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Terapia com células-tronco hematopoiéticas para adrenoleucodistrofia cerebral

12/12/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Oct 26;377(17):1630-1638

Na apresentação típica da adrenoleucodistrofia ligada ao X, as mutações de ABCD1 levam à perda da função da proteína ALD. A adrenoleucodistrofia cerebral caracterizase pela desmielinização progressiva do sistema nervoso central, de modo que a evolução da doença, que leva à perda de função neurológica e morte, só pode ser interrompida com o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas. Neste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, de segurança e eficácia, de fase 2-3, aberto e de braço único foram investigados meninos com adrenoleucodistrofia cerebral. Foi adotado como critério de inclusão os pacientes com doença em estágio inicial e aumento de gadolínio na ressonância magnética durante triagem. A terapia de investigação envolveu a infusão de células CD34+ autólogas transduzidas com vetor lentiviral (Lenti-D). Nesta análise preliminar, os pacientes foram avaliados quanto à ocorrência de doença de enxerto contra hospedeiro, morte e principais incapacidades funcionais, bem como alterações na função neurológica e na extensão das lesões na ressonância magnética. Foi considerado como endpoint primário o paciente vivo sem a presença de comprometimento funcional maior aos 24 meses após a infusão. Os resultados desta análise preliminar contaram com a participação de 17 meninos que receberam terapia genética Lenti-D com seguimento médio de 29,4 meses (faixa de 21,6 a 42,0). A proteína ALD mensurável foi observada em todos os pacientes, bem como todos os pacientes apresentaram células marcadas por genes após o enxerto, sem evidência de integração preferencial próximo de oncogenes conhecidos ou crescimento clonal. Não foi observada morte relacionada ao tratamento ou doença de enxerto contra hospedeiro; 15 dos 17 pacientes (88%) estavam vivos e livres de comprometimento funcional maior, com sintomas clínicos mínimos. Os resultados também mostraram que um paciente, que teve deterioração neurológica rápida, morreu em razão da progressão da doença. Outro paciente, que tinha tido evidências de progressão da doença na ressonância magnética, retirou-se do estudo para se submeter ao transplante alogênico de células-tronco e mais tarde morreu por complicações relacionadas ao transplante. Os pesquisadores concluíram que os resultados preliminares deste estudo sugerem que a terapia genética Lenti-D pode ser uma alternativa segura e efetiva ao transplante alogênico de células-tronco em meninos com adrenoleucodistrofia cerebral em estágio inicial. Os autores destacam, entretanto, que é necessário um acompanhamento adicional para avaliar completamente a duração da resposta e a segurança em longo prazo. Uma resenha de: Hematopoietic Stem-Cell Gene Therapy for Cerebral Adrenoleukodystrophy. Autores: Eichler F, Duncan C, Musolino PL et al.

Linguagem e intervenções da comunicação na Doença de Alzheimer: uma revisão sistemática. Intervenção de comunicação em Alzheimer

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.3, pp.227-241.

A doença de Alzheimer (DA) compromete consideravelmente as habilidades de comunicação. As mudanças de idioma se tornam mais proeminentes à medida que a doença avança. A deterioração da linguagem e da cognição reduz a capacidade de manter conversas, o que tem um impacto negativo na interação social. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, foi realizar uma revisão sistemática da literatura para artigos que denunciam intervenções focadas na linguagem e comunicação de pessoas com DA sem uso de medicação. Foi realizada uma pesquisa usando as palavras-chave doença de Alzheimer, linguagem, comunicação, cognição, intervenção cognitiva, reabilitação e terapia, e seus correspondentes termos em português e espanhol, nas bases de dados SciELO, LILACS, PubMed e PsychINFO. Foram analisados os estudos de intervenção publicados de 1993 a 2016 que envolveram estimulação de habilidades linguísticas e/ou comunicação com resultados quantitativos pré e pós-intervenção e cujas amostras incluíram pelo menos 50% com diagnóstico de DA provável. Os estudos foram analisados e classificados em quatro níveis de evidência, de acordo com os critérios descritos na literatura. Vinte e oito artigos foram incluídos. A maioria dos projetos tinha evidências científicas de médio a baixo. A maioria das intervenções mostrou benefícios para pelo menos uma linguagem ou habilidade comunicativa. Oito tipos de intervenções emergiram da análise dos estudos. Pesquisas adicionais com maiores níveis de evidência são recomendadas na investigação de intervenções focadas em linguagem e habilidades de comunicação de pacientes com demência. Os pesquisadores concluíram que estudos com altos níveis de evidência sobre o tema investigado estão sendo conduzidos apenas em pequena escala. Duas técnicas de intervenção parecem ser efetivas: abordagens lexical-semânticas e intervenções que funcionam com diferentes habilidades cognitivas (incluindo linguagem). Uma resenha de: Linguagem e intervenções da comunicação na Doença de Alzheimer: uma revisão sistemática. Intervenção de comunicação em Alzheimer Autores: Morello, Aline Nunes da Cruz; Lima, Tatiane Machado e Brandao, Lenisa.

Comprometimento cognitivo de pacientes com doença renal crônica em hemodiálise e sua relação com os aspectos sociodemográficos e clínicos

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.3, pp.221-226

O comprometimento cognitivo e demência ocorrem comumente em indivíduos com doença renal crônica (DRC), principalmente em fase avançada, mas ainda são pouco diagnosticados. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, foi avaliar a capacidade cognitiva de pacientes com doença renal crônica em hemodiálise e a sua relação com as características sociodemográficas e clínicas. Trata-se de um estudo correlacional, de corte transversal, realizado em uma Unidade de Terapia Renal Substitutiva do interior do Estado de São Paulo, com 99 pacientes. Os dados foram coletados por entrevista individual, utilizando-se os questionários de Caracterização Sociodemográfica e Clínica e o Addenbrooke's Cognitive Examination – Revised (ACE-R). A maioria dos participantes era do gênero masculino, com idade média de 54,68 anos. A pontuação média do ACE-R foi de 64,26 pontos, sendo que 76,76% (n=76) apresentaram pontuação abaixo do esperando, sugerindo a presença de comprometimento cognitivo e verificou-se correlação negativa, de moderada magnitude, entre a pontuação total do ACE-R e a idade (r= –0,38; p-valor=0,001), correlação positiva, de moderada magnitude, com os anos de escolaridade (r=0,52; p-valor=0,001) e correlação positiva de fraca magnitude com o tempo de hemodiálise (r=0,26; pvalor=0,001). Os pesquisadores concluíram que houve relação entre a capacidade cognitiva, a idade, os anos de escolaridade e tempo de hemodiálise sugerindo que as pessoas mais idosas, com menor escolaridade e maior tempo de hemodiálise apresentaram mais comprometimento cognitivo. Uma resenha de: Comprometimento cognitivo de pacientes com doença renal crônica em hemodiálise e sua relação com os aspectos sociodemográficos e clínicos Autores: Gesualdo, Gabriela Dutra et al.

Normas brasileiras e efeitos de idade e escolaridade no Teste Hayling e no Teste de Trilhas

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.188-195 Publicação nas áreas/temas do Medical Services: Psiquiatria, Sinapse, Clínica Geral, Geriatria

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi descrever dados normativos do Teste Hayling e do Teste de Trilhas em uma amostra de adultos brasileiros e investigar os efeitos de idade e escolaridade no desempenho das tarefas. Participaram deste estudo um total de 313 (TMT) e 364 (Hayling) indivíduos com idades nos intervalos de 19-39, 40-59 e 60-75 anos e com pelo menos 5 anos de escolaridade formal. Os testes foram administrados como parte de uma bateria maior de um projeto de normatização. Os indivíduos foram avaliados individualmente em salas silenciosas e ventiladas em uma clínica universitária. As pontuações dos protocolos foram realizadas por assistentes de pesquisa treinados e foram checadas duplamente para garantir a fidedignidade dos dados. Foram encontrados efeitos principais de idade no TMT (Tempo B, Erros B e Tempo BA) e no Teste Hayling (Erros B/15 e B/45), e efeitos principais de educação no TMT (Tempo B, Erros B e Tempo B-A) e no Teste Hayling (Tempo A, Erros B/15 e B/45). Foram encontrados efeitos de interação entre variáveis nos Tempos B e B-A do Teste Hayling e no Tempo A do TMT. Os pesquisadores concluíram que a idade e escolaridade foram fatores críticos para o desempenho em ambos os testes verbal e não-verbal de avaliação das funções executivas. Uma resenha de: Normas brasileiras e efeitos de idade e escolaridade no Teste Hayling e no Teste de Trilhas Autores: Zimmermann, Nicolle; Cardoso, Caroline de Oliveira; Kristensen, Christian Haag e Fonseca, Rochele Paz.

O Teste dos Cinco Dígitos na avaliação de idosos com baixa escolaridade: validade de construto e confiabilidade em uma amostra clínica do Brasil

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.173-179

Na avaliação de idosos com educação formal muito baixa, os testes típicos de atenção seletiva e controle inibitório são enviesados devido à dependência de habilidades básicas de leitura. Nesse sentido, este estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, pretendeu avaliar as características psicométricas do Teste dos Cinco Dígitos (Five Digits Test, FDT), teste de paradigma Stroop-numérico, em idosos sem transtornos cognitivos, em pacientes com comprometimento cognitivo e em pacientes com demência. Foram avaliados 211 idosos brasileiros com baixa escolarização formal por meio do FDT e outras medidas cognitivas. Analisamos a validade de construto e a confiabilidade por correlações e consistência interna. O FDT apresentou correlações fracas com testes de inteligência cristalizada e correlações de moderadas ou fortes com medidas de inteligência fluida, medidas cognitivas globais e testes de funções executivas. O teste apresentou consistência interna elevada (>0.900). Segundo os pesquisadores, em conjunto, os resultados sugerem que o FDT é uma medida válida e confiável para a avaliação da velocidade de processamento e funções executivas em idosos com baixa escolaridade. Uma resenha de: O Teste dos Cinco Dígitos na avaliação de idosos com baixa escolaridade: validade de construto e confiabilidade em uma amostra clínica do Brasil Autores: De Paula, Jonas Jardim; Oliveira, Thaís Dell’oro; Querino, Emanuel Henrique Gonçalves e Malloy-Diniz, Leandro Fernandes.

Heterogeneidade e homogeneidade da estrutura cerebral regional na esquizofrenia: uma meta-análise

12/12/2017 | Fonte: Fonte: JAMA Psychiatry. 2017 Nov 1;74(11):1104-1111

Estudos demonstram alterações no volume médio cerebral associadas à esquizofrenia. Contudo, ainda não está claro se a heterogeneidade clínica observada nesta desordem se reflete em nível neurobiológico, por exemplo, nas diferenças em termos de variabilidade interindividual desses volumes cerebrais em relação aos indivíduos controle. O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Psychiatry, foi avaliar se pacientes com primeiro episódio de esquizofrenia apresentam maior variabilidade dos volumes cerebrais regionais, além das diferenças médias de volume. Para a realização deste estudo foram realizadas buscas nas bases de dados MEDLINE, EMBASE e PsycINFO para estudos publicados até 1º de outubro de 2016, que relataram medidas volumétricas cerebrais regionais em pacientes e indivíduos controles por meio de ressonância magnética. Foram selecionados os estudos de casos e controles que relataram volumes cerebrais regionais em pacientes com primeiro episódio de esquizofrenia e indivíduos controles saudáveis usando ressonância magnética. Os valores de média e desvio-padrão foram extraídos de cada medida para cálculo dos tamanhos do efeito, os quais, por sua vez, foram combinados utilizando uma metaanálise multivariada. Foi considerado como resultado primário a variabilidade relativa das medidas volumétricas cerebrais regionais nos pacientes em comparação com os grupos controle, conforme indexado pela taxa de variabilidade (VR) e coeficiente de variação (CVR). Também foi utilizado o modelo Hedges g para quantificar as diferenças médias. Foram incluídos nas análises 108 estudos que relataram medições de 3.901 pacientes (1.272 [32,6%] do sexo feminino) com primeiro episódio de esquizofrenia e 4.040 indivíduos controles (1.613 [39,9%] do sexo feminino). Os resultados mostraram que a variabilidade no putamen (VR, 1,13; IC 95%, 1,03-1,24; P = 0,01), no lobo temporal (VR, 1,12; IC 95%; 1,04-1,21; P = 0,004), no tálamo (VR, 1,16; IC 95%, 1,07-1,26; P <0,001) e no volume do terceiro ventrículo (VR, 1,43; IC 95%, 1,20-1,71; P < 1 × 10-5) foi significativamente maior nos pacientes, enquanto que a variabilidade no volume do córtex cingulado anterior foi menor (VR, 0,89; IC 95%, 0,81-0,98; P = 0,02). Esses achados foram robustos considerando a escolha da medida de resultado. Não houve evidência de variabilidade alterada do núcleo caudado ou dos volumes do lobo frontal. Os volumes médios dos ventrículos laterais (g = 0,40; IC 95%; 0,29-0,51; P <0,001) e do terceiro ventrículo (g = 0,43; IC 95%; 0,26-0,59; P <0,001) foram maiores, enquanto que os volumes médios da amígdala (g = -0,46; -0,65 a -0,26; P <0,001), córtex cingulado anterior (g = -0,26; IC 95%; -0,43 a -0,10; P = 0,005), lobo frontal (g = -0,31; IC 95%, -0,44 a -0,19; P = 0,001), hipocampo (g = -0,66; IC 95%; -0,84 a -0,47; P SP, 05/12/2017 <0,001), lobo temporal (g = -0,22, IC 95%, -0,36 a -0,09; P = 0,001) e tálamo (g = -0,36; IC 95%, -0,57 a -15,15; P = 0,001) foram menores nos pacientes. Não houve evidência de volume médio alterado de núcleo caudado ou putamen. Os pesquisadores concluíram que além do volume médio alterado de muitas estruturas cerebrais, a esquizofrenia está associada à variabilidade significativamente maior do córtex temporal, tálamo, putamen e volumes do terceiro ventrículo, consistente com a heterogeneidade biológica nessas regiões, mas menor variabilidade do volume do córtex cingulado anterior. Segundo os autores, esse resultado indica maior homogeneidade do volume cingulado anterior e que esta seja uma região central afetada pela desordem, haja vista o volume médio significativamente menor dessa área. Palavras-chave: Heterogeneidade; homogeneidade; estrutura cerebral regional; esquizofrenia; meta-análise. Uma resenha de: Heterogeneity and Homogeneity of Regional Brain Structure in Schizophrenia: A Meta-analysis Autores: Brugger SP, Howes OD.

Efeitos da melhora do sono na saúde mental (OASIS): um estudo randomizado controlado com análise de mediação

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Lancet Psychiatry. 2017 Oct;4(10):749-758

Estudos sugerem que as dificuldades de sono podem ser um fator causal contributivo na ocorrência de problemas de saúde mental, de modo que a melhora do sono pode beneficiar a saúde psicológica. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Lancet Phychiatry, foi investigar se o tratamento da insônia leva a uma redução da paranoia e alucinações. Trata-se de um ensaio controlado, randomizado e unicego (OASIS) realizado em 26 universidades do Reino Unido. Estudantes universitários com insônia foram atribuídos aleatoriamente (1: 1) com randomização simples para receber terapia comportamental cognitiva digital (CBT) para insônia ou cuidados habituais, sendo que a equipe de pesquisa foi vendada à randomização. As avaliações on-line ocorreram nas semanas 0, 3, 10 (fim da terapia) e 22. Foram consideradas como medidas de resultado primário: insônia, paranoia e experiências alucinógenas. As análises foram feitas por intenção de tratar. Cerca 3.755 participantes foram atribuídos aleatoriamente, entre 5 de março de 2015 e 17 de fevereiro de 2016, para receber CBT digital para insônia (n = 1.891) ou cuidados habituais (n = 1.864). Os resultados mostraram que, em comparação com os cuidados habituais, a intervenção do sono em 10 semanas reduziu a insônia (diferença ajustada 4,88, IC 95% 4,2 a 29,26, d de Cohen = 1,11, p <0,0001), paranoia (-2,22, -2,98 a -1,45, d de Cohen = 0,19; p <0,0001) e alucinações (-1,58, -1,98 a -1,18, d de Cohen = 0,24 p <0,0001). Os resultados também mostraram que a insônia foi um mediador da mudança na paranoia e alucinações. Nenhum evento adverso foi relatado. Segundo os pesquisadores, este é o maior ensaio controlado randomizado de uma intervenção psicológica para um problema de saúde mental. Os autores destacam que os resultados fornecem fortes evidências de que a insônia é um fator causal na ocorrência de experiências psicóticas e outros problemas de saúde mental, contudo ressaltam que a extrapolação dos resultados para além de uma população estudantil ainda requer análises adicionais. Por fim, os autores salientam que o tratamento de distúrbios do sono pode exigir uma maior prioridade no provimento da saúde mental. Palavras-chave: Sono; saúde mental Uma resenha de: The effects of improving sleep on mental health (OASIS): a randomised controlled trial with mediation analysis Autores: Freeman D, Sheaves B, Goodwin GM et al.

Associação entre perfecionismo e afeto negativo e positivo: o papel da regulação emocional cognitiva e do stresse/coping percebidos

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.2, pp.77-87

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi explorar 1) se o perfeccionismo, o estresse/copingpercebidos e a regulação emocional cognitiva (REC) estão associadas e predizem o afeto negativo/positivo (AN/AP); e 2) se a REC e o estresse/copingestão associados e mediam a relação perfeccionismo-AN/AP. Existe uma distinção entre o perfeccionismo mal-adaptativo/adaptativo na associação com o AN/AP. A REC e o estresse/copingpoderão mediar as associações entre o perfeccionismo maladaptativo/adaptativo-AN/AP. 344 estudantes (68.4% do sexo feminino) completaram as Escalas Multidimensionais do Perfeccionismo de Hewitt & Flett e de Frost, a Escala Multidimensional de Perfeccionismo Compósita, o Perfil dos Estados de Humor, a Escala de Estresse Percebido e o Questionário da Regulação Emocional Cognitiva. Os preditores do AN foram o perfeccionismo adaptativo/mal-adaptativo, a REC maladaptativa e o estresse percebido (positivamente), a reavaliação positiva e planeamento e o coping(negativamente). Os preditores do AP foram o perfeccionismo adaptativo/maladaptativo e o estresse percebido (negativamente), a reavaliação positiva e planeamento, a refocalização positiva e o copingpercebido (positivamente). A associação entre o perfeccionismo mal-adaptativo e o AN foi mediada pela REC maladaptativa/baixa REC adaptativa, pelo estresse/baixo copingpercebidos. A associação entre o perfeccionismo mal-adaptativo/adaptativo e baixo AP foi mediada pelo estresse percebido. O elevado AP foi determinado pelo baixo perfeccionismo mal-adaptativo e esta associação foi mediada pela REC adaptativa e pelo coping. A associação entre o perfeccionismo adaptativo e o AN foi mediada pela REC mal-adaptativa e pelo estresse percebido. Os pesquisadores concluíram que a REC e o estresse/copingpercebidos estão associados e medeiam as associações entre o perfeccionismo e AN/AP. Palavras-chave: Perfecionismo; regulação emocional cognitiva; estresse/copingpercebidos; afeto negativo; afeto positivo. Uma resenha de: Associação entre perfecionismo e afeto negativo e positivo: o papel da regulação emocional cognitiva e do stresse/coping percebidos Autores: Castro, Juliana; Soares, Maria João; Pereira, Ana T. e Macedo, António.

Abordagem eclética a transtornos de ansiedade em crianças de zona rural

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.2, pp.88-97.

Transtornos de ansiedade em escolares afetam sua saúde mental e seu desenvolvimento psicológico. Tratamentos alternativos disponíveis consomem tempo e são dispendiosos. Nesse contexto, a terapia eclética é uma abordagem terapêutica que incorpora algumas técnicas e filosofias terapêuticas para criar o tratamento ideal. Neste estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, a terapia eclética consistiu de terapia artística e terapia cognitivo-comportamental (TCC) planejada para escolares com altos níveis de ansiedade. A terapia também incluiu sessões de orientação em grupo para as mães. A eficácia da intervenção foi examinada. 61 escolares com idade de 9-12 anos e altos níveis de ansiedade participaram do estudo. A intervenção A (n = 20) consistiu de 9 horas de terapia eclética para crianças com sessões de 3 horas de orientação em grupo para as mães. A intervenção B (n = 20) consistiu de 9 horas de terapia eclética para crianças. Houve também um grupo controle (n = 21). Escores atribuídos pelos professores às dificuldades de saúde mental das crianças e escores de ansiedade autoaplicados indicaram diferenças significativas entre resultados pré-teste e pós-teste, revelando grande tamanho de efeito entre as duas intervenções. Escores pré-teste maiores foram preditores significativos de escores pós-teste mais altos para todos os domínios de ansiedade e dificuldades de saúde mental. Idade, gênero, mães trabalhando 15 horas/dia, nível educacional da mãe, índice de divórcio, morte de um dos pais e renda familiar mensal foram preditores de desfechos da terapia. Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem a eficácia de arte eclética e TCC para melhorar a saúde mental de crianças e reduzir a ansiedade através de mudança em pensamentos, crenças, emoções e comportamentos que possam causar medo e ansiedade. Palavras-chave: Transtornos de ansiedade; crianças; Spence Children’s Anxiety Scale; eclectic therapy; SDQ; CBT. Uma resenha de: Abordagem eclética a transtornos de ansiedade em crianças de zona rural Autores: Ahmadi, Atefeh; Mustaffa, Mohamed Sharif; Haghdoost, Ali Akbar e Mansor, Syed Mohamed Shafeq

Neurite óptica associada ao MOG-IgG não é esclerose múltipla

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.10, pp.687-691.

Autoanticorpos contra a glicoproteína da mielina do oligodendrócito (MOG-IgG) têm sido descritos em pacientes com neurite óptica (NO) isolada, entre outras doenças inflamatórias do sistema nervoso central. Neste estudo, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, foram comparados os pacientes com NO MOG-IgG positivos com pacientes com NO associada a esclerose múltipla (EM). De um total de 38 pacientes com neuropatia óptica, seis foram MOG-IgG positivos e oito preencheram critérios diagnósticos para EM. Todos os pacientes com EM foram negativos para MOG-IgG (ensaio baseado em células). Quando comparados ao grupo com EM, os pacientes MOG-IgG positivos apresentaram idade mais avançada (mediana de 47 anos) e tiveram uma frequência maior de NO bilateral e/ou recorrente. Houve predomínio masculino (relação 2:1). A ressonância magnética de encéfalo de todos os pacientes MOG-IgG positivos foi normal ou demonstrou apenas lesões inespecíficas em T2. Segundo os pesquisadores, os achados sugerem que o MOG-IgG é um biomarcador de doença desmielinizante diferente da EM. Palavras-chave: neurite óptica; esclerose múltipla; glicoproteína mielinaoligodendrócito; autoanticorpos; doenças desmielinizantes. Uma resenha de: Neurite óptica associada ao MOG-IgG não é esclerose múltipla Autores: Costa, Bruna Klein da; Passos, Giordani Rodrigues dos; Becker, Jefferson e Sato, Douglas Kazutoshi.

Manutenção em longo prazo das abordagens de prevenção do diabetes: revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados

12/12/2017 | Fonte: Fonte: JAMA Intern Med. 2017 Nov 6. [Epub ahead of print]

A prevenção é crucial para retardar o crescimento mundial da morbimortalidade relacionada ao diabetes, contudo, a eficácia em longo prazo das estratégias de prevenção ainda não está completamente esclarecida. O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Internal Medicine, foi avaliar os efeitos globais em longo prazo de diferentes estratégias de prevenção sobre a incidência de diabetes. Para a realização deste estudo foram realizadas buscas nas bases de dados MEDLINE, EMBASE, Cochrane Library e Web of Science. A busca inicial foi realizada em 14 de janeiro de 2014 e atualizada em 20 de fevereiro de 2015. Os termos de busca incluíam prediabetes, primary prevention, e risk reduction. Foram considerados elegíveis os ensaios clínicos randomizados publicados entre 1º de janeiro de 1990 e 1º de janeiro de 2015 que avaliaram a modificação do estilo de vida (MEV) e as intervenções de medicação (> 6 meses) para a prevenção do diabetes em adultos (idade =18 anos) com risco de diabetes, e, que relataram diferenças entre os grupos na incidência de diabetes. Foram excluídos os estudos de terapias alternativas e cirurgia bariátrica, bem como aqueles envolvendo participantes com diabetes gestacional, diabetes tipo 1 ou 2 e síndrome metabólica. Os revisores extraíram o número de casos de diabetes no final da intervenção ativa tanto nos grupos de tratamento como nos grupos controle. Foram realizadas meta-análises de efeitos aleatórios para obter os riscos relativos agrupados (RR), e as taxas de incidência relatadas foram utilizadas para calcular diferenças de risco agrupadas (RDs). Foi considerado como resultado primário o RR agregado de diabetes no tratamento versus participantes controles. Os subtipos de tratamento foram estratificados, ou seja, componentes de MEV e classes de medicação. Para estimar a manutenção das abordagens, foram examinados os RRs pós-washout e o seguimento para as medicações e as intervenções de MEV, respectivamente. Foram incluídos cerca de 43 estudos que foram agrupados em meta-análise (49.029 participantes, idade média [desvio-padrão], 57,3 [8,7] anos, 48,0% [n = 23.549] homens): 19 estudos testaram medicamentos; 19 avaliaram MEV e 5 testaram medicamentos combinados com MEV. Os resultados mostraram que ao final da intervenção ativa (faixa de 0,5 a 6,3 anos), a MEV foi associada a uma redução de RR de 39% (RR, 0,61; IC 95%, 0,54-0,68) e os medicamentos foram associados a uma redução RR de 36% (RR, 0,64; IC 95%, 0,54-0,76). O RD observado para MEV e estudos de medicação foi de 4,0 (IC 95%, 1,8-6,3) por 100 pessoas-ano ou um número necessário para tratar de 25. No final do período de washout ou de seguimento, estudos de MEV (seguimento médio, 7,2 anos, intervalo, 5,7-9,4 anos) atingiram uma redução de RR de 28% (RR, 0,72; IC 95%, 0,60-0,86); estudos de medicação (seguimento médio, 17 semanas, intervalo, 2-52 semanas) não apresentaram redução sustentada de RR (RR, 0,95; IC 95%, 0,79-1,14). SP, 05/12/2017 Os pesquisadores concluíram que em adultos com risco de diabetes, tanto a MEV quanto os medicamentos (perda de peso e agentes sensibilizadores de insulina) reduziram com sucesso a incidência de diabetes, no entanto os efeitos da medicação foram de curta duração. Os autores destacam ainda, que as intervenções com MEV foram sustentadas por vários anos, no entanto seus efeitos diminuíram com o tempo, sugerindo que são necessárias intervenções para preservar os efeitos. Palavras-chave: Prevenção; diabetes Uma resenha de: Long-term Sustainability of Diabetes Prevention Approaches: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Clinical Trials. Autores: Haw JS, Galaviz KI, Straus AN, Kowalski AJ, Magee MJ, Weber MB, Wei J, Narayan KMV, Ali MK.

