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Poluição do ar e mortalidade na população usuária de serviços de saúde (Medicare)

20/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Jun 29;376(26):2513-2522

A associação entre a exposição prolongada à poluição do ar e o aumento da taxa mortalidade tem sido consistentemente reportada na literatura. No entanto, há poucas evidências desta associação com relação aos níveis de poluição atmosférica abaixo dos padrões atuais recomendados pelo National Ambient Air Quality Standards. Além disso, estudos anteriores avaliaram populações predominantemente urbanas e não possuíam poder estatístico para estimar os efeitos na saúde em grupos sub-representados. Neste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, os autores avaliaram todos os beneficiários do programa de saúde Medicare (60.925.443 pessoas) nos Estados Unidos, entre 2000 e 2012, totalizando 460.310.521 pessoas-ano de acompanhamento. Foram realizadas estimativas médias anuais de material particulado (partículas com diâmetro aerodinâmico médio de massa inferior a 2,5 µm [PM2.5]) e ozônio. Essas medidas foram feitas de acordo com o CEP de residência para cada indivíduo inscrito no programa Medicare com o uso de modelos de predição previamente validados. Também foram realizadas estimativas do risco de morte associado à exposição a aumentos de 10 µg/m3 para PM2.5 e aumentos de 10 partes por bilhão (ppb) para o ozônio. Estas estimativas foram realizadas por meio de modelos de riscos proporcionais de Cox para os dois poluentes, ajustado para características demográficas, elegibilidade para Medicaid e covariáveis de nível da área. Os resultados estimaram uma associação entre aumentos de 10 µg/m3 de PM2.5 e de 10 ppb no ozônio com aumentos na mortalidade por todas as causas de 7,3% (intervalo de confiança de 95% [IC], 7,1 a 7,5) e 1,1% (IC 95% 1,0 a 1,2), respectivamente. Quando a análise foi restrita a pessoas-ano com exposição a PM2.5 de menos de 12 µg/m3 e ozônio com menos de 50 ppb, os mesmos aumentos em PM2.5 e ozônio foram associados com aumentos no risco de morte de 13,6% (IC 95%, 13,1 a 14,1) e 1,0% (IC 95%, 0,9 a 1,1), respectivamente. Para PM2.5, o risco de morte entre homens, negros e indivíduos com elegibilidade para Medicaid foi maior do que no restante da população estudada. Os pesquisadores concluíram que em toda a população do Medicare, houve evidências significativas de efeitos adversos relacionados à exposição a PM2.5 e ozônio em concentrações abaixo dos padrões nacionais atuais. Segundo os autores, esse efeito foi mais evidente entre minorias raciais autoidentificadas e pessoas com baixa renda. Uma resenha de: Air Pollution and Mortality in the Medicare Population Autores: Di Q, Wang Y, Zanobetti A, Wang Y, Koutrakis P, Choirat C, Dominici F, Schwartz JD.

Mutações associadas ao câncer na endometriose sem câncer

20/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 May 11;376(19):1835-1848. doi: 10.1056

A endometriose, definida como a presença de estroma e epitélio endometrial ectópico, afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva e pode causar dor pélvica e infertilidade. As lesões endometriais são consideradas lesões inflamatórias benignas, mas possuem características parecidas com o câncer, tais como invasão local e resistência à apoptose. Neste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, foram analisadas as lesões de endometriose profunda infiltrativa de 27 pacientes por meio de sequenciamento completo do exoma (24 pacientes) ou sequenciamento direcionado a genes de mutações cancerígenas (3 pacientes). As mutações foram validadas com o uso de métodos genômicos digitais em epitélio e estroma microdissecados. Os componentes epiteliais e de estroma das lesões de 12 pacientes adicionais foram analisados por meio de um ensaio digital de reação em cadeia da polimerase (PCR) de gotículas para mutações ativadoras KRAS recorrentes. O sequenciamento do exoma revelou mutações somáticas em 19 dos 24 pacientes (79%). Cinco pacientes albergavam mutações cancerígenas conhecidas em ARID1A, PIK3CA, KRAS ou PPP2R1A, que foram validadas pelo Sistema de Sequenciamento Seguro ou análise imuno-histoquímica. A probabilidade de os genes mutacionais serem afetados nessa taxa na ausência de seleção foi estimada em P = 0,001 (teste binomial). O sequenciamento direcionado e um teste de PCR digital de gotículas identificaram mutações KRAS em 2 dos 3 pacientes e 3 dos 12 pacientes, respectivamente, com mutações no epitélio, mas não no estroma. Um paciente apresentou duas mutações KRAS diferentes, c.35G ? T e c.35G ? C, e outra carregou mutações idênticas KRAS c.35G ? A em três lesões distintas. Os pesquisadores descobriram que as lesões de endometriose profunda infiltrativa, que estão associadas a praticamente nenhum risco de transformação maligna, apresentam genes mutantes cancerígenos. Dez de 39 lesões de endometriose profunda infiltrativa (26%) portavam mutações; todas as mutações somáticas testadas pareciam estar confinadas ao compartimento epitelial das lesões endometrióticas. Uma resenha de: Cancer-Associated Mutations in Endometriosis without Cancer. Autores: Anglesio MS, Papadopoulos N, Ayhan A, Nazeran TM, Noë M, Horlings HM, Lum A, Jones S, Senz J, Seckin T, Ho J, Wu RC, Lac V, Ogawa H, Tessier-Cloutier B, Alhassan R, Wang A, Wang Y, Cohen JD, Wong F, Hasanovic A, Orr N, Zhang M, Popoli M, McMahon W, Wood LD, Mattox A, Allaire C, Segars J, Williams C, Tomasetti C, Boyd N, Kinzler KW, Gilks CB, Diaz L, Wang TL, Vogelstein B, Yong PJ, Huntsman DG, Shih IM.

Associação entre inflamação subclínica, hemoglobina glicada e risco de apneia obstrutiva do sono

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.2, pp.136-140.

O objetivo deste estudo, publicado no Einstein (São Paulo), foi investigar a inter-relação entre proteína C-reativa de alta sensibilidade e hemoglobina glicada na predição do risco de apneia obstrutiva do sono. Foram incluídos todos os indivíduos participantes do programa de check-up do Centro de Medicina Preventiva Hospital Israelita Albert Einstein em 2014. Foi aplicado o questionário de Berlin sobre risco de apneia do sono, e avaliadas as dosagens de hemoglobina glicada e proteína C-reativa de alta sensibilidade. Foram incluídos 7.115 participantes (idade 43,4±9,6 anos, 24,4% mulheres). A prevalência de alteração no questionário de Berlin foi de 434 (6,1%). A alteração do questionário de Berlin associou-se positivamente aos resultados da proteína C-reativa de alta sensibilidade e da hemoglobina glicada (p<0,001). No entanto, apenas a associação entre o resultado do questionário de Berlin e a hemoglobina glicada permaneceu significativa na análise multivariada ajustada tanto para fatores de risco tradicionais quanto para um modelo adicional, que incluiu também lipoproteína de alta densidade-colesterol (HDL-c) e triglicérides. Os pesquisadores concluíram que a hemoglobina glicada, mesmo em valores abaixo do critério diagnóstico para diabetes mellitus, está associada de forma independente ao risco para síndrome da apneia obstrutiva do sono, mesmo após ajuste para obesidade e proteína C-reativa. Estes achados sugerem possível ligação fisiopatológica entre alterações na resistência insulínica e a síndrome da apneia obstrutiva do sono, que independe da obesidade ou inflamação de baixo grau. Uma resenha de: Associação entre inflamação subclínica, hemoglobina glicada e risco de apneia obstrutiva do sono Autores: D’aurea, Carolina Vicaria Rodrigues et al.

Existem mudanças no perfil de ácidos graxos no leite materno com a suplementação de fontes de ômega 3? Uma revisão sistemática

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Ginecol. Obstet. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.128-141.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, foi avaliar o efeito da suplementação com fontes de ômega 3 sobre a composição de ácidos graxos do leite humano. A revisão consistiu na busca de artigos publicados nas bases de dados PubMed, Biblioteca Virtual de Saúde e Web of Science utilizando-se as palavras-chave: ácidos graxos, ômega-3, leite materno e suplementação; para isso, foi utilizado o checklist PRISMA. Foram utilizados os seguintes critérios para a seleção: artigos publicados em inglês, português, espanhol ou italiano, entre os anos de 2000 a 2015, sobre estudos realizados em humanos. A busca bibliográfica, segundo a estratégia estabelecida, resultou em 710 artigos. Entretanto, apenas 22 destes foram selecionados para compor a presente revisão. Todos os estudos encontraram relação positiva entre o consumo de fontes de ômega 3 e sua concentração no leite humano. As diferenças nos achados se devem aos métodos empregados como, por exemplo, o momento da suplementação do ômega 3, o tipo de fonte de ômega 3 ofertado, e o tamanho amostral. Os pesquisadores concluíram que apesar de os estudos serem díspares em inúmeros aspectos metodológicos, observou-se a importância da suplementação do ômega 3 na gestação e/ou no puerpério. Uma resenha de: Existem mudanças no perfil de ácidos graxos no leite materno com a suplementação de fontes de ômega 3? Uma revisão sistemática Autores: Amaral, Yasmin Notarbartolo di Villarosa do et al.

Idade precoce de início da atividade sexual está associada a elevada prevalência de Lesão Intraepitelial Escamosa de Alto Grau.

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Ginecol. Obstet. [online]. 2017, vol.39, n.2, pp.80-85.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, foi avaliar a associação entre idade de início da atividade sexual e os resultados de citologia cervico-vaginal. Foi realizado um estudo observacional sobre a prevalência dos resultados de citologia cervico-vaginal alterados em mulheres com idade entre 18 e 34 anos na região de Campinas – SP, Brasil, durante 10 anos. As pacientes foram estratificadas em dois grupos de acordo com a idade de início da atividade sexual (13 a 16 anos e 17 a 24 anos). Do total de 2.505.154 exames, 898.921 preencheram os critérios de inclusão. Considerando mulheres com tempo desde a primeira relação sexual menor ou igual a 4 anos como grupo de referência, mulheres com intervalos de 5 a 9 anos e 10 anos ou mais entre a data do exame e a primeira relação sexual mostraram maior prevalência de lesão intraepitelial escamosa de alto grau (LIEAG). Mulheres com início da atividade sexual mais precoce (13-16 anos) mostraram altas prevalências de atipia de células escamosas, lesão intraepitelial escamosa de baixo grau e LIEAG. A razão de prevalência de LIEAG ajustada pela idade na data do exame e pela idade do início da atividade sexual foi maior somente para mulheres que apresentaram início mais precoce da atividade sexual. Os pesquisadores concluíram que a idade de início da atividade sexual pode ser uma possível variável de seleção das mulheres com maior risco de LIEAG. Uma resenha de: Idade precoce de início da atividade sexual está associada a elevada prevalência de Lesão Intraepitelial Escamosa de Alto Grau Autores: Caldeira Xavier-Junior, José Cândido et al.

Impacto do uso de diferentes critérios diagnósticos na prevalência de dislipidemia em gestantes

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.1, pp.30-38

Durante a gestação ocorrem, fisiologicamente, elevações do colesterol total (CT) e triglicerídios (TG). Alguns autores definem dislipidemia (DLP) gestacional quando as concentrações de CT, LDL e TG são superiores ao percentil 95 (P95%) e de HDL, inferiores ao percentil 5 (P5%) para a idade gestacional. O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi comparar a prevalência da DLP em gestantes conforme critério por percentis com o da V Diretriz Brasileira de Dislipidemia e avaliar a associação com desfechos materno-fetais. Gestantes com patologias de alto risco, idade entre 18 a 50 anos, e, pelo menos um perfil lipídico durante a gestação foram classificadas quanto à presença de DLP por dois critérios. Dados clínicos e laboratoriais das mães e neonatos foram avaliados. Foram estudadas 433 gestantes com idade de 32,9 + 6,5 anos. A maioria (54,6%) teve o perfil lipídico coletado no terceiro trimestre. A prevalência de quaisquer das alterações lipídicas, conforme os critérios da Diretriz Nacional, foi de 83,8%: CT > 200 mg/dL foi encontrado em 49,9%; LDL = 160 mg/dL, em 14,3%, HDL 150 mg/dL, em 65,3%. Quaisquer das alterações lipídicas pelo critério dos percentis foi encontrada em 19,6%: sendo que elevação superior ao P95% para CT foi encontrada em 0,7%; para LDL, em 1,7%; para TG, em 6,4% e inferiores ao P5% para o HDL em 13%. A frequência das comorbidades: hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade e pré-eclâmpsia foi semelhante entre as gestantes quando se comparou DLP pelos dois critérios. Os pesquisadores concluíram que a prevalência de DLP na gestação variou significativamente conforme o critério utilizado, entretanto nenhum demonstrou superioridade na associação com comorbidades. Uma resenha de: Impacto do uso de diferentes critérios diagnósticos na prevalência de dislipidemia em gestantes Autores: Feitosa, Alina Coutinho Rodrigues et al.

Desempenho cognitivo de prematuros: associação da displasia broncopulmonar com as habilidades cognitivas. Estudo transversal

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Sao Paulo Med. J. [online]. 2017, vol.135, n.4, pp.383-390.

Crianças nascidas prematuras com frequência apresentam pior desempenho cognitivo que as nascidas a termo em habilidades como memória, atenção, velocidade de processamento. A displasia broncopulmonar pode comprometer o desenvolvimento cognitivo. Os objetivos deste estudo, publicado no Sao Paulo Medical Journal, foram: a) descrever o desempenho cognitivo de crianças nascidas prematuras com muito baixo peso; b) investigar sua associação com a displasia broncopulmonar ajustada para fatores sócio-demográfcos, neonatais e pós-neonatais. Foi realizado um estudo transversal desenvolvido em hospital público de cuidados terciários. Para a avaliação cognitiva de 112 crianças, foi aplicada a escala de inteligência (Wechsler scale). Foram comparadas as médias dos escores das crianças com e sem displasia broncopulmonar nos cinco domínios da escala. A associação com a displasia broncopulmonar foi investigada para os domínios que apresentaram diferença signifcativa entre os dois grupos. A associação entre a exposição e o desfecho foi estimada por regressão logística multivariada. Não houve diferença entre as médias dos domínios do quociente de inteligência total, quociente de inteligência verbal, quociente de inteligência de execução e composto de linguagem geral. O quociente de velocidade de processamento foi o único domínio que apresentou diferença signifcativa entre os dois grupos (P = 0,02). Entre as crianças com displasia broncopulmonar, quociente de inteligência total baixo ocorreu em 28,1%. Na análise multivariada, a displasia broncopulmonar (odds ratio: 3,1; intervalo de confiança: 1,1-8,7) permaneceu associada ao desfecho quociente de velocidade de processamento. Os pesquisadores concluíram que a displasia broncopulmonar foi um fator de risco independente para alteração no quociente de velocidade de processamento. Uma resenha de: Desempenho cognitivo de prematuros: associação da displasia broncopulmonar com as habilidades cognitivas. Estudo transversal Autores: De Mello, Rosane Reis; Rodrigues Reis, Ana Beatriz e Da Silva, Kátia Silveira.

Triagem para câncer de tireoide: relatório de evidências atualizado e revisão sistemática para a força-tarefa de serviços preventivos dos EUA

20/10/2017 | Fonte: Fonte: JAMA. 2017 May 9;317(18):1888-1903. doi: 10.1001

A incidência de casos de câncer de tireoide detectados tem aumentado nos Estados Unidos desde 1975. A maioria dos cânceres de tireoide são diferenciados com excelente prognóstico e sobrevivência a longo prazo. Este estudo, publicado no periódico The Journal of American Medical Association, teve por objetivo analisar sistematicamente os benefícios e danos associados à triagem e tratamento do câncer de tireoide precoce em adultos assintomáticos para informar a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (US Preventive Services Task Force). As fontes de pesquisas utilizadas foram provenientes do MEDLINE, PubMed e do Registro Central de Cochrane de Ensaios Controlados para estudos relevantes publicados de janeiro de 1966 a janeiro de 2016, com vigilância ativa até dezembro de 2016. Foram selecionados estudos na língua inglesa realizados em populações adultas assintomáticas. Dois revisores avaliaram de forma independente os artigos e extraíram os dados relevantes de estudos de qualidade aceitável ou boa. A metanálise dos efeitos aleatórios foi conduzida para agrupar os danos cirúrgicos. Foram mensurados: morbidade e mortalidade do câncer de tireoide, precisão do teste para detectar nódulos de tireoide ou câncer de tireoide e danos resultantes da triagem (incluindo superdiagnóstico) ou tratamento de câncer de tireoide. De 10.424 resumos, 707 artigos de texto completo foram revistos e 67 estudos foram incluídos para esta revisão. Nenhum estudo de aceitável ou boa qualidade examinou diretamente o benefício da triagem do câncer de tireoide. Em dois estudos (n = 354), a palpação cervical não foi sensível à detecção de nódulos tireoidianos. Em 2 estudos metodologicamente limitados (n = 243), uma combinação de determinadas características ultrassonográficas de alto risco foi específica para malignidade tireoidiana. Três estudos (n = 5894) abordaram diretamente os danos do rastreamento do câncer de tireoide, nenhum dos quais sugeriu qualquer dano grave de triagem ou durante aspiração por agulha fina guiada por ultrassom. Nenhum estudo de rastreio examinou diretamente o risco de superdiagnóstico. Dois estudos observacionais (n = 39.211) incluíram coortes de pessoas tratadas para câncer de tireoide bem diferenciado e pessoas sem cirurgia ou sob vigilância. Contudo, estes estudos não se ajustaram aos fatores de confusão e, portanto, não foram concebidos para determinar se o tratamento precoce ou imediato versus tratamento tardio ou nenhum tratamento cirúrgico melhoraria os resultados do paciente. Com base em 36 estudos (n = 43.295), o IC 95% para a taxa de dano cirúrgico foi de 2,12 a 5,93 casos de hipoparatireoidismo permanente a cada 100 tireoidectomias e de 0,99 a 2,13 casos de paralisia do nervo laríngeo recorrente a cada 100 operações. Com base em 16 estudos (n = 291.796), o tratamento do câncer de tireoide diferenciado com iodo radioativo está associado a um pequeno aumento no risco de malignidade primária recorrente e ao risco aumentado de efeitos adversos permanentes sobre a glândula salivar, causando, por exemplo, xerostomia. A partir desse estudo, os pesquisadores concluíram que, embora a ultrassonografia do pescoço utilizando características ultrassonográficas de alto risco somada ao acompanhamento citológico por aspiração com agulha fina possa identificar o câncer de tireoide, não está claro se o rastreamento de base populacional ou direcionado pode diminuir as taxas de mortalidade ou melhorar os resultados de saúde do paciente. O rastreio que resulta na identificação de câncer de tireoide assintomático e no tratamento deste câncer superdiagnosticados pode aumentar o risco de danos ao paciente. Uma resenha de: Screening for Thyroid Cancer: Updated Evidence Report and Systematic Review for the US Preventive Services Task Force Autores: Lin JS, Bowles EJA, Williams SB, Morrison CC.

Escaneamento complementar por imagem de RM de mama, em mulheres com risco médio de câncer de mama

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Radiology. 2017 May;283(2):361-370. doi: 10.1148

O objetivo deste estudo, publicado no Radiology, foi investigar a utilidade e a precisão da imagem de ressonância magnética de mama (RM) como uma ferramenta complementar de diagnostico em mulheres com risco médio de câncer de mama, e investigar os tipos de câncer detectados com escaneamento por imagem de RM. Este estudo observacional prospectivo foi realizado em dois centros acadêmicos de mama em mulheres com idade entre 40-70 anos sem fatores de risco associados a câncer de mama (risco de vida <15%). Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2013, as mulheres com pelo menos tecido mamário residual mínimo (categorias A-D do Colégio Americano de Radiologia) e achados normais por imagens convencionais (mamografia de rastreio com ou sem ultrassonografia de rastreio [US]) foram convidados a submeter-se a exames complementares de RM. As medidas dos resultados foram as taxas complementares de detecção de câncer, taxas de câncer de intervalo e perfis biológicos de câncer adicionais detectados por imagem de RM, bem como especificidade e valor preditivo positivo (PPV) do escaneamento por imagem de RM. Os diagnósticos dos tecidos, ou 2 anos de seguimento, foram utilizados para estabelecer o padrão de referência. Um total de 2.120 mulheres foram recrutadas e submetidas a 3.861 exames de imagem de RM, abrangendo um total de observação de 7.007 mulheres-ano. A imagem da RM da mama mostrou 60 cânceres de mama adicionais (carcinoma ductal in situ, n = 20, carcinoma invasivo, n = 40) para uma taxa geral de detecção de câncer suplementar de 15,5 por 1000 casos (intervalo de confiança de 95% [IC]: 11,9-20,0). Quarenta e oito cânceres adicionais foram detectados com imagem de RM no rastreio inicial (taxa de detecção de câncer suplementar, 22,6 por 1000 casos). Durante as 1.741 rodadas de rastreio subsequentes, 12 dos 13 cânceres incidentes foram encontrados com imagem de RM apenas (taxa de detecção de câncer suplementar, 6,9 por 1000 casos). Um diagnóstico de câncer foi realizado com os três métodos (mamografia, US e RM), e nenhum deles foi diagnosticado apenas com mamografia ou apenas com US. Os cânceres diagnosticados com RM foram pequenos (mediana, 8 mm), negativo para nodos em 93,4% dos casos, e desdiferenciados (câncer de alto grau) em 41,7% dos casos na triagem de prevalência e 46,0% dos casos na triagem de incidência. Não foram observados cânceres de intervalo. O rastreio de imagem de RM mostrou uma alta especificidade (97,1%; IC 95%: 96,5, 97,6) e PPV elevado (35,7%; IC 95%: 28,9, 43,1). Os pesquisadores concluíram que, em mulheres com risco médio de câncer de mama, a triagem por imagem de RM melhora o diagnóstico precoce de câncer de mama de prognóstico relevante. Uma resenha de: Supplemental Breast MR Imaging Screening of Women with Average Risk of Breast Cancer Autores: Kuhl CK, Strobel K, Bieling H, Leutner C, Schild HH, Schrading S.

Confiabilidade teste-reteste da versão Brasileira do instrumento Memorial Symptom Assessment Scale para avaliação de sintomas em pacientes oncológicos

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.2, pp.148-154.

O objetivo deste estudo, publicado no Einstein (São Paulo), foi avaliar a confiabilidade teste-reteste da versão traduzida e adaptada culturalmente para o português do Brasil do Memorial Symptom Assessment Scale. A escala foi aplicada em forma de entrevista em 190 pacientes com diversos tipos de câncer internados nos setores clínicos e cirúrgicos do Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva e reaplicada em 58 pacientes. Os dados dos testes-retestes foram inseridos num banco de dados por dupla digitação independente em Excel e analisados pelo Kappa ponderado. A confiabilidade da escala mostrou-se satisfatória nos testes-retestes. Os valores do Kappa ponderado obtidos para cada item da escala apresentaram-se adequados, sendo o maior item de 0,96 e o menor de 0,69. Também se avaliou o Kappa das subescalas, sendo de 0,84 para sintomas físicos de alta frequência, de 0,81 para sintomas físicos de baixa frequência, de 0,81 também para sintomas psicológicos, e de 0,78 para Índice Geral de Sofrimento. Os pesquisadores concluíram que altos níveis de confiabilidade estimados permitem concluir que o processo de aferição dos itens do Memorial Symptom Assessment Scale foi adequado. Uma resenha de: Confiabilidade teste-reteste da versão Brasileira do instrumento Memorial Symptom Assessment Scale para avaliação de sintomas em pacientes oncológicos Autores: Menezes, Josiane Roberta de et al.

Efeito da técnica de aspiração comparada ao stent retriever na revascularização de pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico agudo e oclusões de grandes vasos: o ensaio clínico aleatório ASTER

20/10/2017 | Fonte: Fonte: JAMA. 2017 Aug 1;318(5):443-452

Ainda não há evidências consistentes decorrentes de ensaios clínicos randomizados sobre os benefícios da revascularização endovascular usando a técnica de aspiração em comparação à técnica de stent retriever em pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico agudo. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Journal of American Medical Association, foi comparar a eficácia e os eventos adversos utilizando a técnica de aspiração versus a técnica de stent retriever como tratamento endovascular de primeira linha para revascularização bem-sucedida em pacientes com AVC isquêmico agudo e oclusão de grandes vasos. O ensaio ASTER (Contact Aspiration vs Stent Retriever for Successful Revascularization) foi um ensaio clínico randomizado, aberto, com endpoint cego, realizado em 8 centros para o tratamento do AVC na França, realizado entre outubro de 2015 e outubro de 2016. Foram incluídos no estudo os pacientes que apresentaram AVC isquêmico agudo e uma oclusão vascular grande na circulação anterior dentro de 6 horas após o início dos sintomas. Os pacientes foram aleatoriamente distribuídos para o procedimento de aspiração (n = 192) ou stent retriever (n = 189) imediatamente antes da trombectomia mecânica. Foi considerada como desfecho primário a proporção de pacientes com revascularização bem-sucedida definida pelo escore 2b ou 3 no Thrombolysis in Cerebral Infarction modificado no final de todos os procedimentos endovasculares. Os resultados secundários incluíram o grau de incapacidade avaliado pela distribuição global do escore Rankin Scale modificado (MRS) aos 90 dias, variação de 24 h na escala NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale), mortalidade por todas as causas aos 90 dias e eventos adversos graves relacionados ao procedimento. Foram randomizados cerca de 381 pacientes com idade média de 69,9 anos, sendo 174 mulheres [45,7%]). Deste total, cerca de 363 (95,3%) completaram todas as etapas do estudo. O tempo médio desde o início dos sintomas até a punção arterial foi de 227 minutos (intervalo interquartil, 180-280 minutos). Os resultados mostraram que a proporção de pacientes com revascularização bem-sucedidas foi de 85,4% (n = 164) no grupo aspiração versus 83,1% (n = 157) no grupo stent retriever (odds ratio, 1,20 [IC 95%, 0,68- 2,10]; P = 0,53; diferença, 2,4% [IC 95%, -5,4% a 9,7%]). Os resultados também indicaram não haver diferenças significativas entre as técnicas para os resultados de eficácia clínica, ou seja, alteração no escore NIHSS às 24 horas e pontuação mRS aos 90 dias, bem como para a incidência de eventos adversos graves. Os pesquisadores concluíram que não houve superioridade da técnica de aspiração em comparação ao stetnt retriever na taxa de revascularização entre SP, 17/08/2017 os pacientes com AVC isquêmico na circulação anterior submetidos à trombectomia. Uma resenha de: Effect of Endovascular Contact Aspiration vs Stent Retriever on Revascularization in Patients With Acute Ischemic Stroke and Large Vessel Occlusion: The ASTER Randomized Clinical Trial Autores: Lapergue B, Blanc R, Gory B, Labreuche J, Duhamel A, Marnat G, Saleme S, Costalat V, Bracard S, Desal H, Mazighi M, Consoli A, Piotin M;ASTER Trial Investigators.

Escoliose idiopática do adolescente: tratamento cirúrgico e qualidade de vida

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Acta ortop. bras. [online]. 2017, vol.25, n.3, pp.85-89.

A finalidade deste estudo, publicado no periódico Acta Ortopédica Brasileira, foi determinar a influência dos fatores perioperatórios e seu impacto sobre os desfechos clínicos e funcionais em pacientes brasileiros com escoliose idiopática do adolescente (EIA). Foi realizado um estudo prospectivo com 49 pacientes consecutivos com EIA submetidos à fusão da coluna vertebral, com seguimento de no mínimo dois anos. Os dados clínicos e radiográficos foram correlacionados com o escore SRS-30 para predizer os resultados pós-operatórios. Houve uma associação negativa entre a idade do paciente no momento da cirurgia e dor nas costas. Observamos também escore mais alto no domínio "satisfação" nos pacientes operados depois dos 15 anos de idade (p < 0,05). O escore médio de "saúde mental" do SRS-30 foi significativamente superior em homens com relação às mulheres (p= 0,035). Os pacientes tratados com órteses tiveram resultados piores comparados com aqueles que não usaram (p= 0,005). Os pesquisadores concluíram que a artrodese posterior levou à melhora de todos os domínios do questionário SRS-30. Os resultados clínicos foram influenciados por idade, sexo e uso de órtese antes da cirurgia. Não houve correlação entre a correção da curva e a presença de complicações perioperatórias. Uma resenha de: Adolescent idiopathic scoliosis: surgical treatment and quality of life Autores: Rodrigues, Luciano Miller Reis et al.

