos quanto ao comprometimento cognitivo em 4 categorias: ausente, leve, moderado e grave. Os critérios de MCI foram utilizados para classificar as pessoas em quatro grupos: nenhum comprometimento cognitivo, MCI, comprometimento grave (ou seja, outro comprometimento cognitivo sem demência: NVID) e demência. Os resultados indicaram ocorrência de 703 AVCs incidentes ao longo de 10 anos. O menor índice de MMSE na linha de base foi associado ao maior risco de AVC incidente. Quando o estado cognitivo foi determinado de acordo com os critérios de MCI, aqueles com comprometimento grave (odds ratio [OR] = 1,5, intervalo de confiança de 95% [IC] = 1,0-2,2) e demência (OR = 2,6, IC de 95% = 1,6-3,4) apresentaram risco significativamente maior de AVC do que aqueles sem comprometimento cognitivo. Os pesquisadores concluíram que critérios de MCI, definidos usando pontuação MMSE ou critérios clínicos, podem identificar indivíduos com maior risco de AVC. Segundo os autores, os resultados evidenciam a necessidade de aumentar o foco para o risco de AVC em indivíduos mesmo com MCI. Uma resenha de: Potential Value of Impaired Cognition in Stroke Prediction: A U.K. Population-Based Study Autores: Stephan BCM, Richardson K, Savva GM, Matthews FE, Brayne C, Hachinski V.

Dietas neuroprotetoras estão associadas a melhor função cognitiva: o estudo Health and Retirement

18/12/2017 | Fonte: Fonte: J Am Geriatr Soc. 2017 Aug;65(8):1857-1862.

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Geriatric Society, foi investigar a associação das dietas MedDiet (dieta mediterrânea) e MIND (dieta Mediterrânea-DASH para Atraso da Neurodegeneração) e a cognição em uma população nacionalmente representativa de idosos americanos. Trata-se de um estudo transversal, de base populacional, realizado em 5.907 idosos (67,8 ± 10,8 anos) vivendo em habitação comunitária e pertencentes à coorte Health and Retirement. A adesão aos padrões alimentares foi determinada a partir de questionários de frequência alimentar usando critérios determinados a priori para gerar pontuações dietéticas para a dieta MedDiet (intervalo 0-55) e MIND (intervalo de 0 a 15). O desempenho cognitivo foi avaliado por meio de um teste composto de avaliação da função cognitiva global (intervalo 0-27). Foi utilizada uma análise de regressão linear para comparar o desempenho cognitivo de acordo com tercis do padrão alimentar. Também foi aplicada uma regressão logística para examinar a associação entre os padrões alimentares e o comprometimento cognitivo clinicamente significativo. Os modelos foram ajustados para idade, sexo, raça, escolaridade e outras covariáveis de saúde e estilo de vida. Os resultados mostraram que os participantes com escores moderados (odds ratio (OR) = 0,85, intervalo de confiança de 95% (IC) = 0,71-1,02, P = 0,08) e altos (OR 0,65, IC 95% = 0,52-0,81, P <0,001) da MedDiet foram menos propensos a ter um desempenho cognitivo fraco do que aqueles com escores baixos em modelos totalmente ajustados. Os resultados foram semelhantes para a dieta MIND. Os escores mais altos em cada padrão alimentar foram independentemente associados com função cognitiva significativamente melhor (P <0,001) de forma dose-resposta (tendência P <0,001). Os pesquisadores concluíram que em uma grande população nacionalmente representativa de idosos, a maior adesão à dieta MedDiet e MIND foi independentemente associada com uma melhor função cognitiva e menor risco de comprometimento cognitivo. Os autores ressaltam que são necessários ensaios clínicos para elucidar o papel dos padrões alimentares no envelhecimento cognitivo. Uma resenha de: Neuroprotective Diets Are Associated with Better Cognitive Function: The Health and Retirement Study Autores: McEvoy CT, Guyer H, Langa KM, Yaffe K.

Envelhecimento e os atrasos nas latências das componentes de onda no oVEMP e no cVEMP: uma revisão sistemática com metanálise

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Braz. j. otorhinolaryngol. [online]. 2017, vol.83, n.4, pp.475-487.

O processo natural de envelhecimento pode resultar em mudanças morfológicas no sistema vestibular e na via neural aferente, inclusive perda de células ciliadas, diminuição do número de células do nervo vestibular e perda de neurônios no núcleo vestibular. Dessa forma, com o avanço da idade, deveria ocorrer diminuição nas amplitudes e aumento nas latências dos potenciais evocados miogênicos vestibulares (VEMP), principalmente o prolongamento da latência p13. Além disso, muitos artigos não encontraram diferenças significativas nas latências do VEMP com o avanço da idade. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, foi analisar se existem diferenças significativas para as latências do VEMP cervical (cVEMP) e do VEMP ocular (oVEMP) entre idosos e adultos. Foi realizada uma revisão sistemática com metanálise de estudos observacionais que comparam diferenças desses parâmetros entre idosos e adultos jovens, sem restrições de idiomas ou datas, nas seguintes bases de dados: Pubmed, ScienceDirect, Scopus, Web of Science, SciELO e Lilacs. Além das bases de literatura cinzenta OpenGrey.eu e DissOnline e ainda no Research Gate. As latências n1 do oVEMP tiveram um atraso médio nos idosos de 2,32 ms com IC 95% 0,55-4,10 ms. O teste para o efeito geral obteve p = 0,01 e revelou que tal diferença foi significativa. A heterogeneidade encontrada foi I2 = 96% (p 60 anos do que em adultos jovens. Uma resenha de: Envelhecimento e os atrasos nas latências das componentes de onda no oVEMP e no cVEMP: uma revisão sistemática com metanálise Autores: Macambira, Ysa Karen dos Santos et al.

Padrões dietéticos e fatores associados em idosos

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.4, pp.534-544

Foram identificados padrões dietéticos em idosos associados com características sociodemográficas de saúde e estilo de vida. Foi realizado um estudo transversal descritivo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, com uma amostra não probabilística de 295 idosos residentes no município de São Caetano do Sul, São Paulo, Brasil, usuários de unidades públicas de saúde, de ambos os sexos. Os padrões dietéticos foram identificados, considerando-se 44 itens alimentares oriundos de Recordatório de 24 horas. Utilizou-se análise fatorial pelo método de componentes principais, adotando-se como ponto de corte cargas superiores a 0,25, seguida de rotação ortogonal Varimax. As associações foram realizadas pelo método de regressão linear, sendo selecionadas as variáveis que obtiveram p<0,20 na regressão univariada, e mantidas no modelo multivariado aquelas com p<0,05. Observou-se um maior percentual de idosos do sexo feminino (85,1%) e na faixa etária de 60 a 69 anos (46,4%). Foram identificados três padrões dietéticos: o padrão Tradicional, associado com sexo masculino (ß=0,59, p<0,001) e praticantes de atividade física (ß=0,39, p=0,020); o padrão Massa, carne suína e doce, o qual se associou com o sexo masculino (ß=0,38, p=0,025) e idosos aposentados (ß=0,55, p=0,017); e o padrão Café com leite e pão com manteiga, que se associou a faixa etária de 80 anos ou mais (ß=0,55, p=0,004) e idosos que apresentavam dificuldade de mastigação (ß=0,38, p=0,013). Segundos os pesquisadores, os padrões dietéticos identificados demonstram que os idosos tendem a manter os hábitos alimentares similares aos da população brasileira em geral, e a dieta é alterada na medida em que as condições de saúde e de vida se modificam. Uma resenha de: Padrões dietéticos e fatores associados em idosos Autores: Ferreira, Marcela Previato do Nascimento et al.

Perda auditiva em crianças com infecção por citomegalovírus congênito assintomático

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Pediatrics. 2017 Mar;139(3). pii: e20162610

O objetivo deste estudo, publicado no Pediatrics, foi investigar a prevalência, características e risco de perda auditiva neurossensorial (SNHL) em crianças com infecção congênita por citomegalovírus, identificada através de triagem hospitalar de recém-nascidos assintomáticos ao nascer, em comparação com crianças não infectadas. Cerca de 92 pacientes (casos) e 51 controles foram avaliados usando resposta auditiva de tronco encefálico e audiometria comportamental. A prevalência de SNHL foi estimada por meio da análise de Kaplan-Meier, definida como nível de audição igual ou superior a 25 dB em qualquer frequência. Também foi realizada análises de regressão de riscos proporcionais de Cox para comparar o risco de SNHL entre os grupos. Aos 18 anos de idade, a prevalência de SNHL foi de 25% (intervalo de confiança [IC] de 95%: 17% -36%) entre os “casos” e 8% (IC 95%: 3% -22%) nos controles (razão de risco [HR]: 4,0; IC 95%: 1,2-14,5; P = 0,02). Os resultados indicaram que o risco de SNHL com início tardio não foi significativamente maior para os “casos” do que para os controles entre crianças sem SNHL até os 5 anos de idade (HR: 1,6; IC 95%: 0,4-6,1; P = 0,5). Entre os “casos”, o risco de SNHL com início tardio foi significativamente maior entre aqueles com perda auditiva congênita/de início precoce unilateral do que aqueles sem o mesmo diagnóstico (HR: 6,9; IC 95%: 2,5-19,1; P <0,01). A prevalência de SNHL bilateral grave a profunda entre os “casos” foi de 2% (IC 95%: 1% -9%). Os pesquisadores concluíram que o início tardio e a progressão da SNHL em crianças com infecção por citomegalovírus congênito assintomático continuaram a ocorrer durante a adolescência. Segundo os autores, o risco de desenvolver SNHL após os 5 anos de idade entre os “casos” não foi diferente do que em crianças não infectadas. Por fim, os autores destacam que no geral, 2% dos “casos” desenvolveram SNHL que, por sua vez, foi suficientemente grave para serem candidatos ao implante coclear. Uma resenha de: Hearing Loss in Children With Asymptomatic Congenital Cytomegalovirus Infection Autores: Lanzieri TM, Chung W, Flores M, Blum P, Caviness AC, Bialek SR, Grosse SD, Miller JA, Demmler-Harrison G; Congenital Cytomegalovirus Longitudinal Study Group.

Equilíbrio estático e dinâmico de crianças e adolescentes com perda auditiva sensório-neural

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.3, pp.262-268

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Einstein (São Paulo), foi avaliar o desempenho do equilíbrio estático e dinâmico de escolares ouvintes e com perda auditiva sensório-neural. Foi realizado um estudo de corte transversal que avaliou 96 escolares, sendo 48 ouvintes e 48 com perda auditiva sensório-neural, de ambos os sexos, na faixa etária entre 7 e 18 anos. Para a avaliação do equilíbrio estático, foram utilizados os testes de Romberg, Romberg-Barré e Fournier, e, para avaliar o equilíbrio dinâmico, foi usado o teste de Unterberger. Os escolares com perda auditiva apresentaram maior ocorrência de alterações no equilíbrio estático e dinâmico, comparados aos ouvintes, em todos os testes empregados (p<0,001). O mesmo foi observado quando os escolares foram agrupados pelos sexos. Para o sexo feminino, os valores de p para os testes de Romberg, Romberg-Barré, Fournier e Unterberger foram, respectivamente, p=0,004, p<0,001, p<0,001 e p=0,023; para o sexo masculino, foram p=0,009, p<0,001, p<0,001 e p=0,002. A mesma diferença foi observada quando os escolares foram estratificados pelas faixas etárias. Para aqueles de 7 a 10 anos, os valores de p foram, respectivamente, para os testes de Romberg, Romberg-Barré e Fournier p=0,007, p<0,001 e p=0,001; entre 11 e 14 anos, para os testes de Romberg, Romberg-Barré, Fournier e Unterberger, foram, respectivamente p=0,002, p<0,001, p<0,001, p=0,015; entre 15 e 18 anos, para os testes Romberg-Barré, Fournier e Unterberger foram, respectivamente, p=0,037, p<0,001 e p=0,037. Os pesquisadores concluíram que os escolares com perda auditiva apresentaram maior ocorrência de alterações no desempenho do equilíbrio estático e dinâmico que os ouvintes, do mesmo sexo e faixa etária. Uma resenha de: Equilíbrio estático e dinâmico de crianças e adolescentes com perda auditiva sensório-neural Autores: Melo, Renato de Souza et al.

Dificuldades iniciais com a técnica da amamentação e fatores associados a problemas com a mama em puérperas

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.3, pp.265-272

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi identificar a prevalência de condições indicativas de dificuldades iniciais com a técnica da amamentação e verificar os fatores associados com a presença de problemas na mama em puérperas em maternidades de Hospitais Amigos da Criança. Foi realizado um estudo transversal, conduzido com 276 binômios mãe-lactente, aleatoriamente selecionados entre os atendimentos realizados em maternidades de três Hospitais Amigos da Criança do norte de Minas Gerais. Um protocolo de avaliação da técnica da mamada foi utilizado como instrumento. A associação entre as variáveis estudadas e os problemas com a mama foi identificada por meio do teste qui-quadrado, seguida de análise de regressão logística, admitindo-se o nível de significância de até 5% (p<0,05). Os principais fatores indicativos de dificuldades iniciais com a técnica da amamentação foram a pega inadequada (25,0%), a resposta do bebê ao contato com a mama (26,1%) e os problemas com a mama (28,3%). No modelo final de regressão múltipla, associaram-se aos problemas na mama no puerpério imediato: mãe adolescente (OR 3,35; IC95% 1,51-7,44; p=0,003); escolaridade =8 anos (OR 2,07; IC95% 1,01-4,23; p=0,048); e o fato de ter recebido complemento alimentar na maternidade (OR 2,36; IC95% 1,40-4,92; p=0,003). O fato de trabalhar fora de casa (OR 0,31; IC95% 0,16-0,61; p=0,001) foi um fator de proteção no modelo final de regressão logística. Os pesquisadores concluíram que os problemas com as mamas representaram a principal dificuldade inicial com a técnica da mamada e os fatores associados incluem variáveis demográficas e sociais ligadas à mãe e variáveis relacionadas às rotinas da maternidade. Uma resenha de: Dificuldades iniciais com a técnica da amamentação e fatores associados a problemas com a mama em puérperas Autores: Barbosa, Gessandro Elpídio Fernandes et al.

Estado nutricional de crianças e adolescentes hospitalizados: comparação entre duas ferramentas de avaliação nutricional com parâmetros antropométricos

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.3, pp.273-280

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi verificar associação entre indicadores antropométricos e as escalas: Avaliação Nutricional Subjetiva Global (ANSG) e Triagem de Risco para Estado Nutricional e Crescimento (STRONGkids). Foi realizado um estudo transversal com pacientes de 0 a 18 anos, internados no Hospital das Clínicas, Goiânia (GO), entre agosto e novembro de 2015. Foram incluídas crianças e adolescentes admitidos em até 48 horas. Excluíram-se pacientes que requeriam instrumentos específicos para avaliar o estado nutricional e os internados em Terapia Intensiva. Coletaram-se dados de identificação, antropométricos e foram aplicadas a ANSG e a STRONGkids. Feita análise de comparação de proporções e avaliação de concordância, sendo significante p<0,05. Foram avaliados 71 pacientes, dos quais 9,6% com baixo ou muito baixo peso/idade, 9,7% com magreza ou magreza acentuada pelo índice peso/estatura, 16,9% com comprometimento da estatura, 7% com magreza pelo índice de massa corporal/idade e 32,4% desnutridos pela circunferência muscular do braço. A STRONGkids detectou 69% da amostra com risco nutricional moderado ou alto. Pela ANSG, a prevalência de desnutrição foi de 38,1%. Houve associação entre ANSG e índice de massa corporal/idade (p=0,022), estatura/idade (p<0,001) e circunferência muscular do braço (p=0,014). Não houve associação entre a STRONGkids e os indicadores antropométricos. As ferramentas se associaram para: risco nutricional elevado versus desnutrição grave e baixo risco nutricional x bem nutridos (p<0,001), porém a concordância foi fraca (k=0,255). Segundo os pesquisadores, recomenda-se utilizar o STRONGkids como instrumento de triagem por apresentar maior sensibilidade para diagnosticar pacientes com risco nutricional. A ANSG deve ser aplicada para avaliação nutricional devido à associação com a antropometria. Uma resenha de: Estado nutricional de crianças e adolescentes hospitalizados: comparação entre duas ferramentas de avaliação nutricional com parâmetros antropométricos Autores: Oliveira, Thaynara Cristina de et al.

Revisão sistemática da eficácia de intervenções de autocuidado em pessoas com esclerose múltipla na melhora da depressão, da ansiedade e da qualidade de vida

18/12/2017 | Fonte: Fonte: PLoS One. 2017 Oct 11;12(10):e0185931

Embora as intervenções de autocuidado tenham se tornado cada vez mais populares na gestão de condições de saúde em longo prazo, ainda não há informações suficientes sobre seu impacto no bem-estar psicológico em pessoas com esclerose múltipla. O objetivo deste estudo, publicado no PLoS One, foi investigar a eficácia das intervenções de autocuidado na melhora da depressão, da ansiedade e da qualidade de vida relacionada à saúde em pessoas com esclerose múltipla. Trata-se de uma revisão de literatura estruturada com buscas realizadas entre os anos 2000 e 2016, cujo processo de revisão seguiu as diretrizes do PRISMA. A revisão identificou 10 ensaios clínicos randomizados controlados que preencheram os critérios de seleção e de qualidade. Os resultados mostraram que as intervenções de autocuidado melhoraram a qualidade de vida relacionada à saúde em 6 dos 7 estudos, com algumas evidências de melhora na depressão e nos sintomas de ansiedade. Os pesquisadores concluíram que apesar dos resultados promissores, é necessária uma avaliação mais robusta, a fim de determinar a eficácia das intervenções de autocuidado na depressão, na ansiedade e na qualidade de vida em pessoas com esclerose múltipla. Palavras-chave: Intervenções de autocuidado; esclerose múltipla; depressão; ansiedade; qualidade de vida Uma resenha de: A systematic review of the effectiveness of self-management interventions in people with multiple sclerosis at improving depression, anxiety and quality of life Autores: Kidd T, Carey N, Mold F, Westwood S, Miklaucich M, Konstantara E, Sterr A, Cooke D.

Índices de ansiedade, depressão e incapacidade em pacientes com dor miofascial com e sem o diagnóstico adicional de enxaqueca

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. dor [online]. 2017, vol.18, n.3, pp.189-193

O presente estudo, publicado na Revista Dor, visou comparar os índices de ansiedade, depressão e incapacidade em pacientes com dor miofascial, com e sem o diagnóstico adicional de enxaqueca. Foram incluídos 203 pacientes da Clínica de Dor Orofacial da Universidade da Califórnia, Los Angeles, EUA, com idade acima de 18 anos, ambos os sexos, com diagnóstico primário de dor miofascial. Os pacientes também foram avaliados quanto à presença de enxaqueca, segundo os critérios da Sociedade Internacional de Cefaleias. A amostra foi dividida em dois grupos: 120 pacientes com somente dor miofascial (Grupo 1), e 83 pacientes com dor miofascial e diagnóstico adicional de enxaqueca (Grupo 2). Foram aplicados os questionários: Inventário de Ansiedade de Beck, Inventário de Depressão de Beck e Migraine Disability Assessment Questionnaire. O teste de Mann-Whitney foi utilizado para comparar os grupos a um nível de significância de 5%. Os pacientes do grupo 1 apresentaram índices de Inventário de Ansiedade de Beck de p=0,005, Inventário de Depressão de Beck de p=0,025, e número de dias perdidos e/ou prejudicados (56,4 dias) significativamente maiores que os do grupo 2. Os escores Migraine Disability Assessment Questionnaire para os grupos 1 e 2 foram, respectivamente, para o grau I de 48% e 24,1%; grau II de 9,2% e 3,6%; grau III de 8,2% e 22,9%; e, grau IV de 34,7% e 49,4%. Os pesquisadores concluíram que os pacientes com dor miofascial e enxaqueca apresentaram índices de ansiedade, depressão e incapacidade significativamente maiores (p<0,05), além de níveis de incapacidade moderado e grave, consideravelmente superiores em relação ao grupo de pacientes com somente dor miofascial. Palavras-chave: Disfunção temporomandibular; Dor orofacial; Enxaqueca. Uma resenha de: Índices de ansiedade, depressão e incapacidade em pacientes com dor miofascial com e sem o diagnóstico adicional de enxaqueca Autores: Poluha, Rodrigo Lorenzi et al.

Disfunção sexual em mulheres com depressão: um estudo transversal

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.2, pp.106-109

Disfunção sexual feminina (DSF) na depressão, apesar de comum, é pouco estudada. Se tratada adequadamente, a condição pode ser prontamente curada, aumentando a qualidade de vida da paciente. Neste estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi avaliada uma amostra consecutiva de mulheres casadas, virgens de tratamento, com depressão. A depressão foi diagnosticada utilizando a Structured Clinical Interview for DSM-IV Axis I Disorders (SCID-I). A gravidade da depressão foi avaliada utilizando a Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton (HAM-D), e a disfunção sexual, com o Índice da Função Sexual Feminina (Female Sexual Function Index, FSFI). Foi observada disfunção sexual em 90% das pacientes do estudo. As pacientes com comorbidades médicas mostraram uma diminuição significativa no subdomínio desejo da FSFI (Mann-Whitney U=11,0, p=0,009), porém não houve associação significativa com os outros subdomínios. Pacientes que expressaram desejos passivos de morte apresentaram escores mais altos em todos os indicadores de função sexual e um escore significativamente mais alto no subdomínio orgasmo da FSFI (Mann-Whitney U=11,0, p=0,009). Segundo os pesquisadores, o estudo revelou uma alta prevalência de DSF em mulheres deprimidas, independentemente do tipo e da severidade da depressão. A depressão com comorbidades médicas foi associada a uma diminuição significativa do desejo. Pacientes que expressaram desejos passivos de morte mostraram função sexual melhor e orgasmo significativamente melhor. Palavras-chave: Depressão; disfunção sexual; saúde mental das mulheres; disfunção orgásmica. Uma resenha de: Disfunção sexual em mulheres com depressão: um estudo transversal Autores: Sreelakshmy, Krishnankutty; Velayudhan, Rajmohan; Kuriakose, Deepak e Nair, Rema.

Tradução e adaptação transcultural do Questionário de Função Sexual (SFQ) para o português do Brasil

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.2, pp.110-115

A disfunção sexual é comum em pacientes com doença psicótica. Este artigo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, descreve a tradução e adaptação transcultural do Questionário de Função Sexual (SFQ) para o português do Brasil. A tradução e a adaptação transcultural seguiram as diretrizes para a adaptação de instrumentos de autorrelato propostas pela Força-Tarefa da Sociedade Internacional de Pesquisa Farmacológica e de Resultados (International Society for Pharmacoeconomics and Outcomes Research, ISPOR). As etapas da ISPOR incluem: preparação, primeiras traduções, reconciliação, retrotradução, revisão da retrotradução, harmonização, interrogatório cognitivo, revisão do interrogatório cognitivo e finalização, antes da revisão e versão final. Os autores originais autorizaram a tradução e participaram do estudo. Houve boa concordância entre as traduções e entre a retrotradução e a versão original em inglês do SFQ. A versão final foi preparada com avaliadores certificados na língua original e em português. Poucas mudanças foram necessárias para a nova versão em português. Os pesquisadores concluíram que a versão brasileira traduzida e adaptada do SFQ é confiável e semanticamente equivalente à versão original. Estudos sobre disfunção sexual relacionada a psicotrópicos podem agora testar a validade do instrumento e investigar a disfunção sexual em pacientes brasileiros. Palavras-chave: Sexualidade; psicofarmacologia; efeito adverso; antipsicóticos; disfunção sexual. Uma resenha de: Tradução e adaptação transcultural do Questionário de Função Sexual (SFQ) para o português do Brasil Autores: Lapa, Clara de Oliveira et al.