Guia prático de atualização em dermatite atópica - Parte II: abordagem terapêutica. Posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(2) :157-182

Nas últimas décadas o conhecimento sobre a etiopatogenia da dermatite atópica (DA) avançou muito. Além da identificação dos principais agentes desencadeantes e/ou agravantes envolvidos na expressão clínica da DA, verificou-se ser a integridade da barreira cutânea um dos pontos fundamentais para a manutenção da homeostase da pele. Assim, no tratamento do paciente com DA, além da evitação dos agentes desencadeantes e/ou irritantes, o uso de hidratantes é parte fundamental, e acreditase que tenha ação preventiva de surtos agudos. Além disso, a aquisição de agentes anti-inflamatórios de uso tópico tem permitido o controle de pacientes com formas leves a moderadas da DA. Embora tenham uso mais restrito, os agentes imunossupressores sistêmicos também têm sido empregados no tratamento de pacientes com DA grave ou refratária aos procedimentos habituais. Comenta-se também a imunoterapia alérgeno-específica como tratamento adjuvante da DA para alguns pacientes, sobretudo alérgicos aos ácaros e com manifestações respiratórias associadas. A aquisição de novos agentes, os imunobiológicos, também são apresentados à luz das evidências científicas e clínicas atuais. O presente guia prático de atualização em dermatite atópica - abordagem terapêutica, publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, teve por objetivo rever os esquemas de tratamento disponíveis e empregados no acompanhamento de pacientes com DA, além de apresentar terapêuticas futuras, como os agentes imunobiológicos que em breve estarão à disposição para o tratamento de formas mais graves e/ou refratárias da DA. Uma resenha de: Guia prático de atualização em dermatite atópica - Parte II: abordagem terapêutica. Posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria Autores: Vânia O. Carvalho; Dirceu Solé; Adriana A. Antunes; Ana E. Kiszewski Bau; Fábio C. Kuschnir; Márcia C. Mallozi; Jandrei R. Markus; Maria G. Nascimento e Silva; Mário C. Pires; Marice E. El Achkar Mello; Nelson A. Rosário Filho; Emanuel S. Cavalcanti Sarinho; Herberto J. Chong-Neto; Luciana R. Silva; Norma P. M. Rubini

Perfil clínico da rinite alérgica no idoso

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(2) :195-200

A rinite alérgica é uma doença de grande prevalência em todo o mundo, acometendo 15 a 42% da população geral, e 3 a 12% dos idosos. Acredita-se ser uma doença subdiagnosticada nesta população, porque algumas doenças frequentes nos idosos podem confundir o diagnóstico de doenças alérgicas. O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, foi avaliar o perfil clínico dos idosos com rinite alérgica atendidos no serviço de imunologia clínica e alergia de um hospital terciário de São Paulo. Avaliar também a sensibilização a aeroalérgenos, presença de asma alérgica e outras comorbidades. Foram selecionados 104 pacientes maiores de 60 anos, diagnosticados com rinite alérgica e não alérgica. Esses pacientes foram comparados quanto à presença de asma e outras doenças concomitantes, sensibilização a aeroalérgenos e uso de medicamentos. Dentre os pacientes com rinite alérgica, identificamos predomínio de rinite persistente moderada, sendo a asma o principal diagnóstico associado à rinite. Dentre as demais comorbidades observadas, os idosos tinham doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), hipertensão arterial sistêmica e diabetes, mas não foram encontradas associações significativas entre a presença destas comorbidades e a rinite. Detectamos 71,9% de sensibilidade entre os idosos com rinite alérgica, e verificamos associação significativa com relação a IgE específica in vitro e ocorrência de sintomas. Os pesquisadores concluíram que estudos com a população idosa são necessários para melhor conhecimento da rinite nesta população, suas necessidades e possíveis ações preventivas. Uma resenha de: Perfil clínico da rinite alérgica no idoso Autores: Bruna Beatriz Correa Barbosa; Cássio Caetano Macedo Mendes; Jorge Kalil; Fabio F. Morato Castro; Clóvis Eduardo Santos Galvão; Cynthia Mafra Fonseca de Lima

Guia prático sobre controle ambiental para pacientes com rinite alérgica

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(1) :7-22

A asma e a rinite alérgica são doenças frequentes e acometem parcela significativa da população, sobretudo crianças. Frequentemente a asma e a rinite coexistem e tem sido documentado que a presença de rinite potencialmente aumenta a gravidade da asma e impacta negativamente na qualidade de vida. Entre os agentes desencadeantes/agravantes dessas doenças são apontados: aeroalérgenos (ácaros do pó domiciliar, fungos, alérgenos de baratas, epitélio de animais, polens e ocupacionais), poluentes intradomiciliares e extradomiciliares (fumaça de tabaco, material particulado liberado pela cocção/aquecimento - gás de cozinha, fogão a lenha) e irritantes (odores fortes, ar-condicionado). O objetivo desse estudo foi identificar as medidas recomendadas para reduzir a exposição de pacientes sensíveis a esses agentes. Neste artigo, publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, foi realizada uma busca em base de dados MEDLINE, SciELO e LILACS empregando-se os descritores: environmental control, mite, cockroach, fungi, furry pets, pollen, irritants, smoking, indoor pollution, cooking. Foram revisados os principais estudos e elaborou-se um documento em que são discutidas as relações entre exposição e aparecimento de sintomas, assim como as medidas apontadas como tendo potencial para evitar a exacerbação/agravamento das doenças alérgicas respiratórias. Tenha acesso a este documento clicando no link abaixo. http://aaai- asbai.org.br/audiencia_pdf.asp?aid2=757&nomeArquivo=v1n1a04.pdf&ano=2017 Uma resenha de: Guia prático sobre controle ambiental para pacientes com rinite alérgica Autores: Norma de Paula M. Rubini; Gustavo F. Wandalsen; Maria Cândida V. Rizzo; Marcelo V. Aun; Herberto José Chong Neto; Dirceu Solé

Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento do angioedema hereditário - 2017

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(1) :23-48

O angioedema hereditário é uma doença autossômica dominante caracterizada por crises de edema com o envolvimento de múltiplos órgãos. A doença é desconhecida por muitos profissionais da área da saúde e, portanto, subdiagnosticada. Os pacientes que não são diagnosticados e tratados adequadamente têm uma mortalidade estimada de 25% a 40%, devido ao angioedema da laringe, resultando em asfixia. O angioedema de alças intestinais é outra manifestação importante e incapacitante, que pode ser a principal ou a única durante uma crise da doença. Neste cenário, um grupo de especialistas da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e do Grupo Brasileiro de Estudos sobre Angioedema Hereditário (GEBRAEH) atualizou as diretrizes para o diagnóstico e terapia do angioedema hereditário e as publicou nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia. Tenha acesso a estas diretrizes clicando no link abaixo. http://aaaiasbai.org.br/audiencia_pdf.asp?aid2=758&nomeArquivo=v1n1a05.pdf&ano=2017 Uma resenha de: Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento do angioedema hereditário - 2017 Autores: Pedro Giavina-Bianchi; L. Karla Arruda; Marcelo V. Aun; Regis A. Campos; Herberto J. Chong-Neto; Rosemeire N. Constantino-Silva; Fátima F. Fernandes; Maria F. Ferraro; Mariana P. L. Ferriani; Alfeu T. França; Gustavo Fusaro; Juliana F. B. Garcia; Shirley Komninakis; Luana S. M. Maia; Eli Mansour; Adriana S. Moreno; Antonio A. Motta; João Bosco Pesquero; Nathalia Portilho; Nelson A. Rosário; Faradiba S. Serpa; Dirceu Solé; Eliana Toledo; Solange O. R. Valle; Camila Lopes Veronez; Anete S. Grumach

IgE, IgG4 e IgA específicas na alergia ao látex

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Arq Asma Alerg Imunol 2017;1(1) :99-108

A alergia ao látex é considerada um problema mundial de saúde por estar associada a reações potencialmente fatais. O objetivo principal deste estudo, publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, é identificar fatores clínico-laboratoriais associados à sensibilização e alergia ao látex, avaliando as concentrações de IgE, IgG4 e IgA específicas nestas condições. Foi realizado um estudo observacional transversal em uma coorte de 400 crianças e adolescentes com defeito do fechamento do tubo neural. Os pacientes realizaram entrevista clínica e foram submetidos a coleta de sangue periférico para a detecção dos níveis séricos de IgE, IgG4 e IgA específicas para látex. As prevalências de sensibilização e alergia ao látex foram calculadas e as variáveis clínico-laboratoriais coletadas foram analisadas. A prevalência de sensibilização e de alergia ao látex em pacientes com defeito de fechamento do tubo neural foi de 33,2% e 12,2%, respectivamente. As manifestações clínicas de alergia ao látex mais frequentes foram as cutâneas (79,6%), mas anafilaxia foi observada em 4,75% dos pacientes. Os fatores clínico-cirúrgicos associados à alergia ao látex foram identificados e um escore de sintomas para rastrear os pacientes foi desenvolvido. A concentração de IgE sérica específica para látex = 0,77 kUA/L tem boa acurácia para diferenciar os pacientes sensibilizados assintomáticos dos alérgicos. As dosagens de IgE sérica específica para alérgenos recombinantes também apresentaram boa acurácia no diagnóstico da alergia. Os pesquisadores concluíram que a maior concentração de IgE específica para látex e Hevb5, menor concentração de IgG4 específica para látex e escore de sintomas = 40% estiveram associados com alergia ao látex. Uma resenha de: IgE, IgG4 e IgA específicas na alergia ao látex Autores: Laila S. Garro; Marcelo V. Aun; Antônio A. Motta; Jorge Kalil; Pedro GiavinaBianchi

Triagem neonatal de imunodeficiências graves combinadas por meio de trecs e krecs: segundo estudo piloto no brasil

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.1, pp.25-32.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi validar a quantificação de T-cell receptor excision circles (TRECs) e kappa-deleting recombination circles (KRECs) por reação em cadeia de polimerase (polymerase chain reaction, PCR) em tempo real (qRT-PCR), para triagem neonatal de imunodeficiências primárias que cursam com defeitos nas células T e/ou B no Brasil. Amostras de sangue de recém-nascidos (RN) e controles foram coletadas em papelfiltro. O DNA foi extraído e os TRECs e KRECs foram quantificados por reação duplex de qRT-PCR. O valor de corte foi determinado pela análise de Receiver Operating Characteristics Curve, utilizando-se o programa Statistical Package for the Social Sciences (SSPS) (IBM®, Armonk, NY, EUA). 6.881 amostras de RN foram analisadas quanto à concentração de TRECs e KRECs. Os valores de TRECs variaram entre 1 e 1.006 TRECs/µL, com média e mediana de 160 e 139 TRECs/µL, respectivamente. Três amostras de pacientes diagnosticados com imunodeficiência grave combinada (severe combined immunodeficiency, SCID) apresentaram valores de TRECs abaixo de 4/µL e um paciente com Síndrome de DiGeorge apresentou TRECs indetectáveis. Os valores de KRECs encontraram-se entre 10 e 1.097 KRECs/µL, com média e mediana de 130 e 108 KRECs/µL, e quatro pacientes com diagnóstico de agamaglobulinemia tiveram resultados abaixo de 4 KRECs/µL. Os valores de corte encontrados foram 15 TRECs/µL e 14 KRECs/µL, e foram estabelecidos de acordo com a análise da Receiver Operating Characteristics Curve, com sensibilidade de 100% para detecção de SCID e agamaglobulinemia, respectivamente. Os pesquisadores concluíram que a quantificação de TRECs e KRECs foi capaz de diagnosticar crianças com linfopenias T e/ou B em nosso estudo, validando a técnica e dando o primeiro passo para a implementação da triagem neonatal em grande escala no Brasil. Uma resenha de: Triagem neonatal de imunodeficiências graves combinadas por meio de trecs e krecs: segundo estudo piloto no brasil Autores: Kanegae, Marilia Pyles P. et al.

Triagem neonatal de imunodeficiências graves combinadas por meio de trecs e krecs: segundo estudo piloto no brasil

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.1, pp.25-32.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi validar a quantificação de T-cell receptor excision circles (TRECs) e kappa-deleting recombination circles (KRECs) por reação em cadeia de polimerase (polymerase chain reaction, PCR) em tempo real (qRT-PCR), para triagem neonatal de imunodeficiências primárias que cursam com defeitos nas células T e/ou B no Brasil. Amostras de sangue de recém-nascidos (RN) e controles foram coletadas em papelfiltro. O DNA foi extraído e os TRECs e KRECs foram quantificados por reação duplex de qRT-PCR. O valor de corte foi determinado pela análise de Receiver Operating Characteristics Curve, utilizando-se o programa Statistical Package for the Social Sciences (SSPS) (IBM®, Armonk, NY, EUA). 6.881 amostras de RN foram analisadas quanto à concentração de TRECs e KRECs. Os valores de TRECs variaram entre 1 e 1.006 TRECs/µL, com média e mediana de 160 e 139 TRECs/µL, respectivamente. Três amostras de pacientes diagnosticados com imunodeficiência grave combinada (severe combined immunodeficiency, SCID) apresentaram valores de TRECs abaixo de 4/µL e um paciente com Síndrome de DiGeorge apresentou TRECs indetectáveis. Os valores de KRECs encontraram-se entre 10 e 1.097 KRECs/µL, com média e mediana de 130 e 108 KRECs/µL, e quatro pacientes com diagnóstico de agamaglobulinemia tiveram resultados abaixo de 4 KRECs/µL. Os valores de corte encontrados foram 15 TRECs/µL e 14 KRECs/µL, e foram estabelecidos de acordo com a análise da Receiver Operating Characteristics Curve, com sensibilidade de 100% para detecção de SCID e agamaglobulinemia, respectivamente. Os pesquisadores concluíram que a quantificação de TRECs e KRECs foi capaz de diagnosticar crianças com linfopenias T e/ou B em nosso estudo, validando a técnica e dando o primeiro passo para a implementação da triagem neonatal em grande escala no Brasil. Uma resenha de: Triagem neonatal de imunodeficiências graves combinadas por meio de trecs e krecs: segundo estudo piloto no brasil Autores: Kanegae, Marilia Pyles P. et al.

Risco reduzido de sensibilização ao amendoim após a exposição pela amamentação e introdução precoce do amendoim

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Aug 22. pii: S0091-6749(17)31104-1

Evidências recentes apontam um aumento do risco de alergia ao amendoim em indivíduos que evitaram a exposição durante a infância, no entanto ainda faltam esclarecimentos sobre os efeitos decorrentes do consumo de amendoim pelas mães. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi avaliar a relação entre o consumo materno de amendoim durante a amamentação, o momento da introdução direta do amendoim na alimentação e a sensibilização para o amendoim aos 7 anos de idade. Para a realização deste estudo foi realizada uma análise secundária dos dados de uma coorte aninhada do ensaio Canadian Asthma Primary Prevention Study de 1995. A avaliação da amamentação e o consumo de amendoim materno e infantil foram realizados por questionários repetidos durante a infância. O teste cutâneo para a sensibilização ao amendoim, por sua vez, foi realizado aos 7 anos de idade. Os resultados indicaram que 58,2% das mães consumiram amendoim durante a amamentação e 22,5% introduziram diretamente o amendoim na alimentação dos seus bebês ao longo de 12 meses, sendo que aos 7 anos, 9,4% das crianças foram sensibilizadas para amendoim. Os resultados mostraram uma menor incidência (1,7%) de sensibilização ao amendoim em crianças cujas mães consumiram amendoim durante a amamentação e introduziram o amendoim antes de 12 meses. No entanto, a incidência foi significativamente maior (P <0,05) quando as mães consumiram amendoim durante a amamentação, mas atrasaram a introdução de amendoim ao seu bebê para além de 12 meses (15,1%) ou quando as mães evitaram o amendoim na amamentação, mas introduziram diretamente ao longo de 12 meses (17,6%). As análises de interação controlando o grupo de estudo e a atopia materna confirmaram que o consumo materno de amendoim durante a amamentação combinado ao consumo infantil em 12 meses foram protetores, enquanto que a exposição isolada esteve associada a um risco aumentado de sensibilização (interação P = 0,003). Os pesquisadores concluíram que nesta análise secundária, o consumo materno de amendoim durante a amamentação em conjunto com a introdução direta do amendoim no primeiro ano de vida foi associado ao menor risco de sensibilização ao amendoim, em comparação com todas as outras combinações de consumo de amendoim materno e infantil. Uma resenha de: Reduced risk of peanut sensitization following exposure through breast-feeding and early peanut introduction Autores: Pitt TJ, Becker AB, Chan-Yeung M, Chan ES, Watson WTA, Chooniedass R, Azad MB.

Espectros clínico, imunológico e genético de 696 pacientes com imunodeficiência combinada

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Sep 12. pii: S0091-6749(17)31436-7

As imunodeficiências combinadas (CIDs, do inglês combined immunodeficiencies) são patologias de imunidade adaptativa defeituosa que apresentam fenótipos clínicos diversos. Apesar das CIDs serem mais prevalentes no Oriente Médio do que em países ocidentais, os recursos para o diagnóstico genético são limitados. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi caracterizar clínica e geneticamente os tipos de pacientes com CID. Para a realização deste estudo foram obtidos dados clínicos e laboratoriais de 696 pacientes com CIDs. Os pacientes foram subdivididos entre aqueles sindrômicos (344 pacientes) e não sindrômicos (352 pacientes). A sequência de DNA foi realizada em 243 pacientes (34,9%). O rendimento do diagnóstico global dos 243 pacientes sequenciados foi de 77,8% (189 pacientes). O diagnóstico clínico de HIES (Hyper-IgE syndromes, p <0,001), o surgimento da doença a partir dos 5 anos (p = 0,02) e a ausência de múltiplos membros da família afetados (p = 0,04) foram significativamente mais frequentes nos pacientes sem diagnóstico genético. Foi encontrada uma doença autossômica recessiva em 62,9% dos pacientes, refletindo a alta taxa de consanguinidade nesta coorte. Os resultados também mostraram que as mutações que prejudicam a recombinação VDJ e o reparo do DNA foram as causas subjacentes mais comuns das CIDs. Contudo, os loci genômicos mais comumente afetados em pacientes sindrômicos com CID foram mutações autossômicas recessivas em ATM (ataxiatelangiectasia mutado), mutações autossômicas dominantes em STAT3 (signal transducer and activator of transcription 3) e microdeleções em 22q11.21. Os pacientes sindrômicos com CIDs tiveram taxa de sobrevivência de cinco anos significativamente menor do que aqueles não sindrômicos com CIDs. Os pesquisadores concluíram que este estudo fornece prova de princípio para a aplicação de painéis de sequenciamento alvo da próxima geração em países com recursos de diagnóstico limitados. Segundo os autores, o impacto do diagnóstico genético em cuidados clínicos requer melhorias contínuas nos recursos terapêuticos para esses pacientes. Uma resenha de: Clinical, Immunological and Genetic Spectrum of 696 Patients with Combined Immunodeficiency Autores: Abolhassani H, Chou J, Bainter W et al.

A microbiota das vias aéreas sinaliza a remodelação anabólica e catabólica no pulmão transplantado

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Jul 18. pii: S0091-6749(17)31102-8

O turnover homeostático da matriz extracelular condiciona a estrutura e a função do pulmão saudável. No transplante de pulmão, o controle de longo prazo permanece limitado pela disfunção crônica do aloenxerto pulmonar, um termo guarda-chuva usado para uma entidade heterogênea, em última instância, associada à remodelação patológica das vias aéreas e/ou ao parênquima. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi avaliar se o crosstalk local entre a microbiota pulmonar e as células hospedeiras é um determinante-chave no controle da remodelação das vias aéreas inferiores póstransplante. Para a realização deste estudo foram isolados o DNA da microbiota e o RNA total do hospedeiro a partir de 189 procedimentos de lavado bronco-alveolar obtidos de 116 pacientes após transplante pulmonar. Foi aplicada a técnica de PCR em tempo real para quantificar a expressão de um conjunto de 11 genes que codificam componentes da matriz ou fatores envolvidos na síntese ou degradação da matriz (remodelação anabólica e catabólica, respectivamente). A composição de microbiota foi caracterizada usando sequenciamento e cultura de genes de RNA ribossômico 16S. Os resultados identificaram 4 perfis de expressão gênica do hospedeiro, dentre os quais o remodelamento catabólico, associado à alta expressão de metalopeptidase-7, -9 e -12, divergiu do remodelamento anabólico ligado à trombospondina máxima e à expressão do fator de crescimento derivado de plaquetas. Enquanto a remodelação catabólica estava alinhada com uma microbiota dominada por bactérias próinflamatórias (por exemplo, Staphylococcus, Pseudomonas e Corynebacterium), o remodelamento anabólico estava ligado a membros típicos do estado estável saudável (por exemplo, Prevotella, Streptococcus e Veillonella). Inferências sobre o mecanismo subjacente apontam que essas bactérias podem afetar a ativação do macrófago e fibroblastos do hospedeiro e a deposição matricial. Os pesquisadores concluíram que a interação hospedeiro-micróbio potencialmente determina atividades de remodelação no pulmão transplantado, o que aponta para novas oportunidades terapêuticas para melhorar o resultado do transplante pulmonar de longo prazo. Uma resenha de: Airway microbiota signals anabolic and catabolic remodeling in the transplanted lung Autores: Mouraux S, Bernasconi E, Pattaroni C, Koutsokera A, Aubert JD, Claustre J, Pison C, Royer PJ, Magnan A, Kessler R, Benden C, Soccal PM,Marsland BJ, Nicod LP; SysCLAD Consortium.

A exposição ao ácido n-glicolilneuramínico não microbiano protege crianças que vivem em ambientes rurais contra a inflamação das vias aéreas e colite

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Jun 17. pii: S0091-6749(17)30994-6

Estudos recentes demonstraram que crianças que vivem em ambientes rurais adquirem proteção contra o desenvolvimento de doenças inflamatórias, como alergias, asma e doenças inflamatórias intestinais. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi avaliar se a exposição a estruturas de origem microbiana ou não, como um tipo de ácido siálico denominado ácido N-glicolilneuramínico (Neu5Gc), poderia desempenhar um papel importante no desenvolvimento de alergias. A exposição ao Neu5Gc foi avaliada pela quantificação dos níveis séricos de anticorpos anti-Neu5Gc de crianças registradas em 2 estudos agrícolas, a saber: o ensaio PARSIFAL (Prevention of Allergy Risk factors for Sensitization in Children Related to Farming and Anthroposophic Lifestyle; n = 299) e a coorte de nascimento PASTURE (Protection Against Allergy Study in Rural Environments) (sangue do cordão umbilical [n = 836], 1 ano [n = 734], 4,5 anos [n = 700] e 6 anos [n = 728]). Os dados foram posteriormente associados com diagnósticos de asma e sibilância. O efeito de Neu5Gc foi examinado em modelos murinos de inflamação das vias aéreas e colite. O papel de Neu5Gc na regulação da ativação imune, por sua vez, foi avaliado com base em células T auxiliares e ativação de células T reguladoras em camundongos. Os resultados mostraram que houve correlação positiva dos níveis de IgG antiNeu5Gc em crianças que vivem em ambiente rural e o aumento da expressão da FOXP3 (Forkhead Box Protein 3) no sangue periférico, bem como correlação inversa com sibilos e asma em indivíduos não atópicos. A exposição a Neu5Gc em camundongos resultou em redução da hiper-reatividade das vias aéreas e recrutamento de células inflamatórias para o pulmão. Além disso, a administração de Neu5Gc em camundongos reduziu a gravidade de um modelo de colite. Inferências sobre o mecanismo subjacente apontam que a exposição a Neu5Gc reduziu o número de células T IL-17+ e favoreceu a diferenciação de células T reguladoras. Os pesquisadores concluíram que além da exposição microbiana, o aumento da exposição ao Neu5Gc não microbiano pode contribuir para os efeitos protetores associados ao ambiente rural. Uma resenha de: Exposure to nonmicrobial N-glycolylneuraminic acid protects farmers' children against airway inflammation and colitis Autores: Frei R, Ferstl R, Roduit C, Ziegler M, Schiavi E, Barcik W, Rodriguez-Perez N, Wirz OF, Wawrzyniak M, Pugin B, Nehrbass D, Jutel M, Smolinska S, Konieczna P, Bieli C, Loeliger S, Waser M, Pershagen G, Riedler J, Depner M, Schaub B, Genuneit J, Renz H, Pekkanen J, Karvonen AM, Dalphin JC, van Hage M, Doekes G, Akdis M, Braun-Fahrländer C, Akdis CA, von Mutius E, O'Mahony L, Lauener RP; Prevention of Allergy Risk factors for Sensitization in Children Related to Farming and Anthroposophic Lifestyle (PARSIFAL); Protection Against Allergy Study in Rural Environments (PASTURE)/Mechanisms of Early Protective Exposures on Allergy Development (EFRAIM); study groups.

Quando a dermatite atópica requer terapia sistêmica? Recomendações de um painel de especialistas do International Eczema Council

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Am Acad Dermatol. 2017 Oct;77(4):623-633

A maioria dos tratamentos para dermatite atópica são realizados efetivamente com medicação tópica, no entanto há uma parcela significativa de pacientes que necessita de terapia sistêmica, porém não existem diretrizes para a tomada de decisões sobre o avanço para a terapia sistêmica. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Academy of Dermatology, foi orientar aqueles que consideram o uso da terapia sistêmica na dermatite atópica e fornecer uma estrutura para avaliação antes da tomada da decisão terapêutica com o paciente. Neste estudo, um subgrupo do International Eczema Council determinou aspectos a serem considerados antes da prescrição da terapia sistêmica. Os tópicos foram atribuídos a revisores especializados que realizaram uma revisão de literatura específica do tópico, mencionaram nas diretrizes quando disponíveis e forneceram interpretação e opinião especializada. Os autores recomendam que antes da terapia sistêmica, deve haver uma abordagem sistemática e holística para avaliar os pacientes com sinais e sintomas graves de dermatite atópica, além do impacto na qualidade de vida. As etapas tomadas antes de iniciar a terapia sistêmica incluem considerar diagnósticos alternativos ou concomitantes, evitando fatores desencadeantes, aprimorando a terapia tópica, garantindo uma educação adequada do paciente/cuidador, tratando a infecção coexistente, avaliando o impacto na qualidade de vida e considerando a fototerapia. Os autores atribuem como limitação deste estudo o fato de se tratar de uma declaração de consenso e não de uma revisão sistemática. Os pesquisadores concluem que a decisão de iniciar a medicação sistêmica deve incluir avaliação da gravidade e da qualidade de vida, considerando o estado geral de saúde do indivíduo, necessidades psicológicas e atitudes pessoais em relação às terapias sistêmicas. Uma resenha de: When does atopic dermatitis warrant systemic therapy? Recommendations from an expert panel of the International Eczema Council Autores: Simpson EL, Bruin-Weller M, Flohr C, Ardern-Jones MR, Barbarot S, Deleuran M, Bieber T, Vestergaard C, Brown SJ, Cork MJ, Drucker AM, Eichenfield LF, Foelster-Holst R, Guttman-Yassky E, Nosbaum A, Reynolds NJ, Silverberg JI, Schmitt J, Seyger MMB, Spuls PI, Stalder JF, Su JC, Takaoka R, Traidl-Hoffmann C, Thyssen JP, van der Schaft J, Wollenberg A, Irvine AD, Paller AS.