Relação da polifarmácia e polipatologia com a queda de idosos institucionalizados

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Texto contexto - enferm. [online]. 2017, vol.26, n.2, e03040015

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Texto & Contexto - Enfermagem, foi identificar relações de associação entre o risco de queda em idosos intitucionalizados com a polifarmácia e a polipatologia, bem como traçar o perfil epidemiológico desta casuística. Trata-se de um estudo prospectivo, observacional realizado com 271 idosos moradores de instituições de longa permanência do Distrito Federal. Os dados foram atualizados por estatística inferencial. O acompanhamento dos idosos confirmou a associação entre a polipatologia e a queda (p: 0,0028), porém não seguiu a tendência de outros estudos em identificar a polifarmácia como fator de risco de queda (p: 0,141). Entre as comorbidades mais prevalentes destacou-se alteração dos níveis tensionais (77,4%), seguida de Diabetes Mellitus (27,37%), depressão (17,7%) e demência (46,8%). Já os medicamentos mais identificados foram os anti-hipertensivos (73,8%), indutores do sono (61,2%), diuréticos (50,1%) e antidepressivos (34,3%). Os pesquisadores concluíram que múltiplas incapacidades associado a doenças crônico-degenerativas e o uso crônico de medicamentos, podem interferir na incidência de queda, ratificando os fatores relacionados ao diagnóstico risco de queda presente na Taxonomia I da NANDA-I. Essa contribuição ao raciocínio diagnóstico do enfermeiro garante melhor avaliação do idoso, garantindo um plano de cuidados voltado a prevenção e detecção de condições de risco. Uma resenha de: Relationship of polypharmacy and polypathology with falls among institutionalized elderly Autores: Reis, Karine Marques Costa Dos e Jesus, Cristine Alves Costa De.

Decisão para a duração da antibioticoterapia baseada na procalcitonina em neonatos com suspeita de sepse de início precoce: um estudo multicêntrico, randomizado e controlado (NeoPIns)

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Jul 12. pii: S0140-6736(17)31444-7

Estudos estimam que aproximadamente 7% dos neonatos pré-termo tardios ou nascidos a termo em países de renda elevada recebem antibióticos durante os primeiros 3 dias de vida, tendo em vista a suspeita de sepse de início precoce. No entanto, especula-se que haja um supertratamento nestes casos, uma vez que a prevalência de sepse de início precoce com crescimento de cultura é de 0,1% ou menos em países de alta renda. O objetivo deste estudo, publicado no Lancet, foi investigar o efeito da tomada de decisão com base na procalcitonina para tratamento de suspeita de sepse de início precoce na redução segura da duração do tratamento com antibiótico. Trata-se de um ensaio randomizado e controlado realizado em hospitais holandeses (n=11), suíços (n=4), canadenses (n=2) e checos (n=1). Foram avaliados os neonatos com 34 semanas ou mais, com suspeita de sepse de início precoce e indicação de tratamento com antibiótico. Os recém-nascidos foram estratificados pelos médicos responsáveis em quatro categorias de risco e atribuídos aleatoriamente na razão 1:1 para realizar do tratamento padrão com antibiótico ou a terapia com base na procalcitonina. Foram excluídos das análises os neonatos submetidos à cirurgia na primeira semana de vida ou que apresentaram grandes malformações congênitas exigindo internação hospitalar. Somente os pesquisadores principais foram vendados quanto à randomização dos grupos. Os resultados coprimários foram de não inferioridade para reinfecção ou morte no primeiro mês de vida (margem 2,0%) e de superioridade para a duração da terapia antibiótica. Foram realizadas análises de intenção de tratamento e por protocolo. Os pesquisadores analisaram cerca de 2.440 neonatos com suspeita de sepse de início precoce entre 21 de maio de 2009 e 14 de fevereiro de 2015. Cerca de 622 crianças foram excluídas por falta de consentimento parental, outras 93 não foram elegíveis, sendo 22 devido a uma malformação congênita, 3 devido à realização de cirurgia na primeira semana de vida e 68 por razões desconhecidas. Além disso, outros 14 neonatos foram excluídos devido à impossibilidade de monitoramento ou recuperação de dados, e outro porque as medidas de procalcitonina não estavam disponíveis. Por fim, a randomização atribuiu o total de 1.710 recém-nascidos para terapia baseada na procalcitonina (n = 866) ou terapia padrão (n = 844). O total de 1.408 neonatos foi submetido à análise por protocolo (745 no grupo de procalcitonina e 663 no grupo padrão). Os resultados mostraram uma redução na duração da antibioticoterapia para o grupo de procalcitonina (intenção de tratar: 55,1 vs 65,0 h, SP, 09/08/2017 p<0,0001; por protocolo: 51,8 vs 64,0 h; p<0,0001). Não houve mortes relacionadas à sepse e 9 (<1%) de 1.710 recém-nascidos tiveram possível reinfecção. A diferença de risco para não inferioridade foi de 0,1% (IC 95% -4,6 a 4,8) na análise de intenção de tratar (5 [0,6%] de 866 neonatos no grupo de procalcitonina versus 4 [0,5%] de 844 neonatos no grupo padrão) e 0,1% (-5,2 a 5,3) na análise por protocolo (5 [0,7%] de 745 neonatos no grupo de procalcitonina vs 4 [0,6%] de 663 neonatos no grupo padrão). Os pesquisadores concluíram que a tomada de decisão com base na procalcitonina foi superior ao cuidado padrão na redução da terapia antibiótica em neonatos com suspeita de sepse de início precoce. Segundo os autores, a não inferioridade para reinfecção ou morte não pôde ser demonstrada devido à baixa ocorrência de reinfecções e ausência de morte relacionada ao estudo. Uma resenha de: Procalcitonin-guided decision making for duration of antibiotic therapy in neonates with suspected early-onset sepsis: a multicentre, randomised controlled trial (NeoPIns) Autores: Stocker M, van Herk W, El Helou S et al.

Prevalência da falência de múltiplos órgãos na unidade de terapia intensiva pediátrica: comparação dos escores Pediatric Risk of Mortality III e Pediatric Logistic Organ Dysfunction para predição de mortalidade

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2017, vol.29, n.2, pp.206-212.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva, foi avaliar a frequência de falência de múltiplos órgãos primária e o papel da sepse como agente causal em pacientes pediátricos críticos; e calcular e avaliar a precisão dos escores Pediatric Risk of Mortality III (PRISM III) e Pediatric Logistic Organ Dysfunction (PELOD) para predizer os desfechos de crianças em estado crítico. Foi realizado um estudo retrospectivo, que avaliou dados de pacientes admitidos entre janeiro a dezembro de 2011 na unidade de terapia intensiva pediátrica do Children's Hospital da Cairo University. Dentre os 237 pacientes estudo, 72% tiveram falência de múltiplos órgãos e 45% sepse com falência de múltiplos órgãos. A taxa de mortalidade em pacientes com falência de múltiplos órgãos foi de 73%. Os fatores independentes de risco para óbito foram ventilação mecânica e falência neurológica (OR: 36 e 3,3, respectivamente). O PRISM III foi mais preciso para prever óbito, com qui quadrado no teste de HosmerLemeshow de 7,3 (df = 8; p = 0,5). A área sob a curva foi de 0,723 para o PRISM III e de 0,78 para o PELOD. Os pesquisadores concluíram que a falência de múltiplos órgãos esteve associada à elevada mortalidade. A sepse foi sua principal causa. Pneumonia, diarreia e infecções do sistema nervoso central foram as principais causas de sepse. O PRISM III teve melhor calibração do que o PELOD para prognóstico dos pacientes, apesar da elevada frequência da síndrome de falência de múltiplos órgãos. Uma resenha de: Prevalência da falência de múltiplos órgãos na unidade de terapia intensiva pediátrica: comparação dos escores Pediatric Risk of Mortality III e Pediatric Logistic Organ Dysfunction para predição de mortalidade Autores: Hamshary, Azza Abd Elkader El; Sherbini, Seham Awad El; Elgebaly, Hebatallah Fadel e Amin, Samah Abdelkrim.

Fenótipo Cintura Hipertrigliceridêmica e mudanças na glicemia de jejum e pressão arterial de crianças e adolescentes após um ano de seguimento

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.1, pp.47-53.

O fenótipo de cintura hipertrigliceridêmica (CHT) é definido como a presença simultânea de circunferência de cintura (CC) e níveis séricos de triglicérides (TG) aumentados e tem sido associado com risco cardiometabólico em crianças e adolescentes. O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi avaliar a influência do fenótipo CHT na glicemia de jejum e na pressão arterial em crianças e adolescentes em um período de acompanhamento de um ano. Trata-se de um estudo de coorte envolvendo 492 crianças e adolescentes de 7 a 15 anos de ambos os sexos, que foram submetidos à avaliação antropométrica, bioquímica e clínica no início e também após 6 e 12 meses de seguimento. Os modelos de Equação de Estimulação Generalizada (GEE) foram calculados para avaliar a influência longitudinal do fenótipo CHT na glicemia e na pressão arterial ao longo de um ano. Foi observada uma prevalência de 10,6% (n = 52) do fenótipo CHT nos estudantes. Os modelos GEE identificaram que os estudantes com fenótipo CHT apresentaram aumento de 3,87 mg/dl na média de glicemia em jejum (IC: 1,68-6,05) e de 3,67 mmHg na pressão arterial sistólica media (PAS) (IC: 1,55-6,08) depois de um ano de acompanhamento, após ajuste para variáveis de confusão. Segundo os pesquisadores os resultados deste estudo sugerem que o fenótipo CHT é um fator de risco para alterações longitudinais da glicemia e da PAS em crianças e adolescentes em um período de um ano de seguimento. Uma resenha de: Fenótipo Cintura Hipertrigliceridêmica e mudanças na glicemia de jejum e pressão arterial de crianças e adolescentes após um ano de seguimento Autores: Costa, Priscila Ribas de Farias et al.

Consumo de álcool e risco de câncer de pele não melanoma: uma revisão sistemática e meta-análise dose-resposta

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Br J Dermatol. 2017 Jul 26. [Epub ahead of print]

Os dois tipos mais comuns de câncer de pele não melanoma são o carcinoma basocelular e o carcinoma de células escamosas. Ainda não há consenso sobre a associação entre o consumo de álcool e o câncer de pele não melanoma. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no British Journal of Dermatology, foi investigar a relação entre consumo de álcool e o câncer de pele não melanoma utilizando meta-análises. Para a realização deste estudo, foram realizadas buscas nas bases de dados PubMed e Embase em 30 de outubro de 2016. Foram considerados elegíveis os estudos de casos ou de coorte que investigaram a ingestão de álcool e o risco de carcinoma basocelular e de células escamosas, e relataram riscos relativos (RR) com intervalos de confiança (IC) de 95%. A busca retornou um total de 307 artigos, dos quais foram incluídos na revisão sistemática 13 estudos de casos e de coortes, incluindo 95.241 casos de câncer de pele não melanoma (91.942 basocelular e 3.299 de células escamosas). A análise dos RR na meta-análise dose-resposta foi realizada com base em um modelo de efeitos aleatórios com IC de 95%. Os resultados indicaram uma associação positiva tanto para o carcinoma basocelular (RR de 1,07, IC 95% 1,04-1,09) como para o carcinoma de células escamosas (RR de 1,11; IC 95% 1,06-1,16) em cada aumento de 10 gramas na ingestão diária de etanol. Segundo os autores, embora existam evidências que sugerem uma associação não linear entre o álcool e o carcinoma basocelular, esta associação pode ter se dado devido ao fato de haver dados escassos para níveis mais elevados da ingestão de álcool. Os resultados da meta-análise encontraram evidências de que o consumo de álcool é positivamente associado ao risco de carcinoma basocelular e de células escamosas de maneira dependente da dose. Os autores salientam que estes resultados devem ser interpretados com cautela devido à confusão residual potencial. Segundo os autores, o consumo de álcool poderia servir como um importante alvo de saúde pública para reduzir a carga de saúde global do câncer de pele não melanoma, haja vista que se trata de um comportamento prevalente, porém modificável. Uma resenha de: Alcohol intake and risk of nonmelanoma skin cancer: a systematic review and dose-response meta-analysis. Autores: Yen H, Dhana A, Okhovat JP, Qureshi A, Keum N, Cho E.

Estudo comparativo sobre teste de ativação de basófilos, ensaio de liberação de histamina e de liberação de histamina em sensibilização passiva no diagnóstico de alergia ao amendoim.

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Allergy. 2017 Jul 7. [Epub ahead of print]

Há diversos testes disponíveis para o diagnóstico de alergia com base na medição da ativação de basófilos. Nesse sentido, este estudo publicado no Allergy, teve como objetivo comparar o teste de ativação de basófilos (BAT), o ensaio de liberação de histamina (LH) e o ensaio de liberação de histamina em sensibilização passiva (LH passiva) no diagnóstico de alergia ao amendoim. Para a realização deste estudo, foram selecionados 25 indivíduos, sendo 11 alérgicos ao amendoim e 14 não alérgicos. Amostras de sangue dos participantes foram testadas nos três procedimentos: BAT, LH e LH passiva. A amostra foi incubada com extrato de amendoim ou anti-IgE seguida da realização dos seguintes testes: BAT – aumento de CD63 avaliada por citometria de fluxo; LH – liberação de histamina quantificada por método fluorimétrico; LH passiva - basófilos livres de IgE incubados com o soro dos participantes e a liberação de histamina foi quantificada como em LH. Os resultados mostraram que a sensibilidade ao alérgeno basófilo (CDens) foi significativamente maior para BAT (80,1 ± 17,4) em relação à LH (23,4 ± 10,31) e à LH passiva (11,1 ± 2,0). Ao excluir os resultados não conclusivos, os procedimentos BAT, LH e LH passiva apresentaram sensibilidade clínica de 100%, 100% e 82%, e especificidade de 100%, 100% e 100%, respectivamente. O BAT identificou 11 de 11 pacientes alérgicos enquanto LH e LH passiva identificaram 10 e 9 pacientes, respectivamente. Do mesmo modo, o BAT reconheceu 12 de 14 indivíduos não alérgicos, LH 10 e LH passiva 13. No entanto, os resultados diagnósticos dos testes não foram estatisticamente diferentes. Os resultados também mostraram que as amostras que não liberaram histamina em LH apresentaram menor contagem de basófilos em comparação com aquelas que liberaram (249 versus 630), o que não ocorreu em BAT. Os pesquisadores concluíram que o BAT exibiu um CDens significativo e superior em comparação com LH e LH passivo, no entanto, os resultados diagnósticos dos testes basófilos não foram significativamente diferentes. Segundo os autores, o BAT poderia diagnosticar indivíduos com baixo número de basófilos em contraste com a LH. Uma resenha de: A comparative study on basophil activation test, histamine release assay and passive sensitization histamine release assay in the diagnosis of peanut allergy. Autores: Larsen LF, Juel-Berg N, Hansen KS, Mills ENC, van Ree R, Poulsen LK, Jensen BM.

Análise da qualidade de vida de indivíduos asmáticos obesos e sua relação com a função pulmonar: estudo transversal

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Sao Paulo Med. J. [online]. 2017, vol.135, n.4, pp.332-338.

O efeito combinado de obesidade e asma pode levar a um comprometimento significativo da qualidade de vida (QV). O objetivo deste estudo, publicado no Sao Paulo Medical Journal, foi avaliar a prevalência de asma entre obesos, caracterizar a gravidade do comprometimento da QV e verificar sua relação com a função pulmonar. Foi realizado um estudo transversal observacional em hospital universitário público. Foram incluídos indivíduos obesos mórbidos (índice de massa corporal > 40 kg/m2), acompanhados num ambulatório de cirurgia bariátrica e diagnosticados com asma. Foram coletados dados antropométricos e aplicado o Standardized Asthma Quality of Life Questionnaire (AQLQ (S)), bem como a espirometria. Os indivíduos foram divididos em dois grupos com base na mediana obtida no escore do questionário (pior 4) e os grupos foram comparados aos dados antropométricos e função pulmonar. Dos 4.791 indivíduos avaliados, 219 eram asmáticos; a prevalência de asma foi de 4,57%. Destes, 91 indivíduos foram chamados para iniciar o acompanhamento multidisciplinar no período do estudo, sendo que 82 responderam ao questionário. A pontuação mediana do AQLQ (S) foi de 3,96 pontos, portanto, classificados com prejuízo moderado na QV global. Quando divididos por melhor ou pior QV, houve diferença estatística no fluxo expiratório forçado (FEF) 25-75%, com maior valor no grupo com melhor QV. Os pesquisadores concluíram que a prevalência da asma na população estudada foi de 4,57% e há prejuízos na QV de obesos asmáticos, sendo o pior domínio de QV relacionado aos estímulos ambientais e o melhor domínio de QV relacionado às limitações das atividades. A pior QV se relacionou a piores valores de FEF 25-75%. Uma resenha de: Análise da qualidade de vida de indivíduos asmáticos obesos e sua relação com a função pulmonar: estudo transversal Autores: Baltieri, Letícia et al.

Anemia aplástica e risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar: um estudo de coorte nacional

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Thromb Res. 2017 Jan;149:70-75

A literatura não apresenta informações suficientes quanto à relação do tromboembolismo venoso caracterizado pela trombose venosa profunda e embolia pulmonar com a anemia aplástica, assim, o objetivo deste estudo, publicado no Thrombosis Research, foi avaliar a incidência e o risco de tromboembolismo venoso em pacientes com anemia aplástica. Trata-se de um estudo de coorte nacional que avaliou pacientes com anemia aplástica recentemente diagnosticada (coorte AA) entre 2000 e 2010. As informações foram retiradas do banco de dados NHIRD (National Health Insurance Research Database). A data de admissão inicial para o diagnóstico de anemia aplástica foi definida como a data do índice. A coorte AA foi comparada a uma “coorte não-AA”, composta de 4 pacientes sem história de anemia aplástica para cada paciente com anemia aplástica, pareados de acordo com a frequência correspondente ao sexo, idade (a cada 5 anos) e ano da data do índice. Todos os pacientes foram seguidos da data do índice até a data do diagnóstico de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, retirada do NHIRD, ou até o final de 2011. Os riscos de desenvolver trombose venosa profunda e embolia pulmonar na coorte AA foram analisados por modelos de Cox. Foram incluídos um total de 4.001 pacientes na coorte AA e outros 15.998 pacientes na coorte não-AA. Os resultados mostraram uma incidência geral significativamente maior de tromboembolismo venoso na coorte de AA em comparação à coorte não-AA (42,3 vs 10,2 por 10.000 pessoas-ano). A coorte AA apresentou risco 2,56 vezes maior de tromboembolismo venoso (intervalo de confiança de 95% = 1,81-3,63) do que a coorte não-AA. Os pesquisadores concluíram que a anemia aplástica está associada ao aumento da incidência e risco de tromboembolismo venoso. Uma resenha de: Aplastic anemia and risk of deep vein thrombosis and pulmonary embolism: A nationwide cohort study Autores: Lin CL, Lin CL, Tzeng SL, Chung WS.

Embolismo Pulmonar Letal Traumático é um evento “cisne negro” em pacientes com risco de trombose venosa profunda: uma revisão baseada em evidências

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Am Surg. 2017 Apr 1;83(4):403-413

O presente artigo, publicado no periódico The American Surgeon, teve por objetivo determinar a incidência e as condições de risco de embolia pulmonar em pacientes com traumatismo (EP), realizando-se uma revisão sistemática da literatura daqueles em risco de trombose venosa profunda (TVP). A proporção de EP foi 1,4% (95% de intervalo de confiança = 1,2-1,6) em pacientes em risco. De 10 condições, o EP só foi associado à idade avançada (P <0,01) ou lesão nas pernas (P <0,01, razão de risco = 1,6). À medida que as proporções de TVP em extremidades inferiores (TVPEI) aumentaram, as proporções de mortalidade (P = 0,02) e a permanência hospitalar (P = 0,0002) aumentaram, mas as proporções de EP não (P = 0,13). A TVPEI foi menor com quimioprofilaxia (QP) (4,9%) do que sem QP (19,1%, P <0,01). A EP foi menor com QP (1,0%) do que sem QP (2,2%; P = 0,0004). A mortalidade foi menor com QP (6,6%) do que sem QP (11,6%; P = 0,002). A EP foi semelhante com (1,2%) e sem (1,9%; P = 0,19) profilaxia mecânica (PM). A TVPEI foi menor com PM (8,5%) do que sem PM (12,2%; P = 0,0005). As proporções de EP foram semelhantes com (1,3%) e sem (1,5%; P = 0,24) vigilância para a TVPEI. A mortalidade foi maior com vigilância para a TVPEI (7,9%) do que sem (4,8%; P <0,01). Uma mortalidade por EP de 19,7% (intervalo de confiança de 95% = 18-22) × uma proporção de EP de 1,4% produziu uma proporção letal de EP de 0,28%. À medida que as proporções de EP aumentaram, a mortalidade (P = 0,52) e a permanência hospitalar (P = 0,13) não. Dos 176 pacientes com EP 0,76% não apresentava TVPEI. Em pacientes com trauma em risco de TVP, a EP é infrequente, tem um impacto mínimo nos resultados, e a morte é um evento cisne negro. A vigilância para TVPEI não melhorou os resultados. Os pesquisadores puderam concluir que, como a EP não estava associado à TVPEI e a maioria dos pacientes com EP não apresentava TVPEI, prevenir, diagnosticar e tratar o TVPEI pode ser uma profilaxia ineficaz para a EP. Uma resenha de: Lethal Trauma Pulmonary Embolism Is a Black Swan Event in Patients at Risk for Deep Vein Thrombosis: An Evidence-Based Review Autores: Dunham CM, Huang GS.

Carga global da meningite criptocócica associada ao HIV: uma análise atualizada

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet Infect Dis. 2017 May 5. pii: S1473-3099(17)30243-8

O criptococo é a causa mais comum de meningite em adultos portadores de HIV na África subsaariana. As estimativas da carga global são cruciais para orientar as estratégias de prevenção e para determinar as necessidades de tratamento. O objetivo deste estudo, publicado no The Lancet – Infectious Diseases, foi fornecer uma estimativa atualizada da incidência global da doença criptocócica associada ao HIV. Foi utilizado o “Programa Conjunto das Nações Unidas 2014” sobre estimativas de HIV e AIDS em adultos (com idade >15 anos) com HIV e terapia antiretroviral (ART). As estimativas de CD4 inferior a 100 células por µL, a incidência de falhas virológicas e a perda de seguimento foram de coortes multinacionais publicadas em países de baixa renda e de renda média. Foram calculados aqueles em risco de infecção criptocócica, especificamente aqueles com níveis de CD4 inferiores a 100 células/µL não em ART e aqueles com CD4 inferior a 100 células/µL em ART, mas perdidos por falta de acompanhamento ou com falha virológica. A prevalência de antigenemia criptocócica por país foi derivada de 46 estudos globais. Com base na prevalência de antigenemia criptocócica em cada país e região, estimou-se o número anual de pessoas que estão desenvolvendo e morrendo por meningite criptocócica. Estimou-se uma prevalência global de antigenemia criptocócica de 6.0% (95% IC 5,86,2) entre pessoas com uma contagem de células CD4 de menos de 100/µL, com 278.000 (95% IC 195.500-340.600) pessoas positivas para o antígeno criptocócico globalmente e 223.100 (95% IC 150.600-282.400) casos incidentes de meningite criptocócica globalmente em 2014. A África subsaariana representou 73% dos casos estimados de meningite criptocócica em 2014 (162.500 casos [95% IC 113.600193.900]). As mortes globais anuais por meningite criptocócica foram estimadas em 181.100 (IC 95% 119.400-234.300), com 135.900 (75%, [95% IC 93.900-163.900]) mortes na África subsaariana. Globalmente, a meningite criptocócica foi responsável por 15% das mortes relacionadas à AIDS (95% IC 10-19). Segundo os pesquisadores, a partir do exposto, pode-se destacar a substancial carga da doença criptocócica associada ao HIV, principalmente na África subsaariana. A meningite criptocócica é um indicador da falha do programa de tratamento do HIV. Testes de HIV precoces e a ligação rápida aos cuidados continuam a ser uma prioridade urgente. Uma resenha de: Global burden of disease of HIV-associated cryptococcal meningitis: an updated analysis Autores: Rajasingham R, Smith RM, Park BJ, Jarvis JN, Govender NP, Chiller TM, Denning DW, Loyse A, Boulware DR.

Doença hepática gordurosa não alcoólica e cirurgia bariátrica: uma revisão abrangente

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Sao Paulo Med. J. [online]. 2017, vol.135, n.3, pp.277-295

A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) tem sido diagnosticada com maior frequência em todo o mundo na atualidade, sendo agora reconhecida como motivo de preocupação em saúde pública. Abrange um amplo espectro de alterações histológicas que variam desde a simples esteatose até formas graves de fibrose, esteato-hepatite e até cirrose. O impacto da cirurgia bariátrica sobre o curso da DHGNA em indivíduos com obesidade tem sido profundamente estudado. Esta revisão narrativa abrangente da literatura, publicada no Sao Paulo Medical Journal, foi conduzida baseada na pesquisa on-line nas bases de dados eletrônicas MEDLINE e LILACS por meio dos termos MeSH “fígado gorduroso” e “cirurgia bariátrica”. Os mecanismos exatos que levam à melhora da DHGNA após a cirurgia bariátrica não são completamente conhecidos. Como o bypass gástrico em Y de Roux é a cirurgia bariátrica mais realizada em todo o mundo, é também o procedimento cujos efeitos sobre DHGNA foram mais estudados, embora haja também evidências consistentes sobre os efeitos de banda gástrica, gastrectomia vertical e derivações biliopancreáticas. Os pesquisadores concluíram que, de acordo com as evidências atualmente disponíveis, a cirurgia bariátrica leva à melhora significativa da DHGNA. Mais estudos, especialmente por meio de ensaios clínicos randomizados e controlados, recrutando coortes maiores de indivíduos, são necessários para determinar o melhor procedimento para esse grupo de pacientes. Uma resenha de: Doença hepática gordurosa não alcoólica e cirurgia bariátrica: uma revisão abrangente Autores: Cazzo, Everton; Pareja, José Carlos e Chaim, Elinton Adami.

Associação entre qualidade subjetiva do sono e risco futuro de quedas em idosos: resultados do estudo LOHAS

19/10/2017 | Fonte: Fonte: J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2017 Jun 17. [Epub ahead of print]

Diversos estudos demonstram uma associação entre a privação do sono e o aumento nas taxas de morbidade e mortalidade em idosos. No entanto, a relação longitudinal entre a qualidade subjetiva do sono e o risco de queda nos idosos ainda não está completamente esclarecida. Para a realização deste estudo, que foi publicado no periódico Journal of Gerontology. Series A, Biological Sciences and Medical Sciences, foram analisados os dados de 1.071 idosos com idade igual ou superior a 65 anos (média de 71 anos de idade) pertencentes ao ensaio LOHAS (Locomotive Syndrome and Health Outcome in Aizu Cohort Study). A qualidade subjetiva do sono foi avaliada com base no Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI). A ocorrência de quedas (caracterizada como evento de pelo menos uma queda) durante o ano subsequente foi verificada por um questionário autorrelatado. Os resultados mostraram um índice global médio PSQI de 4,3 (desvio padrão, 3,2), com classificação fraca (PSQI > 5) da qualidade do sono em 28,9% dos participantes. A ocorrência de pelo menos uma queda no ano seguinte à avaliação do sono foi registrada em 210 participantes (19,6%). A análise multivariada revelou que houve uma chance significativamente maior de queda durante o período de seguimento de um ano entre os participantes com menor qualidade subjetiva do sono [odds ratio ajustado (AOR) = 1,50 para cada aumento de três pontos no escore PSQI global; intervalo de confiança de 95% (IC) = 1,20, 1,89]. Os resultados também mostraram que os participantes no quartil superior do índice PSQI global (PSQI> 5) tiveram um aumento significativo da probabilidade de experimentar quedas, em comparação com aqueles no quartil inferior (PSQI < 2; AOR = 2,14; IC 95% = 1,09, 4,22). Esta associação foi similarmente significativa nas análises de subgrupos, considerando homens e mulheres idosos não usuários de medicação para o sono, e aqueles sem história de quedas na linha de base. Os pesquisadores concluíram que a qualidade de sono classificada como fraca pelo PSQI, está associada longitudinalmente com um maior risco de quedas em idosos. Título original: Association between subjective sleep quality and future risk of falls in older people: results from LOHAS Autores: Takada S, Yamamoto Y, Shimizu S, Kimachi M, Ikenoue T, Fukuma S, Onishi Y, Takegami M, Yamazaki S, Ono R, Sekiguchi M, Otani K,Kikuchi S, Konno SI, Fukuhara S.