Malformações congênitas do encéfalo presumivelmente relacionadas ao Zika vírus: espectro de achados de RM e TC em fetos e neonatos

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.10, pp.703-710

Os novos casos epidêmicos de infecção pelo vírus Zika suscitam grande preocupação, sobretudo com o crescente reconhecimento da ligação entre casos emergentes de microcefalia e esta doença infecciosa. Além da cabeça de pequenas dimensões, existem profundas alterações morfológicas no encéfalo fetal. Anomalias mais típicas incluem malformações do desenvolvimento cortical e uma distribuição peculiar de calcificações patológicas. Estes dados potencialmente indicam um novo padrão de infecção congênita do sistema nervoso central. Neste estudo, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, oito mulheres foram submetidas a RM fetal. Quatro crianças também realizaram TC pós-natal. Cinco mulheres foram submetidas a amniocentese. Todos os neonatos nasceram com microcefalia. Na RM fetal, ventriculomegalia, acentuada redução da espessura da substância branca, acentuada simplificação da fissura sylviana, sulcação anormal e redução volumétrica difusa dos hemisférios cerebelares foram constantes. Na TC pós-natal, calcificações difusas subcorticais e nos núcleos da base foram observadas. O vírus Zika foi detectado por PCR em duas amniocenteses. Os autores deste estudo esperam poder dar suporte à comunidade médica em reconhecer este padrão de imagem potencialmente específico. Palavras-chave: Zika vírus; microcefalia; tomografia computadorizada por raios X; imagem por ressonância magnética. Uma resenha de: Malformações congênitas do encéfalo presumivelmente relacionadas ao Zika vírus: espectro de achados de RM e TC em fetos e neonatos Autores: Castro, José Daniel Vieira de et al.

Efeitos do turno de trabalho alternado em controladores de tráfego aéreo e relação com sonolência diurna excessiva e estresse

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.10, pp.711-717

O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, foi avaliar sintomas de estresse e sonolência diurna excessiva (SDE) em controladores de tráfego aéreo (CTA) do Brasil. Participaram do estudo 52 controladores pertencentes a 3 órgãos de controle de tráfego aéreo, denominados de A, B e C. Os sintomas de estresse, foram avaliados pelo Inventário de Sintomas de Estresse para Adultos, a SDE pela Escala de Sonolência Epworth. 76,9% da amostra eram do sexo masculino, com média de idade de 37 anos. A SDE foi identificada em 25% dos controladores, desses 84,6%, pertencem aos órgãos de controle de tráfego aéreo A, caracterizado por maior movimento de aeronaves, funcionamento 24 horas e escala de serviço em turnos alternantes. Um total de 16% dos controladores apresentaram sintomas de estresse, desses, 62% mostraram o predomínio de sintomas físicos. Os pesquisadores concluíram que a porcentagem elevada de CTA com SDE identificada no grupo A pode estar relacionada a cronodisrupção devido ao trabalho noturno e alternado. Palavras-chave: distúrbios do sono por sonolência excessiva; carga de trabalho; estresse fisiológico; estresse psicológico. Uma resenha de: Efeitos do turno de trabalho alternado em controladores de tráfego aéreo e relação com sonolência diurna excessiva e estresse Autores: Freitas, Ângela M. et al.

Alterações na habilidade de planejamento em pacientes com provável Doença de Alzheimer: evidências do teste torre de Londres

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.2, pp.137-144.

A doença de Alzheimer (DA) é associada a um comprometimento progressivo das habilidades cognitivas superiores. Pesquisas anteriores sugerem que o comprometimento precoce das funções executivas ocorre durante o curso da doença, mas poucos estudos têm investigado especificamente a capacidade de planejamento em uma população com DA. O objetivo do presente estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, foi analisar se os pacientes com DA mantêm a capacidade de planejar antecipadamente, analisando as especificidades de seu comportamento para alcançar com êxito uma meta pré-estabelecida. Vinte e um pacientes com DA e trinta e três controles idosos foram submetidos a uma avaliação de resolução de problemas utilizando o teste de Torre de Londres (TOL). Os pacientes com DA foram menos precisos e menos eficientes do que os controles. Os pacientes com DA também cometeram mais erros. Isso indica um declínio na memória operacional e déficits inibitórios, resultando em comportamentos impulsivos e inadequados. Os pesquisadores concluíram que estes resultados estão de acordo com estudos anteriores, mostrando problemas de função executiva em pacientes com DA. Especificamente, este estudo demonstra a presença de déficits de capacidade de planejamento na DA, considerando abordagens qualitativas e quantitativas. A ampla gama de análises apresentadas neste estudo poderá auxiliar aos profissionais da área da saúde na identificação da natureza do baixo desempenho dos pacientes com DA durante uma tarefa de planejamento. Palavras-chave: cognição; demência; idoso; função executiva; neuropsicologia. Uma resenha de: Alterações na habilidade de planejamento em pacientes com provável Doença de Alzheimer: evidências do teste torre de Londres Autores: Satler, Corina; Guimaraes, Luiza e Tomaz, Carlos.

Sintomas De Depressão Em Pacientes Com Declínio Cognitivo Leve Na Doença De Parkinson

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.2, pp.145-153

O objetivo do presente estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, foi investigar os sintomas depressivos mais frequentes e sua associação com a cognição de indivíduos com doença de Parkinson (DP) e declínio cognitivo leve (DCL) Foram avaliados 48 pacientes com DP e 44 Controles (GC), com idade entre 50 e 80 anos e escolaridade superior a 4 anos, todos com DCL e sem diagnóstico de depressão. Pacientes e controles foram pareados quanto à idade, escolaridade e pontuação do Mini Exame do Estado Mental (MEEM). Os participantes foram submetidos à avaliação clínica com neurologista seguida de avaliação neuropsicológica com os instrumentos MEEM, Teste do Desenho do Relógio, Teste de Fluência Verbal Semântica e Fonêmica, Teste de Memória de Figuras (FMT), Teste Stroop de Cores e Palavras, Teste das Trilhas (TMT), Span de Dígitos WAIS III, Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey (RAVLT), Teste de Organização Visual de Hooper e Inventário de Depressão de Beck (BDI). Os sintomas depressivos mais frequentes no grupo DP foram dificuldade para trabalhar, fatigabilidade e distúrbios do sono, sendo este comum ao grupo controle. A pontuação do BDI correlacionou-se negativamente com aprendizagem e memória de reconhecimento em ambos os grupos. Neste estudo, a memória episódica, avaliada pelos testes FMT e RAVLT, apresentou-se como a função cognitiva com maior comprometimento. Os pesquisadores concluíram que alguns sintomas depressivos prevalentes nos Parkinsonianos com DCL podem ser atribuídos à DP, dificultando o diagnóstico diferencial. Palavras-chave: doença de Parkinson; depressão; cognição; declínio cognitivo leve. Uma resenha de: Sintomas De Depressão Em Pacientes Com Declínio Cognitivo Leve Na Doença De Parkinson Autores: Malak, Ana Lara Soares Blum et al.

Mortalidade na demência com corpúsculos de Lewy em comparação com a demência de Alzheimer: um estudo de coorte naturalista retrospectivo

18/12/2017 | Fonte: Fonte: BMJ Open. 2017 Nov 3;7(11):e017504.

Demência com corpos de Lewy (DLB) é o segundo subtipo de demência mais comum, após a demência de Alzheimer (DA), representando cerca de 7% dos diagnósticos de demência em cuidados secundários, embora os estudos sugiram que ele está subdiagnosticado em até 50%. A maioria dos estudos anteriores de DCL foram baseados em coortes selecionadas de pesquisa e pouco se sabe sobre o resultado da doença em estabelecimentos de saúde de rotina. Este estudo, publicado no British Medical Journal, teve como objetivo usar dados clínicos de rotina para investigar a sobrevivência em (DCL) em comparação com (DA). A amostra do estudo incluiu 251 DCL e 222 DA identificados a partir de um banco de dados anônimo derivado de registros de casos clínicos eletrônicos em um período de 8 anos (2005-2012), com dados de mortalidade atualizados para maio de 2015, do trust do sistema de saúde nacional de Cambridgeshire & Peterborough; um trust que presta cuidados de saúde mental secundários na Inglaterra. A sobrevivência média bruta (não corrigida) foi de 3,72 anos para DCL (IC 95% 3,33 a 4,14) e 6,95 anos para DA (IC 95%: 5,78 a 8,12). Controlando a idade no diagnóstico, comorbidade e prescrição antipsicótica, o modelo previu que a sobrevivência mediana para DCL foi de 3,3 anos (IC de 95% 2,88 a 3,83) para homens e 4,0 anos (IC 95% 3,55 a 5,00) para mulheres, enquanto a sobrevivência mediana para DA foi 6,7 anos (IC 95%: 5,27 a 8,51) para homens e 7,0 anos (95% IC 5,92 para 8,73) para mulheres. Os autores concluíram que a sobrevivência desde a primeira apresentação da doença com comprometimento cognitivo foi marcadamente mais curta em DCL em comparação com DA, independentemente da idade, sexo, comorbidade física ou prescrição antipsicótica. Este achado, em uma das maiores coortes clínicas de casos de DCL reunidos até o momento, reforça evidências existentes de uma sobrevivência mais baixa para DCL versus DA. Existe uma necessidade urgente de pesquisas adicionais para entender os possíveis mecanismos que compõem essa descoberta. Uma resenha de: Mortality in dementia with Lewy bodies compared with Alzheimer's dementia: a retrospective naturalistic cohort study Autores: Price A, Farooq R, Yuan JM, Menon VB, Cardinal RN, O'Brien JT.

Terapia de substituição de genes em dose única para atrofia muscular espinhal

18/12/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Nov 2;377(18):1713-1722.

A atrofia muscular espinhal tipo 1 (SMA1) é uma doença progressiva do neurônio motor monogênico com início na infância, podendo resultar na incapacidade de alcançar os marcos motores, bem como a morte ou a necessidade de ventilação mecânica. O objetivo deste estudo, publicado no New England Journal of Medicine, foi investigar a substituição funcional do gene mutado que codifica o neurônio motor de sobrevivência 1 (SMN1) na SMA1. Cerca de 15 pacientes com SMA1 receberam uma dose única intravenosa do vírus adeno-associado tipo 9, portador de DNA complementar SMN que codifica a proteína SMN ausente. Três dos pacientes receberam uma dose baixa (6,7 × 1013vg por quilograma de peso corporal) e 12 receberam uma dose elevada (2,0 × 1014vg por quilograma). O resultado primário foi a segurança e o resultado secundário foi o tempo até a morte ou a necessidade de assistência ventilatória permanente. Em análises exploratórias, os autores realizaram comparações entre os escores na escala de função motora CHOP INTEND (Children's Hospital of Philadelphia Infant Test of Neuromuscular Disorders) (variando de 0 a 64, com escores mais altos indicando melhor função) nas duas coortes, além da avaliação de marcos motores nos pacientes da coorte de dose elevada em comparação com escores de estudos da história natural da doença (coortes históricas). Considerando o ponto de corte dos dados em 7 de agosto de 2017, todos os 15 pacientes estavam vivos e livres de eventos aos 20 meses de idade, em comparação com uma taxa de sobrevivência de 8% em uma coorte histórica. Os resultados mostraram que na coorte de dose elevada, houve um aumento rápido da linha de base no escore na escala CHOP INTEND que acompanhou a administração de genes, com aumento de 9,8 pontos no 1º mês e 15,4 pontos aos 3 meses, em comparação com um declínio na coorte histórica. Dos 12 pacientes que receberam a dose elevada 11 permaneceram sem assistência adicional, 9 conseguiam rolar, 11 foram alimentados por via oral e podiam falar e 2 caminhavam de forma independente. Os resultados também mostraram níveis elevados de aminotransferase sérica em 4 pacientes, e foram atenuados pela prednisolona. Os pesquisadores concluíram que em pacientes com SMA1, uma única infusão intravenosa de DNA viral adeno-associado contendo DNA codificando SMN resultou em maior sobrevivência, realização superior de marcos motores e melhor função motora do que em coortes históricas. Os autores destacam que são necessários mais estudos para confirmar a segurança e a eficácia desta terapia genética. Uma resenha de: Single-Dose Gene-Replacement Therapy for Spinal Muscular Atrophy. Autores: Mendell JR, Al-Zaidy S, Shell R et al.

Adaptação transcultural da Sport Anxiety Scale-2 (SAS-2) para o contexto brasileiro

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.202-206.

O objetivo deste estudo, publicado no Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi apresentar o processo de adaptação transcultural da Sport Anxiety Scale-2 (SAS-2) para o contexto brasileiro. Os seguintes estágios foram utilizados: tradução para o português do Brasil por tradutores independentes, elaboração da versão síntese, retrotradução, avaliação de equivalência por especialistas e pré-teste na população-alvo. Todos os estágios do processo de adaptação transcultural foram respeitados, e, na maioria das estruturas avaliadas, obteve-se porcentagem de concordância satisfatória entre os especialistas (= 80%). Os ajustes sugeridos foram compilados pelas duas autoras na versão de consenso, e o material foi considerado adequado no pré-teste, não havendo necessidade de mais modificações. Nomeada “Escala de Ansiedade Esportiva-2”, foi considerada pelo autor principal da escala original como a versão oficial em português do Brasil. Os pesquisadores concluíram que, mediante cumprimento de todas as etapas sugeridas para o processo de adaptação transcultural, a SAS-2 está disponível em português brasileiro para ser testada quanto às suas qualidades psicométricas. Uma resenha de: Adaptação transcultural da Sport Anxiety Scale-2 (SAS-2) para o contexto brasileiro Autores: SILVA-ROCHA, Viviane Vedovato e OSORIO, Flávia de Lima.

Mindfulness nos transtornos do humor e ansiedade: uma revisão da literatura

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.207-215.

O objetivo deste estudo, publicado no Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi fazer uma revisão da literatura abrangendo o uso das diferentes abordagens da terapia baseada em mindfulness no tratamento dos transtornos de humor e ansiedade, incluindo suas habilidades e sua relação com a regulação emocional e com o medo da avaliação negativa. Uma revisão de literatura foi realizada através de busca pelas bases científicas PubMed e PsycINFO, com as seguintes palavras-chave: mindfulness, transtornos do humor e transtornos de ansiedade. A pesquisa abrangeu os últimos 10 anos. A busca resultou em 532 artigos, sendo 24 selecionados e 16 incluídos nesta revisão. Foram revisados seis artigos sobre programa de redução de estresse baseado em mindfulness, quatro artigos sobre terapia cognitiva baseada em mindfulness, e três sobre medo da avaliação negativa e regulação emocional. Todos os artigos abordaram mindfulness com relação aos transtornos de humor e ansiedade Segundo os pesquisadores, a literatura nessa área sugere que mindfulness é uma estratégia eficaz no tratamento dos transtornos de humor e ansiedade e é eficaz no protocolo de terapia em diferentes formatos, incluindo virtual. O uso de mindfulness continua a se expandir nos modelos científicos. Uma resenha de: Mindfulness nos transtornos do humor e ansiedade: uma revisão da literatura Autores: Rodrigues, Michele F.; Nardi, Antonio E. e Levitan, Michelle.

Avaliação do controle inibitório em usuários de cocaína e/ou crack: uma revisão sistemática

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.216-225.

Prejuízos envolvendo o controle inibitório têm sido considerados déficits centrais em usuários de substâncias psicoativas, contudo parece haver disfunções específicas de acordo com a droga de escolha. Este artigo, publicado no Trends in Psychiatry and Psychotherapy, teve por objetivo revisar os achados recentes sobre alterações do controle inibitório em amostras de usuários de cocaína e/ou crack. A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, PsycINFO e Web of Knowledge, em duas etapas, de acordo com os critérios de elegibilidade: inicialmente foi feita uma pesquisa nas bases de dados com análise dos títulos e resumos; após, os artigos foram lidos na íntegra. Os critérios de inclusão foram: artigos empíricos publicados em inglês, português ou espanhol, nos últimos 10 anos e que tenham avaliado o controle inibitório em usuários de cocaína e/ou crack. Do total de 3.796 resultados, 56 títulos foram selecionados, sendo 20 excluídos. Como resultado, 36 artigos foram incluídos na revisão. Em 90% dos estudos revisados, foi relatada a presença de déficits de controle inibitório, verificados através de prejuízos no processamento cognitivo e no monitoramento de respostas, além de níveis elevados de impulsividade, independentemente do padrão de consumo de cocaína e/ou crack (uso recreativo ou crônico). Usuários em abstinência apresentaram níveis elevados de impulsividade, mesmo após longos períodos sem uso da droga. Os pesquisadores concluíram que os usuários de cocaína e/ou crack podem apresentar prejuízos de controle inibitório apesar dos diferentes padrões de consumo. Níveis elevados de impulsividade podem constituir fator de vulnerabilidade para o uso de drogas e para a recaída. Uma resenha de: Avaliação do controle inibitório em usuários de cocaína e/ou crack: uma revisão sistemática Autores: Czermainski, Fernanda Rasch et al.

Propriedade psicométrica da escala de severidade de fadiga e correlação com depressão e qualidade de vida em cirróticos

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Gastroenterol. [online]. 2017, vol.54, n.4, pp.344-348.

A fadiga é uma queixa comum em pacientes cirróticos e pode ser considerada um sintoma debilitante com impacto negativo na qualidade de vida. A investigação sobre a sua etiologia e tratamento tem sido dificultada pela falta de medidas relevantes e reprodutíveis da fadiga. O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos de Gastroenterologia, foi avaliar as propriedades psicométricas da Escala de Gravidade da Fadiga (FSS) em pacientes cirróticos e correlacionar com sintomatologia depressiva e qualidade de vida. Foi realizado um estudo transversal com amostra de conveniência de 106 pacientes cirróticos, com idade entre 18 e 70 anos, ambos os sexos, alfabetizados, pré e póstransplante hepático em acompanhamento ambulatorial. Foram avaliados: consistência interna, reprodutibilidade, validade discriminante, validade de critério, validade de construto, critério de responsividade, sintomatologia depressiva e qualidade de vida através de questionários, entre janeiro e outubro de 2015. A média de idade foi 54,75±9,9 anos, 65,1% do sexo masculino e 32,1% da amostra apresentava cirrose pelo vírus da hepatite C. O escore médio no FSS foi de 4,74±1,64. O alfa de Cronbach foi de 0,93, e o coeficiente de correlação intraclasse foi de 0,905 (IC 95%: 0,813-0,952). Para validade discriminante, o FSS diferenciou escores de grupos distintos (P=0,009) e apresentou correlação com a Escala de Impacto de Fadiga Modificada (r=0,606, P=0,002). O FSS se correlacionou significativamente e positivamente com sintomatologia depressiva e, negativamente com os domínios SF-36 para a validade de construto. Para responsividade, não foram observadas alterações significativas nos escores de fadiga nos períodos de transplante pré e pós-fígado (P=0,327). Os pesquisadores concluíram que o FSS mostrou bom desempenho psicométrico na avaliação da fadiga em pacientes com cirrose. A fadiga apresentou forte correlação com sintomatologia depressiva e qualidade de vida. Uma resenha de: Propriedade psicométrica da escala de severidade de fadiga e correlação com depressão e qualidade de vida em cirróticos Autores: Rossi, Danusa; Galant, Lucas Homercher e Marroni, Claudio Augusto.

Comportamento sedentário e níveis de atividade física em indivíduos com esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno depressivo maior: uma revisão sistemática global e meta-análise

18/12/2017 | Fonte: Fonte: World Psychiatry. 2017 Oct;16(3):308-315

Estudos estimam que pessoas com doença mental grave, tais como esquizofrenia, transtorno bipolar ou transtorno depressivo maior, podem antecipar prematuramente o evento de morte em até 15 anos devido à comorbidades somáticas crônicas. Por outro lado, o comportamento sedentário e a baixa atividade física são fatores de risco independentes e modificáveis para doenças cardiovasculares e mortalidade prematura nesses indivíduos, no entanto, ainda não consta na literatura uma meta-análise abrangente que explore esses fatores de risco nesta população vulnerável. O objetivo deste estudo, publicado no World Psychiatry, foi realizar uma meta-análise avaliando comportamentos sedentários e níveis de atividade física e seus correlatos em pessoas com doença mental grave. Foram realizadas pesquisas em bases de dados eletrônicas por artigos publicados até abril de 2017 que avaliaram o comportamento sedentário e/ou a atividade física, seja através de questionário de autorrelato ou por meio de medidas objetivas (por exemplo, acelerômetro). Foram realizadas meta-análises de efeitos aleatórios e análises de metarregressão. Foram incluídos 69 estudos totalizando 35.682 indivíduos com idade média de 43 anos, sendo 39,5% do sexo masculino. Os resultados mostraram que o tempo médio em que indivíduos com doença mental grave permaneceram sedentários enquanto acordados foi de 476 min por dia (IC 95%: 407,3-545,4), e foram significativamente mais sedentários do que os controles saudáveis pareados para idade e gênero (p = 0,003). A quantidade média de atividade física moderada ou vigorosa foi de 38,4 min por dia (IC 95%: 32,0-44,8), sendo significativamente menor que a dos controles saudáveis (p = 0,002 para atividade moderada, p <0,001 para atividade vigorosa). Os resultados também indicaram que a propensão de pessoas com doença mental grave a atenderem as diretrizes de atividade física foi significativamente menor do que os controles saudáveis correspondentes (odds ratio = 1,5; IC 95%: 1,1-2,0, p <0,001, I2 = 95,8). Fatores como o baixo nível de atividade física e a não conformidade com as diretrizes de atividade física foram associados ao gênero masculino, ser solteiro, estar desempregado, ter menos anos de educação, maior índice de massa corporal, maior duração da doença, uso de antidepressivos e medicação antipsicótica, menor aptidão cardiorrespiratória e diagnóstico de esquizofrenia. As pessoas com transtorno bipolar eram as mais fisicamente ativas, mas também foram as que apresentaram o maior tempo sedentário. As diferenças geográficas foram detectadas e os pacientes internados foram mais ativos do que os pacientes ambulatoriais ou aqueles que viviam na comunidade. Os pesquisadores concluíram que tendo em vista os benefícios da atividade física para a saúde e considerando seus baixos níveis em pessoas com doença mental grave, são necessárias futuras intervenções direcionadas especificamente à prevenção de inatividade física e do comportamento sedentário nessa população. Uma resenha de: Sedentary behavior and physical activity levels in people with schizophrenia, bipolar disorder and major depressive disorder: a global systematic review and meta-analysis Autores: Vancampfort D, Firth J, Schuch FB, Rosenbaum S, Mugisha J, Hallgren M, Probst M, Ward PB, Gaughran F, De Hert M, Carvalho AF, Stubbs B.

