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Participação em atividades ao longo da vida, desde o início, meio e final da idade adulta, como determinantes do envelhecimento cognitivo: The Lothian Birth Cohort 1921

25/04/2018 | Fonte: J Gerontol B Psychol Sci Soc Sci. 2017 Jan;72(1):25-37

O objetivo deste estudo, publicado no Journals of Gerontology.Series B, Psychological Sciences and Social Sciences, foi investigar períodos potencialmente sensíveis para a participação em atividades (físicas, sócio-intelectuais, laborais e de lazer) ao longo de toda a vida adulta na redução do declínio cognitivo, e determinar se estas associações persistem após levar em consideração a estabilidade vitalícia da capacidade cognitiva.

A Lothian Birth Cohort 1921 é um estudo longitudinal sobre o envelhecimento cognitivo. Os participantes nasceram em 1921 e a maioria completou um teste de habilidade mental aos 11 anos de idade. As idades médias dos participantes na conclusão das avaliações cognitivas foram: 79 (N = 550), 83 (N = 321), 87 (N = 235) e 90 anos (N = 129). Os participantes forneceram detalhes retrospectivos de sua participação em diversas atividades enquanto jovens (20-35 anos), durante a meia idade (40-55 anos), ao final da idade adulta (60-75 anos) e contemporaneamente aos 79 anos.

As associações entre a atividade com o nível e a mudança na capacidade cognitiva na velhice foram examinadas com modelos de curva de crescimento latente. A demografia e a capacidade cognitiva na infância, e o envolvimento em atividades de lazer na meia idade foram positivamente associados ao nível de habilidade cognitiva (coeficiente de trajetória = 0,32), ao passo que níveis elevados de atividade física ao final da idade adulta foram associados a um menor declínio cognitivo (0,27).

Os pesquisadores concluíram que os achados do presente estudo apoiam uma abordagem do curso da vida na identificação de determinantes do envelhecimento cognitivo. Segundo os autores, o lazer e a atividade física durante diferentes períodos na idade adulta podem aumentar as habilidades cognitivas ou diminuir o declínio cognitivo.

Autores: Gow AJ, Pattie A, Deary IJ.

Níveis elevados de proteína C-reativa prediz a incidência, duração e gravidade do delirium pós-cirurgia não cardíaca maior

25/04/2018 | Fonte: J Am Geriatr Soc. 2017 Aug;65(8):e109-e116

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the American Geriatrics Society, foi investigar as associações entre a proteína C-reativa (PCR), enquanto marcador inflamatório, mensurado no pré e no pós-operatório (dia 2; POD2) e a incidência, duração e características da gravidade do delirium.

Trata-se de um estudo prospectivo de coorte realizado em 2 centros médicos acadêmicos. Foram selecionados adultos de 70 anos ou mais submetidos à cirurgia não cardíaca maior (N = 560). A PCR plasmática foi mensurada por ensaio imunoenzimático. O Delirium, por sua vez, foi avaliado utilizando o CAM (Confusion Assessment Method) e revisão de prontuários, enquanto que a duração do delirium foi mensurada de acordo com o número de internações hospitalares com delirium. As características de gravidade de delirium foram definidas como a soma dos escores CAM-Severity (CAM-S) em todos os dias de internação pós-operatória. Foram utilizados modelos lineares generalizados para avaliar associações independentes entre a PCR (pré-operatório e POD2 separadamente) e incidência, duração e características da gravidade do delirium; duração da internação hospitalar (LOS, >5 dias); e disposição de alta.

Foi observada ocorrência de delirium pós-operatório em 24% dos participantes, sendo que 12% tiveram 2 ou mais dias de delirium e a média ± desvio padrão da soma CAM-S foi de 9,3 ± 11,4. Após ajustes para a idade, sexo, tipo de cirurgia, via de anestesia, comorbidades médicas e complicações infecciosas pós-operatórias, os participantes com PCR pré-operatório de 3 mg/L ou mais, comparados àqueles com PCR inferior a 3 mg/L, apresentaram risco de delirium 1,5 vezes maior [intervalo de confiança (IC) de 95% = 1,1-2,1],  0,4 dias de delirium (P <0,001), delirium mais grave (3,6 pontos maiores no CAM-S, P <0,001), além de um risco de LOS prolongado, que foi 1,4 vezes maior (95% IC = 1,1-1,8). Com base nos valores de PCR POD2, os participantes no quartil mais alto (≥235,73 mg/L) comparado àqueles no quartil mais baixo (≤127,53 mg/L), foram 1,5 vezes mais propensos a desenvolver delirium (IC 95% = 1,0-2,4), tiveram 0,2 mais dias de delirium (P <0,05) e tiveram delirium mais grave (4,5 pontos maiores no CAM-S, P <0,001).

Os pesquisadores concluíram que níveis elevados de PCR pré-operatória e no POD2 foram independentemente associados com a incidência, duração e característica de gravidade do delirium. Os autores destacam que a PCR pode ser útil para identificar indivíduos em risco de desenvolver delirium.

Autores: Vasunilashorn SM3, Dillon ST, Inouye SK et al.

Padrão de marcha, prevalência de quedas e medo de cair em idosas ativas e sedentárias

25/04/2018 | Fonte: Rev Bras Med Esporte [online]. 2017, vol.23, n.1, pp.26-30

O envelhecimento desencadeia alterações da marcha e aumenta o risco de quedas e o medo de cair, comprometendo a saúde e a capacidade funcional do idoso. Estudos anteriores investigaram a prática de exercício físico como possível fator de redução desses problemas, porém os resultados encontrados até o momento são inconclusivos.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, foi analisar os parâmetros da marcha, a prevalência de quedas e o medo de cair em idosas ativas e sedentárias.

Trinta e cinco mulheres com idades entre 60 e 75 anos foram divididas em dois grupos: grupo sedentárias (GS), que não praticavam exercícios físicos regularmente no último ano e grupo ativas (GA), que praticavam exercício físico em um projeto de extensão de uma universidade pública, há pelo menos seis meses. Os dados referentes aos parâmetros espaço-temporais da marcha foram coletados por meio de um tapete (4,88 m) com sensores de pressão. As idosas caminharam sobre o tapete em duas condições experimentais: velocidade preferida e maior velocidade possível. Foram realizadas três tentativas em cada condição de forma aleatória, totalizando seis tentativas. As voluntárias também responderam dois questionários: questionário de Baecke, para avaliar a aptidão física, e questionário de quedas para avaliar a ocorrência e consequências das quedas.

A velocidade da marcha, a cadência, e o comprimento da passada foram significativamente maiores nas idosas ativas, enquanto o tempo em duplo suporte foi significativamente maior nas idosas sedentárias em ambas as condições analisadas. Além disso, as idosas ativas apresentaram menor prevalência de quedas (22%) e de medo de cair (22%) comparadas às idosas sedentárias (58% e 70%, respectivamente).

Os pesquisadores concluíram que a prática de exercícios físicos realizados de forma sistemática em programas de educação física para idosos parece ser uma estratégia interessante para minimizar os efeitos do processo de envelhecimento na marcha, no risco de quedas e no medo de cair em mulheres idosas.

Autores: Abdala, Roberta Pellá; Barbieri Junior, William; Bueno Junior, Carlos Roberto e Gomes, Matheus Machado.

Surto de toxoplasmose no Sul é investigado

23/04/2018 | Fonte: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2018/04/19/santa-maria-rs-investiga-surto-de-toxoplasmose-entenda-causa-e-prevencao.htm

Uma investigação sobre a ocorrência de 14 casos confirmados de toxoplasmose em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, foi iniciada. Segundo uma reportagem publicada pela repórter Fabiana Marchezi para o Portal UOL, existem outros 45 casos clínicos suspeitos de ligação com a doença.

Foi criada uma força-tarefa envolvendo as secretarias de Saúde municipal e estadual para adotar as medidas de investigação, prevenção e controle da doença. As autoridades explicam que neste momento procuram definir a magnitude deste evento e encontrar a fonte comum de contaminação dessas pessoas, que ainda é desconhecida.

Uma das hipóteses é de que a contaminação esteja ocorrendo por meio da água distribuída no município. Porém, até o momento, todas as análises feitas confirmam que a água se encontra dentro dos padrões recomendados. Outra suspeita investigada está relacionada com os alimentos ingeridos pela população.

A toxoplasmose é uma doença parasitária, transmitida pela ingestão do protozoário Toxoplasma gondii em água ou alimentos contaminados, geralmente encontrado em fezes de gato e outros felinos.

Os especialistas ouvidos na reportagem explicam que não há motivo para pânico, já que a maioria dos casos evolui para cura. A toxoplasmose, geralmente, é uma doença assintomática, mas a principal preocupação é com as gestantes. Esta doença pode ser transmitida para o bebê caso não tratada e, em casos graves, pode levar ao aborto, má-formação fetal e provocar cegueira no bebê.

Outros grupos de risco incluem as crianças menores de dois anos de idade e pessoas com baixa imunidade. O tratamento se dá por meio de antibióticos.

Geralmente, na maioria das ocorrências, as pessoas contaminadas nem se dão conta da contaminação, já que podem não apresenta nenhum sintoma.

As principais medidas para a prevenção da toxoplasmose são evitar o consumo de carnes cruas ou mal cozidas, comer vegetais e frutas bem lavados em água corrente, e evitar contato direto com fezes de gatos.

A associação entre os sintomas depressivos paternos e em adolescentes: evidência de duas coortes populacionais

23/04/2018 | Fonte: Lancet Psychiatry. 2017 Dec;4(12):920-926

Estudos demonstram um marcado aumento da incidência de depressão por volta dos 13 anos de idade, e quase três quartos dos adultos relatam que seus problemas de saúde mental começaram na adolescência. Apesar da depressão materna ser um fator de risco para a depressão no adolescente, a evidência sobre a associação entre depressão paterna e adolescente ainda não é conclusiva, e muitos estudos possuem limitações metodológicas. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Lancet Psychiatry, foi investigar a associação entre os sintomas depressivos paternos e nos adolescentes em dois grandes estudos de coorte populacionais.

Foram utilizados dados para famílias biparentais de duas coortes prospectivas representativas na Irlanda (Growing up in Ireland [GUI]) e no Reino Unido (Millennium Cohort Study [MCS]). Os sintomas depressivos dos pais foram avaliados pela escala de depressão do Centre for Epidemiological Studies, na coorte GUI quando as crianças tinham 9 anos, e a escala K-6 (6-item Kessler Psychological Distress scale) na coorte MCS quando as crianças tinham 7 anos de idade. Os sintomas depressivos na adolescência foram medidos com o SMFQ (Short Mood and Feelings Questionnaire) aos 13 anos de idade na coorte GUI e aos 14 anos na coorte MCS. Os dados foram analisados por meio de modelos de regressão linear, antes e depois do ajuste para fatores de confusão, tanto em amostras de registros múltiplos como de casos completos.

Haviam 6.070 famílias na coorte GUI e 7.768 na MCS. Após todos os ajustes, os resultados mostraram que um aumento de 1 desvio-padrão (três pontos) nos sintomas depressivos paternos esteve associado a um aumento de 0,24 pontos SMFQ (IC 95% 0,03-0,45; p = 0,023) na coorte GUI e de 0,18 pontos SMFQ (0,01-0,36; p = 0,041) na coorte MCS. Esta associação foi independente e não diferente de magnitude para a associação entre os sintomas depressivos maternos e adolescentes (Teste Wald p = 0,435 na coorte GUI e 0,470 na coorte MCS).

Os pesquisadores concluíram que houve uma associação entre os sintomas depressivos nos pais e os sintomas depressivos em seus descendentes adolescentes. Segundo os autores, esses achados apoiam o envolvimento dos pais, bem como das mães, em intervenções precoce para reduzir a prevalência de depressão no adolescente, e ainda destacar a importância do tratamento da depressão em ambos os pais.

Autores: Lewis G, Neary M, Polek E, Flouri E, Lewis G.

Casos de conjuntivite disparam e levam ao aumento de buscas no Google

23/04/2018 | Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43814657

Durante o verão se espera um aumento no número de casos de conjuntivite, mas neste ano o aumento foi muito maior do que o esperado, conforme explica a repórter Amanda Rossi na BBC Brasil.

Os especialistas ouvidos na reportagem explicam que o surto foi muito maior e mais longo do que nos anos passados, e que nesta época do ano já deveriam ter cessado.

Segundo a reportagem, os médicos que trabalham no atendimento de emergência da rede pública de várias capitais, vivenciaram uma crise de conjuntivite viral, muito maior e mais longa do que o esperado nos primeiros meses do ano, o que lotou as unidades de saúde. Em algumas localidades, foram isoladas áreas de emergência apenas para pessoas com conjuntivite, e até mesmo foram montados hospitais temporários, para evitar o contágio de outros pacientes. O auge da crise ocorreu em março e, agora, começa a diminuir.

O número de casos de conjuntivite disparou no início deste ano em pelo menos quatro Estados do país: Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco. Além disso, Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Petrópolis (RJ) registraram números muito acima do normal para esta época do ano.

Na verdade, este surto pode ser ainda maior, pois não há dados consolidados de todo o Brasil, já que os estados não são obrigados a notificar surtos de conjuntivite para o Ministério da Saúde.

O surto provocou uma corrida para o Google em busca de respostas, gerando um aumento inédito da busca pelo termo "conjuntivite". A procura pelo termo começou a crescer em fevereiro e atingiu o auge em março. A partir de abril, passou a diminuir. Registros anteriores informam que apenas em 2011 houvera um pico de busca por conjuntivite no Google, mas em intensidade bem menor do que o atual.

As autoridades públicas dizem não haver motivo para preocupação por se tratar de uma doença simples, que costuma durar de 5 a 7 dias e, na maioria das vezes, não há a necessidade do uso de medicamentos e nem ocorrem complicações. Porém, é necessário se afastar do trabalho, escola e transporte público durante o período, para evitar o contágio de outras pessoas.

Segundo dados do Google, o primeiro aumento de buscas ocorreu em Mato Grosso, em dezembro de 2017. Os dados da Secretaria de Saúde do Estado, mostram que este foi o mês em que a conjuntivite saiu do controle. Foram registrados 5,9 mil casos suspeitos, sendo mais de 50 vezes maior que no mesmo mês do ano anterior.

Na sequência, em janeiro, foi a vez dos Estados vizinhos de Tocantins e Goiás aumentarem as buscas do Google. Durante esse mês, mais de 2 mil pessoas foram acometidas por conjuntivite em Caldas Novas (GO). O caso foi investigado por uma equipe do Ministério da Saúde, que ainda não divulgou os resultados. Em Goiás, o surto chegou a 59 municípios e a 8,3 mil pessoas.

Em seguida, o auge das buscas no Google migrou para o Nordeste. Em Pernambuco, a principal unidade de atendimento oftalmológico da rede pública atendeu 12 mil casos de conjuntivite entre janeiro e meados de março. Nesse mesmo período do ano passado foram 2 mil casos, passando de 5% dos casos de urgência para 30%.

Em Minas Gerais, foram notificados 1.962 surtos este ano, contra 180 do ano passado.

Finalmente, o Google registrou um pico de buscas no Rio de Janeiro. Em Petrópolis, mais de 14 mil pessoas tiveram conjuntivite entre janeiro e março. Este número representa cerca de 5% da população. No ano passado, a cidade não registrou nenhum surto da doença.

O aumento do número de casos de conjuntivite no verão é normal, mas não como o visto em 2018.

Os médicos e autoridades de saúde pública ouvidos na reportagem da BBC, não souberam explicar o porquê do surto. Existe a hipótese de que foi apenas um surto mais forte e que pode ocorrer periodicamente, ou que possa ter relação com as mudanças climáticas ou ainda que esteja relacionado ao fato do carnaval ter durado mais tempo em 2018 e facilitado o contágio.

Até o momento as autoridades desconhecem se o vírus da conjuntivite de 2018 é diferente dos anteriores.

Carga global, regional e nacional de distúrbios neurológicos durante 1990-2015: uma análise sistemática para o Global Burden of Disease Study 2015

23/04/2018 | Fonte: Lancet Neurol. 2017 Nov;16(11):877-897

Dados comparáveis sobre carga global e país-específico dos distúrbios neurológicos e suas tendências são cruciais para o planejamento de cuidados de saúde e alocação de recursos. O Global Burden of Diseases, Injuries and Risk Factorso (GBD) fornece essa informação, mas não agrega rotineiramente os resultados que interessam aos clínicos especializados em condições neurológicas. Nesta análise sistemática, publicada no Lancet Neurology, foi determinada a carga global de doenças devido a distúrbios neurológicos em 2015 e sua relação com o nível de desenvolvimento do país.

Foram realizadas estimativas da prevalência global, prevalência do país, mortalidade, anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs), anos de vida perdidos (YLLs) e anos vividos com deficiência (YLDs) para vários distúrbios neurológicos, que na classificação GBD, foram previamente distribuídos em vários grupos de doenças. O agrupamento mais inclusivo de distúrbios neurológicos incluiu o acidente vascular cerebral, meningite, encefalite, tétano, Doença de Alzheimer e outras demências, Doença de Parkinson, epilepsia, esclerose múltipla, doença do neurônio motor, enxaqueca, cefaleia tensional, cefaleia por uso excessivo de medicamentos, câncer cerebral e do sistema nervoso e uma categoria residual de outros distúrbios neurológicos. Os resultados também foram analisados com base no Índice Socio-Demográfico (SDI), uma medida composta pela renda per capita, educação e fertilidade, para identificar os padrões associados ao desenvolvimento, e como os países comparam os resultados esperados em relação ao seu nível de desenvolvimento.