Proteína C-reativa aumentada prevê a incidência, duração e gravidade do delirium após cirurgia não cardíaca

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Journal of the American Geriatrics Society. 2017 May 26. [Epub ahead of print]

Neste estudo, publicado no Journal of the American Geriatrics Society, os autores tiveram como objetivo investigar as associações entre a proteína C-reativa (CRP) medida no pré e no segundo dia do pós-operatório com a incidência, duração e gravidade do delirium. Trata-se de um estudo prospectivo de coorte, realizado em 2 centros médicos acadêmicos. Foram incluídos cerca de 560 adultos com 70 anos ou mais submetidos a uma cirurgia não cardíaca. A dosagem de CRP foi realizada utilizando ensaios imunoenzimáticos, enquanto que o delirium foi avaliado pelo método CAM (Confusion Assessment Method). A duração do delirium foi medida com base no número de dias hospitalares com delirium e a gravidade do delirium foi definida como a soma dos escores CAM-Severity (CAM-S) em todos os dias pós-operatórios no hospital. Foram adotados modelos lineares generalizados para determinar as associações independentes entre CRP (pré e pós-operatório separadamente) e incidência, duração e gravidade do delirium. Também foram objetos de avaliação a duração hospitalar prolongada (LOS, >5 dias) e a possibilidade de alta. Os resultados mostraram que o delirium pós-operatório ocorreu em 24% dos participantes, sendo que 12% tiveram 2 ou mais dias de delirium. A média ± desvio padrão da soma dos escores CAMS foi de 9,3 ± 11,4. Após o ajuste para idade, gênero, tipo de cirurgia, via de anestesia, comorbidades médicas e complicações infecciosas pós-operatórias, os resultados mostraram que os pacientes com valores de CRP no pré-operatório =3 mg/L tiveram 1,5 mais risco de delirium (IC 95%: 1,1-2,1). Aqueles com CRP 235,73 mg/L) foram 1,5 vezes mais propensos a desenvolver delirium (IC 95%: 1,0-2,4). Aqueles no quartil mais baixo (<127,53 mg/L) tiveram cerca de 0,2 mais dias de delirium (P <0,05) e delirium mais severo (4,5 pontos CAM-S maiores, P <0,001). Os pesquisadores concluíram que a alta CRP pré e pós-operatória foram independentemente associadas com a incidência, duração e gravidade do delirium. Segundo os autores, a CRP pode ser útil para identificar indivíduos que estão em risco de desenvolver delirium. Uma resenha de: High C-Reactive Protein Predicts Delirium Incidence, Duration, and Feature Severity After Major Noncardiac Surgery Autores: Vasunilashorn SM, Dillon ST, Inouye SK, Ngo LH, Fong TG, Jones RN, Travison TG, Schmitt EM, Alsop DC, Freedman SD, Arnold SE, Metzger ED, Libermann TA, Marcantonio ER.

Variação na adiposidade medular detectada por espectroscopia de ressonância apresenta forte correlação com o risco de câncer de mama pós-menopausa

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Clin Breast Cancer. 2017 Jun;17(3):239-244

O objetivo deste estudo, publicado no Clinical Breast Cancer, foi investigar a correlação entre a fração de gordura medular (FGM), risco e características clinicopatológicas do câncer de mama pós-menopausa. Para a realização deste estudo, foram avaliados um total de 56 pacientes com câncer de mama pós-menopausa recentemente diagnosticado e com confirmação histológica, além de 56 indivíduos controles saudáveis. As participantes realizaram testes sorológicos e avaliações da FGM baseadas em espectroscopia de ressonância magnética. Os dados foram analisados por modelos logísticos de regressão multivariada para determinar os preditores independentes do risco de câncer de mama e as características clinico-patológicas do câncer de mama. Os resultados mostraram que as pacientes com câncer de mama apresentaram FGM maior do que os controles. Além disso, houve uma associação positiva entre a FGM e os níveis séricos de leptina (r = 0,607, P <0,001) entre as pacientes, mas não para os controles. A análise univariada demonstrou uma associação significativa tanto dos níveis de FGM quanto de leptina com o risco e às características clinico-patológicas do câncer de mama. No modelo multivariável, com ajuste para fatores de risco de câncer de mama estabelecidos, a leptina sérica foi um preditor significativo do risco de câncer de mama (OR 1,746; IC 95%, 1,226-2,556) e características clinico-patológicas, incluindo a classificação TNM, tamanho do tumor, estado dos linfonodos e grau histológico (OR 1,461-1,695). Porém, quando a FGM foi adicionada ao modelo de regressão, observou-se que apenas o FGM e não os níveis de leptina era um fator de risco independente para o câncer de mama (OR 1,940; IC 95%, 1,306-2,910) e para as características clinico-patológicas do câncer de mama (OR 1,770-1,903). Os pesquisadores concluíram que a adiposidade medular é um preditor do risco e características clinico-patológicas de câncer de mama pós-menopausa. Título original: Magnetic Resonance Spectroscopy-Detected Change in Marrow Adiposity Is Strongly Correlated to Postmenopausal Breast Cancer Risk Autores: Li G, Xu Z, Zhuang A, Chang S, Hou L, Chen Y, Polat M, Wu D.

Relação entre a ingestão de laticínios e sobrevivência ao câncer de próstata

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Int J Cancer. 2017 May 1;140(9):2060-2069

Diversos estudos indicam uma associação entre o consumo de produtos lácteos e o aumento do risco de câncer de próstata avançado. Recentemente, dois estudos de coorte dos EUA relataram um aumento da mortalidade específica para o câncer de próstata com aumento da ingestão de leite com alto teor de gordura. O objetivo deste estudo, publicado no International Journal of Cancer, foi investigar a associação entre a ingestão de produtos lácteos e nutrientes relacionados, com a progressão do câncer de próstata em uma população de pacientes suecos com consumo elevado de laticínios. Para a realização deste estudo os autores avaliaram prospectivamente cerca de 525 homens com diagnóstico de câncer de próstata (diagnosticados entre 1989-1994). Foram avaliados os casos identificados e confirmados de óbitos até fevereiro de 2011, sendo 222 específicos para câncer de próstata e outros 268 para outras causas. As razões de risco (HR) das associações entre ingestão de alimentos ou nutrientes e morte específica para câncer de próstata foram avaliadas por regressão de riscos proporcionais de Cox para um intervalo de confiança de 95%. No momento do diagnóstico de câncer de próstata, o consumo médio de produtos lácteos era de 5,0 porções/dia. Considerando toda a população do estudo, os resultados não mostraram uma associação entre a ingestão de leite com alto teor de gordura e morte específica do câncer de próstata (IC 95%: 0,78, 2,10, tendência p = 0,32, modelo ajustado multivariante). No entanto, entre os pacientes diagnosticados com câncer de próstata, os indivíduos com consumo igual ou superior a 3 porções/dia de leite com alto teor de gordura, apresentaram maior risco de mortalidade por câncer de próstata (HR = 6,10; IC 95%: 2,14 - 17,37, p-tendência = 0,004, modelo ajustado multivariante) em comparação com os homens que consumiram porções inferiores a 1. A ingestão de leite com baixo teor de gordura foi associada a uma redução limítrofe da morte por câncer de próstata em pacientes com câncer de próstata localizado. Essas associações não foram observadas entre pacientes diagnosticados com câncer de próstata em estágio avançado. Os pesquisadores concluíram que houve uma associação positiva entre a ingestão de leite com alto teor de gordura e a progressão do câncer de próstata em pacientes diagnosticados com câncer de próstata localizado. Segundo os autores, estudos adicionais são necessários para investigar essa associação e elucidar os mecanismos pelos quais a ingestão de leite com alto teor de gordura pode promover a progressão do câncer de próstata. Título original: Dairy intake in relation to prostate cancer survival. Autores: Downer MK, Batista JL, Mucci LA, Stampfer MJ, Epstein MM, Håkansson N, Wolk A, Johansson JE, Andrén O, Fall K, Andersson SO.

Desempenho diagnóstico da ressonância magnética na avaliação de reações periosteais em sarcomas ósseos utilizando a radiografia convencional como padrão de referência

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Radiol Bras [online]. 2017, vol.50, n.3, pp.176-181

O objetivo deste estudo, publicado no Radiologia Brasileira, foi avaliar o desempenho da ressonância magnética (RM) na detecção de reação periosteal e comparar a classificação de presença ou ausência de reações periosteais entre a RM e a radiografia convencional (RC). Foi realizado um estudo retrospectivo incluindo 42 pacientes consecutivos (idade média, 22 anos; 20 homens) com diagnóstico confirmado de osteossarcoma ou sarcoma de Ewing, tendo exames de RM e RC adquiridos pré-tratamento. Três radiologistas avaliaram às cegas a presença ou ausência de reação periosteal e de cada subtipo de reação periosteal nas imagens de RC e RM: triângulo de Codman, multilamelada e espiculada. A RC foi usada como padrão de referência para cálculo do desempenho diagnóstico. Foi utilizado o coeficiente kappa para reprodutibilidade interobservador. Adicionalmente, foi realizado teste exato de Fisher bicaudal para avaliar se houve diferença significativa entre as leituras da RC e RM. A RM mostrou alta especificidade, alto valor preditivo negativo e baixa sensibilidade na detecção de reação periosteal. A concordância interobservador para a reação periosteal foi quase perfeita para a RC e RM. A concordância interobservador para a classificação dos diferentes subtipos de reação periosteal foi maior para o subtipo triângulo de Codman e menor para o subtipo espiculada. Não houve diferença na detecção por RM e RC (p < 0,05). Os pesquisadores concluíram que não houve diferença significativa entre as classificações da presença ou ausência de reações periosteais entre os métodos RC e RM. A RM apresentou alta especificidade e concordância interobservador quase perfeita para a detecção de reação periosteal. A concordância interobservador para os diferentes subtipos de reação periosteal foi variável. Título original: Desempenho diagnóstico da ressonância magnética na avaliação de reações periosteais em sarcomas ósseos utilizando a radiografia convencional como padrão de referência Autores: Sa Neto, José Luiz de et al.

A gravidade da rinite alérgica pode ser classificada em leve, moderada e grave com base numa escala visual analógica

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Rhinology. 2017 Mar 1;55(1):34-38

A elevada prevalência de rinite alérgica é um problema de saúde mundial, haja vista o impacto na vida diária dos indivíduos e na carga socioeconômica dos países. Dentre os principais instrumentos para o correto tratamento da rinite alérgica, incluímos uma avaliação eficaz da sua gravidade, contribuindo sobretudo para a prevenção de comorbidades e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Nesse sentido, os procedimentos de avaliação devem adotar metodologias simples, fácil, rápida, precisa e confiável, tanto na atenção primária quanto nas especialidades. A escala visual analógica, em princípio, consegue atender a todos estes requisitos, tendo sido validada com base em um único ponto de corte. No entanto, essa classificação em dois graus de gravidade não engloba os pacientes de maneira uniforme, além de apresentar um intervalo cego na classificação quando a pontuação está entre 5 a 6 cm. O objetivo deste estudo, publicado no Rhinology, foi analisar os pontos de corte ótimos para discriminar três graus de severidade da rinite alérgica (leve, moderada e grave) usando uma escala visual analógica, tendo como base os critérios de gravidade modificados pela ARIA previamente validados. Trata-se de um estudo multicêntrico que contou com a participação de 3.572 pacientes. A fim de selecionar os melhores valores de corte, foram realizadas análises de sensibilidade, especificidade, valores preditivos positivos e negativos, bem como análise das curvas de características de operação do receptor. Os resultados indicaram que a escala visual analógica tem uma correlação significativa com o escore de sintomas nasais e a qualidade de vida, sendo que os melhores pontos de corte que diferenciam a rinite alérgica leve da moderada são escores entre 4 e 7, respectivamente. Os pesquisadores concluíram que a gravidade da rinite alérgica pode ser avaliada em três graus usando escala visual analógica em um método simples, fácil e preciso. Título original: Allergic rhinitis severity can be assessed using a visual analogue scale in mild, moderate and severe Autores: Del Cuvillo A, Santos V, Montoro J, Bartra J, Davila I, Ferrer M, Jauregui I, Sastre J, Mullol J, Valero A. SP, 25/07/2017

O momento da utilização de probióticos em adultos hospitalizados previne a infecção por Clostridium difficile: uma revisão sistemática com análise de metarregressão

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Gastroenterology. 2017 Jun;152(8):1889-1900.e9

Os resultados de revisões sistemáticas apresentam evidências consistentes da eficácia dos probióticos para a prevenção da infecção por Clostridium difficile (CDI). No entanto, as diretrizes a este respeito não abordam a recomendação para o uso de probióticos na prevenção do CDI. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no Gastroenterology, foi realizar uma revisão sistemática atualizada para ajudar a orientar a prática clínica. Foram realizadas pesquisas nas seguintes bases de dados: MEDLINE, EMBASE, The Cochrane Library, além dos periódicos International Journal of Probiotics e Prebiotics. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que avaliam o uso de probióticos e CDI em adultos hospitalizados que utilizavam antibióticos. Os dados foram extraídos por dois revisores independentes e avaliados quanto ao risco de viés e qualidade geral da evidência. Foram considerados como resultados primários e secundários, respectivamente, a incidência de CDI e eventos adversos. As análises secundárias também verificaram os efeitos das espécies probióticas, dose, tempo, formulação, duração e qualidade do estudo. No total, foram incluídos cerca de 19 estudos que contemplavam 6.261 indivíduos. Os resultados mostraram menor incidência (P <0,001) de CDI na coorte probiótica, 1,6% (54 de 3.277), em comparação aos controles, 3,9% (115 de 2,984). O risco relativo combinado de CDI em usuários de probióticos foi de 0,42 (intervalo de confiança de 95%, 0,30-0,57; I2 = 0,0%). A análise de metarregressão demonstrou uma maior eficácia dos probióticos quando administrados mais perto da primeira dose de antibiótico, com redução da eficácia para cada dia de atraso no início da administração de probióticos (P = 0,04). Os probióticos administrados dentro de 2 dias após o início do antibiótico resultaram em uma redução maior do risco de CDI (risco relativo, 0,32; intervalo de confiança de 95%, 0,22-0,48; I2 = 0%) do que a administração posterior (risco relativo, 0,70; intervalo de confiança de 95% 0,40-1,23; I2 = 0%) (P = 0,02). Os resultados não encontraram aumento do risco de eventos adversos entre os pacientes com o uso probióticos. A qualidade geral da evidência foi alta. Os pesquisadores concluíram que a administração de probióticos mais próxima da primeira dose de antibiótico reduz o risco de CDI em mais de 50% em adultos hospitalizados. Segundo os autores, estudos futuros devem investigar a melhor dose, espécie e formulação de probióticos. Título original: Timely Use of Probiotics in Hospitalized Adults Prevents Clostridium difficile Infection: A Systematic Review With Meta-Regression Analysis. Autores: Shen NT, Maw A, Tmanova LL, Pino A, Ancy K, Crawford CV, Simon MS, Evans AT.

Imunoglobulina E de alérgeno específico e gravidade da rinite alérgica

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Allergy Rhinol (Providence). 2017 Mar 1;8(1):1-4

O diagnóstico da rinite alérgica se baseia, sobretudo, na concordância entre a sensibilização e a história da alergia. Nesse sentido, a avaliação de imunoglobulina E sérica (sIgE) de alérgeno específico possibilita a caracterização dos alérgenos sensibilizantes mais relevantes. Atualmente a classificação ARIA (Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma) permite a tipificação da rinite alérgica com base na gravidade e duração dos sintomas. Contudo, a relação entre os níveis de sIgE e a gravidade dos sintomas ainda não está completamente esclarecida. O objetivo deste estudo, publicado no Allergy and Rhinololy, foi investigar a relação entre os níveis de sIgE e a severidade dos sintomas, avaliados pela classificação ARIA, em um grupo de pacientes com rinite alérgica. Para a realização deste estudo, os autores selecionaram o total de 217 pacientes com rinite alérgica e média de idade de 39,5 anos, sendo que 123 eram mulheres. Foram realizadas coletas de amostras sanguíneas para análises dos níveis de IgE (expressos em kUA/L) para o ácaro da poeira doméstica, determinados por ensaio imunoenzimático. Os calibradores para os ensaios com IgE tiveram como base a 2ª preparação de referência internacional 75/502 para sorologia de soro humano da Organização Mundial da Saúde. A gravidade dos sintomas foi avaliada pela classificação ARIA. Os resultados mostraram uma diferença significativa nos níveis de IgE entre pacientes com as seguintes características de sintomas: a) pacientes com sintomas persistentes intermitentes moderados versus sintomas persistentes leves (p <0,05), b) sintomas intermitentes moderados versus sintomas persistentes de moderado à grave (p <0,001), c) sintomas intermitentes de moderado à grave versus persistentes intermitentes de moderado à grave (p <0,01) e d) sintomas persistentes moderados versus sintomas persistentes de moderado à grave (p <0,05). Os pesquisadores concluíram que o nível sIgE para o ácaro da poeira doméstica pode ser um biomarcador confiável para a gravidade dos sintomas em pacientes com rinite alérgica. De acordo com os autores, este resultado pode ser clinicamente relevante, particularmente para os candidatos à imunoterapia. Título original: Allergen-specific immunoglobulin E and allergic rhinitis severity. Autores: Corsico AG, De Amici M, Ronzoni V, Giunta V, Mennitti MC, Viscardi A, Marseglia GL, Ciprandi G.

Correlação entre marcadores de virulência de Helicobacter pylori na cavidade oral e em biópsias gástricas

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Gastroenterol. [online]. In press. Epub 13-Jul-2017.

O resultado clínico da infecção por Helicobacter pylori tem sido associado com fatores de virulência. A presença desses fatores como marcadores moleculares é útil na identificação do risco elevado para o desenvolvimento de graves patologias gástricas. O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos de Gastroenterologia, foi correlacionar a presença de marcadores de virulência cagA e bab2A do H. pylori em amostras de biópsias gástricas e orais. Um estudo observacional, prospectivo, descritivo e transversal foi realizado entre setembro de 2011 e setembro de 2012. Foram incluídos pacientes com sintomas de dispepsia com indicação de endoscopia gastrointestinal que compareceram ao Serviço de Gastroenterologia do Hospital Dr. Julio C. Perrando. Para detectar a bactéria e seus genes de virulência, amostras de saliva, placa dentária e biópsia gástrica foram tomadas e processadas pelo PCR. Sessenta e um pacientes foram selecionados para este estudo (30 mulheres e 31 homens). H. pylori foi detectado em 31 biópsias gástricas e 31 amostras orais. Foi encontrada diferença significativa entre as amostras orais e gástricas no genótipo cagA. A ocorrência simultânea entre genótipos orais e gástricos do mesmo paciente foi encontrada em 38,7% das amostras. Os pesquisadores concluíram, que apesar da alta prevalência da infecção pelo H. pylori, a maioria dos pacientes tinha genótipos menos virulentos na cavidade oral e tecido gástrico. A combinação cagA / babA2 não foi frequente nas amostras estudadas. Não houve correlação estatística entre os genes de virulência e doenças gastroduodenais ou orais. Embora em alguns pacientes o mesmo genótipo tenha sido encontrado tanto nas amostras orais quanto gástricas, não se pode garantir que correspondam à mesma variação, pois um sequenciamento de DNA não foi realizado. Título original: Correlação entre marcadores de virulência de Helicobacter pylori na cavidade oral e em biópsias gástricas Autores: Medina ML; Medina MG e Merino LA.

Prevalência de quedas e avaliação da mobilidade em idosos institucionalizados

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2016, vol.19, n.6, pp.995-1003

O objetivo do estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi estimar a prevalência de quedas em idosos institucionalizados e estabelecer os fatores associados. Trata-se de estudo transversal com idosos residentes nas instituições de longa permanência para idosos de Natal, Rio Grande do Norte, que deambulassem e não apresentassem comprometimento cognitivo severo. Foram questionados dados sobre a instituição, sociodemográficos e de saúde e realizado exame físico para avaliar fragilidade, mobilidade e equilíbrio (Timed Up and Go, Escala de Equilíbrio de Berg, Velocidade de Marcha e Teste do Sentar e Levantar). A análise estatística foi realizada através do Teste qui-quadrado para um nível de significância de 5%. Sessenta e três idosos enquadraram-se nos critérios da pesquisa, dos quais, 22,2% sofreram quedas no último ano. Apenas o Teste do Sentar e Levantar esteve associado a essas quedas. Os pesquisadores concluíram que a população estudada apresentou uma baixa prevalência de quedas e a capacidade de desempenhar menos de cinco repetições no Teste do Sentar e Levantar esteve associada aos episódios de queda. Título original: Prevalência de quedas e avaliação da mobilidade em idosos institucionalizados Autores: Ferreira, Lidiane Maria de Brito Macedo et al.

Internações por condições sensíveis à atenção primária em crianças menores de cinco anos: estudo transversal

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Sao Paulo Med. J. [online]. 2017, vol.135, n.3, pp.270-276

As internações por condições sensíveis à atenção primária constituem importante indicador para o monitoramento da qualidade da atenção primária à saúde. O presente estudo, publicada no Sao Paulo Medical Journal, objetivou descrever as internações por condições sensíveis à atenção primária em crianças menores de cinco anos (por idade e sexo) em duas cidades da Paraíba. Foi realizado um estudo transversal nos municípios de Cabedelo e Bayeux, -Paraíba, Brasil, onde foram coletados os dados nos quatro hospitais públicos pediátricos da Paraíba que internam crianças residentes nos municípios estudados. A partir das autorizações de internação hospitalar, colheram-se informações relativas ao perfil da criança e características das internações. Analisaram-se as diferenças nas causas de internações e respectivos tempos de hospitalização segundo faixa etária e sexo. A proporção de internação por condição sensível à atenção primária foi de 82,4%. As causas mais frequentes foram: pneumonias bacterianas (59,38%), gastroenterites infecciosas e suas complicações (23,59%) e infecção do rim e trato urinário (9,67%). Meninos apresentaram maior frequência de internações por condições sensíveis à atenção primária do que meninas. Verificou-se mediana de quatro dias de hospitalização para as condições sensíveis à atenção primária. O tempo de hospitalização por condição sensível à atenção primária foi significantemente maior do que o tempo da condição não sensível à atenção primária. Segundo os autores, ressaltam-se altas taxas de internações por condições sensíveis à atenção primária, principalmente em crianças do sexo masculino, com longos períodos de hospitalização. Título original: Internações por condições sensíveis à atenção primária em crianças menores de cinco anos: estudo transversal Autores: Araujo, Erika Morganna Neves de; Costa, Gabriela Maria Cavalcanti e Pedraza, Dixis Figueroa.

Utilidade do índice de sintomas de refluxo para diagnóstico do refluxo laringofaríngeo em uma população de pacientes alérgicos

19/10/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol Pract. 2017 Jun 9. pii: S2213-2198(17)30355-0

Diversos estudos apontam evidências da associação do refluxo laringofaríngeo com diversas comorbidades, tais como a asma, disfunção das cordas vocais, tosse, gotejamento pós-nasal e irritação da garganta. Embora o índice de sintomas de refluxo (ISR) seja uma ferramenta clínica importante na predição de refluxo laringofaríngeo, não há na literatura estudos que validaram um escore limite do ISR para o diagnóstico de refluxo laringofaríngeo em uma população de pacientes alérgicos. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi identificar o escore ISR preditivo de refluxo laringofaríngeo em uma população alérgica. Para a realização deste estudo, foram selecionados 84 pacientes do Kaiser Permanente San Diego Allergy Department, avaliados pelo questionário ISR de 9 questões. Em seguida, o médico responsável pelo paciente (que foi vendado às respostas ISR do mesmo) foi solicitado a determinar se o paciente apresentava sintomas consistentes com refluxo laringofaríngeo. O escore ISR de cada paciente foi comparado com o diagnóstico correspondente do médico para determinação da correlação. Por fim, foi calculado o nível de corte acima do qual o refluxo laringofaríngeo/supraesofágico seria altamente suspeito, com base na sensibilidade e especificidade da análise da curva de Característica de Operação do Receptor. Um total de 30 dos 84 pacientes (36%) foi diagnosticado com refluxo laringofaríngeo. Os resultados mostraram que o escore ISR médio para o grupo sem refluxo laringofaríngeo foi de 18,3 ± 9,8 (dos 45 pontos possíveis), enquanto que a média do grupo com refluxo laringofaríngeo foi de 25,0 ± 8,3 (P < 0,01). O ponto de corte do escore ISR ideal foi determinado como sendo de 19. Os resultados também possibilitaram a criação de um questionário abreviado com base em 6 questões ISR, que por sua vez, mostrou escores significativamente diferentes para pacientes com e sem refluxo laringofaríngeo. Os pesquisadores concluíram que o escore ISR 19 parece representar o melhor limiar para prever refluxo laringofaríngeo em uma população de pacientes com alergia. Título original: The Utility of the Reflux Symptom Index for Diagnosis of Laryngopharyngeal Reflux in an Allergy Patient Population Autores: Brauer DL, Tse KY, Lin JC, Schatz MX, Simon RA.

Manifestações clínicas nas unhas de pacientes com artrite psoriática: um estudo transversal com referência especial em sinais de sulcos transversais

19/10/2017 | Fonte: Fonte: J Am Acad Dermatol. 2017 Jun 27. pii: S0190-9622(17)30436-X

Manifestações nas unhas são sinais clínicos importantes para do diagnóstico de artrite psoriática (PsA). No entanto, ainda não há muitas informações sobre as características destas manifestações. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the American Academy of Dermatology foi avaliar os sinais clínicos nas unhas de pacientes com diagnóstico de psoríase, a fim de auxiliar na diferenciação da psoríase associada ou não à artrite. Trata-se de um estudo retrospectivo realizado com dados de pacientes do Hospital Internacional de St. Luke (Tóquio, Japão) entre julho de 2003 e fevereiro de 2015. Foram analisados os dados de 118 pacientes com PsA e 974 pacientes com psoríase sem artrite, classificados de acordo com o critério Classification Criteria for Psoriatic Arthritis. Foram investigados 9 tipos de manifestações clínicas de unhas. A gravidade da psoríase também foi avaliada pelo índice de área e gravidade da psoríase - PASI (Psoriasis Area and Severity Index). Os resultados mostraram que a incidência de comprometimento das unhas em pacientes com PsA foi de 67,6%. Houve uma associação significativa entre a PsA e os seguintes fatores: sexo feminino, presença de sulcos transversais, onicólise e hemorragias em estilhas. A presença de sulcos transversais demonstrou ser a associação mais forte (odds ratio, 5,01; intervalo de confiança de 95%, 2,31-10,8; P < 0,01). Os resultados também mostraram uma forte associação entre a presença de sulcos transversais e artrite da articulação interfalângica distal, bem como à entesite. Uma limitação do presente estudo apontada pelos autores, é do número relativamente limitado de indivíduos com PsA. Os pesquisadores concluíram que foi possível distinguir a psoríase associada ou não à artrite com base nas manifestações clínicas nas unhas de pacientes com psoríase. Segundo os autores, a presença de sulcos transversais está significativamente associada à PsA, assim como à artrite interfalangeana distal e entesite. Título original: Nail findings in patients with psoriatic arthritis: A cross-sectional study with special reference to transverse grooves. Autores: Zenke Y, Ohara Y, Kobayashi D, Arai S, Kishimoto M, Okada M, Eto H.

Equilíbrio postural e independência funcional de idosos de acordo com o sexo e a idade: estudo transversal

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Sao Paulo Med. J. [online]. 2017, vol.135, n.3, pp.260-265

O envelhecimento provoca alterações em homens e mulheres. Estudos mostraram que mulheres têm pior equilíbrio postural e maior dependência funcional do que homens, mas isso não é consenso. O objetivo deste estudo, publicado no Sao Paulo Medical Journal, foi comparar o equilíbrio e a independência funcional de idosos por sexo e idade, e avaliar a associação de equilíbrio postural com o número de medicamentos ingeridos. Foi realizado um estudo transversal em uma universidade estadual com 202 idosos foram avaliados quanto ao equilíbrio (Escala de Berg), independência (Índice de Barthel), além da idade, sexo, número de medicamentos e atividade física. Os sujeitos foram 117 mulheres (70,2 ± 5,6 anos) e 85 homens (71,1 ± 6,9 anos). No equilíbrio, não houve diferença significativa por sexo, mas houve por idade (P < 0,0001). Para a independência funcional, houve diferença por sexo (P = 0,003), mas não por idade. As variáveis idade, medicação e atividade física foram significativas para predizer o escore de Berg. Para o índice de Barthel, apenas a idade e o sexo foram significativos. Idosos que ingeriram 3 ou mais medicamentos/dia mostraram maior risco de cair do que os que ingeriram até 2 drogas/dia (odds ratio = 5,53, P < 0,0001, intervalo de confiança de 95%, 2,3-13,0). Os pesquisadores concluíram que não houve diferença entre sexos em relação ao equilíbrio postural; idosos mais velhos, contudo, apresentaram grande risco de cair; a dependência funcional foi pior no sexo feminino. Foi encontrada associação entre número de medicamentos utilizados e risco de cair. Uma resenha de: Equilíbrio postural e independência funcional de idosos de acordo com o sexo e a idade: estudo transversal Autores: Nakagawa, Helen Benincasa; Ferraresi, Juliana Rizzatto; Prata, Melina Galetti e Scheicher, Marcos Eduardo.

Uso do índice de desvio de marcha para a avaliação de pacientes hemiparéticos após acidente vascular cerebral

19/10/2017 | Fonte: Fonte: MedicalExpress (São Paulo, online) [online]. 2017, vol.4, n.3, M170305.