Avaliação da extensão de três anos do serviço de intervenção precoce para psicose em comparação ao atendimento regular após dois anos de serviço de intervenção precoce no primeiro episódio de psicose: um ensaio clínico randomizado único cego

18/12/2017 | Fonte: Fonte: World Psychiatry. 2017 Oct;16(3):278-286. doi: 10.1002/wps.20456

O objetivo deste estudo, publicado no World Psychiatry, foi investigar se após dois anos de serviço de intervenção precoce para o tratamento do primeiro episódio de psicose, a extensão desse serviço em três anos seria superior a três anos de atendimento regular. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, único cego, que utilizou randomização balanceada pelo gênero e pelo abuso de substâncias. Os participantes foram recrutados em clínicas de serviços de intervenção precoce em Montreal. Os pacientes com idades entre 18 a 35 anos (N=220) foram randomizados para um dos seguintes procedimentos, a saber: a) extensão do serviço de intervenção precoce (EEIS, N=110); ou b) cuidados regulares (N=110). O EEIS incluiu o controle de casos, intervenção familiar, terapia comportamental cognitiva e intervenção de crise. Os cuidados regulares, por sua vez, envolveram a transferência para o atendimento primário (saúde comunitária, serviços sociais e médicos de família) ou secundário (ambulatórios psiquiátricos). Foi considerado como resultado primário a duração cumulativa da remissão de sintomas positivos e negativos. Os resultados mostraram que pacientes no grupo EEIS tiveram duração média significativamente maior da remissão de sintomas positivos (92,5 vs. 63,6 semanas, t=4,47, p<0,001), sintomas negativos (73,4 vs. 59,6 semanas, t=2,84, p=0,005) e ambos (66,5 vs. 56,7 semanas, t=2,25, p=0,03) em comparação com pacientes do grupo de cuidados regulares. Os pacientes no grupo EEIS permaneceram em tratamento mais tempo do que os pacientes de cuidados regulares (131,7 versus 105,3 semanas, t=3,98, p<0,001 em contato com os médicos; 134,8 ± 37,7 vs. 89,8 ± 55,2, t=6,45, p <0,0001 através do contato com outros prestadores de cuidados de saúde) e também receberam mais unidades de tratamento (média de 74,9 versus 39,9, t=4,21, p<0,001 de médicos e 57,3 vs. 28,2, t=4,08, p<0,001 de outros prestadores de cuidados de saúde). A duração do tratamento teve um efeito independente sobre o tempo de remissão de sintomas positivos (t=2,62, p=0,009), enquanto o número de unidades de tratamento por qualquer prestador de cuidados de saúde teve efeito sobre o tempo de remissão de sintomas negativos (t=2,70, p=0,008), bem como sintomas totais (t=-2,40, p=0,02). A análise pos-hoc revelou que os pacientes randomizados para cuidados primários, com base em seu melhor perfil clínico na randomização, mantiveram seu melhor resultado no final do estudo, especialmente quanto à remissão de sintomas negativos. Os pesquisadores concluíram que o aumento na duração do serviço de intervenção precoce em três anos teve um impacto positivo no período de remissão de sintomas positivos e negativos em comparação com cuidados regulares. Os autores destacam que esses resultados podem ter implicações nas políticas de planejamento para ampliação dos serviços de intervenção precoce para além dos dois anos atuais. Uma resenha de: Comparing three-year extension of early intervention service to regular care following two years of early intervention service in first-episode psychosis: a randomized single blind clinical trial Autores: Malla A, Joober R, Iyer S, Norman R, Schmitz N, Brown T, Lutgens D, Jarvis E, Margolese HC, Casacalenda N, Abdel-Baki A, Latimer E, Mustafa S, Abadi S.

Níveis séricos do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 estão associados à melhor recuperação da substância branca após lesão cerebral traumática

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Ann Neurol. 2017 Jul;82(1):30-43

Embora a lesão cerebral traumática seja uma condição incapacitante comum, as opções de tratamento são limitadas. A imagem do tensor de difusão mede a recuperação da lesão axonal na substância branca após a lesão cerebral traumática. A deficiência de hormônio do crescimento após lesão cerebral traumática pode prejudicar a recuperação axonal e neuropsicológica, de modo que o fator de crescimento semelhante à insulina-I (IGF-I) pode mediar esse efeito. O objetivo deste estudo longitudinal, publicado no Annals of Neurology, foi investigar os efeitos das concentrações séricas de IGF-I sobre a substância branca e a recuperação neuropsicológica após lesão cerebral traumática. Foram selecionados para participação deste estudo 39 adultos após lesão cerebral traumática com idade média de 30,5 anos, sendo 84,6% do sexo masculino, 87,2% com lesão moderada-grave, tempo médio desde a lesão de 16,3 meses e, ainda, 4 indivíduos com deficiência do hormônio do crescimento. Os pacientes foram examinados duas vezes, com 13,3 meses de intervalo (variação = 12,1-14,9), além de 35 controles saudáveis que foram examinados apenas uma vez. Os questionários de sintomas e qualidade de vida e avaliações cognitivas foram concluídos em ambas as visitas (n = 33). Foi considerado como resultado primário a anisotropia fracionada, uma medida da integridade da substância branca, em regiões de interesse a priori: esplênio do corpo caloso e membro posterior da cápsula interna. Na linha de base, os resultados indicaram que a anisotropia fracionada reduziu em muitos tratos da substância branca, incluindo esplênio do corpo caloso e membro posterior da cápsula interna após lesão cerebral traumática, em comparação com controles, indicando lesão axonal e aumentos longitudinais, indicando recuperação axonal. Também houve um aumento significativamente maior da anisotropia fracionada no esplênio do corpo caloso ao longo do tempo em pacientes com IGF-I sérico em níveis acima da média para a idade em comparação àqueles com os níveis abaixo. Somente o grupo com níveis maiores de IGF-I na linha de base apresentou melhorias significativas na recuperação da memória verbal imediata ao longo do tempo. Os pesquisadores concluíram que a recuperação de substância branca e as melhorias de memória após lesão cerebral traumática foram superiores em pacientes com IGF-I sérico maior na linha de base. Segundo os autores, esses resultados sugerem que o sistema hormônio do crescimento/IGF-I pode ser um alvo terapêutico potencial após lesão cerebral traumática. Uma resenha de: Serum insulin-like growth factor-I levels are associated with improved white matter recovery after traumatic brain injury Autores: Feeney C, Sharp DJ, Hellyer PJ, Jolly AE, Cole JH, Scott G, Baxter D, Jilka S, Ross E, Ham TE, Jenkins PO, Li LM, Gorgoraptis N, Midwinter M, Goldstone AP.

Taxas e preditores de sucesso e falha na cirurgia repetida para epilepsia: uma meta-análise e revisão sistemática

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Epilepsia. 2017 Oct 10. [Epub ahead of print]

A epilepsia refratária é uma doença debilitante e desafiadora, particularmente para o tratamento de pacientes que não obtiveram sucesso na ressecção cirúrgica. Nesse sentido, a literatura é escassa em informações sobre uma nova cirurgia para epilepsia, de modo que a evidência é limitada a pequenas séries de casos e revisões. O objetivo deste estudo, publicado no Epilepsia, foi realizar a primeira meta-análise quantitativa da literatura dos últimos 30 anos a fim de avaliar as taxas e preditores de reoperações bem-sucedidas. Foi realizada uma pesquisa na base de dados PubMed para estudos que relataram os resultados da cirurgia repetida para epilepsia. Foram excluídos estudos que relatassem menos de 5 pacientes elegíveis ou que tivessem seguimentos médios inferiores a 1 ano, e os pacientes foram excluídos da análise caso tivessem recebido intervenção não ressectiva. Os resultados foram estratificados por cada variável de interesse e a meta-análise quantitativa foi realizada para gerar odds ratios (ORs) e intervalos de confiança (ICs) de 95% Foram incluídos cerca de 782 pacientes que receberam cirurgia ressectiva repetida para epilepsia do total de 36 estudos. O desfecho de Engel I foi observado em 47% (n = 369) dos pacientes. Os preditores significativos de controle de crises convulsivas incluíram dados eletrofisiológicos congruentes sobre os não congruentes (OR = 3,6, IC 95% = 1,6-8,2), epilepsia lesional sobre epilepsia não-lesional (OR = 3,2, IC 95% = 1,9-5,3) e limitações cirúrgicas sobre fatores relacionados às doenças associadas à falha da primeira cirurgia (OR = 2,6, IC 95% = 1,3-5,3). Entre os pacientes com pelo menos um desses preditores, o controle de crises convulsivas foi alcançado em 58%. Por outro lado, o uso de monitoramento invasivo foi associado com pior resultado (OR = 0,4, IC 95% = 0,2-0,9). A ressecção do lóbulo temporal em comparação à ressecção extratemporal/multilobo (OR = 1,5, IC 95% = 0,8-3,0), bem como a ressonância magnética pré-operatória anormal sobre a normal (OR = 1,9, IC 95% = 0,6-5,4) mostraram tendências não significativas em relação ao controle de crises convulsivas. Os pesquisadores concluíram que os resultados apoiam a ressecção adicional em pacientes com epilepsia intratável que continuam a ter crises convulsivas debilitantes após uma cirurgia inicial, especialmente no que diz respeito ao contexto de fatores preditores de desfecho favorável. Uma resenha de: Rates and predictors of success and failure in repeat epilepsy surgery: A meta-analysis and systematic review Autores: Krucoff MO, Chan AY, Harward SC, Rahimpour S, Rolston JD, Muh C, Englot DJ.

Delirium em idosos: avanços no diagnóstico e no tratamento

18/12/2017 | Fonte: Fonte: JAMA. 2017 Sep 26;318(12):1161-1174

O delirium pode ser compreendido como certa desorganização aguda de atenção e de ordem cognitiva. Trata-se de uma condição comum, porém, grave e muitas vezes fatal entre pacientes idosos. Apesar de muitas vezes subestimado, o delirium acomete seriamente a função e a qualidade de vida do indivíduo, refletindo em efeitos sociais amplos com custos consideráveis de cuidados de saúde. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Medical Association, foi sintetizar o estado atual da arte no diagnóstico e no tratamento do delirium, bem como evidenciar as áreas críticas para respaldar pesquisas futuras e colaborar para o avanço no campo neurológico geriátrico. Foram realizadas buscas nas bases de dados Ovid MEDLINE, Embase e Cochrane Library para estudos publicados nos últimos 6 anos, a partir de 1º de janeiro de 2011 até 16 de março de 2017, utilizando uma combinação específica de termos e de palavras-chave. Tendo em vista que o delirium tem maior prevalência entre idosos, o foco desta revisão foi direcionado a estudos em populações idosas. Foram excluídos estudos que não foram publicados na língua inglesa ou que foram conduzidos exclusivamente em unidade de terapia intensiva. Foram incluídos cerca de 127 artigos, sendo que 25 foram ensaios clínicos, 42 estudos de coorte, 5 foram revisões sistemáticas e meta-análises, e 55 pertencentes a outras categorias, totalizando, portanto, 11.616 pacientes nos estudos de tratamento. Os resultados para os principais avanços no diagnóstico incluíram o desenvolvimento de ferramentas de triagem rápida com alta sensibilidade e especificidade, como a Avaliação Diagnóstica de 3 Minutos (3-Minute Diagnostic Assessment); 4 A's Test; e medidas baseadas em proxy, como o Family Confusion Assessment Method. As avaliações da gravidade, como o Confusion Assessment Method-Severity Score, podem ajudar a monitorar a resposta ao tratamento, estratificação de risco e avaliação do prognóstico. Os resultados também mostraram que abordagens não farmacológicas focadas em fatores de risco como imobilidade, declínio funcional, deficiência visual ou auditiva, desidratação e privação de sono são efetivas na prevenção de delirium e também são recomendadas para o tratamento. As recomendações atuais para a terapia farmacológica do delirium, com base em revisões recentes da evidência, recomendam o uso de antipsicóticos e outros medicamentos sedativos para tratamento de agitação severa que apresenta risco para a segurança do paciente ou da equipe, ou ainda, ameaça à interrupção de terapias médicas essenciais. Os pesquisadores concluíram que os avanços no diagnóstico podem melhorar o reconhecimento e a estratificação do risco de delirium. Segundo os autores, evidências demonstram efetividade da prevenção do delirium com abordagens não farmacológicas, enquanto que ainda não há consenso sobre a prevenção farmacológica e o tratamento do delirium. Uma resenha de: Delirium in Older Persons: Advances in Diagnosis and Treatment Autores: Oh ES, Fong TG, Hshieh TT, Inouye SK.

Correlação entre a recuperação motora funcional e as atividades de vida diária após cirurgia do plexo braquial

18/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.9, pp.631-634

O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, foi avaliar a correlação entre a avaliação clínica e as atividades de vida diária em 30 paciente adultos com lesão do plexo braquial superior. O valor do questionário Dash (Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand) e da escala Louisiana State University Health Sciences Center (LSUHSC) foram quantificados prospectivamente em 30 pacientes. Fatores epidemiológicos foram também examinados e correlações específicas determinadas. Houve correlação significativa entre avaliação clínica e as atividades de vida diária 12 meses após a cirurgia (r = 0,479 e p = 0,007). Uma correlação direta foi observada entre a recuperação funcional do membro superior e o tempo entre a lesão e a cirurgia (r = 0,554 e p = 0,001). Os valores da escala LSUHSC (p = 0,049) e do DASH (p = 0,013) foram melhores entre aqueles que retornaram ao trabalho. Os pesquisadores concluíram que a avaliação clínica e as atividades de vida diária em pacientes submetidos à cirurgia de transferência de nervos após lesão do plexo braquial mostraram correlação significativa. Uma resenha de: Correlação entre a recuperação motora funcional e as atividades de vida diária após cirurgia do plexo braquial Autores: Ferreira, Sonia Regina; Martins, Roberto Sérgio e Siqueira, Mário G.

Terapia com células-tronco hematopoiéticas para adrenoleucodistrofia cerebral

12/12/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Oct 26;377(17):1630-1638

Na apresentação típica da adrenoleucodistrofia ligada ao X, as mutações de ABCD1 levam à perda da função da proteína ALD. A adrenoleucodistrofia cerebral caracterizase pela desmielinização progressiva do sistema nervoso central, de modo que a evolução da doença, que leva à perda de função neurológica e morte, só pode ser interrompida com o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas. Neste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, de segurança e eficácia, de fase 2-3, aberto e de braço único foram investigados meninos com adrenoleucodistrofia cerebral. Foi adotado como critério de inclusão os pacientes com doença em estágio inicial e aumento de gadolínio na ressonância magnética durante triagem. A terapia de investigação envolveu a infusão de células CD34+ autólogas transduzidas com vetor lentiviral (Lenti-D). Nesta análise preliminar, os pacientes foram avaliados quanto à ocorrência de doença de enxerto contra hospedeiro, morte e principais incapacidades funcionais, bem como alterações na função neurológica e na extensão das lesões na ressonância magnética. Foi considerado como endpoint primário o paciente vivo sem a presença de comprometimento funcional maior aos 24 meses após a infusão. Os resultados desta análise preliminar contaram com a participação de 17 meninos que receberam terapia genética Lenti-D com seguimento médio de 29,4 meses (faixa de 21,6 a 42,0). A proteína ALD mensurável foi observada em todos os pacientes, bem como todos os pacientes apresentaram células marcadas por genes após o enxerto, sem evidência de integração preferencial próximo de oncogenes conhecidos ou crescimento clonal. Não foi observada morte relacionada ao tratamento ou doença de enxerto contra hospedeiro; 15 dos 17 pacientes (88%) estavam vivos e livres de comprometimento funcional maior, com sintomas clínicos mínimos. Os resultados também mostraram que um paciente, que teve deterioração neurológica rápida, morreu em razão da progressão da doença. Outro paciente, que tinha tido evidências de progressão da doença na ressonância magnética, retirou-se do estudo para se submeter ao transplante alogênico de células-tronco e mais tarde morreu por complicações relacionadas ao transplante. Os pesquisadores concluíram que os resultados preliminares deste estudo sugerem que a terapia genética Lenti-D pode ser uma alternativa segura e efetiva ao transplante alogênico de células-tronco em meninos com adrenoleucodistrofia cerebral em estágio inicial. Os autores destacam, entretanto, que é necessário um acompanhamento adicional para avaliar completamente a duração da resposta e a segurança em longo prazo. Uma resenha de: Hematopoietic Stem-Cell Gene Therapy for Cerebral Adrenoleukodystrophy. Autores: Eichler F, Duncan C, Musolino PL et al.

Linguagem e intervenções da comunicação na Doença de Alzheimer: uma revisão sistemática. Intervenção de comunicação em Alzheimer

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.3, pp.227-241.

A doença de Alzheimer (DA) compromete consideravelmente as habilidades de comunicação. As mudanças de idioma se tornam mais proeminentes à medida que a doença avança. A deterioração da linguagem e da cognição reduz a capacidade de manter conversas, o que tem um impacto negativo na interação social. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, foi realizar uma revisão sistemática da literatura para artigos que denunciam intervenções focadas na linguagem e comunicação de pessoas com DA sem uso de medicação. Foi realizada uma pesquisa usando as palavras-chave doença de Alzheimer, linguagem, comunicação, cognição, intervenção cognitiva, reabilitação e terapia, e seus correspondentes termos em português e espanhol, nas bases de dados SciELO, LILACS, PubMed e PsychINFO. Foram analisados os estudos de intervenção publicados de 1993 a 2016 que envolveram estimulação de habilidades linguísticas e/ou comunicação com resultados quantitativos pré e pós-intervenção e cujas amostras incluíram pelo menos 50% com diagnóstico de DA provável. Os estudos foram analisados e classificados em quatro níveis de evidência, de acordo com os critérios descritos na literatura. Vinte e oito artigos foram incluídos. A maioria dos projetos tinha evidências científicas de médio a baixo. A maioria das intervenções mostrou benefícios para pelo menos uma linguagem ou habilidade comunicativa. Oito tipos de intervenções emergiram da análise dos estudos. Pesquisas adicionais com maiores níveis de evidência são recomendadas na investigação de intervenções focadas em linguagem e habilidades de comunicação de pacientes com demência. Os pesquisadores concluíram que estudos com altos níveis de evidência sobre o tema investigado estão sendo conduzidos apenas em pequena escala. Duas técnicas de intervenção parecem ser efetivas: abordagens lexical-semânticas e intervenções que funcionam com diferentes habilidades cognitivas (incluindo linguagem). Uma resenha de: Linguagem e intervenções da comunicação na Doença de Alzheimer: uma revisão sistemática. Intervenção de comunicação em Alzheimer Autores: Morello, Aline Nunes da Cruz; Lima, Tatiane Machado e Brandao, Lenisa.

Comprometimento cognitivo de pacientes com doença renal crônica em hemodiálise e sua relação com os aspectos sociodemográficos e clínicos

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.3, pp.221-226

O comprometimento cognitivo e demência ocorrem comumente em indivíduos com doença renal crônica (DRC), principalmente em fase avançada, mas ainda são pouco diagnosticados. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, foi avaliar a capacidade cognitiva de pacientes com doença renal crônica em hemodiálise e a sua relação com as características sociodemográficas e clínicas. Trata-se de um estudo correlacional, de corte transversal, realizado em uma Unidade de Terapia Renal Substitutiva do interior do Estado de São Paulo, com 99 pacientes. Os dados foram coletados por entrevista individual, utilizando-se os questionários de Caracterização Sociodemográfica e Clínica e o Addenbrooke's Cognitive Examination – Revised (ACE-R). A maioria dos participantes era do gênero masculino, com idade média de 54,68 anos. A pontuação média do ACE-R foi de 64,26 pontos, sendo que 76,76% (n=76) apresentaram pontuação abaixo do esperando, sugerindo a presença de comprometimento cognitivo e verificou-se correlação negativa, de moderada magnitude, entre a pontuação total do ACE-R e a idade (r= –0,38; p-valor=0,001), correlação positiva, de moderada magnitude, com os anos de escolaridade (r=0,52; p-valor=0,001) e correlação positiva de fraca magnitude com o tempo de hemodiálise (r=0,26; pvalor=0,001). Os pesquisadores concluíram que houve relação entre a capacidade cognitiva, a idade, os anos de escolaridade e tempo de hemodiálise sugerindo que as pessoas mais idosas, com menor escolaridade e maior tempo de hemodiálise apresentaram mais comprometimento cognitivo. Uma resenha de: Comprometimento cognitivo de pacientes com doença renal crônica em hemodiálise e sua relação com os aspectos sociodemográficos e clínicos Autores: Gesualdo, Gabriela Dutra et al.

Normas brasileiras e efeitos de idade e escolaridade no Teste Hayling e no Teste de Trilhas

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.188-195 Publicação nas áreas/temas do Medical Services: Psiquiatria, Sinapse, Clínica Geral, Geriatria

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi descrever dados normativos do Teste Hayling e do Teste de Trilhas em uma amostra de adultos brasileiros e investigar os efeitos de idade e escolaridade no desempenho das tarefas. Participaram deste estudo um total de 313 (TMT) e 364 (Hayling) indivíduos com idades nos intervalos de 19-39, 40-59 e 60-75 anos e com pelo menos 5 anos de escolaridade formal. Os testes foram administrados como parte de uma bateria maior de um projeto de normatização. Os indivíduos foram avaliados individualmente em salas silenciosas e ventiladas em uma clínica universitária. As pontuações dos protocolos foram realizadas por assistentes de pesquisa treinados e foram checadas duplamente para garantir a fidedignidade dos dados. Foram encontrados efeitos principais de idade no TMT (Tempo B, Erros B e Tempo BA) e no Teste Hayling (Erros B/15 e B/45), e efeitos principais de educação no TMT (Tempo B, Erros B e Tempo B-A) e no Teste Hayling (Tempo A, Erros B/15 e B/45). Foram encontrados efeitos de interação entre variáveis nos Tempos B e B-A do Teste Hayling e no Tempo A do TMT. Os pesquisadores concluíram que a idade e escolaridade foram fatores críticos para o desempenho em ambos os testes verbal e não-verbal de avaliação das funções executivas. Uma resenha de: Normas brasileiras e efeitos de idade e escolaridade no Teste Hayling e no Teste de Trilhas Autores: Zimmermann, Nicolle; Cardoso, Caroline de Oliveira; Kristensen, Christian Haag e Fonseca, Rochele Paz.

O Teste dos Cinco Dígitos na avaliação de idosos com baixa escolaridade: validade de construto e confiabilidade em uma amostra clínica do Brasil

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.173-179

Na avaliação de idosos com educação formal muito baixa, os testes típicos de atenção seletiva e controle inibitório são enviesados devido à dependência de habilidades básicas de leitura. Nesse sentido, este estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, pretendeu avaliar as características psicométricas do Teste dos Cinco Dígitos (Five Digits Test, FDT), teste de paradigma Stroop-numérico, em idosos sem transtornos cognitivos, em pacientes com comprometimento cognitivo e em pacientes com demência. Foram avaliados 211 idosos brasileiros com baixa escolarização formal por meio do FDT e outras medidas cognitivas. Analisamos a validade de construto e a confiabilidade por correlações e consistência interna. O FDT apresentou correlações fracas com testes de inteligência cristalizada e correlações de moderadas ou fortes com medidas de inteligência fluida, medidas cognitivas globais e testes de funções executivas. O teste apresentou consistência interna elevada (>0.900). Segundo os pesquisadores, em conjunto, os resultados sugerem que o FDT é uma medida válida e confiável para a avaliação da velocidade de processamento e funções executivas em idosos com baixa escolaridade. Uma resenha de: O Teste dos Cinco Dígitos na avaliação de idosos com baixa escolaridade: validade de construto e confiabilidade em uma amostra clínica do Brasil Autores: De Paula, Jonas Jardim; Oliveira, Thaís Dell’oro; Querino, Emanuel Henrique Gonçalves e Malloy-Diniz, Leandro Fernandes.