Os resultados apontaram os transtornos neurológicos como principal grupo de causas de DALYs em 2015 (250,7 [intervalo de incerteza de 95% (UI) 229,1 a 274,7] milhões, compreendendo 10,2% de DALYs globais e o segundo grupo de causas de mortes (9,4 [9,1 a 9,7] milhões], compreendendo 16,8% das mortes globais). Os distúrbios neurológicos mais prevalentes foram cefaleia tensional (1.505,9 [UI 1.337,3 a 1.681,6 milhões de casos]), enxaqueca (958,8 [872,1 a 1.055,6] milhões), cefaleia por uso excessivo de medicamentos (58,5 [50,8 a 67,4 milhões]) e Doença de Alzheimer e outras demências (46,0 [40,2 a 52,7 milhões]). Entre 1990 e 2015, o número de mortes por distúrbios neurológicos aumentou 36,7% e o número de DALYs em 7,4%. Estes aumentos ocorreram apesar da diminuição das taxas de morte padronizadas por idade e DALYs de 26,1% e 29,7%, respectivamente, sendo que os acidentes vasculares e transtornos neurológicos transmissíveis foram responsáveis pela maioria dessas diminuições. Os distúrbios neurológicos transmissíveis foram a maior causa de DALYs em países com SDI baixo. As taxas de acidente vascular cerebral foram maiores nos níveis médios de SDI e mais baixas no SDI mais alto. A maioria das mudanças nas taxas de distúrbios neurológicos de DALY com o desenvolvimento foi impulsionada por alterações nas YLLs.

Os pesquisadores concluíram que os distúrbios neurológicos são uma causa importante de incapacidade e morte em todo o mundo. Os autores destacam que globalmente, a carga dos distúrbios neurológicos aumentou substancialmente nos últimos 25 anos devido à expansão da população e ao envelhecimento, apesar de diminuições substanciais nas taxas de mortalidade por acidente vascular cerebral e distúrbios neurológicos transmissíveis. Segundo os autores, o número de pacientes que precisarão de cuidados por clínicos com experiência em condições neurológicas continuará a crescer nas próximas décadas. Por fim, os autores salientam que as autoridades responsáveis por políticas públicas e prestadores de cuidados de saúde devem estar cientes dessas tendências para fornecer os serviços adequados.

Autores: GBD 2015 Neurological Disorders Collaborator Group.

Terapia AVATAR para alucinações verbais auditivas em pessoas com psicose: um ensaio clínico único cego, controlado e randomizado

23/04/2018 | Fonte: Lancet Psychiatry. 2018 Jan;5(1):31-40

Estudos estimam que, apesar do tratamento, aproximadamente um quarto das pessoas com condições psicóticas experimentam alucinações verbais auditivas persistentes. A terapia AVATAR (criada por Julian Leff em 2008) é uma nova abordagem em que pessoas que ouvem vozes, dialogam com uma representação digital (avatar) de seu presumido perseguidor, expressado pelo terapeuta para que o avatar responda tornando-se menos hostil e concedendo poder ao longo da terapia.

O objetivo deste estudo, publicado no Lancet Psychiatry, foi avaliar o efeito da terapia AVATAR em alucinações verbais auditivas, em comparação com uma condição controle de aconselhamento de apoio.

Trata-se de um estudo unicego, controlado, randomizado e de centro clínico único (South London e Maudsley NHS Trust). Os participantes tinham idades entre 18 e 65 anos, apresentavam diagnóstico clínico de um espectro de esquizofrenia (ICD10 F20-29) ou transtorno afetivo (F30-39 com sintomas psicóticos), além de alucinações verbais auditivas duradouras nos últimos 12 meses, apesar de tratamento contínuo. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente na proporção 1:1 em blocos permutados randomizados (tamanho de bloco variando aleatoriamente entre dois e seis) para receber terapia AVATAR ou aconselhamento de apoio. As avaliações foram feitas na linha de base e às 12 e 24 semanas. Os pesquisadores eram vendados para a alocação dos pacientes às terapias correspondentes. Foi adotado como resultado primário a redução nas alucinações verbais auditivas às 12 semanas, medida pelo escore total na escala PSYRATS-AH (Psychotic Symptoms Rating Scales Auditory Hallucinations). A análise foi feita por intenção de tratar com modelos mistos lineares.

Entre 1º de novembro de 2013 e 28 de janeiro de 2016, 394 indivíduos foram selecionados para o estudo, dos quais 369 foram avaliados quanto à elegibilidade. Destas pessoas, 150 eram elegíveis e foram aleatoriamente designados para receber terapia AVATAR (n = 75) ou aconselhamento de apoio (n = 75). O resultado primário foi observado em 124 (83%) indivíduos. A redução do escore total de PSYRATS-AH às 12 semanas foi significativamente maior para a terapia AVATAR do que para o aconselhamento de apoio (diferença média -3,82 [erro padrão 1,47], IC 95% -6,70 a -0,94; p < 0,0093). Não houve evidência de eventos adversos atribuíveis a qualquer terapia.

Segundo os autores, este é o primeiro ensaio randomizado e controlado da terapia AVATAR. Os pesquisadores concluíram que esta terapia breve e direcionada foi mais eficaz após 12 semanas de tratamento do que o aconselhamento de apoio na redução da gravidade das alucinações verbais auditivas persistentes, com um grande tamanho de efeito. Os autores salientam que estudos multicêntricos futuros são necessários para estabelecer a eficácia da terapia AVATAR e, caso a eficácia seja comprovada, a terapia deveria se tornar uma opção no tratamento psicológico das alucinações verbais auditivas.

Autores: Craig TK, Rus-Calafell M, Ward T, Leff JP, Huckvale M5, Howarth E, Emsley R, Garety PA.

Comparação entre a ativação comportamental e a autoajuda guiada para o tratamento da depressão em adultos com deficiência intelectual: um estudo controlado randomizado

23/04/2018 | Fonte: Lancet Psychiatry. 2017 Dec;4(12):909-919

As terapias psicológicas são intervenções de primeira linha para a depressão, mas o provimento atual não é acessível para muitos adultos com deficiência intelectual. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Lancet Psychiatry, foi avaliar a eficácia clínica e custo-eficácia de uma intervenção de ativação comportamental (BeatIt) para pessoas com deficiência intelectual e depressão. A intervenção BeatIt foi comparada com uma intervenção de autoajuda guiada (StepUp).

Trata-se de um estudo multicêntrico, único cego, randomizado e controlado, com acompanhamento aos 4 meses e 12 meses após a randomização. Foram selecionados pacientes de serviços de saúde e assistência social no Reino Unido, com 18 anos ou mais, apresentando deficiência intelectual de leve a moderada e depressão clinicamente significativa. Foi considerado como resultado primário o escore aos 12 meses na Escala de Depressão de Glasgow para pessoas com deficiência de aprendizagem (GDS-LD). As análises foram feitas por intenção de tratar.

Entre 8 de agosto de 2013 e 1º de setembro de 2015, 161 participantes foram atribuídos aleatoriamente (84 para BeatIt; 77 para StepUp), sendo que 141 (88%) completaram o estudo. Os resultados não encontraram diferenças de grupo nos efeitos de BeatIt e StepUp com base nos escores GDS-LD aos 12 meses (12,03 [desvio-padrão 7,99] pontos GDS-LD para BeatIt vs 12,43 [desvio-padrão 7,64] GDS-LD pontos para StepUp; diferença média 0,26 pontos GDS-LD [IC 95% -2,18 a 2,70]; p = 0,833). As melhorias intragrupo nos escores GDS-LD ocorreram em ambos os grupos aos 12 meses (BeatIt, alteração média -4,2 pontos GDS-LD [IC 95% -6,0 a -2,4], p <0,0001; StepUp, alteração média -4,5 pontos GDS-LD [-6,2 a -2,7], p <0,0001), com tamanhos de efeito grande (BeatIt, 0,590 [IC 95% 0,337-0,844]; StepUp, 0,627 [0,380-0,873]). A análise de custo-eficácia não revelou superioridade do BeatIt em relação ao StepUp, embora as análises econômicas indicassem incerteza substancial. Os custos de tratamento foram apenas de aproximadamente 3,6 a 6,8% dos custos totais de suporte dos participantes. Não foram relatados eventos adversos relacionados ao tratamento ou ao estudo.

Segundo os autores, este é o primeiro grande ensaio controlado randomizado avaliando intervenções psicológicas individuais para pessoas com deficiência intelectual e problemas de saúde mental. Os pesquisadores concluíram que não há evidências de que BeatIt seja mais eficaz do que o StepUp, de modo que ambas as intervenções são ativas e potencialmente efetivas.

Autores: Jahoda A, Hastings R, Hatton C et al.

Correlatos clínicos da perda de insight no transtorno bipolar

23/04/2018 | Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.4, pp.264-269

O estado afetivo pode influenciar o insight, especialmente a mania. No entanto, até o momento os estudos mostram que a depressão parece não prejudicar significativamente o insight. De acordo com o conhecimento dos autores, este estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, é pioneiro em avaliar como as alterações de insight na depressão bipolar se correlacionam com variáveis clínicas.

Um grupo de 165 pacientes bipolares, com 52 pacientes apresentando episódios depressivos de acordo com os critérios do DSM-5, foi acompanhado por um ano. Os pacientes foram submetidos a avaliação clínica, e o insight foi avaliado utilizando a Insight Scale for Affective Disorders (ISAD). Diferenças no insight de acordo com o objeto foram investigadas utilizando-se ANOVA de medidas repetidas, comparando os escores dos quatro fatores da ISAD (insight sobre sintomas, sobre sua condição, autoestima e relações sociais). Análises de correlação exploraram quais sintomas clínicos estiveram associados a redução de insight.

Pior insight total correlacionou-se com ideação/tentativa de suicídio e com sintomas subsindrômicos de mania (elevação do humor, energia aumentada e interesse sexual). Pior insight sobre autoestima associou-se não somente a ideação/tentativa de suicídio, mas também a redução de atividade e alentecimento psicomotor. Pior insight sobre sintomas também mostrou correlação com alentecimento psicomotor. Melhor insight sobre ter uma doença afetiva associou-se a sintomas hipocondríacos mais intensos. Finalmente, pior insight sobre a condição esteve associado a sintomas psicóticos.

Segundo os pesquisadores, o estudo mostrou que, além da psicose, outros sintomas parecem se correlacionar com prejuízo de insight na depressão bipolar, como ideação suicida, redução de atividade e alentecimento psicomotor.

Autores: Silva, Rafael de Assis da et al.

Fibrilação atrial em pacientes com transtornos mentais graves e o risco de acidente vascular cerebral, eventos tromboembólicos fatais e hemorragia: um estudo de coorte nacional

23/04/2018 | Fonte: BMJ Open. 2017 Dec 6;7(12):e018209

A literatura ainda carece de dados consistentes sobre os resultados de fibrilação atrial em pacientes com transtornos mentais graves. O objetivo deste estudo, publicado no British Medical Journal, foi comparar as taxas de acidente vascular cerebral (AVC), eventos tromboembólicos fatais e hemorragias em pacientes com fibrilação atrial com e sem transtornos mentais.

Trata-se de um estudo de coorte realizado na Dinamarca (população 5,6 milhões) entre 2000-2015. Foram investigados pacientes com diagnostico de fibrilação atrial que apresentavam esquizofrenia (n = 534), depressão grave (n = 400) ou transtorno bipolar (n = 569). Também foram incluídos pacientes com fibrilação atrial, mas sem transtornos mentais, pareados na proporção 1:5 por idade, gênero e calendário (ano da data índice). O diagnóstico de esquizofrenia, depressão grave ou transtorno bipolar foi realizado em pacientes internados ou em ambulatório. Foram considerados como medidas de resultados primários a razão de risco (RR) para AVC, eventos tromboembólicos fatais e hemorragia maior comparando pacientes com e sem transtornos mentais estimados por regressão de Cox e ajuste sequencial para fatores de risco de AVC e hemorragia, comorbidades e início de terapia com anticoagulante oral (OAT).

Os resultados da comparação entre pacientes com fibrilação atrial e transtornos mentais graves e seus pares correspondentes mostraram razão de risco de 5 anos para AVC isquêmico de 1,37 (IC 95% 0,88 a 2,14) para esquizofrenia, 1,36 (IC 95% 0,89 a 2,08) para depressão e 1,04 (IC 95%: 0,69 a 1,56) para transtorno bipolar. Após ajuste dos fatores de risco, comorbidade e OAT, as razões de risco diminuíram para nulo. As razões de risco brutas de eventos tromboembólicos fatais foram 3,16 (IC 95%: 1,78 a 5,61) para esquizofrenia, 1,31 (IC 95%: 0,67 a 2,56) para depressão e 1,53 (IC 95%: 0,93 a 2,53) para transtorno bipolar. As taxas de hemorragia maior foram elevadas em pacientes com esquizofrenia (HR bruta 1,37, IC 95% 0,99 a 1,90) e depressão grave (HR 1,25, IC 95% 0,87 a 1,78), mas não naqueles com transtorno bipolar (HR 0,82, IC 95% 0,58 a 1,15).

Os pesquisadores concluíram que pacientes com fibrilação atrial e esquizofrenia ou depressão grave apresentaram taxas aumentadas de AVC e hemorragia maior comparado aos seus pares correspondentes. Segundo os autores, este aumento foi amplamente explicado pelas diferenças na prevalência de fatores de risco para AVC e hemorragia, comorbidade e início da OAT durante o seguimento. Os autores salientam, ainda, que pacientes com fibrilação atrial e esquizofrenia apresentaram maior mortalidade após eventos tromboembólicos do que seus pares sem transtornos mentais.

Autores: Søgaard M, Skjøth F, Kjældgaard JN, Larsen TB, Hjortshøj SP, Riahi S.

Comparação dos níveis plasmáticos de Tau fosforilada, Tau total e a relação Tau fosforilada-Tau total como biomarcadores agudos e crônicos de lesão cerebral traumática

23/04/2018 | Fonte: JAMA Neurol. 2017 Sep 1;74(9):1063-1072

Estudos estimam que pelo menos 3,5 milhões de pessoas procuram atendimento médico por lesão cerebral traumática (LCT) atualmente nos Estados Unidos. Contudo, o desenvolvimento de terapias para LCT é limitado pela ausência de biomarcadores diagnósticos e prognósticos. A proteína tau, associada aos microtúbulos, é uma fosfoproteína axonal. Até o presente momento, não há estudos que investigaram a presença da proteína tau hipofosforilada (P-tau) no plasma de pacientes com LCT aguda e crônica.

O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Neurology, foi investigar as associações entre os níveis plasmáticos de P-tau e tau total (T-tau) com a presença e a gravidade da lesão, o tipo de lesão patoanatômica (neuroimagem) e resultados no paciente na LCT aguda e crônica.

No estudo TRACK-TBI Pilot, foi realizada a coleta do plasma em um único momento de 196 pacientes com LCT aguda admitidos em 3 centros de trauma de nível I (<24 horas após a lesão) e de 21 pacientes com LCT admitidos em unidades de internação para reabilitação (média [desvio-padrão], 176,4 [44,5] dias após a lesão). As amostras controle foram adquiridas comercialmente. O estudo TRACK-TBI Pilot foi realizado entre 1º de abril de 2010 e 30 de junho de 2012. A análise de dados para a investigação atual foi realizada entre 1º de agosto de 2015 e 13 de março de 2017. As amostras de plasma foram testadas para P-tau (utilizando um anticorpo que reconhece especificamente a fosfotreonina-231) e para T-tau utilizando imunoensaio ultrassensível por raio laser de fibra ótica e múltiplos feixes conjugados à amplificação por círculo rolante ("rolling circle amplification", RCA)

Foram avaliados 217 pacientes com LCT e idade média (desvio-padrão) de 42,5 (18,1) anos, sendo que 161 (74,2%) eram homens. Os níveis de P-tau e T-tau e a relação P-tau-T-tau em pacientes com LCT aguda foram maiores que nos controles saudáveis. A análise de característica de operação do receptor para os 3 diferentes tipos de Tau (P-tau, T-tau e P-tau-T-tau) demonstrou precisão com a área abaixo da curva (AUC) de 1,000, 0,916 e 1,000, respectivamente, para discriminar LCT leve ([GCS [Glasgow Coma Scale], 13-15, n = 162) de controles saudáveis. O nível de P-tau e a relação P-tau-T-tau foram maiores nos indivíduos com LCT mais grave (GCS, ≤12 vs 13-15). O nível de P-tau e a relação P-tau-T-tau foram superiores ao nível de T-tau na distinção entre casos positivos e negativos de LCT avaliados na tomografia computadorizada craniana (AUC = 0,921, 0,923 e 0,646, respectivamente). Os níveis agudos de P-tau e

a relação P-tau-T-tau distinguiram de forma fraca os pacientes com LCT que tiveram bons resultados (Glasgow Outcome Scale-Extended GOS-E, 7-8) (AUC = 0,663 e 0,658, respectivamente) e identificaram aqueles com resultados ruins (GOS-E, ≤4 vs >4) (AUC = 0,771 e 0,777, respectivamente). As amostras plasmáticas de pacientes com LCT crônica também apresentaram níveis elevados de P-tau e uma relação P-tau-T-tau significativamente maior do que a dos controles saudáveis, com os índices de P-tau discriminando fortemente pacientes com LCT crônica de controles saudáveis (AUC = 1,000 e 0,963, respectivamente).