O Índice de Desvio da Marcha, inicialmente utilizado para avaliar a marcha de crianças com paralisia cerebral, tem sido utilizado como parâmetro quantitativo de alterações de marcha de indivíduos com outras condições. No entanto, não existem estudos que avaliem alterações no padrão de marcha de indivíduos hemiparéticos crônicos pósAVC com base nesse índice. O objetivo deste estudo, publicado no periódico MedicalExpress, foi caracterizar as alterações no padrão de marcha de acordo com o Índice de Desvio da Marcha e parâmetros espácio-temporais da marcha de sujeitos hemiparéticos crônicos em relação a indivíduos saudáveis. Foi realizado um estudo retrospectivo com os dados foram obtidos a partir da base de dados do Laboratório de Marcha do Hospital Israelita Albert Einstein. Trinta indivíduos foram incluídos neste estudo, com AVC unilateral, isquêmico ou hemorrágico, crônico (tempo pós-lesão> 6 meses) e habilidade de caminhada classificada como 2, 3, 4 ou 5 segundo a Categoria de Ambulação Funcional. Os dados de 87 indivíduos saudáveis foram incluídos no grupo controle, obtido a partir da base de dados de normalidade. A análise estatística foi aplicada através do teste de Kruskall Wallis, seguido do teste pós-hoc de Mann-Whitney, considerando um valor p crítico 0,99). Segundo os pesquisadores, os achados do presente estudo demonstram que o Índice de Desvio da Marcha pode ser um parâmetro sensível para identificar alterações no padrão de marcha de indivíduos hemiparéticos crônicos pós-AVC. Uma resenha de: The use of the Gait Deviation Index for the evaluation Post-stroke Hemiparetic Subjects Autores: Alcantara, Carolina C.; Alonso, Angelica Castilho e Speciali, Danielli S.. O

Efeitos da temperatura e da duração da hipotermia terapêutica na morte ou deficiência neurológica em neonatos com encefalopatia hipóxico-isquêmica aos 18 meses de idade: um ensaio clínico randomizado

19/10/2017 | Fonte: Fonte: JAMA. 2017 Jul 4;318(1):57-67. doi: 10.1001/jama.2017.7218

Estudos demonstram que a hipotermia terapêutica por 72 horas a 33,5°C reduz a morte ou deficiência neurológica, no entanto a indecência destes continuam elevadas. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Journal of American Medical Association, foi investigar se a hipotermia terapêutica por 120 horas ou a uma temperatura de 32,0°C reduzem a morte ou deficiência neurológica aos 18 meses em lactentes com encefalopatia hipóxico-isquêmica. Trata-se de um ensaio clínico randomizado que investigou neonatos (> 36 semanas de gestação) entre outubro de 2010 e janeiro de 2016, em 18 centros americanos no Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health e no Human Development Neonatal Research Network. Foram avaliados um total de 364 neonatos com encefalopatia hipóxico-isquêmica. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente na proporção 2:2 em 4 grupos de hipotermia terapêutica, a saber: a) 33,5°C por 72 horas (n = 95); b) 32,0°C por 72 horas (n = 90); c) 33,5°C por 120 horas (n = 96); ou d) 32,0°C durante 120 horas (n = 83). Foi considerado como desfecho primário a morte ou incapacidade moderada ou grave entre 18 e 22 meses, ajustada para o centro e para o nível de encefalopatia. A incapacidade grave foi definida como qualquer escore cognitivo inferior a 70 no Bayley Scales of Infant Development III, nível entre 3 e 5 na classificação GMFCS (Gross Motor Function Classification System) ou, ainda, cegueira ou perda auditiva, apesar da amplificação. A incapacidade moderada foi definida como um escore cognitivo entre 70 a 84 e GMFCS nível 2, convulsões ativas ou audição com amplificação. O ensaio foi interrompido em novembro de 2013 após a inclusão de 364 dos 726 participantes previstos, com base nas regras de segurança e futilidade prédeterminadas. Os dados foram analisados considerando 347 lactentes (95%) com idade média no seguimento de 20,7 [Desvio Padrão, de 3,5] meses, sendo 42% do sexo feminino. Os resultados mostraram que a morte ou a incapacidade ocorreram em 56 de 176 (31,8%) pacientes submetidos à hipotermia terapêutica por 72 horas e em 54 de 171 (31,6%) submetidos a 120 horas de terapia [taxa de risco ajustada, 0,92 (IC 95%, 0,68 a 1,25), diferença de risco absoluta ajustada, -1,0% (IC 95%, -10,2% a 8,1%)]. Resultados semelhantes foram observados nos outros grupos, sendo que a morte ou incapacidade ocorreu em 59 dos 185 (31,9%) pacientes submetidos à hipotermia terapêutica a 33,5°C e 51 de 162 (31,5%) submetidos a 32,0°C [taxa de risco ajustada, 0,92 (IC 95%, 0,68 a 1,26), diferença de risco absoluta ajustada, -3,1% (IC 95%, -12,3% a 6,1%)]. Foi observada, ainda, uma interação significativa entre a duração e a temperatura do procedimento (P = 0,048), com as taxas de desfecho primárias de 29,3% a 33,5°C durante 72 horas, 34,5% a 32,0°C durante 72 horas, 34,4% a 33,5°C por 120 Horas e 28,2% a 32,0°C durante 120 horas. Os pesquisadores concluíram que a hipotermia terapêutica por mais de 72 horas e com temperatura inferior a 33,5°C, ou ambos, não reduziram a morte ou a incapacidade moderada ou grave entre recém-nascidos a termo com encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada ou grave aos 18 meses de idade. Segundo os autores, entretanto, os resultados podem ter sido influenciados por um baixo poder estatístico, haja vista a presença de interação entre um procedimento mais prolongado com temperatura mais baixa. Por fim, os autores salientam que os resultados do presente estudo confirmam o regime atual da hipotermia terapêutica em 33,5°C por 72 horas. Uma resenha de: Effect of Depth and Duration of Cooling on Death or Disability at Age 18 Months Among Neonates With Hypoxic-Ischemic Encephalopathy: A Randomized Clinical Trial Autores: Shankaran S, Laptook AR, Pappas A et al.

O índice de massa corporal elevado e anticorpos para tiproteínas citrulinadas interagem para o aumento do risco de artrite reumatoide e diminuir o tempo de diagnóstico: estudo de casos e controles aninhados em mulheres do estudo NHS (Nurses' Health Studies)

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Semin Arthritis Rheum. 2017 Jun;46(6):692-698

Estudos demonstram uma associação entre o sobrepeso/obesidade e os anticorpos contra proteínas citrulinadas (ACPA) no aumento do risco de artrite reumatoide. Neste estudo, publicado no periódico Seminars in Arthritis and Rheumatism, os autores avaliaram a relação entre o índice de massa corporal (IMC) e ACPA no risco de artrite reumatoide, bem como os efeitos do IMC e dos ACPA no tempo para o diagnóstico de artrite reumatoide. Para a realização deste estudo, foram analisadas amostras de sangue de pacientes pertencentes ao estudo NHS (Nurses' Health Studies). As amostras foram coletadas antes do diagnóstico de casos incidentes de artrite reumatoide, confirmados por registro médico e controles combinados. Um total de 7 subtipos ACPA foram avaliados por ensaios multiplex, sendo biglycan, clusterin, enolase, fibrinogênio, histona 2A, histona 2B e vimentina. Foram realizadas análises de regressão para verificar a associação de IMC e ACPA e a interação entre os grupos de IMC (>25 versus 2 versus 2 ACPA e 49,4% contra 40,2% (p 2 ACPA [OR por kg/m2 de unidade de IMC: 1,03 (IC 95%: 0,97-1,09)]. No entanto, houve uma interação multiplicativa entre o IMC elevado e a presença de >2 ACPA para o risco de artrite reumatoide (p = 0,027). As mulheres com IMC superior a 25 kg/m2 e >2 ACPA apresentaram OR 22,7 (IC 95%: 6,64-77,72) para a artrite reumatoide. O tempo médio para artrite reumatoide diferiu pelo grupo IMC/ACPA (log-rank geral; p 2 ACPA e IMC >25kg/m2 [45,0 meses, IQR: 17,5-72,5] e mais longo em mulheres com 2 ACPA. Uma resenha de: Elevated BMI and antibodies to citrullinated proteins interact to increase rheumatoid arthritis risk and shorten time to diagnosis: A nested case-control study of women in the Nurses' Health Studies Autores: Tedeschi SK, Cui J, Arkema EV, Robinson WH, Sokolove J, Lingampalli N, Sparks JA, Karlson EW, Costenbader KH.

A radiografia do joelho em flexão fixa utilizando um novo posicionador produziu medidas da largura do espaço articular com alta repetibilidade: estudo ELSABrasil Musculoesquelético (ELSA-Brasil ME)

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2017, vol.57, n.2, pp.154-161.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia, foi descrever o desempenho de um protocolo radiográfico em flexão fixa sem fluoroscopia em incidência PA com um novo posicionador, desenvolvido para a avaliação da osteoartrite de joelho (OA) no estudo ELSA-Brasil ME. Fez-se um estudo de teste e reteste que incluiu 19 adultos (38 imagens de joelho). A viabilidade do protocolo radiográfico foi avaliada por meio de parâmetros de qualidade da imagem e presença de alinhamento radioanatômico de acordo com as medidas da distância intermarginal (DIM). Avaliaram-se a repetibilidade dos valores de DIM e do espaço articular (EA) em três locais diferentes. Aproximadamente 90% das imagens de joelho apresentaram uma qualidade excelente. As frequências de imagens com alinhamento radioanatômico quase perfeito (DIM<1mm) variaram de 29% a 50%, e de alinhamento satisfatório (DIM<1,5mm e <1,7mm) de 71% a 76%, respectivamente. As análises de repetibilidade produziram os seguintes resultados: DIM [DP da média das diferenças = 1,08; coeficiente de variação (% CV) = 54,68%; coeficiente de correlação intraclasse (CCI) (IC 95%) = 0,59 (0,34 a 0,77)]; EA [DP da média das diferenças = 0,34 a 0,61; % CV = 4,48% a 9,80%; CCI (IC 95%) = 0,74 (0,55 a 0,85) a 0,94 (0,87 a 0,97]. Encontraram-se medidas adequadamente reprodutíveis de DIM e EA em 68% e 87% das imagens, respectivamente. Os pesquisadores concluíram que apesar da dificuldade de obter um alinhamento radioanatômico consistente entre radiografias repetidas em termos de DIM, o protocolo produziu medições de EA altamente repetíveis quando essas foram tomadas no ponto médio e a 10 mm da extremidade medial do platô tibial medial. Portanto, as medidas de EA nesses locais podem ser consideradas adequadas para a avaliação da OA de joelho no estudo ELSA-Brasil ME. Uma resenha de: Fixed-flexion knee radiography using a new positioning device produced highly repeatable measurements of joint space width: ELSA-Brasil Musculoskeletal Study (ELSA-Brasil MSK) Autores: Telles, Rosa Weiss et al.

Polimorfismo genético do fator de crescimento vascular endotelial G1612A (rs10434) e manifestações neuropsiquiátricas em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2017, vol.57, n.2, pp.149-153.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia, foi investigar a relação entre o polimorfismo genético do fator de crescimento vascular endotelial (VEGF) em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) e manifestações neuropsiquiátricas relacionadas com o lúpus. Foram recrutados 60 pacientes adultos com LES nos departamentos de Reumatologia e Neurologia de hospitais universitários do Cairo e classificados em dois grupos; grupo A: 30 pacientes com manifestações neuropsiquiátricas (LESNP) e grupo B: 30 pacientes sem manifestações neuropsiquiátricas. Genotipou-se o SNP G1612A (rs10434) do gene VEGF em ambos os grupos por reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR). Foi encontrada diferença estatisticamente significativa nas frequências genotípicas e alélicas entre os dois grupos (AA [70% vs. 13,3%, p < 0,001] e GG [10% vs. 66,7%, p < 0,001]). Os pesquisadores concluíram que o polimorfismo no gene que codifica o VEGF pode estar associado ao aumento na incidência de lúpus neuropsiquiátrico em pacientes com LES. Uma resenha de: Vascular endothelial growth factor G1612A (rs10434) gene polymorphism and neuropsychiatric manifestations in systemic lupus erythematosus patients Autores: Taha, Sherif et al.

O uso do nervo intercostobraquial como doador na restauração cirúrgica da sensibilidade da mão em lesões do plexo braquial é uma técnica anatomicamente viável e pode ser útil para a recuperação sensitiva

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.7, pp.439-445.

Poucos doadores estão disponíveis para a restauração da sensibilidade em pacientes com lesões completas do plexo braquial (LCPB). O objetivo deste estudo, publicado no periódico Arquivos de Neuro-Psiquiatria, foi avaliar a viabilidade anatômica do uso do nervo intercostobraquial (NICB) como doador de axônios para a contribuição do cordão lateral para o nervo mediano (CLNM). Trinta cadáveres foram dissecados. Os dados do NICB e do CLNM foram coletados: diâmetros, ramos e distâncias. Os diâmetros do NICB e da CLNM no ponto de coaptação foram 2,7mm e 3,7mm, respectivamente. O NICB originou-se como um único tronco em 93,3% dos espécimes e bifurcou-se em 73,3%. A distância entre a origem do NICB e seu ponto de coaptação com a CLNM foi de 54mm. Todos os NICBs tiveram extensão suficiente para alcançar a CLNM. Os pesquisadores concluíram que a transferência do NICB para a CLNM é anatomicamente viável e pode ser útil para restaurar a sensibilidade em pacientes com LCPB. Uma resenha de: The intercostobrachial nerve as a sensory donor for hand reinnervation in brachial plexus reconstruction is a feasible technique and may be useful for restoring sensation Autores: FORONI, Luciano; SIQUEIRA, Mário Gilberto; MARTINS, Roberto Sérgio e OLIVEIRA, Gabriela Pintar.

Correlação entre dor e qualidade de vida de pacientes hemodialíticos

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. dor [online]. 2017, vol.18, n.2, pp.124-127.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Dor, foi avaliar o sintoma da dor e sua influência na qualidade de vida dos pacientes renais crônicos submetidos a tratamento hemodialítico. Foi realizado um estudo descritivo, exploratório, comparativo de corte transversal com pareamento por frequência, tendo como grupo testado (GI, n=50) pacientes renais crônicos em tratamento hemodialítico cuja etiologia era hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2, e como grupo controle (GII, n=50) pacientes com hipertensão arterial ou diabetes mellitus tipo 2 atendidos no Ambulatório de Hipertensão. A qualidade de vida foi avaliada pelo instrumento Kidney Disease and Quality-of-Life Short-Form, a dor pelo Inventário Breve de Dor, os fatores emocionais pelas escalas Beck de ansiedade e depressão e a incidência de dor neuropática pelo questionário DN4. Na amostra dos dois grupos houve predomínio do gênero masculino, média de idade de 47,3±16,5 anos. Em relação à situação laboral o grupo em tratamento hemodialítico (GI) encontrou uma maioria de 80% de pacientes inativos. Os domínios mais comprometidos da qualidade de vida foram situação de trabalho e função física. Houve prevalência de depressão e ansiedade, maior predomínio de dor neuropática e maior queixa álgica no GI, interferindo significativamente em atividades gerais como sono e habilidade para caminhar. Houve correlação significativa (p<0,05) entre índices de ansiedade, função física, situação de trabalho versus dor. Os pesquisadores concluíram que a dor é um aspecto muitas vezes ignorado, mas que acarreta em consequências significativas na qualidade de vida dos pacientes, contribuindo para um aumento relevante dos sintomas ansiosos ou depressivos. É, portanto, de fundamental importância o atendimento multidisciplinar a estes pacientes. Uma resenha de: Correlation between pain and quality of life of patients under hemodialysis Autores: Dantas, Juliana e Martins, Marielza Regina Ismael.

Revisão retrospectiva de pacientes encaminhados a um serviço de disfunção temporomandibular de uma universidade pública brasileira

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. dor [online]. 2017, vol.18, n.2, pp.128-134.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Dor, foi descrever a análise retrospectiva de prontuários referentes a um serviço de atendimento a pacientes com disfunção temporomandibular em uma clínica de ensino de uma universidade pública brasileira. A prevalência de sinais e sintomas de disfunção temporomandibular, fatores associados, diagnósticos e observações relacionadas ao tratamento foram registrados. Duzentos e treze prontuários foram avaliados por um único examinador no período de março de 2013 a dezembro de 2014. Coletou-se informações sobre fatores sóciodemográficos, prevalência de sintomas de disfunção temporomandibular e necessidade de tratamento (índice anamnésico de Fonseca), exame clínico, diagnósticos, tratamentos e encaminhamentos para outros profissionais. A maioria dos pacientes era do sexo feminino (81,7%), solteira (53,0%), estudantes (23,3%) e entre 20 e 29 anos (26,8%). A dor foi relatada por 50,4% dos pacientes. De acordo com o índice FAI, 41,8% dos pacientes foram classificados com sintomas graves de disfunção temporomandibular e 73,2% identificados com necessidade de tratamento. Presença de sintomas de disfunção temporomandibular (p = 0,001) e necessidade de tratamento (p <0,001) foram significativamente associadas ao sexo feminino. O diagnóstico mais prevalente foi disfunção temporomandibular muscular (41,5%) e o músculo mais afetado foi o masseter (21,3%). Os tratamentos mais comuns foram placa oclusal (27,6%) e aconselhamento (22,6%). Os pesquisadores concluíram que a maior demanda por tratamento para disfunção temporomandibular foi de pacientes jovens, solteiros, do sexo feminino, com queixa de dor. A prevalência de sintomas de disfunção temporomandibular foi alta, os distúrbios musculares foram os achados mais prevalentes e a maioria dos tratamentos foi reversível e conservadora. A frequência de encaminhamentos para outras especialidades relacionadas à disfunção temporomandibular foi baixa. Uma resenha de: Retrospective review of patients referred to a temporomandibular dysfunction care setting of a Brazilian public university Autores: Moura, Wellington Pereira de et al.

Associação entre doença desmielinizante e doença reumática autoimune em uma população pediátrica

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2017, vol.57, n.3, pp.224-228

Esclerose múltipla (EM) e neuromielite óptica (NMO) são doenças desmielinizantes do sistema nervoso central. A autoimunidade entre pacientes com doenças desmielinizantes e seus parentes tem sido amplamente investigada e discutida. Estudos recentes demonstram maior incidência de doenças reumáticas autoimunes entre pacientes adultos com EM e NMO e seus parentes, mas não há estudos na população pediátrica. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia, foi avaliar a associação de EM e NMO com doenças reumáticas autoimunes em pacientes pediátricos. Foram incluídos 22 pacientes menores de 21 anos com diagnóstico de EM ou NMO antes dos 18 anos e avaliados dados epidemiológicos, clínicos, associação com doenças autoimunes, história familiar de doenças autoimunes, exames laboratoriais, exames de imagem e presença de autoanticorpos. Entre os pacientes estudados, houve prevalência do sexo feminino (68,1%). A média de idade de início dos sintomas foi de oito anos e nove meses e a média de idade dos pacientes na avaliação foi 16 anos e quatro meses. Dois pacientes (9%) apresentaram doença reumática autoimune associada, um caso de dermatomiosite juvenil em paciente com NMO e outro de lúpus eritematoso sistêmico juvenil em paciente com EM. Três pacientes (13%) apresentaram história familiar de autoimunidade em parentes de primeiro grau. Anticorpo antinuclear (ANA) positivo foi encontrado em 80% dos pacientes com NMO e em 52% dos pacientes com EM. Cerca de 15% dos pacientes com ANA positivo apresentaram diagnóstico definitivo de doença autoimune reumática associada. Os pesquisadores concluíram que entre os pacientes com doenças desmielinizantes diagnosticadas durante a infância incluídos nesta pesquisa houve uma alta frequência de ANA positivo, mas uma menor taxa de associação com doenças reumáticas autoimunes do que a encontrada em trabalhos conduzidos em adultos. Uma resenha de: Association between demyelinating disease and autoimmune rheumatic disease in a pediatric population Autores: Amorim, Ana Luiza M. et al.

Alívio inadequado da dor em pacientes com osteoartrite de joelho primária

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2017, vol.57, n.3, pp.229-237.

Apesar dos tratamentos muito difundidos para a osteoartrite (OA), dados sobre os padrões de tratamento, a adequação do alívio da dor e a qualidade de vida são limitados. O estudo multinacional prospectivo Survey of Osteoarthritis Real World Therapies (SORT) foi projetado para investigar esses aspectos. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia, foi analisar as características e os desfechos relatados pelo paciente do conjunto de dados português do SORT no início da observação. Consideraram-se elegíveis os pacientes com 50 anos ou mais com OA de joelho primária que recebiam analgésicos orais ou tópicos. Os pacientes foram recrutados de sete centros de saúde de Portugal entre janeiro e dezembro de 2011. A dor e a função foram avaliadas pelo Brief Pain Inventory (BPI) e pelo WOMAC. A qualidade de vida foi avaliada com o 12-item Short Form Health Survey (SF-12). O alívio inadequado da dor (AID) foi definido como uma pontuação > 4/10 no item 5 do BPI. Foram analisados 197 pacientes. A média de idade foi de 67 anos e 78,2% eram do sexo feminino. A duração média da OA de joelho foi de 6,2 anos. O AID foi relatado por 51,3% dos pacientes. O sexo feminino (odds ratio ajustado - OR 2,15 [IC 95% 1,14,5]), o diabetes (OR = 3,1 [IC 95% 1,3-7,7]) e a depressão (OR 2,24 [IC 95% 1,2-4,3]) estiveram associados a um maior risco de AID. Os pacientes com AID relataram piores desfechos em todas as dimensões do Womac (p < 0,001) e em todos os oito domínios e nos dois componentes sumários do SF-12 (p < 0,001). Os pesquisadores concluíram que os resultados do estudo indicam que é necessário melhorar o manejo da dor na OA de joelho a fim de alcançar melhores desfechos em termos de alívio da dor, função e qualidade de vida. Uma resenha de: Inadequate pain relief among patients with primary knee osteoarthritis Autores: Laires, Pedro A. et al.

Alívio inadequado da dor em pacientes com osteoartrite de joelho primária

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2017, vol.57, n.3, pp.229-237.

Apesar dos tratamentos muito difundidos para a osteoartrite (OA), dados sobre os padrões de tratamento, a adequação do alívio da dor e a qualidade de vida são limitados. O estudo multinacional prospectivo Survey of Osteoarthritis Real World Therapies (SORT) foi projetado para investigar esses aspectos. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia, foi analisar as características e os desfechos relatados pelo paciente do conjunto de dados português do SORT no início da observação. Consideraram-se elegíveis os pacientes com 50 anos ou mais com OA de joelho primária que recebiam analgésicos orais ou tópicos. Os pacientes foram recrutados de sete centros de saúde de Portugal entre janeiro e dezembro de 2011. A dor e a função foram avaliadas pelo Brief Pain Inventory (BPI) e pelo WOMAC. A qualidade de vida foi avaliada com o 12-item Short Form Health Survey (SF-12). O alívio inadequado da dor (AID) foi definido como uma pontuação > 4/10 no item 5 do BPI. Foram analisados 197 pacientes. A média de idade foi de 67 anos e 78,2% eram do sexo feminino. A duração média da OA de joelho foi de 6,2 anos. O AID foi relatado por 51,3% dos pacientes. O sexo feminino (odds ratio ajustado - OR 2,15 [IC 95% 1,14,5]), o diabetes (OR = 3,1 [IC 95% 1,3-7,7]) e a depressão (OR 2,24 [IC 95% 1,2-4,3]) estiveram associados a um maior risco de AID. Os pacientes com AID relataram piores desfechos em todas as dimensões do Womac (p < 0,001) e em todos os oito domínios e nos dois componentes sumários do SF-12 (p < 0,001). Os pesquisadores concluíram que os resultados do estudo indicam que é necessário melhorar o manejo da dor na OA de joelho a fim de alcançar melhores desfechos em termos de alívio da dor, função e qualidade de vida. Uma resenha de: Inadequate pain relief among patients with primary knee osteoarthritis Autores: Laires, Pedro A. et al.

Análise da ocorrência de evento adverso pós-vacinação decorrente de erro de imunização

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Revista Brasileira de Enfermagem. [online]. 2017, vol.70, n.1, pp.87-95

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Enfermagem, foi analisar a ocorrência de Evento Adverso Pós-Vacinação (EAPV) decorrente de erro de imunização, no Paraná, de 2003 a 2013. Foi realizada uma pesquisa descritiva documental, retrospectiva, quantitativa, utilizando dados secundários do Sistema de Informação de Evento Adverso PósVacinação e do Sistema de Avaliação do Programa de Imunizações. Foram incluídos casos confirmados e/ou associados a outras vacinas. Para análise foram estimadas frequências, taxas de incidência e utilizados Modelos de Regressão Linear Simples com teste t-Student. Observou-se aumento da notificação de EAPV decorrente de erro de imunização, principalmente abscesso subcutâneo quente. BCG foi a vacina com maior incidência de eventos adversos, sendo que os menores de um ano, os mais atingidos. Os pesquisadores concluíram que o cenário atual é preocupante, pois são EAPV evitáveis - que causam danos, ligados a prática da enfermagem, decorrentes de desvios da qualidade em vacinação - que podem interferir na confiança da população (reduzindo coberturas vacinais) e no controle de doenças imunopreveníveis. Uma resenha de: Análise da ocorrência de evento adverso pós-vacinação decorrente de erro de imunização Autores: Bisetto, Lúcia Helena Linheira e Ciosak, Suely Itsuko.

Insuficiência neurológica em pacientes de UTI com neoplasias hematológicas: um estudo prospectivo de coorte

19/10/2017 | Fonte: Fonte: PloS One. 2017 Jun 9;12(6):e0178824

Tendo em vista a limitação no número de estudos epidemiológicos na literatura abordando complicações neurológicas em pacientes com neoplasias hematológicas, o objetivo deste estudo, publicado no periódico PloS One, foi verificar determinantes da sobrevivência em pacientes com neoplasia hematológica e insuficiência neurológica. Para a realização deste estudo, os autores realizaram análises post hoc dos dados de um estudo prospectivo. Os participantes deste estudo eram adultos com neoplasias hematológicas que foram admitidos por qualquer motivo em uma das 17 UTIs afiliadas a universidades na França e na Bélgica (2010-2012). Foi considerado como resultado primário o status vital na alta hospitalar. O estudo contou com o registro inicial de um total de 1011 pacientes, sendo que 226 (22,4%) apresentaram insuficiência neurológica. As manifestações mais recorrentes incluíram: sonolência (65%), coma (32%), fraqueza (26%) e convulsões (19%). A neuroimagem, punção lombar e eletroencefalografia foram realizadas em 113 (50%), 73 (32%) e 63 (28%) pacientes, respectivamente. Uma biópsia neurocirúrgica foi realizada em 1 paciente. A incidência de mortalidade hospitalar foi de 50%. Com base na análise multivariada, os fatores independentemente associados à maior mortalidade hospitalar foram: status vital baixo (odds ratio [OR], 3,99; IC 95%, 1,829,39; P = 0,0009), linfoma não-Hodgkin (OR, 2.60; IC 95% 1,35-5,15; P = 0,005), choque (OR, 1,95; IC 95%, 1,04-3,72; P = 0,04) e insuficiência respiratória (OR, 2,18; IC 95%, 1,14-4,25; P = 0,02). Por outro lado, os fatores independentemente associados à menor mortalidade hospitalar foram: a pontuação na escala de coma de Glasgowno no dia 1 (OR, 0,88/ponto, IC 95%, 0,81-0,95; P = 0,0009) e transplante autólogo de células satélites (OR, 0,25; IC 95%, 0,07-0,75; P = 0,02). Os pesquisadores concluíram que a insuficiência neurológica é comum e muitas vezes fatal em pacientes de UTI com neoplasias hematológicas. Segundo os autores, os preditores independentes de maior mortalidade hospitalar foram: tipo de neoplasia hematológica subjacente, status vital baixo, falhas hemodinâmicas e respiratórias e gravidade do dano de consciência. Os pesquisadores destacam, ainda, que o conhecimento desses fatores de risco pode ajudar a melhorar as estratégias de controle. Uma resenha de: Neurological failure in ICU patients with hematological malignancies: A prospective cohort study Autores: Marzorati C, Mokart D, Pène F, Lemiale V, Kouatchet A, Mayaux J, Vincent F, Nyunga M, Bruneel F, Rabbat A, Lebert C, Perez P, Benoit D, Citerio G, Azoulay E, Legriel S; Groupe de Recherche en Réanimation Respiratoire en Onco-Hématologie (GRRR-OH).