Papel do equilíbrio de IL-12 / IL-35 na síndrome de Sjögren

11/12/2017 | Fonte:

Estudos demonstram que há o envolvimento de uma assinatura de interferon na patogênese da síndrome de Sjögren primária, no entanto ainda não está completamente esclarecido se a assinatura é do tipo 1 ou 2. Ensaios genéticos e resultados de estudos em modelos animais sugerem o envolvimento das vias T helper 1 e interferon tipo 2. Além disso, os polimorfismos do gene da interleucina 12A (IL12A), que codifica para IL-12p35, foram associados à síndrome de Sjögren primária. A subunidade IL-12p35, por sua vez é compartilhada por 2 heterodímeros, IL-12 e IL-35. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi confirmar a associação genética do polimorfismo de IL-12A e síndrome de Sjögren primária, bem como esclarecer o envolvimento do equilíbrio de IL-12/IL-35 na síndrome de Sjögren por estudos funcionais. O estudo genético envolveu 673 pacientes com síndrome de Sjögren primária de 2 coortes franceses da mesma patologia, além de outros 585 indivíduos franceses controles saudáveis. Foram realizados estudos funcionais em monócitos ordenados, estimulados ou não. Os níveis de RNAm de IL-12A e a expressão proteica de IL-12 e IL-35 foram avaliados por qRT-PCR e por ELISA, além de um kit multiplex para IL-35 e IL-12, respectivamente. Os resultados demonstraram uma associação entre o polimorfismo IL-12A rs485497 e a síndrome de Sjögren primária, além de um aumento do nível de proteína sérica de IL-12p70 em pacientes com síndrome de Sjögren primária portadores do alelo de risco (p = 0,016). Também foi observado que o nível sérico de IL-12p70 foi maior nos pacientes do que nos controles (p = 0,0001), especialmente pacientes com doença mais ativa (p = 0,05). Por outro lado, o nível de IL-35 diminuiu nos pacientes (p = 0,0001) especialmente em pacientes com doença mais ativa (p = 0,05). As análises de subconjuntos de células sanguíneas identificaram que o RNAm de IL-12p35 e EBI-3 foi detectado apenas em células B com tendência para um menor nível entre os pacientes com síndrome de Sjögren primária. Os pesquisadores concluíram que os resultados confirmam o envolvimento do equilíbrio IL-12/IL-35 na patogênese da síndrome de Sjögren primária. Segundo os autores, o nível sérico de IL-35 foi associado à baixa atividade da doença, em contraste com o nível sérico de IL-12p70, que foi bastante associado à doença mais ativa. Uma resenha de: Role of the IL-12/IL-35 balance in Sjögren's syndrome Autores: Fogel O, Rivière E, Seror R, et al. Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Sep 12. pii: S0091-6749(17)31434-3

Papel prognóstico da regressão histológica no melanoma cutâneo primário: uma revisão sistemática e meta-análise

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Br J Dermatol. 2017 Apr 7. [Epub ahead of print]

Ainda não há consenso sobre a significância prognóstica da regressão histológica no melanoma primário, o que, por sua vez, permanece em debate há anos. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no British Journal of Dermatology, foi rever a evidência para esclarecer como a regressão histológica pode afetar o prognóstico. Para a realização desta revisão sistemática, foi realizada busca nas bases de dados MEDLINE, Scopus e na Biblioteca Cochrane para estudos publicados a partir de 1º de janeiro de 1966 até 1º de agosto de 2015. Foram incluídos todos os estudos que relatam razão de risco ou dados sobre a sobrevivência e regressão histológica. As meta-análises primárias de efeitos aleatórios foram utilizadas para resumir as medidas de resultado. O teste ?2 e a estatística I2 foram utilizados para avaliação da heterogeneidade e o viés potencial de pequenos estudos foi verificado pelos métodos de gráfico em funil e pelo método de correlação de classificação ajustado de Begg e Mazumdar. O resumo dos resultados de sobrevivência foi mensurado como razão de risco ou risco relativo de morte aos 5 anos de acordo com a presença de regressão histológica do melanoma primário. A busca retornou um total de 1.876 artigos, sendo que 183 foram selecionados. 10 estudos atenderam aos critérios de inclusão e foram analisados, totalizando 8.557 pacientes. Os resultados mostraram que os pacientes com regressão histológica apresentaram menor risco relativo de morte (0,772; IC 95%, 0,612-0,973) do que aqueles sem regressão histológica. Não houve evidências de viés de publicação com base nos resultados da análise do modelo de gráfico em funil. Os pesquisadores concluíram que a regressão histológica é um fator protetor para a sobrevivência. Uma resenha de: Prognostic role of Histologic regression in primary cutaneous melanoma: A Systematic Review and Meta-analysis Autores: Gualano MR, Osella-Abate S, Scaioli G, Marra E, Bert F, Faure E, Baduel ES, Balagna E, Quaglino P, Fierro MT, Siliquini R, Ribero S.

Diferenças de sexo na associação de taxas de incidência de melanoma cutâneo e exposição geográfica à luz ultravioleta

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Am Acad Dermatol. 2017 Mar;76(3):499-505.e3

As taxas de incidência de melanoma cutâneo (MC) continuam a aumentar e os motivos são desconhecidos. Anteriormente, foi relatado uma incomparável diferença sexo especifica à idade no melanoma, que sugeriu outras causas além da radiação solar ultravioleta (UV). Este estudo, publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, procurou entender se e como a radiação UV afeta diferencialmente a incidência de MC em homens e mulheres. Os dados de MC e o índice UV diário (UVI) de 31 registros de câncer foram coletados para análise de associação. Um segundo conjunto de dados de 42 estados dos EUA foi utilizado para validação. Não houve associação entre as taxas de MC feminino log-transformadas e os níveis de UVI, mas houve uma associação significativa entre as taxas masculinas e UVI e uma associação significativa entre as taxas globais e UVI. Os níveis de associação UVI de 5 anos (representados pelo coeficiente de Pearson ?) aumentaram com a idade em homens, mas os níveis ? específicos da idade permaneceram baixos e inalterados nas mulheres. A taxa significativa de associação UVI em homens e não associação em mulheres foi validada em uma população de residentes brancos dos Estados Unidos. Conflitos, incluindo temperatura e latitude, são difíceis de separar de UVI. Os autores concluíram que UVI ambiental parece estar associado à incidência de melanoma em homens, mas não em mulheres. Uma resenha de: Sex differences in the association of cutaneous melanoma incidence rates and geographic ultraviolet light exposure Autores: Liu-Smith F, Farhat AM, Arce A, Ziogas A, Taylor T, Wang Z, Yourk V, Liu J, Wu J, McEligot AJ, Anton-Culver H, Meyskens FL.

Lentigo maligno - localização anatômica como fator de risco potencial para recidivas após tratamento não cirúrgico

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Eur Acad Dermatol Venereol. 2017 Mar;31(3):450-454

Dados anteriores de um estudo de coorte observou uma maior incidência de recorrências de lentigo maligno no nariz após tratamento não cirúrgico. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, foi investigar os parâmetros histológicos que podem estar relacionados com a maior incidência (observada anteriormente) de recidivas de lentigo maligno no nariz após tratamento não cirúrgico. Para a realização deste estudo, foram selecionados de forma aleatória cerca de 22 espécimes cirúrgicos de lentigo maligno no nariz e 22 na bochecha. A análise histopatológica foi realizada em lâminas com amostras coradas por hematoxilina e eosina, além de coloração imunohistoquímica para fator de transcrição de microftalmia. Foram realizadas as seguintes análises: determinação do número de unidades pilossebáceas (PSU) por mm, profundidade máxima de melanócitos atípicos ao longo da pele e a profundidade máxima da PSU per se. Os resultados mostraram que o nariz apresentou densidade significativamente maior de PSU do que a bochecha. Os melanócitos atípicos se estenderam mais profundamente ao longo da PSU no nariz com profundidade média (desvio-padrão) de 1,29 mm (0,48) em comparação a 0,72 mm (0,30) na bochecha (P <0,001). A profundidade máxima da PSU no nariz foi maior do que na bochecha; profundidade média (desvio-padrão) de 2,28 mm (0,41) vs. 1,65 mm (0,82) (P = 0,003). Os pesquisadores concluíram que o maior risco de recorrência de lentigo maligno no nariz após o tratamento não cirúrgico observado anteriormente é provavelmente baseado em uma maior densidade de melanócitos atípicos, e também pela sua extensão mais profunda nos folículos. Segundo os autores, esses resultados esclareceram os achados anteriores e evidenciam que a localização anatômica é relevante para o risco de recorrência de lentigo maligno após o tratamento não cirúrgico. Uma resenha de: Lentigo maligna - anatomic location as a potential risk factor for recurrences after non-surgical treatment Autores: Greveling K, van der Klok T, van Doorn MB, Noordhoek Hegt V, Prens EP.

Suplementação de vitamina D durante a gravidez: efeito no sistema imunológico neonatal em um ensaio controlado randomizado

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 May 16. pii: S0091-6749(17)30575-4

Estudos demonstram que a “programação” do sistema imune durante o desenvolvimento fetal pode influenciar os fatores de risco e os resultados relacionados à asma na vida adulta. Nesse sentido, evidências confirmam que a vitamina D é um importante modulador imunológico, de modo que a deficiência desta vitamina durante a gestação poderia influenciar o desenvolvimento de doenças na criança. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi avaliar o efeito da suplementação materna de vitamina D3 (4400 UI/d) sobre a imunidade neonatal durante o segundo e terceiro trimestres da gravidez, utilizando um subconjunto de amostras de sangue do cordão umbilical de um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo (Vitamin D Antenatal Asthma Reduction Trial). Foram realizadas análises das amostras de sangue do cordão umbilical de bebês recém-nascidos de mães que foram suplementadas com 4400 UI/d (n = 26) ou 400 UI/d (n = 25) de vitamina D3. As principais análises incluíram: composição de células imunes através de citometria de fluxo, expressão do Toll-like receptor (TLR) por PCR e secreção de citocinas após estímulos mitogênicos, TLR e de células T por CBA (cytometric bead array). Também foi avaliada a responsividade à dexametasona. Os resultados mostraram resposta melhorada de citocinas pró-inflamatórias de amplo espectro de células mononucleares do sangue do cordão umbilical para estímulos inatos e mitogênicos (P = 0,0009) resultante da suplementação de mães com 4400 UI de vitamina D3. O aumento médio foi de 1,7 a 2,1 vezes nos níveis de várias citocinas pró-inflamatórias (GM-CSF, IFN-?, IL-1ß, IL-6 e IL-8) em todos os estímulos. Também houve maior expressão gênica de TLR2 (P = 0,02) e TLR9 (P = 0,02) e um aumento maior do que 4 vezes na produção de IL-17A (P = 0,03) após a estimulação das células T policlonais. Os resultados também indicaram melhora na resposta de IL-10 de células mononucleares do sangue do cordão umbilical para o tratamento com dexametasona em cultura (P = 0,018). Os pesquisadores concluíram que a exposição à vitamina D durante o desenvolvimento fetal influencia o sistema imunológico do recém-nascido, o que pode contribuir para a proteção contra a asma e infecções relacionadas na infância. Uma resenha de: Vitamin D supplementation during pregnancy: Effect on the neonatal immune system in a randomized controlled trial Autores: Hornsby E, Pfeffer PE, Laranjo N, Cruikshank W, Tuzova M, Litonjua AA, Weiss ST, Carey VJ, O'Connor G, Hawrylowicz C.

Risco futuro de exacerbações graves em longo prazo: trajetórias distintas de 5 anos de asma problemática

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Allergy. 2017 Sep;72(9):1398-1405

Um componente importante para o controle da asma trata da avaliação do risco futuro de exacerbações. Embora a literatura apresente dados sobre a temática, a maioria dos estudos investigou o risco em curto prazo, de modo que pacientes com asma problemática com trajetória desfavorável da doença em longo prazo e exacerbações graves frequentes precisam ser identificados precocemente para orientar o tratamento. O objetivo deste estudo, publicado no Allergy, foi identificar distintas trajetórias das taxas de exacerbação severa entre os pacientes com "asma problemática" e desenvolver um escore de risco para prever a trajetória mais desfavorável. Para a realização deste estudo, foram rastreadas taxas de exacerbação severa ao longo de cinco anos para 177 pacientes com "asma problemática" em uma clínica especializada em asma. As trajetórias distintas das taxas de exacerbação severa foram identificadas por meio de modelagem de trajetória baseada em grupo. Os preditores de linha de base da trajetória foram identificados e utilizados no desenvolvimento de um escore de risco clínico para prever a trajetória mais desfavorável. Os resultados apontaram três trajetórias distintas: 58,5% apresentaram exacerbações severas intermitentes raras ("infrequentes"), 32,0% apresentaram exacerbações graves frequentes no início, mas com melhora posterior ("não persistente”) e 9,5% apresentaram exacerbações graves persistentemente frequentes, com maior incidência de asma quase fatal (“persistentemente frequente"). Um escore de risco clínico preditivo da trajetória "persistentemente frequente" foi composto por: =2 exacerbações graves no ano anterior (+2 pontos), história de asma quase fatal (+1 ponto), índice de massa corporal =25kg/m2 (+1 ponto), apneia obstrutiva do sono (+1 ponto), refluxo gastroesofágico (+1 ponto) e depressão (+1 ponto) (área sob a curva de característica de operação do receptor: 0,84, sensibilidade 72,2%, especificidade 81,1% usando o ponto de corte =3 pontos). As trajetórias e o escore de risco clínico tiveram excelente desempenho em uma coorte de validação independente. Os pesquisadores concluíram que pacientes com asma problemática seguem trajetórias distintas da doença ao longo de um período de 5 anos. Os autores destacam que foi possível validar um escore de risco clínico que identifica com precisão os pacientes que terão exacerbações graves persistentemente frequentes no futuro. Uma resenha de: Long-term future risk of severe exacerbations: Distinct 5-year trajectories of problematic asthma Autores: Yii ACA, Tan JHY, Lapperre TS, Chan AKW, Low SY, Ong TH, Tan KL, Chotirmall SH, Sterk PJ, Koh MS.

Os resultados da asma melhoram com a pressão positiva contínua das vias aéreas para a apneia obstrutiva do sono

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Allergy. 2017 May;72(5):802-812

Evidências indicam que a pressão positiva contínua das vias aéreas em pacientes que apresentam concomitantemente asma e síndrome de apneia obstrutiva do sono parece ter um resultado favorável na asma, contudo, os dados são ainda inconclusivos haja vista as limitações metodológicas de estudos anteriores. Neste estudo prospectivo e multicêntrico, publicado no Allergy, os autores investigaram os resultados da asma após 6 meses de pressão positiva contínua das vias aéreas em 99 pacientes adultos com asma (média de idade de 57 anos) e síndrome de apneia obstrutiva do sono (índice de perturbação respiratória =20). O controle da asma e a qualidade de vida foram avaliados com os questionários ACQ (Asthma Control Questionnaire) e MiniAQLQ (Mini Asthma Quality of Life Questionnaire), respectivamente. Os dados foram analisados por intenção de tratar. Os resultados (média ± desvio-padrão) mostraram uma redução na pontuação do questionário ACQ após 6 meses (1,0 ± 0,78) em relação à linha de base (1,39 ± 0,91) (P = 0,003). A porcentagem de pacientes com asma não controlada também diminuiu de 41,4% para 17,2% (P = 0,006), assim como o percentual de pacientes com crises de asma nos 6 meses anteriores (35,4%) e após o tratamento (17,2%) (P = 0,015). Houve também um aumento da pontuação do mAQLQ de 5,12 ± 1,38 para 5,63 ± 1,17 (P = 0,009). Os resultados indicaram melhorias significativas nos sintomas de refluxo gastroesofágico e rinite, reversibilidade brônquica e valores de óxido nítrico exalado (todos P <0,05). Não foram observadas alterações significativas na terapia de drogas para a asma ou suas comorbidades, nem no peso do paciente. Os pesquisadores concluíram que houve melhora do controle da asma (risco real e futuro), da qualidade de vida e da função pulmonar após o início da pressão positiva contínua das vias aéreas em asmáticos com síndrome moderada à severa de apneia obstrutiva do sono. Uma resenha de: Asthma outcomes improve with continuous positive airway pressure for obstructive sleep apnea Autores: Serrano-Pariente J, Plaza V, Soriano JB, Mayos M, López-Viña A, Picado C, Vigil L; CPASMA Trial Group.

O índice de atividade e cicatrização da epidermólise bolhosa (EBDASI): classificação da gravidade da doença e avaliação da capacidade de resposta às alterações clínicas na epidermólise bolhosa

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Eur Acad Dermatol Venereol. 2017 Apr;31(4):692-698

A avaliação da gravidade da epidermólise bolhosa é, por vezes, comprometida pela carência de medidas de resultado validadas, o que dificulta a comparação da eficácia das terapias. Estudos recentes indicaram que o índice de atividade e cicatrização da epidermólise bolhosa (EBDASI, do inglês Epidermolysis Bullosa Disease Activity and Scarring Index) é uma ferramenta válida e confiável para epidermólise bolhosa, porém a sua interpretação para uso na prática clínica e em ensaios clínicos ainda não foi definida. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology foi investigar a interpretação do EBDASI na classificação de pacientes de acordo com a gravidade da doença e resposta clínica. Foram avaliados prospectivamente um total de 53 pacientes ambulatoriais com epidermólise bolhosa em duas instituições interestaduais. Em cada visita, o dermatologista principal completou o EBDASI e realizou avaliações globais da gravidade e mudanças da doença. As classificações para doença leve, moderada e grave usando o EBDASI foram determinadas usando as curvas de características de operação do receptor. As diferenças mínimas clinicamente importantes para a subescala da atividade EBDASI foram calculadas e comparadas com o erro padrão de medida. Os resultados mostraram que os escores totais de EBDASI de 0-42, 43-106 e 107-506 corresponderam à doença leve, moderada e grave, respectivamente. Reduções nos escores de atividade do EBDASI superiores a 9 indicaram melhora clinicamente significativa, enquanto que um aumento de 3 no índice de atividade indicou deterioração. Os pesquisadores concluíram que o EBDASI é uma ferramenta responsiva e pode ser útil para caracterizar a gravidade e a resposta da doença. Segundo os autores, os cortes propostos neste estudo fornecem o primeiro guia prático para a interpretação do EBDASI, corroborando ainda mais seu uso para a avaliação longitudinal do paciente e nos ensaios clínicos. Uma resenha de: The Epidermolysis Bullosa Disease Activity and Scarring Index (EBDASI): grading disease severity and assessing responsiveness to clinical change in epidermolysis bullosa Autores: Jain SV, Harris AG, Su JC, Orchard D, Warren LJ, McManus H, Murrell DF.

Análise de IgA do colostro contra bactérias envolvidas em infecções neonatais

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.3, pp.256-261

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Einstein (São Paulo), foi descrever e comparar a especificidade de anticorpos IgA de amostras de colostro contra extratos bacterianos de Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Salmonella enteritidis. As amostras de colostro foram coletadas assepticamente nas primeiras 12 horas após o nascimento por cesariana. A especificidade de IgA contra extratos de bactérias foi analisada por Western blot. Os achados mostraram proteínas de alto peso molecular frequentemente detectáveis nas amostras. S. aureus foi a bactéria mais encontrada nas amostras (p<0,05). Cerca de 93,8, 56,3, 62,5 e 60,4% das amostras apresentaram IgA reativa a S. aureus, K. pneumoniae, S. enteritidis e E. coli, respectivamente. Aproximadamente 40% das amostras não apresentaram IgA reativa contra K. pneumoniae, S. enteritidis e E. coli. Segundo os pesquisadores, a evidência clínica da importância da amamentação para proteção imunológica ao recém-nascido foi consistente com os achados imunológicos observados, uma vez que a maioria das amostras mostrou IgA reativa contra as espécies testadas. A aplicação e o desenvolvimento de imunoterapias durante a gestação, focada nos antígenos frequentemente detectados, poderiam ser importantes instrumentos para aumentar a presença de IgA no colostro. Uma resenha de: Análise de IgA do colostro contra bactérias envolvidas em infecções neonatais Autores: Dias, Elizabeth Moreira; Rodrigues, Denise Bertulucci Rocha; GeraldoMartins, Vinícius Rangel e Nogueira, Ruchele Dias.

Utilização minimizada de contraste na intervenção coronária percutânea guiada pelo ultrassom intravascular. Seguimento de 1 ano do estudo randomizado MOZART

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:247-50 - Vol. 23 Núm.4

Recentemente, o estudo MOZART demonstrou que a utilização do ultrassom intracoronário (USIC) para guiar a intervenção coronariana percutânea (ICP) diminui o volume de contraste utilizado no procedimento. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva, foi avaliar a incidência de eventos adversos cardiovasculares tardios desses pacientes. Pacientes com risco para nefropatia induzida por contraste (NIC) ou para sobrecarga de volume, e com indicação de ICP, foram randomizados para procedimento guiado pela angiografia ou USIC, e acompanhados por um período de 1 ano. Resultados Incluídos 83 pacientes nos grupos ICP guiado por angiografia (n = 42) ou USIC (n = 41), sendo que 77,1% eram diabéticos e 44,6% tinham clearance de creatinina < 60mL/min/1,73m2. As características clínicas e angiográficas não mostraram diferenças entre os grupos. A maioria tinha lesões tipo B2/C (89,8%) e uma mediana de dois stents foram usados (intervalo interquartil: 1,0 2,0 stents). O tempo de procedimento da ICP guiada por USIC foi 14 minutos maior do que no grupo guiado por angiografia (p = 0,006). No entanto, os grupos não diferiram em relação ao tempo de fluoroscopia ou à média de aquisições de imagem por procedimento. A NIC ocorreu em 19,0% vs. 7,3% (p = 0,26). No período de seguimento de 1 ano, 12% dos pacientes apresentaram algum evento cardiovascular maior, sendo dois óbitos (um para cada grupo), e não houve diferenças entre os grupos. Os pesquisadores concluíram que a estratégia de redução de contraste com a ICP guiada pelo ultrassom intravascular, em pacientes com risco para NIC ou sobrecarga de volume, mostrou se segura a curto e longo prazos. Uma resenha de: Utilização minimizada de contraste na intervenção coronária percutaânea guiada pelo ultrassom intravascular. Seguimento de 1 ano do estudo randomizado MOZART Autores: José Mariani, Fernando Roberto De Fazzio, Fernando Luis Melo Bernardi, Breno de Alencar Araripe Falcão, Cristiano Guedes Bezerra, Antonio Esteves Filho, Paulo Rogério Soares, Sílvio Zalc, Roberto Kalil Filho, Pedro Alves Lemos Neto.

Stents farmacológicos de segunda geração para tratamento de lesões proximais isoladas da artéria descendente anterior. Dados do Registro SAFIRA

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:256-60 - Vol. 23 Núm.4

A estenose grave do terço proximal da artéria descendente anterior (ADA) é classificada como lesão de alto risco, visto que pode comprometer grande parte do miocárdio ventricular esquerdo. Os stents farmacológicos (SF) de segunda geração têm demonstrado maior eficácia e segurança quando comparados aos não farmacológicos ou aos de primeira geração. Até o momento são escassos os relatos na literatura do emprego desses dispositivos para o tratamento de lesões isoladas do terço proximal da ADA. O presente estudo observacional e prospectivo, publicado na Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva, incluiu pacientes uniarteriais, portadores de lesão de novo no terço proximal da ADA, tratados eletivamente com SF de segunda geração. Foram avaliados os desfechos clínicos hospitalares e tardios. Foram incluídos 70 pacientes, sendo a maioria do sexo masculino (70%), com média de idades de 65,4 ± 11,2 anos e com alta prevalência de diabetes (37%). O quadro clínico mais frequente foi angina estável (57,1%) e metade das lesões era do tipo B2 ou C. Foram tratadas 70 lesões com 71 stents, com sucesso angiográfico de 100%. O desfecho primário composto por óbito cardíaco, infarto não fatal ou revascularização do vaso alvo no seguimento clínico de 2,5 anos ocorreu em 3% dos pacientes. A mortalidade cardíaca foi de 1,5%, e a revascularização da lesão alvo foi necessária em apenas 1,5% dos pacientes. Os pesquisadores concluíram que em pacientes uniarteriais com lesões de novo da ADA proximal, o tratamento eletivo com SF de segunda geração parece ser uma opção segura, com baixas taxas de eventos cardíacos adversos ou necessidade de nova revascularização Uma resenha de: Stents farmacológicos de segunda geração para tratamento de lesões proximais isoladas da artéria descendente anterior. Dados do Registro SAFIRA Autores: Fernanda Marinho Mangionea, Maria Fernanda Zulliani Mauroa, Paulo Vasconcelos Silvaa, Nádia Mendonça Carnietoa, Salvador André Bavaresco Cristóvãoa, Adnan Ali Salmana, Gustavo Alexandre Dutraa, Bernardo Monteiro de Aguillar Giordanoa, Fabio Musa Mustafa Dessiyeha, Marcelo P. Gomesa, Tanas Jateneb, José Armando Mangionea.

Melhor controle glicêmico e menos hipoglicemia com insulina glargina 300 U/mL vs glargina 100 U/mL: meta-análise dos níveis em 1 ano de pacientes com diabetes tipo 2 dos estudos clínicos EDITION

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Diabetes Obes Metab. 2017 Sep 1. doi: 10.1111/dom.13105

Com o objetivo de investigar a eficácia e a segurança da insulina glargina 300 U/mL (Gla-300) versus insulina glargina 100 U/mL (Gla-100) ao longo de 12 meses, foi realizada uma meta-análise, publicada no periódico Diabetes, Obesity & Metabolism, que utilizou dados dos estudos EDITION em pessoas com diabetes tipo 2 (DM2). EDITION 1, 2 e 3 foram estudos de fase IIIa multicêntricos, randomizados, abertos, de 2 braços de grupos paralelos e de tratamento-alvo. A semelhança dos projetos dos estudos e desfechos permitiram a realização desta meta-análise. As reduções na hemoglobina glicada (HbA1c) foram melhor sustentadas ao longo de 12 meses com Gla-300 do que com Gla-100 (diferença média de mínimos quadrados [MQ] do início: -0,10% [intervalo de confiança de 95% {IC} -0,18 a - 0,02] ou -1,09 mmol/mol [IC 95% -2,01 a -0,20]; P = 0,0174). O risco de hipoglicemia confirmada (=3,9 mmol/L) ou hipoglicemia grave foi 15% menor com Gla-300 vs Gla-100 à noite (risco relativo 0,85 [IC 95% 0,77-0,92]) e 6% inferior a qualquer hora do dia (risco relativo 0,94 [IC 95% 0,90-0,98]). As taxas de hipoglicemia foram 18% mais baixas com Gla-300 vs Gla-100 à noite (taxa 0,82 [IC 95%: 0,67-0,99]), mas comparáveis a qualquer hora do dia. A HbA1c <7,0% sem hipoglicemia noturna foi alcançada por 24% mais participantes com Gla-300 do que com Gla-100 (risco relativo 1,24 [IC 95% 1,03-1,50]). A hipoglicemia grave foi rara em ambos os grupos de tratamento e a incidência de eventos a qualquer hora do dia foi =3,6%, enquanto que as taxas de eventos foram de =0,08 por ano/participante. Os autores concluíram que, em uma ampla população de pessoas com DM2 ao longo de 12 meses, o uso de Gla-300 proporcionou um controle glicêmico mais sustentado e risco de hipoglicemia significativamente menor durante a noite e a qualquer momento do dia em comparação com Gla-100. Uma resenha de: Better glycaemic control and less hypoglycaemia with insulin glargine 300 U/mL vs glargine 100 U/mL: 1-year patient-level meta-analysis of the EDITION clinical studies in people with type 2 diabetes Autores: Ritzel R, Roussel R, Giaccari A, Vora J, Brulle-Wohlhueter C, Yki-Järvinen H.