Os pesquisadores concluíram que os níveis plasmáticos de P-tau e a relação P-tau-T-tau superaram o nível de T-tau como biomarcadores diagnósticos e prognósticos para LCT aguda. Segundo os autores, em comparação com os níveis de T-tau isoladamente, os níveis de P-tau e os índices de P-tau-T-tau mostram elevações mais robustas e sustentadas entre pacientes com LCT crônica.

Autores: Rubenstein R, Chang B, Yue JK.

Acurácia da versão de 15 itens da Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15) em uma amostra de idosos muito-idosos residentes na comunidade: Estudo Pietà

23/04/2018 | Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.4, pp.276-279.

A depressão geriátrica (DG) é um transtorno prevalente que permanece sendo subdiagnosticado. Ferramentas validadas para rastreio de DG em idosos muito idosos na prática clínica são necessárias, especialmente em países em desenvolvimento.

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi avaliar a acurácia diagnóstica da Escala de Depressão Geriátrica (Geriatric Depression Scale, GDS-15) em uma população de idosos muito idosos residentes na comunidade.

Foram avaliados, com a GDS-15, 457 indivíduos não demenciados, residentes na comunidade, com idade ≥75 anos. O diagnóstico definitivo de depressão maior foi realizado através da entrevista semiestruturada Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI), de acordo com os critérios do DSM-IV.

Cinquenta e dois indivíduos (11,4%) foram diagnosticados com episódio depressivo maior. A área sob a curva receiver operating characteristic (ROC) foi de 0,908 (p<0,001). Utilizando-se o ponto de corte 5/6 (não-deprimido/deprimido), 84 (18,4%) indivíduos foram considerados deprimidos pela GDS-15 (coeficiente de kappa = 53,8%, p<0,001). O ponto de corte 4/5 atingiu a melhor combinação entre sensibilidade (86,5%) e especificidade (82,7%) (índice de Youden = 0,692), com valor preditivo negativo robusto (0,9802) e razoável valor preditivo positivo (0,3819).

Os pesquisadores concluíram que a GDS-15 demonstrou boa acurácia para o rastreio de depressão maior nesta amostra de base populacional de idosos muito idosos com baixa escolaridade. Os resultados do presente estudo indicam que o ponto de corte 4/5 mostrou-se mais adequado para utilização nesta população.

Autores: Dias, Filipi Leles da Costa et al.

Entenda o que é o exame pré-nupcial que o SUS quer oferecer

19/04/2018 | Fonte: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2018/04/06/como-e-o-teste-genetico-pre-nupcial-que-sus-pode-oferecer-apesar-de-critica.htm

O exame pré-nupcial que o Ministério da Saúde pretende incluir no SUS é um teste genético que aponta, antes de um casal ter filhos, qual a probabilidade da criança ter certas doenças.

Os geneticistas têm criticado esta medida, pois consideram que a sugestão irá causar um alto custo à saúde pública caso não seja feito um planejamento adequado, conforme explica a repórter Larissa Leiros Baroni do Portal UOL.

Este teste é realizado a partir da coleta de sangue ou de qualquer outro material que contenha DNA, o teste de compatibilidade de casal pode detectar a existência de genes ligados a algumas patologias genéticas hereditárias, e identificar a probabilidade dos futuros filhos serem ou não afetados por eles.

Nos laboratórios particulares, o exame custa cerca de R$ 12 mil. O Ministério da Saúde considera que a inclusão do teste no sistema público poderia reduzir os gastos com as doenças raras. Porém, os geneticistas dizem que o exame não é capaz de detectar todos os tipos de doenças raras, e que o investimento nesse tipo de teste não é prioritário.

Segundo a reportagem, a SBGM (Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica), considera que são necessários mais de 7 anos para chegar a um diagnóstico adequado de doença rara, e que o teste não deve ser oferecido de maneira isolada, sem a construção de uma rede de cuidados que solucionariam esses problemas. A entidade alerta para a ideia de eugenia por trás do teste, podendo ferir os princípios éticos do aconselhamento genético.

O Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS) ainda está analisando a proposta e, até o momento, não há previsão para implantação do programa

O teste consegue identificar alguns tipos de doenças de acordo com o exame realizado, explicam os especialistas ouvidos na reportagem.

Muitas variáveis devem ser levadas em consideração para traçar as possibilidades de um casal ter um filho com doenças raras, afirmam os especialistas, e alertam que, nenhum exame é capaz de rastrear todas as doenças raras existentes, até porque os genes de muitas delas ainda são desconhecidos. A SBGM informa que há cerca de 7.000 doenças raras.

Através do teste é possível identificar as probabilidades de mutações e os riscos de repetição dessas mutações. Além disso, os especialistas explicam que a existência de uma mutação não significa necessariamente que ela realmente estará presente no filho.

Pacientes ficam mais satisfeitos quando os médicos tratam menos pessoas

18/04/2018 | Fonte: https://www.reuters.com/article/us-health-patients-physician-reviews/patients-more-satisfied-when-doctors-treat-fewer-people-idUSKBN1HK2BI

Os médicos que atendem menos pacientes podem obter melhores avaliações on-line do que aqueles que atendem um maior volume de indivíduos, conforme sugere um estudo com urologistas publicado no JAMA Surgery.

Os autores do estudo examinaram dados de 665 urologistas com pacientes assistidos pelo Medicare (sistema de seguros de saúde gerido pelo governo dos EUA) na Califórnia, examinando quantos pacientes eles trataram, bem como que resultados eles obtiveram em quatro sites especializados na avaliação, busca e informações sobre médicos, clínicas e hospitais: Yelp.com, Vitals.com, Healthgrades.com e Ratemd.com.

Metade dos urologistas avaliados trataram ao menos 426 pacientes cobertos pelo Medicare em 2014. No geral, o estudo concluiu que os médicos que trataram menos pacientes obtiveram avaliações on-line de satisfação mais altas.

Os pesquisadores ouvidos pela repórter Lisa Rapaport da agência Reuters, explicam que pode haver mais de uma explicação para essa conclusão. A hipótese mais provável é a de que os pacientes ficam mais satisfeitos quando aguardam menos tempo na sala de espera e tem mais tempo para conversar com o seu médico. Os autores acreditam que os pacientes valorizam a eficiência, facilidade de acesso e comunicação.

Embora a precisão, utilidade e significado das avaliações on-line sejam questionadas pelos médicos, elas influenciam cada vez mais as decisões sobre onde os pacientes escolhem receber cuidados e têm impacto sobre como os hospitais e sistemas de saúde avaliam o desempenho dos médicos, explicam os pesquisadores.

As avaliações on-line podem ser influenciadas por uma variedade de fatores que vão muito além da qualidade do atendimento, podendo incluir o tempo de espera, a facilidade de agendamento de consultas e quanto tempo os médicos gastam durante o atendimento, observam os autores.

No estudo, a maioria dos urologistas pesquisados eram do sexo masculino e trabalhavam predominantemente em atendimentos fora do ambiente acadêmico.

Em uma escala que variou de 1 a 5, os atendimentos realizados dentro do ambiente acadêmico obtiveram uma classificação em média de 4,2 nos vários sites de satisfação de pacientes examinados no estudo. Fora do ambiente acadêmico, os médicos obtiveram uma classificação média de 3,7.

Os urologistas do sexo feminino tiveram índices de satisfação semelhantes aos do sexo masculino, segundo o estudo realizado.

Para cada 100 pacientes a mais atendidos, a média de satisfação do paciente caiu em média 0,04 pontos.

As limitações do estudo incluem o uso de dados do Medicare publicados por organizações não oficias, que podem não representar com tanta precisão os dados dos pacientes, observam os autores.

O estudo também não foi um experimento controlado e projetado para comprovar se, ou como, o número de pacientes atendidos pelos médicos pode influenciar nas avaliações de satisfação em sites de consumidores.

Mesmo assim, os resultados sugerem que os médicos precisam passar algum tempo conversando com seus pacientes durante as consultas, informaram os autores. Quando ocorrem complicações durante o tratamento ou uma cirurgia, os pacientes podem se sentir melhor quando notam que seu médico os ouve, especialmente nos momentos infelizes e assustadores.

O resumo do estudo realizado pode ser acessado em: https://jamanetwork.com/journals/jamasurgery/article-abstract/2675991?redirect=true

A importância da vacinação contra a gripe após epidemia nos EUA

18/04/2018 | Fonte: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/vacina-da-gripe-disponivel-no-brasil-protege-contra-virus-que-provocou-epidemia-nos-eua.ghtml

Com o avanço do outono chega o momento de realizar a vacinação contra a gripe, tanto para os grupos de risco estipulados pelo Ministério da Saúde, quanto para o restante da população. O objetivo é o de realizar a vacinação da população antes da chegada do inverno, quando o número de infectados aumenta consideravelmente.

Os grupos de risco definidos pelo Ministério da Saúde para este ano são os mesmos de 2017: crianças de 6 meses a 5 anos; pessoas com mais de 60 anos; gestantes; mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias; profissionais da saúde; professores da rede pública e particular; população indígena; portadores de doenças crônicas; indivíduos imunossuprimidos; portadores de trissomias; pessoas privadas de liberdade e adolescentes internados em instituições socioeducativas. A vacina é contraindicada apenas para quem tem alergia severa ao ovo.

As pessoas que não fazem parte desses grupos devem procurar uma clínica particular para realizar a vacinação.

A rede pública distribuirá a versão trivalente da vacina, enquanto que as clínicas particulares geralmente disponibilizam a vacina tetravalente. A diferença está na presença de um quarto tipo de vírus na composição, o que eleva o nível de proteção. Além das cepas H1N1, H3N2 e do tipo B Yamagata, a tetravalente também protege contra o tipo B Victoria.

A proteção contra a cepa H3N2 é de particular importância, pois este ano este vírus circulou com força no hemisfério norte, conforme explicou a repórter Monique Oliveira do Portal G1. Naquela região, essa forma do vírus foi responsável por elevar o número de infectados pelo influenza para 47 mil, o dobro do registrado em 2017, provocando a epidemia mais grave nos EUA dos últimos 13 anos.

Os países do hemisfério norte não receberam a tempo a versão da vacina atualizada, e por isso o vírus acabou fazendo mais vítimas, explicaram os especialistas ouvidos na reportagem.

A cepa H3N2 já fez 10 vítimas no Brasil em 2018. Dados do Ministério da Saúde dão conta que houveram 228 casos de influenza e 28 óbitos. Deste total, 57 casos e 10 óbitos foram por H3N2. Em relação ao vírus H1N1, foram registrados 84 casos e 8 óbitos. Outros 50 casos e 6 óbitos foram por influenza B, e os outros 37 casos e 4 óbitos foram provocados por influenza A sem subtipo definido. Em 2017, foram registrados 2.691 casos e 498 óbitos por influenza.

Na rede privada, os laboratórios já estão oferecendo a vacina com os novos vírus recomendados para essa temporada.

Para este ano a Organização Mundial de Saúde definiu para o hemisfério Sul, que a vacina contra a influenza deve conter: um vírus similar ao vírus influenza A/Michigan/45/2015 (H1N1) pdm09; um vírus similar ao vírus influenza A/Singapore/INFIMH-16-0019/2016 (H3N2); e um vírus similar ao vírus influenza B/Phuket/3073/2013. As vacinas tetravalentes, podem conter também o influenza B da forma Brisbane/60/2008.

Segundo os especialistas, há aproximadamente 9 anos, não era comum ter a circulação simultânea de dois tipos de influenza B, mas essa situação mudou e, por isso, começaram a surgir as vacinas com quatro subtipos do vírus.

O vírus influenza é dividido em tipos, subtipos e linhagens, e todas essas variações correspondem a diferenças encontradas no material genético do vírus.

Em relação ao tipo, o influenza é dividido em A, B e C. Os vírus do tipo A e B são os que infectam seres humanos; e os do tipo C, não são incluídos em vacinas por não terem relevância para a saúde pública até o momento.

As formas H3N2, H1N1, dentre outras, referem-se aos subtipos do influenza A. As letras H e N referem-se a proteínas encontradas na superfície do vírus, neuraminidase e hemaglutinina, respectivamente.

Os números fazem referência a maneira como essa proteína é apresentada, como uma haste mais longa, por exemplo.

O influenza B é dividido em duas linhagens, que passaram a circular simultaneamente nos últimos anos.

O microbioma pode ser responsável pelo surgimento e tratamento de doenças

16/04/2018 | Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-43716220

Os micro-organismos presentes em nosso microbioma constituem 57% do total de células do corpo.

Segundo uma reportagem de James Gallagher para a BBC Brasil, entender esse microbioma pode alterar a compreensão de várias doenças.

Ele é formado por bactérias, vírus, fungos e arquea, localizados em diversas partes do nosso corpo. A maior parte destes microrganismos está no nosso intestino, onde há pouca presença de oxigênio.

Se podemos considerar que a relação de células humanas para não humanas está próxima de 1 para 1, o mesmo não podemos dizer em respeito à genética.  O genoma humano é composto de 20 mil genes, enquanto se juntarmos todos os genes do microbioma chegaremos a um número entre 2 e 20 milhões.

Segundo os especialistas ouvidos na reportagem, seria ingênuo pensar que, ao carregarmos tanto material microbiano, não hajam interações com efeitos em nossos corpos.

Estudos recentes estão concluindo que o microbioma desempenha importantes papeis na digestão, regulando o sistema imunológico, protegendo-o contra doenças e produzindo vitaminas.

Uma preocupação crescente para a medicina é o desenvolvimento de novos antibióticos (especialmente para bactérias super-resistentes) e vacinas que, se por um lado têm sido responsáveis por salvarem um grande número de vidas, também podem trazer danos incalculáveis ao nosso microbioma.

Os especialistas acreditam que estes danos possam ser responsáveis pelo crescente aumento de doenças autoimunes e alergias.

Além dessas patologias, o microbioma também está sendo relacionado a doenças como mal de Parkinson, doença inflamatória intestinal, depressão, autismo, funcionamento de drogas oncológicas e até mesmo obesidade. Ou seja, além da já conhecida influência do histórico familiar e do estilo de vida para essas doenças, o microbioma também desempenha um papel fundamental.

Experimentos realizados em ratos nascidos em um ambiente totalmente higienizado, e que viveram toda sua vida completamente livre de micróbios, tornaram-se mais magros ou mais gordos apenas pelo transplante de fezes de humanos magros e obesos, respectivamente.

A esperança dos cientistas é que, caso essas descobertas possam ser traduzíveis para humanos, os micróbios possam ser uma nova forma de medicamentos.

Outra teoria que está sendo estudada é a de que indivíduos doentes tenham ausência de determinados tipos de micróbios, e que seu tratamento possa ser realizado reintroduzindo-os. Os cientistas já encontraram evidências de que restaurar o microbioma de um paciente com colite ulcerativa pode realmente levar à melhora.

A medicina microbiana está ainda em seus primeiros passos, mas alguns pesquisadores acreditam inclusive que o monitoramento do microbioma poderá se tornar algo cotidiano, capaz de fornecer importantes informações sobre a nossa saúde.

Surto de sarampo nas Américas

16/04/2018 | Fonte: http://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5629:regiao-das-americas-registra-casos-de-sarampo-em-11-paises&Itemid=820

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que atualmente 11 países das Américas já notificaram casos confirmados da doença, conforme noticiou o portal da Organização Pan-Americana da Saúde.

Muitos desses casos se devem a fluxos migratórios na região e, por isso, a OMS emitiu um alerta para que os países se preparem para vacinar a população suscetível. O objetivo da entidade é manter uma cobertura homogênea de 95%, com a primeira e segunda dose da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola em todas as localidades.

O país das Américas mais afetado é a Venezuela, com 279 casos. O Brasil é o segundo colocado, devido a migração de venezuelanos, principalmente em Roraima. Dos 42 casos confirmados em Roraima, 34 são de cidadãos venezuelanos e oito brasileiros.

Nas regiões afetadas, o Ministério da Saúde está organizando uma campanha de vacinação, onde o público-alvo é a população não vacinada entre 6 meses e 49 anos de idade.

A OMS está ajudando o Brasil na contenção do surto de sarampo em Roraima e está apoiando a vacinação na fronteira com a Venezuela.