Associação entre amiloide cerebral elevado e declínio cognitivo subsequente entre pessoas cognitivamente normais

19/10/2017 | Fonte: Fonte: JAMA. 2017 Jun 13;317(22):2305-2316

Estudos indicam certa associação entre amiloide cerebral elevado, (aferida por ensaios com líquido cefalorraquidiano ou tomografia por emissão de pósitrons) entre os indivíduos cognitivamente normais e o risco de declínio cognitivo relacionado com a doença de Alzheimer. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Journal of American Medical Association, foi caracterizar e quantificar o risco de declínio cognitivo relacionado à doença de Alzheimer entre indivíduos cognitivamente normais com amiloide cerebral elevado. Trata-se de um estudo com análises exploratórias, realizadas por meio de dados cognitivos e biomarcadores longitudinais de 445 indivíduos cognitivamente normais nos Estados Unidos e Canadá. Os participantes foram observados entre 23 de agosto de 2005 e 7 de junho de 2016, para uma mediana de acompanhamento de 3,1 anos (intervalo interquartil, 2,0-4,2 anos, acompanhamento máximo de 10,3 anos) como parte do estudo ADNI (Alzheimer's Disease Neuroimaging Initiative). Através de tomografia por emissão de pósitrons ou dosagem de beta-amiloide no líquido cefalorraquidiano, os indivíduos foram classificados na linha de base como possuindo amiloide cerebral normal (n = 243) ou elevado (n = 202). Foram considerados como principais resultados os escores nos seguintes instrumentos: PACC (Preclinical Alzheimer Cognitive Composite; uma soma de 4 pontuações Z padronizadas que diminui em relação ao pior desempenho), MMSE (Mini-Mental State Examination; escore de 0 [pior] até 30 [melhor]), CDR-Sum of Boxes (Clinical Dementia Rating Sum of Boxes; escore de 0 [melhor] até 18 [pior]) e o LMDR (Logical Memory Delayed Recall; (escore de 0 [pior] até 25 [melhor]). Os participantes do estudo (total de 445, sendo 243 com amiloide normal e 202 com amiloide elevado) apresentaram idade média (desvio padrão) de 74,0 (5,9) anos, estudaram em média 16,4 (2,7) anos ao longo da vida e 52% eram mulheres. Os escores médios dos instrumentos de avaliação na linha de base foram: PACC: 0,00 (2,60); MMSE: 29,0 (1,2); CDR-Sum of Boxes: 0,04 (0,14); LMDR, 13,1 (3,3). Os resultados mostraram que os indivíduos com amiloide elevado tiveram pior pontuação média aos 4 anos no PACC (diferença média, 1,51 pontos [IC 95%, 0,94-2,10]; P <0,001), MMSE (diferença média, 0,56 Pontos [IC 95%, 0,32-0,80]; P <0,001) e CDRSum of Boxes (diferença média, 0,23 pontos [IC 95%, 0,08-0,38]; P = 0,002) em comparação àqueles com amiloide normal. Não houve diferença na pontuação entre os grupos para o LMDR aos 4 anos (diferença média, 0,73 unidades [IC 95%, -0,02 a 1,48]; P = 0,056). SP, 04/07/2017 Os pesquisadores concluíram que o amiloide cerebral elevado foi associado a uma maior probabilidade de declínio cognitivo, embora os achados tenham um significado clínico incerto. Segundo os autores, mais estudos são necessários para avaliar a importância clínica dessas diferenças e verificar associações de longo prazo. Uma resenha de: Association Between Elevated Brain Amyloid and Subsequent Cognitive Decline Among Cognitively Normal Persons Autores: Donohue MC, Sperling RA, Petersen R, Sun CK, Weiner MW, Aisen PS; Alzheimer’s Disease Neuroimaging Initiative.

Comorbidades psiquiátricas e fotofobia em pacientes com enxaqueca

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Journal of Headache and Pain. 2017 Dec;18(1):18

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Journal of Headache and Pain, foi investigar a associação entre a fotofobia ictal e interictal e variáveis psicométricas em pacientes com enxaqueca e fotofobia. Os pesquisadores selecionaram 29 pacientes (27 mulheres) com enxaqueca e 31 (18 mulheres) indivíduos controle. A média de idade entre pacientes e controle foi de 31,6 ± 12,5 anos e 24,0 ± 4,1 anos, respectivamente. Todos os participantes preencheram a escala DASS (Depression Anxiety Stress Scale). Os resultados mostraram que a fotofobia interictal foi significativamente maior nos indivíduos com enxaqueca (pacientes) do que nos participantes do grupo controle (p = 0,001). Os pacientes também apresentaram níveis estatisticamente maiores de sintomas depressivos (p <0,001), sintomas de ansiedade (p <0,001) e estresse (p <0,001). Considerando todos os participantes, houve correlação positiva da fotofobia (interictal) com a idade (rho = 0,318, p = 0,013), com os sintomas depressivos (rho = 0,459, p <0,001), sintomas de ansiedade (rho =0,346, p = 0,008) e estresse (rho = 0,368, p = 0,005), mas não com gênero. Para o grupo de pacientes, a fotofobia ictal correlacionou-se positivamente com a idade (rho = 0,473, p = 0,01) e com a fotofobia interictal (rho = 0,423, p = 0,022). A análise de regressão linear revelou apenas uma tendência de significância estatística para a fotofobia (interictal) enquanto preditor do nível de sintomas depressivos (rho = 0,457, p = 0,056) na amostra total. Os pesquisadores concluíram que a depressão possivelmente contribui para a fotofobia interictal em pacientes com enxaqueca. O mesmo pode ser verdade para a ansiedade e o estresse que, segundo os autores, são fatores relacionados à enxaqueca. Os autores destacam ainda que o possível impacto do estresse e da ansiedade na fotofobia pode ser explicado pela disfunção pupilar. Uma resenha de: Psychiatric comorbidities and photophobia in patients with migraine. Autores: Seidel S, Beisteiner R, Manecke M, Aslan TS, Wöber C.

Fraturas no tornozelo Weber C com diástase tibiofibular: fixação apenas da sindesmose

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Acta Ortopédica Brasileira. [online]. 2017, vol.25, n.3, pp.67-70

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Acta Ortopédica Brasileira, foi avaliar a fixação apenas da sindesmose em fraturas do tornozelo de Weber tipo C com diástase tibiofibular e a necessidade de fixação adicional. Vinte e um pacientes com fraturas de tornozelo Weber C e diástase tibiofibular foram seguidos por pelo menos 24 meses após o tratamento. No tratamento dessas fraturas, apenas um parafuso para sindesmose foi colocado através de mini-incisão lateral e se a sindesmose pudesse ser anatomicamente reduzida e o comprimento e a rotação da fíbula pudessem ser restaurados. No seguimento, a distância tibiofibular anteroposterior, a distância fibular lateral e a distância medial do encaixe do tornozelo e a consolidação das fraturas foram comparados e os pacientes foram avaliados clinicamente pelo sistema de pontuação da escala de tornozelo de Olerud e Molander. A duração média do seguimento foi de 49 meses e as diminuições da distância tibiofibular anteroposterior e fibular lateral foram estatisticamente significantes. No último seguimento, a pontuação clínica média foi de 86. O encaixe do tornozelo foi reduzido em todos os casos, exceto um, que resultou em uma diástase tardia. Os pesquisadores concluíram que a fixação apenas da sindesmose pode ser um método eficaz de tratamento de fraturas laterais Weber tipo C com lesão na sindesmose, nos casos em que o comprimento fibular intraoperatório pode ser restaurado e a redução anatômica da sindesmose possa ser obtida. Uma resenha de: Fraturas no tornozelo Weber C com diástase tibiofibular: fixação apenas da sindesmose Autores: Sipahioglu, Serkan; Zehir, Sinan e Isikan, Erdem.

Resultados do tratamento cirúrgico na doença de dupuytren

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Acta Ortopédica Brasileira. [online]. 2017, vol.25, n.3, pp.71-73

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Acta Ortopédica Brasileira, foi apresentar os resultados de casos de doença de Dupuytren tratados com fasciotomia seletiva regional, à luz da literatura. Os pacientes diagnosticados com contratura de Dupuytren e tratados cirurgicamente com fasciotomia seletiva regional que tinham dados de acompanhamento adequados foram incluídos no estudo. Todos os pacientes foram rotineiramente acompanhados após a cirurgia para avaliação dos resultados e das complicações. Foi utilizada a pontuação QuickDASH na avaliação dos pacientes e as recorrências e complicações foram registradas. Foram avaliadas retrospectivamente vinte e uma mãos de 19 pacientes (13 homens, 6 mulheres) submetidos à cirurgia e acompanhados adequadamente. A média de idade dos pacientes foi de 65,8 (intervalo: 41 a 86) e o período médio de seguimento foi 48,2 meses (intervalo: 24 a 86). Quatorze (66,6%) mãos tiveram excelentes resultados, enquanto cinco (23%) mãos tiveram bons e duas (9,4%) tiveram resultados moderados. A pontuação média no QuickDASH dos pacientes no seguimento final foi de 6,58 (intervalo: 0 a 20,4). Segundo os pesquisadores, este estudo demonstrou que a fasciotomia seletiva regional é um método confiável e eficiente, com baixas taxas de complicação e recorrência no tratamento da doença de Dupuytren e a técnica pode ser considerada o padrão-ouro. Uma resenha de: Resultados do tratamento cirúrgico na doença de dupuytren Autores: Aykut, Serkan et al.

Relação entre características relacionadas ao estrogênio e rinite alérgica

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Adv Exp Med Biol. 2017;968:71-78. doi: 10.1007

O papel do estrogênio em doenças alérgicas tem sido, recentemente, de interesse considerável. O presente artigo, publicado no livro Advances in Experimental Medicine and Biology, procura determinar a relação entre características dependentes de estrogênio e rinite alérgica. Foram consideradas as seguintes características: razão digital (2D:4D), idade da menarca, regularidade dos ciclos menstruais e relação cintura/quadril. O estudo consistiu em pesquisas e medição de dados coletados em 768 mulheres universitárias. Cento e sessenta e oito alunas (21,9%) foram diagnosticadas com rinite alérgica. Os resultados da regressão logística mostram que em mulheres com uma razão digital (2D:4D) mais alta, indicando exposição a um nível mais alto de estrogênio no período pré-natal, o risco de rinite alérgica foi quase o dobro do que naquelas com um valor médio da razão. A diferença na razão digital (2D:4D) foi maior para a direita do que a mão esquerda. Um risco significativamente maior de rinite alérgica também foi observado em mulheres que experimentaram a primeira menstruação em uma idade mais jovem. Não foram observadas diferenças no risco de rinite alérgica devido à obesidade geral, obesidade abdominal ou irregularidade nos ciclos menstruais. Os pesquisadores concluíram que uma razão digital mais elevada sugere uma propensão para as alergias na idade adulta, relacionando-se, provavelmente, com uma maior exposição ao estrogênio em estágios iniciais do desenvolvimento ontogenético. Uma resenha de: Association of Estrogen-Related Traits with Allergic Rhinitis Autores: Klis K, Wronka I.

Imunoterapia alergênica para rinoconjuntivite alérgica: uma revisão sistemática e metanálise

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Allergy. 2017 May 11. doi: 10.1111

A Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica (EAACI) está no processo de elaboração de Diretrizes sobre Imunoterapia Alergênica (AIT) para Rinoconjuntivite Crônica Alérgica. Este estudo, publicado no periódico Allergy – European Journal of Allergy and Clinical Immunology, tem a finalidade de informar o desenvolvimento de recomendações clínicas, realizando-se para tal, uma revisão sistemática avaliando a eficácia, custo-benefício e segurança da AIT no manejo da rinoconjuntivite alérgica. Foram pesquisados 15 bancos de dados biomédicos internacionais para evidências publicadas, em andamento e não publicadas. Os estudos foram testados independentemente por dois revisores contra critérios de elegibilidade pré-definidos e avaliados criticamente utilizando instrumentos estabelecidos. Os principais resultados de interesse foram sintoma, medicação e resultados combinados de sintomas e medicação. Os resultados secundários de interesse incluíram custobenefício e segurança. Os dados foram resumidos de forma descritiva e depois sintetizados quantitativamente usando metanálises de efeitos aleatórios. Identificaram-se 5.932 estudos, dos quais 160 estudos satisfizeram os critérios de elegibilidade. Houve uma substancial evidência demonstrando reduções significativas nos escores de diferença média padronizada (SMD) do sintoma (SMD -0,53, IC 95% -0,63, -0,42), medicação (SMD -0,37, IC 95% -0,49, -0,26) e sintoma e medicação combinados (SMD -0,49, 95% IC -0,69, -0,30) durante o tratamento, que eram fortes para análises de sensibilidade pré-especificadas. Em comparação, um conjunto mais modesto de evidências sobre a efetividade pós-descontinuação do AIT, o que sugere um benefício em relação aos escores de sintomas. A partir deste estudo, os pesquisadores concluíram que AIT é efetivo na melhora do sintoma, medicação e sintoma e medicação combinados, em pacientes com rinoconjuntivite alérgica durante o tratamento, e que há algumas evidências sugerindo que esses benefícios são mantidos em relação aos escores de sintomas após a interrupção da terapia. Uma resenha de: Allergen immunotherapy for allergic rhinoconjunctivitis: a systematic review and meta-analysis Autores: Dhami S, Nurmatov U, Arasi S, Khan T, Asaria M, Zaman H, Agarwal A, Netuveli G, Roberts G, Pfaar O, Muraro A, Ansotegui IJ, Calderon M, Cingi C, Durham S, van Wijk RG, Halken S, Hamelmann E, Hellings P, Jacobsen L, Knol E, Larenas-Linnemann D, Lin S, Maggina P, Mösges R, Elberink HO, Pajno G, Panwankar R, Pastorello E, Penagos M, Pitsios C, Rotiroti G, Timmermans F, Tsilochristou O, Varga EM, Schmidt-Weber C, Wilkinson J, Williams A, Worm M, Zhang L, Sheikh A.

Infecções da pele e de tecidos moles na unidade de terapia intensiva: estudo retrospectivo em um centro terciário

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2017, vol.29, n.2, pp.195-205.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva, foi descrever o prognóstico, os fatores de risco e a etiologia das infecções da pele e dos tecidos moles na unidade de terapia intensiva. Foi realizado um estudo retrospectivo de uma coorte de 1.123 pacientes graves admitidos a uma unidade de terapia intensiva com o diagnóstico de infecção grave de pele ou tecidos moles. Foram selecionados 30 pacientes, sendo 20 (66,7%) com fasceíte necrotizante, predominantemente da região perineal; 8 (26,7%) com abscesso cutâneo; e 2 (6,6%) com celulite. A maioria dos pacientes tinha fatores de risco, como imunossupressão e lesões cutâneas. O microrganismo isolado predominante foi Escherichia coli. Pacientes com fasceíte necrotizante na admissão à unidade de terapia intensiva apresentaram mortalidade significativamente maior (55%; p = 0,035), assim como aqueles com maior índice de severidade, choque séptico, parada cardiorrespiratória e leucocitose. Organismos resistentes à antibioticoterapia foram comuns, mesmo na ausência de fatores de risco. Quando presente, o fator de risco mais comum foi o uso prévio de antibiótico. Segundo os pesquisadores, foram identificados fatores de risco e microrganismos diferentes dos classicamente descritos na literatura, além de elevada mortalidade da fasceíte necrotizante e presença de microrganismos multirresistentes na ausência de fatores de risco. Dada a aparente evolução etiológica das infecções da pele e tecidos moles, a identificação de novos fatores de risco e etiologia pode contribuir para uma terapêutica antimicrobiana mais adequada. Uma resenha de: Infecções da pele e de tecidos moles na unidade de terapia intensiva: estudo retrospectivo em um centro terciário Autores: Malheiro, Luís Filipe et al.

Primeiras manifestações clínicas da síndrome de Sézary: estudo de coorte retrospectivo multicêntrico

19/10/2017 | Fonte: Fonte: J Am Acad Dermatol. 2017 Jul 11. pii: S0190-9622(17)31784-X

As principais características da síndrome de Sézary, incluem a eritrodermia, a linfadenopatia generalizada e o envolvimento leucêmico. Além disso, observações clínicas sugerem que a síndrome de Sézary começa como uma doença não eritrodérmica. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, foi descrever as características clínicas iniciais de pacientes com síndrome de Sézary. Para a realização deste estudo, os autores realizaram uma revisão retrospectiva e multicêntrica de 263 casos confirmados da síndrome de Sézary diagnosticados durante os anos de 1976 e 2015. Os resultados mostraram que a eritrodermia foi o sinal cutâneo mais precoce registrado em apenas 25,5% dos casos, no entanto a maioria dos pacientes (86,3%) desenvolveu este sintoma. Entre os pacientes sem eritrodermia durante a visita inicial, os primeiros sinais cutâneos da síndrome de Sézary foram dermatite inespecífica (49%), erupção com dermatite atópica (4,9%), ou manchas e placas de micoses fungoides (10,6%). O atraso médio no diagnóstico foi de 4,2 anos em geral, sendo de 2,2 anos para casos envolvendo eritrodermia na apresentação inicial e de 5,0 anos para casos sem os mesmos sinais. Uma limitação do presente estudo destacada pelos autores, se refere à característica retrospectiva da publicação. Os pesquisadores concluíram que a eritrodermia é um sinal inicial incomum da síndrome de Sézary. Segundos os autores, o diagnóstico da síndrome de Sézary precoce deve ser considerado nos casos de dermatite não eritrodérmica refratária aos tratamentos convencionais, sendo que nestes casos deve-se considerar a realização de ensaios de PCR para o rearranjo monoclonal do receptor de células T e citometria de fluxo para identificar uma população de células T expandida ou aberrante. Uma resenha de: Early clinical manifestations of Sézary syndrome: A multicenter retrospective cohort study Autores: Mangold AR, Thompson AK, Davis MD, Saulite I, Cozzio A, Guenova E, Hodak E, AmitayLaish I, Pujol RM, Pittelkow MR, Gniadecki R.

Características do microbioma bacteriano brônquico associado à atopia, asma e responsividade ao tratamento com corticosteróides inalados

19/10/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Jul;140(1):63-75

A asma leve tem sido associada a diferenças na composição da microbiota bacteriana brônquica, contudo ainda não há informações suficientes assegurando que os resultados são, de fato, atribuíveis à asma, ou ainda, à sensibilização aeroalérgicas ou ao tratamento com corticosteróides inalados. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi investigar o padrão da microbiota brônquica em associação às características fenotípicas da asma nas seguintes situações: adultos com asma atópica que jamais fizeram uso de corticosteroides, indivíduos com atopia, mas sem asma e indivíduos controles sem asma ou atopia. Para a realização deste estudo, foram selecionados 42 indivíduos com asma tópica, 21 com atopia sem asma, e 21 indivíduos controles saudáveis. Foram realizadas análises do microbioma bacteriano brônquico por meio do sequenciamento do RNAm 16S. A partir do sequenciamento, foram realizadas análises intergrupos para a composição bacteriana e as funções de nível comunitário. Também foram realizadas associações com variáveis clínicas e inflamatórias, incluindo marcadores inflamatórios e alteração na hiper-reatividade das vias aéreas após 6 semanas de tratamento com corticosteroides. Os resultados indicaram diferença significativa do microbioma brônquico entre os 3 grupos. Indivíduos asmáticos apresentaram exclusivamente membros das espécies Haemophilus, Neisseria, Fusobacterium e Porphyromonas e a família Sphingomonodaceae e careciam em membros da família Mogibacteriaceae e da ordem Lactobacillales. As diferenças associadas à asma nas funções bacterianas previstas incluíram o envolvimento de vias do metabolismo de aminoácidos e de ácidos graxos de cadeia curta. Os indivíduos com níveis elevados de inflamação apresentaram carga bacteriana brônquica significativamente menor. Os resultados também mostraram alterações distintas em membros específicos de microbiota após o tratamento com corticosteroides. A responsividade ao esteroide esteve relacionada a diferenças na linha de base das características funcionais e de composição do microbioma bacteriano. Os pesquisadores concluíram que diferenças no microbioma brônquico estão associadas a características imunológicas e clínicas da asma, mesmo em indivíduos que nunca haviam utilizado corticosteroides. Segundo os autores, as diferenças específicas identificadas sugerem possíveis alvos do microbioma para abordagens futuras de tratamento ou prevenção da asma. Uma resenha de: Features of the bronchial bacterial microbiome associated with atopy, asthma, and responsiveness to inhaled corticosteroid treatment Autores: Durack J, Lynch SV, Nariya S et al.

Análise da qualidade de vida de indivíduos asmáticos obesos e sua relação com a função pulmonar: estudo transversal

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Sao Paulo Med. J. [online]. In press. . Epub 31-Jul-2017.

O efeito combinado de obesidade e asma pode levar a um comprometimento significativo da qualidade de vida (QV). O objetivo deste estudo, publicado no Sao Paulo Medical Journal, foi avaliar a prevalência de asma entre obesos, caracterizar a gravidade do comprometimento da QV e verificar sua relação com a função pulmonar. Foi realizado um estudo transversal observacional em um hospital universitário público, onde foram incluídos indivíduos obesos mórbidos (índice de massa corporal > 40 kg/m2), acompanhados num ambulatório de cirurgia bariátrica e diagnosticados com asma. Foram coletados dados antropométricos e aplicado o Standardized Asthma Quality of Life Questionnaire (AQLQ (S)), bem como a espirometria. Os indivíduos foram divididos em dois grupos com base na mediana obtida no escore do questionário (pior 4) e os grupos foram comparados aos dados antropométricos e função pulmonar. Dos 4.791 indivíduos avaliados, 219 eram asmáticos; a prevalência de asma foi de 4,57%. Destes, 91 indivíduos foram chamados para iniciar o acompanhamento multidisciplinar no período do estudo, sendo que 82 responderam ao questionário. A pontuação mediana do AQLQ (S) foi de 3,96 pontos, portanto, classificados com prejuízo moderado na QV global. Quando divididos por melhor ou pior QV, houve diferença estatística no fluxo expiratório forçado (FEF) 25-75%, com maior valor no grupo com melhor QV. Os pesquisadores concluíram que a prevalência da asma na população estudada foi de 4,57% e há prejuízos na QV de obesos asmáticos, sendo o pior domínio de QV relacionado aos estímulos ambientais e o melhor domínio de QV relacionado às limitações das atividades. A pior QV se relacionou a piores valores de FEF 25-75%. Uma resenha de: Análise da qualidade de vida de indivíduos asmáticos obesos e sua relação com a função pulmonar: estudo transversal Autores: Baltieri, Letícia et al.

Impacto da asma no Brasil: análise longitudinal de dados extraídos de um banco de dados governamental brasileiro

19/10/2017 | Fonte: Fonte: J. bras. pneumol. [online]. 2017, vol.43, n.3, pp.163-168

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, foi apresentar dados longitudinais oficiais sobre o impacto da asma no Brasil entre 2008 e 2013. Foi realizado um estudo descritivo de dados extraídos de um banco de dados do governo brasileiro entre 2008 e 2013, no qual foram analisados as hospitalizações e óbitos por asma, bem como o custo das hospitalizações. Foi também realizada uma subanálise geográfica. Em 2013, 2.047 pessoas morreram de asma no Brasil (5 óbitos/dia), com mais de 120.000 hospitalizações por asma. Durante o período de estudo, o número absoluto de óbitos e hospitalizações por asma diminuiu 10% e 36%, respectivamente. No entanto, a taxa de mortalidade hospitalar aumentou aproximadamente 25%. A subanálise geográfica mostrou que as regiões Norte/Nordeste e Sudeste apresentaram as maiores taxas de hospitalização e mortalidade hospitalar por asma, respectivamente. A análise dos estados representativos de cada região mostrou discrepâncias entre as hospitalizações por asma e as taxas de mortalidade hospitalar por asma. Durante o período de estudo, as hospitalizações por asma custaram US$ 170 milhões ao sistema público de saúde. Os pesquisadores concluíram que embora os óbitos e hospitalizações por asma no Brasil estejam diminuindo desde 2009, os números absolutos ainda são altos, com elevados custos diretos e indiretos para a sociedade, o que mostra a relevância do impacto da asma em países de renda média. Uma resenha de: Impacto da asma no Brasil: análise longitudinal de dados extraídos de um banco de dados governamental brasileiro Autores: Cardoso, Thiago de Araujo et al.

Eletrocirurgia de alta frequência em cicatrizes do tipo ice-picks: estudo comparativo prévio e posterior ao tratamento

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Surgical and Cosmetic Dermatology Volume 9 Número 2

As cicatrizes atróficas são as mais comuns, podendo apresentar-se como superficiais, médias ou profundas. Existem várias opções de tratamento para cicatrizes atróficas profundas, porém, geralmente, apresentam eficácia limitada, efeitos colaterais indesejáveis e custo elevado. O objetivo deste estudo, publicado no Surgical and Cosmetic Dermatology, foi avaliar o tratamento de cicatrizes atróficas profundas com eletrocirurgia de alta frequência. Dez pacientes com cicatrizes de acne atróficas profundas receberam três sessões de tratamento com eletrocirurgia de alta frequência com intervalos de um mês entre elas. Um mês após a última sessão foram avaliados: aspectos histológicos de cicatrizes selecionadas, antes e um mês após a última sessão; opinião dos pacientes classificando os resultados em piora, ausência de melhora ou melhora das lesões; e avaliação de fotografias padronizadas antes e um mês após a última sessão, por médico não vinculado à pesquisa que também classificou os resultados em piora, ausência de melhora ou melhora das lesões. Na análise histológica foi evidenciada redução de fibrose local; na opinião de todos os pacientes o resultado evidenciou melhora das lesões; todos também apresentaram melhora clínica das lesões avaliadas por dermatologista. Os pesquisadores concluíram que a eletrocirurgia de alta frequência é método simples, de baixo custo e eficaz no tratamento de cicatrizes de acne atróficas e profundas. Uma resenha de: Eletrocirurgia de alta frequência em cicatrizes do tipo ice-picks: estudo comparativo prévio e posterior ao tratamento Autores: Carlos Roberto Antonio; Lívia Arroyo Trídico; Cíntia Maria Garcia Marchi; João Roberto Antonio; Solange Corrêa Garcia Pires D'Ávila

Indução percutânea de colágeno com agulhas em cicatrizes após acidentes automobilísticos: correção cosmética e funcional

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Surgical and Cosmetic Dermatology Volume 9 Número 2

A utilização de técnicas com microagulhas vem adquirindo importância crescente na correção de cicatrizes. O objetivo deste estudo retrospectivo, descritivo e unicêntrico, publicado no Surgical and Cosmetic Dermatology, foi avaliar os resultados da indução percutânea de colágeno com agulhas em cicatrizes desenvolvidas após acidentes automobilísticos. Foram considerados registros em prontuários e fotografias padronizadas feitas antes e três meses depois de sessão única de microagulhamento, de nove pacientes com diagnóstico de cicatrizes póstraumáticas tratados pelo mesmo protocolo. As avaliações clínica e fotográfica do tratamento, de acordo com escala de categorias - muito bom, bom, razoável, ruim -, foram realizadas pelo investigador três meses após o procedimento, quando também foram aplicados questionários de satisfação aos pacientes. Na avaliação clínica e por meio de fotografias, o autor considerou cinco pacientes com resultados muito bons e quatro com resultados bons. 100% dos pacientes relataram satisfação com os resultados. Segundo os pesquisadores, observam-se bons resultados cosmético e funcional em cicatrizes após trauma acidental com a utilização da indução percutânea de colágeno com agulha. Não se observaram efeitos adversos, o que nos permite sugerir que o procedimento apresentou bom perfil de segurança. Uma resenha de: Indução percutânea de colágeno com agulhas em cicatrizes após acidentes automobilísticos: correção cosmética e funcional Autores: Emerson Vasconcelos de Andrade Lima

Avaliação do estado global dos cuidados de saúde renal

19/10/2017 | Fonte: Fonte: JAMA. 2017 May 9;317(18):1864-1881. doi: 10.1001

A doença renal é um importante problema clínico e de saúde pública em âmbito mundial, mas a informação sobre os cuidados disponíveis é limitada. O objetivo deste estudo, publicado no The Journal of American Medical Association, foi recolher informações sobre o estado atual de prontidão, capacidade e competência para a prestação de cuidados renais entre países e regiões do mundo. Para tal, foi realizado um levantamento de questionários aplicados de maio a setembro de 2016 pela Sociedade Internacional de Nefrologia (ISN) em 130 países afiliados à ISN com amostragem das principais partes interessadas (líderes de sociedades nacionais de nefrologia, elaboradores de políticas e representantes de organizações de doentes) identificadas pelo país e liderança regional de nefrologia através da ISN. As principais medidas foram tiradas da capacidade das zonas de referência do país e de resposta para cuidados renais. As respostas foram recebidas de 125 dos 130 países (96%), incluindo 289 de 337 indivíduos (85,8%, com uma mediana de 2 entrevistados [intervalo interquartil, 1-3]), representando 93% (6,8 bilhões) da população mundial (População de 7,3 bilhões). Houve grande variação na prontidão, capacidade e resposta do país em termos de prestação de serviços, financiamento, mão-de-obra, sistemas de informação e liderança e governança. No total, 119 (95%), 95 (76%) e 94 (75%) países tinham instalações para hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal, respectivamente. Em contraste, 33 (94%), 16 (45%) e 12 (34%) países de África dispunham de instalações para hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal, respectivamente. Para monitoramento da doença renal crônica (CKD) na atenção primária, a creatinina sérica com taxa de filtração glomerular estimada e medidas de proteinúria foram relatadas como sempre disponível em apenas 21 (18%) e 9 (8%) países, respectivamente. Os serviços de hemodiálise, diálise peritoneal e transplante foram financiados publicamente e gratuitos no ponto de atendimento em 50 (42%), 48 (51%) e 46 (49%) países, respectivamente. O número de nefrologistas foi variável e foi baixo (<10 por milhão de população) nas regiões da África, Oriente Médio, Ásia do Sul e Oceania e Sudeste Asiático (OSEA). A disponibilidade do sistema de informação de saúde (registro renal) foi limitada, particularmente para lesão renal aguda (8 países [7%]) e não dialítica (9 países [8%]). O protocolo internacional de lesão renal aguda CKD foram acessíveis em 52 (45%) e 62 (52%) países, respectivamente. Observou-se uma capacidade relativamente baixa para estudos clínicos em países em desenvolvimento. Esta pesquisa demonstrou significativa variabilidade inter-regional e intrarregional na atual capacidade de cuidados renais em todo o mundo, incluindo importantes lacunas nos serviços e na força de trabalho. Supondo que as respostas reflitam com precisão o estado do cuidado renal nos países respondentes, os resultados podem ser úteis para informações nas tentativas de melhoria da qualidade do cuidado renal em todo o mundo. Uma resenha de: Assessment of Global Kidney Health Care Status Autores: Bello AK, Levin A, Tonelli M, Okpechi IG, Feehally J, Harris D, Jindal K, Salako BL, Rateb A, Osman MA, Qarni B, Saad S, Lunney M, Wiebe N, Ye F, Johnson DW

Encaminhamentos a programas de perda de peso de duração padrão e estendida para adultos em atendimento primário (WRAP): um ensaio controlado randomizado.