Comparação de Insulina Glargina 300 Unidades/mL e 100 Unidades/mL em Adultos com Diabetes tipo 1: perfis e variabilidade de monitoramento contínuo de glicose usando injeções matinais ou noturnas

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Diabetes Care. 2017 Apr;40(4):554-560

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Diabates Care, foi comparar o controle da glicose em participantes com diabetes tipo 1 que receberam insulina glargina 300 unidades/mL (Gla-300) ou glargina 100 unidades/mL (Gla-100) pela manhã ou pela noite, em combinação com insulina durante as refeições. Neste estudo cruzado exploratório de dois períodos, aberto, de grupos paralelos, 59 adultos com diabetes tipo 1 foram randomizados (1:1:1:1) para administração de Gla-300 ou Gla-100 uma vez por dia, pela manhã ou pela noite (com cross-over no cronograma de injeção). O desfecho primário de eficácia foi a porcentagem média de tempo na faixa alvo de glicose (80-140 mg/dL), conforme medido utilizando o monitoramento contínuo de glicose (MCG), durante as últimas 2 semanas de cada período de 8 semanas. Os desfechos adicionais incluíram outros parâmetros de controle de glicemia MCG, hipoglicemia (por glicose plasmática automonitorada [GPAM]) e eventos adversos. A porcentagem de tempo dentro da faixa alvo de glicose foi comparável entre os grupos Gla-300 e Gla-100. Houve um aumento significativamente menor na glicose baseada em MCG durante as últimas 4h do intervalo de injeção de 24 horas para Gla-300 em comparação com Gla-100 (diferença média de mínimos quadrados -14,7 mg/dL [IC 95% -26,9 a -2,5]; P = 0,0192). As curvas de glicose média de 24h para o grupo Gla-300 foram mais suaves (excursões glicêmicas mais baixas), independentemente da injeção da manhã ou da noite. Quatro medidas individuais de variabilidade intersticial de glicose não mostraram diferença entre Gla-300 e Gla-100. A confirmação noturna (<54 mg/dL por SMPG) ou a taxa de hipoglicemia grave foi menor para os participantes de Gla-300 do que para os participantes de Gla-100 (4,0 vs 9,0 eventos por ano-participante); taxa 0,45 [IC 95%: 0,24-0,82]). Segundo os pesquisadores deste estudo, foram observados menos aumentos nos níveis de glicose baseados em MCG nas últimas 4h do intervalo de injeção de 24h, perfis de glicose de 24 horas mais suaves independentemente do horário de injeção e hipoglicemia noturna reduzida com Gla-300 em comparação com Gla-100. Uma resenha de: Comparison of Insulin Glargine 300 Units/mL and 100 Units/mL in Adults With Type 1 Diabetes: Continuous Glucose Monitoring Profiles and Variability Using Morning or Evening Injections Autores: Bergenstal RM, Bailey TS, Rodbard D, Ziemen M, Guo H, Muehlen-Bartmer I, Ahmann AJ.

Atividade física, volume cerebral e risco de demência: o estudo Framingham

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2017 Jun 1;72(6):789-795

Resultados de diversos estudos longitudinais indicam haver relação inversa entre níveis de atividade física e declínio cognitivo, demência e/ou doença de Alzheimer, no entanto os resultados ainda são inconsistentes. O objetivo deste estudo, publicado no Journals of Gerontology. Series A, Biological Sciences and Medical Sciences, foi realizar o seguimento por mais de 10 anos de uma coorte de idosos baseada em comunidade para investigar a associação da atividade física com o risco de demência incidente e marcadores subclínicos de ressonância magnética cerebral para demência. O índice de atividade física (IAF) foi avaliado nos indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos pertencentes às coortes Framingham Study Original e Offspring. Foi avaliada a associação entre IAF e risco de demência incidente de todas as causas e doença de Alzheimer nos participantes de ambas as coortes que estavam cognitivamente intactas e tinham IAF disponível (n = 3.714; 54% mulheres, idade média = 70 ± 7 anos). Também foi examinada a associação entre IAF e ressonância magnética cerebral na coorte Offspring (n = 1,987). Os resultados indicaram que 236 participantes desenvolveram demência ao longo de uma década de acompanhamento, sendo 188 casos de doença de Alzheimer. Os participantes no quintil mais baixo do IAF apresentaram risco maior de demência incidente em comparação com aqueles em quintis superiores (razão de risco [HR]=1,50, intervalo de confiança [IC] de 95% = 1,04-1,97, p = 0,028) em uma relação multivariávelmodelo ajustado. A análise secundária revelou que esta relação foi limitada aos participantes não carreadores do alelo da apolipoproteína (APO) Ee4 (HR = 1,58, IC 95% = 1,08-2,32; p = 0,018) e mais fortes em participantes com 75 anos ou mais. O IAF também estava linearmente relacionado ao volume cerebral total e hipocampo (ß ± erro padrão = 0,24 ± 0,06; p <0,01 e 0,004 ± 0,001; p = 0,003, respectivamente). Os pesquisadores concluíram que níveis baixos de atividade física estão associados ao risco aumentado de demência em indivíduos idosos, sugerindo que um risco reduzido de demência e maiores volumes cerebrais podem ser benefícios adicionais para a saúde resultantes da manutenção da atividade física na velhice. Uma resenha de: Physical Activity, Brain Volume, and Dementia Risk: The Framingham Study Autores: Tan ZS, Spartano NL, Beiser AS, DeCarli C, Auerbach SH, Vasan RS, Seshadri S.

Fatores de risco na meia idade para prejuízos da função física e cognitiva em idades avançadas: um estudo de coorte

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2017 Feb;72(2):237-242

Estudos anteriores investigaram os fatores de risco da meia idade para comprometimento da função física e cognitiva, separadamente, em idades avançadas. Neste estudo, publicado no Journal of Gerontology. Series A, Biological Sciences and Medical Science, entretanto, os autores tiveram como objetivo verificar a sobreposição de fatores de risco para ambos os domínios (físico e cognitivo) dentro da mesma configuração. Neste estudo, os autores avaliaram os fatores de risco biológicos e comportamentais aos 50 anos de idade e o funcionamento cognitivo e físico 18 (desvio-padrão, 5) anos depois no estudo Whitehall II (N = 6.316). A função física prejudicada foi definida como =1 limitação nas atividades da escala da vida diária. A função cognitiva prejudicada, por sua vez, foi caracterizada como o escore Mini-Mental State Examination superior a 27. Foram empregadas duas análises estatísticas: análise minimamente ajustada (para idade, sexo e etnia) e análise mutuamente ajustada (incluindo todos os fatores de risco). Os dados faltantes sobre fatores de risco foram relacionados. Após o ajuste para fatores de confusão, a função física e cognitiva prejudicada em idades avançadas foi predita pela hipertensão (odds ratios [ORs] 1,80 intervalo de confiança de 95% [CI] 1,39-2,33 e 1,57 IC 95% 1,07-2,31, respectivamente), má função pulmonar (1,51 IC 95%: 1,28-1,78 e 1,31 IC 95% 1,08-1,59) e inatividade física, marginalmente no caso da função cognitiva (1,50 IC 95%: 1,19-1,90 e 1,27 IC 95%: 0,99-1,62) aos 50 anos. A função física prejudicada, mas não a cognitiva, foi adicionalmente predita pela depressão e maior índice de massa corporal (1,72 IC 95%: 1,46-2,03 e 1,29 IC 95%: 1,16-1,44, respectivamente). Os pesquisadores concluíram que diversos fatores de risco da meia idade estão associados a problemas de função física e cognitiva em idades avançadas, corroborando a necessidade de uma política de prevenção unificada. Os autores destacam, ainda, que a análise de 12 fatores de risco aos 50 anos sugere que as estratégias visando o combate a inatividade física, a hipertensão e a má função pulmonar reduzirão os impedimentos tanto no funcionamento cognitivo quanto físico em idades avançadas. Uma resenha de: Midlife Risk Factors for Impaired Physical and Cognitive Functioning at Older Ages: A Cohort Study SP, 30/10/2017 Autores: Brunner EJ, Welch CA, Shipley MJ, Ahmadi-Abhari S, Singh-Manoux A, Kivimäki M.

Fatores de risco na meia idade para prejuízos da função física e cognitiva em idades avançadas: um estudo de coorte

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2017 Feb;72(2):237-242

Estudos anteriores investigaram os fatores de risco da meia idade para comprometimento da função física e cognitiva, separadamente, em idades avançadas. Neste estudo, publicado no Journal of Gerontology. Series A, Biological Sciences and Medical Science, entretanto, os autores tiveram como objetivo verificar a sobreposição de fatores de risco para ambos os domínios (físico e cognitivo) dentro da mesma configuração. Neste estudo, os autores avaliaram os fatores de risco biológicos e comportamentais aos 50 anos de idade e o funcionamento cognitivo e físico 18 (desvio-padrão, 5) anos depois no estudo Whitehall II (N = 6.316). A função física prejudicada foi definida como =1 limitação nas atividades da escala da vida diária. A função cognitiva prejudicada, por sua vez, foi caracterizada como o escore Mini-Mental State Examination superior a 27. Foram empregadas duas análises estatísticas: análise minimamente ajustada (para idade, sexo e etnia) e análise mutuamente ajustada (incluindo todos os fatores de risco). Os dados faltantes sobre fatores de risco foram relacionados. Após o ajuste para fatores de confusão, a função física e cognitiva prejudicada em idades avançadas foi predita pela hipertensão (odds ratios [ORs] 1,80 intervalo de confiança de 95% [CI] 1,39-2,33 e 1,57 IC 95% 1,07-2,31, respectivamente), má função pulmonar (1,51 IC 95%: 1,28-1,78 e 1,31 IC 95% 1,08-1,59) e inatividade física, marginalmente no caso da função cognitiva (1,50 IC 95%: 1,19-1,90 e 1,27 IC 95%: 0,99-1,62) aos 50 anos. A função física prejudicada, mas não a cognitiva, foi adicionalmente predita pela depressão e maior índice de massa corporal (1,72 IC 95%: 1,46-2,03 e 1,29 IC 95%: 1,16-1,44, respectivamente). Os pesquisadores concluíram que diversos fatores de risco da meia idade estão associados a problemas de função física e cognitiva em idades avançadas, corroborando a necessidade de uma política de prevenção unificada. Os autores destacam, ainda, que a análise de 12 fatores de risco aos 50 anos sugere que as estratégias visando o combate a inatividade física, a hipertensão e a má função pulmonar reduzirão os impedimentos tanto no funcionamento cognitivo quanto físico em idades avançadas. Uma resenha de: Midlife Risk Factors for Impaired Physical and Cognitive Functioning at Older Ages: A Cohort Study SP, 30/10/2017 Autores: Brunner EJ, Welch CA, Shipley MJ, Ahmadi-Abhari S, Singh-Manoux A, Kivimäki M.

Relação entre mobilidade funcional e dinapenia em idosos com fragilidade

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.3, pp.278-282

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Einstein (São Paulo), foi investigar a relação entre mobilidade funcional e dinapenia em idosos frágeis institucionalizados. Foi realizado um estudo descritivo, correlacional conduzido com 26 idosos institucionalizados de ambos os sexos com média de idade de 82,3±6 anos. Os instrumentos utilizados foram o Mini-Exame do Estado Mental, Escala de Depressão Geriátrica, Questionário Internacional de Atividade Física, teste Timed Up and Go, dinamômetro de preensão manual e dinamômetro portátil para avaliar grandes grupos musculares (flexores do ombro, flexores do cotovelo, flexores do quadril, extensores do joelho e dorsiflexores do tornozelo). Foi observada correlação negativa significativa do nível de mobilidade funcional avaliado pelo teste Timed Up and Go com a dinapenia em relação a todos os grupos musculares avaliados, sobretudo os extensores do joelho (r -0,65). Os pesquisadores concluíram que foi encontrada significativa correlação negativa da força muscular, sobretudo dos extensores do joelho, com a mobilidade funcional em idosos institucionalizados. Quanto maior a força muscular, menor foi o tempo de execução, o que pode significar um melhor desempenho no teste de mobilidade funcional. Uma resenha de: Relação entre mobilidade funcional e dinapenia em idosos com fragilidade Autores: Soares, Antonio Vinicius; Marcelino, Elessandra; Maia, Késsia Cristina e Borges Junior, Noé Gomes.

Intervenções do farmacêutico clínico em uma Unidade de Cuidados Intermediários com foco no paciente idoso

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.3, pp.283-288

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Einstein (São Paulo), foi discutir o papel do farmacêutico clínico no cuidado hospitalar de pacientes críticos, idosos. Ao longo do período de 4 meses, foi realizado o acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes críticos com 60 anos ou mais, admitidos pela equipe de Clínica Médica em uma Unidade de Cuidados Intermediários. Diariamente, foram realizadas avaliações das prescrições médicas, frente ao quadro clínico, a fim de encontrar oportunidades de otimização da farmacoterapia prescrita, contribuindo para a maior segurança da prescrição, a redução de desconfortos, e o uso correto e racional de medicamentos. Foram avaliadas 386 prescrições e realizadas 212 intervenções farmacêuticas, sendo 64,3% destas classificadas como aceitas com alteração na prescrição, 28,5% não aceitas e 7,2% aceitas verbalmente, porém sem alteração na prescrição. As intervenções envolviam indicações farmacoterapêuticas, orientações para ajustes de dose, redução do uso de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos, ajustes de prescrição, suspensão de medicamentos desnecessários, entre outras. Os pesquisadores concluíram que o significativo número de intervenções aceitas pela equipe da saúde reforça o papel que o farmacêutico clínico tem a desempenhar na equipe multiprofissional, sobretudo quando direcionados ao cuidado de idosos. Uma resenha de: Intervenções do farmacêutico clínico em uma Unidade de Cuidados Intermediários com foco no paciente idoso Autores: Viana, Stéphanie De Souza Costa; Arantes, Tiago e Ribeiro, Sabrina Corrêa da Costa.

Qualidade de vida relacionada à saúde em pacientes adultos com transtornos de imunodeficiência comum variável e impacto do tratamento

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Clin Immunol. 2017 Jul;37(5):461-475

O transtorno de imunodeficiência comum variável (IDCV) é uma doença de imunodeficiência primária (DIDP) frequentemente associada a infecções graves e crônicas. Os pacientes geralmente recebem tratamento com imunoglobulina (Ig) para reduzir o ciclo de infecção recorrente e melhorar o funcionamento físico. No entanto, a forma como o tratamento com Ig na IDCV afeta a qualidade de vida (QV) não foi avaliada minuciosamente. A recente pesquisa da Fundação de Imunodeficiência (FID), publicada no Journal of Clinical Immunology, teve por objetivo avaliar os fatores associados à QV em pacientes com IDCV sob tratamento com Ig. Um questionário de 75 perguntas desenvolvido pela FID e uma pesquisa de saúde de formulário curto de 12 itens (FS-12) para avaliar QV foram enviados para adultos com IDCV. Os escores médios FS-12 foram comparados entre os pacientes com IDCV e a amostra normativa geral da população adulta dos Estados Unidos (EUA). No geral, 945 pacientes com IDCV completaram as pesquisas. Mais de metade dos pacientes (54,9%) receberam Ig intravenosa e 44,9% receberam tratamento de Ig subcutâneo. Os pacientes com IDCV apresentaram escores de FS-12 significativamente menores em comparação com a população geral dos EUA, independentemente do sexo ou da idade (p <0,05). A via de reposição de Ig não melhorou drasticamente a QV. Os escores de FS-12 foram maiores nos pacientes com IDCV que apresentaram DIDP bem controlada, com ausência de deficiências físicas, que não relataram incômodos pelo tratamento e que receberam infusões de Ig em casa. Os autores concluíram que esses dados fornecem informações sobre quais fatores estão mais associados à saúde física e mental e o que pode ajudar a melhorar a QV em pacientes dessa população. As melhorias na QV podem resultar da detecção precoce de doenças, limitação de doença do sistema digestivo, atenção à fadiga e implantação de um plano de tratamento individual para o paciente. Uma resenha de: Health-Related Quality of Life in Adult Patients with Common Variable Immunodeficiency Disorders and Impact of Treatment Autores: Rider NL, Kutac C, Hajjar J, Scalchunes C, Seeborg FO, Boyle M, Orange JS. SP, 16/10/2017

O consumo de iogurte na infância está inversamente associado à dermatite atópica e sensibilização alimentar aos 5 anos de idade: um estudo hospitalar de coorte de nascimentos

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Dermatol Sci. 2017 May;86(2):90-96

Diversos estudos indicam que o consumo habitual de iogurte está associado a melhores resultados para problemas de saúde em crianças. Porém, ainda não há informações suficientes sobre os efeitos do consumo de iogurte em doenças alérgicas e sensibilização em crianças. O objetivo deste estudo prospectivo de coorte de nascimentos, publicado no Journal of Dermatological Science, foi verificar as associações entre o consumo habitual de iogurte na infância e o desenvolvimento de doenças alérgicas/sensibilização aos 5 anos de idade. Para a realização deste estudo os autores analisaram dados do ensaio T-CHILD (Tokyo Children's Health, Illness and Development), que contemplou um total de 1.550 crianças nascidas de mulheres registradas no ensaio. O consumo de iogurte pelas crianças durante a infância foi determinado por questionários alimentares preenchidos pelos pais aos 12 meses de idade. Além dos questionários, os dados foram analisados considerando também exames médicos concluídos aos 5 anos de idade. As possíveis associações entre o consumo habitual de iogurte na infância e as doenças/sensibilidades alérgicas foram analisadas por análises de regressão logística múltipla. Foram analisados dados de questionários respondidos pelos pais de 1.166 crianças aos 5 anos de idade. Os resultados mostraram que houve uma associação significativa entre o consumo habitual de iogurte na infância e a presença de dermatite atópica aos 5 anos de idade (critérios UKWP: odds ratio ajustada, 0,70; IC 95%, 0,510,97; P=0,03). As crianças com consumo habitual de iogurte na infância foram menos propensas a serem sensibilizadas aos alérgenos alimentares (odds ratio ajustada, 0,53; IC 95%, 0,31-0,93; P = 0,03), contudo não foram observadas associações em relação a outros alérgenos. Os pesquisadores concluíram que o consumo habitual de iogurte na infância tem potencial para prevenir o desenvolvimento de dermatite atópica e sensibilização alimentar aos 5 anos de idade, mas não com outras doenças alérgicas. Uma resenha de: Yogurt consumption in infancy is inversely associated with atopic dermatitis and food sensitization at 5 years of age: A hospital-based birth cohort study Autores: Shoda T, Futamura M, Yang L, Narita M, Saito H, Ohya Y.

A enterografia por ressonância magnética na doença celíaca pediátrica

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.4, pp.413-419

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi avaliar se a enterografia por ressonância magnética (ERM) consegue comprovar/mostrar a extensão da doença em pacientes pediátricos com doença celíaca (DC) comprovada por biópsia, comparar com um grupo de controle e correlacionar os achados da ERM com o nível de anticorpo antiendomísio (EMA) indicador de dieta sem glúten. Foram recrutados 31 pacientes pediátricos (idade média entre 11,7 ± 3,1 anos) com DC comprovada por biópsia e 40 pacientes pediátricos em um grupo de controle. As imagens da ERM dos pacientes com DC e no grupo de controle foram avaliadas por dois radiologistas pediátricos às cegas para o padrão da mucosa, presença de espessamento da parede, dilatação luminal do intestino delgado e achados extraintestinais. Os prontuários dos pacientes foram revisados para anotação de características clínicas e achados laboratoriais. A avaliação histopatológica das biópsias duodenais foi feita novamente. A duração média da doença foi 5,6 ± 1,8 anos (faixa de 3-7,2 anos). Em 24 (77%) dos pacientes, os níveis EMA estavam elevados (média 119,2 ± 66,6 RU/mL). A ERM revelou um padrão de pregas normal em todos os pacientes; 10 (32%) dos pacientes apresentaram gânglios linfáticos mesentéricos aumentados. Os pesquisadores concluíram que apesar da maioria dos pacientes ter níveis elevados de EMA, o que indica uma dieta pobre, a ERM não mostrou anomalia na mucosa associada à incapacidade de a ERM detectar alterações leves/precoces de DC nas crianças. Portanto, ela pode não ser útil no acompanhamento da DC pediátrica. Uma resenha de: A enterografia por ressonância magnética na doença celíaca pediátrica Autores: Koc, Gonca et al.

Tratamento precoce melhora o prognóstico urodinâmico na disfunção miccional de origem neurogênica: 20 anos de experiência

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.4, pp.420-427

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi avaliar a associação entre tratamento precoce e melhoria urodinâmica em pacientes pediátricos e adolescentes portadores de bexiga neurogênica. Foi realizado um estudo observacional longitudinal retrospectivo (entre 1990-2013) em pacientes com bexiga neurogênica e mielomeningocele tratados com base no diagnóstico urodinâmico. Foi avaliada a evolução urodinâmica (complacência, capacidade e pressão vesical) e consideramos primeira melhoria urodinâmica em até dois anos como variável desfecho e encaminhamento precoce (primeira urodinâmica até um ano de vida) como exposição. Foi feita análise descritiva e multivariada com modelo de regressão logística. Entre 230 pacientes incluídos 52% foram encaminhados precocemente. A maioria tinha bexiga hiperativa com pressão maior do que 40 cmH2O, complacência abaixo de 3 ml/cmH2O e foi tratada com oxibutinina e cateterismo intermitente. Na evolução urodinâmica, 68% apresentou melhoria já no segundo exame com redução da pressão e aumento da capacidade e da complacência vesical. O percentual de incontinência e infecção urinária diminuiu ao longo do tratamento. O encaminhamento precoce aumentou 3,5 vezes a probabilidade de melhoria urodinâmica até dois anos em relação aos encaminhados após o primeiro ano de idade (CI95% 1,81-6,77). Os pesquisadores concluíram que tratar no primeiro ano de vida melhora o prognóstico urodinâmico de pacientes com bexiga neurogênica, triplica a probabilidade de melhoria urodinâmica em até dois anos. A atuação do neonatologista e do pediatra, ao reconhecer e encaminhar o paciente precocemente para o diagnóstico, é extremamente importante. Uma resenha de: Tratamento precoce melhora o prognóstico urodinâmico na disfunção miccional de origem neurogênica: 20 anos de experiência Autores: Monteiro, Lucia M. Costa et al.

Comparação da composição corporal e dos níveis de adipocina entre crianças pré-púberes magras e com peso normal

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.4, pp.428-435

A magreza pode ter consequências substanciais para o desenvolvimento e a saúde das crianças. As adipocinas, inclusive a leptina e a adiponectina, desempenham um papel significativo na regulação de importantes funções metabólicas. O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi investigar as associações entre a composição corporal e os níveis séricos de leptina e adiponectina em crianças magras e com peso normal. Foram examinadas 100 crianças pré-púberes saudáveis, divididas em dois subgrupos: crianças magras (n = 50) e com peso normal (n = 50). A composição corporal foi avaliada pelo método de absorciometria de dupla energia de raios X. As concentrações séricas das adipocinas foram determinadas por ensaios imunoenzimáticos. As crianças magras apresentaram altura semelhante, porém peso corporal (p < 0,0001), índice de massa corporal (IMC), massa gorda, massa magra e conteúdo mineral ósseo (CMO) significativamente menores em comparação com crianças com peso normal. As concentrações séricas de leptina foram aproximadamente duas vezes mais baixas (p < 0,0001) em indivíduos magros do que em crianças com peso normal. Os níveis séricos de adiponectina total, multímeros de adiponectina e receptor de leptina solúvel (sOB-R) foram semelhantes em ambos os grupos. Os índices de leptina/sOB-R e leptina/adiponectina foram inferiores (p < 0,0001) em crianças magras do que crianças com peso normal. Em ambos os grupos de crianças os parâmetros de composição corporal estavam positivamente relacionados à leptina, porém não aos níveis de adiponectina. Além disso, foi observado que o CMO estava positivamente relacionado ao IMC, à massa gorda, à massa magra e ao nível de leptina em crianças magras e com peso normal. Os pesquisadores concluíram que as crianças pré-púberes magras têm alterações na composição corporal e no perfil de adipocinas. O reconhecimento precoce da magreza e a determinação dos parâmetros de composição corporal e dos níveis de adipocina podem ser úteis no cuidado médico e nutricional de crianças magras para aprimoramento do acúmulo mineral ósseo. Uma resenha de: Comparação da composição corporal e dos níveis de adipocina entre crianças pré-púberes magras e com peso normal Autores: Ambroszkiewicz, Jadwiga et al.

Nenhuma evidência de eventos adversos neurocognitivos associados ao tratamento com alirocumab em 3.340 pacientes de 14 ensaios randomizados controlados de fase 2 e 3: uma meta-análise de dados individuais de pacientes

11/12/2017 | Fonte: Fonte: European Heart Journal, ehx661; 27 November 2017

Apesar dos relatos de distúrbios neurocognitivos em pacientes sob tratamentos de redução de lipídios (TRLs), grandes ensaios clínicos não encontraram associação significativa entre distúrbios neurocognitivos e TRLs. O objetivo deste estudo, publicado no European Heart Journal, foi avaliar a incidência de eventos adversos neurocognitivos emergentes do tratamento (EAETs), de 14 estudos de fase 2 e 3 sobre o inibidor de proproteína convertase subtilisina/kexina tipo 9 (PCSK9) alirocumab. Pacientes (a maioria em tratamento com estatina em nível máximo tolerado) receberam alirocumab 75/150 mg a cada 2 semanas (n = 3.340; 4.029 doentes-anos de exposição), placebo (n = 1.276) ou ezetimibe (n = 618). Os dados foram agrupados pelo controle utilizado. Os EAETs neurocognitivos foram notificados por 22 (0,9%) pacientes tratados com alirocumab versus 9 (0,7%) tratados com placebo em ensaios controlados com placebo [taxa de risco (HR) 1,24, intervalo de confiança de 95% (IC) 0,57-2,68], e 10 (1,2%) com alirocumab versus 8 (1,3%) com ezetimiba em ensaios controlados com ezetimibe (HR 0,81, IC 95% 0,32-2,08). As taxas de EAETs neurocognitivos foram semelhantes nos pacientes que receberam alirocumab com níveis de colesterol LDL (LDL-C) <25 mg/dL (<0,65 mmol/L; n = 5/839; 0,6%; 0,5/100 doentes-anos) vs. =25 mg/dL (n = 26/2501; 1,0%; 0,8/100 pacientes-ano). Um paciente (0,1%, grupo controlado com ezetimibe) que recebeu alirocumab apresentou EAET neurocognitivo que levou à descontinuação versus dois (0,2%) pacientes que receberam placebo e três (0,4%) pacientes que receberam ezetimibe. A incidência neurocognitiva de EAET também foi semelhante entre alirocumab e controles quando estratificados por idade. Os autores concluíram que as incidências de EAETs neurocognitivos foram baixas (=1,2%), sem diferenças significativas entre o alirocumab versus controles por até 104 semanas. Não foram encontradas associações entre EAET neurocognitivos e LDL-C <25 mg/dL, com base nos testes concluídos de Fase 2 e 3 examinados, embora os efeitos a longo prazo de níveis muito baixos de LDL-C induzidos por inibidores de PCSK9 sejam desconhecidos. Palavras-chave: Eventos adversos neurocognitivos; alirocumab; meta-análise Uma resenha de: No evidence of neurocognitive adverse events associated with alirocumab treatment in 3340 patients from 14 randomized Phase 2 and 3 controlled trials: a meta-analysis of individual patient data Autores: Philip D Harvey, Marwan N Sabbagh, John E Harrison, Henry N Ginsberg, M John Chapman, Garen Manvelian, Angele Moryusef, Jonas Mandel, Michel Farnier.

A desnutrição e sua associação com readmissão e morte em 7 dias e entre 8 e 180 dias pós-alta em pacientes idosos: estudo prospectivo observacional

11/12/2017 | Fonte: Fonte: BMJ Open. 2017 Nov 12;7(11):e018443.

A relação entre o estado nutricional de admissão e os resultados clínicos após a alta hospitalar ainda não está bem estabelecida. O objetivo deste estudo, publicado no British Medical Journal, foi verificar se o estado nutricional de pacientes idosos na admissão é capaz de predizer a readmissão não planejada ou a morte precoce ou tardia após a alta hospitalar. Foram selecionados prospectivamente 297 pacientes com idade igual ou superior a 60 anos que se apresentaram ao Departamento de Medicina Geral de um hospital de cuidados terciários na Austrália. O estado nutricional foi avaliado na admissão utilizando a PG-SGA (Patient-Generated Subjective Global Assessment), e os pacientes foram classificados como nutridos (PG-SGA classe A) ou desnutridos (PG-SGA classes B e C). Foi utilizado um modelo de regressão logística multivariada para ajustar outras covariáveis, conhecidas por influenciar os resultados clínicos, bem como avaliar se a desnutrição é um preditor para a readmissão precoce (0-7 dias) ou tardia (8-180 dias), ou, de morte após a alta. O impacto do estado nutricional foi medido por um endpoint combinado, composto por qualquer readmissão ou morte dentro de 0-7 dias e entre 8 e 180 dias após a alta hospitalar. Os resultados mostraram que 29 (10,5%) pacientes tiveram uma readmissão não planejada ou morte no período de 7 dias após a alta, enquanto que 124 (50,0%) pacientes adicionais chegaram ao endpoint combinado dentro de 8-180 dias após a alta hospitalar. A desnutrição foi associada a um risco significativamente maior do endpoint combinado de readmissões ou morte, tanto no período de 7 dias (OR 4,57, IC 95% 1,69 a 12,37, P <0,001) como dentro de 8-180 dias (OR 1,98, IC 95% 1,19 a 3,28, P = 0,007) após a alta hospitalar, sendo que esse risco permaneceu significativo mesmo após ajuste para outras covariáveis. Os pesquisadores concluíram que a desnutrição em pacientes idosos no momento da internação hospitalar é um preditor significativo de readmissão ou morte, tanto em período precoce quanto prolongado, após a alta hospitalar. Segundo os pesquisadores, o estado nutricional deve ser incluído em modelos de predição de risco futuros. Palavras-chave: Desnutrição; readmissão hospitalar; morte; alta hospitalar; idosos Uma resenha de: Malnutrition and its association with readmission and death within 7 days and 8-180 days postdischarge in older patients: a prospective observational study Autores: Sharma Y, Miller M, Kaambwa B, Shahi R, Hakendorf P, Horwood C, Thompson C.