O sarampo é uma doença altamente contagiosa que requer uma excelente cobertura vacinal (95%) para conter o surto. Ela é causada por um vírus de transmissão respiratória e os sintomas usualmente aparecem em 12 dias. Os principais sintomas incluem manchas avermelhadas na pele, febre, tosse e mal-estar. Nos casos mais graves, pode levar à pneumonia, cegueira, inflamação do cérebro e até mesmo à morte

A OMS havia outorgado em 2016 um certificado de que a América estava livre da doença, sendo a primeira região do mundo a receber este certificado.

A vacina contra a doença está disponível desde 1963 e ela deve ser administrada em duas doses, a primeira dose aos 12 meses de idade e a outra três meses depois.

EUA recomenda reforço da vacina contra febre amarela

16/04/2018 | Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/interpretacao-divergente-de-estudo-faz-eua-exigirem-reforco-da-vacina-contra-febre-amarela-entenda.ghtml

A Organização Mundial da Saúde (OMS) a partir de 2013 passou a dispensar o reforço da vacina da febre amarela a cada 10 anos. Esta medida passou a ser seguida pelo Brasil a partir de abril de 2017, logo após o surto atual. Segundo Monique Oliveira, em sua reportagem para o Portal G1, a decisão da OMS foi embasada nos resultados de diversos estudos, que concluíram não ser necessária uma segunda dose para a garantia de proteção sendo necessária apenas uma única dose da vacina e, consequentemente, uma única ida à unidade de saúde.

O Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, diferente da OMS, após também analisar estudos sobre o assunto chegou a uma conclusão diferente. Segundo a entidade, embora considere que a vacina mantenha a proteção por um longo prazo, não é possível reconhecer neste momento, que a proteção que a vacina contra a febre amarela confere seja para a vida inteira em todos os grupos, especialmente naqueles com condições que desfavoreçam à eficácia prolongada da vacina, como mulheres grávidas e soropositivos para o HIV.

Além desses, outro grupo o qual o CDC recomenda o reforço da vacina são os turistas que, em visita a áreas com transmissão ativa da doença, como é o caso do sudeste brasileiro neste momento, sejam revacinados. Segundo a entidade, também não há evidências suficientes de eficácia prolongada nesse grupo. Por esse motivo, os Estados Unidos atualizaram suas recomendações, indicando que os norte-americanos que tenham como destino o Brasil considerem tomar a vacina novamente, caso tenha sido ultrapassado o prazo de 10 anos da última vacinação.

As áreas de risco que o CDC considera serem regiões de risco recente são as cidades de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Segundo a entidade, os visitantes devem fazer uma avaliação da necessidade de um reforço a depender de algumas situações, como o tempo de permanência no local. Para outros grupos, o CDC considera o reforço totalmente indicado, como nos casos de mulheres grávidas, receptores de transplantes de célula-tronco e portadores de HIV.

Para o Brasil e sua população, a recomendação em vigor continua sendo a da OMS, ou seja, de uma única dose para a vida inteira para todos os grupos, independente da condição ou área em que se encontram.

Essa recomendação da OMS, foi tomada embasa em um artigo publicado no periódico associado à entidade, Weekly Epidemiological Record, onde se relata que, desde o início da vacinação contra a febre amarela, na década de 30, apenas 12 casos da doença pós-vacinação foram identificados.  Estes casos ocorreram em 5 anos após a vacinação, caracterizando uma falha vacinal, já que a vacina protege por 10 anos, e não pela diminuição da imunidade ao longo do tempo.

Um estudo publicado no periódico Clinical Infectious Disease em 2009, com 78 portadores de HIV vacinados contra a febre amarela, identificou que 13 deles não desenvolveram anticorpos contra a doença. Concluindo que nesse grupo a eficácia é de 83%, menor que a alcançada em não-portadores, que chega a mais de 97%.

Nesse grupo a principal hipótese é de que a falha vacinal tenha ocorrido pela baixa presença de CD4 em alguns pacientes, situação que pode ser revertida com tratamento antirretroviral.

A OMS aconselha que os países investiguem a imunidade da vacina em alguns grupos, com estudos de vigilância. Porém, não faz ressalvas sobre a dose única, que valeria para todas as populações.

O avanço da sífilis no Brasil

16/04/2018 | Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-43701523

O número de casos de sífilis vem aumentado nos últimos anos. Segundo uma reportagem publicada na BBC Brasil, dados de 2017 apontam que a doença também avançou em todas as regiões do mundo e na maioria dos grupos etários. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos, cerca de 5,6 milhões de pessoas contraem sífilis no mundo.

Segundo o Ministério da Saúde, entre 2015 e 2016 a sífilis adquirida teve um aumento de 27,9% no Brasil. Em 2016, foram constatados 87.593 mil casos em adultos. As infecções por sífilis congênita em bebês, passada de mãe para filho durante a gestação, também cresceram 4,7%.

As autoridades brasileiras afirmam que esses números, além de serem resultado de um desabastecimento da penicilina (antibiótico mais efetivo contra a doença), também decorrem do aumento no número de diagnósticos, devido à distribuição de testes na rede pública de saúde.

A doença é uma infecção que consegue se propagar com maior facilidade do que as outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Os sintomas em adultos podem se apresentar na forma de úlceras genitais, erupções generalizadas na pele, cansaço e dor de cabeça, febre e dor nas articulações.

Porém a doença também pode ser silenciosa. Diferentemente do que acontece com outras DSTs, uma pessoa infectada com sífilis pode não apresentar nenhum sintoma e, desta maneira, contagiar outras pessoas inadvertidamente.

A sífilis ocorre quando o paciente é infectado pela bactéria Treponema pallidum, que é transmitida principalmente pela via sexual (pela lesão genital), podendo ser vaginal, anal ou oral.

Também é transmitida da mãe para os filhos durante a gravidez, sendo a segunda maior causa de mortalidade entre recém-nascidos no mundo.

Para o Brasil alcançar a meta da OMS de eliminar as mortes por sífilis congênita, deverá reduzir a taxa atual de 6,8 casos por mil nascidos vivos para no máximo de 0,5 por mil.

Na reportagem, as autoridades brasileiras informam que a meta poderia ser alcançada em um curto prazo, já que consideram que a sífilis é facilmente detectada e tratada. Para isso é necessária a disponibilidade do teste rápido para o diagnóstico e da penicilina para o tratamento.

Para o tratamento se utiliza a penicilina benzatina em adultos e a penicilina cristalina em bebês. Porém, é fundamental diagnosticar a doença o mais precoce possível, já que, sem o tratamento, a infecção pode perdurar anos e ocasionar graves problemas irreversíveis de saúde a longo prazo, como derrames, demência, perda de coordenação, cegueira e cardiopatias. Vale ainda destacar que as úlceras genitais provocadas pela sífilis facilitam o contágio do HIV.

Para 2018 estão previstos 36.360 novos casos de câncer colorretal no Brasil

16/04/2018 | Fonte: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/04/08/cancer-colorretal-tem-90-de-chance-de-cura-se-descoberto-no-inicio.htm

Esta é a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que ainda prevê que destes casos, 17.380 serão em homens e 18.980 em mulheres, conforme revelou a jornalista Ana Cristina Campos da Agência Brasil.

 

Segundo especialistas entrevistados pela jornalista, o câncer colorretal é facilmente curável, quando descoberto no início, sendo que quando diagnosticado nos estágios iniciais, a chance de cura da doença é de 90%.

 

Terceiro tipo de câncer mais frequente em homens e segundo, entre as mulheres no Brasil, o câncer de cólon e reto levou a óbito 8.163 homens e 8.533 mulheres, em 2015.

 

A maioria desses tumores se inicia a partir de pólipos que podem crescer na parede interna do intestino grosso. A detecção e a remoção desses pólipos antes de eles se tornarem malignos é uma das formas de prevenir o aparecimento do câncer.

 

Os fatores que aumentam o risco de desenvolvimento da doença são: idade acima de 50 anos; história familiar de câncer colorretal; e história pessoal de câncer (principalmente câncer de ovário, útero ou mama).

 

Atualmente a preocupação dos médicos é o aumento da incidência crescente desse câncer em pessoas com menos de 50 anos, e o aumento da incidência de obesidade e sedentarismo, que também são fatores que aumentam a predisposição ao tumor.

 

Esses tumores podem ser detectados precocemente por meio de dois exames principais, que são a pesquisa de sangue oculto nas fezes e as endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopias). A realização destes exames está indicada para as pessoas com sintomas sugestivos de câncer colorretal ou naquelas sem sinais, mas que estão em grupos de maior risco.

 

Para os descendentes diretos de pessoas que tiveram câncer de intestino, a indicação é que realizem a colonoscopia dez anos mais jovem do que a idade que o parente teve o diagnóstico.

 

Os principais sinais de alerta são a mudança no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre), desconforto abdominal com gases ou cólicas, sangramento nas fezes ou anal e a sensação de não esvaziamento intestinal após a evacuação.

 

Os médicos recomendam como a melhor forma de prevenção à doença a adoção de hábitos saudáveis, dieta rica em fibras (frutas, verduras e legumes), e a prática de atividade física regular. Também é importante evitar o alto consumo de carne vermelha e processada, e de bebidas alcoólicas.

Governo suspende a criação de cursos de Medicina por 5 anos

16/04/2018 | Fonte: http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,ministerio-anuncia-suspensao-da-criacao-de-cursos-de-medicina-por-cinco-anos,70002254948

O Ministério da Educação anunciou a publicação de um decreto que suspende por cinco anos a criação de cursos de medicina. Esta medida já havia sido comunicada em novembro de 2017 e a expectativa era de ter sido assinada em dezembro.

 Segundo a reportagem de Lígia Formenti, publicada no jornal O Estado de S.Paulo, o motivo para a criação dessa medida seria o aumento desordenado dos postos de ensino que teria colocado em risco a qualidade e que, para aumento das escolas, era necessária uma infraestrutura e corpo docente com formação adequada.

 Este decreto atende a uma reivindicação antiga, feita por entidades de classe e associações, que se queixam do aumento expressivo das vagas de cursos de medicina, especialmente após a Lei do Mais Médicos.

 As entidades de classe esperam também uma regulamentação para a certificação de cursos de medicina. A ideia proposta pelo grupo é a de que uma comissão externa, com integrantes indicados pelo MEC, ficaria encarregada de preconizar critérios mínimos de estrutura para cursos de Medicina que já estão abertos.

 O objetivo destas entidades é garantir a qualidade dos cursos, para que o médico saia da faculdade apto a prestar um atendimento adequado ao paciente.

 Na prática, a suspensão tem efeito para os cursos futuros e a certificação, realizada pela comissão, atuaria na verificação da qualidade das escolas já abertas.

 Ainda, segundo a reportagem, algumas escolas não possuem hospitais próprios. Nessas escolas, os alunos têm que fazer o acompanhamento com médicos de instituições ligadas ao curso, mas esses profissionais que estão atendendo nem sempre são professores, e não têm necessariamente formação para ensinar, prejudicando então a formação dos estudantes.

A incapacidade de ser consciente da própria doença

16/04/2018 | Fonte: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2018/04/03/anosognosia-a-falta-de-consciencia-sobre-a-propria-doenca.ghtml

A anosognosia é caracterizada pela ausência de consciência sobre a própria doença, podendo levar o paciente a não reconhecer limitações ou manter comportamentos inadequados. Segundo uma matéria realizada pela jornalista Mariza Tavares, publicada no Jornal G1, as pessoas que apresentam esta síndrome ainda podem apresentar dificuldades para aderir ao tratamento e necessitar do suporte de sua família. Os especialistas entrevistados pela repórter explicam que esta condição pode ser relativamente comum nos estágios iniciais de uma demência, onde o paciente chega ao consultório sem suspeitar do quadro, mas que ao longo da consulta, surgem pistas de que o discurso do paciente não é coerente.

Os casos de demência frontotemporal, por exemplo, que possuem determinadas peculiaridades por atingirem o lado comportamental, levam a comportamentos exacerbados. Os pacientes podem perder a capacidade de percepção, apresentando hipersexualidade ou esbanjamento de dinheiro. Também são comuns os julgamentos distorcidos: agindo como se tivesse muitos amigos, embora não os tenha. É de fundamental importância que os parentes e conhecidos estejam atentos aos sinais que surgem durante a convivência: pessoas que se tornam generosas demais repentinamente, por exemplo, pode ser uma indicação de comportamento inadequado. Excentricidades também devem chamar a atenção. Os familiares podem pensar que a pessoa está desinibida e engraçada, mas pode ser um indício de uma doença neurodegenerativa. Outro ponto a ser monitorado é o do autocuidado: a higiene pessoal pode ficar comprometida e o paciente passa a utilizar sempre as mesmas roupas.

A comunicação do quadro de demência para os familiares é uma questão delicada, pois nem sempre reagem bem ao receber a notícia de que um ente querido esteja entrando nesta condição.

Alguns testes simples podem mapear o comprometimento cognitivo de um paciente. Os especialistas entrevistados na reportagem consideram o teste do relógio um dos mais sensíveis para este propósito. O teste consiste em pedir ao paciente para desenhar um relógio com todos os números das horas. A partir deste desenho se pede para marcar uma hora específica. Quando há dificuldades ou mesmo a impossibilidade de dar conta dessas tarefas pode-se concluir que há algo errado com a cognição do paciente.

Os especialistas explicam que há diversos fatores envolvidos no diagnóstico: linguagem, capacidade executiva, memória, habilidade visuoespacial e alterações de personalidade.

Para o trato diário os médicos recomendam que os cuidadores entrem na “fantasia” do paciente, em vez de tentar esclarecer o que é real ou não para alguém que não apresente mais capacidade para discernir, desviando o foco da narrativa associada à demência, e resgatando o paciente para uma situação de conforto e segurança.

Administre o estresse como um campeão olímpico

16/04/2018 | Fonte: https://www.nytimes.com/2018/02/21/sports/olympics/biathalon-clare-egan-biathlete-training.html

O biatlo é uma competição individual que envolve a intercalação de dois esportes simultâneos: corrida de esqui e tiro ao alvo. Se o competidor errar o alvo no prova de tiro, ele é penalizado tendo que dar mais voltas de esqui antes de poder correr até a próxima série de alvos.

Este esporte é particularmente estressante, pois exige tanto força física quanto domínio emocional. A repórter Tara Parker-Pope em sua matéria publicada no jornal The New York Times, conversou com uma biatleta olímpica a respeito do treinamento necessário para competir, e fez uma relação sobre o quanto este treinamento pode representar uma lição de vida para administrar o estresse e recuperar a intensidade emocional e física. A atleta que Tara entrevistou se chama Clare Egan e tem 30 anos de idade.

A preparação. A atleta comenta que inicia a administração do stress muito antes de começar uma disputa, esquiando o trecho da prova nos dias anteriores à competição para evitar surpresas. Ela memoriza os marcadores, como árvores ou bandeiras, para reconhecer os locais da prova de tiro. Este passo é considerado muito importante para diminuir o stress da competição, especialmente para passar do modo de esqui para o modo de tiro.

Estudos já mostraram que, por meio do controle da respiração é possível reduzir o estresse e aumentar o estado de alerta. Segundo psicólogos que trabalham com estes atletas, a técnica da respiração ajuda a acalma-los nos poucos segundos que têm para passar do modo de esqui para o modo de tiro. E apesar do batimento cardíaco continuar acelerado, a respiração controlada os ajuda a reduzi-lo para concluir a prova de tiro.

Frear a respiração pode ser difícil a princípio, e uma das maneiras de mudar o ritmo da respiração é expirar lentamente. Expirando lentamente, a inspiração fará o mesmo por conta própria.

A atenção. Para controlar o estresse no dia-a-dia é importante estar consciente das dificuldades que se encontram ao nosso redor. Antes de chegar à área de tiro, Clare identifica a direção do vento através das bandeiras para fazer os ajustes, e começa a desacelerar a respiração. Chegando nos alvos, se posiciona para efetuar os disparos.

Nesse momento ela precisa estar extremamente atenta para realizar a tarefa, que já foi efetuada milhares de vezes e será então repetida. Há muitas distrações, como a colega ao lado acertando os alvos, espectadores gritando, narradores nos alto-falantes, etc.

Essas distrações são minimizadas com exercícios para a atenção. No momento do disparo é preciso eliminar toda a emoção e focar especificamente no que se está fazendo.

A concentração na tarefa. O momento mais vulnerável da prova é quando o atleta atinge quatro alvos e está prestes a dar o último tiro. Se ficar focando na ideia de que se atingir este alvo ganhará a medalha de ouro, ele provavelmente errará.

A atleta usa como estratégia a substituição dos pensamentos voltados para a necessidade de acertar o alvo, por dicas que a ajudem a se concentrar nas coisas que terá de fazer para realizar a tarefa. Palavras como forma, respiração, gatilho e conclusão, eliminando todo tipo de distração da sua mente, limitando-se a atirar bem.

Competir contra si mesmo. Quando chega a última fase de tiro, a pressão aumenta. Ela comenta que até os melhores atletas do mundo podem entrar em colapso nesta fase.

O segredo é concentrar-se no próprio método e tarefas, evitando as distrações pelo possível resultado ou pelo desempenho dos outros. Este princípio pode ser aplicado a praticamente tudo. Em grande parte, tudo se resume a concentrar-se na tarefa a ser realizada, esquecendo como os outros estão indo e focando apenas no seu trabalho.