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Jun 3;389(10085):2214-2225. doi: 10.1016

Existem evidências de que o encaminhamento da atenção primária a um programa comportamental em grupo aberto é uma estratégia eficaz para o tratamento da obesidade, mas poucas evidências sobre a duração ótima da intervenção estão disponíveis. O objetivo deste ensaio, publicado no The Lancet, foi estabelecer se um programa de consulta de 52 semanas para manejo do peso em grupo aberto conseguiria maior perda de peso e melhoras em uma série de resultados de saúde e seria mais econômico do que a prática atual de 12 semanas. Neste ensaio controlado randomizado e paralelo, não aberto, foram recrutados participantes que tinham idade igual ou superior a 18 anos e tinham índice de massa corporal (IMC) de 28 kg/m2 ou mais, de 23 áreas de práticas de cuidados primários na Inglaterra. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente (2: 5: 5) para obter conselhos breves e materiais de autoajuda, um programa de gerenciamento de peso (Weight Watchers) por 12 semanas ou o mesmo programa de gerenciamento de peso por 52 semanas. O acompanhamento dos participantes foi realizado durante 2 anos. O resultado primário foi o peso ao 1° ano de seguimento, analisados com modelos de efeitos mistos de acordo com o princípio da análise por intenção de tratar e ajustados para o peso central e de linha de base. Em um procedimento hierárquico de teste fechado, foram comparados os grupos de programas comportamentais combinados com uma breve intervenção, em seguida, comparados o programa de 12 semanas e o programa de 52 semanas. Realizou-se uma análise custo-benefício dentro do ensaio usando dados individuais e resultados modelados em um horizonte de tempo de 25 anos utilizando-se microssimulação. Entre 18 de outubro de 2012 e 10 de fevereiro de 2014, foram matriculados 1.269 participantes. 1.267 participantes elegíveis foram distribuídos aleatoriamente para a breve intervenção (n = 211), o programa de 12 semanas (n = 528) e o programa de 52 semanas (n = 528). Dois participantes no programa de 12 semanas foram considerados inelegíveis logo após a randomização e foram excluídos da análise. 823 (65%) de 1.267 participantes completaram uma avaliação em 1 ano e 856 (68%) participantes aos 2 anos. Todos os participantes elegíveis foram incluídos nas análises. Ao 1° ano, as mudanças médias de peso nos grupos foram de -3,26 kg (intervenção breve), -4,75 kg (programa de 12 semanas) e -6,76 kg (programa de 52 semanas). Os participantes no programa comportamental perderam mais peso do que aqueles na intervenção breve (diferença ajustada -2,71 kg, 95% IC -3,86 a -1,55; p <0,0001). O programa de 52 semanas foi mais eficaz do que o programa de 12 semanas (-2,14 kg, -3,05 a -1,22; p <0,0001). As diferenças entre os grupos ainda foram significativas aos 2 anos. Não foram relatados eventos adversos relacionados à intervenção. Ao longo de 2 anos, o índice de custo-efetividade incremental (ICER, em comparação com uma intervenção breve) foi de £ 159 por kg perdido para o programa de 52 semanas e £ 91 por kg para o programa de 12 semanas. Modelado em 25 anos após a linha de base, o ICER para o programa de 12 semanas foi dominante em comparação com a intervenção breve. O ICER para o programa de 52 semanas teve melhor custo-benefício em comparação com a breve intervenção (£ 2394 por ano de vida ajustado pela qualidade [QALY]) e o programa de 12 semanas (£ 3804 por QALY). A partir dos resultados, os pesquisadores concluíram que, para adultos com excesso de peso ou obesidade, o encaminhamento a um programa comportamental de perda de peso em grupo aberto por pelo menos 12 semanas é mais eficaz do que uma breve intervenção e materiais de autoajuda. Um programa de 52 semanas produz maior perda de peso e outros benefícios clínicos do que um programa de 12 semanas e, embora tenha custo mais elevado, a modelagem sugere que o programa de 52 semanas é econômico a longo prazo. Uma resenha de: Extended and standard duration weight-loss programme referrals for adults in primary care (WRAP): a randomised controlled trial. Autores: Ahern AL, Wheeler GM, Aveyard P, Boyland EJ, Halford JCG, Mander AP, Woolston J, Thomson AM, Tsiountsioura M, Cole D, Mead BR, Irvine L, Turner D, Suhrcke M, Pimpin L, Retat L, Jaccard A, Webber L, Cohn SR, Jebb SA

Associação entre níveis de homocisteína plasmática e danos a órgãos-alvo em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 recém-diagnosticados

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Endocr Res. 2017 Feb;42(1):36-41

O objetivo do presente estudo, publicado no Endocrine Research Journal, foi investigar a associação entre níveis de homocisteína plasmática (Hcy) e danos carotídeo, cardíaco e renal em pacientes recentemente diagnosticados de diabetes mellitus tipo 2 (DM2). Pacientes com DM2 normotensos recentemente diagnosticados (n = 390) foram matriculados neste estudo. Os pacientes não tomaram nenhum medicamento ao longo do estudo. O índice de massa do ventrículo esquerdo (IMVI), a espessura da camada íntima-media da carótida (CIMC) e os níveis de creatinina e a microalbuminúria em 24 horas foram utilizados para determinar doenças cardíacas, carotídeas e renais, respectivamente. Utilizando-se uma análise de regressão logística univariada, idade, microalbuminúria de 24 horas, glicemia em jejum, CIMC, nível de creatinina e IMVI foram significativamente associados ao nível de Hcy. Quando essas seis variáveis foram incluídas em um modelo de regressão multivariada, CIMC, IMVI e creatinina foram significativamente associados ao nível de Hcy. Determinou-se que um nível de Hcy >12,5 µmol/L foi preditivo de alta IMVI, com uma sensibilidade de 70,1% e uma especificidade de 68%. Um nível de Hcy >13,5 µmol/L foi preditivo de CIMC alta, com uma sensibilidade de 67,5% e uma especificidade de 63,1%. Os pesquisadores concluíram com este estudo que o IMVI, CIMC e nível de creatinina foram positivamente correlacionados com o nível de Hcy. Acredita-se que o nível de Hcy pode ser um preditor útil de danos nos órgãos-alvo, incluindo doenças cardíacas, carotídeas e renais, em pacientes com DM2 recentemente diagnosticados. PALAVRAS-CHAVE: Espessura da camada íntima - medida carotídea; dano de órgão -alvo; hiper-homocisteinemia; Índice de massa do ventrículo esquerdo; Diabetes mellitus tipo 2. Uma resenha de: Association between plasma homocysteine levels and end-organ damage in newly diagnosed type 2 diabetes mellitus patients Autores: Kundi H, Kiziltunc E, Ates I, Cetin M, Barca AN, Ozkayar N, Ornek E.

Associações do ganho de peso desde o início da idade adulta até à meia idade com resultados de saúde futuros

19/10/2017 | Fonte: Fonte: JAMA. 2017 Jul 18;318(3):255-269

Informações a respeito do aumento de peso durante a idade adulta são importantes para descrever o impacto na saúde geral e para o controle do peso. Nesse sentido, o objetivo dos autores neste estudo, publicado no Journal of American Medical Association, foi investigar a associação do ganho de peso desde o início da idade adulta até à meia idade com os resultados de saúde futuros. Para a realização deste estudo, foram selecionadas mulheres pertencentes à coorte NHS (Nurses 'Health Study, 1976 a 30 de junho de 2012) e homens da coorte HPFS (Health Professionals Follow-Up Study, 1986 a 31 de janeiro de 2012), cujos dados de peso corporal no início da idade adulta (aos 18 anos para mulheres e 21 anos para os homens) e na idade atual (55 anos) estavam disponíveis. Foram realizadas análises sobre a mudança de peso desde o início da idade adulta até à idade atual. A partir dos 55 anos, os participantes foram acompanhados para a incidência de comorbidades. Eventos e doenças cardiovasculares, câncer e morte foram confirmadas por registros médicos ou pelo Índice Nacional de Morte. Um resultado de envelhecimento considerado saudável foi definido como sendo livre de 11 doenças crônicas e de comprometimento cognitivo ou físico elevado. Foram incluídos na análise um total de 92.837 mulheres (97% brancas, ganho de peso médio [SD]: 12,6 kg [12,3 kg] em 37 anos) e 25.303 homens (97% brancos, ganho de peso médio [SD]: 9,7 kg [9,7 kg] em 34 anos). A incidência ajustada de diabetes do tipo 2 por 100.000 pessoas-ano foi de 207 nas mulheres que ganharam uma quantidade moderada de peso (>2,5 kg a <10 kg) vs 110 entre as mulheres que mantiveram um peso estável (perda de peso <2,5 kg ou ganho <2,5 kg) (diferença de taxa absoluta [ARD] por 100.000 pessoas-ano, 98, IC 95%, 72 a 127). Para os homens, esta mesma comparação foi de 258 vs 147, respectivamente, (ARD, 111; IC 95%, 58 a 179). Os resultados correspondentes para as demais comorbidades foram: Hipertensão arterial: 3.415 vs 2.754 entre as mulheres (ARD, 662, IC 95%, 545 a 782) e 2.861 vs 2.366 entre os homens (ARD, 495; IC 95%, 281 a 726); Doença cardiovascular: 309 vs 248 entre as mulheres (ARD, 61; IC 95%; 38 a 87) e 383 vs 340 entre os homens (ARD, 43; IC 95%; -14 a 109); câncer relacionado com a obesidade: 452 vs 415 entre as mulheres (ARD, 37, IC 95%, 4 a 73) e 208 vs 165 entre os homens (ARD, 42; IC 95%, 0,5 a 94). Entre aqueles que ganharam uma quantidade moderada de peso, 3.651 mulheres (24%) e 2.405 homens (37%) alcançaram o resultado para “envelhecimento saudável”. Já entre aqueles que mantiveram um peso estável, cerca de 1.528 mulheres (27%) e 989 homens (39%) alcançaram o mesmo resultado. O odds ratio ajustado para o resultado de envelhecimento saudável associado ao aumento de peso moderado foi de 0,78 (IC 95%, 0,72 a 0,84) em mulheres e 0,88 (IC 95%, 0,79 a 0,97) em homens. Os resultados também mostraram que aumentos maiores de peso foram associadas a riscos maiores de doenças crônicas principais e menor probabilidade de envelhecimento saudável. Os pesquisadores concluíram que o aumento de peso durante a idade adulta foi associado com aumento significativo do risco de doenças crônicas maiores e diminuição da probabilidade de envelhecimento saudável. Segundo os autores, esses achados podem ajudar a aconselhar os pacientes quanto aos riscos de aumento de peso. Uma resenha de: Associations of Weight Gain From Early to Middle Adulthood With Major Health Outcomes Later in Life Autores: Zheng Y, Manson JE, Yuan C, Liang MH, Grodstein F, Stampfer MJ, Willett WC, Hu FB.

Respostas vasculares e inflamatórias agudas depois de uma sessão de exercício resistido em mulheres jovens com excesso de adiposidade

19/10/2017 | Fonte: Fonte: MedicalExpress (São Paulo, online) [online]. 2017, vol.4, n.3, M170304.

A disfunção endotelial e a inflamação de baixo grau estão positivamente associadas a estados de adiposidade excessiva; entretanto os efeitos agudos do exercício resistido sobre estas variáveis ainda não estão esclarecidos. O objetivo deste estudo, publicado no MedicalExpress, foi avaliar os efeitos agudos do exercício resistido sobre a reatividade vascular e sobre o perfil inflamatório em mulheres jovens. As participantes foram divididas em dois grupos: controles magras (n = 16) e aquelas com sobrepeso (n = 16). A sessão de exercício resistido consistiu de flexões unilaterais de cotovelo em cinco séries de 10 repetições (com 70% de uma repetição máxima). Avaliamos tanto no repouso quanto durante o período pós-exercício agudo a pressão arterial, a frequência cardíaca, o fluxo sanguíneo do antebraço (FBF) e a condutância vascular (CVF), as citocinas, os adipopeptídeos e a endotelina-1. O grupo com sobrepeso apresentou maior FBF em repouso (p = 0,03) e pós-exercício (p <0,001), enquanto a CVF foi maior somente após o exercício, aos 20 min (p = 0,02) e aos 40 min (p <0,001). A vasodilatação endotélio-dependente durante o período pós-exercício foi maior no grupo Overweight em relação aos controles (p = 0,01). No grupo Overweight, a sessão de exercício resistido reduziu a interleucina-6 (p = 0,02) e a leptina (p <0,001) e o aumentou os níveis de endotelina-1 (p = 0,02). Os pesquisadores concluíram que a sessão de exercício resistido provocou um incremento agudo da reatividade vascular basal e um aumento da vasodilatação endotélio-dependente com alterações concomitantes no perfil inflamatório e da endotelina-1 em mulheres com adiposidade excessiva. Uma resenha de: Respostas vasculares e inflamatórias agudas depois de uma sessão de exercício resistido em mulheres jovens com excesso de adiposidade Autores: Kraemer-Aguiar, Luiz Guilherme et al.

Aconselhamento comportamental para estimular uma dieta saudável e atividade física na prevenção de doenças cardiovasculares em adultos sem fatores de risco cardiovascular: recomendação da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA

19/10/2017 | Fonte: Fonte: JAMA. 2017 Jul 11;318(2):167-174

Estudos demonstram evidências de taxas mais baixas de morbidade e mortalidade cardiovascular entre os adultos que aderem às diretrizes nacionais para uma dieta saudável e atividade física. Além disso, todas as pessoas, independentemente da condição de risco para doença cardiovascular, podem obter benefícios para a saúde a partir de comportamentos saudáveis e atividades físicas adequadas. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Medical Association, foi atualizar a recomendação da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF) sobre o aconselhamento comportamental para promover uma dieta saudável e atividade física para prevenção de doenças cardiovasculares em adultos sem obesidade que não possuem fatores de risco cardiovascular (hipertensão, dislipidemia, níveis anormais de glicose no sangue ou diabetes). Para a realização deste estudo, o USPSTF analisou as evidências disponíveis a respeito das intervenções de aconselhamento de cuidados primários relevantes na promoção de uma dieta saudável, atividade física ou ambos sobre a melhoria dos resultados de saúde, resultados intermediários associados à doença cardiovascular ou comportamentos alimentares ou de atividade física em adultos. Também se levou em consideração os efeitos das intervenções de aconselhamento comportamental na redução de comportamentos sedentários e possíveis danos. Os resultados mostraram que as intervenções de aconselhamento resultam em melhorias nos comportamentos saudáveis. Também foram observadas melhorias, ainda que pequenas, mas potencialmente importantes, nos resultados intermediários, incluindo reduções na pressão arterial e níveis de colesterol de lipoproteínas de baixa densidade, e melhorias nas medidas de adiposidade. Os dados indicaram que a magnitude global do benefício relacionado a essas intervenções é positiva, mas pequena. Com relação aos danos potenciais, os resultados indicam que são no mínimo pequenos, levando o USPSTF a concluir que essas intervenções têm um pequeno benefício líquido para adultos sem obesidade que não possuem fatores de risco para doença cardiovascular. O USPSTF recomenda que os profissionais de cuidados primários individualizem a decisão de oferecer ou encaminhar adultos sem obesidade que não tenham hipertensão, dislipidemia, níveis anormais de glicemia ou diabetes SP, 17/08/2017 para aconselhamento comportamental para promover uma dieta saudável e atividade física. A evidência existente indica um benefício positivo, mas pequeno, do aconselhamento comportamental para a prevenção da doença cardiovascular nesta população. Segundo os autores, as pessoas que estão interessadas e preparadas para fazer mudanças comportamentais podem se beneficiar mais do aconselhamento comportamental. Uma resenha de: Behavioral Counseling to Promote a Healthful Diet and Physical Activity for Cardiovascular Disease Prevention in Adults Without Cardiovascular Risk Factors: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement Autores: US Preventive Services Task Force, Grossman DC, Bibbins-Domingo K, Curry SJ, Barry MJ, Davidson KW, Doubeni CA, Epling JW Jr, Kemper AR,Krist AH, Kurth AE, Landefeld CS, Mangione CM, Phipps MG, Silverstein M, Simon MA, Tseng CW.

Risco de hipoglicemia grave no diabetes tipo 1 ao longo de 30 anos de seguimento no estudo DCCT / EDIC

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Diabetes Care. 2017 Aug;40(8):1010-1016

Os resultados da terapia diabética durante o ensaio DCCT (Diabetes Control and Complications Trial) indicaram que o modelo intensivo que tinha como foco HbA1c médio de 7% apresentou uma associação com o aumento (cerca de três vezes maior) da taxa de hipoglicemia (definida pela necessidade de assistência) em comparação com a terapia convencional com foco em HbA1c média de 9% (61,2 vs. 18,7 por 100 pacientes-ano). O objetivo dos autores no presente estudo, publicado no Diabetes Care, foi investigar as taxas de hipoglicemia grave ao longo de aproximadamente 30 anos de acompanhamento na coorte DCCT/EDIC (Epidemiology of Diabetes Inverventions and Complications). Neste estudo, os autores realizaram o controle trimestral das taxas de hipoglicemia grave durante o DCCT e anualmente durante o EDIC (ou seja, registros de episódios nos três meses anteriores). Também foram investigados os fatores de risco que influenciaram a taxa de hipoglicemia grave ao longo do tempo. Os resultados mostraram que a metade da coorte DCCT/EDIC relatou episódios de hipoglicemia grave. Durante o EDIC, as taxas de hipoglicemia grave caíram no grupo de tratamento intensivo DCCT, mas aumentaram no grupo de tratamento convencional, resultando em taxas semelhantes (36,6 vs. 40,8 episódios para cada 100 pacientes-ano, respectivamente) com um risco relativo de 1,12 (95 % CI 0,911,37). O principal preditor de episódios subsequentes de hipoglicemia grave foi a ocorrência de um episódio precedente. A entrada no estudo DCCT como adolescente foi associada a um risco aumentado de hipoglicemia grave, enquanto que o uso de bomba de insulina foi associado a um risco menor. As taxas de hipoglicemia grave aumentaram na terapia com foco na menor concentração de HbA1c, porém não houve diferença estatística entre os grupos de tratamento. Os pesquisadores concluíram que as taxas de hipoglicemia grave foram equilibradas ao longo do tempo entre os dois grupos de tratamento DCCT / EDIC em associação com a duração avançada do diabetes e níveis semelhantes de HbA1c. Segundo os autores, a hipoglicemia grave persiste e continua sendo um desafio para pacientes com diabetes tipo 1 ao longo da vida. Uma resenha de: Risk of Severe Hypoglycemia in Type 1 Diabetes Over 30 Years of Follow-up in the DCCT/EDIC Study Autores: Gubitosi-Klug RA, Braffett BH, White NH, Sherwin RS, Service FJ, Lachin JM, Tamborlane WV; Diabetes Control and Complications Trial (DCCT)/Epidemiology of Diabetes Interventions and Complications (EDIC) Research Group.

Associação entre variantes genéticas relacionadas aos níveis séricos de cálcio com a doença arterial coronariana e infarto do miocárdio

19/10/2017 | Fonte: Fonte: JAMA. 2017 Jul 25;318(4):371-380

Evidências decorrentes de estudos observacionais demonstram que há uma associação entre o cálcio sérico e a doença cardiovascular. De modo semelhante, ensaios clínicos randomizados indicam que a suplementação de cálcio, que por sua vez eleva os níveis de cálcio no sangue, poderia aumentar o risco de eventos cardiovasculares, em particular o infarto do miocárdio. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Medical Association, foi investigar se há associação causal entre variantes genéticas relacionadas aos níveis elevados de cálcio sérico e o risco de doença arterial coronariana e infarto do miocárdio utilizando randomização mendeliana. Foram realizadas análises dos polimorfismos do tipo SNPs (single-nucleotide polymorphisms) que teriam relação com o cálcio sérico. As variantes genéticas foram identificadas a partir de uma meta-análise de associações genome-wide (N = até 61.079 indivíduos) e do consórcio CardiogramplusC4D (Coronary Artery Disease Genome-wide Replication and Meta-analysis Plus the Coronary Artery Disease Genetics, N = 184.305 indivíduos). As análises incluíram “casos” (indivíduos com doença arterial coronariana e infarto do miocárdio) e “não-casos”, com dados de linha de base coletados a partir de 1948 e populações derivadas de todo o mundo. A associação de cada SNP com a doença arterial coronariana e o infarto do miocárdio foi ponderada pela associação com cálcio sérico, e as estimativas foram combinadas usando uma meta-análise ponderada pela variância invertida. Foi avaliada a pontuação de risco genético com base em variantes genéticas relacionadas a níveis elevados de cálcio sérico, sendo que as chances para ocorrência de doença arterial coronariana e infarto do miocárdio foram consideradas como resultados co-primários. Considerando a amostra randomizada de 184.305 indivíduos (60.801 casos de doença arterial coronariana [aproximadamente 70% com infarto do miocárdio] e 123.504 nãocasos), os resultados mostraram que os 6 SNPs relacionados aos níveis séricos de cálcio e sem associações pleiotrópicas com fatores de confusão potenciais conseguem explicar aproximadamente 0,8% da variação nos níveis séricos de cálcio. Na meta-análise ponderada pela variância invertida (combinando as estimativas dos 6 SNPs), os odds ratios por aumento de 0,5 mg/dL (cerca de 1 desvio-padrão) em níveis de cálcio sérico preditos geneticamente foram 1,25 (IC 95%, 1,08-1,45; P = 0,003) para doença arterial coronariana e 1,24 (IC 95%, 1,05-1,46; P = 0,009) para infarto do miocárdio. SP, 17/08/2017 Os pesquisadores concluíram que uma predisposição genética a níveis mais elevados de cálcio sérico foi associada ao aumento do risco de doença arterial coronariana e infarto do miocárdio. Segundo os autores, ainda não está claro se a associação do risco de doença arterial coronária com a exposição genética ao longo da vida e o aumento dos níveis séricos de cálcio pode ser traduzido para um risco associado com suplementação de cálcio de curto ou médio prazo. Uma resenha de: Association of Genetic Variants Related to Serum Calcium Levels With Coronary Artery Disease and Myocardial Infarction Autores: Larsson SC, Burgess S, Michaëlsson K.

Caraterísticas clínicas de mulheres com diabetes gestacional - uma comparação de duas coortes arroladas em intervalo de 20 anos no sul do Brasil

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Sao Paulo Med. J. [online]. 2017, vol.135, n.4, pp.376-382.

A prevalência e características do diabetes mellitus gestacional (DMG) modificaram-se com o tempo, refletindo transição nutricional e diferentes critérios diagnósticos. O objetivo deste estudo, publicado no Sao Paulo Medical Journal, foi avaliar características de gestações com DMG em intervalo de 20 anos. Foi realizada uma comparação de duas coortes gestacionais arroladas em diferentes períodos, em hospitais universitários de Porto Alegre, Brasil: 1991 a 1993 (n = 216) e 2009 a 2013 (n = 375). Foram aplicados dois critérios diagnósticos às coortes: International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups (IADPSG) /Organização Mundial de Saúde (OMS); e National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Foram comparadas características e desfechos materno-fetais entre as coortes e dentro de cada uma. Na coorte dos anos 2010, as mulheres eram mais velhas (31 ± 7 versus 30 ± 6 anos), obesas (29,4% versus 15,2%), apresentaram mais distúrbios hipertensivos (14,1% versus 5,6%) e risco aumentado de cesariana (risco relativo ajustado 1,8; intervalo de confiança de 95% 1,4 - 2,3), comparadas às da coorte de 1990. Desfechos neonatais, como categoria do peso ao nascer e hipoglicemia, foram semelhantes. Na coorte de 1990, essas características e desfechos foram semelhantes nas mulheres que preenchiam apenas um dos critérios; na de 2010, mulheres diagnosticadas apenas pelo IADPSG/OMS eram mais obesas (33 ± 8 kg/m2 versus 28 ± 6 kg/m2, P < 0,001) do que as diagnosticadas apenas pelo NICE. Os pesquisadores concluíram que a epidemia de obesidade parece ter modificado o perfil de mulheres com DMG. Embora desfechos neonatais sejam semelhantes, houve diferenças na intensidade de tratamento ao longo do tempo. O critério da IADPSG/OMS parece identificar um perfil mais associado à obesidade. Uma resenha de: Caraterísticas clínicas de mulheres com diabetes gestacional - uma comparação de duas coortes arroladas em intervalo de 20 anos no sul do Brasil Autores: Reichelt, Angela Jacob et al.

Prevalência de sintomas otoneurológicos em indivíduos com hipotireoidismo congênito: estudo piloto

19/10/2017 | Fonte: Fonte: Cad. saúde colet. [online]. 2017, vol.25, n.2, pp.144-151

O objetivo deste estudo, publicado no Cadernos Saúde Coletiva, foi investigar a frequência de sintomas otoneurológicos em crianças com hipotireoidismo congênito e relacioná-los com os aspectos clínicos. Foi realizado um estudo exploratório de caráter descritivo seccional. A casuística foi composta pelos pais e/ou cuidadores de 105 crianças com diagnóstico de hipotireoidismo congênito e com 5 anos ou mais de idade. A coleta de dados utilizou um questionário estruturado elaborado e testado pelos pesquisadores. As informações clínicas e laboratoriais foram obtidas dos prontuários médicos. A maioria dos indivíduos (72,4%) demonstrou sintomas relacionados à disfunção vestibulococlear, na qual a tontura/vertigem correspondeu a 56,2% dos sintomas, seguida pela hipoacusia (43,8%) e pelo zumbido (12,4%). Houve correlação estatística entre os sintomas de hipoacusia (p=0,016) e a idade para o teste de rastreio neonatal, bem como os sintomas de tontura/vertigem com a etiologia do hipotireoidismo congênito (p=0,003). Na percepção da hipoacusia (RP=0,49; IC=0,31-0,77), a exposição ao fator demonstrou associação com a probabilidade de 95%. Segundo os pesquisadores, os achados sugerem significativa prevalência e associação entre hipotireoidismo congênito e sintomas otoneurológicos, especialmente tontura, hipoacusia e zumbido. Uma resenha de: Prevalência de sintomas otoneurológicos em indivíduos com hipotireoidismo congênito: estudo piloto. Autores: Andrade, Caio Leônidas de et al.

A ecogenicidade do trombo residual é associada ao risco de recorrência de trombose venosa profunda: um estudo de coorte

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Clin Appl Thromb Hemost. 2017 Jan 1 [Epub ahead of print]

A recidiva de trombose venosa profunda (TVP) é uma complicação tardia relativamente comum da doença, no entanto poucos marcadores conseguem predizer e estratificar os pacientes em longo prazo após o evento trombótico. Nesse sentido, a precisão da trombose venosa residual (TVR) ainda é controversa, possivelmente devido à falta de uma metodologia padronizada. O objetivo deste estudo, publicado no Clinical and Applied Thrombosis Hemostasis, foi avaliar a precisão da ecogenicidade da TVR como marcador preditivo da recidiva da TVP. Foram selecionados para este estudo prospectivo pacientes com histórico de TVP nos últimos 33 meses. A presença de TVR foi avaliada por ultrassom e a ecogenicidade foi determinada pela escala de cinza média (GSM). Também foram realizadas coletas de amostras de sangue para análises de dímero-D. O seguimento teve duração de 28 meses e o endpoint primário foi a recorrência da TVP. A recorrência da TVP foi, posteriormente, confirmada ou excluída por ultrassom ao longo do seguimento. Um total de 56 pacientes foram incluídos no estudo, sendo que 10 apresentaram recorrência de TVP durante o seguimento. Os resultados para dímero-D acima de 630 ng/mL atribuíram maior risco de recorrência com valor preditivo negativo de 94%. A ausência de TVR foi um marcador protetor para recorrência com valor preditivo negativo de 100%. Além disso, a presença de TVR hipoecogênica, determinada por valores de GSM abaixo de 24, predisse positivamente 75% das recorrências da TVP. Os pesquisadores concluíram que a TVR persistente e, em particular, a presença de trombos hipoecogênicos (GSM <24) são marcadores preditivos do risco de recorrência da TVP. Segundo os autores, a ecogenicidade da TVR, por análise de GSM, poderia representar uma nova estratégia para a avaliação do risco de recidiva em pacientes com TVP. Título original: Residual Vein Thrombosis Echogenicity Is Associated to the Risk of DVT Recurrence: A Cohort Study Autores: Mazetto BM, Orsi FLA, Silveira SAF, Bittar LF, Flores-Nascimento MMC, Zapponi KCS, Colella MP, de Paula EV, Annichino-Bizzacchi JM.