Heterogeneidade e homogeneidade da estrutura cerebral regional na esquizofrenia: uma meta-análise

12/12/2017 | Fonte: Fonte: JAMA Psychiatry. 2017 Nov 1;74(11):1104-1111

Estudos demonstram alterações no volume médio cerebral associadas à esquizofrenia. Contudo, ainda não está claro se a heterogeneidade clínica observada nesta desordem se reflete em nível neurobiológico, por exemplo, nas diferenças em termos de variabilidade interindividual desses volumes cerebrais em relação aos indivíduos controle. O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Psychiatry, foi avaliar se pacientes com primeiro episódio de esquizofrenia apresentam maior variabilidade dos volumes cerebrais regionais, além das diferenças médias de volume. Para a realização deste estudo foram realizadas buscas nas bases de dados MEDLINE, EMBASE e PsycINFO para estudos publicados até 1º de outubro de 2016, que relataram medidas volumétricas cerebrais regionais em pacientes e indivíduos controles por meio de ressonância magnética. Foram selecionados os estudos de casos e controles que relataram volumes cerebrais regionais em pacientes com primeiro episódio de esquizofrenia e indivíduos controles saudáveis usando ressonância magnética. Os valores de média e desvio-padrão foram extraídos de cada medida para cálculo dos tamanhos do efeito, os quais, por sua vez, foram combinados utilizando uma metaanálise multivariada. Foi considerado como resultado primário a variabilidade relativa das medidas volumétricas cerebrais regionais nos pacientes em comparação com os grupos controle, conforme indexado pela taxa de variabilidade (VR) e coeficiente de variação (CVR). Também foi utilizado o modelo Hedges g para quantificar as diferenças médias. Foram incluídos nas análises 108 estudos que relataram medições de 3.901 pacientes (1.272 [32,6%] do sexo feminino) com primeiro episódio de esquizofrenia e 4.040 indivíduos controles (1.613 [39,9%] do sexo feminino). Os resultados mostraram que a variabilidade no putamen (VR, 1,13; IC 95%, 1,03-1,24; P = 0,01), no lobo temporal (VR, 1,12; IC 95%; 1,04-1,21; P = 0,004), no tálamo (VR, 1,16; IC 95%, 1,07-1,26; P <0,001) e no volume do terceiro ventrículo (VR, 1,43; IC 95%, 1,20-1,71; P < 1 × 10-5) foi significativamente maior nos pacientes, enquanto que a variabilidade no volume do córtex cingulado anterior foi menor (VR, 0,89; IC 95%, 0,81-0,98; P = 0,02). Esses achados foram robustos considerando a escolha da medida de resultado. Não houve evidência de variabilidade alterada do núcleo caudado ou dos volumes do lobo frontal. Os volumes médios dos ventrículos laterais (g = 0,40; IC 95%; 0,29-0,51; P <0,001) e do terceiro ventrículo (g = 0,43; IC 95%; 0,26-0,59; P <0,001) foram maiores, enquanto que os volumes médios da amígdala (g = -0,46; -0,65 a -0,26; P <0,001), córtex cingulado anterior (g = -0,26; IC 95%; -0,43 a -0,10; P = 0,005), lobo frontal (g = -0,31; IC 95%, -0,44 a -0,19; P = 0,001), hipocampo (g = -0,66; IC 95%; -0,84 a -0,47; P SP, 05/12/2017 <0,001), lobo temporal (g = -0,22, IC 95%, -0,36 a -0,09; P = 0,001) e tálamo (g = -0,36; IC 95%, -0,57 a -15,15; P = 0,001) foram menores nos pacientes. Não houve evidência de volume médio alterado de núcleo caudado ou putamen. Os pesquisadores concluíram que além do volume médio alterado de muitas estruturas cerebrais, a esquizofrenia está associada à variabilidade significativamente maior do córtex temporal, tálamo, putamen e volumes do terceiro ventrículo, consistente com a heterogeneidade biológica nessas regiões, mas menor variabilidade do volume do córtex cingulado anterior. Segundo os autores, esse resultado indica maior homogeneidade do volume cingulado anterior e que esta seja uma região central afetada pela desordem, haja vista o volume médio significativamente menor dessa área. Palavras-chave: Heterogeneidade; homogeneidade; estrutura cerebral regional; esquizofrenia; meta-análise. Uma resenha de: Heterogeneity and Homogeneity of Regional Brain Structure in Schizophrenia: A Meta-analysis Autores: Brugger SP, Howes OD.

Efeitos da melhora do sono na saúde mental (OASIS): um estudo randomizado controlado com análise de mediação

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Lancet Psychiatry. 2017 Oct;4(10):749-758

Estudos sugerem que as dificuldades de sono podem ser um fator causal contributivo na ocorrência de problemas de saúde mental, de modo que a melhora do sono pode beneficiar a saúde psicológica. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Lancet Phychiatry, foi investigar se o tratamento da insônia leva a uma redução da paranoia e alucinações. Trata-se de um ensaio controlado, randomizado e unicego (OASIS) realizado em 26 universidades do Reino Unido. Estudantes universitários com insônia foram atribuídos aleatoriamente (1: 1) com randomização simples para receber terapia comportamental cognitiva digital (CBT) para insônia ou cuidados habituais, sendo que a equipe de pesquisa foi vendada à randomização. As avaliações on-line ocorreram nas semanas 0, 3, 10 (fim da terapia) e 22. Foram consideradas como medidas de resultado primário: insônia, paranoia e experiências alucinógenas. As análises foram feitas por intenção de tratar. Cerca 3.755 participantes foram atribuídos aleatoriamente, entre 5 de março de 2015 e 17 de fevereiro de 2016, para receber CBT digital para insônia (n = 1.891) ou cuidados habituais (n = 1.864). Os resultados mostraram que, em comparação com os cuidados habituais, a intervenção do sono em 10 semanas reduziu a insônia (diferença ajustada 4,88, IC 95% 4,2 a 29,26, d de Cohen = 1,11, p <0,0001), paranoia (-2,22, -2,98 a -1,45, d de Cohen = 0,19; p <0,0001) e alucinações (-1,58, -1,98 a -1,18, d de Cohen = 0,24 p <0,0001). Os resultados também mostraram que a insônia foi um mediador da mudança na paranoia e alucinações. Nenhum evento adverso foi relatado. Segundo os pesquisadores, este é o maior ensaio controlado randomizado de uma intervenção psicológica para um problema de saúde mental. Os autores destacam que os resultados fornecem fortes evidências de que a insônia é um fator causal na ocorrência de experiências psicóticas e outros problemas de saúde mental, contudo ressaltam que a extrapolação dos resultados para além de uma população estudantil ainda requer análises adicionais. Por fim, os autores salientam que o tratamento de distúrbios do sono pode exigir uma maior prioridade no provimento da saúde mental. Palavras-chave: Sono; saúde mental Uma resenha de: The effects of improving sleep on mental health (OASIS): a randomised controlled trial with mediation analysis Autores: Freeman D, Sheaves B, Goodwin GM et al.

Associação entre perfecionismo e afeto negativo e positivo: o papel da regulação emocional cognitiva e do stresse/coping percebidos

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.2, pp.77-87

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi explorar 1) se o perfeccionismo, o estresse/copingpercebidos e a regulação emocional cognitiva (REC) estão associadas e predizem o afeto negativo/positivo (AN/AP); e 2) se a REC e o estresse/copingestão associados e mediam a relação perfeccionismo-AN/AP. Existe uma distinção entre o perfeccionismo mal-adaptativo/adaptativo na associação com o AN/AP. A REC e o estresse/copingpoderão mediar as associações entre o perfeccionismo maladaptativo/adaptativo-AN/AP. 344 estudantes (68.4% do sexo feminino) completaram as Escalas Multidimensionais do Perfeccionismo de Hewitt & Flett e de Frost, a Escala Multidimensional de Perfeccionismo Compósita, o Perfil dos Estados de Humor, a Escala de Estresse Percebido e o Questionário da Regulação Emocional Cognitiva. Os preditores do AN foram o perfeccionismo adaptativo/mal-adaptativo, a REC maladaptativa e o estresse percebido (positivamente), a reavaliação positiva e planeamento e o coping(negativamente). Os preditores do AP foram o perfeccionismo adaptativo/maladaptativo e o estresse percebido (negativamente), a reavaliação positiva e planeamento, a refocalização positiva e o copingpercebido (positivamente). A associação entre o perfeccionismo mal-adaptativo e o AN foi mediada pela REC maladaptativa/baixa REC adaptativa, pelo estresse/baixo copingpercebidos. A associação entre o perfeccionismo mal-adaptativo/adaptativo e baixo AP foi mediada pelo estresse percebido. O elevado AP foi determinado pelo baixo perfeccionismo mal-adaptativo e esta associação foi mediada pela REC adaptativa e pelo coping. A associação entre o perfeccionismo adaptativo e o AN foi mediada pela REC mal-adaptativa e pelo estresse percebido. Os pesquisadores concluíram que a REC e o estresse/copingpercebidos estão associados e medeiam as associações entre o perfeccionismo e AN/AP. Palavras-chave: Perfecionismo; regulação emocional cognitiva; estresse/copingpercebidos; afeto negativo; afeto positivo. Uma resenha de: Associação entre perfecionismo e afeto negativo e positivo: o papel da regulação emocional cognitiva e do stresse/coping percebidos Autores: Castro, Juliana; Soares, Maria João; Pereira, Ana T. e Macedo, António.

Abordagem eclética a transtornos de ansiedade em crianças de zona rural

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.2, pp.88-97.

Transtornos de ansiedade em escolares afetam sua saúde mental e seu desenvolvimento psicológico. Tratamentos alternativos disponíveis consomem tempo e são dispendiosos. Nesse contexto, a terapia eclética é uma abordagem terapêutica que incorpora algumas técnicas e filosofias terapêuticas para criar o tratamento ideal. Neste estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, a terapia eclética consistiu de terapia artística e terapia cognitivo-comportamental (TCC) planejada para escolares com altos níveis de ansiedade. A terapia também incluiu sessões de orientação em grupo para as mães. A eficácia da intervenção foi examinada. 61 escolares com idade de 9-12 anos e altos níveis de ansiedade participaram do estudo. A intervenção A (n = 20) consistiu de 9 horas de terapia eclética para crianças com sessões de 3 horas de orientação em grupo para as mães. A intervenção B (n = 20) consistiu de 9 horas de terapia eclética para crianças. Houve também um grupo controle (n = 21). Escores atribuídos pelos professores às dificuldades de saúde mental das crianças e escores de ansiedade autoaplicados indicaram diferenças significativas entre resultados pré-teste e pós-teste, revelando grande tamanho de efeito entre as duas intervenções. Escores pré-teste maiores foram preditores significativos de escores pós-teste mais altos para todos os domínios de ansiedade e dificuldades de saúde mental. Idade, gênero, mães trabalhando 15 horas/dia, nível educacional da mãe, índice de divórcio, morte de um dos pais e renda familiar mensal foram preditores de desfechos da terapia. Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem a eficácia de arte eclética e TCC para melhorar a saúde mental de crianças e reduzir a ansiedade através de mudança em pensamentos, crenças, emoções e comportamentos que possam causar medo e ansiedade. Palavras-chave: Transtornos de ansiedade; crianças; Spence Children’s Anxiety Scale; eclectic therapy; SDQ; CBT. Uma resenha de: Abordagem eclética a transtornos de ansiedade em crianças de zona rural Autores: Ahmadi, Atefeh; Mustaffa, Mohamed Sharif; Haghdoost, Ali Akbar e Mansor, Syed Mohamed Shafeq

Neurite óptica associada ao MOG-IgG não é esclerose múltipla

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.10, pp.687-691.

Autoanticorpos contra a glicoproteína da mielina do oligodendrócito (MOG-IgG) têm sido descritos em pacientes com neurite óptica (NO) isolada, entre outras doenças inflamatórias do sistema nervoso central. Neste estudo, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, foram comparados os pacientes com NO MOG-IgG positivos com pacientes com NO associada a esclerose múltipla (EM). De um total de 38 pacientes com neuropatia óptica, seis foram MOG-IgG positivos e oito preencheram critérios diagnósticos para EM. Todos os pacientes com EM foram negativos para MOG-IgG (ensaio baseado em células). Quando comparados ao grupo com EM, os pacientes MOG-IgG positivos apresentaram idade mais avançada (mediana de 47 anos) e tiveram uma frequência maior de NO bilateral e/ou recorrente. Houve predomínio masculino (relação 2:1). A ressonância magnética de encéfalo de todos os pacientes MOG-IgG positivos foi normal ou demonstrou apenas lesões inespecíficas em T2. Segundo os pesquisadores, os achados sugerem que o MOG-IgG é um biomarcador de doença desmielinizante diferente da EM. Palavras-chave: neurite óptica; esclerose múltipla; glicoproteína mielinaoligodendrócito; autoanticorpos; doenças desmielinizantes. Uma resenha de: Neurite óptica associada ao MOG-IgG não é esclerose múltipla Autores: Costa, Bruna Klein da; Passos, Giordani Rodrigues dos; Becker, Jefferson e Sato, Douglas Kazutoshi.

Manutenção em longo prazo das abordagens de prevenção do diabetes: revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados

12/12/2017 | Fonte: Fonte: JAMA Intern Med. 2017 Nov 6. [Epub ahead of print]

A prevenção é crucial para retardar o crescimento mundial da morbimortalidade relacionada ao diabetes, contudo, a eficácia em longo prazo das estratégias de prevenção ainda não está completamente esclarecida. O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Internal Medicine, foi avaliar os efeitos globais em longo prazo de diferentes estratégias de prevenção sobre a incidência de diabetes. Para a realização deste estudo foram realizadas buscas nas bases de dados MEDLINE, EMBASE, Cochrane Library e Web of Science. A busca inicial foi realizada em 14 de janeiro de 2014 e atualizada em 20 de fevereiro de 2015. Os termos de busca incluíam prediabetes, primary prevention, e risk reduction. Foram considerados elegíveis os ensaios clínicos randomizados publicados entre 1º de janeiro de 1990 e 1º de janeiro de 2015 que avaliaram a modificação do estilo de vida (MEV) e as intervenções de medicação (> 6 meses) para a prevenção do diabetes em adultos (idade =18 anos) com risco de diabetes, e, que relataram diferenças entre os grupos na incidência de diabetes. Foram excluídos os estudos de terapias alternativas e cirurgia bariátrica, bem como aqueles envolvendo participantes com diabetes gestacional, diabetes tipo 1 ou 2 e síndrome metabólica. Os revisores extraíram o número de casos de diabetes no final da intervenção ativa tanto nos grupos de tratamento como nos grupos controle. Foram realizadas meta-análises de efeitos aleatórios para obter os riscos relativos agrupados (RR), e as taxas de incidência relatadas foram utilizadas para calcular diferenças de risco agrupadas (RDs). Foi considerado como resultado primário o RR agregado de diabetes no tratamento versus participantes controles. Os subtipos de tratamento foram estratificados, ou seja, componentes de MEV e classes de medicação. Para estimar a manutenção das abordagens, foram examinados os RRs pós-washout e o seguimento para as medicações e as intervenções de MEV, respectivamente. Foram incluídos cerca de 43 estudos que foram agrupados em meta-análise (49.029 participantes, idade média [desvio-padrão], 57,3 [8,7] anos, 48,0% [n = 23.549] homens): 19 estudos testaram medicamentos; 19 avaliaram MEV e 5 testaram medicamentos combinados com MEV. Os resultados mostraram que ao final da intervenção ativa (faixa de 0,5 a 6,3 anos), a MEV foi associada a uma redução de RR de 39% (RR, 0,61; IC 95%, 0,54-0,68) e os medicamentos foram associados a uma redução RR de 36% (RR, 0,64; IC 95%, 0,54-0,76). O RD observado para MEV e estudos de medicação foi de 4,0 (IC 95%, 1,8-6,3) por 100 pessoas-ano ou um número necessário para tratar de 25. No final do período de washout ou de seguimento, estudos de MEV (seguimento médio, 7,2 anos, intervalo, 5,7-9,4 anos) atingiram uma redução de RR de 28% (RR, 0,72; IC 95%, 0,60-0,86); estudos de medicação (seguimento médio, 17 semanas, intervalo, 2-52 semanas) não apresentaram redução sustentada de RR (RR, 0,95; IC 95%, 0,79-1,14). SP, 05/12/2017 Os pesquisadores concluíram que em adultos com risco de diabetes, tanto a MEV quanto os medicamentos (perda de peso e agentes sensibilizadores de insulina) reduziram com sucesso a incidência de diabetes, no entanto os efeitos da medicação foram de curta duração. Os autores destacam ainda, que as intervenções com MEV foram sustentadas por vários anos, no entanto seus efeitos diminuíram com o tempo, sugerindo que são necessárias intervenções para preservar os efeitos. Palavras-chave: Prevenção; diabetes Uma resenha de: Long-term Sustainability of Diabetes Prevention Approaches: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Clinical Trials. Autores: Haw JS, Galaviz KI, Straus AN, Kowalski AJ, Magee MJ, Weber MB, Wei J, Narayan KMV, Ali MK.

Guia prático de atualização em dermatite atópica - Parte II: abordagem terapêutica. Posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(2) :157-182

Nas últimas décadas o conhecimento sobre a etiopatogenia da dermatite atópica (DA) avançou muito. Além da identificação dos principais agentes desencadeantes e/ou agravantes envolvidos na expressão clínica da DA, verificou-se ser a integridade da barreira cutânea um dos pontos fundamentais para a manutenção da homeostase da pele. Assim, no tratamento do paciente com DA, além da evitação dos agentes desencadeantes e/ou irritantes, o uso de hidratantes é parte fundamental, e acreditase que tenha ação preventiva de surtos agudos. Além disso, a aquisição de agentes anti-inflamatórios de uso tópico tem permitido o controle de pacientes com formas leves a moderadas da DA. Embora tenham uso mais restrito, os agentes imunossupressores sistêmicos também têm sido empregados no tratamento de pacientes com DA grave ou refratária aos procedimentos habituais. Comenta-se também a imunoterapia alérgeno-específica como tratamento adjuvante da DA para alguns pacientes, sobretudo alérgicos aos ácaros e com manifestações respiratórias associadas. A aquisição de novos agentes, os imunobiológicos, também são apresentados à luz das evidências científicas e clínicas atuais. O presente guia prático de atualização em dermatite atópica - abordagem terapêutica, publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, teve por objetivo rever os esquemas de tratamento disponíveis e empregados no acompanhamento de pacientes com DA, além de apresentar terapêuticas futuras, como os agentes imunobiológicos que em breve estarão à disposição para o tratamento de formas mais graves e/ou refratárias da DA. Uma resenha de: Guia prático de atualização em dermatite atópica - Parte II: abordagem terapêutica. Posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria Autores: Vânia O. Carvalho; Dirceu Solé; Adriana A. Antunes; Ana E. Kiszewski Bau; Fábio C. Kuschnir; Márcia C. Mallozi; Jandrei R. Markus; Maria G. Nascimento e Silva; Mário C. Pires; Marice E. El Achkar Mello; Nelson A. Rosário Filho; Emanuel S. Cavalcanti Sarinho; Herberto J. Chong-Neto; Luciana R. Silva; Norma P. M. Rubini

Perfil clínico da rinite alérgica no idoso

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(2) :195-200

A rinite alérgica é uma doença de grande prevalência em todo o mundo, acometendo 15 a 42% da população geral, e 3 a 12% dos idosos. Acredita-se ser uma doença subdiagnosticada nesta população, porque algumas doenças frequentes nos idosos podem confundir o diagnóstico de doenças alérgicas. O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, foi avaliar o perfil clínico dos idosos com rinite alérgica atendidos no serviço de imunologia clínica e alergia de um hospital terciário de São Paulo. Avaliar também a sensibilização a aeroalérgenos, presença de asma alérgica e outras comorbidades. Foram selecionados 104 pacientes maiores de 60 anos, diagnosticados com rinite alérgica e não alérgica. Esses pacientes foram comparados quanto à presença de asma e outras doenças concomitantes, sensibilização a aeroalérgenos e uso de medicamentos. Dentre os pacientes com rinite alérgica, identificamos predomínio de rinite persistente moderada, sendo a asma o principal diagnóstico associado à rinite. Dentre as demais comorbidades observadas, os idosos tinham doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), hipertensão arterial sistêmica e diabetes, mas não foram encontradas associações significativas entre a presença destas comorbidades e a rinite. Detectamos 71,9% de sensibilidade entre os idosos com rinite alérgica, e verificamos associação significativa com relação a IgE específica in vitro e ocorrência de sintomas. Os pesquisadores concluíram que estudos com a população idosa são necessários para melhor conhecimento da rinite nesta população, suas necessidades e possíveis ações preventivas. Uma resenha de: Perfil clínico da rinite alérgica no idoso Autores: Bruna Beatriz Correa Barbosa; Cássio Caetano Macedo Mendes; Jorge Kalil; Fabio F. Morato Castro; Clóvis Eduardo Santos Galvão; Cynthia Mafra Fonseca de Lima

Guia prático sobre controle ambiental para pacientes com rinite alérgica

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(1) :7-22

A asma e a rinite alérgica são doenças frequentes e acometem parcela significativa da população, sobretudo crianças. Frequentemente a asma e a rinite coexistem e tem sido documentado que a presença de rinite potencialmente aumenta a gravidade da asma e impacta negativamente na qualidade de vida. Entre os agentes desencadeantes/agravantes dessas doenças são apontados: aeroalérgenos (ácaros do pó domiciliar, fungos, alérgenos de baratas, epitélio de animais, polens e ocupacionais), poluentes intradomiciliares e extradomiciliares (fumaça de tabaco, material particulado liberado pela cocção/aquecimento - gás de cozinha, fogão a lenha) e irritantes (odores fortes, ar-condicionado). O objetivo desse estudo foi identificar as medidas recomendadas para reduzir a exposição de pacientes sensíveis a esses agentes. Neste artigo, publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, foi realizada uma busca em base de dados MEDLINE, SciELO e LILACS empregando-se os descritores: environmental control, mite, cockroach, fungi, furry pets, pollen, irritants, smoking, indoor pollution, cooking. Foram revisados os principais estudos e elaborou-se um documento em que são discutidas as relações entre exposição e aparecimento de sintomas, assim como as medidas apontadas como tendo potencial para evitar a exacerbação/agravamento das doenças alérgicas respiratórias. Tenha acesso a este documento clicando no link abaixo. http://aaai- asbai.org.br/audiencia_pdf.asp?aid2=757&nomeArquivo=v1n1a04.pdf&ano=2017 Uma resenha de: Guia prático sobre controle ambiental para pacientes com rinite alérgica Autores: Norma de Paula M. Rubini; Gustavo F. Wandalsen; Maria Cândida V. Rizzo; Marcelo V. Aun; Herberto José Chong Neto; Dirceu Solé

Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento do angioedema hereditário - 2017