Utilizando esse processo alcançaremos um desempenho gratificante, quer faça numa apresentação, uma prova ou até mesmo em uma cirurgia.

Quase metade dos pacientes com febre amarela tratados com transplante de fígado sobrevivem

16/04/2018 | Fonte: http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,43-dos-pacientes-de-febre-amarela-submetidos-a-transplante-de-figado-sobreviveram,7000225086

Os médicos estão se deparando com uma situação dramática para o tratamento de pacientes com quadro grave de febre amarela. Conforme apurou a repórter Fabiana Cambricoli em seu artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, a taxa de sucesso do transplante de fígado para estes pacientes é de 43%.

Nos casos agudos da doença onde há comprometimento neurológico, o transplante é indicado. Nestes pacientes a mortalidade é ainda mais alta, podendo chegar a 90%.

Na febre amarela o transplante de fígado é dificultoso pois geralmente o paciente morre antes da chegada do órgão. O vírus da febre amarela é tão destruidor que os pacientes que evoluem para hepatite fulminante não podem esperar pelo novo órgão. Isso ocorre porque, mesmo recebendo um novo fígado, se o vírus já tiver atacado outros órgãos vitais, a chance de recuperação é pequena.

Os médicos constataram que a principal diferença entre os pacientes que sobreviveram e os que morreram foi a realização do transplante mais precocemente.

Para os casos de febre amarela com hepatite fulminante e encefalopatia hepática, a realização do transplante já pode ter indicação com comprometimento de grau 1.

Os sintomas que indicam pouca chance de êxito no transplante são a pancreatite aguda grave, hemorragias cerebral e digestiva e choque refratário.

Outra preocupação dos médicos é evitar o transplante fútil em pacientes com poucas chances de sobrevivência.

Atualmente, o tratamento com transplante é considerado experimental para o Ministério da Saúde, mas deve ser publicada uma norma técnica definindo se o procedimento seguirá sendo feito no País e sob quais condições.

Controle em longo prazo da dermatite atópica moderada a grave com intervenção concomitante de dupilumabe e corticosteroides (LIBERTY AD CHRONOS): um estudo de 1 ano e fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo

03/04/2018 | Fonte: Lancet. 2017 Jun 10;389(10086):2287-2303.

O dupilumabe (anticorpo monoclonal contra a subunidade alfa do receptor de IL-4) bloqueia a sinalização das interleucinas 4 e 13, e citocinas tipo 2/Th2 envolvidas em diversas doenças alérgicas, desde asma até dermatite atópica. Estudos anteriores que investigaram o efeito de 16 semanas de monoterapia mostraram que o dupilumabe melhorou substancialmente os sinais e sintomas de dermatite atópica, de moderada à grave, com segurança aceitável, validando o papel crucial das interleucinas 4 e 13 na patogênese da dermatite atópica.

O objetivo deste estudo, publicado no Lancet, foi investigar a eficácia e a segurança em longo prazo do dupilumabe com corticosteroides tópicos de média potência em comparação ao tratamento com placebo e corticosteroides tópicos em adultos com dermatite atópica de moderada à grave.

Trata-se de um estudo fase 3 com duração de 1 ano, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo (LIBERTY AD CHRONOS). Foram incluídos pacientes adultos de 161 hospitais, clínicas e instituições acadêmicas de 14 países da Europa, Ásia-Pacífico e América do Norte. Os pacientes selecionados apresentavam dermatite atópica de moderada à grave e resposta inadequada a corticosteroides tópicos. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente com base na proporção 3:1:3 para um dos seguintes procedimentos: 1) dupilumabe subcutâneo 300 mg uma vez por semana; 2) dupilumabe 300 mg a cada 2 semanas; ou 3) placebo. A randomização foi realizada através de um sistema interativo de resposta de voz/web central, estratificado por severidade e região global. Todos os três grupos receberam corticosteroides tópicos concomitantes com ou sem inibidores tópicos de calcineurina, os quais, não são recomendados para corticosteroides tópicos. Os corticosteroides tópicos poderiam ser reduzidos, interrompidos ou reiniciados com base na atividade da doença. Foram considerados como desfechos coprimários o percentual de participantes que alcançaram um IGA (Investigator's Global Assessment) de 0/1 e 2 pontos ou mais de melhora a partir da linha de base. Também foi considerada a melhora no EASI-75 (Eczema Area and Severity Index 75%) na semana 16 desde a linha de base. As análises de eficácia da semana 16 e as análises de segurança da semana 52 incluíram todos os pacientes randomizados. A análise de eficácia da semana 52, entretanto, incluíram os pacientes que completaram o tratamento com base no limite de submissão regulamentar dos EUA.

Foram incluídos no estudo cerca de 740 pacientes entre 3 de outubro de 2014 e 31 de julho de 2015, sendo que 319 foram atribuídos aleatoriamente ao dupilumabe uma vez por semana e corticosteroides tópicos, 106 ao dupilumabe uma vez a cada duas semanas e corticosteroides tópicos e 315 ao placebo e corticosteroides tópicos. Cerca de 623 indivíduos (270, 89 e 264, respectivamente) foram avaliáveis para a eficácia na semana 52. Os resultados mostraram que um número maior de pacientes que recebeu dupilumabe e corticosteroides tópicos alcançou os desfechos coprimários de IGA 0/1 na semana 16, sendo 39% [125 pacientes] no grupo dupilumabe uma vez por semana e corticosteroides tópicos e 39% [41 pacientes] no grupo dupilumabe uma vez a cada 2 semanas e corticosteroides tópicos vs 12% [39 pacientes] no grupo placebo e corticosteroides tópicos, p<0,0001). Os valores correspondentes para o EASI-75 foram: 64% (204) e 69% (73) vs 23% (73); p <0,0001, respectivamente. Os resultados na semana 52 foram semelhantes. Foram relatados eventos adversos em 261 (83%) pacientes que receberam dupilumabe uma vez por semana e corticosteroides tópicos, 97 (88%) que receberam dupilumabe uma vez a cada 2 semanas e 266 (84%) que receberam placebo. Os resultados correspondentes para eventos adversos graves foram: nove (3%), quatro (4%) e 16 (5%) pacientes, respectivamente. Os resultados também não mostraram anormalidades laboratoriais significativas induzidas pelo dupilumabe. As reações no local de injeção e a conjuntivite foram os sintomas mais comuns em pacientes tratados com dupilumabe e corticosteroides tópicos do que naqueles tratados com placebo e corticosteroides tópicos.

Os pesquisadores concluíram que o dupilumabe adicionado ao tratamento padrão com corticosteroides tópicos durante 1 ano melhorou os sinais e sintomas de dermatite atópica, com segurança aceitável.

Autores: Blauvelt A, de Bruin-Weller M, Gooderham M et al.

Dois Ensaios de Fase 3 de Dupilumabe versus Placebo em Dermatite Atópica

03/04/2018 | Fonte: N Engl J Med 2016; 375:2335-2348.

O dupilumabe é um anticorpo monoclonal humano que se liga especificamente à subunidade alfa do receptor da interleucina-4, que por sua vez inibe a sinalização de citocinas tipo 2 (interleucina-4 e interleucina-13) que são condutores importantes de doenças atópicas ou alérgicas, como a dermatite atópica.

O presente estudo, que foi publicado no periódico New England Journal of Medicine, corresponde a dois ensaios de fase 3, randomizados, controlados com placebo e com desenhos experimentais idênticos (SOLO 1 e SOLO 2). Para a realização do estudo foram registrados adultos com dermatite atópica de moderada à grave, inadequadamente controlada por tratamento tópico. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente na razão 1:1:1 para receber um dos seguintes tratamentos ao longo de 16 semanas: 1) dupilumabe subcutâneo (300 mg) semanalmente; 2) placebo semanalmente ou 3) a mesma dose de dupilumabe alternando semanalmente com placebo. Foi considerado como resultado primário a proporção de pacientes que tiveram um escore de 0 ou 1 (claro ou quase claro) no IGA (Investigator’s Global Assessment) e uma redução de 2 pontos ou mais no escore IGA na semana 16 em comparação à linha de base.

Foram registrados cerca de 671 pacientes no ensaio SOLO 1 e 708 no SOLO 2. Em SOLO 1, o resultado primário ocorreu em 85 pacientes (38%) que receberam dupilumabe em semanas alternadas e em 83 (37%) que receberam dupilumabe semanalmente, em comparação com 23 (10%) que receberam placebo (P <0,001 para ambas as comparações com placebo). Os resultados foram semelhantes em SOLO 2, ou seja, o resultado primário ocorreu em 84 pacientes (36%) que receberam dupilumabe em semanas alternadas e em 87 (36%) que receberam dupilumabe semanalmente, em comparação com 20 (8%) que receberam placebo (P <0,001 para ambas as comparações). Além disso, nos dois ensaios, uma melhora desde a linha de base até a semana 16 de pelo menos 75% no EASI-75 (Eczema Area and Severity Index) foi observado em significativamente mais pacientes que receberam cada regime de dupilumabe do que em pacientes que receberam placebo (P <0,001 para todas as comparações). Os resultados também mostraram uma associação entre o dupilumabe e melhora em outros desfechos clínicos, incluindo redução de prurido e sintomas de ansiedade ou de depressão, além de melhora na qualidade de vida. As reações no local de injeção e a conjuntivite foram mais frequentes nos grupos dupilumabe do que nos grupos placebo.

Os pesquisadores concluíram que em dois ensaios de fase 3 e desenho experimental idêntico envolvendo pacientes com dermatite atópica, o dupilumabe melhorou os sinais e sintomas de dermatite atópica, incluindo prurido, sintomas de ansiedade, depressão e qualidade de vida, em comparação com o placebo. Os autores destacam que são necessários ensaios de maior duração para avaliar a eficácia e a segurança em longo prazo do dupilumabe.  

Autores: Eric L. Simpson, M.D., Thomas Bieber, M.D., Ph.D., Emma Guttman-Yassky, M.D., Ph.D., Lisa A. Beck, M.D., Andrew Blauvelt, M.D., Michael J. Cork, M.B., Ph.D., Jonathan I. Silverberg, M.D., Ph.D., M.P.H., Mette Deleuran, M.D., D.M.Sc., Yoko Kataoka, M.D., Jean-Philippe Lacour, M.D., Külli Kingo, M.D., Ph.D., Margitta Worm, M.D., Yves Poulin, M.D., Andreas Wollenberg, M.D., Yuhwen Soo, Ph.D., Neil M.H. Graham, M.B., B.S., M.D., M.P.H., Gianluca Pirozzi, M.D., Ph.D., Bolanle Akinlade, M.D., Heribert Staudinger, M.D., Ph.D., Vera Mastey, M.S., Laurent Eckert, Ph.D., Abhijit Gadkari, Ph.D., Neil Stahl, Ph.D., George D. Yancopoulos, M.D., Ph.D., and Marius Ardeleanu, M.D., for the SOLO 1 and SOLO 2 Investigators.

Efeito da substituição de válvula aórtica mecanicamente expansível versus autoexpansível na mortalidade e eventos clínicos adversos maiores em pacientes de alto risco com estenose aórtica: o ensaio clínico aleatório REPRISE III

23/03/2018 | Fonte: JAMA. 2018 Jan 2;319(1):27-37.

A substituição valvular aórtica transcateter é indicada para pacientes selecionados com estenose aórtica grave. Contudo, o procedimento ainda apresenta limitações como implantação subótima, distúrbios de condução e regurgitação paravalvular.

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Medical Association, foi investigar se a válvula mecanicamente expansível (VME) não é inferior a válvula autoexpansível (VAE) aprovada, em pacientes de alto risco com estenose aórtica submetidos à substituição valvular aórtica transcateter.

O ensaio REPRISE III foi realizado em 912 pacientes com risco alto ou extremo e estenose aórtica sintomática grave em 55 centros na América do Norte, Europa e Austrália. Os procedimentos foram realizados entre 22 de setembro de 2014 e 24 de dezembro de 2015, com acompanhamento final em 8 de março de 2017. Os indivíduos foram randomizados em uma proporção de 2:1 para receber uma VME (n = 607) ou uma VAE (n = 305). O resultado de segurança primário foi o composto pela mortalidade por todas as causas, acidente vascular cerebral, risco de vida ou hemorragia grave, lesão renal aguda nos estágios 2 e 3, além de complicações vasculares maiores testadas para não inferioridade (margem, 10,5%) em 30 dias. O resultado primário de eficácia foi o composto da mortalidade por todas as causas, acidente vascular cerebral incapacitante e regurgitação paravalvular moderada ou maior testada para não inferioridade (margem, 9,5%) em um ano. Se os critérios de não inferioridade fossem atendidos, o resultado secundário regurgitação paravalvular moderada ou maior em um ano seria testado quanto à superioridade no conjunto completo de dados de análise.

Entre 912 pacientes randomizados (idade média, 82,8 [desvio-padrão, 7,3] anos; 463 [51%] mulheres, risco predito de mortalidade, 6,8%), 874 (96%) foram avaliados em um ano. Os resultados mostraram que o resultado composto de segurança primário aos 30 dias ocorreu em 20,3% dos pacientes com VME e em 17,2% dos pacientes com VAE

(diferença, 3,1%; Farrington-Manning 97,5% IC, -∞ a 8,3%; P = 0,003 para não inferioridade). Em 1 ano, o resultado primário de eficácia foi observado em 15,4% dos pacientes com VME e em 25,5% com VAE (diferença, -10,1%; Farrington-Manning 97,5% IC, -∞ a -4,4%; P <0,001 para não inferioridade). As taxas em um ano de regurgitação paravalvular moderada ou grave foram de 0,9% para a VME e de 6,8% para a VAE (diferença, -6,1%; IC 95%, -9,6% a -2,6%; P <0,001). A análise de superioridade para a eficácia primária foi estatisticamente significativa (diferença, 10,2%, IC 95%, -16,3% a -4,0%, P <0,001). A VME apresentou maiores taxas de novos implantes de marcapasso (35,5% contra 19,6%, P <0,001) e trombose valvar (1,5% vs 0%), porém taxas mais baixas de procedimentos repetidos (0,2% vs 2,0%), implantes valve-in-valve (0% vs 3,7%) e mal posicionamento da válvula (0% vs 2,7%).

Os pesquisadores concluíram que entre pacientes de alto risco com estenose aórtica, o uso da VME em relação à VAE não apresentou desfechos inferiores para o resultado de segurança primário ou para o resultado primário de eficácia. Segundo os autores, esses achados sugerem que a VME pode ser uma adição útil para substituição valvular aórtica transcateter em pacientes de alto risco.

Autores: Feldman TE, Reardon MJ, Rajagopal V et al.

Avaliação do desempenho do PIM-2 entre pacientes cardiopatas cirúrgicos e correlação dos resultados com RACHS-1

23/03/2018 | Fonte: Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2017, vol.29, n.4, pp.453-459.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva, foi avaliar o desempenho do Pediatric Index of Mortality (PIM) 2 e do Escore de Risco Ajustado para Cirurgia Cardíaca Congênita (RACHS) no pós-operatório de cardiopatas congênitos.

Foi realizado um estudo transversal retrospectivo. Foram coletados dados de prontuário para gerar os escores e predições com as técnicas preconizadas, os dados demográficos e os desfechos. Para estatística, utilizaram-se o teste de Mann-Whitney, o teste de Hosmer-Lemeshow, a taxa de mortalidade padronizada, a área sobre a curva COR, qui quadrado, regressão de Poisson com variância robusta e teste de Spearman.

Foram avaliados 263 pacientes, e 72 foram a óbito (27,4%). Estes apresentaram valores de PIM-2 significativamente maiores que os sobreviventes (p < 0,001). Na classificação RACHS-1, a mortalidade foi progressivamente maior, de acordo com a complexidade do procedimento, com aumento de 3,24 vezes na comparação entre os grupos 6 e 2. A área abaixo da curva COR para o PIM-2 foi 0,81 (IC95% 0,75 - 0,87) e, para RACHS-1, de 0,70 (IC95% 0,63 - 0,77). A RACHS apresentou melhor poder de calibração na amostra analisada. Foi encontrada correlação significativamente positiva entre os resultados de ambos os escores (rs = 0,532; p < 0,001).

Os pesquisadores concluíram que a RACHS apresentou bom poder de calibração, e RACHS-1 e PIM-2 demonstraram bom desempenho quanto à capacidade de discriminação entre sobreviventes e não sobreviventes. Ainda, foi encontrada correlação positiva entre os resultados dos dois escores de risco.

Autores: Rezende, Raíssa Queiroz et al.

Um painel de características clínicas e neuropatológicas da doença cerebrovascular através dos novos métodos de neuroimagem

23/03/2018 | Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.4, pp.343-355.

A última década vem testemunhando avanços substanciais na aquisição de marcadores biológicos para o diagnóstico da doença cerebrovascular (DCV). Os métodos de neuroimagem avançados não apenas fornecem uma contribuição estratégica para o diagnóstico diferencial do comprometimento cognitivo vascular (VCI) e demência vascular (VaD), mas contribuem substancialmente na elucidação dos mecanismos fisiopatológicos relacionados à doença de vasos pequenos (SVD) e sua progressão clínica.