Associação entre cirurgia bariátrica e risco de doenças infecciosas: estudo de série de casos

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Clin Infect Dis. 2017 Jun 16. doi: 10.1093/cid/cix541

Diversas evidências na literatura apontam a obesidade como um fator de risco para doenças infecciosas, no entanto ainda não há informações sobre a associação entre a cirurgia bariátrica e o risco de doenças infecciosas em adultos obesos. Neste estudo, publicado no Clinical Infectious Diseases, os autores analisaram informações do banco de dados de pacientes hospitalizados e do Departamento Estadual de Emergência da Califórnia, Flórida e Nebraska nos EUA, entre 2005 e 2011. Os autores analisaram os dados de pacientes adultos obesos submetidos à cirurgia bariátrica para redução de peso. Foram considerados como resultados primários a visita ao departamento de emergência ou hospitalização por infecção cutânea e de tecido mole, infecção respiratória, infecção intra-abdominal ou infecção do trato urinário. Foram analisados os dados de 56.277 adultos obesos submetidos à cirurgia bariátrica, em comparação com os períodos pré-cirúrgicos (13 a 24 meses). Os resultados mostraram que o risco de visita ao departamento de emergência ou hospitalização no período pós-operatório entre 0 e 12 meses diminuiu significativamente tanto para infecção cutânea e de tecido mole (aOR 0,85 [95 % IC 0.76-0.95]) como para infecção respiratória (aOR 0,82 [IC 95%: 0,75-0,90]) e manteve-se significativamente baixa no período pós-operatório de 13-24 meses (aOR 0,77 [IC 95%: 0,68-0,86] e 0,75 [ IC 95%: 0,68-0,82], respectivamente). Por outro lado, houve um aumento significativo do risco de infecção intra-abdominal (aOR 2,09 [IC 95% 1,78-2,46] e infecção do trato urinário (aOR 1,93 [IC 95% 1,74-2,15]) no período pós-operatório de 0 a 12 meses, e se manteve alto no período pós-operatório de 13 a 24 meses (aOR 1,29 [IC 95% 1,091,54] e aOR 1,31 [IC 95% 1,17-1,47], respectivamente). Os pesquisadores concluíram que houve um padrão divergente para o risco de quatro doenças infecciosas comuns após a cirurgia bariátrica, sendo que o risco por infecção cutânea e de tecido mole e infecção respiratória diminuiram após a cirurgia bariátrica, enquanto que a infecção intra-abdominal e do trato urinário aumentaram. Título original: Association of bariatric surgery with risk of infectious diseases: A selfcontrolled case series analysis Autores: Goto T, Hirayama A, Faridi MK, Camargo CA Jr, Hasegawa K.

Risco de resultados adversos para a gravidez em decorrência de cirurgia não obstétrica durante o período gestacional: estimativas de um estudo de coorte retrospectivo de 6,5 milhões de gestações

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Ann Surg. 2017 Aug;266(2):260-266

Estima-se que durante 1-2% das gestações há a ocorrência de alguma cirurgia não obstétrica. Contudo, as informações quanto aos riscos para a mãe ou para a gravidez devido a estes procedimentos ainda não foram completamente descritas. O objetivo deste estudo, publicado no Annals of Surgery, foi elaborar estimativas acerca do risco de resultado adverso para as mulheres submetidas à cirurgia não obstétrica durante a gravidez, em comparação àquelas que não realizaram nenhum procedimento cirúrgico durante a gestação. Para a realização deste estudo, os autores analisaram dados administrativos hospitalares entre 1º de abril de 2002 e 31 de março de 2012. Foram incluídas e analisadas informações de mulheres em período gestacional com admissões em maternidade para a realização de alguma cirurgia não obstétrica. Foram utilizados modelos de regressão logística para determinar o risco relativo ajustado, o risco atribuível e a relação do número de procedimentos cirúrgicos não obstétricos considerados prejudiciais para a ocorrência de resultados adversos ao nascimento. Foram identificadas um total de 6.486.280 gestações. Destas, houve registro de cirurgia não obstétrica em 47.628. Os resultados mostraram uma associação entre a cirurgia não obstétrica durante a gravidez e o risco aumentado de resultado adverso, no entanto, o risco atribuível foi relativamente baixo. Foram, ainda, calculadas as seguintes estimativas de associação: a) 1 morte fetal adicional para cada 287 procedimentos cirúrgicos; b) 1 parto pré-termo adicional para cada 31 cirurgias; c) 1 bebê adicional de baixo peso ao nascer para cada 39 cirurgias; d) 1 cesariana adicional para cada 25 cirurgias; e) 1 estadia de internação prolongada adicional para cada 50 cirurgias. Os pesquisadores concluíram que o risco associado à cirurgia não obstétrica é relativamente baixo, o que segundo os autores, confirma a segurança dos procedimentos cirúrgicos durante a gravidez. Os autores destacam ainda, que os achados do presente estudo fornecem evidências de referência para discussão com a paciente sobre a avaliação do risco. Título original: The Risk of Adverse Pregnancy Outcomes Following Nonobstetric Surgery During Pregnancy: Estimates From a Retrospective Cohort Study of 6.5 Million Pregnancies Autores: Balinskaite V, Bottle A, Sodhi V, Rivers A, Bennett PR, Brett SJ, Aylin P.

Associação entre trombose venosa residual e aterosclerose subclínica: um estudo transversal

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Thromb Res. 2017 Jun 29;157:16-19

Embora a literatura contemple muitos estudos com resultados isolados sobre o tromboembolismo venoso e eventos arteriais, a associação entre distúrbios trombóticos venosos e arteriais ainda não está completamente esclarecida. O objetivo deste estudo, publicado no Thrombosis Research, foi investigar a relação entre trombose venosa residual e a aterosclerose subclínica em uma coorte de pacientes com trombose venosa profunda proximal não provocada (ou associada a fatores de risco fracos). Trata-se de um estudo transversal e multicêntrico que avaliou pacientes consecutivos, com mais de 40 anos e sem distúrbios ateroscleróticos. Foram realizadas analises (por 2 avaliadores independentes) de ultrassom do sistema venoso de membros inferiores e das artérias carótidas, aproximadamente três meses após um episódio de trombose venosa profunda proximal. A presença de trombose venosa residual foi definida como a incompressibilidade de pelo menos 4 mm da veia femoral, poplítea ou ambas, e a aterosclerose subclínica como aumento superior a > 0,9 mm do complexo médiointimal (IMT) e/ou placas carotídeas. Foram avaliados um total de 252 pacientes com idade média de 67 anos, sendo que 53% eram homens. Destes, cerca de 77% apresentaram trombose venosa profunda proximal não provocada, e a presença de trombose venosa residual foi encontrada em 139 (55,2%) pacientes. Os resultados mostraram um aumento de IMT em 76 (54,7%) pacientes com trombose venosa residual e em 35 (31,0%) pacientes sem o mesmo diagnóstico (p <0,001). Além disso, pelo menos uma placa carotídea foi encontrada em 80 (57,6%) pacientes com trombose venosa residual e em 36 (31,9%) pacientes sem o diagnóstico (p <0,001). Após o ajuste das características da linha de base, o odds ratio da aterosclerose subclínica (aumento de IMT e/ou placas carotídeas) foi de 2,8 (IC 95%, 1,6 a 4,7). Os pesquisadores concluíram que há uma associação entre a trombose venosa residual e uma maior prevalência de aterosclerose subclínica em pacientes com um episódio de trombose venosa profunda proximal não provocada ou desencadeada por fatores de risco fracos, o que segundo os autores, pode ter implicações para o prognóstico do paciente. Título original: An association between residual vein thrombosis and subclinical atherosclerosis: Cross-sectional study Autores: Prandoni P, Ciammaichella M, Mumoli N, Zanatta N, Visonà A, Avruscio G, Camporese G, Bucherini E, Bova C, Imberti D, Benedetti R, Rossetto V, Noventa F, Milan M; Veritas Investigators.

Anormalidades na fibrinólise no momento da admissão estão associadas à trombose venosa profunda, mortalidade e incapacidade funcional em uma população de trauma pediátrico

18/10/2017 | Fonte: Fonte: J Trauma Acute Care Surg. 2017 Jan;82(1):27-34

Diversos estudos demonstram a associação entre anormalidades na fibrinólise e o aumento da mortalidade em adultos com traumas. Existem prognósticos alvos potenciais (hiperfibrinólise, HF; inibição da fibrinólise, IF) para o tratamento em pacientes adultos, mas esses distúrbios não são bem descritos em pacientes de trauma pediátrico. Trata-se de um ensaio prospectivo, que foi publicado no periódico Journal of Trauma and Acute Care Surgery, que contou com a participação de indivíduos entre 0 e 18 anos, admitidos para tromboelastografia, no período entre 1º de junho de 2015 e 31 de julho de 2016. A IF foi definida como LY30 (taxa de lise de 30 minutos após amplitude máxima) de 0,8% ou menos e a HF foi definida como LY30 de 3,0% ou superior. Foram consideradas variáveis de interesse para o estudo os dados demográficos, sinais vitais e valores laboratoriais na admissão, lesões, incidência de tromboembolismo venoso, morte e incapacidade funcional. O índice de Youden determinou a definição ótima de IF, seguidos da realização dos testes de Wilcoxon rank-sum, Kruskal-Wallis e Fisher. Foram incluídos no estudo cerca de 133 pacientes com idade média de 10 anos (intervalo interquartil [IQR], 5-13 anos), sendo que 5,4% eram do gênero masculino, com pontuação média de gravidade da lesão de 17 (IQR, 10-26); e 68% tinham mecanismo de trauma contuso. A análise de Youden definiu IF como LY30 de 0,8 ou menos. Na admissão, cerca de 38,3% (n = 51) dos pacientes apresentaram IF, 19,6% (n = 26) tiveram HF e outros 42,1% (n = 56) não apresentaram nenhum destes quadros. Os resultados indicaram uma taxa de mortalidade de 9,0% (n = 12) e incidência de trombose venosa profunda de 10,7% (n = 13/121). Houve associação da IF e da HF com a mortalidade (p = 0,014 e p = 0,021) e transfusão de sangue (p = 0,001 e p <0,001), assim como da IF com a incapacidade funcional (p <0,001) e a trombose venosa profunda (p = 0,002). Levando em consideração o mecanismo, o trauma contuso foi associado à IF e o trauma penetrante foi associado à HF (p = 0,011). Tanto IF (p = 0,001) quanto HF (p = 0,036) foram associados a uma elevada taxa internacional normalizada. No entanto, não houve diferença significativa entre LY30 entre os grupos etários. Os pesquisadores concluíram que crianças demonstram altas taxas de IF e HF após o trauma, com associação destes fatores a piores resultados. Segundo os autores, a IF é um indicador de prognóstico particularmente pior, que representa uma maior porcentagem de óbito, incapacidade funcional e transfusão sanguínea, além de desenvolvimento posterior de estado hipercoagulável. Os SP, 25/07/2017 autores sugerem ainda, que a incorporação de tromboelastografias aos protocolos pediátricos de cuidados traumáticos devem ser consideradas para contribuir com informações prognósticas e clínicas importantes. Título original: Abnormalities in fibrinolysis at the time of admission are associated with deep vein thrombosis, mortality, and disability in a pediatric trauma population. Autores: Leeper CM, Neal MD, McKenna C, Sperry JL, Gaines BA.

Efeito do controle de antibióticos sobre a incidência de infecção e colonização por bactérias resistentes a antibióticos e infecção por Clostridium difficile: uma revisão sistemática e meta-análise

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet Infect Dis. 2017 Jun 16. pii: S1473-3099(17)30325-0

Evidências sugerem resultados positivos tanto na redução do uso de antibióticos como nos custos hospitalares em decorrência de programas de controle e uso racional de antibióticos. Nesse sentido, o objetivo dos autores no presente estudo, publicado no The Lancet. Infectious Diseases, foi investigar as evidências do efeito do controle de antibióticos sobre a incidência de infecções e colonização por bactérias resistentes aos antibióticos. Para esta revisão sistemática e meta-análise, foram realizadas buscas nas bases de dados PubMed, the Cochrane Database of Systematic Reviews, the Cochrane Central Register of Controlled Trials, e Web of Science. Foram incluídos estudos publicados entre 1º de janeiro de 1960 a 31 de maio de 2016, que analisaram o efeito de programas de controle de antibióticos sobre a incidência de infecção e colonização por bactérias resistentes a antibióticos e infecções por Clostridium difficile em pacientes hospitalizados. Dois pesquisadores extraíram e avaliaram os dados de forma independente e atestaram a elegibilidade das evidências. Foram excluídos todos os estudos envolvendo instalações para cuidados prolongados. Foram considerados como resultados primários os índices de incidência (IRs) das infecções alvo e colonização por 1000 pacientes-dias antes e após a implantação do programa de controle de antibióticos. As meta-análises foram feitas com modelos de efeito aleatório e a heterogeneidade foi calculada com o método I2. O resultado da busca retornou o total de 32 estudos que atenderam aos critérios de inclusão, compreendendo 9.056.241 pacientes-dias e 159 estimativas de IRs. Os resultados mostraram que os programas de controle de antibióticos reduziram a incidência de infecções e colonização por bactérias Gram-negativas resistentes a múltiplos fármacos (redução de 51%; IR 0,49, IC 95%; 35-0,68; p <0,0001), bactérias Gram-negativas produtoras de beta-lactamase de espectro estendido (48%; 0,52, 0,27-0,98; p = 0,0428) e Staphylococcus aureus resistente à meticillina (37%; 0,63, 0,45-0,88; p = 0,0065), bem como a incidência de infecções por Clostridium difficile (32%; 0,68, 0,53-0,88; p = 0,0029). Os resultados também indicaram uma melhor eficácia dos programas de controle de antibióticos quando associados a outras medidas de controle de infecção (IR 0,69, 0,54-0,88; p = 0,0030), especialmente às intervenções de higiene das mãos (0,34, 0,21-0,54; P < 0,0001), do que quando implantado sozinho. No entanto, o programa de controle de antibióticos não afetou os IRs de enterococos resistentes à vancomicina e bactérias Gram-negativas resistentes à quinolonas e aminoglicosídeos. Também foi detectada uma heterogeneidade SP, 25/07/2017 significativa entre os estudos, o que foi parcialmente explicado pelos tipos de intervenções e padrões de co-resistência da bactéria alvo. Os pesquisadores concluíram que os programas de controle de antibióticos reduzem significativamente a incidência de infecções e colonização por bactérias resistentes aos antibióticos e infecções por Clostridium difficile em pacientes hospitalizados. Segundo os autores, esses resultados fornecem às partes interessadas e aos gestores públicos evidências para a implantação de intervenções de controle de antibióticos para reduzir a carga de infecções por bactérias resistentes aos antibióticos. Título original: Effect of antibiotic stewardship on the incidence of infection and colonisation with antibiotic-resistant bacteria and Clostridium difficile infection: a systematic review and meta-analysis. Autores: Baur D, Gladstone BP, Burkert F, Carrara E, Foschi F, Döbele S, Tacconelli E.

Tratamento multiprofissional da hipertensão arterial sistêmica em pacientes muito idosos

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Arquivos Brasileiros de Cardiologia. [online]. 2017, vol.108, n.1, pp.53-59

Indivíduos com mais de 80 anos, denominados muito idosos, são encontrados com uma frequência crescente com o envelhecimento da população mundial. Não há estudos com essa população avaliando a intervenção multidisciplinar no tratamento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) e algumas comorbidades associadas. O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi avaliar o efeito do tratamento multiprofissional em hipertensos muito idosos acompanhados em serviço especializado. Foi realizado um estudo de coorte longitudinal retrospectivo em serviço multidisciplinar para o tratamento de HAS do centro-oeste brasileiro. Incluídos pacientes com 80 anos ou mais em junho de 2015. Coletados dados da primeira (V1) e última consulta (Vf). Avaliadas variáveis antropométricas, pressão arterial (PA), função renal, medicamentos em uso, hábitos de vida, comorbidades e eventos cardiovasculares, comparando V1 com Vf. Foram considerados controlados os valores de PA inferiores a 140 mmHg para pressão sistólica e inferiores a 90 mmHg para a pressão diastólica. Análise estatística realizada com software SPSSR versão 21.0. Considerados significativos valores de p<0,05. Analisados 71 pacientes, com tempo médio de seguimento de 15,22 anos, 26,8% sexo masculino e idade média em V1 de 69,2 anos e, em Vf, de 84,53 anos. Houve uma redução significativa nos valores médios de PA sistólica (157,3 x 142,1 mmHg; p<0,001) e diastólica (95,1 x 77,8 mmHg; p<0,001), com aumento nas taxas de controle da PA entre V1 e Vf (36,6 x 83,1%; p<0,001). O número de drogas antihipertensivas se elevou (1,49 x 2,85; p<0,001), com incremento no uso de inibidores de ECA (22,5 x 46,5%; p=0,004), bloqueadores do receptor de angiotensina (4,2 x 35,2%; p<0,001) e bloqueadores dos canais de cálcio (18,3 x 67,6%; p<0,001). Houve uma redução nos valores de colesterol total (217,9 x 191 mg/dl; p<0,001) e LDL colesterol (139,6 x 119,0 mg/dl; p<0,001) e piora da taxa de filtração glomerular (62,5 x 45,4 ml/min; p<0,001). Os pesquisadores concluíram que a intervenção multiprofissional em pacientes hipertensos muito idosos reduziu os valores de PA e aumentou a taxa de controle da mesma, com uma otimização do tratamento medicamentoso. Uma resenha de: Tratamento Multiprofissional da Hipertensão Arterial Sistêmica em Pacientes Muito Idosos Autores: Jardim, Luciana Muniz Sanches Siqueira Veiga et al.

A cetoacidose diabética no diagnóstico do diabetes tipo 1 prediz um mau controle glicêmico de longo prazo

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Diabetes Care. 2017 Jun 30. pii: dc170558

Neste estudo, publicado no Diabetes Care, os autores tiveram como intuito investigar a hipótese de que a cetoacidose diabética (DKA) no diagnóstico de diabetes tipo 1 em crianças consegue predizer um mau controle glicêmico de longo prazo, independente dos fatores de risco estabelecidos. Trata-se de um estudo de coorte prospectivo realizado em 3.364 indivíduos residentes no Colorado, EUA, entre 1998-2012. Os indivíduos foram diagnosticados com diabetes tipo 1 antes dos 18 anos de idade e monitorados por até 15 anos. Dentre o total de participantes, cerca de 1.297 (39%) apresentaram DKA no diagnóstico (glicemia >250 mg/dL e pH venoso <7,3 ou bicarbonato <15 mEq/L). A gravidade da DKA foi classificada entre leve/moderada (pH 7,10 - 7,29 ou bicarbonato 5-14 mEq/L) e grave (pH <7,10 ou bicarbonato <5 mEq/L). Foram também realizadas análises dos níveis de HbA1c (2,8 vezes/ano - média de 20 HbA1c por paciente). O efeito da DKA sobre os níveis de HbA1c a longo prazo foi ajustado para idade, raça/etnia, sexo, história familiar de diabetes, seguro saúde e uso de bomba de insulina e, posteriormente, analisado por um modelo misto linear. Os resultados mostraram que a DKA no diagnóstico conseguiu predizer níveis persistentemente elevados de HbA1c. A HbA1c esteve cerca de 1,4% (15,3 mmol/mol) e 0,9% (9,8 mmol/mol) maior nas crianças com DKA grave e leve/moderada (P <0,0001), respectivamente, em comparação às crianças sem o diagnóstico de DKA. Esses efeitos, no entanto, foram independentes dos fatores “minorias étnicas” ou “falta de seguro saúde” no diagnóstico que, por sua vez, indicaram um aumento de 0,5% (5,5 mmol/mol; P <0,0001) e 0,2% (2,2 mmol/mol; P <0,0001) na HbA1c, respectivamente. Os resultados também mostraram que o uso de bomba de insulina ou o fato de ter um pai ou irmão com diabetes tipo 1 predisseram valores de HbA1c de longo prazo mais baixos, respectivamente, 0,4% (4,4 mmol/mol; P <0,0001) e 0,2% (2,2 mmol/mol; P = 0,01). Os pesquisadores concluíram que a DKA no diagnóstico de diabetes tipo 1 em crianças prediz um mau controle glicêmico em longo prazo, independente de fatores demográficos e socioeconômicos. Título original: Diabetic Ketoacidosis at Diagnosis of Type 1 Diabetes Predicts Poor Long-term Glycemic Control. Autores: Duca LM, Wang B, Rewers M, Rewers A.

A restrição calórica prolongada suprime o desejo intenso geral e específico por alimentos: uma revisão sistemática e uma meta-análise

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Obes Rev. 2017 May 30. [Epub ahead of print]

A literatura apresenta resultados controversos da restrição calórica, durante pelo menos 12 semanas, sobre o desejo intenso de alimentos, de modo que há relatos tanto sobre a redução bem como o aumento da ânsia por alimentos associados à restrição. Nesse sentido, o objetivo dos autores neste estudo, publicado no Obesity Reviews, foi abordar essa divergência de resultados em uma revisão sistemática e meta-análise. Foram realizadas buscas na literatura por estudos conduzidos em indivíduos obesos, nos quais foram realizadas intervenções de restrição calórica por pelo menos 12 semanas, e que verificaram a ingestão de alimentos pré e pós-intervenção. Foram analisados estudos que utilizaram, principalmente, o questionário de desejos intensos por comida (Food Craving Inventary), além de outros estudos cujos métodos comparáveis foram convertidos em uma escala similar. As análises tiveram como base estudos com duração >12 semanas, mas próximos de 16 semanas para estudos com múltiplos acompanhamentos. Foram aplicadas meta-análises de efeitos aleatórios DerSimonian-Laird usando o pacote 'metafor' em software r. Os resultados mostraram que houve reduções nos efeitos agrupados nos desejos de alimentos em geral (-0,246 [-0,490, -0,001]), bem como nos desejos específicos a doces (-0,410 [-0,626, -0,194]), alimentos com alto teor de gordura (-0,190 [-0,343, 0,037]), amido (-0,288 [-0,517, -0,058]) e fast food (-0,340 [-0,633, -0,048]). Os resultados também indicaram uma heterogeneidade entre os estudos. Dentre os fatores que explicam a heterogeneidade estão inclusos o peso corporal na linha de base, tipo de intervenção, duração, tamanho da amostra e porcentagem de mulheres. Os pesquisadores concluíram que houve uma associação entre a redução do desejo intenso por alimentos e a restrição calórica. Segundo os autores, os resultados do presente estudo minimiza a preocupação dos profissionais de saúde em relação ao aumento do desejo intenso por alimentos em pacientes submetidos a intervenções de restrição calórica. Título original: Extended calorie restriction suppresses overall and specific food cravings: a systematic review and a meta-analysis Autores: Kahathuduwa CN, Binks M, Martin CK, Dawson JA.

Comparação de algoritmos de aprendizagem de máquina para construir um modelo preditivo para detecção de diabetes não diagnosticada - ELSA-Brasil: estudo de acurácia

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Sao Paulo Med. J. [online]. 2017, vol.135, n.3, pp.234-246.

Diabetes tipo 2 é uma doença crônica associada a graves complicações de saúde, causando grande impacto na saúde global. O objetivo deste estudo, publicado no Sao Paulo Medical Journal, foi desenvolver e validar modelos preditivos para detectar diabetes não diagnosticada utilizando dados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) e comparar o desempenho de diferentes algoritmos de aprendizagem de máquina. Foi realizada uma comparação de algoritmos de aprendizagem de máquina para o desenvolvimento de modelos preditivos utilizando dados do ELSA-Brasil. Após selecionar 27 variáveis candidatas a partir da literatura, modelos foram construídos e validados em 4 etapas sequenciais: (i) afinação de parâmetros com validação cruzada (10-fold cross-validation); (ii) seleção automática de variáveis utilizando seleção progressiva, estratégia “wrapper” com quatro algoritmos de aprendizagem de máquina distintos e validação cruzada para avaliar cada subconjunto de variáveis; (iii) estimação de erros dos parâmetros dos modelos com validação cruzada; e (iv) teste de generalização em um conjunto de dados independente. Os modelos foram criados com os seguintes algoritmos de aprendizagem de máquina: regressão logística, redes neurais artificiais, naïve Bayes, K vizinhos mais próximos e floresta aleatória. Os melhores modelos foram criados utilizando redes neurais artificiais e regressão logística alcançando, respectivamente, 75,24% e 74,98% de média de área sob a curva na etapa de estimação de erros e 74,17% e 74,41% na etapa de teste de generalização. Os pesquisadores concluíram que a maioria dos modelos preditivos produziu resultados semelhantes e demonstrou a viabilidade de identificar aqueles com maior probabilidade de ter diabetes não diagnosticada com dados clínicos facilmente obtidos. Título original: Comparação de algoritmos de aprendizagem de máquina para construir um modelo preditivo para detecção de diabetes não diagnosticada - ELSABrasil: estudo de acurácia Autores: Olivera, André Rodrigues et al.

Padrão lipídico discordante e placa aterosclerótica carotídea. Importância do colesterol remanescente

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.108, n.6, pp.526-532

Indivíduos com níveis de não HDL-C excedendo em 30 mg/dl aqueles de LDL-C (discordância lipídica) ou com altos níveis de colesterol remanescente poderiam ter maior risco cardiovascular residual. O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi determinar a prevalência de discordância lipídica em uma população de prevenção primária e analisar as variáveis clínicas com ela associadas; e investigar a associação de discordância lipídica e colesterol remanescente calculado com a presença de placa carotídea. Pacientes de prevenção primária sem diabetes ou sem terapia hipolipemiante foram incluídos. Independentemente do nível de LDL-C, definiu-se “discordância lipídica” como um valor de não HDL-C excedendo em 30 mg/dl aquele de LDL-C. Calculou-se o colesterol remanescente como colesterol total menos HDL-C menos LDL-C na presença de triglicerídeos < 4,0 mmol/l. Usou-se ultrassom para avaliar a presença de placa carotídea. Modelos de regressão logística múltipla foram construídos. Este estudo incluiu 772 pacientes (idade média, 52 ± 11 anos; 66% mulheres). A prevalência de discordância lipídica foi de 34%. Sexo masculino e índice de massa corporal mostraram associação independente com padrão lipídico discordante. A prevalência de placa carotídea foi maior em indivíduos com discordância lipídica (40,2% vs. 29,2; p = 0,002). A análise multivariada mostrou associação do padrão lipídico discordante com maior probabilidade de placa carotídea (OR: 1,58; IC95%: 1,08-2,34; p = 0,02). Da mesma forma, identificou-se uma significativa associação entre colesterol remanescente calculado e placa carotídea. Os pesquisadores concluíram que discordância lipídica e presença de nível mais alto de colesterol remanescente calculado acham-se associados com aterosclerose subclínica. Nossos achados podem ser usados para aprimorar a avaliação de risco cardiovascular residual. Título original: Padrão Lipídico Discordante e Placa Aterosclerótica Carotídea. Importância do Colesterol Remanescente Autores: Masson, Walter; Lobo, Martín; Molinero, Graciela e Siniawski, Daniel.

Detecção de câncer de próstata e calcificações prostáticas por imagens de ressonância magnética avançada

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Asian J Androl. 2017 Jul-Aug;19(4):439-443

Diversos estudos apontam uma elevada incidência de câncer de próstata e calcificações prostáticas entre homens idosos. Portanto, o objetivo deste estudo, publicado no Asian Journal of Andrology, foi avaliar as capacidades de diagnóstico da imagem ponderada em suscetibilidade na detecção de câncer de próstata e calcificações prostáticas. Para a realização deste estudo, foram incluídos cerca de 156 homens, dos quais 34 apresentavam câncer de próstata e 122 tinham hiperplasia benigna da próstata. Todos os pacientes realizaram procedimentos de tomografia computadorizada, ressonância magnética convencional, imagem ponderada por difusão e imagem ponderada em suscetibilidade. Foram detectadas 130 calcificações prostáticas em 87 pacientes. As sensibilidades e especificidades da imagem de ressonância magnética convencional foram calculadas, assim como o coeficiente de difusão aparente e imagens de fase filtrada em susceptibilidade na detecção de câncer de próstata e calcificações prostáticas. O teste qui-quadrado foi usado para comparar as diferenças nas sensibilidades e especificidades entre as técnicas. As análises indicaram uma superioridade na sensibilidade e especificidade das imagens de fase filtrada em susceptibilidade para a detecção de câncer de próstata em relação à imagem de ressonância magnética convencional e do coeficiente de difusão aparente (P <0,05). Além disso, a sensibilidade e a especificidade das imagens de fase filtrada em susceptibilidade na detecção de calcificações prostáticas foram comparáveis à da tomografia computadorizada e maiores do que a ressonância magnética convencional e o coeficiente de difusão aparente (P <0,05). Os pesquisadores concluíram que a imagem ponderada em suscetibilidade é mais sensível e específica do que a imagem de ressonância magnética convencional, imagem ponderada por difusão e tomografia computadorizada na detecção de câncer de próstata. Segundo os autores, a imagem ponderada em suscetibilidade pode identificar calcificações prostáticas similares à tomografia computadorizada, além de ser muito melhor do que a imagem convencional de ressonância magnética e a imagem ponderada por difusão. Título original: Detecting prostate cancer and prostatic calcifications using advanced magnetic resonance imaging Autores: Dou S, Bai Y, Shandil A, Ding D, Shi D, Haacke EM, Wang M.