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(1) :23-48

O angioedema hereditário é uma doença autossômica dominante caracterizada por crises de edema com o envolvimento de múltiplos órgãos. A doença é desconhecida por muitos profissionais da área da saúde e, portanto, subdiagnosticada. Os pacientes que não são diagnosticados e tratados adequadamente têm uma mortalidade estimada de 25% a 40%, devido ao angioedema da laringe, resultando em asfixia. O angioedema de alças intestinais é outra manifestação importante e incapacitante, que pode ser a principal ou a única durante uma crise da doença. Neste cenário, um grupo de especialistas da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e do Grupo Brasileiro de Estudos sobre Angioedema Hereditário (GEBRAEH) atualizou as diretrizes para o diagnóstico e terapia do angioedema hereditário e as publicou nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia. Tenha acesso a estas diretrizes clicando no link abaixo. http://aaaiasbai.org.br/audiencia_pdf.asp?aid2=758&nomeArquivo=v1n1a05.pdf&ano=2017 Uma resenha de: Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento do angioedema hereditário - 2017 Autores: Pedro Giavina-Bianchi; L. Karla Arruda; Marcelo V. Aun; Regis A. Campos; Herberto J. Chong-Neto; Rosemeire N. Constantino-Silva; Fátima F. Fernandes; Maria F. Ferraro; Mariana P. L. Ferriani; Alfeu T. França; Gustavo Fusaro; Juliana F. B. Garcia; Shirley Komninakis; Luana S. M. Maia; Eli Mansour; Adriana S. Moreno; Antonio A. Motta; João Bosco Pesquero; Nathalia Portilho; Nelson A. Rosário; Faradiba S. Serpa; Dirceu Solé; Eliana Toledo; Solange O. R. Valle; Camila Lopes Veronez; Anete S. Grumach

IgE, IgG4 e IgA específicas na alergia ao látex

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(1) :99-108

A alergia ao látex é considerada um problema mundial de saúde por estar associada a reações potencialmente fatais. O objetivo principal deste estudo, publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, é identificar fatores clínico-laboratoriais associados à sensibilização e alergia ao látex, avaliando as concentrações de IgE, IgG4 e IgA específicas nestas condições. Foi realizado um estudo observacional transversal em uma coorte de 400 crianças e adolescentes com defeito do fechamento do tubo neural. Os pacientes realizaram entrevista clínica e foram submetidos a coleta de sangue periférico para a detecção dos níveis séricos de IgE, IgG4 e IgA específicas para látex. As prevalências de sensibilização e alergia ao látex foram calculadas e as variáveis clínico-laboratoriais coletadas foram analisadas. A prevalência de sensibilização e de alergia ao látex em pacientes com defeito de fechamento do tubo neural foi de 33,2% e 12,2%, respectivamente. As manifestações clínicas de alergia ao látex mais frequentes foram as cutâneas (79,6%), mas anafilaxia foi observada em 4,75% dos pacientes. Os fatores clínico-cirúrgicos associados à alergia ao látex foram identificados e um escore de sintomas para rastrear os pacientes foi desenvolvido. A concentração de IgE sérica específica para látex = 0,77 kUA/L tem boa acurácia para diferenciar os pacientes sensibilizados assintomáticos dos alérgicos. As dosagens de IgE sérica específica para alérgenos recombinantes também apresentaram boa acurácia no diagnóstico da alergia. Os pesquisadores concluíram que a maior concentração de IgE específica para látex e Hevb5, menor concentração de IgG4 específica para látex e escore de sintomas = 40% estiveram associados com alergia ao látex. Uma resenha de: IgE, IgG4 e IgA específicas na alergia ao látex Autores: Laila S. Garro; Marcelo V. Aun; Antônio A. Motta; Jorge Kalil; Pedro GiavinaBianchi

Triagem neonatal de imunodeficiências graves combinadas por meio de trecs e krecs: segundo estudo piloto no brasil

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.1, pp.25-32.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi validar a quantificação de T-cell receptor excision circles (TRECs) e kappa-deleting recombination circles (KRECs) por reação em cadeia de polimerase (polymerase chain reaction, PCR) em tempo real (qRT-PCR), para triagem neonatal de imunodeficiências primárias que cursam com defeitos nas células T e/ou B no Brasil. Amostras de sangue de recém-nascidos (RN) e controles foram coletadas em papelfiltro. O DNA foi extraído e os TRECs e KRECs foram quantificados por reação duplex de qRT-PCR. O valor de corte foi determinado pela análise de Receiver Operating Characteristics Curve, utilizando-se o programa Statistical Package for the Social Sciences (SSPS) (IBM®, Armonk, NY, EUA). 6.881 amostras de RN foram analisadas quanto à concentração de TRECs e KRECs. Os valores de TRECs variaram entre 1 e 1.006 TRECs/µL, com média e mediana de 160 e 139 TRECs/µL, respectivamente. Três amostras de pacientes diagnosticados com imunodeficiência grave combinada (severe combined immunodeficiency, SCID) apresentaram valores de TRECs abaixo de 4/µL e um paciente com Síndrome de DiGeorge apresentou TRECs indetectáveis. Os valores de KRECs encontraram-se entre 10 e 1.097 KRECs/µL, com média e mediana de 130 e 108 KRECs/µL, e quatro pacientes com diagnóstico de agamaglobulinemia tiveram resultados abaixo de 4 KRECs/µL. Os valores de corte encontrados foram 15 TRECs/µL e 14 KRECs/µL, e foram estabelecidos de acordo com a análise da Receiver Operating Characteristics Curve, com sensibilidade de 100% para detecção de SCID e agamaglobulinemia, respectivamente. Os pesquisadores concluíram que a quantificação de TRECs e KRECs foi capaz de diagnosticar crianças com linfopenias T e/ou B em nosso estudo, validando a técnica e dando o primeiro passo para a implementação da triagem neonatal em grande escala no Brasil. Uma resenha de: Triagem neonatal de imunodeficiências graves combinadas por meio de trecs e krecs: segundo estudo piloto no brasil Autores: Kanegae, Marilia Pyles P. et al.

Triagem neonatal de imunodeficiências graves combinadas por meio de trecs e krecs: segundo estudo piloto no brasil

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.1, pp.25-32.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi validar a quantificação de T-cell receptor excision circles (TRECs) e kappa-deleting recombination circles (KRECs) por reação em cadeia de polimerase (polymerase chain reaction, PCR) em tempo real (qRT-PCR), para triagem neonatal de imunodeficiências primárias que cursam com defeitos nas células T e/ou B no Brasil. Amostras de sangue de recém-nascidos (RN) e controles foram coletadas em papelfiltro. O DNA foi extraído e os TRECs e KRECs foram quantificados por reação duplex de qRT-PCR. O valor de corte foi determinado pela análise de Receiver Operating Characteristics Curve, utilizando-se o programa Statistical Package for the Social Sciences (SSPS) (IBM®, Armonk, NY, EUA). 6.881 amostras de RN foram analisadas quanto à concentração de TRECs e KRECs. Os valores de TRECs variaram entre 1 e 1.006 TRECs/µL, com média e mediana de 160 e 139 TRECs/µL, respectivamente. Três amostras de pacientes diagnosticados com imunodeficiência grave combinada (severe combined immunodeficiency, SCID) apresentaram valores de TRECs abaixo de 4/µL e um paciente com Síndrome de DiGeorge apresentou TRECs indetectáveis. Os valores de KRECs encontraram-se entre 10 e 1.097 KRECs/µL, com média e mediana de 130 e 108 KRECs/µL, e quatro pacientes com diagnóstico de agamaglobulinemia tiveram resultados abaixo de 4 KRECs/µL. Os valores de corte encontrados foram 15 TRECs/µL e 14 KRECs/µL, e foram estabelecidos de acordo com a análise da Receiver Operating Characteristics Curve, com sensibilidade de 100% para detecção de SCID e agamaglobulinemia, respectivamente. Os pesquisadores concluíram que a quantificação de TRECs e KRECs foi capaz de diagnosticar crianças com linfopenias T e/ou B em nosso estudo, validando a técnica e dando o primeiro passo para a implementação da triagem neonatal em grande escala no Brasil. Uma resenha de: Triagem neonatal de imunodeficiências graves combinadas por meio de trecs e krecs: segundo estudo piloto no brasil Autores: Kanegae, Marilia Pyles P. et al.

Risco reduzido de sensibilização ao amendoim após a exposição pela amamentação e introdução precoce do amendoim

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Aug 22. pii: S0091-6749(17)31104-1

Evidências recentes apontam um aumento do risco de alergia ao amendoim em indivíduos que evitaram a exposição durante a infância, no entanto ainda faltam esclarecimentos sobre os efeitos decorrentes do consumo de amendoim pelas mães. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi avaliar a relação entre o consumo materno de amendoim durante a amamentação, o momento da introdução direta do amendoim na alimentação e a sensibilização para o amendoim aos 7 anos de idade. Para a realização deste estudo foi realizada uma análise secundária dos dados de uma coorte aninhada do ensaio Canadian Asthma Primary Prevention Study de 1995. A avaliação da amamentação e o consumo de amendoim materno e infantil foram realizados por questionários repetidos durante a infância. O teste cutâneo para a sensibilização ao amendoim, por sua vez, foi realizado aos 7 anos de idade. Os resultados indicaram que 58,2% das mães consumiram amendoim durante a amamentação e 22,5% introduziram diretamente o amendoim na alimentação dos seus bebês ao longo de 12 meses, sendo que aos 7 anos, 9,4% das crianças foram sensibilizadas para amendoim. Os resultados mostraram uma menor incidência (1,7%) de sensibilização ao amendoim em crianças cujas mães consumiram amendoim durante a amamentação e introduziram o amendoim antes de 12 meses. No entanto, a incidência foi significativamente maior (P <0,05) quando as mães consumiram amendoim durante a amamentação, mas atrasaram a introdução de amendoim ao seu bebê para além de 12 meses (15,1%) ou quando as mães evitaram o amendoim na amamentação, mas introduziram diretamente ao longo de 12 meses (17,6%). As análises de interação controlando o grupo de estudo e a atopia materna confirmaram que o consumo materno de amendoim durante a amamentação combinado ao consumo infantil em 12 meses foram protetores, enquanto que a exposição isolada esteve associada a um risco aumentado de sensibilização (interação P = 0,003). Os pesquisadores concluíram que nesta análise secundária, o consumo materno de amendoim durante a amamentação em conjunto com a introdução direta do amendoim no primeiro ano de vida foi associado ao menor risco de sensibilização ao amendoim, em comparação com todas as outras combinações de consumo de amendoim materno e infantil. Uma resenha de: Reduced risk of peanut sensitization following exposure through breast-feeding and early peanut introduction Autores: Pitt TJ, Becker AB, Chan-Yeung M, Chan ES, Watson WTA, Chooniedass R, Azad MB.

Espectros clínico, imunológico e genético de 696 pacientes com imunodeficiência combinada

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Sep 12. pii: S0091-6749(17)31436-7

As imunodeficiências combinadas (CIDs, do inglês combined immunodeficiencies) são patologias de imunidade adaptativa defeituosa que apresentam fenótipos clínicos diversos. Apesar das CIDs serem mais prevalentes no Oriente Médio do que em países ocidentais, os recursos para o diagnóstico genético são limitados. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi caracterizar clínica e geneticamente os tipos de pacientes com CID. Para a realização deste estudo foram obtidos dados clínicos e laboratoriais de 696 pacientes com CIDs. Os pacientes foram subdivididos entre aqueles sindrômicos (344 pacientes) e não sindrômicos (352 pacientes). A sequência de DNA foi realizada em 243 pacientes (34,9%). O rendimento do diagnóstico global dos 243 pacientes sequenciados foi de 77,8% (189 pacientes). O diagnóstico clínico de HIES (Hyper-IgE syndromes, p <0,001), o surgimento da doença a partir dos 5 anos (p = 0,02) e a ausência de múltiplos membros da família afetados (p = 0,04) foram significativamente mais frequentes nos pacientes sem diagnóstico genético. Foi encontrada uma doença autossômica recessiva em 62,9% dos pacientes, refletindo a alta taxa de consanguinidade nesta coorte. Os resultados também mostraram que as mutações que prejudicam a recombinação VDJ e o reparo do DNA foram as causas subjacentes mais comuns das CIDs. Contudo, os loci genômicos mais comumente afetados em pacientes sindrômicos com CID foram mutações autossômicas recessivas em ATM (ataxiatelangiectasia mutado), mutações autossômicas dominantes em STAT3 (signal transducer and activator of transcription 3) e microdeleções em 22q11.21. Os pacientes sindrômicos com CIDs tiveram taxa de sobrevivência de cinco anos significativamente menor do que aqueles não sindrômicos com CIDs. Os pesquisadores concluíram que este estudo fornece prova de princípio para a aplicação de painéis de sequenciamento alvo da próxima geração em países com recursos de diagnóstico limitados. Segundo os autores, o impacto do diagnóstico genético em cuidados clínicos requer melhorias contínuas nos recursos terapêuticos para esses pacientes. Uma resenha de: Clinical, Immunological and Genetic Spectrum of 696 Patients with Combined Immunodeficiency Autores: Abolhassani H, Chou J, Bainter W et al.

A microbiota das vias aéreas sinaliza a remodelação anabólica e catabólica no pulmão transplantado

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Jul 18. pii: S0091-6749(17)31102-8

O turnover homeostático da matriz extracelular condiciona a estrutura e a função do pulmão saudável. No transplante de pulmão, o controle de longo prazo permanece limitado pela disfunção crônica do aloenxerto pulmonar, um termo guarda-chuva usado para uma entidade heterogênea, em última instância, associada à remodelação patológica das vias aéreas e/ou ao parênquima. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi avaliar se o crosstalk local entre a microbiota pulmonar e as células hospedeiras é um determinante-chave no controle da remodelação das vias aéreas inferiores póstransplante. Para a realização deste estudo foram isolados o DNA da microbiota e o RNA total do hospedeiro a partir de 189 procedimentos de lavado bronco-alveolar obtidos de 116 pacientes após transplante pulmonar. Foi aplicada a técnica de PCR em tempo real para quantificar a expressão de um conjunto de 11 genes que codificam componentes da matriz ou fatores envolvidos na síntese ou degradação da matriz (remodelação anabólica e catabólica, respectivamente). A composição de microbiota foi caracterizada usando sequenciamento e cultura de genes de RNA ribossômico 16S. Os resultados identificaram 4 perfis de expressão gênica do hospedeiro, dentre os quais o remodelamento catabólico, associado à alta expressão de metalopeptidase-7, -9 e -12, divergiu do remodelamento anabólico ligado à trombospondina máxima e à expressão do fator de crescimento derivado de plaquetas. Enquanto a remodelação catabólica estava alinhada com uma microbiota dominada por bactérias próinflamatórias (por exemplo, Staphylococcus, Pseudomonas e Corynebacterium), o remodelamento anabólico estava ligado a membros típicos do estado estável saudável (por exemplo, Prevotella, Streptococcus e Veillonella). Inferências sobre o mecanismo subjacente apontam que essas bactérias podem afetar a ativação do macrófago e fibroblastos do hospedeiro e a deposição matricial. Os pesquisadores concluíram que a interação hospedeiro-micróbio potencialmente determina atividades de remodelação no pulmão transplantado, o que aponta para novas oportunidades terapêuticas para melhorar o resultado do transplante pulmonar de longo prazo. Uma resenha de: Airway microbiota signals anabolic and catabolic remodeling in the transplanted lung Autores: Mouraux S, Bernasconi E, Pattaroni C, Koutsokera A, Aubert JD, Claustre J, Pison C, Royer PJ, Magnan A, Kessler R, Benden C, Soccal PM,Marsland BJ, Nicod LP; SysCLAD Consortium.

A exposição ao ácido n-glicolilneuramínico não microbiano protege crianças que vivem em ambientes rurais contra a inflamação das vias aéreas e colite

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Jun 17. pii: S0091-6749(17)30994-6

Estudos recentes demonstraram que crianças que vivem em ambientes rurais adquirem proteção contra o desenvolvimento de doenças inflamatórias, como alergias, asma e doenças inflamatórias intestinais. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi avaliar se a exposição a estruturas de origem microbiana ou não, como um tipo de ácido siálico denominado ácido N-glicolilneuramínico (Neu5Gc), poderia desempenhar um papel importante no desenvolvimento de alergias. A exposição ao Neu5Gc foi avaliada pela quantificação dos níveis séricos de anticorpos anti-Neu5Gc de crianças registradas em 2 estudos agrícolas, a saber: o ensaio PARSIFAL (Prevention of Allergy Risk factors for Sensitization in Children Related to Farming and Anthroposophic Lifestyle; n = 299) e a coorte de nascimento PASTURE (Protection Against Allergy Study in Rural Environments) (sangue do cordão umbilical [n = 836], 1 ano [n = 734], 4,5 anos [n = 700] e 6 anos [n = 728]). Os dados foram posteriormente associados com diagnósticos de asma e sibilância. O efeito de Neu5Gc foi examinado em modelos murinos de inflamação das vias aéreas e colite. O papel de Neu5Gc na regulação da ativação imune, por sua vez, foi avaliado com base em células T auxiliares e ativação de células T reguladoras em camundongos. Os resultados mostraram que houve correlação positiva dos níveis de IgG antiNeu5Gc em crianças que vivem em ambiente rural e o aumento da expressão da FOXP3 (Forkhead Box Protein 3) no sangue periférico, bem como correlação inversa com sibilos e asma em indivíduos não atópicos. A exposição a Neu5Gc em camundongos resultou em redução da hiper-reatividade das vias aéreas e recrutamento de células inflamatórias para o pulmão. Além disso, a administração de Neu5Gc em camundongos reduziu a gravidade de um modelo de colite. Inferências sobre o mecanismo subjacente apontam que a exposição a Neu5Gc reduziu o número de células T IL-17+ e favoreceu a diferenciação de células T reguladoras. Os pesquisadores concluíram que além da exposição microbiana, o aumento da exposição ao Neu5Gc não microbiano pode contribuir para os efeitos protetores associados ao ambiente rural. Uma resenha de: Exposure to nonmicrobial N-glycolylneuraminic acid protects farmers' children against airway inflammation and colitis Autores: Frei R, Ferstl R, Roduit C, Ziegler M, Schiavi E, Barcik W, Rodriguez-Perez N, Wirz OF, Wawrzyniak M, Pugin B, Nehrbass D, Jutel M, Smolinska S, Konieczna P, Bieli C, Loeliger S, Waser M, Pershagen G, Riedler J, Depner M, Schaub B, Genuneit J, Renz H, Pekkanen J, Karvonen AM, Dalphin JC, van Hage M, Doekes G, Akdis M, Braun-Fahrländer C, Akdis CA, von Mutius E, O'Mahony L, Lauener RP; Prevention of Allergy Risk factors for Sensitization in Children Related to Farming and Anthroposophic Lifestyle (PARSIFAL); Protection Against Allergy Study in Rural Environments (PASTURE)/Mechanisms of Early Protective Exposures on Allergy Development (EFRAIM); study groups.

Quando a dermatite atópica requer terapia sistêmica? Recomendações de um painel de especialistas do International Eczema Council

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Am Acad Dermatol. 2017 Oct;77(4):623-633

A maioria dos tratamentos para dermatite atópica são realizados efetivamente com medicação tópica, no entanto há uma parcela significativa de pacientes que necessita de terapia sistêmica, porém não existem diretrizes para a tomada de decisões sobre o avanço para a terapia sistêmica. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Academy of Dermatology, foi orientar aqueles que consideram o uso da terapia sistêmica na dermatite atópica e fornecer uma estrutura para avaliação antes da tomada da decisão terapêutica com o paciente. Neste estudo, um subgrupo do International Eczema Council determinou aspectos a serem considerados antes da prescrição da terapia sistêmica. Os tópicos foram atribuídos a revisores especializados que realizaram uma revisão de literatura específica do tópico, mencionaram nas diretrizes quando disponíveis e forneceram interpretação e opinião especializada. Os autores recomendam que antes da terapia sistêmica, deve haver uma abordagem sistemática e holística para avaliar os pacientes com sinais e sintomas graves de dermatite atópica, além do impacto na qualidade de vida. As etapas tomadas antes de iniciar a terapia sistêmica incluem considerar diagnósticos alternativos ou concomitantes, evitando fatores desencadeantes, aprimorando a terapia tópica, garantindo uma educação adequada do paciente/cuidador, tratando a infecção coexistente, avaliando o impacto na qualidade de vida e considerando a fototerapia. Os autores atribuem como limitação deste estudo o fato de se tratar de uma declaração de consenso e não de uma revisão sistemática. Os pesquisadores concluem que a decisão de iniciar a medicação sistêmica deve incluir avaliação da gravidade e da qualidade de vida, considerando o estado geral de saúde do indivíduo, necessidades psicológicas e atitudes pessoais em relação às terapias sistêmicas. Uma resenha de: When does atopic dermatitis warrant systemic therapy? Recommendations from an expert panel of the International Eczema Council Autores: Simpson EL, Bruin-Weller M, Flohr C, Ardern-Jones MR, Barbarot S, Deleuran M, Bieber T, Vestergaard C, Brown SJ, Cork MJ, Drucker AM, Eichenfield LF, Foelster-Holst R, Guttman-Yassky E, Nosbaum A, Reynolds NJ, Silverberg JI, Schmitt J, Seyger MMB, Spuls PI, Stalder JF, Su JC, Takaoka R, Traidl-Hoffmann C, Thyssen JP, van der Schaft J, Wollenberg A, Irvine AD, Paller AS.