Nesta revisão, publicada no periódico Dementia & Neuropsychologia, foram descritos métodos de imagem estruturais e metabólicos e sua importância diagnóstica analisada, particularmente na investigação da CVD relacionada ao envelhecimento. Métodos: uma pesquisa eletrônica de janeiro de 2010 a 2017 foi realizada através do PubMed/MEDLINE, do Instituto de Informação Científica Web of Knowledge e da EMBASE.

O emprego de estudos de multimodalidade plenamente funcional com Ressonância Magnética (MR)/ Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) representa uma janela para a caracterização clínica mais detalhada da VCI-VaD; com relação à neuroimagem estrutural, a ressonância magnética em 3,0 T vem permitindo varreduras com maior resolução e matrizes de imagem mais elevadas, cortes mais delgados e maior detalhamento anatômico das lesões vasculares.

Os pesquisadores concluíram que, embora a importância da maior parte dessas técnicas no cenário clínico aguarde reconhecimento, há uma grande expectativa de que o seu uso favoreça intervenções terapêuticas progressivamente mais precoces e refinadas para o gerenciamento efetivo do VCI-VaD.

Autores: Alves, Gilberto Sousa et al.

Um contínuo de déficits em função executiva no comprometimento cognitivo subcortical inicial: revisão sistemática e metanálise

23/03/2018 | Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.4, pp.371-380.

O Comprometimento Cognitivo Vascular Subcortical (CCVS) é um contínuo clínico de comprometimento cognitivo de causa vascular, que inclui o Comprometimento Cognitivo Leve Vascular (CCLV) e a Demência Vascular. Déficits em Função Executiva (FE) são marcantes no quadro, mas a melhor metodologia para avaliar essa função ainda necessita ser determinada. A evolução insidiosa e quase previsível do CCVS e o conceito atual multidimensional de FE sugerem que uma dissociação temporal de comprometimentos dos domínios da FE exista nos estágios iniciais do transtorno.

O objetivo desse estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, foi revisar e analisar dados da literatura sobre o desempenho de sujeitos com CCLV nos testes mais usados de FE através de uma abordagem metanalítica.

Foram realizadas buscas no Medline, Web of Knowledge e PsycINFO, utilizando os seguintes termos: “comprometimento cognitivo vascular” OU “comprometimento cognitivo não demência vascular” OU “transtorno neurocognitivo leve vascular” E “função executiva” OU “disexecutiva”. Metanálises foram conduzidas para cada um dos testes, usando-se modelos de efeitos aleatórios.

A revisão sistemática demonstrou uma grande discrepância entre os resultados dos estudos incluídos. A metanálise evidenciou desempenhos piores no Teste de Trilhas parte B e no teste de cores do Stroop em sujeitos com CCLV em comparação com controles.

Os pesquisadores propõem que existe um contínuo de comprometimentos em FE no CCVS, e que déficits iniciais parecem ocorrer em flexibilidade cognitiva e controle inibitório.

Autores: Sudo, Felipe Kenji et al.

Craniossinostoses sindrômicas: habilidades neuropsicolinguísticas e análise por imagem do sistema nervoso central

23/03/2018 | Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.12, pp.862-868.

O objetivo desse estudo, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, foi caracterizar as habilidades neuropsicolinguísticas de indivíduos com craniossinostoses sindrômicas e apresentar esses achados com as anomalias do sistema nervoso central.

Participaram do estudo 18 sujeitos com diagnóstico clínico de craniossinostose sindrômica, 44,4% com a síndrome de Apert e 55,6% síndrome de Crouzon. Todos os sujeitos foram submetidos a avaliação fonoaudiológica, psicológica e exames de ressonância magnética do encéfalo. A avaliação fonoaudiológica foi contemplada pela Observação Comportamental da Linguagem, Teste Peabody (TVIP), Teste Token e Teste de Desempenho Escolar (TDE); enquanto a psicológica utilizou a WISC-III e a WAIS.

Observou-se alteração nas habilidades de linguagem em todos os protocolos utilizados, sendo o TDE o que apresentou maior porcentagem de alteração (66,67%). A avaliação cognitiva evidenciou quociente de inteligência dentro da média em 39,3% dos sujeitos, enquanto que 46,4% apresentaram malformações congênitas do sistema nervoso central.

Segundo os pesquisadores, foram constatadas alterações nas habilidades de linguagem na maioria dos sujeitos com craniossinostoses sindrômicas, bem como o baixo desempenho cognitivo.

Autores: Maximino, Luciana Paula et al.

Mutações somáticas ativadores do KRAS em Malformações Arteriovenosas do Cérebro

23/03/2018 | Fonte: N Engl J Med. 2018 Jan 18;378(3):250-261

Uma das principais causas de acidente vascular hemorrágico em adultos e crianças jovens está relacionada a malformações arteriovenosas esporádicas do cérebro, que por sua vez, são conexões morfologicamente anormais entre artérias e veias na vasculatura cerebral. No entanto, a causa genética deste distúrbio focal raro é desconhecida.

Neste estudo, publicado no New England Journal of Medicine, foram analisadas amostras sanguíneas e teciduais de pacientes com malformações arteriovenosas do cérebro para detectar mutações somáticas. Foi realizado sequenciamento do exoma de amostras de DNA tecidual de malformações arteriovenosas do cérebro de 26 pacientes no grupo do estudo principal e de amostras de sangue pareadas de 17 desses pacientes. Para confirmação dos resultados, também foram realizadas análises de PCR (polymerase-chain-reaction) de amostras de tecido de 39 pacientes no grupo do estudo principal (21 com amostras de sangue correspondentes) e de 33 pacientes em um grupo de validação independente. Foram examinadas as vias de sinalização, as mudanças na expressão gênica e o fenótipo celular que foram induzidos pela ativação de mutações KRAS encontradas nas amostras de tecido.

Os resultados indicaram mutações somáticas ativadoras de KRAS em amostras de tecido de 45 dos 72 pacientes e em nenhuma das 21 amostras de sangue pareadas. Também foram detectadas mutações KRAS em cultura de células endoteliais derivadas de malformações arteriovenosas do cérebro, sendo que a expressão de KRAS mutante (KRASG12V) em células endoteliais in vitro induziu aumento da atividade de ERK (quinase regulada por sinal extracelular), aumento da expressão de genes relacionados à angiogênese e à sinalização Notch, bem como ao comportamento migratório aprimorado. Esses processos foram revertidos pela inibição da sinalização MAPK (proteína quinase ativada por mitógeno)-ERK.

Os pesquisadores concluíram que foi identificada a ativação de mutações KRAS na maioria das amostras de tecido com malformações arteriovenosas do cérebro. Segundo os autores, essas malformações se desenvolvem como resultado da ativação induzida por KRAS na via de sinalização MAPK-ERK nas células endoteliais do cérebro.

Autores: Nikolaev SI, Vetiska S, Bonilla X et al.

Desordem mental em crianças com condições físicas: um estudo piloto

23/03/2018 | Fonte: BMJ Open. 2018 Jan 3;8(1):e019011.

Este estudo piloto prospectivo, publicado no British Medical Journal, procurou, metodologicamente, avaliar a viabilidade do recrutamento e retenção de participantes, bem como dados ausentes em estudos de transtornos mentais em crianças recémdiagnosticadas com condições físicas crônicas (ou seja, multimorbidade). Substancialmente, foi examinada a prevalência da multimorbidade, identificando correlatos sociodemográficos e modelos de influência da multimorbidade sobre as mudanças na qualidade de vida da criança, e os resultados psicossociais dos pais ao longo de um acompanhamento de 6 meses.

O estudo foi realizado em dois hospitais de assistência terciária de crianças, e incluiu pacientes de 6 a 16 anos de idade, diagnosticados nos últimos 6 meses com uma das seguintes doenças: asma, diabetes, epilepsia, alergia alimentar ou artrite juvenil, além de seus pais.

Os resultados foram mensurados em taxas de resposta, de participação e retenção. Para o transtorno mental infantil, utilizou-se a Minientrevista Neuropsiquiátrica Internacional no início e aos 6 meses. Também foram consideradas a qualidade de vida da criança, sintomas parentais de estresse, ansiedade e depressão, e funcionamento familiar. Todos os resultados foram relatados pelos pais.

As taxas de resposta, participação e retenção foram de 90%, 83% e 88%, respectivamente. Das 50 crianças matriculadas no estudo, a prevalência de multimorbidade foi de 58% no início e de 42% aos 6 meses. Nenhuma característica sociodemográfica foi associada à multimorbidade. A multimorbidade no início foi associada a declínios ao longo de 6 meses nos seguintes domínios de qualidade de vida: bem-estar físico, β = -4,82 (-8,47, -1,17); bem-estar psicológico, β = -4,10 (-7,62, 0,58) e ambiente escolar, β = -4,17 (-8,18, -0,16). Não houve associação com os resultados psicossociais dos pais ao longo do tempo.

Segundo os, as evidências preliminares sugerem que o transtorno mental em crianças com uma condição física é muito comum e tem um impacto negativo na qualidade de vida ao longo do tempo. Com base na forte taxa de resposta e no atrito mínimo, a abordagem utilizada para estudar a multimorbidade infantil parece viável e sugere que é uma preocupação importante para as famílias. Os achados metodológicos e substanciais deste estudo piloto servem para implementar um estudo maior e mais definitivo sobre a multimorbidade infantil, o que deve levar a importantes implicações clínicas.

Autores: Butler A, Van Lieshout RJ, Lipman EL, MacMillan HL, Gonzalez A, Gorter JW, Georgiades K, Speechley KN, Boyle MH, Ferro MA.

Estudo observacional do impacto diferencial de sintomas depressivos dependentes do tempo na mortalidade por todas as causas e por causa específica mediante o estado de saúde de adultos em moradia comunitária: o estudo REGARDS

23/03/2018 | Fonte: BMJ Open. 2018 Jan 5;8(1):e017385

O objetivo deste estudo longitudinal nacional, baseado em população, publicado no British Medical Journal, e realizado de 2003 a 2007, foi avaliar a associação entre sintomas depressivos tempo-dependentes com a mortalidade por todas as causas e por causa específica, este estudo REGARDS (Razões para Diferenças Geográficas e Raciais no AVC), um.

O estudo foi realizado em comunidades continentais dos EUA, incluindo 29.491 adultos brancos e negros ≥45 anos, amostrados aleatoriamente em estratos raça-sexogeográficos, com exposição a sintomas depressivos elevados (Centro de Depressão Epidemiológica de Estudos (CES-D) 4≥4) mensurados no início e, em média, 5 e 7 anos depois.

Os modelos de regressão de riscos proporcionais de Cox avaliaram a mortalidade por câncer, mortalidade não cardiovascular, mortalidade por doença cardiovascular (DCV) e por todas as causas.

A idade média foi de 64,9 anos, 55% eram mulheres, 41% negros, 11,0% apresentaram sintomas depressivos elevados, 54% tinham saúde pobre, aceitável ou boa. Os sintomas depressivos dependentes de tempo foram associados significativamente com a morte não cardiovascular (RR ajustada (RRa) = 1,29, IC 95% 1,16 a 1,44) e por todas as causas (RRa = 1,24, IC 95% 1,14 a 1,39), mas não por câncer (RRa = 1,15, IC 95%: 0,96 a 1,38) ou DCV (RRa = 1,13, IC 95%: 0,98 a 1,32), ajustados para dados demográficos, doenças clínicas crônicas, fatores de risco comportamentais e fatores fisiológicos. Os sintomas depressivos foram relacionados à morte por todas as causas (RRa = 1,48, IC 95%: 1,27 a 1,78), DCV (RRa = 1,37, IC 95% 0,99 a 1,91), não cardiovascular (RRa = 1,54, IC 95% 1,24 a 1,92) e por câncer (RRa= 1,36, IC 95%: 0,97 a 1,91) naqueles que relataram excelente ou muito boa saúde. As análises da associação entre uma medição de sintomas depressivos no início e análises de mortalidade renderam resultados semelhantes.

Para os autores, os sintomas depressivos variáveis no tempo conferem um risco aumentado para a mortalidade por todas as causas, DCV, morte não cardiovascular e morte por câncer, particularmente em pessoas com excelente ou muito boa saúde. Essas descobertas podem ter implicações para o tratamento oportuno, independentemente do estado de saúde.

Autores: Moise N, Khodneva Y, Jannat-Khah DP, Richman J, Davidson KW, Kronish IM, Shaffer J, Safford MM.

Contribuição simultânea e longitudinal da exposição ao bullying na infância para a saúde mental: o papel da vulnerabilidade e da resiliência

23/03/2018 | Fonte: JAMA Psychiatry. 2017 Nov 1;74(11):1112-1119.

Estudos indicam uma associação entre a exposição ao bullying e prejuízos na saúde mental. Contudo, ainda não é completamente conhecida a extensão pela qual as associações observadas refletem contribuições diretas da exposição ao bullying para os prejuízos na saúde mental, uma vez que as relações não causais podem surgir de fatores de confusão tanto genéticos como ambientais (por exemplo, vulnerabilidades preexistentes). Determinar até que ponto a exposição ao bullying contribui para a saúde mental é uma preocupação importante, com implicações para intervenções primárias e secundárias.

O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Psychiatry, foi caracterizar a contribuição simultânea e longitudinal da exposição ao bullying para a saúde mental na infância e na adolescência, utilizando um modelo de diferenças entre gêmeos para fortalecer a inferência causal.

Foram selecionados para o estudo os indivíduos pertencentes à coorte populacional Twins Early Development Study, formada a partir de registros de nascimentos na Inglaterra e no País de Gales entre 1º de janeiro de 1994 e 31 de dezembro de 1996. A coleta de dados ocorreu quando os participantes tinham entre 11 e 16 anos de idade entre 1º de dezembro de 2005 e 31 de janeiro de 2013. A análise de dados foi realizada entre 1º de janeiro de 2016 e 20 de junho de 2017.

Os participantes completaram a escala MVPS (Multidimensional Peer-Victimization Scale) aos 11 e aos 14 anos de idade. As avaliações de saúde mental aos 11 e aos 16 anos de idade incluíram ansiedade, depressão, hiperatividade e impulsividade, déficit de atenção, problemas de conduta e experiências psicóticas (por exemplo, pensamentos paranoicos ou desorganização cognitiva).

Foram incluídos na amostra final um total de 11.108 gêmeos, sendo 5.894 meninas e 5.214 meninos com idade média de 11,3 anos na primeira avaliação e de 16,3 anos na última avaliação. As estimativas mais criteriosas de diferenças entre gêmeos (monozigóticos) foram consistentes com a contribuição causal da exposição ao bullying aos 11 anos para as seguintes variáveis: ansiedade, depressão, hiperatividade e impulsividade, déficit de atenção e problemas de conduta. Os resultados mostraram que os efeitos diminuíram ao longo do tempo, ou seja, contribuições simultâneas substanciais para a ansiedade (β = 0,27; IC 95%, 0,22-0,33) persistiram durante 2 anos (β = 0,12; IC 95%, 0,04-0,20), mas não por 5 anos. As contribuições diretas para pensamentos paranoicos e desorganização cognitiva persistiram por 5 anos.

Segundo os autores, este é o maior estudo até o momento sobre caracterização da contribuição da exposição ao bullying na infância para a saúde mental utilizando um modelo de diferença entre gêmeos e dados com múltiplos informantes e multiescalas. Os pesquisadores concluíram que há evidencias consistentes da contribuição direta e prejudicial da exposição ao bullying na infância para a saúde mental. De acordo com os autores, os achados também sugerem que a exposição ao bullying na infância pode ser parcialmente vista como um sintoma de vulnerabilidades preexistentes. Os autores destacam que a dissipação dos efeitos ao longo do tempo para muitos resultados reflete o potencial de resiliência em crianças que foram intimidadas. Por fim, os autores sugerem que além dos programas que visam reduzir a exposição ao bullying, pode-se também optar pela inclusão de intervenções que abordem vulnerabilidades preexistentes com foco na resiliência.

Autores: Singham T, Viding E, Schoeler T, Arseneault L, Ronald A, Cecil CM, McCrory E, Rijsdijk F, Pingault JB.

Cuidado primário com foco no controle do peso para remissão de diabetes tipo 2 (DiRECT): um ensaio clínico aberto e randomizado em cluster

05/03/2018 | Fonte: Lancet. 2017 Dec 4. pii: S0140-6736(17)33102-1.