Capacidade funcional em idosos e idosos mais velhos após alta da unidade de terapia intensiva. Coorte prospectiva

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2017, vol.29, n.3, pp.293-302.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva, foi comparar a capacidade funcional de indivíduos idosos (60 a 79 anos) com a dos idosos mais velhos (= 80 anos) nos primeiros 6 meses após a alta da unidade de terapia intensiva. Foram coletados dados de uma coorte prospectiva multicêntrica, referentes à internação na unidade de terapia intensiva e aos desfechos após a alta hospitalar (no pós-alta imediato, após 3 meses e após 6 meses). A força muscular foi avaliada por meio do protocolo do Medical Research Council e da dinamometria (preensão palmar); a capacidade de execução das Atividades de Vida Diária e independência funcional pelo índice de Barthel e pelo nível habitual de atividade física (International Physical Activity Questionnaire); e a qualidade de vida pelo 12-Item Short-Form Health Survey Versão 2. Dentre os 253 pacientes incluídos, 167 eram idosos entre 61 a 79 anos, e 86 eram idosos mais velhos. Os idosos mais velhos, no sexto mês de avaliação, apresentaram maior necessidade de cuidador (69,0% versus 49,5%; p = 0,002). A funcionalidade prévia à unidade de terapia intensiva e no terceiro mês após alta foi menor nos idosos mais velhos em comparação aos mais jovens (Barthel anterior à unidade de terapia intensiva: 73,0 ± 30,0 versus 86,5 ± 22,6; p < 0,001; Barthel no terceiro mês: 63,5 ± 34,0 versus 71,5 ± 35,5; p = 0,03), assim como o nível habitual de atividade física (International Physical Activity Questionnaire no terceiro mês: ativo/muito ativo 3,4% versus 18,3%; nenhuma atividade física 64,4% versus 39,7%; p < 0,001; e International Physical Activity Questionnaire no sexto mês: ativo/muito ativo 5,8% versus 20,8%; nenhuma atividade física 69,2% versus 43,4%; p = 0,005). Os idosos mais velhos apresentaram menor força muscular ao serem avaliados pela preensão palmar no membro dominante (14,5 ± 7,7 versus 19,9 ± 9,6; p = 0,008) e do não dominante (13,1 ± 6,7 versus 17,5 ± 9,1; p = 0,02). Não houve diferença na perda da funcionalidade e na qualidade de vida referida, entre os grupos etários. Os pesquisadores concluíram que mesmo com grande perda funcional após a alta da unidade de terapia intensiva em ambos os grupos etários, não houve diferença na magnitude da perda da funcionalidade de indivíduos idosos (60 a 79 anos) quando comparados aos idosos mais velhos (= 80 anos) nos primeiros 6 meses após a alta da unidade de terapia intensiva. SP, 05/12/2017 Palavras-chave: Cuidados críticos; Aptidão física; Idoso fragilizado; Envelhecimento; Idoso; Idoso de 80 anos ou mais; Qualidade de vida. Uma resenha de: Capacidade funcional em idosos e idosos mais velhos após alta da unidade de terapia intensiva. Coorte prospectiva Autores: Dietrich, Camila et al.

Capacidade cognitiva na vida adulta tardia e início da fragilidade física: a coorte de nascimento Lothian 1936

11/12/2017 | Fonte: Fonte: J Am Geriatr Soc. 2017 Jun;65(6):1289-1295

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the American Geriatrics Society, foi verificar se a diminuição da capacidade cognitiva é um fator de risco para o desenvolvimento da fragilidade física, bem como se esse risco varia de acordo com o domínio cognitivo. Trata-se de um estudo longitudinal prospectivo, realizado na coorte de nascimentos Lothian 1.936 (N = 594), em Edimburgo – Escócia, com acompanhamento médio de 6 anos. A fragilidade foi avaliada aos 70 e 76 anos usando os critérios de Fried. A função cognitiva foi avaliada aos 70, 73 e 76 anos. As estimativas de escores do fator foram derivadas a partir de variações observadas desde a linha de base, considerando quatro domínios cognitivos: capacidade visuoespacial, memória, velocidade de processamento e capacidade cognitiva cristalizada. Os resultados indicaram haver uma associação entre maiores níveis basais de velocidade de processamento, memória, habilidade visuoespacial e habilidade cristalizada aos 70 anos e menor declínio na velocidade, memória e capacidade cognitiva cristalizada com menor risco de fragilidade aos 76 anos. Quando todos os domínios cognitivos foram modelados conjuntamente, a velocidade de processamento foi o único domínio associado ao risco de fragilidade. Para um incremento de 1 desvio padrão no nível inicial de velocidade de processamento, o risco de fragilidade foi 47% menor (0,53 95% de intervalo de confiança (IC) = 0,33-0,85) após ajuste para idade, sexo, estado de fragilidade basal, classe social, sintomas depressivos, número de doenças físicas crônicas, níveis de biomarcadores inflamatórios e outras estimativas de escore dos fatores cognitivos. Já para um aumento de 1 desvio padrão na variação da velocidade de processamento (menos declínio), o risco de fragilidade foi 74% menor (RRR = 0,26, IC 95% = 0,16-0,42). Os resultados foram semelhantes quando as análises adicionais foram conduzidas utilizando um único teste de velocidade de processamento que não exigiu respostas motoras rápidas (tempo de inspeção). Os pesquisadores concluíram que a velocidade com que os adultos mais velhos processam a informação e a taxa em que isso diminui ao longo do tempo pode ser um indicador importante do risco de fragilidade física. Uma resenha de: Cognitive Ability in Late Life and Onset of Physical Frailty: The Lothian Birth Cohort 1936 Autores: Gale CR, Ritchie SJ, Cooper C, Starr JM, Deary IJ. SP, 16/10/2017, Alterado em 05/12

Fatores socioeconômicos, demográficos e regionais associados ao envelhecimento populacional

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.4, pp.493-501

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi investigar a associação entre o envelhecimento populacional em municípios do estado do Rio Grande do Norte, RN, Brasil aos fatores socioeconômicos, demográficos e regionais. Foi realizado um estudo ecológico, que tem como unidade de análise os municípios do RN. A coleta de dados foi realizada através dos bancos de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e no Atlas de Desenvolvimento Humano. A partir de uma análise fatorial, foi criado o fator Mais Idade, o qual foi relacionado a variáveis socioeconômicas, demográficas e regionais. Foi utilizado o teste qui-quadrado com um nível de significância de 5%, além da técnica Hosmer and Lemeshow, para a regressão logística. Foi verificado que os municípios da mesorregião Central possuem uma população mais envelhecida, e aqueles com população intermediária possuíam indivíduos mais velhos. Além disso, constatou-se que os municípios com distribuição desigual de renda e com níveis educacionais maiores possuem uma população mais velha. Os pesquisadores concluíram que os municípios classificados como mais envelhecidos estiveram associados à mesorregião a que o município pertence, aqueles com porte populacional intermediário, com níveis educacionais favoráveis e com distribuição desigual de renda. Uma resenha de: Fatores socioeconômicos, demográficos e regionais associados ao envelhecimento populacional Autores: Melo, Laércio Almeida de; Ferreira, Lidiane Maria de Brito Macedo; Santos, Marquiony Marques dos e Lima, Kenio Costa de.

Tendências na prevalência de recém-nascidos vivos macrossômicos, estratificadas por idade gestacional, Brasil, 2001-2010 e 2012-2014

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Ginecol. Obstet. [online]. 2017, vol.39, n.8, pp.376-383.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, foi descrever tendências nas prevalências de macrossomia (peso ao nascer ± 4.000 g) segundo idade gestacional no Brasil em 2001-2010 e em 2012-2014. Foi realizado um estudo ecológico com dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC), incluindo bebês nascidos vivos a partir de 22 semanas, de gestações únicas. As tendências no Brasil como um todo e nas suas cinco regiões foram analisadas nos estratos pré-termo (22-36 semanas de gestação) e termo (37-42 semanas de gestação). Mudanças percentuais anuais (APCs) baseadas nos modelos de regressão propostos por Prais-Winsten e intervalos de confiança (ICs) de 95% foram calculados para verificar diferenças estatisticamente significantes no período 20012010. No Brasil, a prevalência de macrossomia foi de 5,3% (2001-2010) e 5,1% (2012-2014). As frequências foram sistematicamente maiores nas regiões Norte e Nordeste, tanto no pré-termo quanto no termo. No pré-termo, a região Norte apresentou a variação mais importante na prevalência de macrossomia (+137,5%) quando comparados o ano de 2001 (0,8%) e o de 2010 (1,9%). No termo, tendências declinantes foram observadas no Brasil e em todas as suas regiões. As tendências em 2012-2014 foram mais heterogêneas, com frequências maiores do que aquelas observadas em 2001-2010. As APCs no estrato pré-termo (2001-2010) mostraram que as mudanças foram estatisticamente significantes no Norte (APC: 15,4%; IC95%: 0,6-32,3) e no Sul (APC: 13,5%; IC95%: 4,8-22,9). No termo, a mudança ocorreu apenas no Norte (APC: -1,5%; IC95%: -2,5--0,5). Os pesquisadores concluíram que a prevalência de macrossomia no Brasil foi maior do que 5,0%. A macrossomia tem implicações potencialmente negativas para a saúde da criança e do adulto, e merece mais atenção das políticas de saúde pública no Brasil, bem como mais apoio para investigação e intervenção. Palavras-chave: macrossomia fetal; prevalência; tendências; epidemiologia; saúde materna; saúde da criança. Uma resenha de: Tendências na prevalência de recém-nascidos vivos macrossômicos, estratificadas por idade gestacional, Brasil, 2001-2010 e 2012-2014 Autores: Nascimento, Maria Isabel do et al.

Fazer refeições em família tem efeito protetor para a obesidade e bons hábitos alimentares na juventude? Revisão de 2000 a 2016

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Saude Mater. Infant. [online]. 2017, vol.17, n.3, pp.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, foi revisar a prevalência da prática de refeições em família e seu impacto no IMC e no comportamento alimentar durante a infância e adolescência. Foi realizada uma revisão nas bases Bireme / Lilacs / Scielo / Cochrane e Pubmed, entre 2000 a 2016, com descritores "refeição em família", "comportamento", "alimentação ou dieta ou ingestão alimentar" e "criança/adolescentes"; realizada por dois examinadores independentes e segundo etapas sistemáticas, em inglês e português. Foram selecionados trabalhos que apresentassem a prevalência e/ou discussão de relações entre variáveis nutricionais. Foram encontrados 2319 artigos, dos quais 15 foram selecionados, todos na língua inglesa: revisões sistemáticas (n=2), estudos transversais (n=8), estudos longitudinais (n=8); todos com crianças (n=5), adolescentes (n=6) e ambos (n=5). A média de compartilhamento de refeições foi de 1x/dia, com prevalência de 27 a 81%. A maioria dos estudos (n=13) descreveu impacto benéfico sobre o IMC, maior consumo de FLV, proteínas, fontes de cálcio e menor consumo de doces e bebida adoçadas, união familiar e auto regulação do apetite. Os pesquisadores concluíram que a realização das refeições em família diariamente exerce efeito benéfico sobre o estado nutricional e comportamento alimentar de crianças e adolescentes. Palavras-chave: Refeições; Criança; Adolescente; Nutrição; Comportamento alimentar. Uma resenha de: Fazer refeições em família tem efeito protetor para a obesidade e bons hábitos alimentares na juventude? Revisão de 2000 a 2016 Autores: Tosatti, Abykeyla Mellisse et al.

Desenvolvimento neuropsicomotor e estabilidade genômica associados aos níveis de folato e ferro sanguíneos de pré-escolares

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Saude Mater. Infant. [online]. 2017, vol.17, n.3, pp.511-518.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, foi avaliar o desenvolvimento neuropsicomotor e a estabilidade genômica associados ao folato e ferro sanguíneos em pré-escolares. Foi realizado um estudo transversal, no qual avaliou-se exames bioquímicos (hemograma completo, ferritina sérica, ferro e folato), desenvolvimento neuropsicomotor (Teste Denver II) e genotoxicidade (citoma de micronúcleos em células bucais esfoliadas) de 55 crianças com 36-59 meses de idade. Para a análise dos dados, empregou-se os testes T de Student, Kruskal-Wallis e correlação de Pearson ou Spearman, com nível de significância de p<0,05. A prevalência de anemia foi de 1,8%. Pelo teste de Denver II foram classificadas 32,7% das crianças como normais e 67,3% como suspeita de atraso. As crianças com suspeita de atraso apresentaram pequena redução no hematócrito e hemoglobina (p=0,05 e p=0,14), redução intermediária de ferro e folato (p=0,29 e p=0,23) e redução marcante de ferritina (p=0,03). Ferro e folato associaram-se significativamente com a frequência de células com lesões no DNA (p<0,05). A frequência de células binucleadas associouse positivamente com Red Cell Distribution Width (RDW) (r=0,56; p=0,02), nas crianças sem atraso e negativamente com folato (r=-0,33; p=0,05), nas crianças com atraso. Segundo os pesquisadores, este estudo mostrou baixa prevalência de anemia, mas elevada taxa de crianças com suspeita de atraso neuropsicomotor, possivelmente associada com baixos níveis de ferritina. Ademais, observou-se associação entre ferro e folato com dano no DNA, o que pode ter contribuído para o atraso neuropsicomotor. Palavras-chave: Ferro; Folato; Criança; Desenvolvimento neuropsicomotor; Estabilidade genômica. Uma resenha de: Desenvolvimento neuropsicomotor e estabilidade genômica associados aos níveis de folato e ferro sanguíneos de pré-escolares Autores: Fischer, Maiara de Queiroz et al

Tempo de observação e resolução espontânea de fimose primária em crianças

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Col. Bras. Cir. [online]. 2017, vol.44, n.5, pp.505-510.

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, foi investigar a taxa de resolução espontânea de uma série de pacientes com diagnóstico de fimose fisiológica e sua relação com o tempo de observação e com a presença de sintomas. Foi realizado um estudo retrospectivo e de seguimento longitudinal e observacional de pacientes em acompanhamento por fimose fisiológica, que não haviam realizado tratamento tópico. Estes pacientes foram convocados para uma consulta médica de reavaliação ou tiveram dados recentes obtidos a partir da análise dos prontuários. A taxa de resolução espontânea foi determinada e comparada estatisticamente de acordo com a idade, com a presença de sintomas no momento da primeira consulta e com o tempo transcorrido entre a primeira consulta e a reavaliação. Setenta e um pacientes foram incluídos no estudo. O tempo médio de observação, entre a primeira consulta e a reavaliação foi de 37,4 meses. Houve resolução espontânea da fimose em 32 (45%) pacientes. As crianças que apresentaram resolução espontânea eram mais jovens no momento do diagnóstico inicial e foram observadas por um maior intervalo de tempo. A maior parte dos pacientes assintomáticos na primeira consulta apresentou resolução espontânea. No entanto, não foi possível estabelecer uma relação significativa entre a presença de sintomas e a evolução da fimose fisiológica. Os pesquisadores concluíram que o tempo de observação foi o maior determinante para a resolução espontânea de pacientes com fimose fisiológica, o que reforça a tendência atual mais conservadora em relação às indicações de circuncisão para estes pacientes. Palavras-chave: Fimose; Circuncisão Masculina; Criança. Uma resenha de: Tempo de observação e resolução espontânea de fimose primária em crianças Autores: Lourencao, Pedro Luiz Toledo de Arruda et al.

Associação entre a provocação referente ao peso corporal e a atividade física em adolescentes

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.3, pp.309-315

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi investigar a associação entre a atividade física e a provocação referente ao peso corporal em escolares matriculados no sistema público de ensino em Curitiba, Paraná. A amostra foi composta por 95 escolares (48 meninos e 47 meninas) com idades entre 12 e 14 anos. Para avaliar a provocação, foram utilizadas as versões em português da Escala de Percepção de Provocação e a Escala de Percepção de Provocação Durante a Atividade Física. A atividade física foi mensurada por meio de acelerômetros. O Índice de Massa Corporal (IMC) foi utilizado para definição do estado nutricional dos participantes. A associação entre as variáveis de provocação e de atividade física foi analisada por meio da correlação de Pearson, adotando um nível de significância de 0,05. Não foram verificadas associações significativas entre as variáveis de provocação e atividade física. Foram observados valores elevados de indivíduos insuficientemente ativos (72%), com diferenças significativas entre os sexos (56,3% dos meninos e 89,4% das meninas, p<0,01). Os pesquisadores concluíram que a provocação referente ao peso foi vivenciada pelos escolares avaliados e não esteve relacionada com a atividade física. Destaca-se a importância de intervenções que incentivem a conscientização das consequências da provocação referente ao peso. Uma resenha de: Associação entre a provocação referente ao peso corporal e a atividade física em adolescentes Autores: Watanabe, Priscila Iumi et al.

Genotoxicidade e citotoxicidade dos raios x em crianças submetidas à radiografia panorâmica

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.3, pp.296-301

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi analisar a genotoxicidade e a citotoxicidade produzidas por raios X no epitélio da mucosa oral de crianças durante a obtenção da radiografia panorâmica. A amostra foi constituída por 30 crianças saudáveis, sendo 19 do sexo feminino e 11 do masculino, com faixa etária de 4 a 10 anos (média de 7 anos de idade). As células epiteliais da mucosa oral foram coletadas por meio de citologia esfoliativa em base líquida imediatamente antes e após sete dias da obtenção da radiografia panorâmica. Os esfregaços foram processados e corados utilizando a técnica de Feulgen Rossenbeck modificada. Foram analisadas e quantificadas projeções nucleares dos tipos bud e broken egg, alterações genotóxicas na forma de micronúcleo e alterações citotóxicas dos tipos picnose, cariólise e cariorrexe. A frequência de picnose, bud e broken egg foi significativamente maior após a exposição aos raios X (p<0,05), porém não houve diferença estatisticamente significante em relação ao sexo, bem como nas demais alterações estudadas. Os pesquisadores concluíram que a exposição aos raios X emitidos durante a obtenção da radiografia panorâmica pode induzir à morte celular no epitélio da mucosa oral de crianças. Não foi encontrado indício significativo de efeito genotóxico. Uma resenha de: Genotoxicidade e citotoxicidade dos raios x em crianças submetidas à radiografia panorâmica Autores: Antonio, Evelyn Louise et al.

Associação entre a atividade física de lazer e de deslocamento com a variabilidade da frequência cardíaca em adolescentes do sexo masculino

11/12/2017 | Fonte: Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.3, pp.302-308

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi investigar a associação entre parâmetros de variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e atividades físicas de lazer e deslocamento em adolescentes do sexo masculino. A amostra incluiu 1.152 adolescentes do sexo masculino com idades entre 14 e 19 anos. A variação dos batimentos cardíacos consecutivos (intervalos entre duas ondas R sucessivas - RR) foi avaliada, e calcularam-se os parâmetros da VFC no tempo (desvio padrão de todos os intervalos RR - SDNN, raiz quadrada da média do quadrado das diferenças entre intervalos RR normais adjacentes - RMSSD, porcentagem dos intervalos RR adjacentes com diferença de duração maior que 50 ms - pNN50) e domínios de frequência (low frequency - LF/high frequency - HF). Informações sobre atividades físicas de lazer e deslocamento foram obtidas por meio de um questionário. Realizou-se regressão logística binária entre parâmetros de VFC e atividade física. Foi descoberta associação entre atividades físicas de lazer e as variáveis SDNN, RMSSD e pNN50, mas não houve associação entre tais atividades e a razão LF/HF. Essas associações foram mais fortes entre adolescentes que se mantinham fisicamente ativos havia mais de seis meses. Atividades físicas de deslocamento não foram associadas a nenhum parâmetro de VFC. Jovens que praticavam atividades físicas de deslocamento e também se mantinham fisicamente ativos havia mais de seis meses apresentaram menor chance de ter baixa SDNN e RMSSD. Os pesquisadores concluíram que as atividades físicas de lazer e de deslocamento foram associadas a melhor VFC, e tais associações foram reforçadas quando os adolescentes mantinham atividade física havia mais de seis meses. Atividade física de deslocamento não foi associada com os parâmetros da VFC, no entanto tal associação surgiu nos casos de adolescentes fisicamente ativos em atividades de deslocamento havia mais de seis meses. Uma resenha de: Associação entre a atividade física de lazer e de deslocamento com a variabilidade da frequência cardíaca em adolescentes do sexo masculino Autores: Palmeira, Aline Cabral et al.

Avaliação temporal dos procedimentos de revascularização coronariana pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil: um panorama de 20 anos

29/11/2017 | Fonte: Fonte: Int. J. Cardiovasc. Sci. [online]. 2017, vol.30, n.5, pp.380-390

As taxas de mortalidade relacionadas à doença aterosclerótica coronariana (DAC) vêm reduzindo nas últimas décadas devido, em parte, aos avanços nas técnicas de revascularização. O objetivo deste estudo, publicado no International Journal of Cardiovascular Sciences, foi apresentar uma visão dos últimos 20 anos do tratamento da DAC pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Os dados foram obtidos através dos sistemas TABNET e SIGTAP do SUS e através do IBGE. Os procedimentos foram agrupados nas categorias de revascularização percutânea, cirúrgica e percutânea primária. Foram analisados o número de autorizações de internação hospitalar (AIH), duração média de permanência hospitalar, mortalidade hospitalar, valor do repasse total por procedimento e valores médios da AIH e dos serviços profissional e hospitalar. Entre 1995 e 2015, houve aumento no número de revascularizações cirúrgicas (de 13.198 a 22.559) e percutâneas (de 10.522 a 66.345). De modo semelhante, o número de angioplastias primárias apresentaram aumento entre 2004 e 2015 (de 1.901 a 8.524). Houve uma queda no tempo médio de permanência hospitalar (de 14,4 a 12,8 dias) e da mortalidade hospitalar (de 7,6% a 5,9%) nas revascularizações cirúrgicas e queda da permanência hospitalar (de 5,3 dias a 3,7 dias) mas manutenção da taxa de mortalidade (2,2%) nas revascularizações percutâneas. Nas angioplastias primárias, o tempo médio de permanência hospitalar variou de 5,3 a 5,6 dias e a taxa de mortalidade variou de 7,94% a 7,43% entre 2004 e 2015, respectivamente. O valor médio do repasse total para as revascularização cirúrgicas variou de R$ 4.327,57 para R$ 12.839,13 e para as revascularizações percutâneas de R$ 2.615,81 a R$ 6.187,87 entre 1995 e 2015, respectivamente. Os valores equivalentes para as angioplastias primárias foram de R$ 5.415,58 em 2004 a R$ 6.581,51 em 2015. Os pesquisadores concluíram que o número de procedimentos de revascularização aumentou no Brasil nos últimos 20 anos, juntamente com uma melhora nas taxas de mortalidade e redução no tempo de permanência hospitalar. Observou-se importante defasagem de valores financeiros em relação à inflação acumulada neste período. Uma resenha de: Avaliação Temporal dos Procedimentos de Revascularização Coronariana pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil: Um Panorama de 20 Anos Autores: Bienert, Igor Ribeiro de Castro et al.

Modelo probabilístico regional para avaliação prognóstica da cirurgia de revascularização miocárdica

29/11/2017 | Fonte: Fonte: Int. J. Cardiovasc. Sci. [online]. 2017, vol.30, n.4, pp.307-312

Escores de risco avaliam risco pré-operatório e permitem definir cuidados durante a intervenção, porém a performance destes instrumentos em amostras distintas das originais é pouco investigada. O objetivo deste estudo, publicado no International Journal of Cardiovascular Sciences, foi testar a validade externa de escores de risco cirúrgico cardíaco (STS e Euroscore) e investigar o poder preditivo de características clínicas da amostra. Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo realizado entre outubro de 2010 e abril de 2015. Fatores de risco para morbidade hospitalar foram identificados através de regressão logística. A amostra foi separada para validação cruzada, com 2/3 dos pacientes usados no ajuste do modelo e 1/3 para predições. A performance do STS, do Euroscore e de variáveis clínicas na amostra foi avaliada através de estatística-C (área sob a curva ROC) e calibração através do pelo de Hosmer-Lemeshow (H-L). Setenta e dois pacientes foram operados de doença arterial coronariana no Hospital Santa Izabel da Santa Casa, BA. A idade média foi 62,8 anos e 32,5% eram mulheres. Os escores de risco não apresentaram poder discriminativo significativo para amostra. Os fatores identificados como preditores independentes para o desfecho foram: idade, revascularização prévia e creatinina prévia. O modelo ajustado apresentou valores de discriminação e calibração semelhantes no ajuste (AUROC = 0,72; IC 95% 0,59-0,84; H-L valor p: 0,410) e na validação cruzada (AUROC = 0,70; IC 95% 0,55 - 0,84; H-L valor p: 0,197). Os pesquisadores concluíram que os escores de risco apresentaram desempenho insatisfatório. As variáveis clínicas permitiram a construção de um modelo com boa performance para predição de morbidade nos pacientes operados de revascularização. Uma resenha de: Modelo Probabilístico Regional para Avaliação Prognóstica da Cirurgia de Revascularização Miocárdica Autores: Viana, Valcellos José da Cruz et al.

Preditores de risco de mediastinite após cirurgia de revascularização do miocárdio: aplicabilidade de score em 1.322 casos

29/11/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.3, pp.207-212

A mediastinite é uma complicação cirúrgica grave de baixa incidência, porém com alto poder de letalidade. Escores utilizados no período pré-operatório para estratificar o risco de sua ocorrência podem contribuir para melhorar os resultados. O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi testar a aplicabilidade do MagedanzSCORE em prever risco de mediastinite em pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) em um hospital de referência em cardiologia. Foi realizado um estudo de coorte histórica conduzido com pacientes adultos submetidos à CRM. As variáveis analisadas foram as contempladas no MagedanzSCORE: reintervenção cirúrgica, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), obesidade, angina estável classe IV/angina instável, politransfusão sanguínea, mediastinite e óbito como variáveis de desfecho. Dentre os 1.322 pacientes analisados, 56 (4,2%) desenvolveram mediastinite. Destes, 26 (46,4%) foram classificados com risco elevado e 15 (26,8%) com risco muito elevado. Três das cinco variáveis do escore apresentaram diferenças estatisticamente significativas: reintervenção cirúrgica, DPOC e obesidade. Angina classe IV/instável e politransfusão (pós-operatória) não apresentaram associação com mediastinite após a CRM. A área sob a curva ROC foi de 0,80 (IC 95% 0,73 - 0,86), demonstrando capacidade satisfatória do modelo em prever a ocorrência de mediastinite. Os pesquisadores concluíram que o instrumento mostrou-se útil para auxiliar na avaliação pré-operatória por apontar o risco de mediastinite nesta população de pacientes de cuidados intensivos. Uma resenha de: Preditores de Risco de Mediastinite após Cirurgia de Revascularização do Miocárdio: Aplicabilidade de Score em 1.322 Casos Autores: Oliveira, Fabiana dos Santos et al.

Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados avaliando a segurança e a eficácia da drenagem pericárdica posterior em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca

29/11/2017 | Fonte: Fonte: J Thorac Cardiovasc Surg. 2017 Apr;153(4):865-875.e12

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Thoracic and Cardiovascular Surgery, foi avaliar os potenciais efeitos benéficos da drenagem pericárdica posterior em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca. Para a realização deste estudo, foram realizadas buscas em diversos bancos de dados on-line e publicações relevantes de congresso específicos para ensaios clínicos randomizados que avaliaram a eficácia e a segurança da drenagem pericárdica posterior, definida como incisão para pericardiotomia posterior, dreno torácico para pericárdio posterior, ou, ambos. Foi considerado como desfecho primário o tempo de internação/tamponamento cardíaco de 30 dias. Foram considerados como desfechos secundários: morte ou parada cardíaca, derrame pericárdico precoce e tardio, fibrilação atrial pós-operatória (POAF), lesão renal aguda, complicações pulmonares e duração da internação hospitalar. Após busca e aplicação dos critérios de inclusão foram incluídos e analisados 19 ensaios controlados e randomizados que registrou um total de 3.425 pacientes. Os resultados mostraram uma associação entre a drenagem pericárdica posterior com redução significativa de 90% para as odds de tamponamento cardíaco em comparação com o grupo controle: odds ratio (intervalo de confiança 95%) 0,13 (0,07-0,25); P <0,001. As taxas de eventos correspondentes foram 0,42% versus 4,95%. As odds para derrame pericárdico precoce e tardio foram reduzidas significativamente no braço de intervenção: 0,20 (0,11-0,36); P <0,001 e 0,05 (0,02-0,10); P <0,001, respectivamente. A drenagem pericárdica posterior reduziu significativamente as odds de POAF em 58% (P <0,001) e foi associada com o tempo total de permanência hospitalar reduzido (por quase 1 dia) (P <0,001). Os resultados também indicaram que reduções nas complicações pós-operatórias foram traduzidas em odds significativamente reduzidas de morte ou parada cardíaca (P = 0,03), bem como odds numericamente mais baixas de lesão renal aguda (P = 0,08). Os pesquisadores concluíram que a drenagem pericárdica posterior é uma técnica segura e simples que reduz significativamente a prevalência de derrame pericárdico precoce e POAF, além de derrame pericárdico tardio e tamponamento cardíaco. Segundo os autores, estes benefícios correspondem a uma melhor sobrevivência após cirurgia cardíaca. Uma resenha de: Systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials assessing safety and efficacy of posterior pericardial drainage in patients undergoing heart surgery Autores: Gozdek M, Pawliszak W, Hagner W, Zalewski P, Kowalewski J, Paparella D, Carrel T, Anisimowicz L, Kowalewski M.

Circunferência do pescoço e cluster de fatores de risco cardiovascular em crianças e adolescentes: estudo transversal

29/11/2017 | Fonte: Fonte: BMJ Open. 2017 Sep 11;7(9):e016048

A identificação precoce de fatores de risco para doença cardiovascular, como a obesidade, é fundamental para a prevenção de efeitos adversos de longo prazo na saúde dos indivíduos. Nesse sentido, os objetivos deste estudo, publicado no British Medical Journal, foram: 1) explorar a robustez da circunferência do pescoço como preditor de doença cardiovascular e examinar sua associação com outros índices antropométricos e de composição corporal; 2) determinar o valor de corte específico da circunferência do pescoço para gênero e idade, a fim de classificar os jovens com obesidade ou sobrepeso. Trata-se de um estudo transversal, realizado em 23 escolas primárias e 17 escolas secundárias da Espanha. Participaram 2.198 alunos, pertencentes à 1-4 e 7-10 séries, sendo que 1.060 eram meninas. Foram realizadas avaliações sanguíneas, antropométricas e de composição corporal, além da pressão arterial sistólica, diastólica e aptidão cardiorrespiratória. Foram analisados os níveis plasmáticos de triglicerídeos, colesterol total, colesterol de lipoproteínas de alta densidade (HDL-c), colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-c), glicose e marcadores inflamatórios. Também foram calculados o índice HOMA-IR (Homoeostasis Model Assessment) e o cluster de fatores de risco de doença cardiovascular Os resultados mostraram uma correlação positiva entre a circunferência do pescoço com todos os índices antropométricos e de composição corporal, por outro lado houve uma associação negativa com o consumo máximo de oxigênio (R2=0,231, p<0,001 para meninos, R2=0,018, p<0,001 para meninas). Também houve uma associação positiva entre a circunferência do pescoço e os seguintes fatores: pressão arterial sistólica e diastólica, triglicerídeos, colesterol total/HDL-c, índice HOMA, fatores do complemento C-3 e C-4, leptina, adiponectina e cluster de fatores de risco cardiovasculares em ambos os sexos (R2 de 0,035 a 0,353, p<0,01 para meninos, R2 de 0,024 a 0,215, p<0,001 para meninas). Além disso, a circunferência do pescoço foi positivamente associada à proteína C reativa plasmática, LDL-c e visfatina apenas em meninos (R2 de 0,013 a 0,107, p <0,05). Os pesquisadores concluíram que a circunferência do pescoço é uma ferramenta de triagem simples, de baixo custo e prática de avaliação do acúmulo de gordura nos membros superiores e dos fatores de risco de doença cardiovascular em crianças e adolescentes. Segundo os autores, os pediatras podem usar esta medida facilmente como ferramenta de triagem para sobrepeso/obesidade em crianças e adolescentes, de modo que para este fim, são fornecidos limiares do gênero e da idade específicos para classificar crianças e adolescentes como peso normal ou sobrepeso/obesidade. Uma resenha de: Neck circumference and clustered cardiovascular risk factors in children and adolescents: cross-sectional study Autores: Castro-Piñero J, Delgado-Alfonso A, Gracia-Marco L, Gómez-Martínez S, Esteban-Cornejo I, Veiga OL, Marcos A, Segura-Jiménez V;UP&DOWN Study Group.

Resultados na substituição tanscateter de válvula aórtica para estenose da válvula aórtica tricúspide versus bicúspide

29/11/2017 | Fonte: Fonte: J Am Coll Cardiol. 2017 May 30;69(21):2579-2589

A substituição transcateter de válvula aórtica (STVA) está sendo cada vez mais realizada em pacientes com estenose valvar (EV) aórtica bicúspide. Este estudo, publicado no Journal of the American College of Cardiology, procurou comparar os resultados processuais e clínicos em pacientes com EV bicúspide versus tricúspide do registro multicêntrico de STVA com EV bicúspide. Os resultados de 561 pacientes com EV bicúspide e 4.546 pacientes com EV tricúspide foram comparados após a correspondência dos escores de propensão, indicando 546 pares de pacientes com características basais semelhantes. Os resultados processuais e clínicos foram registrados de acordo com os critérios da Valve Academic Research Consortium-2. Em comparação com pacientes com EV tricúspide, os pacientes com EV bicúspides apresentaram conversão mais frequente para cirurgia (2,0% versus 0,2%; p = 0,006) e uma taxa de sucesso significativamente menor do dispositivo (85,3% vs. 91,4%; p = 0,002). Os dispositivos de primeira geração foram implantados em 320 pacientes com EV bicúspide e 321 pacientes com EV tricúspide, enquanto que os dispositivos de nova geração foram implantados em 226 e 225 pacientes com EV bicúspide e tricúspide, respectivamente. Dentro do grupo que recebeu dispositivos de primeira geração, EV bicúspide apresentou lesão de raiz aórtica com mais frequência (4,5% versus 0,0%; p = 0,015) ao receber o dispositivo de balão expansor, e vazamento paravalvular moderado a severo (19,4% vs. 10,5%; p = 0,02) ao receber o dispositivo auto-expansível. Entre os pacientes com dispositivos de nova geração, no entanto, os resultados processuais foram comparáveis em diferentes próteses. As taxas cumulativas de mortalidade aos 2 anos, incluindo todas as causas, foram comparáveis entre EV Bicúspide e Tricúspide (17,2% vs. 19,4%, p = 0,28). Os pesquisadores concluíram que, comparando-se com EV tricúspide, o STVA na EV bicúspide foi associado a um prognóstico semelhante, mas com menor taxa de sucesso do dispositivo. As diferenças processuais foram observadas em pacientes tratados com dispositivos de primeira geração, enquanto que não foram observadas diferenças com os dispositivos de nova geração. Uma resenha de: Outcomes in Transcatheter Aortic Valve Replacement for Bicuspid Versus Tricuspid Aortic Valve Stenosis SP, 23/10/2017 Autores: Yoon SH, Bleiziffer S, De Backer O, Delgado V, Arai T, Ziegelmueller J, Barbanti M, Sharma R, Perlman GY, Khalique OK, Holy EW, Saraf S, Deuschl F, Fujita B, Ruile P, Neumann FJ, Pache G, Takahashi M, Kaneko H, Schmidt T, Ohno Y, Schofer N, Kong WKF, Tay E, Sugiyama D, Kawamori H, Maeno Y, Abramowitz Y, Chakravarty T, Nakamura M, Kuwata S, Yong G, Kao HL, Lee M, Kim HS, Modine T, Wong SC, Bedgoni F, Testa L, Teiger E, Butter C, Ensminger SM, Schaefer U, Dvir D, Blanke P, Leipsic J, Nietlispach F, Abdel-Wahab M, Chevalier B, Tamburino C, Hildick-Smith D, Whisenant BK, Park SJ, Colombo A, Latib A, Kodali SK, Bax JJ, Søndergaard L, Webb JG, Lefèvre T, Leon MB, Makkar R.

Fatores de risco para complicações relacionadas ao acesso vascular em pacientes submetidos à estratégia invasiva precoce

29/11/2017 | Fonte: Fonte: Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:242-6 - Vol. 23 Núm.4

O conhecimento dos fatores de risco relacionados às complicações do acesso vascular em pacientes submetidos à estratégia invasiva precoce permite adotar estratégias capazes de minimizá las. Neste estudo, publicado na Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva, foi realizada uma subanálise do estudo ARISE, com o objetivo de identificar preditores de complicações vasculares em pacientes randomizados para as técnicas radial ou femoral com emprego de dispositivo de oclusão vascular (DOV). Foram incluídos 240 pacientes, com média de idade de 63,0 ± 10,7 anos, sendo 30,8% diabéticos e, exceto pela maior prevalência de mulheres no grupo radial, não foram observadas diferenças clínicas entre os grupos. Intervenção coronária percutânea foi realizada em 86,7% dos casos. A taxa de complicações vasculares aos 30 dias foi de 13,3% no grupo radial, à custa de hematomas > 5cm (6,7%) e oclusão arterial assintomática (5,8%), e de 12,5% no grupo femoral, à custa de hematomas > 5cm, sem diferença significativa. Foram identificados como fatores de risco para complicações do acesso vascular o índice de massa corporal (IMC), o acidente vascular encefálico prévio, a maior duração do procedimento e o insucesso do DOV. Pela análise estratificada, o sexo feminino e o escore CRUSADE de alto ou muito alto risco foram variáveis preditoras de complicações apenas para o grupo femoral. No modelo multivariado, os fatores que permaneceram significantes foram o IMC e o insucesso do DOV. Os pesquisadores concluíram que as técnicas radial e femoral, com o emprego de DOV, compartilharam variáveis preditoras de complicações. Fatores de risco, como sexo feminino e escore CRUSADE de alto risco, foram atenuados pela utilização da técnica radial. Uma resenha de: Fatores de risco para complicações relacionadas ao acesso vascular em pacientes submetidos à estratégia invasiva precoce Autores: Pedro Beraldo de Andradea, Fábio Salerno Rinaldia, Igor Ribeiro de Castro Bienertb, Robson Alves Barbosaa, Marcos Henriques Bergonsoa, Milena Paiva Brasil de Matosa, Caio Fraga Barreto de Matos Ferreiraa, Ederlon Ferreira Nogueirac, André Labruniec, Sérgio Kreimerd, Vinícius Cardozo Estevesd, Marden André Tebetd, Luiz Alberto Piva e Mattosd, Amanda G.M.R. Sousae.

Poluição do ar e risco de hospitalização por epilepsia: o papel do uso agrícola de fertilizantes nitrogenados e as emissões de poluente atmosférico agrícola, óxido nitroso

29/11/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.9, pp.614-619

A ligação entre vários poluentes do ar e a hospitalização por epilepsia tem sido examinada. Neste estudo, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, foi proposto que a exposição à poluição do ar, especificamente ao poluente atmosférico generalizado e ao gás de efeito estufa, o óxido nitroso (N2O), poderiam fomentar a susceptibilidade a distúrbios do desenvolvimento neurológico. A evidência apoia o papel da exposição ao N2O na redução da atividade convulsiva epileptiforme, enquanto mostra que a retirada do fármaco induz atividade pseudoconvulsiva. Portanto, o uso a nível estatal de fertilizantes nitrogenados antropogênicos (o agente causal mais reconhecido para a carga ambiental de N2O) está significativa e negativamente associado à hospitalização por epilepsia nas três categorias de hospitalização pré-especificadas, mesmo após a correção de comparação de poluentes múltiplos (p<0,007), enquanto os outros poluentes identificados não foram consistentemente associados de forma estatística com a hospitalização por epilepsia. Ainda, são discutidos os possíveis mecanismos neurológicos subjacentes a esta associação entre poluentes atmosféricos associados ao uso agrícola de fertilizantes nitrogenados antropogênicos, e hospitalização por epilepsia. Para ter acesso a este estudo na integra clique no link abaixo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0004282X2017000900614&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Uma resenha de: Poluição do ar e risco de hospitalização por epilepsia: o papel do uso agrícola de fertilizantes nitrogenados e as emissões de poluente atmosférico agrícola, óxido nitroso Autores: Fluegge, Keith e Fluegge, Kyle.

Com que frequência deve ser avaliada a atividade de sentar e levantar da cadeira em pacientes com distrofia muscular de Duchenne?

29/11/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.9, pp.625-630

O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, foi determinar a frequência de avaliação do sentar e levantar da cadeira em pacientes com distrofia muscular de Duchenne (DMD), para evitar informações faltantes ou redundantes. Sentar/ Levantar foram avaliados em 26 crianças com DMD (5-12 anos), em intervalos de três meses, durante doze meses, com a Escala de Avaliação Funcional (domínio sentar/ levantar da cadeira). Os tamanhos do efeito (TE) e as médias de resposta padronizada (MRP) foram usados na análise de responsividade. Levantar da cadeira teve responsividade baixa a moderada em três meses (TE: 0,230,32; MRP: 0,36-0,68), moderada a alta em seis meses (TE: 0,52-0,65; MRP: 0,76-1,28), alta em nove e (TE: 0,84-0,91; MRP: 1,26-1,64) doze meses (TE: 1,27; MRP: 1,48). Sentar na cadeira teve responsividade baixa em três meses (TE: 0,26-0,49; MRP: 0,370,42), moderada em seis meses (TE: 0,50-0,78; MRP: 0,56-0,71), alta em nove (TE: 0,94-1,00; MRP: 0,84-1,02) e doze meses (TE: 1,13; MRP: 1,52). Os pesquisadores concluíram que os pacientes com DMD devem ser reavaliados com intervalos mínimos de seis meses entre avaliações de sentar/ levantar da cadeira. Uma resenha de: Poluição do ar e risco de hospitalização por epilepsia: o papel do uso agrícola de fertilizantes nitrogenados e as emissões de poluente atmosférico agrícola, óxido nitroso Autores: Hukuda, Michele Emy et al.

Validação do Questionário de Estigma Sexual na Doença Mental (MISS-Q) em uma amostra de adultos brasileiros em atendimento psiquiátrico

29/11/2017 | Fonte: Fonte: J. bras. psiquiatr. [online]. 2017, vol.66, n.3, pp.132-138

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria, foi avaliar as propriedades psicométricas de um novo instrumento “Mental Illness Sexual Stigma Questionnaire” (MISS-Q; Questionário de Estigma Sexual na Doença Mental). Foram entrevistados 641 adultos sexualmente ativos (18 a 80 anos), frequentando clínicas psiquiátricas ambulatoriais públicas no Rio de Janeiro sobre suas experiências de estigma. Foram extraídos nove fatores por meio da análise exploratória fatorial e rotulados: 'discriminação individual por parte de outros'; 'disposição pessoal para falar sobre sexualidade'; proibições pessoais e familiares; 'desvalorização sexual de si mesmo'; 'percepção de atratividade'; 'dissimulação da doença mental'; 'percepção da competência de papel sexual'; 'retirada'; e 'locus de sociosexual ao controle'. 'Retirada' e 'locus de controle social-sexual' mostraram propriedades psicométricas fracas e foram excluídos da análise posterior. Os sete fatores restantes tinham altas cargas fatoriais (0,39 a 0,86), variando de suficiente até confiabilidade ótima (Ordinal a variou de ,57 a ,88), e boa validade convergente e discriminante. Os pesquisadores concluíram que o resultante MISS-Q é o primeiro instrumento que avalia o estigma sexual da doença mental com propriedades psicométricas demonstradas. Pode ser útil na redução do estigma, proteção da saúde sexual e promoção à recuperação. Uma resenha de: Validação do Questionário de Estigma Sexual na Doença Mental (MISS-Q) em uma amostra de adultos brasileiros em atendimento psiquiátrico Autores: Wainberg, Milton; Pala, Andrea Norcini; Cournos, Francine e Mckinnon, Karen.

Narrativa de mães de crianças com transtorno do espectro do autismo: foco no comportamento alimentar

29/11/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.4-11

O objetivo deste estudo, publicado no Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi investigar o comportamento alimentar de indivíduos com transtorno do espectro do autismo (TEA) através das narrativas de suas mães. Os dados sobre os hábitos alimentares dos indivíduos com TEA foram coletados utilizando entrevistas semiestruturadas realizadas individualmente com as mães. As entrevistas foram gravadas, transcritas e codificadas usando o programa NVivo. Dezoito mães de meninos/jovens homens com autismo participaram do estudo. A análise produziu três categorias principais: padrões alimentares, a atitude da família em relação aos hábitos alimentares da criança e comportamentos relacionados à alimentação. Segundo os pesquisadores, os resultados mostram que os fatores relacionados ao autismo podem afetar as escolhas alimentares da criança. Os fatores ambientais, particularmente o comportamento dos pais, também podem desempenhar um papel decisivo, tanto no reforço das escolhas alimentares da criança quanto no incentivo a uma dieta mais saudável e diversificada. Os profissionais devem instruir os pais sobre o seu papel decisivo no reforço ou desencorajamento do comportamento inapropriado nas refeições em crianças com TEA. Uma resenha de: Narrativa de mães de crianças com transtorno do espectro do autismo: foco no comportamento alimentar Autores: Lazaro, Cristiane P. e Ponde, Milena P.

Intervenção coronariana percutânea versus cirurgia de revascularização do miocárdio em pacientes com diabetes tipo 1 e doença multivaso

27/11/2017 | Fonte: Fonte: J Am Coll Cardiol. 2017 Sep 19;70(12):1441-1451

A literatura ainda não apresenta informações suficientes se a cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) ou a intervenção coronariana percutânea (ICP) podem oferecer um benefício de sobrevivência em pacientes com diabetes tipo 1 (DT1) que necessitem de revascularização multiarterial. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the American College of Cardiology, foi determinar se os pacientes com DT1 e doença mutiarterial podem se beneficiar da CRM em comparação com a ICP. Trata-se de um estudo de coorte observacional em que foram incluídos todos os pacientes com DT1 que se submeteram a uma primeira revascularização multivaso, na Suécia entre 1995 e 2013. Os autores utilizaram três bancos de dados para obter informações sobre características e resultados do paciente, a saber: o sistema SWEDEHEART (Swedish Web-system for Enhancement and Development of Evidencebased care in Heart disease Evaluated According to Recommended Therapies); o Swedish National Diabetes Register; e o Swedish National Patient Register. Foram realizadas estimativas de razão de risco (HRs) ajustadas para fatores de confusão com intervalos de confiança (ICs) de 95% para mortalidade por todas as causas e doenças coronárias, infarto do miocárdio, revascularização repetida, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca. Nestas análises, foi utilizado o método de ponderação pela probabilidade inversa com base nas classificações de propensão. Foram incluídos aproximadamente 683 pacientes submetidos à CRM e 1.863 pacientes submetidos à ICP. Durante um seguimento médio de 10,6 anos, cerca de 53% dos pacientes morreram no grupo CRM e 45% no grupo ICP. Os resultados mostraram que a ICP, em comparação com a CRM, foi associada a um risco semelhante de mortalidade por todas as causas (HR: 1,14; IC 95%: 0,99 a 1,32), mas riscos maiores de morte por doença coronária (HR: 1,45; IC 95%: 1,21 a 1,74), infarto do miocárdio (HR: 1,47; IC 95%: 1,23 a 1,78) e revascularização repetida (HR: 5,64; IC 95%: 4,67 a 6,82). Não foram encontradas diferenças nos riscos de acidente vascular cerebral ou insuficiência cardíaca. Os pesquisadores concluíram que apesar da inclusão de pacientes com DT1 que não poderiam ser submetidos a CRM no grupo ICP, a ICP, em comparação com a CRM, estava associada a taxas e riscos maiores de mortalidade por doença coronariana, infarto do miocárdio e revascularizações repetidas. Segundo os autores, os resultados indicam que a CRM pode ser a estratégia preferida em pacientes com DT! que precisam de revascularização multiarterial. Uma resenha de: PCI Versus CABG in Patients With Type 1 Diabetes and Multivessel Disease Autores: Nyström T, Sartipy U, Franzén S, Eliasson B, Gudbjörnsdottir S, Miftaraj M, Lagerqvist B, Svensson AM, Holzmann MJ.

Resultados de médio prazo do implante do cardioversor-desfibrilador subcutâneo: o estudo EFFORTLESS

27/11/2017 | Fonte: Fonte: J Am Coll Cardiol. 2017 Aug 15;70(7):830-841

O cardioversor-desfibrilador implantável subcutâneo (S-ICD) foi desenvolvido para desfibrilar arritmias ventriculares, evitando inconvenientes das derivações transvenosas. O registro global EFFORTLESS S-ICD (Evaluation of Facts Impacting Clinic Outcome and Cost EffectiveneSS of the S-ICD) coletou os resultados em 985 pacientes durante um seguimento de 5 anos. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the American College of Cardiology, foi avaliar a segurança do S-ICD por meio dos dados coletados no registro EFFORTLESS, avaliando complicações e taxas de choques inadequadas. Este é o primeiro relatório com dados completos dos endpoints da coorte de pacientes com seguimento igual e superior a 1 ano. Os endpoints predefinidos são complicações de 30 e 360 dias e choques para fibrilação atrial ou taquicardia supraventricular. O seguimento médio ± desvio padrão foi de 3,1 ± 1,5 anos, sendo que 82 pacientes completaram a visita de 5 anos do protocolo do estudo. A idade média foi de 48 anos e 28% dos participantes eram mulheres. A fração de ejeção foi de 43 ± 18% e 65% apresentaram indicação de prevenção primária. A taxa de complicações do sistema SICD e do procedimento foi de 4,1% aos 30 dias e de 8,4% aos 360 dias. Houve tendência de melhoria na taxa de complicações em 1 ano do primeiro ao último quartil de inscrição (11,3% [quartil 1]) para 7,8% [quartil 2], 6,6% [quartil 3] e 7,4% [quartil 4]; quartil 1 versus quartis 2 a 4; p = 0,06). Ocorreram poucas extrações de dispositivos, sendo que as principais razões foram: antitaquicardia (n=5), terapia de resincronização (n=4) ou bradicardia (n = 1). Os choques inadequados ocorreram em 8,1% em 1 ano e 11,7% após 3,1 anos. No implante, 99,5% dos pacientes tiveram uma conversão bem sucedida de taquicardia ventricular induzida ou fibrilação ventricular. As taxas de choque apropriadas de 1 e 5 anos foram de 5,8% e 13,5%, respectivamente. O sucesso da conversão para episódios espontâneos discretos foi de 97,4% no geral. Os pesquisadores concluíram que este registro demonstra que o S-ICD cumpre os endpoints predefinidos para segurança e eficácia. As taxas de desempenho em médio prazo sobre complicações, choques inadequados e eficácia de conversão foram comparáveis às taxas observadas em estudos com cardioversoresdesfibriladores implantáveis transvenosos. Uma resenha de: Implant and Midterm Outcomes of the Subcutaneous Implantable Cardioverter-Defibrillator Registry: The EFFORTLESS Study Autores: Boersma L, Barr C, Knops R, Theuns D, Eckardt L, Neuzil P, Scholten M, Hood M, Kuschyk J, Jones P, Duffy E, Husby M, Stein K,Lambiase PD; EFFORTLESS Investigator Group.

Obesidade em idosos com e sem condições associadas à perda de peso: acompanhamento de 955 mil pacientes de cuidados primários

27/11/2017 | Fonte: Fonte: J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2017 Feb;72(2):203-209

Especula-se que a obesidade em níveis moderados em idosos poderia melhorar a taxa de sobrevivência, o que provoca discussões sobre a necessidade de revisar as políticas de controle da obesidade. Este paradoxo da obesidade, contudo, pode ter recebido influências de diversos fatores de confusão, tais como tabagismo, doenças que causam perda de peso, além de diferentes períodos de seguimento nos estudos. Assim, o objetivo do presente estudo, publicado no Journals of Gerontology. Series A, Biological Sciences and Medical Sciences, foi investigar as associações do índice de massa corporal (IMC) com a mortalidade, diabetes tipo 2 incidente e doença arterial coronariana em idosos com e sem os fatores de confusão acima mencionados. Trata-se de um estudo de coorte que analisou dados de indivíduos com idades entre 60 e 85 anos ou mais, registrados no Clinical Practice Research Datalink, além de registros médicos eletrônicos, hospitalares e de óbito na Inglaterra. Os modelos foram ajustados para idade, gênero, consumo de álcool, tabagismo, ano e status socioeconômico. Os resultados mostraram que valores de IMC entre 30-34,9 (classe de obesidade 1) foi associado com taxas menores de mortalidade geral em todas as faixas etárias. Contudo, depois de excluir os fatores de confusão específicos e o acompanhamento inferior a 4 anos, observou-se que as curvas de risco de mortalidade de IMC aos 65-69 anos foram em forma de “U”, com riscos aumentados em IMCs baixos, um nadir entre 23 e 26,9 e riscos elevados para a curvatura ascendente. Os resultados também mostraram que em grupos de idade mais avançada, os nadirs de mortalidade apresentaram um índice de IMC modestamente maior (todos <30) e as inclinações de risco em IMCs maiores foram menos marcadas, tornando-se não significativo aos 85 anos ou mais. Além disso, também se observou um aumento da incidência de diabetes no grupo com obesidade-1 em todas as idades e de doença arterial coronariana até a idade de 84 anos. Os pesquisadores concluíram que a obesidade está associada a uma sobrevivência mais curta, além de uma maior incidência de doença arterial coronariana e diabetes tipo 2 em populações idosas, após controle dos fatores de confusão, pelo menos até a idade de 84. Segundo os autores, esses resultados questionam a necessidade de revisar políticas de controle de obesidade com base no paradoxo de risco reivindicado em idosos. Uma resenha de: Obesity in Older People With and Without Conditions Associated With Weight Loss: Follow-up of 955,000 Primary Care Patients Autores: Bowman K, Delgado J, Henley WE, Masoli JA, Kos K, Brayne C, Thokala P, Lafortune L, Kuchel GA, Ble A, Melzer D; as part of the Ageing Well Programme of the NIHR School for Public Health Research, England.

Uma Meta-Análise de Microvesículas Circulantes em Pacientes com Infarto do Miocárdio

23/11/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.2, pp.156-164.