Papel do equilíbrio de IL-12 / IL-35 na síndrome de Sjögren

11/12/2017 | Fonte:

Estudos demonstram que há o envolvimento de uma assinatura de interferon na patogênese da síndrome de Sjögren primária, no entanto ainda não está completamente esclarecido se a assinatura é do tipo 1 ou 2. Ensaios genéticos e resultados de estudos em modelos animais sugerem o envolvimento das vias T helper 1 e interferon tipo 2. Além disso, os polimorfismos do gene da interleucina 12A (IL12A), que codifica para IL-12p35, foram associados à síndrome de Sjögren primária. A subunidade IL-12p35, por sua vez é compartilhada por 2 heterodímeros, IL-12 e IL-35. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi confirmar a associação genética do polimorfismo de IL-12A e síndrome de Sjögren primária, bem como esclarecer o envolvimento do equilíbrio de IL-12/IL-35 na síndrome de Sjögren por estudos funcionais. O estudo genético envolveu 673 pacientes com síndrome de Sjögren primária de 2 coortes franceses da mesma patologia, além de outros 585 indivíduos franceses controles saudáveis. Foram realizados estudos funcionais em monócitos ordenados, estimulados ou não. Os níveis de RNAm de IL-12A e a expressão proteica de IL-12 e IL-35 foram avaliados por qRT-PCR e por ELISA, além de um kit multiplex para IL-35 e IL-12, respectivamente. Os resultados demonstraram uma associação entre o polimorfismo IL-12A rs485497 e a síndrome de Sjögren primária, além de um aumento do nível de proteína sérica de IL-12p70 em pacientes com síndrome de Sjögren primária portadores do alelo de risco (p = 0,016). Também foi observado que o nível sérico de IL-12p70 foi maior nos pacientes do que nos controles (p = 0,0001), especialmente pacientes com doença mais ativa (p = 0,05). Por outro lado, o nível de IL-35 diminuiu nos pacientes (p = 0,0001) especialmente em pacientes com doença mais ativa (p = 0,05). As análises de subconjuntos de células sanguíneas identificaram que o RNAm de IL-12p35 e EBI-3 foi detectado apenas em células B com tendência para um menor nível entre os pacientes com síndrome de Sjögren primária. Os pesquisadores concluíram que os resultados confirmam o envolvimento do equilíbrio IL-12/IL-35 na patogênese da síndrome de Sjögren primária. Segundo os autores, o nível sérico de IL-35 foi associado à baixa atividade da doença, em contraste com o nível sérico de IL-12p70, que foi bastante associado à doença mais ativa. Uma resenha de: Role of the IL-12/IL-35 balance in Sjögren's syndrome Autores: Fogel O, Rivière E, Seror R, et al. Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Sep 12. pii: S0091-6749(17)31434-3

Papel prognóstico da regressão histológica no melanoma cutâneo primário: uma revisão sistemática e meta-análise

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Br J Dermatol. 2017 Apr 7. [Epub ahead of print]

Ainda não há consenso sobre a significância prognóstica da regressão histológica no melanoma primário, o que, por sua vez, permanece em debate há anos. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no British Journal of Dermatology, foi rever a evidência para esclarecer como a regressão histológica pode afetar o prognóstico. Para a realização desta revisão sistemática, foi realizada busca nas bases de dados MEDLINE, Scopus e na Biblioteca Cochrane para estudos publicados a partir de 1º de janeiro de 1966 até 1º de agosto de 2015. Foram incluídos todos os estudos que relatam razão de risco ou dados sobre a sobrevivência e regressão histológica. As meta-análises primárias de efeitos aleatórios foram utilizadas para resumir as medidas de resultado. O teste ?2 e a estatística I2 foram utilizados para avaliação da heterogeneidade e o viés potencial de pequenos estudos foi verificado pelos métodos de gráfico em funil e pelo método de correlação de classificação ajustado de Begg e Mazumdar. O resumo dos resultados de sobrevivência foi mensurado como razão de risco ou risco relativo de morte aos 5 anos de acordo com a presença de regressão histológica do melanoma primário. A busca retornou um total de 1.876 artigos, sendo que 183 foram selecionados. 10 estudos atenderam aos critérios de inclusão e foram analisados, totalizando 8.557 pacientes. Os resultados mostraram que os pacientes com regressão histológica apresentaram menor risco relativo de morte (0,772; IC 95%, 0,612-0,973) do que aqueles sem regressão histológica. Não houve evidências de viés de publicação com base nos resultados da análise do modelo de gráfico em funil. Os pesquisadores concluíram que a regressão histológica é um fator protetor para a sobrevivência. Uma resenha de: Prognostic role of Histologic regression in primary cutaneous melanoma: A Systematic Review and Meta-analysis Autores: Gualano MR, Osella-Abate S, Scaioli G, Marra E, Bert F, Faure E, Baduel ES, Balagna E, Quaglino P, Fierro MT, Siliquini R, Ribero S.

Diferenças de sexo na associação de taxas de incidência de melanoma cutâneo e exposição geográfica à luz ultravioleta

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Am Acad Dermatol. 2017 Mar;76(3):499-505.e3

As taxas de incidência de melanoma cutâneo (MC) continuam a aumentar e os motivos são desconhecidos. Anteriormente, foi relatado uma incomparável diferença sexo especifica à idade no melanoma, que sugeriu outras causas além da radiação solar ultravioleta (UV). Este estudo, publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, procurou entender se e como a radiação UV afeta diferencialmente a incidência de MC em homens e mulheres. Os dados de MC e o índice UV diário (UVI) de 31 registros de câncer foram coletados para análise de associação. Um segundo conjunto de dados de 42 estados dos EUA foi utilizado para validação. Não houve associação entre as taxas de MC feminino log-transformadas e os níveis de UVI, mas houve uma associação significativa entre as taxas masculinas e UVI e uma associação significativa entre as taxas globais e UVI. Os níveis de associação UVI de 5 anos (representados pelo coeficiente de Pearson ?) aumentaram com a idade em homens, mas os níveis ? específicos da idade permaneceram baixos e inalterados nas mulheres. A taxa significativa de associação UVI em homens e não associação em mulheres foi validada em uma população de residentes brancos dos Estados Unidos. Conflitos, incluindo temperatura e latitude, são difíceis de separar de UVI. Os autores concluíram que UVI ambiental parece estar associado à incidência de melanoma em homens, mas não em mulheres. Uma resenha de: Sex differences in the association of cutaneous melanoma incidence rates and geographic ultraviolet light exposure Autores: Liu-Smith F, Farhat AM, Arce A, Ziogas A, Taylor T, Wang Z, Yourk V, Liu J, Wu J, McEligot AJ, Anton-Culver H, Meyskens FL.

Lentigo maligno - localização anatômica como fator de risco potencial para recidivas após tratamento não cirúrgico

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Eur Acad Dermatol Venereol. 2017 Mar;31(3):450-454

Dados anteriores de um estudo de coorte observou uma maior incidência de recorrências de lentigo maligno no nariz após tratamento não cirúrgico. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, foi investigar os parâmetros histológicos que podem estar relacionados com a maior incidência (observada anteriormente) de recidivas de lentigo maligno no nariz após tratamento não cirúrgico. Para a realização deste estudo, foram selecionados de forma aleatória cerca de 22 espécimes cirúrgicos de lentigo maligno no nariz e 22 na bochecha. A análise histopatológica foi realizada em lâminas com amostras coradas por hematoxilina e eosina, além de coloração imunohistoquímica para fator de transcrição de microftalmia. Foram realizadas as seguintes análises: determinação do número de unidades pilossebáceas (PSU) por mm, profundidade máxima de melanócitos atípicos ao longo da pele e a profundidade máxima da PSU per se. Os resultados mostraram que o nariz apresentou densidade significativamente maior de PSU do que a bochecha. Os melanócitos atípicos se estenderam mais profundamente ao longo da PSU no nariz com profundidade média (desvio-padrão) de 1,29 mm (0,48) em comparação a 0,72 mm (0,30) na bochecha (P <0,001). A profundidade máxima da PSU no nariz foi maior do que na bochecha; profundidade média (desvio-padrão) de 2,28 mm (0,41) vs. 1,65 mm (0,82) (P = 0,003). Os pesquisadores concluíram que o maior risco de recorrência de lentigo maligno no nariz após o tratamento não cirúrgico observado anteriormente é provavelmente baseado em uma maior densidade de melanócitos atípicos, e também pela sua extensão mais profunda nos folículos. Segundo os autores, esses resultados esclareceram os achados anteriores e evidenciam que a localização anatômica é relevante para o risco de recorrência de lentigo maligno após o tratamento não cirúrgico. Uma resenha de: Lentigo maligna - anatomic location as a potential risk factor for recurrences after non-surgical treatment Autores: Greveling K, van der Klok T, van Doorn MB, Noordhoek Hegt V, Prens EP.

Suplementação de vitamina D durante a gravidez: efeito no sistema imunológico neonatal em um ensaio controlado randomizado

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 May 16. pii: S0091-6749(17)30575-4

Estudos demonstram que a “programação” do sistema imune durante o desenvolvimento fetal pode influenciar os fatores de risco e os resultados relacionados à asma na vida adulta. Nesse sentido, evidências confirmam que a vitamina D é um importante modulador imunológico, de modo que a deficiência desta vitamina durante a gestação poderia influenciar o desenvolvimento de doenças na criança. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi avaliar o efeito da suplementação materna de vitamina D3 (4400 UI/d) sobre a imunidade neonatal durante o segundo e terceiro trimestres da gravidez, utilizando um subconjunto de amostras de sangue do cordão umbilical de um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo (Vitamin D Antenatal Asthma Reduction Trial). Foram realizadas análises das amostras de sangue do cordão umbilical de bebês recém-nascidos de mães que foram suplementadas com 4400 UI/d (n = 26) ou 400 UI/d (n = 25) de vitamina D3. As principais análises incluíram: composição de células imunes através de citometria de fluxo, expressão do Toll-like receptor (TLR) por PCR e secreção de citocinas após estímulos mitogênicos, TLR e de células T por CBA (cytometric bead array). Também foi avaliada a responsividade à dexametasona. Os resultados mostraram resposta melhorada de citocinas pró-inflamatórias de amplo espectro de células mononucleares do sangue do cordão umbilical para estímulos inatos e mitogênicos (P = 0,0009) resultante da suplementação de mães com 4400 UI de vitamina D3. O aumento médio foi de 1,7 a 2,1 vezes nos níveis de várias citocinas pró-inflamatórias (GM-CSF, IFN-?, IL-1ß, IL-6 e IL-8) em todos os estímulos. Também houve maior expressão gênica de TLR2 (P = 0,02) e TLR9 (P = 0,02) e um aumento maior do que 4 vezes na produção de IL-17A (P = 0,03) após a estimulação das células T policlonais. Os resultados também indicaram melhora na resposta de IL-10 de células mononucleares do sangue do cordão umbilical para o tratamento com dexametasona em cultura (P = 0,018). Os pesquisadores concluíram que a exposição à vitamina D durante o desenvolvimento fetal influencia o sistema imunológico do recém-nascido, o que pode contribuir para a proteção contra a asma e infecções relacionadas na infância. Uma resenha de: Vitamin D supplementation during pregnancy: Effect on the neonatal immune system in a randomized controlled trial Autores: Hornsby E, Pfeffer PE, Laranjo N, Cruikshank W, Tuzova M, Litonjua AA, Weiss ST, Carey VJ, O'Connor G, Hawrylowicz C.

Risco futuro de exacerbações graves em longo prazo: trajetórias distintas de 5 anos de asma problemática

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Allergy. 2017 Sep;72(9):1398-1405

Um componente importante para o controle da asma trata da avaliação do risco futuro de exacerbações. Embora a literatura apresente dados sobre a temática, a maioria dos estudos investigou o risco em curto prazo, de modo que pacientes com asma problemática com trajetória desfavorável da doença em longo prazo e exacerbações graves frequentes precisam ser identificados precocemente para orientar o tratamento. O objetivo deste estudo, publicado no Allergy, foi identificar distintas trajetórias das taxas de exacerbação severa entre os pacientes com "asma problemática" e desenvolver um escore de risco para prever a trajetória mais desfavorável. Para a realização deste estudo, foram rastreadas taxas de exacerbação severa ao longo de cinco anos para 177 pacientes com "asma problemática" em uma clínica especializada em asma. As trajetórias distintas das taxas de exacerbação severa foram identificadas por meio de modelagem de trajetória baseada em grupo. Os preditores de linha de base da trajetória foram identificados e utilizados no desenvolvimento de um escore de risco clínico para prever a trajetória mais desfavorável. Os resultados apontaram três trajetórias distintas: 58,5% apresentaram exacerbações severas intermitentes raras ("infrequentes"), 32,0% apresentaram exacerbações graves frequentes no início, mas com melhora posterior ("não persistente”) e 9,5% apresentaram exacerbações graves persistentemente frequentes, com maior incidência de asma quase fatal (“persistentemente frequente"). Um escore de risco clínico preditivo da trajetória "persistentemente frequente" foi composto por: =2 exacerbações graves no ano anterior (+2 pontos), história de asma quase fatal (+1 ponto), índice de massa corporal =25kg/m2 (+1 ponto), apneia obstrutiva do sono (+1 ponto), refluxo gastroesofágico (+1 ponto) e depressão (+1 ponto) (área sob a curva de característica de operação do receptor: 0,84, sensibilidade 72,2%, especificidade 81,1% usando o ponto de corte =3 pontos). As trajetórias e o escore de risco clínico tiveram excelente desempenho em uma coorte de validação independente. Os pesquisadores concluíram que pacientes com asma problemática seguem trajetórias distintas da doença ao longo de um período de 5 anos. Os autores destacam que foi possível validar um escore de risco clínico que identifica com precisão os pacientes que terão exacerbações graves persistentemente frequentes no futuro. Uma resenha de: Long-term future risk of severe exacerbations: Distinct 5-year trajectories of problematic asthma Autores: Yii ACA, Tan JHY, Lapperre TS, Chan AKW, Low SY, Ong TH, Tan KL, Chotirmall SH, Sterk PJ, Koh MS.

Os resultados da asma melhoram com a pressão positiva contínua das vias aéreas para a apneia obstrutiva do sono

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Allergy. 2017 May;72(5):802-812

Evidências indicam que a pressão positiva contínua das vias aéreas em pacientes que apresentam concomitantemente asma e síndrome de apneia obstrutiva do sono parece ter um resultado favorável na asma, contudo, os dados são ainda inconclusivos haja vista as limitações metodológicas de estudos anteriores. Neste estudo prospectivo e multicêntrico, publicado no Allergy, os autores investigaram os resultados da asma após 6 meses de pressão positiva contínua das vias aéreas em 99 pacientes adultos com asma (média de idade de 57 anos) e síndrome de apneia obstrutiva do sono (índice de perturbação respiratória =20). O controle da asma e a qualidade de vida foram avaliados com os questionários ACQ (Asthma Control Questionnaire) e MiniAQLQ (Mini Asthma Quality of Life Questionnaire), respectivamente. Os dados foram analisados por intenção de tratar. Os resultados (média ± desvio-padrão) mostraram uma redução na pontuação do questionário ACQ após 6 meses (1,0 ± 0,78) em relação à linha de base (1,39 ± 0,91) (P = 0,003). A porcentagem de pacientes com asma não controlada também diminuiu de 41,4% para 17,2% (P = 0,006), assim como o percentual de pacientes com crises de asma nos 6 meses anteriores (35,4%) e após o tratamento (17,2%) (P = 0,015). Houve também um aumento da pontuação do mAQLQ de 5,12 ± 1,38 para 5,63 ± 1,17 (P = 0,009). Os resultados indicaram melhorias significativas nos sintomas de refluxo gastroesofágico e rinite, reversibilidade brônquica e valores de óxido nítrico exalado (todos P <0,05). Não foram observadas alterações significativas na terapia de drogas para a asma ou suas comorbidades, nem no peso do paciente. Os pesquisadores concluíram que houve melhora do controle da asma (risco real e futuro), da qualidade de vida e da função pulmonar após o início da pressão positiva contínua das vias aéreas em asmáticos com síndrome moderada à severa de apneia obstrutiva do sono. Uma resenha de: Asthma outcomes improve with continuous positive airway pressure for obstructive sleep apnea Autores: Serrano-Pariente J, Plaza V, Soriano JB, Mayos M, López-Viña A, Picado C, Vigil L; CPASMA Trial Group.

O índice de atividade e cicatrização da epidermólise bolhosa (EBDASI): classificação da gravidade da doença e avaliação da capacidade de resposta às alterações clínicas na epidermólise bolhosa

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Eur Acad Dermatol Venereol. 2017 Apr;31(4):692-698

A avaliação da gravidade da epidermólise bolhosa é, por vezes, comprometida pela carência de medidas de resultado validadas, o que dificulta a comparação da eficácia das terapias. Estudos recentes indicaram que o índice de atividade e cicatrização da epidermólise bolhosa (EBDASI, do inglês Epidermolysis Bullosa Disease Activity and Scarring Index) é uma ferramenta válida e confiável para epidermólise bolhosa, porém a sua interpretação para uso na prática clínica e em ensaios clínicos ainda não foi definida. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology foi investigar a interpretação do EBDASI na classificação de pacientes de acordo com a gravidade da doença e resposta clínica. Foram avaliados prospectivamente um total de 53 pacientes ambulatoriais com epidermólise bolhosa em duas instituições interestaduais. Em cada visita, o dermatologista principal completou o EBDASI e realizou avaliações globais da gravidade e mudanças da doença. As classificações para doença leve, moderada e grave usando o EBDASI foram determinadas usando as curvas de características de operação do receptor. As diferenças mínimas clinicamente importantes para a subescala da atividade EBDASI foram calculadas e comparadas com o erro padrão de medida. Os resultados mostraram que os escores totais de EBDASI de 0-42, 43-106 e 107-506 corresponderam à doença leve, moderada e grave, respectivamente. Reduções nos escores de atividade do EBDASI superiores a 9 indicaram melhora clinicamente significativa, enquanto que um aumento de 3 no índice de atividade indicou deterioração. Os pesquisadores concluíram que o EBDASI é uma ferramenta responsiva e pode ser útil para caracterizar a gravidade e a resposta da doença. Segundo os autores, os cortes propostos neste estudo fornecem o primeiro guia prático para a interpretação do EBDASI, corroborando ainda mais seu uso para a avaliação longitudinal do paciente e nos ensaios clínicos. Uma resenha de: The Epidermolysis Bullosa Disease Activity and Scarring Index (EBDASI): grading disease severity and assessing responsiveness to clinical change in epidermolysis bullosa Autores: Jain SV, Harris AG, Su JC, Orchard D, Warren LJ, McManus H, Murrell DF.

Análise de IgA do colostro contra bactérias envolvidas em infecções neonatais

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.3, pp.256-261

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Einstein (São Paulo), foi descrever e comparar a especificidade de anticorpos IgA de amostras de colostro contra extratos bacterianos de Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Salmonella enteritidis. As amostras de colostro foram coletadas assepticamente nas primeiras 12 horas após o nascimento por cesariana. A especificidade de IgA contra extratos de bactérias foi analisada por Western blot. Os achados mostraram proteínas de alto peso molecular frequentemente detectáveis nas amostras. S. aureus foi a bactéria mais encontrada nas amostras (p<0,05). Cerca de 93,8, 56,3, 62,5 e 60,4% das amostras apresentaram IgA reativa a S. aureus, K. pneumoniae, S. enteritidis e E. coli, respectivamente. Aproximadamente 40% das amostras não apresentaram IgA reativa contra K. pneumoniae, S. enteritidis e E. coli. Segundo os pesquisadores, a evidência clínica da importância da amamentação para proteção imunológica ao recém-nascido foi consistente com os achados imunológicos observados, uma vez que a maioria das amostras mostrou IgA reativa contra as espécies testadas. A aplicação e o desenvolvimento de imunoterapias durante a gestação, focada nos antígenos frequentemente detectados, poderiam ser importantes instrumentos para aumentar a presença de IgA no colostro. Uma resenha de: Análise de IgA do colostro contra bactérias envolvidas em infecções neonatais Autores: Dias, Elizabeth Moreira; Rodrigues, Denise Bertulucci Rocha; GeraldoMartins, Vinícius Rangel e Nogueira, Ruchele Dias.

Utilização minimizada de contraste na intervenção coronária percutânea guiada pelo ultrassom intravascular. Seguimento de 1 ano do estudo randomizado MOZART

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:247-50 - Vol. 23 Núm.4

Recentemente, o estudo MOZART demonstrou que a utilização do ultrassom intracoronário (USIC) para guiar a intervenção coronariana percutânea (ICP) diminui o volume de contraste utilizado no procedimento. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva, foi avaliar a incidência de eventos adversos cardiovasculares tardios desses pacientes. Pacientes com risco para nefropatia induzida por contraste (NIC) ou para sobrecarga de volume, e com indicação de ICP, foram randomizados para procedimento guiado pela angiografia ou USIC, e acompanhados por um período de 1 ano. Resultados Incluídos 83 pacientes nos grupos ICP guiado por angiografia (n = 42) ou USIC (n = 41), sendo que 77,1% eram diabéticos e 44,6% tinham clearance de creatinina < 60mL/min/1,73m2. As características clínicas e angiográficas não mostraram diferenças entre os grupos. A maioria tinha lesões tipo B2/C (89,8%) e uma mediana de dois stents foram usados (intervalo interquartil: 1,0 2,0 stents). O tempo de procedimento da ICP guiada por USIC foi 14 minutos maior do que no grupo guiado por angiografia (p = 0,006). No entanto, os grupos não diferiram em relação ao tempo de fluoroscopia ou à média de aquisições de imagem por procedimento. A NIC ocorreu em 19,0% vs. 7,3% (p = 0,26). No período de seguimento de 1 ano, 12% dos pacientes apresentaram algum evento cardiovascular maior, sendo dois óbitos (um para cada grupo), e não houve diferenças entre os grupos. Os pesquisadores concluíram que a estratégia de redução de contraste com a ICP guiada pelo ultrassom intravascular, em pacientes com risco para NIC ou sobrecarga de volume, mostrou se segura a curto e longo prazos. Uma resenha de: Utilização minimizada de contraste na intervenção coronária percutaânea guiada pelo ultrassom intravascular. Seguimento de 1 ano do estudo randomizado MOZART Autores: José Mariani, Fernando Roberto De Fazzio, Fernando Luis Melo Bernardi, Breno de Alencar Araripe Falcão, Cristiano Guedes Bezerra, Antonio Esteves Filho, Paulo Rogério Soares, Sílvio Zalc, Roberto Kalil Filho, Pedro Alves Lemos Neto.

Stents farmacológicos de segunda geração para tratamento de lesões proximais isoladas da artéria descendente anterior. Dados do Registro SAFIRA

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:256-60 - Vol. 23 Núm.4

A estenose grave do terço proximal da artéria descendente anterior (ADA) é classificada como lesão de alto risco, visto que pode comprometer grande parte do miocárdio ventricular esquerdo. Os stents farmacológicos (SF) de segunda geração têm demonstrado maior eficácia e segurança quando comparados aos não farmacológicos ou aos de primeira geração. Até o momento são escassos os relatos na literatura do emprego desses dispositivos para o tratamento de lesões isoladas do terço proximal da ADA. O presente estudo observacional e prospectivo, publicado na Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva, incluiu pacientes uniarteriais, portadores de lesão de novo no terço proximal da ADA, tratados eletivamente com SF de segunda geração. Foram avaliados os desfechos clínicos hospitalares e tardios. Foram incluídos 70 pacientes, sendo a maioria do sexo masculino (70%), com média de idades de 65,4 ± 11,2 anos e com alta prevalência de diabetes (37%). O quadro clínico mais frequente foi angina estável (57,1%) e metade das lesões era do tipo B2 ou C. Foram tratadas 70 lesões com 71 stents, com sucesso angiográfico de 100%. O desfecho primário composto por óbito cardíaco, infarto não fatal ou revascularização do vaso alvo no seguimento clínico de 2,5 anos ocorreu em 3% dos pacientes. A mortalidade cardíaca foi de 1,5%, e a revascularização da lesão alvo foi necessária em apenas 1,5% dos pacientes. Os pesquisadores concluíram que em pacientes uniarteriais com lesões de novo da ADA proximal, o tratamento eletivo com SF de segunda geração parece ser uma opção segura, com baixas taxas de eventos cardíacos adversos ou necessidade de nova revascularização Uma resenha de: Stents farmacológicos de segunda geração para tratamento de lesões proximais isoladas da artéria descendente anterior. Dados do Registro SAFIRA Autores: Fernanda Marinho Mangionea, Maria Fernanda Zulliani Mauroa, Paulo Vasconcelos Silvaa, Nádia Mendonça Carnietoa, Salvador André Bavaresco Cristóvãoa, Adnan Ali Salmana, Gustavo Alexandre Dutraa, Bernardo Monteiro de Aguillar Giordanoa, Fabio Musa Mustafa Dessiyeha, Marcelo P. Gomesa, Tanas Jateneb, José Armando Mangionea.