Os diabetes tipo 2 é uma doença crônica que demanda tratamento ao longo de toda a vida do indivíduo. O objetivo deste estudo, publicado no Lancet, foi verificar se o controle intensivo do peso no cuidado primário de rotina poderia resultar na remissão do diabetes tipo 2. Trata-se de um ensaio clínico aberto e randomizado (DiRECT) realizado em 49 clínicas de cuidados primários na Escócia e na região de Tyneside, na Inglaterra. As clínicas foram alocadas aleatoriamente na razão 1:1, por meio de uma lista gerada por computador, para proporcionar um programa de controle de peso (intervenção) ou cuidados práticos melhorados guiados por diretrizes (controle). A randomização foi estratificada com base no local de estudo (Tyneside ou Escócia) e no tamanho da lista da clínica (>5.700 ou =5.700). Os participantes, os cuidadores e os assistentes de pesquisa que coletaram os dados tinham conhecimento da alocação dos grupos, no entanto, a randomização foi vendada ao pesquisador responsável pela estatística do estudo. Foram selecionados indivíduos entre 20 e 65 anos diagnosticados com diabetes tipo 2 nos últimos 6 anos, com índice de massa corporal de 27-45 kg/m2 e que não faziam uso de insulina. A intervenção incluiu a retirada de fármacos antidiabéticos e antihipertensivos, substituição total da dieta (dieta elaborada para 825-853 kcal/dia durante 3-5 meses), reintrodução de alimentos de forma escalonada (2-8 semanas) e apoio estruturado para manutenção de perda de peso em longo prazo. Foram considerados como resultados coprimários a perda de peso de 15 kg ou mais e remissão do diabetes, definida como hemoglobina glicada (HbA1c) inferior a 6,5% (<48 mmol/mol) após pelo menos 2 meses sem medicamentos antidiabéticos, entre a linha de base até 12 meses. Os resultados foram analisados hierarquicamente. Foram incluídos no estudo cerca de 306 indivíduos de 49 clínicas de intervenção (n = 23) e controle (n = 26) entre 25 de julho de 2014 e 5 de agosto de 2017, sendo que 149 participantes por grupo pertenciam à população analisada por intenção de tratamento. Os resultados mostraram que houve redução de 15 kg ou mais no peso corporal em 36 (24%) participantes do grupo intervenção e em nenhum participante no grupo controle (p <0,0001) aos 12 meses. A remissão do diabetes foi observada em 68 (46%) participantes do grupo intervenção e em seis (4%) participantes no grupo controle (odds ratio 19,7, IC 95% 7,8-49,8; p <0,0001). A remissão variou com a perda de peso em toda a população estudada, sendo observada com sucesso em nenhum dos 76 participantes que aumentaram o peso, em seis (7%) de 89 participantes que mantiveram entre 0-5 kg de perda de peso, em 19 (34%) de 56 participantes com redução entre 5- SP, 17/01/2018 10 kg, em 16 (57%) de 28 participantes com redução entre 10-15 kg e em 31 (86%) de 36 participantes que perderam 15 kg ou mais. Os resultados também mostraram redução no peso corporal médio na ordem de 10 kg (desvio-padrão, 8) no grupo intervenção e de 1,0 kg (3,7) no grupo controle (diferença ajustada -8,8 kg, IC 95% -10,3 até -7,3; p <0,0001). A qualidade de vida avaliada pela escala visual analógica EuroQol 5, melhorou 7,2 pontos (desvio-padrão, 21,3) no grupo intervenção e diminuiu 2,9 pontos (15,5) no grupo controle (diferença ajustada 6,4 pontos, IC 95% 2,5-10,3; p = 0,0012). Foram relatados 9 eventos adversos graves por sete (4%) de 157 participantes no grupo intervenção, bem como 2 eventos graves relatados por 2 (1%) participantes no grupo controle. Dois eventos adversos graves (cólica biliar e dor abdominal), que ocorreram no mesmo participante, foram considerados potencialmente relacionados à intervenção. Nenhum evento adverso grave levou à retirada de participantes do estudo. Os pesquisadores concluíram que aos 12 meses, quase metade dos participantes conseguiu remissão para um estado não diabético e sem utilização de medicamentos antidiabéticos. Os autores destacam que a remissão do diabetes tipo 2 é um objetivo prático para a atenção primária. Autores: Lean ME, Leslie WS, Barnes AC et al.

Resultado de vinte anos após cirurgia de reparo versus troca mitral para a regurgitação mitral degenerativa grave: análise de um grande registro internacional, prospectivo e multicêntrico

05/03/2018 | Fonte: Circulation. 2017 Jan 31;135(5):410-422.

As diretrizes clínicas orientam para a preferência da realização do reparo ao invés da troca da válvula mitral. Além disso, o reparo valvar é um determinante importante de indicação cirúrgica na regurgitação mitral degenerativa. Porém, o nível de evidência que apoia as recomendações atuais é baixo, de modo que dados recentes questionam a validade atual desta orientação. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no Circulation, foi investigar o resultado em muito longo prazo após o reparo e a troca da válvula mitral para regurgitação mitral degenerativa com folhetos flail. O MIDA (Mitral Regurgitation International Database) é um banco de dados multicêntrico que registra os pacientes com regurgitação mitral degenerativa com folhetos flail em 6 centros terciários europeus e americanos. Foram analisados os resultados após o reparo (n = 1.709) e a troca (n = 213) da válvula mitral no geral, por pareamento por escore de propensão e por ponderação pela probabilidade inversa. Na linha de base, os pacientes submetidos ao reparo da válvula mitral eram mais jovens, tinham mais comorbidades e eram mais propensos a apresentar um prolapso posterior dos folhetos do que os que os pacientes que estavam sendo submetidos à troca da válvula mitral. Após a aplicação dos métodos de pareamento por escore de propensão e ponderação pela probabilidade inversa, os dois grupos de tratamento estavam equilibrados e as diferenças padronizadas absolutas eram geralmente inferiores a 10%, indicando pareamento adequado. A mortalidade operatória (definida como uma morte ocorrida dentro de 30 dias após a cirurgia ou durante a mesma hospitalização) foi menor após o reparo do que após a troca da válvula mitral em toda a população (1,3% contra 4,7%, P <0,001) e na população pareada por escore de propensão (0,2% versus 4,4%; P <0,001). Durante um seguimento médio de 9,2 anos, foram observados 552 óbitos, dos quais 207 foram de origem cardiovascular. A sobrevivência de vinte anos foi melhor após o reparo do que após a troca da válvula mitral tanto na população total (46% versus 23%, P <0,001) quanto na população pareada (41% versus 24%, P <0,001). A superioridade semelhante do reparo da válvula mitral foi observada em subconjuntos de pacientes com base na idade, no gênero ou em qualquer critério de estratificação (todos P <0,001). Os resultados também mostraram que houve uma associação entre o reparo da válvula mitral e redução da incidência de reoperações e complicações relacionadas à válvula. Os pesquisadores concluíram que entre os pacientes com regurgitação mitral degenerativa com folhetos flail submetido à cirurgia mitral, o reparo da válvula mitral foi associado a uma menor mortalidade operatória, melhor sobrevivência em longo prazo e menos complicações relacionadas à válvula em comparação com a troca da válvula mitral. Autores: Lazam S, Vanoverschelde JL, Tribouilloy C et al.

Impacto da oclusão do apêndice atrial esquerdo durante cirurgia cardíaca sobre a ocorrência de fibrilação atrial pós-operatória precoce, acidente vascular cerebral e mortalidade: uma análise pareada por escore de propensão de 10.633 pacientes

05/03/2018 | Fonte: Circulation. 2017 Jan 24;135(4):366-378.

A exclusão profilática do apêndice atrial esquerdo é frequentemente realizada durante a cirurgia cardíaca com o intuito de reduzir o risco de acidente vascular cerebral (AVC). No entanto, o impacto clínico da oclusão do apêndice atrial esquerdo em humanos ainda não está completamente esclarecido. Neste estudo, publicado no Circulation, foram incluídos 9.792 pacientes adultos com características básicas iniciais, procedimento cirúrgico e dados de acompanhamento do total de 10.633 pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio e cirurgia valvar, entre janeiro de 2000 e dezembro de 2005. Foi realizada uma análise pareada por escore de propensão em 28 covariáveis de pré-tratamento e 461 pares correspondentes foram derivados e analisados para estimar a associação da oclusão do apêndice atrial esquerdo com fibrilação atrial pós-operatória precoce (FOPAF) (fibrilação atrial = 30 dias de cirurgia), AVC isquêmico e mortalidade. A incidência global de POAF na coorte pareada por propensão foi de 53,9%. Neste grupo, a taxa de POAF precoce entre os pacientes submetidos à oclusão do apêndice atrial esquerdo foi de 68,6% contra 31,9% para aqueles que não realizaram o procedimento (P <0,001). A oclusão do apêndice atrial esquerdo foi associada de forma independente com risco aumentado de POAF precoce (odds ratio ajustado, 3,88; intervalo de confiança de 95%, 2,89-5,20), mas não influenciou significativamente o risco de AVC (razão de risco ajustada, 1,07; intervalo de confiança de 95% 0,72-1,58) ou mortalidade (razão de risco ajustada, 0,92; intervalo de confiança de 95%, 0,75-1,13). Os pesquisadores concluíram que após o ajuste para o viés de alocação do tratamento, a oclusão do apêndice atrial esquerdo durante a cirurgia cardíaca de rotina foi significativamente associada a um risco aumentado de POAF precoce, mas não influenciou o risco de AVC ou mortalidade. Os autores destacam que ainda permanece incerto se a exclusão profilática do apêndice atrial esquerdo é necessária para prevenção de AVC durante a cirurgia cardíaca não relacionada à fibrilação atrial. Autores: Melduni RM, Schaff HV, Lee HC et al.

Força muscular, gh e igf-1 em idosas submetidas ao treinamento de força no solo e na água

05/03/2018 | Fonte: Rev Bras Med Esporte [online]. 2017, vol.23, n.4, pp.274-279.

O envelhecimento leva ao declínio de múltiplos sistemas de órgãos associado a alterações hormonais e perda de massa e força muscular. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, foi avaliar os efeitos do treinamento de força no meio terrestre e aquático sobre a força muscular e os níveis séricos basais de GH, IGF-1 e IGFBP3 em mulheres idosas. Os indivíduos foram distribuídos em três grupos: treinamento de força no meio terrestre (TFT; n = 10; idade: 66,10 ± 2,77 anos), treinamento de força na água (TFA; n = 10; idade: 67,10 ± 3,54 anos) e grupo controle (GC; n = 10; idade: 68,80 ± 5,41 anos). A força muscular foi avaliada pelo teste de 1-RM nos exercícios supino reto (SR) e leg press (LP). Os níveis séricos de GH, IGF-1 e IGFBP3 foram analisados por quimioluminescência. O teste ANOVA com medidas repetidas mostrou aumento da força muscular no SR só no TFT (?% = 60,2%; p = 0,0001) quando comparado ao GC (?% = 46,73%, p = 0,0001) e TFA (?% = 32,49%, p=0,004). TFT e TFA aumentaram a força muscular no LP (?% TFT = 57,14%; p = 0,004; ?% TFA = 42,3%; p = 0,033). Houve um aumento no TFT e TFA no LP em comparação com o GC (?% = 45,59%, p = 0,019; ?% = 43,97%, p = 0,026, respectivamente). IGF-1 aumentou só no TFT (?% = 49,72%, p = 0,004) do pré para o pós-teste e quando comparado ao TFA (?% = 56,76%, p = 0,002) e ao GC (?% = 74,63%, p = 0,0001). Os níveis de IGFBP3 mostraram aumento apenas no TFA (?% = 26,79%, p = 0,044) do pré para o pós-teste. A razão IGF-1/IGFBP3 demonstrou que TFT atingiu elevação intragrupo (?% = 52,66%, p = 0,002) e quando comparado ao TFA (?% = 94,11%, p = 0,0001) e CG (?% = 73,45%, p = 0,0001). Não foram verificadas diferenças significativas no GH. Os pesquisadores concluíram que o treinamento de força no meio terrestre produziu maior efeito anabólico nas idosas. Autores: Vale, Rodrigo Gomes de Souza et al.

Associação da religiosidade com a capacidade funcional em idosos: uma revisão sistemática

05/03/2018 | Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.5, pp.722-730.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi verificar a associação da religiosidade com a capacidade funcional em idosos. Foi realizada uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados Scielo, Lilacs, MEDLINE/PubMed e Portal de Periódicos CAPES. Os descritores foram selecionados por meio da lista de Descritores em Ciências da Saúde (Decs) e do Medical Subject Headings (Mesh). Foram incluídos artigos originais, em português e inglês, publicados no período de 2007 a 2017, com amostra composta por idosos de 60 anos ou mais. Excluíram-se estudos de: revisão sistemática ou integrativa, estudos de caso, estudos de validação de escalas, dissertações e tese, estudos sobre suporte social religioso, além de artigos que incluíram na amostra idosos e adultos. Foram identificados 280 artigos, dos quais, seis foram incluídos nesta revisão. A religiosidade foi associada à melhor capacidade funcional, ao enfrentamento da incapacidade e ao retardo do declínio funcional em idosos. Diferentes aspectos da religiosidade apresentaram associação com a capacidade funcional, tais como: participação em atividades religiosas, desempenho de cargo de liderança religiosa e crenças e tradições religiosas. Em três artigos, a associação positiva da religiosidade com a capacidade funcional esteve ligada apenas às atividades religiosas públicas e não às práticas religiosas intrínsecas. Os pesquisadores concluíram que a religiosidade está associada de forma significativa e positiva à capacidade funcional de idosos. A associação da religiosidade intrínseca com a capacidade funcional ainda não está clara. Autores: Amorim, Diane Nogueira Paranhos et al.

Avaliação da efetividade de um programa de atenção ao idoso com fratura de quadril: uma estratégia de rede

02/03/2018 | Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.5, pp.702-712.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi avaliar a efetividade de um programa de atenção ao idoso com fratura de quadril decorrente de queda, aplicado a uma rede pública de assistência, no município de Canoas, no Rio Grande do Sul, Brasil. Foi realizado um estudo de coorte, prospectivo de caráter quantitativo. Foram incluídos no estudo 182 idosos acima de 60 anos com diagnóstico de fratura de quadril. A amostra foi dividida em dois grupos, um grupo submetido a tratamento usual (n=91) e outro grupo de pacientes incluído em um programa para atenção ao idoso com fratura de quadril (n=91). O programa teve como eixo principal um protocolo clínico e um protocolo de acesso. O tratamento de escolha foi cirúrgico em todos os casos. Na análise estatística, as variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e relativas. Para comparar variáveis numéricas o teste de Mann-Whitney foi utilizado. Na comparação de proporções, os testes qui-quadrado de Pearson ou exato de Fisher foram aplicados. O nível de significância adotado foi de 5%. A média de idade foi de 79,4 anos, com prevalência do sexo feminino. A morbidade mais frequente foi a hipertensão. Após a implementação do programa houve redução do tempo médio decorrido entre a fratura e o início da cirurgia, da média de permanência, da taxa de infecção do trato urinário, da taxa de óbito e dos custos assistenciais. Os pesquisadores concluíram que o programa de atenção ao idoso com fratura de quadril modificou os resultados esperados porque reduziu a mortalidade, a média de permanência hospitalar, as complicações pós-operatórias e os custos dos tratamentos durante a internação. Autores: Farias, Fatima Izabel Dornelles; Terra, Newton Luiz e Guerra, Marcelo Teodoro Ezequiel.

Fatores associados ao risco de desnutrição em idosos do sudeste do Brasil

02/03/2018 | Fonte: Rev. bras. epidemiol. [online]. 2017, vol.20, n.4, pp.598-610.

O objetivo deste trabalho, publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia, foi avaliar a prevalência do risco de desnutrição e sua associação com fatores socioeconômicos, hábitos comportamentais e condições de saúde em idosos residentes na comunidade. Foi realizado um estudo transversal, realizado com indivíduos com =60 anos de idade. O estado nutricional foi avaliado pela Mini Avaliação Nutricional e foram obtidas informações socioeconômicas, hábitos comportamentais e de condições de saúde. Para a identificação dos fatores associados ao risco de desnutrição foram realizadas análises brutas e ajustadas por meio da regressão de Poisson, utilizando modelo hierárquico. Foram analisados 3.101 idosos e, destes, 28,3% (IC95% 25,3 - 31,4) foram classificados com risco de desnutrição. Na análise multivariada, a prevalência de risco de desnutrição foi significantemente maior entre as mulheres, sem escolaridade, que não vivem com parceiros e cor de pela preta. O risco de desnutrição foi duas vezes maior nos indivíduos sem renda quando comparados aos que recebem acima de três salários mínimos. Os fumantes demonstraram maior probabilidade de risco de desnutrição quando comparados com os não fumantes. Os indivíduos que autorrelataram ter doenças renais, respiratórias e cardíacas apresentaram maior risco de desnutrição que aqueles que não relataram esses problemas. Os pesquisadores concluíram que estes resultados podem servir de subsídio para a formação de políticas de saúde no estabelecimento de programas adequados visando a redução do risco de desnutrição nesta população. Autores: Damiao, Renata; Santos, Álvaro Da Silva; Matijasevich, Alicia e Menezes, Paulo Rossi.

O teor de proteína e gordura das refeições aumenta a necessidade de insulina em crianças com diabetes tipo 1 - Papel da duração do diabetes

02/03/2018 | Fonte: J Clin Transl Endocrinol. 2017 Oct 10;10:15-21.