Curva de aprendizagem na interpretação da ressonância magnética da próstata: aprendizagem autodirigida versus feedback contínuo

18/10/2017 | Fonte: Fonte: AJR Am J Roentgenol. 2017 Mar;208(3):W92-W100

O objetivo deste estudo, publicado no American Journal of Roentgenology, foi investigar o comportamento da aprendizagem autodirigida e do feedback contínuo na curva de aprendizado para a detecção de tumores por radiologistas incipientes da ressonância magnética (RM) da próstata. Para a realização deste estudo, os autores selecionaram um total de 124 exames de ressonância prostática com tumor detectável. Os exames foram classificados como positivos (n = 52; lesão única com nódulo PI-RADS categoria 3 ou lesão maior apresentando escore de Gleason > 7 em biópsia guiada por RM); ou negativos (n = 72; PI-RADS categoria 2 ou lesões menores ou negativas). Os exames foram divididos em quatro lotes de tamanho igual, cada um contendo números correspondentes de exames positivos e negativos. Em seguida, 6 residentes do segundo ano de radiologia examinaram os dados para localizar os tumores. Três dos 6 residentes receberam feedback após cada exame mostrando a solução do caso anterior. A curva de aprendizagem (precisão ao longo do tempo) foi avaliada pelo critério de informação Akaike (AIC). Também foram realizadas análises de regressão logística e ANOVA com modelo misto. Os resultados mostraram que houve uma melhora inicial rápida com a curva de aprendizado para ambos os tipos de leitores (com e sem feedback), que por sua vez, diminuiu após 40 exames (alteração na AIC > 0,2%). A precisão melhorou de 58,1% (lote 1) para 71,0-75,3% (lotes 2-4) entre os leitores sem feedback e de 58,1% para 72,0-77,4% para os leitores com feedback (p = 0,027-0,046), porém, não houve diferença na extensão da melhoria (P = 0,800). A especificidade melhorou de 53,7% para 68,5-81,5% e de 55,6% para 74,1-81,5% (p = 0,006-0,010) entre os leitores sem e com feedback, respectivamente, no entanto também não houve diferença na extensão de melhoria (p = 0,891). Por outro lado, a sensibilidade melhorou de 59,0-61,5% (lotes 1-2) para 71,8-76,9% (lotes 3-4) entre os leitores com feedback (p = 0,052), contudo não houve melhora entre aqueles sem feedback (p = 0,602). A sensibilidade para os tumores da zona de transição apresentou variações significativamente maiores (p = 0,024) para os leitores com feedback, embora a sensibilidade para os tumores da zona periférica não tenha melhorado em nenhum dos grupos (p > 0,3). A confiança do leitor aumentou apenas entre aqueles com feedback (p < 0,001). Os pesquisadores concluíram que a curva de aprendizado na detecção do tumor da próstata refletiu, em grande parte, na aprendizagem autodirigida, sendo que o feedback contínuo teve um efeito menor. Segundo os autores, os resultados do presente estudo sugerem a necessidade de importante cautela na interpretação clínica da RM da próstata por radiologistas iniciantes. Título original: The Learning Curve in Prostate MRI Interpretation: Self-Directed Learning Versus Continual Reader Feedback Autores: Rosenkrantz AB, Ayoola A, Hoffman D, Khasgiwala A, Prabhu V, Smereka P, Somberg M, Taneja SS.

Comportamento sedentário no ambiente de trabalho e risco de câncer de mama

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Acta Oncol. 2017 Jan;56(1):75-80

A literatura apresenta dados consistentes da associação entre a prática de atividade física e o risco reduzido de desenvolvimento de câncer de mama. No entanto, evidências recentes sugerem que o comportamento sedentário pode ser um fator de risco independente do nível de atividade física. O objetivo do presente estudo, publicado no Acta Oncologica, foi analisar a associação entre o sedentarismo em ambiente de trabalho e o risco de câncer de mama em mulheres pré e pós-menopáusicas. Trata-se de um estudo de coorte prospectivo que analisou por meio de questionários, os dados sobre o histórico de trabalho de 29.524 mulheres entre 1990 e 1992. As participantes foram classificadas como tendo: 1) ocupações sedentárias apenas; 2) ocupações mistas ou 3) ocupações não sedentárias apenas. A associação entre sedentarismo no ambiente de trabalho e incidência de câncer de mama foi analisada pela regressão de Cox, ajustada por fatores de risco conhecidos e participação em esportes competitivos. Os resultados mostraram um risco significativamente elevado de câncer de mama nas mulheres com história de sedentarismo no trabalho (HR ajustada 1,20, IC 95% 1,05, 1,37) em comparação com aquelas com ocupação laboral mista ou não sedentária. A associação foi mais forte entre as mulheres com menos de 55 anos (HR ajustada 1,54, IC 95% 1,20, 1,96), enquanto nenhuma associação foi observada em mulheres com 55 anos ou mais. O ajuste para a participação em esportes competitivos não alterou a associação. Os pesquisadores concluíram que houve uma associação entre o sedentarismo no ambiente de trabalho e o aumento do risco de câncer de mama, especialmente em mulheres com idade inferior a 55 anos. Segundo os autores, este pode ser um fator de risco modificável ao planejar pausas específicas durante o trabalho, no entanto mais estudos são necessários para elucidar se essa estratégia reduziria o risco de câncer de mama. Título original: Occupational sedentariness and breast cancer risk Autores: Johnsson A, Broberg P, Johnsson A, Tornberg ÅB, Olsson H.

Prevalência e fatores de risco para neuropatia diabética periférica em jovens com diabetes tipo 1 e tipo 2: estudo SEARCH for Diabetes in Youth

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Diabetes Care. 2017 Jul 3. pii: dc170179

O objetivo deste estudo, publicado no Diabetes Care, foi investigar tanto a prevalência quanto os fatores de risco para a neuropatia diabética periférica em jovens com diabetes tipo 1 (T1D) e diabetes tipo 2 (T2D) pertencentes ao estudo SEARCH for Diabetes in Youth. Foram avaliados cerca de 1.992 jovens com diagnóstico de neuropatia diabética (avaliado pelo MNSI - Michigan Neuropathy Screening Instrument), sendo que 1.734 apresentavam diabetes tipo 1 (idade 18 ± 4 anos, duração do diabetes 7,2 ± 1,2 anos e HbA1c 9,1 ± 1,9%) e 258 jovens tinham diabetes tipo 2 (idade 22,0 ± 3,5 anos, duração do diabetes 7,9 ± 2 anos e HbA1c 9,4 ± 2,3%). Foram incluídos os participantes do estudo SEARCH que tinham duração do diabetes igual ou superior a 5 anos. A neuropatia diabética periférica foi caracterizada a partir de um escore MNSI > 2. O controle glicêmico foi estimado com base na área sob a curva da HbA1c. Os resultados indicaram uma prevalência de neuropatia diabética periférica em 7% dos jovens com diabetes tipo 1 e em 22% dos jovens com diabetes tipo 2. Os fatores de risco para neuropatia diabética periférica naqueles com diabetes tipo 1 foram: idade mais avançada, maior duração do diabetes, tabagismo, aumento da pressão arterial diastólica, obesidade, aumento do colesterol LDL e triglicerídeos, e menor colesterol HDL (HDL-c). Nos jovens com diabetes tipo 2, os fatores de risco foram idade avançada, sexo masculino, maior duração do diabetes, tabagismo e menor HDL-c. Os resultados também mostraram um pior controle glicêmico nos pacientes com neuropatia diabética periférica em comparação com aqueles sem o diagnóstico de neuropatia que apresentavam diabetes tipo 1 (odds ratio 1,53 [IC 95% 1,24; 1,88]), mas não para aqueles com diabetes tipo 2 (1,05 [0,7; 1,56]). Os pesquisadores concluíram que a alta taxa de neuropatia diabética periférica entre os jovens com diabetes é motivo de preocupação e sugerem a necessidade da realização de uma triagem precoce e melhor gerenciamento de fatores de risco. Segundo os autores, as intervenções em jovens com controle glicêmico ruim e quadro de dislipidemia podem prevenir ou atrasar as complicações neuropáticas debilitantes. Título original: Prevalence of and Risk Factors for Diabetic Peripheral Neuropathy in Youth With Type 1 and Type 2 Diabetes: SEARCH for Diabetes in Youth Study Autores: Jaiswal M, Divers J, Dabelea D, Isom S, Bell RA, Martin CL, Pettitt DJ, Saydah S, Pihoker C, Standiford DA, Dolan LM, Marcovina S, Linder B, Liese AD, Pop-Busui R, Feldman EL.

A obesidade durante a gestação afeta as concentrações de esteroides sexuais conforme o gênero do feto

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Int J Obes (Lond). 2017 Jul 5. doi: 10.1038/ijo.2017.159

A literatura ainda não apresenta dados consistentes sobre o efeito da obesidade materna, em relação ao gênero do feto, sobre o metabolismo dos hormônios esteroides sexuais durante a gestação. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no International Journal of Obesity, foi avaliar as concentrações de esteroides sexuais e a expressão de enzimas esteroidogênicas em células placentárias de mulheres grávidas obesas ou não, com gravidez não patológica, bem como a influência do gênero fetal nesses parâmetros. Foram selecionadas para participar do estudo um total de 35 mulheres com peso corporal considerado normal (IMC 20-24,9 kg/m2 - controles) e 36 mulheres com IMC entre 30-36 kg/m2 (obesas). Foi coletada uma amostra de sangue em jejum no primeiro e no terceiro trimestre de gestação para avaliar os seguintes parâmetros: a) progesterona, b) desidroepiandrosterona (DHEA), c) sulfato de DHEA (DHEAS), d) androstenediona, e) testosterona e estradiol por LC-MS/MS, f) estrona por RIA. Analises de PCR e Western Blot foram realizadas em amostras placentárias de um subgrupo de mulheres para avaliação do RNAm placentário e da expressão proteica de enzimas esteroidogênicas. As comparações foram feitas principalmente entre controles e obesas e, em seguida, separadamente de acordo com o gênero fetal. Os resultados mostraram menores concentrações de progesterona sérica e maior concentração de testosterona nas mulheres obesas no primeiro e no terceiro trimestres de gestação (P <0,05, respectivamente). Com relação ao sexo fetal, os níveis de progesterona foram mais baixos nas gestantes obesas com fetos do sexo masculino no primeiro trimestre e com fetos femininos no terceiro trimestre (P <0,05, respectivamente). A testosterona, por sua vez, foi maior em mulheres obesas com fetos masculinos em comparação com mulheres controle com fetos masculinos (P <0,05). A expressão da proteína placentária P450scc foi maior nas mulheres obesas comparadas ao grupo controle (P <0,05). A aromatase P450 foi maior em mulheres obesas com fetos femininos (P = 0,009) e menor em mulheres obesas com fetos masculinos, em relação às mulheres controle (P = 0,026). Os pesquisadores concluíram que a obesidade em gestações não patológicas altera as concentrações séricas de progesterona e testosterona dependendo do gênero fetal. De acordo com os autores, essas mudanças podem ser atribuídas a adaptações placentárias relacionadas ao gênero, pois a expressão de aromatase P450 é diferente em placentas de fetos femininos e masculinos. Título original: Obesity during pregnancy affects sex steroid concentrations depending on fetal gender Autores: Maliqueo M, Cruz G, Espina C, Contreras I, García M, Echiburú B, Crisosto N.

Redução do risco de morte súbita na insuficiência cardíaca

18/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Jul 6;377(1):41-51

Evidências recentes sugerem que houve mudanças ao longo do tempo no risco de morte súbita em pacientes com insuficiência cardíaca sintomática e fração de ejeção reduzida. Tais mudanças, por sua vez, teriam como principal fator a admissão e administração de certos medicamentos, como por exemplo, inibidores da enzima conversora da angiotensina, bloqueadores dos receptores da angiotensina, betabloqueadores e antagonistas dos receptores de mineralcorticoides. O objetivo deste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, foi investigar, em detalhes, a relação entre a introdução destes medicamentos e a redução no risco de morte súbita em pacientes com insuficiência cardíaca. Para a realização deste estudo, foram analisados os dados de 40.195 pacientes registrados em algum dos 12 ensaios clínicos abordados neste estudo, no período de 1995 a 2014. Foram incluídos os pacientes com insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida e excluídos aqueles com cardioversor desfibrilador implantável. Foram realizadas análises de regressão multivariada ponderadas e modelos de regressão de Cox para avaliar tendências nas taxas de morte súbita ao longo do tempo e as razões de risco ajustada para morte súbita em cada grupo experimental. As taxas de incidência cumulativa de morte súbita foram avaliadas em diferentes pontos do tempo, após a randomização e de acordo com o período entre o diagnóstico de insuficiência cardíaca e a randomização. Os resultados indicaram relatos de morte súbita em 3.583 pacientes, destes a maioria eram homens e mais velhos do que os pacientes sem evento de morte súbita. Para esta mesma comparação, os pacientes que tiveram morte súbita apresentaram, ainda, uma causa isquêmica de insuficiência cardíaca e pior função cardíaca. As análises mostraram queda de 44% na taxa de morte súbita (P = 0,03). A incidência cumulativa de morte súbita aos 90 dias após a randomização foi de 2,4% no primeiro ensaio clínico e de 1,0% no ensaio mais recente. A taxa de morte súbita não foi maior entre os pacientes com diagnóstico recente de insuficiência cardíaca comparada àqueles com diagnóstico mais antigo. Os pesquisadores concluíram que houve uma redução substancial nas taxas de morte súbita ao longo do tempo entre os pacientes ambulatoriais com insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida. Segundo os autores, estes resultados corroboram o benefício cumulativo baseados em evidências sobre a ação de medicamentos sobre esta causa de morte. Título original: Declining Risk of Sudden Death in Heart Failure Autores: Shen L, Jhund PS, Petrie MC, Claggett BL, Barlera S, Cleland JGF, Dargie HJ, Granger CB, Kjekshus J, Køber L, Latini R, Maggioni AP, Packer M, Pitt B, Solomon SD, Swedberg K, Tavazzi L, Wikstrand J, Zannad F, Zile MR, McMurray JJV.

Dosagem pós-operatória precoce de paratormônio e prognóstico, após paratireoidectoma total por hiperparatireoidismo secundário

18/10/2017 | Fonte: Fonte: J. Bras. Nefrol. [online]. 2017, vol.39, n.2, pp.135-140

Em pacientes renais crônicos dialíticos submetidos à paratireoidectomia total com autoenxerto, existe a possibilidade de uma glândula paratireoide hiperplásica residual. O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Nefrologia, foi verificar se a medida pós-operatória precoce do hormônio da paratireoide (PTH) após paratireoidectomia total com autoenxerto é útil para indicar uma glândula paratireoide residual ou supranumerária hiperplásica em pacientes dialíticos. Em uma coorte prospectiva de pacientes em diálise submetidos a paratireoidectomia foi medido o PTH até uma semana após à operação. O valor absoluto e o decréscimo relativo foram analisados de acordo com o desfecho clínico de controle satisfatório do hiperparatireoidismo ou persistência. Em 51 casos, o PTH preoperatório variou entre 425 e 6.964pg/mL (mediana 2.103pg/mL). No pós-operatório, o PTH foi indetectável em 28 casos (54,9%). Em 8 indivíduos (15,7%), o PTH foi menor que 16pg/mL, em 10 (19,6%) os valores de PTH estiveram entre 16 e 87pg/mL e em 5 (9.8%), o PTH foi superior a 87pg/mL. O PTH indetectável foi mais comum em pacientes com valor de PTH pré-operatório abaixo da mediana do PTH dos casos (p = 0,0002). Houve correlação significativa entre o PTH pré-operatório e o PTH pós-operatório precoce (Spearman R = 0,42, p = 0,002). Um decréscimo relativo superior a 95% associou-se a desfecho clínico satisfatório. O decréscimo relativo inferior a 80% associou-se à doença persistente, apesar de hipocalcemia inicial. Os pesquisadores concluíram que a dosagem do PTH nos primeiros dias após à paratireoidectomia em pacientes dialíticos pode sugerir bom desfecho clínico quando há um decréscimo de pelo menos 95% em relação ao valor pré-operatório. O decréscimo inferior a 80% é indicativo de tecido paratireóideo residual com persistência do hiperparatireoidismo e uma reintervenção precoce pode ser considerada. Título original: Dosagem pós-operatória precoce de paratormônio e prognóstico, após paratireoidectoma total por hiperparatireoidismo secundário Autores: Nascimento Junior, Climério Pereira do et al.

Benefício Cardiovascular Esperado pela Redução do Colesterol Plasmático com ou sem Metas de LDL-C em Indivíduos Saudáveis de Risco Cardiovascular mais Elevado

18/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.108, n.6, pp.518-525

Há controvérsias sobre se o controle do colesterol plasmático deve ou não se basear em metas de concentração de colesterol LDL (LDL-c). O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi comparar o impacto estimado de diferentes estratégias hipolipemiantes, baseadas ou não em metas de LDL-c, sobre o risco de eventos cardiovasculares maiores em uma população de risco cardiovascular mais elevado. Foram incluídos indivíduos consecutivamente submetidos a uma avaliação rotineira de saúde em um único centro e que apresentavam um risco em 10 anos de doença cardiovascular aterosclerótica (DCVAS) > 7,5% (“pooled cohort equations”, ACC/AHA, 2013). Para cada indivíduo, foram simuladas duas estratégias baseadas em meta de LDL-c (< 100 mg/dL [Emeta-100] ou < 70 mg/dL [Emeta-70]) e duas estratégias baseadas em redução percentual do LDL-c (30% [E30%] ou 50% [E50%]). Em 1.897 indivíduos (57 ± 7 anos, 96% homens, risco em 10 anos de DCVAS 13,7 ± 7,1%), o LDL-c seria reduzido de 141 ± 33 mg/dL para 99 ± 23 mg/dL na E30%, 71 ± 16 mg/dL na E50%, 98 ± 9 mg/dL na Emeta-100 e 70 ± 2 mg/dL na Emeta-70. O risco em 10 anos de DCVAS seria reduzido para 8,8 ± 4,8% na E50% e para 8,9 ± 5,2 na Emeta-70. O número de eventos cardiovasculares maiores prevenidos em 10 anos por 1.000 indivíduos seria de 32 na E30%, 31 na Emeta-100, 49 na E50% e 48 na Emeta-70. Em comparação com a Emeta-70, a E50% evitaria mais eventos no tercil inferior de LDL-c e menos eventos no tercil superior de LDL-c. Os pesquisadores concluíram que as abordagens hipolipemiantes mais agressivas simuladas neste estudo, com base em meta de LDL-c ou redução percentual, podem potencialmente prevenir cerca de 50% mais eventos cardiovasculares graves na população em comparação com os tratamentos menos intensivos. Os níveis basais de LDL-c determinam qual estratégia (baseada ou não em meta de LDL-c) é mais apropriada para cada indivíduo. Título original: Benefício Cardiovascular Esperado pela Redução do Colesterol Plasmático com ou sem Metas de LDL-C em Indivíduos Saudáveis de Risco Cardiovascular mais Elevado Autores: Cesena, Fernando Henpin Yue et al.

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Poluição do ar e mortalidade na população usuária de serviços de saúde (Medicare)

20/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Jun 29;376(26):2513-2522

A associação entre a exposição prolongada à poluição do ar e o aumento da taxa mortalidade tem sido consistentemente reportada na literatura. No entanto, há poucas evidências desta associação com relação aos níveis de poluição atmosférica abaixo dos padrões atuais recomendados pelo National Ambient Air Quality Standards. Além disso, estudos anteriores avaliaram populações predominantemente urbanas e não possuíam poder estatístico para estimar os efeitos na saúde em grupos sub-representados. Neste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, os autores avaliaram todos os beneficiários do programa de saúde Medicare (60.925.443 pessoas) nos Estados Unidos, entre 2000 e 2012, totalizando 460.310.521 pessoas-ano de acompanhamento. Foram realizadas estimativas médias anuais de material particulado (partículas com diâmetro aerodinâmico médio de massa inferior a 2,5 µm [PM2.5]) e ozônio. Essas medidas foram feitas de acordo com o CEP de residência para cada indivíduo inscrito no programa Medicare com o uso de modelos de predição previamente validados. Também foram realizadas estimativas do risco de morte associado à exposição a aumentos de 10 µg/m3 para PM2.5 e aumentos de 10 partes por bilhão (ppb) para o ozônio. Estas estimativas foram realizadas por meio de modelos de riscos proporcionais de Cox para os dois poluentes, ajustado para características demográficas, elegibilidade para Medicaid e covariáveis de nível da área. Os resultados estimaram uma associação entre aumentos de 10 µg/m3 de PM2.5 e de 10 ppb no ozônio com aumentos na mortalidade por todas as causas de 7,3% (intervalo de confiança de 95% [IC], 7,1 a 7,5) e 1,1% (IC 95% 1,0 a 1,2), respectivamente. Quando a análise foi restrita a pessoas-ano com exposição a PM2.5 de menos de 12 µg/m3 e ozônio com menos de 50 ppb, os mesmos aumentos em PM2.5 e ozônio foram associados com aumentos no risco de morte de 13,6% (IC 95%, 13,1 a 14,1) e 1,0% (IC 95%, 0,9 a 1,1), respectivamente. Para PM2.5, o risco de morte entre homens, negros e indivíduos com elegibilidade para Medicaid foi maior do que no restante da população estudada. Os pesquisadores concluíram que em toda a população do Medicare, houve evidências significativas de efeitos adversos relacionados à exposição a PM2.5 e ozônio em concentrações abaixo dos padrões nacionais atuais. Segundo os autores, esse efeito foi mais evidente entre minorias raciais autoidentificadas e pessoas com baixa renda. Uma resenha de: Air Pollution and Mortality in the Medicare Population Autores: Di Q, Wang Y, Zanobetti A, Wang Y, Koutrakis P, Choirat C, Dominici F, Schwartz JD.

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Mutações associadas ao câncer na endometriose sem câncer

20/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 May 11;376(19):1835-1848. doi: 10.1056

A endometriose, definida como a presença de estroma e epitélio endometrial ectópico, afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva e pode causar dor pélvica e infertilidade. As lesões endometriais são consideradas lesões inflamatórias benignas, mas possuem características parecidas com o câncer, tais como invasão local e resistência à apoptose. Neste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, foram analisadas as lesões de endometriose profunda infiltrativa de 27 pacientes por meio de sequenciamento completo do exoma (24 pacientes) ou sequenciamento direcionado a genes de mutações cancerígenas (3 pacientes). As mutações foram validadas com o uso de métodos genômicos digitais em epitélio e estroma microdissecados. Os componentes epiteliais e de estroma das lesões de 12 pacientes adicionais foram analisados por meio de um ensaio digital de reação em cadeia da polimerase (PCR) de gotículas para mutações ativadoras KRAS recorrentes. O sequenciamento do exoma revelou mutações somáticas em 19 dos 24 pacientes (79%). Cinco pacientes albergavam mutações cancerígenas conhecidas em ARID1A, PIK3CA, KRAS ou PPP2R1A, que foram validadas pelo Sistema de Sequenciamento Seguro ou análise imuno-histoquímica. A probabilidade de os genes mutacionais serem afetados nessa taxa na ausência de seleção foi estimada em P = 0,001 (teste binomial). O sequenciamento direcionado e um teste de PCR digital de gotículas identificaram mutações KRAS em 2 dos 3 pacientes e 3 dos 12 pacientes, respectivamente, com mutações no epitélio, mas não no estroma. Um paciente apresentou duas mutações KRAS diferentes, c.35G ? T e c.35G ? C, e outra carregou mutações idênticas KRAS c.35G ? A em três lesões distintas. Os pesquisadores descobriram que as lesões de endometriose profunda infiltrativa, que estão associadas a praticamente nenhum risco de transformação maligna, apresentam genes mutantes cancerígenos. Dez de 39 lesões de endometriose profunda infiltrativa (26%) portavam mutações; todas as mutações somáticas testadas pareciam estar confinadas ao compartimento epitelial das lesões endometrióticas. Uma resenha de: Cancer-Associated Mutations in Endometriosis without Cancer. Autores: Anglesio MS, Papadopoulos N, Ayhan A, Nazeran TM, Noë M, Horlings HM, Lum A, Jones S, Senz J, Seckin T, Ho J, Wu RC, Lac V, Ogawa H, Tessier-Cloutier B, Alhassan R, Wang A, Wang Y, Cohen JD, Wong F, Hasanovic A, Orr N, Zhang M, Popoli M, McMahon W, Wood LD, Mattox A, Allaire C, Segars J, Williams C, Tomasetti C, Boyd N, Kinzler KW, Gilks CB, Diaz L, Wang TL, Vogelstein B, Yong PJ, Huntsman DG, Shih IM.

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Associação entre inflamação subclínica, hemoglobina glicada e risco de apneia obstrutiva do sono

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.2, pp.136-140.

O objetivo deste estudo, publicado no Einstein (São Paulo), foi investigar a inter-relação entre proteína C-reativa de alta sensibilidade e hemoglobina glicada na predição do risco de apneia obstrutiva do sono. Foram incluídos todos os indivíduos participantes do programa de check-up do Centro de Medicina Preventiva Hospital Israelita Albert Einstein em 2014. Foi aplicado o questionário de Berlin sobre risco de apneia do sono, e avaliadas as dosagens de hemoglobina glicada e proteína C-reativa de alta sensibilidade. Foram incluídos 7.115 participantes (idade 43,4±9,6 anos, 24,4% mulheres). A prevalência de alteração no questionário de Berlin foi de 434 (6,1%). A alteração do questionário de Berlin associou-se positivamente aos resultados da proteína C-reativa de alta sensibilidade e da hemoglobina glicada (p<0,001). No entanto, apenas a associação entre o resultado do questionário de Berlin e a hemoglobina glicada permaneceu significativa na análise multivariada ajustada tanto para fatores de risco tradicionais quanto para um modelo adicional, que incluiu também lipoproteína de alta densidade-colesterol (HDL-c) e triglicérides. Os pesquisadores concluíram que a hemoglobina glicada, mesmo em valores abaixo do critério diagnóstico para diabetes mellitus, está associada de forma independente ao risco para síndrome da apneia obstrutiva do sono, mesmo após ajuste para obesidade e proteína C-reativa. Estes achados sugerem possível ligação fisiopatológica entre alterações na resistência insulínica e a síndrome da apneia obstrutiva do sono, que independe da obesidade ou inflamação de baixo grau. Uma resenha de: Associação entre inflamação subclínica, hemoglobina glicada e risco de apneia obstrutiva do sono Autores: D’aurea, Carolina Vicaria Rodrigues et al.

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Existem mudanças no perfil de ácidos graxos no leite materno com a suplementação de fontes de ômega 3? Uma revisão sistemática

20/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Ginecol. Obstet. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.128-141.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, foi avaliar o efeito da suplementação com fontes de ômega 3 sobre a composição de ácidos graxos do leite humano. A revisão consistiu na busca de artigos publicados nas bases de dados PubMed, Biblioteca Virtual de Saúde e Web of Science utilizando-se as palavras-chave: ácidos graxos, ômega-3, leite materno e suplementação; para isso, foi utilizado o checklist PRISMA. Foram utilizados os seguintes critérios para a seleção: artigos publicados em inglês, português, espanhol ou italiano, entre os anos de 2000 a 2015, sobre estudos realizados em humanos. A busca bibliográfica, segundo a estratégia estabelecida, resultou em 710 artigos. Entretanto, apenas 22 destes foram selecionados para compor a presente revisão. Todos os estudos encontraram relação positiva entre o consumo de fontes de ômega 3 e sua concentração no leite humano. As diferenças nos achados se devem aos métodos empregados como, por exemplo, o momento da suplementação do ômega 3, o tipo de fonte de ômega 3 ofertado, e o tamanho amostral. Os pesquisadores concluíram que apesar de os estudos serem díspares em inúmeros aspectos metodológicos, observou-se a importância da suplementação do ômega 3 na gestação e/ou no puerpério. Uma resenha de: Existem mudanças no perfil de ácidos graxos no leite materno com a suplementação de fontes de ômega 3? Uma revisão sistemática Autores: Amaral, Yasmin Notarbartolo di Villarosa do et al.
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