Melhor controle glicêmico e menos hipoglicemia com insulina glargina 300 U/mL vs glargina 100 U/mL: meta-análise dos níveis em 1 ano de pacientes com diabetes tipo 2 dos estudos clínicos EDITION

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Diabetes Obes Metab. 2017 Sep 1. doi: 10.1111/dom.13105

Com o objetivo de investigar a eficácia e a segurança da insulina glargina 300 U/mL (Gla-300) versus insulina glargina 100 U/mL (Gla-100) ao longo de 12 meses, foi realizada uma meta-análise, publicada no periódico Diabetes, Obesity & Metabolism, que utilizou dados dos estudos EDITION em pessoas com diabetes tipo 2 (DM2). EDITION 1, 2 e 3 foram estudos de fase IIIa multicêntricos, randomizados, abertos, de 2 braços de grupos paralelos e de tratamento-alvo. A semelhança dos projetos dos estudos e desfechos permitiram a realização desta meta-análise. As reduções na hemoglobina glicada (HbA1c) foram melhor sustentadas ao longo de 12 meses com Gla-300 do que com Gla-100 (diferença média de mínimos quadrados [MQ] do início: -0,10% [intervalo de confiança de 95% {IC} -0,18 a - 0,02] ou -1,09 mmol/mol [IC 95% -2,01 a -0,20]; P = 0,0174). O risco de hipoglicemia confirmada (=3,9 mmol/L) ou hipoglicemia grave foi 15% menor com Gla-300 vs Gla-100 à noite (risco relativo 0,85 [IC 95% 0,77-0,92]) e 6% inferior a qualquer hora do dia (risco relativo 0,94 [IC 95% 0,90-0,98]). As taxas de hipoglicemia foram 18% mais baixas com Gla-300 vs Gla-100 à noite (taxa 0,82 [IC 95%: 0,67-0,99]), mas comparáveis a qualquer hora do dia. A HbA1c <7,0% sem hipoglicemia noturna foi alcançada por 24% mais participantes com Gla-300 do que com Gla-100 (risco relativo 1,24 [IC 95% 1,03-1,50]). A hipoglicemia grave foi rara em ambos os grupos de tratamento e a incidência de eventos a qualquer hora do dia foi =3,6%, enquanto que as taxas de eventos foram de =0,08 por ano/participante. Os autores concluíram que, em uma ampla população de pessoas com DM2 ao longo de 12 meses, o uso de Gla-300 proporcionou um controle glicêmico mais sustentado e risco de hipoglicemia significativamente menor durante a noite e a qualquer momento do dia em comparação com Gla-100. Uma resenha de: Better glycaemic control and less hypoglycaemia with insulin glargine 300 U/mL vs glargine 100 U/mL: 1-year patient-level meta-analysis of the EDITION clinical studies in people with type 2 diabetes Autores: Ritzel R, Roussel R, Giaccari A, Vora J, Brulle-Wohlhueter C, Yki-Järvinen H.

Comparação de Insulina Glargina 300 Unidades/mL e 100 Unidades/mL em Adultos com Diabetes tipo 1: perfis e variabilidade de monitoramento contínuo de glicose usando injeções matinais ou noturnas

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Diabetes Care. 2017 Apr;40(4):554-560

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Diabates Care, foi comparar o controle da glicose em participantes com diabetes tipo 1 que receberam insulina glargina 300 unidades/mL (Gla-300) ou glargina 100 unidades/mL (Gla-100) pela manhã ou pela noite, em combinação com insulina durante as refeições. Neste estudo cruzado exploratório de dois períodos, aberto, de grupos paralelos, 59 adultos com diabetes tipo 1 foram randomizados (1:1:1:1) para administração de Gla-300 ou Gla-100 uma vez por dia, pela manhã ou pela noite (com cross-over no cronograma de injeção). O desfecho primário de eficácia foi a porcentagem média de tempo na faixa alvo de glicose (80-140 mg/dL), conforme medido utilizando o monitoramento contínuo de glicose (MCG), durante as últimas 2 semanas de cada período de 8 semanas. Os desfechos adicionais incluíram outros parâmetros de controle de glicemia MCG, hipoglicemia (por glicose plasmática automonitorada [GPAM]) e eventos adversos. A porcentagem de tempo dentro da faixa alvo de glicose foi comparável entre os grupos Gla-300 e Gla-100. Houve um aumento significativamente menor na glicose baseada em MCG durante as últimas 4h do intervalo de injeção de 24 horas para Gla-300 em comparação com Gla-100 (diferença média de mínimos quadrados -14,7 mg/dL [IC 95% -26,9 a -2,5]; P = 0,0192). As curvas de glicose média de 24h para o grupo Gla-300 foram mais suaves (excursões glicêmicas mais baixas), independentemente da injeção da manhã ou da noite. Quatro medidas individuais de variabilidade intersticial de glicose não mostraram diferença entre Gla-300 e Gla-100. A confirmação noturna (<54 mg/dL por SMPG) ou a taxa de hipoglicemia grave foi menor para os participantes de Gla-300 do que para os participantes de Gla-100 (4,0 vs 9,0 eventos por ano-participante); taxa 0,45 [IC 95%: 0,24-0,82]). Segundo os pesquisadores deste estudo, foram observados menos aumentos nos níveis de glicose baseados em MCG nas últimas 4h do intervalo de injeção de 24h, perfis de glicose de 24 horas mais suaves independentemente do horário de injeção e hipoglicemia noturna reduzida com Gla-300 em comparação com Gla-100. Uma resenha de: Comparison of Insulin Glargine 300 Units/mL and 100 Units/mL in Adults With Type 1 Diabetes: Continuous Glucose Monitoring Profiles and Variability Using Morning or Evening Injections Autores: Bergenstal RM, Bailey TS, Rodbard D, Ziemen M, Guo H, Muehlen-Bartmer I, Ahmann AJ.

Atividade física, volume cerebral e risco de demência: o estudo Framingham

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2017 Jun 1;72(6):789-795

Resultados de diversos estudos longitudinais indicam haver relação inversa entre níveis de atividade física e declínio cognitivo, demência e/ou doença de Alzheimer, no entanto os resultados ainda são inconsistentes. O objetivo deste estudo, publicado no Journals of Gerontology. Series A, Biological Sciences and Medical Sciences, foi realizar o seguimento por mais de 10 anos de uma coorte de idosos baseada em comunidade para investigar a associação da atividade física com o risco de demência incidente e marcadores subclínicos de ressonância magnética cerebral para demência. O índice de atividade física (IAF) foi avaliado nos indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos pertencentes às coortes Framingham Study Original e Offspring. Foi avaliada a associação entre IAF e risco de demência incidente de todas as causas e doença de Alzheimer nos participantes de ambas as coortes que estavam cognitivamente intactas e tinham IAF disponível (n = 3.714; 54% mulheres, idade média = 70 ± 7 anos). Também foi examinada a associação entre IAF e ressonância magnética cerebral na coorte Offspring (n = 1,987). Os resultados indicaram que 236 participantes desenvolveram demência ao longo de uma década de acompanhamento, sendo 188 casos de doença de Alzheimer. Os participantes no quintil mais baixo do IAF apresentaram risco maior de demência incidente em comparação com aqueles em quintis superiores (razão de risco [HR]=1,50, intervalo de confiança [IC] de 95% = 1,04-1,97, p = 0,028) em uma relação multivariávelmodelo ajustado. A análise secundária revelou que esta relação foi limitada aos participantes não carreadores do alelo da apolipoproteína (APO) Ee4 (HR = 1,58, IC 95% = 1,08-2,32; p = 0,018) e mais fortes em participantes com 75 anos ou mais. O IAF também estava linearmente relacionado ao volume cerebral total e hipocampo (ß ± erro padrão = 0,24 ± 0,06; p <0,01 e 0,004 ± 0,001; p = 0,003, respectivamente). Os pesquisadores concluíram que níveis baixos de atividade física estão associados ao risco aumentado de demência em indivíduos idosos, sugerindo que um risco reduzido de demência e maiores volumes cerebrais podem ser benefícios adicionais para a saúde resultantes da manutenção da atividade física na velhice. Uma resenha de: Physical Activity, Brain Volume, and Dementia Risk: The Framingham Study Autores: Tan ZS, Spartano NL, Beiser AS, DeCarli C, Auerbach SH, Vasan RS, Seshadri S.

Fatores de risco na meia idade para prejuízos da função física e cognitiva em idades avançadas: um estudo de coorte

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2017 Feb;72(2):237-242

Estudos anteriores investigaram os fatores de risco da meia idade para comprometimento da função física e cognitiva, separadamente, em idades avançadas. Neste estudo, publicado no Journal of Gerontology. Series A, Biological Sciences and Medical Science, entretanto, os autores tiveram como objetivo verificar a sobreposição de fatores de risco para ambos os domínios (físico e cognitivo) dentro da mesma configuração. Neste estudo, os autores avaliaram os fatores de risco biológicos e comportamentais aos 50 anos de idade e o funcionamento cognitivo e físico 18 (desvio-padrão, 5) anos depois no estudo Whitehall II (N = 6.316). A função física prejudicada foi definida como =1 limitação nas atividades da escala da vida diária. A função cognitiva prejudicada, por sua vez, foi caracterizada como o escore Mini-Mental State Examination superior a 27. Foram empregadas duas análises estatísticas: análise minimamente ajustada (para idade, sexo e etnia) e análise mutuamente ajustada (incluindo todos os fatores de risco). Os dados faltantes sobre fatores de risco foram relacionados. Após o ajuste para fatores de confusão, a função física e cognitiva prejudicada em idades avançadas foi predita pela hipertensão (odds ratios [ORs] 1,80 intervalo de confiança de 95% [CI] 1,39-2,33 e 1,57 IC 95% 1,07-2,31, respectivamente), má função pulmonar (1,51 IC 95%: 1,28-1,78 e 1,31 IC 95% 1,08-1,59) e inatividade física, marginalmente no caso da função cognitiva (1,50 IC 95%: 1,19-1,90 e 1,27 IC 95%: 0,99-1,62) aos 50 anos. A função física prejudicada, mas não a cognitiva, foi adicionalmente predita pela depressão e maior índice de massa corporal (1,72 IC 95%: 1,46-2,03 e 1,29 IC 95%: 1,16-1,44, respectivamente). Os pesquisadores concluíram que diversos fatores de risco da meia idade estão associados a problemas de função física e cognitiva em idades avançadas, corroborando a necessidade de uma política de prevenção unificada. Os autores destacam, ainda, que a análise de 12 fatores de risco aos 50 anos sugere que as estratégias visando o combate a inatividade física, a hipertensão e a má função pulmonar reduzirão os impedimentos tanto no funcionamento cognitivo quanto físico em idades avançadas. Uma resenha de: Midlife Risk Factors for Impaired Physical and Cognitive Functioning at Older Ages: A Cohort Study SP, 30/10/2017 Autores: Brunner EJ, Welch CA, Shipley MJ, Ahmadi-Abhari S, Singh-Manoux A, Kivimäki M.

Fatores de risco na meia idade para prejuízos da função física e cognitiva em idades avançadas: um estudo de coorte

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2017 Feb;72(2):237-242

Estudos anteriores investigaram os fatores de risco da meia idade para comprometimento da função física e cognitiva, separadamente, em idades avançadas. Neste estudo, publicado no Journal of Gerontology. Series A, Biological Sciences and Medical Science, entretanto, os autores tiveram como objetivo verificar a sobreposição de fatores de risco para ambos os domínios (físico e cognitivo) dentro da mesma configuração. Neste estudo, os autores avaliaram os fatores de risco biológicos e comportamentais aos 50 anos de idade e o funcionamento cognitivo e físico 18 (desvio-padrão, 5) anos depois no estudo Whitehall II (N = 6.316). A função física prejudicada foi definida como =1 limitação nas atividades da escala da vida diária. A função cognitiva prejudicada, por sua vez, foi caracterizada como o escore Mini-Mental State Examination superior a 27. Foram empregadas duas análises estatísticas: análise minimamente ajustada (para idade, sexo e etnia) e análise mutuamente ajustada (incluindo todos os fatores de risco). Os dados faltantes sobre fatores de risco foram relacionados. Após o ajuste para fatores de confusão, a função física e cognitiva prejudicada em idades avançadas foi predita pela hipertensão (odds ratios [ORs] 1,80 intervalo de confiança de 95% [CI] 1,39-2,33 e 1,57 IC 95% 1,07-2,31, respectivamente), má função pulmonar (1,51 IC 95%: 1,28-1,78 e 1,31 IC 95% 1,08-1,59) e inatividade física, marginalmente no caso da função cognitiva (1,50 IC 95%: 1,19-1,90 e 1,27 IC 95%: 0,99-1,62) aos 50 anos. A função física prejudicada, mas não a cognitiva, foi adicionalmente predita pela depressão e maior índice de massa corporal (1,72 IC 95%: 1,46-2,03 e 1,29 IC 95%: 1,16-1,44, respectivamente). Os pesquisadores concluíram que diversos fatores de risco da meia idade estão associados a problemas de função física e cognitiva em idades avançadas, corroborando a necessidade de uma política de prevenção unificada. Os autores destacam, ainda, que a análise de 12 fatores de risco aos 50 anos sugere que as estratégias visando o combate a inatividade física, a hipertensão e a má função pulmonar reduzirão os impedimentos tanto no funcionamento cognitivo quanto físico em idades avançadas. Uma resenha de: Midlife Risk Factors for Impaired Physical and Cognitive Functioning at Older Ages: A Cohort Study SP, 30/10/2017 Autores: Brunner EJ, Welch CA, Shipley MJ, Ahmadi-Abhari S, Singh-Manoux A, Kivimäki M.

Relação entre mobilidade funcional e dinapenia em idosos com fragilidade

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.3, pp.278-282

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Einstein (São Paulo), foi investigar a relação entre mobilidade funcional e dinapenia em idosos frágeis institucionalizados. Foi realizado um estudo descritivo, correlacional conduzido com 26 idosos institucionalizados de ambos os sexos com média de idade de 82,3±6 anos. Os instrumentos utilizados foram o Mini-Exame do Estado Mental, Escala de Depressão Geriátrica, Questionário Internacional de Atividade Física, teste Timed Up and Go, dinamômetro de preensão manual e dinamômetro portátil para avaliar grandes grupos musculares (flexores do ombro, flexores do cotovelo, flexores do quadril, extensores do joelho e dorsiflexores do tornozelo). Foi observada correlação negativa significativa do nível de mobilidade funcional avaliado pelo teste Timed Up and Go com a dinapenia em relação a todos os grupos musculares avaliados, sobretudo os extensores do joelho (r -0,65). Os pesquisadores concluíram que foi encontrada significativa correlação negativa da força muscular, sobretudo dos extensores do joelho, com a mobilidade funcional em idosos institucionalizados. Quanto maior a força muscular, menor foi o tempo de execução, o que pode significar um melhor desempenho no teste de mobilidade funcional. Uma resenha de: Relação entre mobilidade funcional e dinapenia em idosos com fragilidade Autores: Soares, Antonio Vinicius; Marcelino, Elessandra; Maia, Késsia Cristina e Borges Junior, Noé Gomes.

Intervenções do farmacêutico clínico em uma Unidade de Cuidados Intermediários com foco no paciente idoso

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.3, pp.283-288

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Einstein (São Paulo), foi discutir o papel do farmacêutico clínico no cuidado hospitalar de pacientes críticos, idosos. Ao longo do período de 4 meses, foi realizado o acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes críticos com 60 anos ou mais, admitidos pela equipe de Clínica Médica em uma Unidade de Cuidados Intermediários. Diariamente, foram realizadas avaliações das prescrições médicas, frente ao quadro clínico, a fim de encontrar oportunidades de otimização da farmacoterapia prescrita, contribuindo para a maior segurança da prescrição, a redução de desconfortos, e o uso correto e racional de medicamentos. Foram avaliadas 386 prescrições e realizadas 212 intervenções farmacêuticas, sendo 64,3% destas classificadas como aceitas com alteração na prescrição, 28,5% não aceitas e 7,2% aceitas verbalmente, porém sem alteração na prescrição. As intervenções envolviam indicações farmacoterapêuticas, orientações para ajustes de dose, redução do uso de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos, ajustes de prescrição, suspensão de medicamentos desnecessários, entre outras. Os pesquisadores concluíram que o significativo número de intervenções aceitas pela equipe da saúde reforça o papel que o farmacêutico clínico tem a desempenhar na equipe multiprofissional, sobretudo quando direcionados ao cuidado de idosos. Uma resenha de: Intervenções do farmacêutico clínico em uma Unidade de Cuidados Intermediários com foco no paciente idoso Autores: Viana, Stéphanie De Souza Costa; Arantes, Tiago e Ribeiro, Sabrina Corrêa da Costa.

Qualidade de vida relacionada à saúde em pacientes adultos com transtornos de imunodeficiência comum variável e impacto do tratamento

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Clin Immunol. 2017 Jul;37(5):461-475

O transtorno de imunodeficiência comum variável (IDCV) é uma doença de imunodeficiência primária (DIDP) frequentemente associada a infecções graves e crônicas. Os pacientes geralmente recebem tratamento com imunoglobulina (Ig) para reduzir o ciclo de infecção recorrente e melhorar o funcionamento físico. No entanto, a forma como o tratamento com Ig na IDCV afeta a qualidade de vida (QV) não foi avaliada minuciosamente. A recente pesquisa da Fundação de Imunodeficiência (FID), publicada no Journal of Clinical Immunology, teve por objetivo avaliar os fatores associados à QV em pacientes com IDCV sob tratamento com Ig. Um questionário de 75 perguntas desenvolvido pela FID e uma pesquisa de saúde de formulário curto de 12 itens (FS-12) para avaliar QV foram enviados para adultos com IDCV. Os escores médios FS-12 foram comparados entre os pacientes com IDCV e a amostra normativa geral da população adulta dos Estados Unidos (EUA). No geral, 945 pacientes com IDCV completaram as pesquisas. Mais de metade dos pacientes (54,9%) receberam Ig intravenosa e 44,9% receberam tratamento de Ig subcutâneo. Os pacientes com IDCV apresentaram escores de FS-12 significativamente menores em comparação com a população geral dos EUA, independentemente do sexo ou da idade (p <0,05). A via de reposição de Ig não melhorou drasticamente a QV. Os escores de FS-12 foram maiores nos pacientes com IDCV que apresentaram DIDP bem controlada, com ausência de deficiências físicas, que não relataram incômodos pelo tratamento e que receberam infusões de Ig em casa. Os autores concluíram que esses dados fornecem informações sobre quais fatores estão mais associados à saúde física e mental e o que pode ajudar a melhorar a QV em pacientes dessa população. As melhorias na QV podem resultar da detecção precoce de doenças, limitação de doença do sistema digestivo, atenção à fadiga e implantação de um plano de tratamento individual para o paciente. Uma resenha de: Health-Related Quality of Life in Adult Patients with Common Variable Immunodeficiency Disorders and Impact of Treatment Autores: Rider NL, Kutac C, Hajjar J, Scalchunes C, Seeborg FO, Boyle M, Orange JS. SP, 16/10/2017

O consumo de iogurte na infância está inversamente associado à dermatite atópica e sensibilização alimentar aos 5 anos de idade: um estudo hospitalar de coorte de nascimentos

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Dermatol Sci. 2017 May;86(2):90-96

Diversos estudos indicam que o consumo habitual de iogurte está associado a melhores resultados para problemas de saúde em crianças. Porém, ainda não há informações suficientes sobre os efeitos do consumo de iogurte em doenças alérgicas e sensibilização em crianças. O objetivo deste estudo prospectivo de coorte de nascimentos, publicado no Journal of Dermatological Science, foi verificar as associações entre o consumo habitual de iogurte na infância e o desenvolvimento de doenças alérgicas/sensibilização aos 5 anos de idade. Para a realização deste estudo os autores analisaram dados do ensaio T-CHILD (Tokyo Children's Health, Illness and Development), que contemplou um total de 1.550 crianças nascidas de mulheres registradas no ensaio. O consumo de iogurte pelas crianças durante a infância foi determinado por questionários alimentares preenchidos pelos pais aos 12 meses de idade. Além dos questionários, os dados foram analisados considerando também exames médicos concluídos aos 5 anos de idade. As possíveis associações entre o consumo habitual de iogurte na infância e as doenças/sensibilidades alérgicas foram analisadas por análises de regressão logística múltipla. Foram analisados dados de questionários respondidos pelos pais de 1.166 crianças aos 5 anos de idade. Os resultados mostraram que houve uma associação significativa entre o consumo habitual de iogurte na infância e a presença de dermatite atópica aos 5 anos de idade (critérios UKWP: odds ratio ajustada, 0,70; IC 95%, 0,510,97; P=0,03). As crianças com consumo habitual de iogurte na infância foram menos propensas a serem sensibilizadas aos alérgenos alimentares (odds ratio ajustada, 0,53; IC 95%, 0,31-0,93; P = 0,03), contudo não foram observadas associações em relação a outros alérgenos. Os pesquisadores concluíram que o consumo habitual de iogurte na infância tem potencial para prevenir o desenvolvimento de dermatite atópica e sensibilização alimentar aos 5 anos de idade, mas não com outras doenças alérgicas. Uma resenha de: Yogurt consumption in infancy is inversely associated with atopic dermatitis and food sensitization at 5 years of age: A hospital-based birth cohort study Autores: Shoda T, Futamura M, Yang L, Narita M, Saito H, Ohya Y.

A enterografia por ressonância magnética na doença celíaca pediátrica

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.4, pp.413-419

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi avaliar se a enterografia por ressonância magnética (ERM) consegue comprovar/mostrar a extensão da doença em pacientes pediátricos com doença celíaca (DC) comprovada por biópsia, comparar com um grupo de controle e correlacionar os achados da ERM com o nível de anticorpo antiendomísio (EMA) indicador de dieta sem glúten. Foram recrutados 31 pacientes pediátricos (idade média entre 11,7 ± 3,1 anos) com DC comprovada por biópsia e 40 pacientes pediátricos em um grupo de controle. As imagens da ERM dos pacientes com DC e no grupo de controle foram avaliadas por dois radiologistas pediátricos às cegas para o padrão da mucosa, presença de espessamento da parede, dilatação luminal do intestino delgado e achados extraintestinais. Os prontuários dos pacientes foram revisados para anotação de características clínicas e achados laboratoriais. A avaliação histopatológica das biópsias duodenais foi feita novamente. A duração média da doença foi 5,6 ± 1,8 anos (faixa de 3-7,2 anos). Em 24 (77%) dos pacientes, os níveis EMA estavam elevados (média 119,2 ± 66,6 RU/mL). A ERM revelou um padrão de pregas normal em todos os pacientes; 10 (32%) dos pacientes apresentaram gânglios linfáticos mesentéricos aumentados. Os pesquisadores concluíram que apesar da maioria dos pacientes ter níveis elevados de EMA, o que indica uma dieta pobre, a ERM não mostrou anomalia na mucosa associada à incapacidade de a ERM detectar alterações leves/precoces de DC nas crianças. Portanto, ela pode não ser útil no acompanhamento da DC pediátrica. Uma resenha de: A enterografia por ressonância magnética na doença celíaca pediátrica Autores: Koc, Gonca et al.