As microvesículas derivadas de células (MVs) são vesículas liberadas de células ativadas ou apoptóticas. No entanto, os níveis de MVs no infarto do miocárdio foram encontrados inconsistentes nas pesquisas. O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi avaliar a associação entre MV e infarto do miocárdio por meio de uma meta-análise. Foi realizada uma pesquisa sistemática na literatura em PubMed, Embase, Cochran e no banco de dados eletrônico do Google Scholar. Uma comparação dos níveis de MV entre pacientes com infarto do miocárdio e pessoas saudáveis foi incluída no nosso estudo. A Diferença Média Padrão (DMP) e o intervalo de confiança (IC) de 95% nos grupos foram calculadas e meta-analisadas. Foram incluídos 11 estudos com um total de 436 participantes. Em comparação com as pessoas saudáveis, as MVA [DMP = 3,65, IC 95% (1,03, 6,27)], MVPs [DMP = 2,88, IC 95% (1,82, 3,93)] e MVEs [DMP = 2,73, IC 95% (1,13, 4.34)], foram maiores em pacientes com infarto do miocárdio. No entanto, os níveis de MVL [DMP = 0,73, IC 95% (-0,57, 2,03)] não foram alterados significativamente em pacientes com infarto do miocárdio. Os pesquisadores concluíram que as MVAs, MVPs e MVEs podem ser biomarcadores potenciais para o infarto do miocárdio. Uma resenha de: Uma Meta-Análise de Microvesículas Circulantes em Pacientes com Infarto do Miocárdio Autores: Wang, Zhida et al.

Escores de risco de tromboembolismo e de sangramento e preditores de morte cardíaca em uma população com fibrilação atrial

23/11/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.1, pp.5-13.

A fibrilação atrial (FA) é uma arritmia comum, com risco de embolia sistêmica e morte. Apresenta etiologia reumática em até 32% dos países em desenvolvimento, cujos dados de anticoagulação e evolução são escassos. O objetivo deste estudo, publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi verificar as variáveis preditoras de morte cardíaca (MC) conforme o perfil clínico, os escores de tromboembolismo e de sangramento dos pacientes com FA de uma única instituição universitária, com alta prevalência de cardiopatia reumática. Foram estudados 302 pts com FA, média de idade 58,1 anos; 161 mulheres; 96 pts com etiologia reumática. Os pts foram submetidos à avaliação clínica e laboratorial, ao cálculo dos escores de risco e ao seguimento clínico médio de 12,8 meses. 174 pts estavam em uso de varfarina. As médias dos escores HAS-BLED e ATRIA foram de 1,4 e de 1,2, respectivamente. O cálculo da fração dos valores da razão normalizada internacional dentro do intervalo terapêutico foi de 45,8%. Houve MC em 30 pts (9,9%) e 41 apresentaram algum tipo de hemorragia em decorrência do uso de varfarina. Pela análise univariada, houve significância estatística entre MC e FA permanente, pressões arteriais, disfunção sistólica, R2CHADS2, CCS, EHRA e HAS-BLED. Não houve associação com FA valvar. Por meio da análise multivariada, a pressão arterial sistêmica e da artéria pulmonar, a classificação CCS e a disfunção sistólica apresentavam significância estatística. Os pesquisadores concluíram que não houve associação entre MC e FA valvar. Os preditores independentes de MC foram medidas baixas de pressão arterial, escores mais elevados da classificação CCS e a presença de disfunção ventricular sistólica. Uma resenha de: Escores de risco de tromboembolismo e de sangramento e preditores de morte cardíaca em uma população com fibrilação atrial Autores: Silva, Rose Mary Ferreira Lisboa da et al.

O Chimó, uma Preparação de Tabaco sem Fumaça, está Associado a uma Frequência mais Baixa de Hipertensão em Indivíduos com Diabetes Tipo 2

23/11/2017 | Fonte: Fonte: .Int. J. Cardiovasc. Sci. [online]. 2017, vol.30, n.5, pp.373-379.

O uso do tabaco e a hipertensão arterial sistêmica (HAS) são as principais causas preveníveis de morte a nível global. O tabaco é apresentado nas formas com ou sem fumaça (TSF). O uso do TSF tem sido relacionado à doença cardiovascular, diabetes tipo 2 (DM2) e câncer. Na Venezuela, o chimó é a preparação de TSF mais comum e a sua relação com a HAS é desconhecida. O objetivo deste estudo, publicado no periódico International Journal of Cardiovascular Sciences, foi avaliar a relação entre o uso de chimó e HAS em uma população com alta prevalência de uso de TSF na Venezuela. Entre 2013-2014, um total de 1.938 indivíduos com 20 anos ou mais foram avaliados consecutivamente em um centro médico. Foram obtidas medidas antropométricas e de pressão arterial (PA), além de respostas a um questionário padrão. Os participantes tinham uma média de idade de 49,2 anos, 59,5% eram do sexo feminino, 38,9% apresentavam HAS, 23,2% relataram uso de TSF e 11,6% relataram ter DM2. Um terço dos indivíduos com DM2 eram usuários de TSF, e este grupo mostrou valores mais baixos de frequência cardíaca, PA sistólica, índice de massa corporal (IMC) e frequência de HAS quando comparado a sujeitos com DM2 não usuários de TSF (p < 0,05). Em indivíduos com DM2 com 50 anos ou mais, o uso de TSF foi associado a uma frequência 69% mais baixa de HAS quando comparados a indivíduos que não usavam TSF. Em regressão logística ajustada pela frequência cardíaca, idade, ocorrência de DM2, sobrepeso/obesidade e história familiar de HAS, o uso de TSF esteve associado a uma frequência 30% mais baixa de HAS (razão de chances 0,70; intervalo de confiança de 95% 0,55 - 0,90). Os pesquisadores concluíram que o chimó, um TSF frequentemente utilizado na região dos Andes na Venezuela, está associado a valores mais baixos de PA, frequência cardíaca, IMC e frequência mais baixa de HAS em indivíduos com DM2 com mais de 50 anos. Esta associação contraintuitiva negativa entre o chimó e alguns fatores de risco cardiometabólicos realça o caráter complexo destas relações e a necessidade de estudos adicionais. Uma resenha de: O Chimó, uma Preparação de Tabaco sem Fumaça, está Associado a uma Frequência mais Baixa de Hipertensão em Indivíduos com Diabetes Tipo 2 Autores: Gonzalez-Rivas, Juan P.; Santiago, Raul José García; Mechanick, Jeffrey I. e Nieto-Martinez, Ramfis.

Adequação do manguito do esfigmomanômetro às medidas de circunferência braquial em pessoas atendidas na Atenção Primária

23/11/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. epidemiol. [online]. 2017, vol.20, n.1, pp.81-90.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia, foi avaliar a adequação do manguito às medidas de circunferência braquial (CB) em pessoas atendidas na Atenção Primária. Foi realizado um estudo epidemiológico do tipo transversal observacional e quantitativo. Foram observadas 381 medidas de pressão arterial (PA), realizadas por profissionais de enfermagem, em 18 serviços de Atenção Primária selecionados por sorteio, considerando 2 modalidades de atenção. O uso correto do manguito foi a principal variável de desfecho. A CB foi medida com fita métrica inelástica. Para análise estatística das variáveis foram utilizados os testes t de Student, ?2 ou exato de Fisher. A medida de CB variou de 19,5 a 45,0 cm (média = 30,4; desvio padrão - DP = 4,3). Observou-se que 218 (57,2%) das medidas foram executadas com o manguito adequado, com maior frequência nas unidades com Equipes de Saúde da Família (59,6 versus 40,4; p 34 cm. O manguito adulto foi usado corretamente 209 (59,4%) vezes e o manguito adulto grande, 9 (31,0%) vezes. Segundo os pesquisadores, estes estudo constatou uma inadequação no uso do manguito em 42,8% das medidas de PA na Atenção Primária à Saúde (APS). Estudos semelhantes em serviços de outras cidades e regiões devem ser realizados para estimar a magnitude do problema para o diagnóstico e monitoramento de hipertensão arterial sistêmica (HAS). Uma resenha de: Adequação do manguito do esfigmomanômetro às medidas de circunferência braquial em pessoas atendidas na Atenção Primária Autores: Destefano, Rafaela Marin; Schmitt, Felipe Reis de Abreu; Starke, Siegmar e Helena, Ernani Tiaraju De Santa.

Grooming patológico: evidência de um único fator por detrás da tricotilomania, escoriações neuróticas e mordida de unhas

23/11/2017 | Fonte: Fonte: PLoS One. 2017 Sep 13;12(9):e0183806

A literatura tem apresentado evidências crescentes acerca dos transtornos de controle de impulso, tais como a tricotilomania (TTM), escoriações neuróticas (EN) e mordida das unhas (MU), entretanto, ainda não está claro se esses distúrbios apresentam etiologia específica a cada caso ou se são manifestações diferentes da mesma tendência subjacente. Para a realização deste estudo que foi publicado no PLoS One, os autores coletaram dados on-line em uma pesquisa comunitária, produzindo uma amostra de 2.705 participantes, com média de idade de 29,1± 8,6 anos, sendo que 66% eram mulheres. A análise hierárquica dos fatores foi utilizada para identificar um fator latente comum. Já os modelos de múltiplas causas e múltiplos indicadores (MIMIC) foram aplicados para testar o efeito preditivo de sintomas de transtorno de personalidade borderline, impulsividade, sofrimento mental e autoestima no grooming patológico. Os resultados das análises de correlação de Pearson entre TTM, EN e MU encontraram coeficientes entre 0,13 e 0,29 (p <0,01). O modelo produziu um ajuste excelente para os dados (índice de ajuste comparativo [CFI] = 0,992, índice Tucker– Lewis [TLI] = 0,991, ?2 = 696,65, p <0,001, df = 222, erro quadrático médio aproximado [RMSEA] = 0,030, aproximação do modelo usando erro quadrático médio [Cfit de RMSEA] = 1,000), favorecendo a existência de um fator latente. O modelo MIMIC indicou um ajuste adequado (CFI = 0,993, TLI = 0,992, ?2 = 655,8, p <0,001, df = 307, RMSEA = 0,25, IC: 0,022-0,028, p aproximado = 1,000). TTM, SP e MU foram carregados de forma significativa no fator latente, indicando a presença de um fator grooming comum. Impulsividade, sofrimento mental e autoestima tiveram efeitos preditivos significativos, enquanto que o transtorno de personalidade borderline teve um efeito preditivo não significativo no fator latente. Os pesquisadores concluíram que há evidências de que a categoria de grooming patológico é significativa e engloba três manifestações de sintomas: tricotilomania, escoriações neuróticas e mordida das unhas. Segundo os autores, este fator subjacente latente não é melhor explicado por indicadores psicopatológicos, o que apoia a ideia de que o desejo de self-grooming é o que impulsiona os comportamentos de grooming individuais, ao invés de sofrimento mental geral, impulsividade, autoestima ou sintomatologia borderline. Uma resenha de: Pathological grooming: Evidence for a single factor behind trichotillomania, skin picking and nail biting Autores: Maraz A, Hende B, Urbán R, Demetrovics Z.

Intervenção guiada por biomarcadores para prevenção de lesão renal aguda após cirurgia maior: o estudo prospectivo randomizado BigpAK

23/11/2017 | Fonte: Fonte: Ann Surg. 2017 Aug 29. [Epub ahead of print]

O controle precoce aprimorado do status do volume e a interrupção da medicação nefrotóxica antes da ocorrência de lesão renal aguda (LRA) pode ser um passo crucial para minimizar a incidência da LRA evitável. O objetivo deste estudo, publicado no Annals of Surgery, foi investigar o impacto da introdução de um pacote de cuidados para avaliação renal guiada por biomarcador (KDIGO, do inglês Kidney Disease Improving Global Outcomes) sobre a incidência de LRA após cirurgia maior não cardíaca. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, aberto e de centro único. Foi realizada a comparação entre o pacote de cuidados KDIGO desencadeado pelo biomarcador urinário (otimização precoce do estado do fluido, manutenção da pressão de perfusão, descontinuação de agentes nefrotóxicos) e o atendimento padrão da unidade de terapia intensiva (UTI). Foram avaliados cerca de 121 pacientes com risco aumentado de LRA após cirurgia abdominal maior determinado pelo biomarcador urinário (inibidor de metaloproteinase-2×proteína de ligação ao fator de crescimento semelhante a insulina 7) >0,3. Foram realizadas avaliações quanto à incidência geral de LRA, gravidade da LRA, período de permanência, eventos renais principais na alta e relação custoefetividade. Os resultados não mostraram diferenças estatísticas entre os estágios globais da LRA nos 2 grupos. No entanto, uma subanálise em pacientes com valores de inibidor de metaloproteinase-2×proteína de ligação ao fator de crescimento da insulina de 0,3 a 2,0 demonstrou incidência significativamente reduzida de LRA 13/48 (27,1%) no grupo intervenção em comparação com o grupo controle 24/50 (48,0%, P = 0,03). Os seguintes fatores foram significativamente menores no grupo intervenção: incidência de LRA moderada e grave (P = 0,04), incidência de aumento de creatinina >25% do valor basal (P = 0,01), período de permanência na UTI e internação hospitalar (P = 0,04). Os resultados também mostraram que a intervenção foi associada à redução de custos. Não houve diferenças significativas em relação à terapia de substituição renal, mortalidade intra-hospitalar ou eventos renais principais na alta hospitalar. Os pesquisadores concluíram que a predição precoce com biomarcadores de LRA iminente, seguida da introdução do pacote de cuidados KDIGO, resultou na redução da gravidade da LRA, ao mesmo tempo em que minimizou o aumento da creatinina pós-operatória e reduziu a permanência em UTI e a internação hospitalar em pacientes após cirurgia maior não cardíaca. Uma resenha de: Biomarker-guided Intervention to Prevent Acute Kidney Injury After Major Surgery: The Prospective Randomized BigpAK Study Autores: Göcze I, Jauch D, Götz M, Kennedy P, Jung B, Zeman F, Gnewuch C, Graf BM, Gnann W, Banas B, Bein T, Schlitt HJ, Bergler T.

Infecção sintomática de dengue durante a gravidez e risco de morte fetal no Brasil, 2006-12: um estudo de caso-controle pareado

23/11/2017 | Fonte: Fonte: Lancet Infect Dis. 2017 Sep;17(9):957-964

Diversos estudos demonstram uma associação entre infecções maternas durante a gravidez e o aumento do risco de morte fetal, no entanto ainda pouco se sabe sobre o papel da infecção pelo vírus da dengue na mortalidade fetal. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Lancet. Infectious Diseases foi verificar a associação entre infecção sintomática por dengue durante a gravidez e morte fetal. Trata-se de um estudo de caso-controle aninhado que utilizou dados de três bancos de dados brasileiros, a saber: Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC); Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM); e Sistema de Informação de Agravo de Notificação (SINAN). Foram identificadas todas as gravidezes que terminaram em morte fetal e uma amostra aleatória de partos entre 1º de janeiro de 2006 e 31 de dezembro de 2012. A determinação de quais mães foram diagnosticadas com infecção por dengue durante a gravidez foi realizada por Linkage. Foram calculados os valores de odds ratios correspondentes (mORs) usando regressão logística condicional ajustada para idade e educação materna, tendo natimorto como “casos” e uma amostra equivalentes de nascidos vivos como “controle”. 275 (0,2%) mulheres do total de 162.188 cuja gravidez resultou em morte fetal e 1.507 (0,1%) de 1.586.105 mulheres que tiveram nascidos vivos foram diagnosticadas com infecção por dengue durante a gravidez. Os resultados indicaram que a infecção sintomática por dengue durante a gravidez quase duplicou as chances de morte fetal (mOR 1,9, IC 95% 1,6-2,2). O aumento do risco foi semelhante quando as análises foram restritas a casos confirmados em laboratório de infecção por dengue (1,8, 1,42,4). Os resultados também mostraram um aumento de 5 vezes no risco de morte fetal em decorrência da infecção grave por dengue (4,9, 2,3-10,2). Os pesquisadores concluíram que a infecção sintomática por dengue durante a gravidez está associada ao risco aumentado de morte fetal. Os autores sugerem a realização de outros estudos epidemiológicos e biológicos sobre a associação entre a dengue e os resultados subótimos de nascimento para avaliar a carga de infecções subclínicas e elucidar mecanismos patológicos. Uma resenha de: Symptomatic dengue infection during pregnancy and the risk of stillbirth in Brazil, 2006-12: a matched case-control study Autores: Paixão ES, Costa MDCN, Teixeira MG, Harron K, de Almeida MF, Barreto ML, Rodrigues LC.

Balão intra-aórtico no choque cardiogênico: o estado da arte

23/11/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Col. Bras. Cir. [online]. 2017, vol.44, n.1, pp.102-106.

A definição clínica de choque cardiogênico é a de um quadro de baixo débito cardíaco e evidência de hipóxia tecidual, na presença de volemia adequada. O choque cardiogênico representa a principal causa de óbito relacionada ao infarto agudo do miocárdio (IAM), com índice de mortalidade em torno de 45% a 70%, na ausência de cuidados técnicos agressivos e altamente especializados. O balão intra-aórtico (BIA) é um dos dispositivos de assistência mecânica mais utilizados no mundo. Nas duas últimas décadas, cerca de 42% dos pacientes com IAM, que evoluíram com choque cardiogênico, receberam assistência circulatória mecânica com BIA. Sua indicação clínica tem sido baseada em estudos não randomizados e dados de registro. Estudos recentes têm demonstrado que o uso do BIA não reduziu a mortalidade hospitalar (30 dias) em pacientes com IAM e choque cardiogênico, tratados com a estratégia de revascularização precoce do miocárdio como objetivo primário planejado. As diretrizes da Associação Americana de Cardiologia e da Sociedade Europeia de Cardiologia reavaliaram suas recomendações, baseadas nos resultados de metanálises, incluindo o estudo IABP-SCHOCK II Trial, que não evidenciou aumento na sobrevida de pacientes que receberam suporte mecânico com BIA. Clicando no link abaixo o Dr.(a) terá acesso a este artigo de revisão, publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, que aborda o impacto clínico do uso do BIA no choque cardiogênico ocasionado pelo IAM. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S010069912017000100102&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Uma resenha de: Balão intra-aórtico no choque cardiogênico: o estado da arte Autores: Thomaz, Petronio Generoso; Moura Junior, Leonel Adelino; Muramoto, Giovana e Assad, Renato Samy.

Evolução da insuficiência mitral primária em pacientes com estenose aórtica grave 1 ano após implante transcateter de valva aórtica: avaliação ecocardiográfica evolutiva

23/11/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.2, pp.148-155

A insuficiência valvar mitral (IM), presente em até 74% dos pacientes com estenose aórtica (EA) grave, pode representar um fator prognóstico negativo quando moderada ou importante. A evolução da IM após implante percutâneo de valva aórtica transcateter (TAVI) e preditores associados a essa evolução não estão bem estabelecidos na literatura. O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi avaliar a evolução da IM primária em pacientes submetidos ao TAVI e identificar fatores associados a essa evolução. Realizou-se um estudo observacional em pacientes com EA grave sintomática, submetidos ao TAVI no período de janeiro de 2009 a abril de 2015 em dois centros especializados. Foram avaliados desfechos ecocardiográficos com dados antes e 1 ano após a intervenção. Dos 91 pacientes com IM que realizaram TAVI e tinham acompanhamento de pelo menos 12 meses, 67 (73,6%) apresentavam IM mínima ou discreta antes da realização do procedimento e 24 (26,4%), IM moderada ou grave. Entre os com IM mínima ou discreta, 62 (92,5%) não apresentaram mudança no grau de refluxo (p < 0,001) e 5 (7,5%) tiveram piora. Entre os com IM moderada ou grave, 8 (33,3%) permaneceram na mesma classe e 16 (66,7%) tiveram melhora (p = 0,076). Pacientes com IM moderada ou grave que melhoraram o grau de insuficiência apresentavam menores valores de EuroSCORE II (p = 0,023) e STS morbidade (p = 0,027), quando comparados aos que continuaram na mesma classe. Segundo os pesquisadores, observou-se uma mudança significativa no grau de IM após realização de TAVI. Este estudo sugere uma tendência de melhora da IM moderada ou grave após TAVI, o que se associou a escores de risco préoperatórios menos elevados. SP, 21/09/2017, Alterado 28/09 Uma resenha de: Evolução da Insuficiência Mitral Primária em Pacientes com Estenose Aórtica Grave 1 Ano Após Implante Transcateter de Valva Aórtica: Avaliação Ecocardiográfica Evolutiva Autores: Florentino, Thiago Marinho et al.

Efetividade da Terapia Medicamentosa e dos Procedimentos de Revascularização como Estratégia Inicial na Doença Arterial Coronariana Estável: Estudo de Coorte

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Int. J. Cardiovasc. Sci. [online]. 2017, vol.30, n.5, pp.408-415.

A cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) e a intervenção coronária percutânea (ICP) são estratégias amplamente utilizadas no manejo da doença arterial coronariana (DAC) estável. O objetivo deste estudo, publicado no periódico International Journal of Cardiovascular Sciences, foi avaliar o prognóstico de pacientes com DAC estável inicialmente tratada com terapia médica (TM), em comparação com os pacientes submetidos a procedimentos de revascularização. Foi realizado um estudo prospectivo de coorte com 560 pacientes ambulatoriais de um hospital terciário com seguimento médio de 5 anos. Os pacientes foram classificados nos grupos TM (n = 288), ICP (n = 159) e CRM (n = 113) de acordo com sua estratégia inicial de tratamento. Os desfechos primários foram mortalidade global e eventos combinados de morte, síndrome coronária aguda e AVC. Durante o seguimento, as taxas de mortalidade foram de 11,1% em TM, 11,9% em ICP e 15,9% em pacientes submetidos à CRM, sem diferença estatística (Hazard Ratio [HR] para ICP, 1,05; Intervalo de Confiança de 95% [IC95%], 0,59 a 1,84; e HR para CRM, 1,20; IC95%, 0,68 a 2,15). Os desfechos combinados ocorreram com maior frequência entre os pacientes inicialmente submetidos à ICP em relação à TM (HR 1,50, IC 95% 1,05 a 2,14) e não diferiram entre TM e CRM (HR 1,24, IC95% 0,84 a 1,83). Entre os pacientes com diabetes (n = 198), a ICP foi a única estratégia terapêutica preditiva de desfechos combinados (HR 2,14; IC 95%: 1,25 a 3,63). Os pesquisadores concluíram que neste estudo observacional de doença arterial coronariana estável, não houve diferença na mortalidade global entre as estratégias iniciais de terapia médico ou de cirurgia de revascularização. Os pacientes inicialmente tratados com ICP tiveram maior chance de desenvolver eventos cardiovasculares maiores combinados. Uma resenha de: Efetividade da Terapia Medicamentosa e dos Procedimentos de Revascularização como Estratégia Inicial na Doença Arterial Coronariana Estável: Estudo de Coorte Autores: Furtado, Mariana Vargas et al.

Influência de um protocolo de exercícios do método Pilates na contratilidade da musculatura do assoalho pélvico de idosas não institucionalizadas

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.4, pp.484-492.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi verificar a influência de um protocolo de exercícios do método Pilates na funcionalidade e contratilidade da musculatura do assoalho pélvico em mulheres idosas, em Campo Grande, MS, Brasil. Dez mulheres (idade mediana de 63,4±4,5 anos) com pouca ou nenhuma disfunção do assoalho pélvico foram submetidas a 24 sessões de exercícios do método Pilates com duração de 1 hora, por 12 semanas. A pressão da musculatura do assoalho pélvico (MAP) foi avaliada por um perineômetro (cmH20) e a contratilidade pelo esquema PERFECT. Os dados foram descritos em mediana ± intervalo interquartil, e análise inferencial foi realizada pelo teste pareado de Wilcoxon, sob um nível de significância de 5%. Diante do tratamento proposto, o grau de contração voluntária da MAP das participantes passou de 79,0±83,5 para 90,0±82,0 cmH20, com diferença estatisticamente significativa na comparação pareada (p=0,012). No esquema PERFECT houve aumento do tempo de sustentação das contrações (de 5,0±0,1 para 7,0±4,7 segundos) e do número de repetições rápidas (de 7,0±4,5 para 8,0±4,7), com diferença estatisticamente significativa para ambas as variáveis (p=0,017 e p=0,008 respectivamente). Segundo os pesquisadores, os resultados apontam que o método Pilates incrementou a contratilidade e a pressão da MAP em mulheres idosas com pouca ou nenhuma disfunção da MAP. Faz-se necessário estudos posteriores para determinar se o Pilates pode tratar mulheres com disfunções graves do assoalho pélvico. Uma resenha de: Influência de um protocolo de exercícios do método Pilates na contratilidade da musculatura do assoalho pélvico de idosas não institucionalizadas Autores: Souza, Ligia Muniz De; Pegorare, Ana Beatriz Gomes De Souza; Christofoletti, Gustavo e Barbosa, Suzi Rosa Miziara.

Deficiência de NAD, malformações congênitas e suplementação de niacina

30/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Aug 10;377(6):544-552

As malformações congênitas podem se manifestar como combinações de fenótipos que coocorrem mais frequentemente do que o esperado ao acaso. Em muitos desses casos, tornou-se difícil identificar uma causa genética. O objetivo deste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, foi buscar a causa genética de defeitos cardíacos, vertebrais e renais, entre outros, em pacientes não relacionados. Foi utilizado o sequenciamento genômico para identificar as variáveis genéticas potencialmente patogênicas em famílias nas quais uma pessoa apresentava múltiplas malformações congênitas. Foi testada a função da variante usando ensaios de atividade enzimática in vitro e quantificando os metabólitos no plasma dos pacientes. Foram criados modelos de camundongos com variantes similares usando o sistema CRISPR (do inglês: Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas -Cas9). As variantes foram identificadas em dois genes que codificam enzimas da via de quinurenina, 3,4-dioxigenase ácido 3-hidroxi antranílico (HAAO) e quinureninase (KYNU). Três pacientes apresentaram variantes homozigóticas que prevêem alterações de perda de função nas proteínas HAAO ou KYNU (HAAO p.D162*, HAAO p.W186* ou KYNU p.V57Efs*21). Outro paciente apresentou uma variante heterozigótica de KYNU (p.Y156* e p.F349Kfs*4). As enzimas mutantes tiveram uma atividade altamente reduzida in vitro. O nicotinamida-adenosina-dinucleotídeo (NAD) é sintetizado “de novo” a partir do triptofano através da via da quinurenina. Os pacientes tiveram níveis reduzidos de NAD circulante. Defeitos semelhantes aos dos pacientes se desenvolveram nos embriões de camundongos sem HAAO ou KYNU devido à deficiência de NAD. Nesses, a prevenção da deficiência de NAD durante a gestação evitou os defeitos. Os autores deste estudo concluíram que a interrupção da síntese de NAD causou uma deficiência de NAD e malformações congênitas em humanos e camundongos. A suplementação de niacina durante a gestação impediu as malformações em camundongos. Uma resenha de: NAD Deficiency, Congenital Malformations, and Niacin Supplementation Autores: Shi H, Enriquez A, Rapadas M, Martin EMMA, Wang R, Moreau J, Lim CK, Szot JO, Ip E, Hughes JN, Sugimoto K, Humphreys DT, McInerney-Leo AM, Leo PJ, Maghzal GJ, Halliday J, Smith J, Colley A, Mark PR, Collins F, Sillence DO, Winlaw DS, Ho JWK, Guillemin GJ, Brown MA, Kikuchi K, Thomas PQ, Stocker R, Giannoulatou E, Chapman G, Duncan EL, Sparrow DB, Dunwoodie SL.

Tendências na mortalidade internacional por asma: análise de dados do Banco Mundial de Mortalidade da OMS de 46 países (1993-2012)

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Aug 7. pii: S0140-6736(17)31448-4. doi: 10.1016/S0140-6736(17)31448-4

As tendências internacionais na mortalidade por asma foram fortemente afetadas ao longo do tempo pelas mudanças no manejo e em tratamentos medicamentosos específicos. No entanto, pouco se sabe sobre como a mortalidade da asma mudou na última década. Neste estudo, publicado no The Lancet, foram avaliadas essas tendências internacionais. Foram reunidas as taxas de mortalidade por asma específicas do país, padronizadas por idade, na faixa etária de 5-34 anos, do banco de dados online de mortalidade da OMS para 46 países. Para ser incluído na análise, especificou-se que um país deveria ter 10 anos de dados completos no Banco de Dados de Mortalidade da OMS entre 1993 e 2012. Na ausência de prevalência consistente e precisa de dados da asma e de prescrição, optou-se pelo uso uma curva LOESS (locally weighted scatter plot smoother), ponderada pela população individual do país na faixa etária de 5-34 anos para mostrar as tendências globais nas taxas de mortalidade por asma ao longo do tempo. Dos 46 países incluídos na análise da mortalidade por asma, 36 eram países de alta renda e 10 países de renda média. A estimativa LOESS da taxa global de mortalidade por asma foi de 0,44 óbitos por 100.000 pessoas (90% IC 0,39-0,48) em 1993 e 0,19 óbitos a cada 100.000 pessoas (0,18-0,21) em 2006. Apesar do fato de que não houve reduções significativas nas taxas de mortalidade no mundo, não houve variação significativa nas taxas de mortalidade de 2006 a 2012, quando a estimativa de LOESS também foi de 0,19 mortes por 100 000 pessoas (0,16 -0,21). Os pesquisadores concluíram que a tendência de redução da mortalidade global por asma observada desde o final da década de 1980 pode ter estagnado, sem diferença significativa na curva LOESS suavizada de mortalidade por asma entre 2006 e 2012. Embora seja necessária uma melhor implementação das estratégias de gestão estabelecidas que tenham demonstrado reduzir o risco de mortalidade, para se obter uma redução substancial adicional na mortalidade global por asma serão necessárias novas estratégias. Uma resenha de: Trends in international asthma mortality: analysis of data from the WHO Mortality Database from 46 countries (1993-2012) Autores: Ebmeier S, Thayabaran D, Braithwaite I, Bénamara C, Weatherall M, Beasley R

Manobra de Mueller-Hillis e ângulo de progressão: eles estão correlacionados?

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2017, vol.63, n.6, pp.527-531.

A manobra de Mueller-Hillis (MHM) e o ângulo de progressão da apresentação (AOP) medido através de ecografia transperineal têm sido utilizados para avaliar a descida do polo cefálico durante o segundo estágio do trabalho de parto. O objetivo deste estudo, publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, foi avaliar se o AOP se correlaciona com a MHM no segundo estágio do trabalho de parto. Foi conduzido um estudo observacional e prospectivo. Foram incluídas mulheres com gravidez unifetal com feto em apresentação cefálica, no segundo estágio do trabalho de parto. O AOP foi medido imediatamente após a manobra de Mueller-Hillis. Foi construída uma curva ROC (receiver-operating characteristics) para determinar o melhor AOP para a identificação de uma manobra positiva. Um valor p inferior a 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. Cento e sessenta e seis mulheres (166) foram incluídas no estudo, e em 81,3% (n=135) a MHM foi positiva. A mediana do AOP foi de 143º (106º a 210º). A área abaixo da curva para a previsão de uma manobra positiva foi 0,619 (p=0,040). Derivado da curva ROC, um AOP de 138,5º teve o melhor desempenho diagnóstico para a identificação de uma MHM positiva (especificidade de 65% e sensibilidade de 67%). Os pesquisadores concluíram que um AOP de 138º parece estar associado com uma MHM positiva no segundo estágio de trabalho de parto. Uma resenha de: Manobra de Mueller-Hillis e ângulo de progressão: eles estão correlacionados? Autores: Mendes, Sofia et al.

Hospitalização por exacerbação da DPOC: desfechos da "vida real"

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2017, vol.63, n.6, pp.543-549.

As hospitalizações por exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica (eDPOC) podem indicar um pior prognóstico. É importante conhecer o perfil dos pacientes internados e os desfechos das internações para personalizar e otimizar seu tratamento. O objetivo deste estudo, publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, foi avaliar os pacientes hospitalizados por eDPOC, com = 10 anos/maços e = 1 espirometria prévia com obstrução ao fluxo aéreo no período de um ano em um serviço de pneumologia de um hospital geral. Foram utilizados: teste de avaliação da DPOC (CAT); mMRC e Escala Analógica Visual (EAV) para aferição da dispneia; escala hospitalar de ansiedade e depressão (HAD); comorbidades pelos critérios de Divo e índice de Cote; espirometria; e exames laboratoriais, eosinófilos no sangue, proteína C reativa (PCR), brain natriuretic peptide (BNP). Observamos evolução dos pacientes, duração da internação e desfechos da hospitalização. Ocorreram 75 (12%) internações por eDPOC, sendo 27 reinternações, nove das quais com menos de 30 dias após a alta. Os principais desfechos foram: duração da internação de 17±16,5 (2-75) dias; 30 (62,5%) altas hospitalares; 18 (37,5%) altas/reinternações, oito pacientes reinternaram mais de uma vez; e sete (14,5%) óbitos, cinco durante as reinternações. Analisamos 48 pacientes em sua primeira internação. A amostra era um grupo heterogêneo que ordenamos em três clusters de acordo com idade, VEF1, índice de massa corporal (IMC) e CAT. Os clusters não se correlacionaram com os principais desfechos. Os pesquisadores concluíram que a eDPOC é causa frequente de internações. Foram frequentes as reinternações e estas se correlacionaram com o desfecho óbito. Os pacientes internados por eDPOC formaram um grupo heterogêneo, que pôde ser agrupado em três clusters com diferentes graus de gravidade e sem correlação com os desfechos das hospitalizações. Uma resenha de: Hospitalização por exacerbação da DPOC: desfechos da "vida real" Autores: Camargo, Lilia Azzi Collet da Rocha et al.

O uso de torniquete na artroplastia total do joelho causa um aumento paradoxal da perda total de sangue

30/10/2017 | Fonte: Fonte: J Bone Joint Surg Am. 2017 Aug 16;99(16):1331-1336

A utilização de torniquete na artroplastia total do joelho tem como intuito a diminuição da perda de sangue perioperatória, porém ainda há questionamentos acerca da segurança e da eficácia deste procedimento. Por outro lado, o ácido tranexâmico estabiliza a formação de coágulos e também contribui para o controle da perda sanguínea. Tendo em vista as considerações expostas, a utilização do torniquete tem sido preterida ao uso do ácido tranexâmico nos procedimentos realizados na instituição dos autores. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no Journal of Bone and Joint Surgery foi examinar a perda total de sangue perioperatória em três situações, a saber: uso do torniquete apenas; uso de torniquete e ácido tranexâmico; e uso de ácido tranexâmico apenas. Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo com 132 pacientes divididos em 3 grupos. O primeiro grupo foi submetido à artroplastia total de joelho com uso de torniquete apenas durante a cimentação. O segundo grupo realizou o mesmo protocolo, mas com administração conjunta de ácido tranexâmico. O terceiro grupo realizou o procedimento apenas com administração de ácido tranexâmico, sem utilização de torniquete. A perda de sangue perioperatória foi calculada utilizando a fórmula de Gross. Os resultados mostraram que a perda média de sangue calculada foi mais alta no grupo que utilizou apenas o torniquete (1.591,39 mL; intervalo de confiança de 95% [IC], 1.064,97 a 2.117,81 mL). O segundo grupo, que usou conjuntamente ácido tranexâmico e torniquete, obteve uma redução ligeiramente maior da perda de sangue em relação ao primeiro grupo (1.215,34 mL; IC 95%, 1.104,93 para 1.325,75 mL), sendo que o terceiro grupo (utilização de ácido tranexâmico, mas sem torniquete) foi o que obteve o resultado com menor perda de sangue (1.007,22 mL; IC 95%, 878,78 a 1.135,66 mL). Os pesquisadores concluíram que o protocolo limitado apenas ao uso de torniquete durante a artroplastia total do joelho resultou em um aumento paradoxal da perda de sangue. Segundo os autores, os cirurgiões devem cogitar desconsiderar o uso rotineiro de torniquete na artroplastia total do joelho. Uma resenha de: Use of a Tourniquet in Total Knee Arthroplasty Causes a Paradoxical Increase in Total Blood Loss Autores: Schnettler T, Papillon N, Rees H.

Osteoporose na WHI (Women's Health Initiative): há outro hiato de tratamento?

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Am J Med. 2017 Aug;130(8):937-948

Estudos demonstram que fraturas osteoporóticas estão associadas à alta morbidade, mortalidade e custos. Neste estudo, publicado no American Journal of Medicine, os autores realizaram uma análise post hoc dos dados dos ensaios clínicos da WHI (Women's Health Initiative). O intuito desta análise foi investigar o tratamento da osteoporose e identificar as características dos participantes associadas à utilização de medicação para osteoporose após novos diagnósticos de osteoporose ou fratura. Foram analisadas as informações para o uso de medicação decorrentes de visitas anteriores e imediatamente subsequentes ao primeiro evento de fratura ou diagnóstico de osteoporose. Foi adotado um modelo de regressão logística total a fim de identificar os fatores preditores do uso de medicação para osteoporose após uma fratura ou diagnóstico de osteoporose. A média de acompanhamento, desde a inscrição até a última visita à clínica WHI, para a coorte do estudo foi de 13,9 anos. Entre as 13.990 mulheres que relataram novos diagnósticos de osteoporose ou fratura no período de acompanhamento, e que também apresentavam dados de medicação disponíveis, um total de 21,6% relatou tomar uma medicação para osteoporose além do estrogênio. Dentre os fatores significativamente associados com uma maior probabilidade de utilização de farmacoterapia para osteoporose, incluíram: maior consumo diário de cálcio, diagnóstico de osteoporose isolada ou diagnóstico tanto de osteoporose como de fratura (comparado com o diagnóstico de fratura isolada), raça/etnia asiática ou das ilhas do pacífico (em comparação com mulheres brancas/caucasianas), maior renda, e uso de terapia hormonal (passado ou presente). Por outro lado, as mulheres menos menos propensas a realizarem o tratamento para osteoporose apresentavam as seguintes características: raça/etnia negra/afro-americana (em comparação com mulheres brancas/caucasianas), índice de massa corporal igual ou superior a 30 (em comparação com o índice de massa corporal entre 18,5-24,9), uso atual de tabaco (em comparação com o uso no passado ou sem uso ao longo da vida) e história de artrite. Os pesquisadores concluíram que o uso de farmacoterapia foi subótimo neste estudo, apesar das diretrizes de tratamento estarem bem estabelecidas em mulheres pós-menopáusicas com osteoporose ou história de fraturas. Segundo os autores, a iniciação do tratamento da osteoporose após fratura por fragilidade pode representar uma oportunidade para melhorar os resultados posteriores nessas mulheres de alto risco. Os autores destacam, ainda, que é preciso atenção específica em aumentar o tratamento entre mulheres com fraturas por fragilidade, obesidade, consumo atual de tabaco, história de artrite ou de raça/etnia negra. Uma resenha de: Osteoporosis in the Women's Health Initiative: Another Treatment Gap? Autores: Sattari M, Cauley JA, Garvan C, Johnson KC, LaMonte MJ, Li W, Limacher M, Manini T, Sarto GE, Sullivan SD, Wactawski-Wende J, Beyth RJ.

Análise de quatro marcadores sorológicos na artrite reumatoide: associação com manifestações extra-articulares no paciente e artralgia em familiares

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2017, vol.57, n.4, pp.286-293

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia, foi avaliar a frequência de quatro marcadores sorológicos em pacientes com AR e seus familiares e identificar possíveis associações com achados clínicos da doença. Foi realizado um estudo analítico transversal. Determinaram-se os níveis de anticorpos antipeptídeo citrulinado cíclico (anti-CCP), anticorpos antivimentina citrulinada-mutada (anti-MCV) e fator reumatoide (FR) IgA por Elisa e de FR-IgM por aglutinação em látex em 210 pacientes com AR, 198 familiares e 92 controles saudáveis do sul do Brasil. Coletaram-se dados clínicos e demográficos por meio da revisão de prontuários e questionários. Observou-se maior positividade para todos os anticorpos em pacientes com AR em comparação com os familiares e controles (p < 0,0001). O FR-IgA era mais frequente em familiares quando comparados com os controles (14,6% versus 5,4%, p = 0,03, OR = 2,98; IC95% = 1,11 a 7,98). O anti-CCP foi o biomarcador mais comum entre pacientes com AR (75,6%). A positividade concomitante para os quatro biomarcadores foi mais comum nos pacientes (46,2%, p < 0,0001). Familiares e controles eram positivos em sua maioria para apenas um biomarcador (20,2%, p < 0,0001 e 15,2%, p = 0,016, respectivamente). Não foi observada associação entre o número de biomarcadores positivos e a idade de início da doença, classe funcional ou exposição ao fumo. Em pacientes soronegativos, predominou a ausência de manifestações extra-articulares (MEA) (p = 0,01; OR = 3,25; IC95% = 1,16 a 10,66). A artralgia estava presente em familiares positivos, independentemente do tipo de biomarcador. Os pesquisadores concluíram que um maior número de biomarcadores estava presente em pacientes com AR com MEA. A positividade dos biomarcadores estava relacionada com a artralgia em familiares. Esses achados reforçam a ligação entre os diferentes biomarcadores e os mecanismos fisiopatológicos da AR. Uma resenha de: Análise de quatro marcadores sorológicos na artrite reumatoide: associação com manifestações extra-articulares no paciente e artralgia em familiares Autores: Nass, Flávia R. et al.

Qual o melhor ponto de corte de índice de massa corporal para diagnosticar a obesidade em mulheres com artrite reumatoide? Um estudo que usa a composição corporal pela absorciometria com raios X de dupla energia

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2017, vol.57, n.4, pp.279-285.

Medidas antropométricas universalmente usadas para diagnosticar obesidade na população geral podem não apresentar a mesma performance em pacientes com artrite reumatoide. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia, foi determinar pontos de corte do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência de cintura (CC) para detecção de obesidade em mulheres com artrite reumatoide (AR) por meio da comparação dessas medidas antropométricas habituais com os índices de adiposidade obtidos pela densitometria óssea por dupla emissão de raios X (DXA). Mulheres adultas com mais de seis meses de diagnóstico de AR foram submetidas a avaliação clínica com medidas antropométricas e à DXA com exame da composição corporal. Foram incluídas 82 pacientes, média de 55± 10,7 anos. O diagnóstico de obesidade na amostra foi de 31,7% pelo IMC, 86,6% pela circunferência de cintura e 59,8% pela DXA. Considerando a DXA o padrão-ouro, o valor de IMC acima de 25 kg/m2 foi o mais adequado para definição de obesidade nas pacientes com AR, apresentou sensibilidade de 80% e especificidade de 60%. Da mesma forma, para a CC, com 80% de sensibilidade e de 35% de especificidade, o valor encontrado foi de 86 cm para se detectar a obesidade. Segundo os pesquisadores, foi elevado o porcentual de pacientes obesas. Os pontos de corte tradicionalmente usados para obesidade não foram adequados para nossa amostra. Para essa população de pacientes femininas com diagnóstico de AR, o ponto de corte de 25 kg/m2 para IMC e de 86 cm para CC foi o mais adequado para definir obesidade. Uma resenha de: Qual o melhor ponto de corte de índice de massa corporal para diagnosticar a obesidade em mulheres com artrite reumatoide? Um estudo que usa a composição corporal pela absorciometria com raios X de dupla energia Autores: Guimaraes, Maria Fernanda B. Resende et al.

Sobrevida de pacientes nonagenários com fraturas de quadril: estudo de coorte

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Acta ortop. bras. [online]. 2017, vol.25, n.4, pp.132-136

O objetivo deste estudo, publicado no Acta Ortopédica Brasileira, foi avaliar os fatores que podem influenciar a sobrevida de nonagenários com fratura do quadril. Foram analisados retrospectivamente 134 pacientes nonagenários internados por fraturas de quadril e seus prontuários, em um período de nove anos. Efetuou-se a revisão de prontuários médicos e os dados sobre a taxa de sobrevida do Registro Nacional de População. A análise incluiu dados demográficos, classificação ASA, atrasos na cirurgia, tipo de tratamento e mortalidade. A média de idade dos pacientes foi 92,53 anos (de 90 a 103 anos). Do total, 35,8% das fraturas localizaram-se no colo do fêmur e 64,2% na região trocantérica. A mortalidade geral foi 18,7% aos 30 dias seguintes e 9% em um ano. A média de sobrevida de toda a amostra foi de 683 ± 78,1 dias, com mediana de 339 dias. A sobrevida em homens e mulheres foi, respectivamente, 595 ± 136,8 dias e 734 ± 94,6 dias. Constatamos que o tipo de fratura (p = 0,026) e a classificação ASA (p = 0,004) foram os principais fatores que influenciaram a sobrevida. A análise de sobrevida pelo método Kaplan-Meier indicou que os pacientes com fraturas extracapsulares tratados com fixação interna tiveram taxa de sobrevida melhor (p = 0,047). Não houve diferença significativa entre sexos (p = 0,102) ou no diagnóstico (p = 0,537). Os pesquisadores concluíram que apesar das numerosas comorbidades em pacientes nonagenários, o tratamento cirúrgico com fixação interna parece ser superior à abordagem conservadora. Uma resenha de: Sobrevida de pacientes nonagenários com fraturas de quadril: estudo de coorte Autores: Ovidiu, Alexa et al.

Anticorpos poliespecíficos sem antígeno persistente em esclerose múltipla, neurolupus e síndrome de Guillain-Barré: conectividade imunológica em doenças crônicas

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.8, pp.580-588.

A síntese de anticorpos poliespecíficos em esclerose múltipla (EM) ganhou relevância diagnóstica com a combinação frequente de anticorpos contra sarampo, rubéola e varicela-zoster (reação de anticorpos MRZ), mas seu papel fisiopatológico permanece desconhecido. Esta revisão, publicada nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, relaciona os dados da síntese intratecal de anticorpos poliespecíficos em EM e Neurolupus com observações no sangue de pacientes com síndrome de Guillain Barré (SGB). Simultaneamente, os títulos aumentados de anticorpos e autoanticorpos em amostras de sangue de SGB indicam que os anticorpos poliespecíficos se baseiam numa propriedade geral de uma rede imunitária, suportada pela variação determinística da concentração diária de anticorpos no sangue normal. As variações fortemente correlacionadas de anticorpos contra sarampo e rubéola apontam para uma conectividade particular entre os anticorpos MRZ. A rede imunitária, que fornece memória sorológica na ausência de um antígeno, implementa a mudança contínua do padrão MRZ no sangue, não seguida pelas células B que imigraram anteriormente sem conectividade no cérebro. Os pesquisadores concluíram que isto pode explicar os diferentes padrões de anticorpos no LCR, humor aquoso e sangue do paciente individual de EM. Uma abordagem complexa deve implementar uma visão diferente sobre a causalidade em doenças crônicas e terapias causais. Uma resenha de: Anticorpos poliespecíficos sem antígeno persistente em esclerose múltipla, neurolupus e síndrome de Guillain-Barré: conectividade imunológica em doenças crônicas Autores: Reiber, Hansotto.

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Terapia com células-tronco hematopoiéticas para adrenoleucodistrofia cerebral

12/12/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Oct 26;377(17):1630-1638

Na apresentação típica da adrenoleucodistrofia ligada ao X, as mutações de ABCD1 levam à perda da função da proteína ALD. A adrenoleucodistrofia cerebral caracterizase pela desmielinização progressiva do sistema nervoso central, de modo que a evolução da doença, que leva à perda de função neurológica e morte, só pode ser interrompida com o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas. Neste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, de segurança e eficácia, de fase 2-3, aberto e de braço único foram investigados meninos com adrenoleucodistrofia cerebral. Foi adotado como critério de inclusão os pacientes com doença em estágio inicial e aumento de gadolínio na ressonância magnética durante triagem. A terapia de investigação envolveu a infusão de células CD34+ autólogas transduzidas com vetor lentiviral (Lenti-D). Nesta análise preliminar, os pacientes foram avaliados quanto à ocorrência de doença de enxerto contra hospedeiro, morte e principais incapacidades funcionais, bem como alterações na função neurológica e na extensão das lesões na ressonância magnética. Foi considerado como endpoint primário o paciente vivo sem a presença de comprometimento funcional maior aos 24 meses após a infusão. Os resultados desta análise preliminar contaram com a participação de 17 meninos que receberam terapia genética Lenti-D com seguimento médio de 29,4 meses (faixa de 21,6 a 42,0). A proteína ALD mensurável foi observada em todos os pacientes, bem como todos os pacientes apresentaram células marcadas por genes após o enxerto, sem evidência de integração preferencial próximo de oncogenes conhecidos ou crescimento clonal. Não foi observada morte relacionada ao tratamento ou doença de enxerto contra hospedeiro; 15 dos 17 pacientes (88%) estavam vivos e livres de comprometimento funcional maior, com sintomas clínicos mínimos. Os resultados também mostraram que um paciente, que teve deterioração neurológica rápida, morreu em razão da progressão da doença. Outro paciente, que tinha tido evidências de progressão da doença na ressonância magnética, retirou-se do estudo para se submeter ao transplante alogênico de células-tronco e mais tarde morreu por complicações relacionadas ao transplante. Os pesquisadores concluíram que os resultados preliminares deste estudo sugerem que a terapia genética Lenti-D pode ser uma alternativa segura e efetiva ao transplante alogênico de células-tronco em meninos com adrenoleucodistrofia cerebral em estágio inicial. Os autores destacam, entretanto, que é necessário um acompanhamento adicional para avaliar completamente a duração da resposta e a segurança em longo prazo. Uma resenha de: Hematopoietic Stem-Cell Gene Therapy for Cerebral Adrenoleukodystrophy. Autores: Eichler F, Duncan C, Musolino PL et al.

Novidade

Linguagem e intervenções da comunicação na Doença de Alzheimer: uma revisão sistemática. Intervenção de comunicação em Alzheimer

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.3, pp.227-241.

A doença de Alzheimer (DA) compromete consideravelmente as habilidades de comunicação. As mudanças de idioma se tornam mais proeminentes à medida que a doença avança. A deterioração da linguagem e da cognição reduz a capacidade de manter conversas, o que tem um impacto negativo na interação social. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, foi realizar uma revisão sistemática da literatura para artigos que denunciam intervenções focadas na linguagem e comunicação de pessoas com DA sem uso de medicação. Foi realizada uma pesquisa usando as palavras-chave doença de Alzheimer, linguagem, comunicação, cognição, intervenção cognitiva, reabilitação e terapia, e seus correspondentes termos em português e espanhol, nas bases de dados SciELO, LILACS, PubMed e PsychINFO. Foram analisados os estudos de intervenção publicados de 1993 a 2016 que envolveram estimulação de habilidades linguísticas e/ou comunicação com resultados quantitativos pré e pós-intervenção e cujas amostras incluíram pelo menos 50% com diagnóstico de DA provável. Os estudos foram analisados e classificados em quatro níveis de evidência, de acordo com os critérios descritos na literatura. Vinte e oito artigos foram incluídos. A maioria dos projetos tinha evidências científicas de médio a baixo. A maioria das intervenções mostrou benefícios para pelo menos uma linguagem ou habilidade comunicativa. Oito tipos de intervenções emergiram da análise dos estudos. Pesquisas adicionais com maiores níveis de evidência são recomendadas na investigação de intervenções focadas em linguagem e habilidades de comunicação de pacientes com demência. Os pesquisadores concluíram que estudos com altos níveis de evidência sobre o tema investigado estão sendo conduzidos apenas em pequena escala. Duas técnicas de intervenção parecem ser efetivas: abordagens lexical-semânticas e intervenções que funcionam com diferentes habilidades cognitivas (incluindo linguagem). Uma resenha de: Linguagem e intervenções da comunicação na Doença de Alzheimer: uma revisão sistemática. Intervenção de comunicação em Alzheimer Autores: Morello, Aline Nunes da Cruz; Lima, Tatiane Machado e Brandao, Lenisa.

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Comprometimento cognitivo de pacientes com doença renal crônica em hemodiálise e sua relação com os aspectos sociodemográficos e clínicos

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.3, pp.221-226

O comprometimento cognitivo e demência ocorrem comumente em indivíduos com doença renal crônica (DRC), principalmente em fase avançada, mas ainda são pouco diagnosticados. O objetivo deste estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, foi avaliar a capacidade cognitiva de pacientes com doença renal crônica em hemodiálise e a sua relação com as características sociodemográficas e clínicas. Trata-se de um estudo correlacional, de corte transversal, realizado em uma Unidade de Terapia Renal Substitutiva do interior do Estado de São Paulo, com 99 pacientes. Os dados foram coletados por entrevista individual, utilizando-se os questionários de Caracterização Sociodemográfica e Clínica e o Addenbrooke's Cognitive Examination – Revised (ACE-R). A maioria dos participantes era do gênero masculino, com idade média de 54,68 anos. A pontuação média do ACE-R foi de 64,26 pontos, sendo que 76,76% (n=76) apresentaram pontuação abaixo do esperando, sugerindo a presença de comprometimento cognitivo e verificou-se correlação negativa, de moderada magnitude, entre a pontuação total do ACE-R e a idade (r= –0,38; p-valor=0,001), correlação positiva, de moderada magnitude, com os anos de escolaridade (r=0,52; p-valor=0,001) e correlação positiva de fraca magnitude com o tempo de hemodiálise (r=0,26; pvalor=0,001). Os pesquisadores concluíram que houve relação entre a capacidade cognitiva, a idade, os anos de escolaridade e tempo de hemodiálise sugerindo que as pessoas mais idosas, com menor escolaridade e maior tempo de hemodiálise apresentaram mais comprometimento cognitivo. Uma resenha de: Comprometimento cognitivo de pacientes com doença renal crônica em hemodiálise e sua relação com os aspectos sociodemográficos e clínicos Autores: Gesualdo, Gabriela Dutra et al.

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Normas brasileiras e efeitos de idade e escolaridade no Teste Hayling e no Teste de Trilhas

12/12/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.188-195 Publicação nas áreas/temas do Medical Services: Psiquiatria, Sinapse, Clínica Geral, Geriatria

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi descrever dados normativos do Teste Hayling e do Teste de Trilhas em uma amostra de adultos brasileiros e investigar os efeitos de idade e escolaridade no desempenho das tarefas. Participaram deste estudo um total de 313 (TMT) e 364 (Hayling) indivíduos com idades nos intervalos de 19-39, 40-59 e 60-75 anos e com pelo menos 5 anos de escolaridade formal. Os testes foram administrados como parte de uma bateria maior de um projeto de normatização. Os indivíduos foram avaliados individualmente em salas silenciosas e ventiladas em uma clínica universitária. As pontuações dos protocolos foram realizadas por assistentes de pesquisa treinados e foram checadas duplamente para garantir a fidedignidade dos dados. Foram encontrados efeitos principais de idade no TMT (Tempo B, Erros B e Tempo BA) e no Teste Hayling (Erros B/15 e B/45), e efeitos principais de educação no TMT (Tempo B, Erros B e Tempo B-A) e no Teste Hayling (Tempo A, Erros B/15 e B/45). Foram encontrados efeitos de interação entre variáveis nos Tempos B e B-A do Teste Hayling e no Tempo A do TMT. Os pesquisadores concluíram que a idade e escolaridade foram fatores críticos para o desempenho em ambos os testes verbal e não-verbal de avaliação das funções executivas. Uma resenha de: Normas brasileiras e efeitos de idade e escolaridade no Teste Hayling e no Teste de Trilhas Autores: Zimmermann, Nicolle; Cardoso, Caroline de Oliveira; Kristensen, Christian Haag e Fonseca, Rochele Paz.
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