Tratamento precoce melhora o prognóstico urodinâmico na disfunção miccional de origem neurogênica: 20 anos de experiência

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.4, pp.420-427

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi avaliar a associação entre tratamento precoce e melhoria urodinâmica em pacientes pediátricos e adolescentes portadores de bexiga neurogênica. Foi realizado um estudo observacional longitudinal retrospectivo (entre 1990-2013) em pacientes com bexiga neurogênica e mielomeningocele tratados com base no diagnóstico urodinâmico. Foi avaliada a evolução urodinâmica (complacência, capacidade e pressão vesical) e consideramos primeira melhoria urodinâmica em até dois anos como variável desfecho e encaminhamento precoce (primeira urodinâmica até um ano de vida) como exposição. Foi feita análise descritiva e multivariada com modelo de regressão logística. Entre 230 pacientes incluídos 52% foram encaminhados precocemente. A maioria tinha bexiga hiperativa com pressão maior do que 40 cmH2O, complacência abaixo de 3 ml/cmH2O e foi tratada com oxibutinina e cateterismo intermitente. Na evolução urodinâmica, 68% apresentou melhoria já no segundo exame com redução da pressão e aumento da capacidade e da complacência vesical. O percentual de incontinência e infecção urinária diminuiu ao longo do tratamento. O encaminhamento precoce aumentou 3,5 vezes a probabilidade de melhoria urodinâmica até dois anos em relação aos encaminhados após o primeiro ano de idade (CI95% 1,81-6,77). Os pesquisadores concluíram que tratar no primeiro ano de vida melhora o prognóstico urodinâmico de pacientes com bexiga neurogênica, triplica a probabilidade de melhoria urodinâmica em até dois anos. A atuação do neonatologista e do pediatra, ao reconhecer e encaminhar o paciente precocemente para o diagnóstico, é extremamente importante. Uma resenha de: Tratamento precoce melhora o prognóstico urodinâmico na disfunção miccional de origem neurogênica: 20 anos de experiência Autores: Monteiro, Lucia M. Costa et al.

Comparação da composição corporal e dos níveis de adipocina entre crianças pré-púberes magras e com peso normal

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.4, pp.428-435

A magreza pode ter consequências substanciais para o desenvolvimento e a saúde das crianças. As adipocinas, inclusive a leptina e a adiponectina, desempenham um papel significativo na regulação de importantes funções metabólicas. O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi investigar as associações entre a composição corporal e os níveis séricos de leptina e adiponectina em crianças magras e com peso normal. Foram examinadas 100 crianças pré-púberes saudáveis, divididas em dois subgrupos: crianças magras (n = 50) e com peso normal (n = 50). A composição corporal foi avaliada pelo método de absorciometria de dupla energia de raios X. As concentrações séricas das adipocinas foram determinadas por ensaios imunoenzimáticos. As crianças magras apresentaram altura semelhante, porém peso corporal (p < 0,0001), índice de massa corporal (IMC), massa gorda, massa magra e conteúdo mineral ósseo (CMO) significativamente menores em comparação com crianças com peso normal. As concentrações séricas de leptina foram aproximadamente duas vezes mais baixas (p < 0,0001) em indivíduos magros do que em crianças com peso normal. Os níveis séricos de adiponectina total, multímeros de adiponectina e receptor de leptina solúvel (sOB-R) foram semelhantes em ambos os grupos. Os índices de leptina/sOB-R e leptina/adiponectina foram inferiores (p < 0,0001) em crianças magras do que crianças com peso normal. Em ambos os grupos de crianças os parâmetros de composição corporal estavam positivamente relacionados à leptina, porém não aos níveis de adiponectina. Além disso, foi observado que o CMO estava positivamente relacionado ao IMC, à massa gorda, à massa magra e ao nível de leptina em crianças magras e com peso normal. Os pesquisadores concluíram que as crianças pré-púberes magras têm alterações na composição corporal e no perfil de adipocinas. O reconhecimento precoce da magreza e a determinação dos parâmetros de composição corporal e dos níveis de adipocina podem ser úteis no cuidado médico e nutricional de crianças magras para aprimoramento do acúmulo mineral ósseo. Uma resenha de: Comparação da composição corporal e dos níveis de adipocina entre crianças pré-púberes magras e com peso normal Autores: Ambroszkiewicz, Jadwiga et al.

Nenhuma evidência de eventos adversos neurocognitivos associados ao tratamento com alirocumab em 3.340 pacientes de 14 ensaios randomizados controlados de fase 2 e 3: uma meta-análise de dados individuais de pacientes

11/12/2017 | Fonte: Fonte: European Heart Journal, ehx661; 27 November 2017

Apesar dos relatos de distúrbios neurocognitivos em pacientes sob tratamentos de redução de lipídios (TRLs), grandes ensaios clínicos não encontraram associação significativa entre distúrbios neurocognitivos e TRLs. O objetivo deste estudo, publicado no European Heart Journal, foi avaliar a incidência de eventos adversos neurocognitivos emergentes do tratamento (EAETs), de 14 estudos de fase 2 e 3 sobre o inibidor de proproteína convertase subtilisina/kexina tipo 9 (PCSK9) alirocumab. Pacientes (a maioria em tratamento com estatina em nível máximo tolerado) receberam alirocumab 75/150 mg a cada 2 semanas (n = 3.340; 4.029 doentes-anos de exposição), placebo (n = 1.276) ou ezetimibe (n = 618). Os dados foram agrupados pelo controle utilizado. Os EAETs neurocognitivos foram notificados por 22 (0,9%) pacientes tratados com alirocumab versus 9 (0,7%) tratados com placebo em ensaios controlados com placebo [taxa de risco (HR) 1,24, intervalo de confiança de 95% (IC) 0,57-2,68], e 10 (1,2%) com alirocumab versus 8 (1,3%) com ezetimiba em ensaios controlados com ezetimibe (HR 0,81, IC 95% 0,32-2,08). As taxas de EAETs neurocognitivos foram semelhantes nos pacientes que receberam alirocumab com níveis de colesterol LDL (LDL-C) <25 mg/dL (<0,65 mmol/L; n = 5/839; 0,6%; 0,5/100 doentes-anos) vs. =25 mg/dL (n = 26/2501; 1,0%; 0,8/100 pacientes-ano). Um paciente (0,1%, grupo controlado com ezetimibe) que recebeu alirocumab apresentou EAET neurocognitivo que levou à descontinuação versus dois (0,2%) pacientes que receberam placebo e três (0,4%) pacientes que receberam ezetimibe. A incidência neurocognitiva de EAET também foi semelhante entre alirocumab e controles quando estratificados por idade. Os autores concluíram que as incidências de EAETs neurocognitivos foram baixas (=1,2%), sem diferenças significativas entre o alirocumab versus controles por até 104 semanas. Não foram encontradas associações entre EAET neurocognitivos e LDL-C <25 mg/dL, com base nos testes concluídos de Fase 2 e 3 examinados, embora os efeitos a longo prazo de níveis muito baixos de LDL-C induzidos por inibidores de PCSK9 sejam desconhecidos. Palavras-chave: Eventos adversos neurocognitivos; alirocumab; meta-análise Uma resenha de: No evidence of neurocognitive adverse events associated with alirocumab treatment in 3340 patients from 14 randomized Phase 2 and 3 controlled trials: a meta-analysis of individual patient data Autores: Philip D Harvey, Marwan N Sabbagh, John E Harrison, Henry N Ginsberg, M John Chapman, Garen Manvelian, Angele Moryusef, Jonas Mandel, Michel Farnier.

A desnutrição e sua associação com readmissão e morte em 7 dias e entre 8 e 180 dias pós-alta em pacientes idosos: estudo prospectivo observacional

11/12/2017 | Fonte: Fonte: BMJ Open. 2017 Nov 12;7(11):e018443.

A relação entre o estado nutricional de admissão e os resultados clínicos após a alta hospitalar ainda não está bem estabelecida. O objetivo deste estudo, publicado no British Medical Journal, foi verificar se o estado nutricional de pacientes idosos na admissão é capaz de predizer a readmissão não planejada ou a morte precoce ou tardia após a alta hospitalar. Foram selecionados prospectivamente 297 pacientes com idade igual ou superior a 60 anos que se apresentaram ao Departamento de Medicina Geral de um hospital de cuidados terciários na Austrália. O estado nutricional foi avaliado na admissão utilizando a PG-SGA (Patient-Generated Subjective Global Assessment), e os pacientes foram classificados como nutridos (PG-SGA classe A) ou desnutridos (PG-SGA classes B e C). Foi utilizado um modelo de regressão logística multivariada para ajustar outras covariáveis, conhecidas por influenciar os resultados clínicos, bem como avaliar se a desnutrição é um preditor para a readmissão precoce (0-7 dias) ou tardia (8-180 dias), ou, de morte após a alta. O impacto do estado nutricional foi medido por um endpoint combinado, composto por qualquer readmissão ou morte dentro de 0-7 dias e entre 8 e 180 dias após a alta hospitalar. Os resultados mostraram que 29 (10,5%) pacientes tiveram uma readmissão não planejada ou morte no período de 7 dias após a alta, enquanto que 124 (50,0%) pacientes adicionais chegaram ao endpoint combinado dentro de 8-180 dias após a alta hospitalar. A desnutrição foi associada a um risco significativamente maior do endpoint combinado de readmissões ou morte, tanto no período de 7 dias (OR 4,57, IC 95% 1,69 a 12,37, P <0,001) como dentro de 8-180 dias (OR 1,98, IC 95% 1,19 a 3,28, P = 0,007) após a alta hospitalar, sendo que esse risco permaneceu significativo mesmo após ajuste para outras covariáveis. Os pesquisadores concluíram que a desnutrição em pacientes idosos no momento da internação hospitalar é um preditor significativo de readmissão ou morte, tanto em período precoce quanto prolongado, após a alta hospitalar. Segundo os pesquisadores, o estado nutricional deve ser incluído em modelos de predição de risco futuros. Palavras-chave: Desnutrição; readmissão hospitalar; morte; alta hospitalar; idosos Uma resenha de: Malnutrition and its association with readmission and death within 7 days and 8-180 days postdischarge in older patients: a prospective observational study Autores: Sharma Y, Miller M, Kaambwa B, Shahi R, Hakendorf P, Horwood C, Thompson C.

Capacidade funcional em idosos e idosos mais velhos após alta da unidade de terapia intensiva. Coorte prospectiva

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2017, vol.29, n.3, pp.293-302.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva, foi comparar a capacidade funcional de indivíduos idosos (60 a 79 anos) com a dos idosos mais velhos (= 80 anos) nos primeiros 6 meses após a alta da unidade de terapia intensiva. Foram coletados dados de uma coorte prospectiva multicêntrica, referentes à internação na unidade de terapia intensiva e aos desfechos após a alta hospitalar (no pós-alta imediato, após 3 meses e após 6 meses). A força muscular foi avaliada por meio do protocolo do Medical Research Council e da dinamometria (preensão palmar); a capacidade de execução das Atividades de Vida Diária e independência funcional pelo índice de Barthel e pelo nível habitual de atividade física (International Physical Activity Questionnaire); e a qualidade de vida pelo 12-Item Short-Form Health Survey Versão 2. Dentre os 253 pacientes incluídos, 167 eram idosos entre 61 a 79 anos, e 86 eram idosos mais velhos. Os idosos mais velhos, no sexto mês de avaliação, apresentaram maior necessidade de cuidador (69,0% versus 49,5%; p = 0,002). A funcionalidade prévia à unidade de terapia intensiva e no terceiro mês após alta foi menor nos idosos mais velhos em comparação aos mais jovens (Barthel anterior à unidade de terapia intensiva: 73,0 ± 30,0 versus 86,5 ± 22,6; p < 0,001; Barthel no terceiro mês: 63,5 ± 34,0 versus 71,5 ± 35,5; p = 0,03), assim como o nível habitual de atividade física (International Physical Activity Questionnaire no terceiro mês: ativo/muito ativo 3,4% versus 18,3%; nenhuma atividade física 64,4% versus 39,7%; p < 0,001; e International Physical Activity Questionnaire no sexto mês: ativo/muito ativo 5,8% versus 20,8%; nenhuma atividade física 69,2% versus 43,4%; p = 0,005). Os idosos mais velhos apresentaram menor força muscular ao serem avaliados pela preensão palmar no membro dominante (14,5 ± 7,7 versus 19,9 ± 9,6; p = 0,008) e do não dominante (13,1 ± 6,7 versus 17,5 ± 9,1; p = 0,02). Não houve diferença na perda da funcionalidade e na qualidade de vida referida, entre os grupos etários. Os pesquisadores concluíram que mesmo com grande perda funcional após a alta da unidade de terapia intensiva em ambos os grupos etários, não houve diferença na magnitude da perda da funcionalidade de indivíduos idosos (60 a 79 anos) quando comparados aos idosos mais velhos (= 80 anos) nos primeiros 6 meses após a alta da unidade de terapia intensiva. SP, 05/12/2017 Palavras-chave: Cuidados críticos; Aptidão física; Idoso fragilizado; Envelhecimento; Idoso; Idoso de 80 anos ou mais; Qualidade de vida. Uma resenha de: Capacidade funcional em idosos e idosos mais velhos após alta da unidade de terapia intensiva. Coorte prospectiva Autores: Dietrich, Camila et al.

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Associação entre deficiência materna de vitamina D e bebês pequenos para idade gestacional (PIG): evidência de uma meta-análise de estudos prospectivos de coorte

10/01/2018 | Fonte: BMJ Open. 2017 Aug 27;7(8):e016404.

Este estudo, publicado no British Medical Journal, teve por objetivo determinar se a deficiência materna de vitamina D durante a gravidez está associada a bebês pequenos para a idade gestacional (PIG). Uma revisão abrangente da literatura no PubMed, Cochrane Library, Embase e biblioteca Elsevier Science Direct foi realizada para identificar artigos relevantes que relatam estudos de coorte prospectivos em inglês, o último dos quais foi publicado em fevereiro de 2017. Odds ratios (OR) agrupados e os intervalos de confiança (IC) correspondentes de 95% foram utilizados para avaliar a correlação em um modelo de efeitos aleatórios. Um total de 13 estudos de coorte foram incluídos nesta meta-análise com uma amostra de 28.285 indivíduos de sete países. A OR global combinada para lactentes nascidos PIG foi de 1.588 (IC 95%: 1,138 a 2,226, p<0,01) para mulheres com deficiência de vitamina D. A prevalência de deficiência de vitamina D durante a gravidez variou de 13,2% a 77,3%. As análises de subgrupos não identificaram diferenças significativas na associação entre deficiência de vitamina D e bebês PIG com base na qualidade do estudo, semana gestacional durante a qual a amostra de sangue foi obtida, corte dos níveis de vitamina D, tamanho da amostra, ajuste para confusão crítica e método para medir a vitamina D. A partir desta meta-análise, os autores sugerem que a deficiência de vitamina D está associada a um risco aumentado de bebes PIG. Uma resenha de: Association between maternal vitamin D deficiency and small for gestational age: evidence from a meta-analysis of prospective cohort studies Autores: Chen Y, Zhu B, Wu X, Li S, Tao F.

Novidade

Tratamento bem-sucedido de um paciente com miopatia induzida por estatina e distrofia miotônica tipo II com inibidor da pró-proteína convertase subtilisina/kexina tipo 9, alirocumab (Praluent)

20/12/2017 | Fonte: Fonte: J Clin Lipidol. 2017 Sep 4. pii: S1933-2874(17)30439-7

As opções atuais de tratamento para hipercolesterolemia em pacientes com intolerância a estatinas e distrofia miotônica ainda são limitadas. Neste estudo, publicado no Journal of Clinical and Lipidology, os autores investigaram um homem de 74 anos com hipercolesterolemia (LDL-C sérico de 210 mg/dL), hipogonadismo, diabetes mellitus tipo 2 controlado por insulina e níveis minimamente elevados de creatina quinase sérica (CK) (184 U/L, ref intervalo 38-174). Pouco tempo após o tratamento com sinvastatina o paciente desenvolveu mialgias graves nas extremidades proximais inferiores e superiores e concomitante aumento dos níveis séricos de CK para 317 U/L. Posteriormente o paciente foi tratado com várias estatinas, incluindo a rosuvastatina, e apresentou resultados semelhantes. O paciente também foi tratado com resina de ligação de ácidos biliares e ezetimiba, também sem apresentar melhoras. Neste momento foi confirmado o diagnóstico de distrofia miotônica tipo 2. O paciente foi, então, tratado com alirocumab, um inibidor de PCSK9, 75 mg por via subcutânea a cada 2 semanas com melhora significativa no LDL-C (90 mg/dL) e das mialgias. Os pesquisadores concluíram que os inibidores de PCSK9, como o alirocumab, podem ser um excelente agente de redução de lipídios em pacientes com intolerância a estatinas e distrofia miotônica. Uma resenha de: Successful treatment of a patient with statin-induced myopathy and myotonic dystrophy type II with proprotein convertase subtilisin/kexin type 9 inhibitor, alirocumab (Praluent) Autores: Shakir MKM, Shin T, Hoang TD, Mai VQ.

Novidade

Prevenção de acidente vascular cerebral com a inclusão de ezetimiba à terapia com estatinas em pacientes com síndrome coronariana aguda no ensaio IMPROVE-IT

20/12/2017 | Fonte: Fonte: Circulation. 2017 Sep 30. pii: [Epub ahead of print]

Pacientes com síndrome coronariana aguda apresentam risco elevado de eventos isquêmicos recorrentes, incluindo acidente vascular cerebral (AVC). Estudos demonstram melhora nos resultados cardiovasculares após inclusão da ezetimiba à terapia com estatina em pacientes estabilizados após síndrome coronariana aguda. O objetivo deste estudo, publicado no Circulation, foi avaliar a eficácia da adição de ezetimiba à sinvastatina para prevenção de AVC e outros eventos cardiovasculares adversos no estudo IMPROVE-IT, com foco em pacientes que sofreram AVC antes da randomização. Os pacientes com síndrome coronariana aguda e registro de AVC foram randomizados para placebo/sinvastatina ou ezetimiba/simvastatina e seguidos por uma média de 6 anos. A eficácia do tratamento foi avaliada para toda a população e para subgrupos, tendo como base o primeiro e o total (primeiro e posterior) de eventos para os seguintes desfechos em 7 anos; AVC de qualquer etiologia, subtipos de AVC, além do endpoint primário pré-especificado do ensaio IMPROVE-IT. Dentre os 18.144 pacientes, cerca de 641 (3,5%) tiveram pelo menos um AVC, sendo a maioria composta pela forma isquêmica (527, 82%). Foram considerados como preditores independentes de AVC: AVC prévio, idade avançada, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca congestiva, diabetes, infarto do miocárdio e disfunção renal. Os resultados mostraram uma redução não significativa no primeiro evento de AVC de qualquer etiologia (4,2% vs 4,8%; HR 0,86, 0,73-1,00; p = 0,052) com ezetimiba/sinvastatina versus placebo/sinvastatina, motivada por uma redução significativa de 21% no AVC isquêmico (3,4% contra 4,1%; HR 0,79, 0,67-0,94; p = 0,008) e um aumento não significativo no AVC hemorrágico (0,8% vs 0,6%; HR 1,38, 0,93-2,04; p = 0,11). Na avaliação dos eventos totais, incluindo o primeiro AVC e todos os outros recorrentes, o tratamento com ezetimiba/sinvastatina reduziu o AVC de qualquer etiologia (HR 0,83, 0,70-0,98; p = 0,029) e o AVC isquêmico (HR 0,76, 0,630,91; p = 0,003). Os resultados também mostraram que pacientes que sofreram AVC antes da randomização apresentaram maior risco de recorrência, porém, demonstraram redução absoluta do risco de 8,6% para o AVC de qualquer etiologia (10,2% vs 18,8%, NNT = 12; HR 0,60, 0,38-0,95; p = 0,030) e 7,6% para AVC isquêmico (8,7% vs 16,3%; NNT = 13; HR 0,52, 0,31-0,86; p = 0,011) com a inclusão de ezetimiba à terapia de sinvastatina. Os pesquisadores concluíram que a inclusão da ezetimiba à sinvastatina em pacientes estabilizados após síndrome coronariana aguda reduz a frequência de SP, 27/11/2017 AVC isquêmico, com efeito particularmente elevado em pacientes com AVC prévio. Uma resenha de: Prevention of Stroke with the Addition of Ezetimibe to Statin Therapy in Patients with Acute Coronary Syndrome in IMPROVE-IT. Autores: Bohula EA, Wiviott SD, Giugliano RP, Blazing MA, Park JG, Murphy SA, White JA, Mach F, Van de Werf FJ, Dalby AJ, White HD, Tershakovec AM, Cannon CP, Braunwald E.

Novidade

Efeito de estatinas e medicamentos não-estatinas de redução do colesterol LDL em resultados cardiovasculares na prevenção secundária: uma meta-análise de ensaios randomizados

20/12/2017 | Fonte: Fonte: Eur Heart J. 2017 Oct 23. [Epub ahead of print]

Evidências recentes para o controle da dislipidemia estendeu-se tanto para novos tratamentos como para níveis alvo de colesterol de lipoproteínas de baixa densidade (LDL-C) muito baixos. O objetivo deste estudo, publicado no European Heart Journal, foi comparar o impacto clínico de uma redução de LDL-C mais intensiva versus menos intensiva por meio de estatinas e medicamentos não-estatina atualmente recomendados na prevenção secundária. Para a realização deste estudo foram realizadas pesquisas nas bases de dados Medline, EMBASE e Cochrane. A busca teve como foco ensaios controlados randomizados de estatinas, ezetimiba, inibidores de pró-proteína convertase subtilisinakexina tipo 9 (PCSK9) ou sequestradores de ácidos biliares com número amostral superior a 500 pacientes e seguimento igual ou superior a 1 ano. Foram utilizados modelos de efeitos aleatórios com base no risco relativo (RRs) e intervalos de confiança de 95% (ICs) na comparação dos resultados. Foram incluídos 19 ensaios (15 de estatinas, 3 de inibidores de PCSK9 e 1 de ezetimiba) com 152.507 pacientes atribuídos aleatoriamente ao tratamento mais intensivo (n = 76.678) ou menos intensivo (n = 75.829). Os resultados mostraram que o tratamento mais intensivo foi associado a 19% de redução do risco relativo para o desfecho primário, ou seja, eventos vasculares maiores (RR 0,81, IC 95% 0,77-0,86). Observaram-se maiores reduções de risco sobre as reduções tanto dos níveis mais elevados de linha de base como dos níveis alvos de LDL-C. O benefício clínico foi significativo sobre os diferentes tipos de tratamento mais intensivo, sendo consistente tanto para estatinas (RR 0,81, IC 95% 0,76-0,86) como para não estatinas (inibidores de PCSK9 e ezetimiba, RR 0,85, IC 95% 0,77-0,94) como ativo (mais intensivo) de intervenção (P-interação = 0,38). Cada redução de 1,0 mmol/L no LDL-C foi associada com 19% de redução relativa nos eventos vasculares maiores. Os resultados também indicaram que fatores como morte, morte cardiovascular, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e revascularização coronariana também favoreceram o tratamento mais intensivo. Os pesquisadores concluíram que a redução de eventos vasculares maiores é proporcional à magnitude da redução de LDL-C em um amplo espectro de níveis de tratamento em prevenção secundária. Segundo os autores, a intensificação de estatinas e o tratamento complementar com inibidores de PCSK9 ou ezetimiba SP, 27/11/2017 estão associados à redução significativa da morbidade cardiovascular nesta população de alto risco. Uma resenha de: Effect of statins and non-statin LDL-Lowering medications on cardiovascular outcomes in secondary prevention: a meta-analysis of randomized trials Autores: Koskinas KC, Siontis GCM, Piccolo R, Mavridis D, Räber L, Mach F, Windecker S.
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