A hiperglicemia ainda permanece um desafio no diabetes tipo 1, tendo em vista, sobretudo, os resultados de estudos recentes que demonstraram a ineficiência dos procedimentos atuais para definição da fração de insulina necessária para uma determinada refeição. Isto é particularmente problemático para refeições contendo altas quantidades de proteína e gordura. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Journal of Clinical & Translational Endocrinology, foi investigar a resposta glicêmica pós-prandial e a necessidade total de insulina para refeições, utilizando bombas de insulina em crianças com diabetes tipo 1. Trata-se de um ensaio clínico domiciliar controlado e randomizado que avaliou 22 crianças de 4 a 17 anos de idade, com diabetes tipo 1 e em terapia com bomba de insulina. Os participantes ingeriram 2 refeições (usando bolus normais de insulina) com conteúdo idêntico de carboidratos: uma refeição com baixo teor de gordura e proteína (LFLP) e outra com alto teor de gordura e proteína (HFHP). Foi realizado o monitoramento da glicemia ao longo de 10 horas após a refeição, com correção do nível glicêmico por meio de bolus de insulina a cada duas horas, se necessário. Os resultados mostraram que a refeição HFHP exigiu significativamente mais insulina total (3,48 vs. 2,7 unidades) como resultado do aumento da necessidade de insulina de correção pós-refeição (1,2 vs. 0,15 unidades) por uma duração maior (6 vs. 3h). As refeições HFHP também aumentaram significativamente o tempo em que a glicemia esteve acima do nível alvo. A duração do diabetes e o uso total de insulina diária influenciaram significativamente a resposta glicêmica pós-prandial para as duas refeições. Os pesquisadores concluíram que ao consumir refeições combinadas à base de carboidratos com alto teor de gordura e proteína, crianças com diabetes tipo 1 na terapia com bomba de insulina, exigiram significativamente mais insulina durante um período de tempo mais prolongado do que a necessidade de insulina calculado utilizando os regimes atuais. Segundo os autores, a necessidade dessa quantidade adicional de insulina é influenciada pela duração da diabetes e pelo uso diário total de insulina. Autores: van der Hoogt M, van Dyk JC, Dolman RC, Pieters M.

Perfis neuropsicológicos da doença vascular e risco de demência: implicações na definição de comprometimento cognitivo vascular sem demência (VCI-ND)

02/03/2018 | Fonte: Age Ageing. 2017 Sep 1;46(5):755-760

Comprometimento cognitivo vascular sem demência (VCI-ND) define uma fase pré-clínica de declínio cognitivo associado a distúrbios vasculares. O perfil neuropsicológico da VCI-ND pode variar de acordo com diferentes condições vasculares. O objetivo deste trabalho, publicado no periódico Age and Ageing, foi determinar o perfil neuropsicológico de indivíduos sem demência e distúrbios vasculares, incluindo hipertensão, doença vascular periférica (PVD), doença cardíaca coronária (DCC), diabetes e acidente vascular cerebral. O risco de incidente de demência de 2 anos em indivíduos com doença e comprometimento cognitivo também foi testado. Os participantes pertenciam ao estudo de função cognitiva e envelhecimento. No início, 13.004 indivíduos com idade =65 anos foram matriculados no estudo. Os indivíduos foram agrupados por estado de desordem basal (presente, ausente) para cada condição. O desempenho cognitivo foi avaliado usando o mini-exame do estado mental (MMSE) e o exame cognitivo de Cambridge (CAMCOG). A demência foi avaliada aos 2 anos. Na análise transversal, a hipertensão, PVD e DCC não foram associadas ao comprometimento cognitivo. O acidente vascular cerebral foi associado à subescala (incluindo memória e não-memória) com valores de escala secundária (MMSE) e CAMCOG insuficientes. O diabetes foi associado às deficiências na função cognitiva global (MMSE) e pensamento abstrato. Na análise longitudinal, as deficiências cognitivas foram associadas a incidentes de demência em todos os grupos. Os autores concluíram que o perfil neuropsicológico em indivíduos com transtornos vasculares depende da condição específica investigada. Em todas as condições, o comprometimento cognitivo é um fator de risco para a demência. Uma melhor compreensão de quais domínios cognitivos são afetados em diferentes grupos de doenças poderia ajudar a melhorar a operacionalização dos critérios neuropsicológicos para VCI-ND e também poderia ajudar com o desenvolvimento de modelos de predição de risco de demência em pessoas com doença vascular. Autores: Stephan BCM, Minett T, Muniz-Terrera G, Harrison SL, Matthews FE, Brayne C.

Adaptação transcultural do índice de risco da Doença de Alzheimer da "Australian National University" para a população brasileira

02/03/2018 | Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.2, pp.162-175.

A doença de Alzheimer (DA) tem sido um grande problema de saúde pública, portanto é crucial que fatores de risco modificáveis possam ser conhecidos antes da instalação da demência na fase final da vida. O "Australian National University - Índice de Risco da Doença de Alzheimer" (ANU-ADRI) é uma das ferramentas potenciais para a prevenção primária da doença. Este estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, teve como objetivo elaborar uma versão adaptada do ANU-ADRI para o uso no Brasil. O instrumento foi traduzido do idioma original, inglês para a língua portuguesa e retrotraduzido para o inglês por tradutores bilíngues. Foi posteriormente revisado e avaliado quanto ao grau de dificuldade da tradução e equivalência. Neste estudo, o ANU-ADRI foi aplicado em entrevistas individuais (face a face) num hospital público em vez da versão original que é aplicada on-line por meio de autorrelato. A versão final (préteste) foi avaliada numa amostra de 10 participantes com média de idade 60 anos (±11,46), e média de escolaridade 11 anos (±6,32). O coeficiente de correlação intraclasse entre os avaliadores foi 0,954 (P<0,001, intervalo de confiança de 95% IC=[0,932; 0,969]). A equivalência cultural foi realizada sem a necessidade de uma segunda etapa de aplicação do instrumento. Os pesquisadores concluíram que após a adaptação transcultural, a linguagem do questionário é descrita como de fácil compreensão pela população brasileira. Autores: Borges, Marcus Kiiti; Jacinto, Alessandro Ferrari e Citero, Vanessa de Albuquerque.

Síndrome do pôr do sol e sintomas de ansiedade e depressão em idosos hospitalizados

02/03/2018 | Fonte: Dement. neuropsychol. [online]. 2017, vol.11, n.2, pp.154-161.

A síndrome de Sundown é caracterizada pelo aparecimento súbito de sintomas neuropsiquiátricos como agitação, confusão e ansiedade de forma cronológica, geralmente no final da tarde ou no início da noite. O objetivo deste este estudo, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, foi avaliar a prevalência da síndrome do pôr do sol em enfermarias de um hospital universitário e sua relação com sintomatologia depressivo-ansiosa, déficit cognitivo e variáveis clínicas e demográficas. Foram avaliados 70 pacientes admitidos nas enfermarias Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), João Pessoa-PB, Brasil. Os instrumentos de coleta de dados foram a Escala de Avaliação de Quadros Confusionais (Confusion Assessment Method - CAM), o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) e a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS). A média de idade de 68,4±6,4 anos, 55,7% do sexo masculino, 67,1% não alfabetizados ou com instrução fundamental incompleta. Observou-se que 14,3% dos pacientes tinham delirium, 15,7% tinham déficit cognitivo, enquanto 21,4% e 18,6% apresentavam sintomas ansiosos e depressivos, respectivamente. A idade dos pacientes com delirium (71,9±8,7) foi significativamente maior que a dos que não apresentavam este quadro (67,8±5,8). Com 95% de confiança, há diferença significativa nos grupos com e sem delirium em relação das escalas do MEEM e do HADS-D. Os pesquisadores verificaram a ocorrência de delirium compatível com a síndrome do pôr do sol e associado com sintomas depressivos e déficit cognitivo, sem relação aparente com processo infeccioso ou febre, número de medicamentos em uso, permanência hospitalar e sintomatologia ansiosa. Autores: Silva, Marcello Weynes Barros et al.

Transtorno de estresse agudo e mecanismos de defesa: pesquisa com pacientes que sofreram trauma físico atendidos em um hospital de emergência

02/03/2018 | Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.4, pp.247-256.

O transtorno de estresse agudo (TEA) reúne um conjunto de sintomas que pode surgir nos indivíduos após exposição a um evento traumático. Este estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, verificou a relação entre o estilo defensivo e o desenvolvimento de TEA e seus sintomas em uma amostra de pacientes que sofreram trauma físico. Este estudo transversal controlado envolveu 146 pacientes que sofreram trauma físico e necessitaram hospitalização. Um questionário estruturado foi utilizado para avaliar sintomas de TEA, baseado nos critérios diagnósticos do DSM-5, além do Questionário de Estilo Defensivo (Defense Style Questionnaire - DSQ). Dez (6,85%) pacientes tiveram diagnóstico positivo para TEA, e 136 (93,15%), diagnóstico negativo. A maioria da amostra foi composta por homens com idade mediana variando de 33,50 a 35,50. Nos 10 pacientes positivos para TEA, destacou-se a maior utilização de mecanismos de defesa de anulação e desvalorização, pertencentes ao fator neurótico e ao fator imaturo, respectivamente. Foram observadas associações positivas entre presença de sintomas de TEA do critério B do DSM-5 e os mecanismos de defesa do DSQ, sobretudo nos mecanismos de anulação, projeção, agressão passiva, acting out, fantasia autística, deslocamento e somatização. Segundo os pesquisadores, pacientes com TEA utilizaram mais mecanismos de defesa do tipo anulação e desvalorização quando comparados aos pacientes sem diagnóstico de TEA. Os pesquisadores, ainda, ressaltam a importância da detecção precoce de sintomas de TEA a fim de evitar outros agravos relacionados ao trauma, o que representa uma importante evolução em termos de saúde pública. Autores: Santana, Márcia Rosane Moreira et al

Sintomas de ansiedade e depressão em brasileiros não heterossexuais usuários de ecstasy e LSD

02/03/2018 | Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.4, pp.239-246.

Este estudo, publicado no periódico Trends in Psychiatry and Psychotherapy, examinou os padrões de uso de drogas e os sintomas psiquiátricos de ansiedade e depressão entre brasileiros não heterossexuais usuários de ecstasy e/ou LSD e comparou os achados com aqueles relatados por seus pares heterossexuais. Foi realizado um este estudo transversal empregou amostragens direcionadas e abordagens de mapeamento etnográfico através de entrevistas presenciais realizadas em bares e festivais de música eletrônica usando uma versão adaptada e semiestruturada do questionário de Avaliação Global de Necessidades Individuais. A amostra incluiu 240 adultos jovens do sexo masculino e feminino que haviam usado ecstasy e/ou LSD nos 90 dias anteriores à entrevista e que não estavam em tratamento para abuso de álcool e drogas. Dos 240 sujeitos incluídos (idade média: 22,9±4,5 anos), 28,7% eram homossexuais ou bissexuais. A análise de regressão multivariada mostrou que a prevalência de sintomas de depressão nos últimos 12 meses no grupo não heterossexual foi 37% superior à dos heterossexuais [razão de prevalência (RP) = 1,79; intervalo de confiança de 95% (IC95%) 1.03-3.11; p=0,037]. Segundo os pesquisadores, estratégias devem ser desenvolvidas para avaliar e abordar as necessidades individuais, e as abordagens de tratamento devem ser adaptadas para sintomas depressivos em usuários de drogas jovens e não heterossexuais. Autores: Ding J, Sigurðsson S, Jónsson PV, Eiriksdottir G, Charidimou A, Lopez OL, van Buchem MA, Guðnason V, Launer LJ.

Espaços perivasculares grandes visíveis em imagens de ressonância magnética, progressão da doença cerebral de pequenos vasos e risco de demência: o ensaio Age, Gene/Environment Susceptibility-Reykjavik

02/03/2018 | Fonte: Fonte: JAMA Neurol. 2017 Sep 1;74(9):1105-1112.

Acredita-se que a maior visibilidade dos espaços perivasculares na ressonância magnética com o avanço da idade represente uma drenagem prejudicada do fluido intersticial do cérebro, o que poderia refletir na doença subjacente cerebral de pequenos vasos. No entanto, é desconhecido se os espaços perivasculares grandes (L-PVSs, do inglês large perivascular spaces; >3 mm de diâmetro) visíveis na ressonância magnética estão associados à doença cerebral de pequenos vasos e à deterioração cognitiva em indivíduos idosos. O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Neurology, foi investigar se os L-PVSs estão associados com a progressão dos marcadores de ressonância magnética estabelecidos de doença cerebral de pequenos vasos, com o declínio cognitivo e o aumento do risco de demência. Trata-se de um estudo prospectivo que avaliou os L-PVSs na linha de base (1º de setembro de 2002 até 28 de fevereiro de 2006) em estudos de ressonância magnética cerebral em 2.612 indivíduos pertencentes à coorte Age, Gene/Environment Susceptibility-Reykjavik. Os participantes retornaram para uma ressonância magnética adicional entre 1º de abril de 2007 e 30 de setembro de 2011 e foram submetidos a testes neuropsicológicos nos 2 pontos de tempo (linha de base e acompanhamento), com média (desvio-padrão) de intervalo de 5,2 (0,2) anos. A análise de dados foi realizada entre 1º de agosto de 2016 à 4 de maio de 2017. Foi avaliada a presença, o número e a localização dos L-PVSs. Foram considerados como principais medidas: infartos subcorticais incidentes, microssangramentos cerebrais e progressão de hiperintensidades da substância branca detectadas na ressonância magnética; declínio cognitivo definido como mudanças de pontuação composta entre linha de base e acompanhamento nos domínios da memória, velocidade de processamento da informação e função executiva; e casos de demência incidente diagnosticados de acordo com diretrizes internacionais. Dos 2.612 pacientes do estudo (idade média [desvio-padrão], 74,6 [4,8] anos, 1.542 [59,0%] do sexo feminino), 424 tinham L-PVSs e 2.188 não apresentaram o mesmo diagnóstico. A prevalência de L-PVSs foi de 16,2% (número médio de L-PVSs, 1, intervalo, 1-17). Após o ajuste para idade, sexo e intervalo entre a varredura de linha de base e o acompanhamento, os resultados mostraram que a presença de L-PVSs foi significativamente associada a um risco aumentado de infarto subcortical incidente (razão de risco ajustada, 2,54; IC 95%, 1,76-3,68) e microssangramentos (taxa de risco ajustada, 1,43; IC 95%, 1,18-1,72), além de uma maior progressão de 5 anos do volume de hiperintensidade da substância branca. A presença de L-PVSs também foi associada a um declínio mais acentuado na velocidade de processamento da informação, e mais que quadruplicou o risco de demência vascular. Todas as associações persistiram quando ajustadas para os fatores de risco genéticos e cerebrovasculares. As associações com os resultados cognitivos foram independentes do nível educacional, depressão e outros marcadores de ressonância magnética para doença cerebral de pequenos vasos. Os pesquisadores concluíram que espaços perivasculares grandes são marcadores de ressonância magnética para a doença cerebral de pequenos vasos e estão associados à patogênese relacionada ao comprometimento cognitivo vascular em indivíduos idosos. Segundo os autores, os espaços perivasculares grandes devem ser incluídos nas avaliações do comprometimento cognitivo vascular na população idosa e como alvos potenciais para intervenções. Palavras chave: Espaços perivasculares; ressonância magnética; doença cerebral de pequenos vasos; demência Autores: Ding J, Sigurðsson S, Jónsson PV, Eiriksdottir G, Charidimou A, Lopez OL, van Buchem MA, Guðnason V, Launer LJ.

Patologia cortical na esclerose múltipla detectada pela razão ponderada em T1/T2 da ressonância magnética de rotina

02/03/2018 | Fonte: Ann Neurol. 2017 Oct;82(4):519-529.

Estudos neuropatológicos têm mostrado mudanças generalizadas no córtex cerebral na esclerose múltipla. Entretanto a imagem in vivo é crítica, tendo em vista que o substrato histopatológico da maioria das medidas ainda é desconhecido. Neste estudo, publicado no Annals of Neurology, o córtex cerebral de uma grande coorte de pacientes em estágios iniciais da esclerose múltipla foi avaliado por meio de uma nova técnica de análise de ressonância magnética, com base na proporção de intensidades de sinal ponderadas em T1 e T2. Um total de 168 pacientes com síndrome clinicamente isolada ou esclerose múltipla remitente-recorrente (Expanded Disability Status Scale: mediana = 1, intervalo = 0-3,5) e 80 controles saudáveis, pareados por idade e gênero, foram investigados. Também foi avaliado o substrato histopatológico da relação ponderada em T1/T2, combinando imagens post-mortem e histopatologia em 9 cérebros doados com esclerose múltipla. Os resultados mostraram que os pacientes apresentaram valores de relação ponderada T1/T2 mais baixos nas áreas parietal e occipital. Os 4 clusters mais significativos apareceram no córtex cingulado occipital médio e posterior (cada um à esquerda e à direita). A diminuição da relação ponderada T1/T2 no cingulado posterior foi relacionada ao desempenho na atenção. A análise dos valores de razão ponderada em T1/T2 da imagem post-mortem produziu forte correlação com a densidade de dendrito, no entanto, não houve correlação com nenhum outro parâmetro, incluindo a mielina. Os pesquisadores concluíram que a relação ponderada T1/T2 diminui nos estágios iniciais da esclerose múltipla de forma generalizada, com preponderância nas áreas posteriores e com alterações para o desempenho de atenção; parecendo refletir a patologia do dendrito. Os autores destacam que o método é um candidato promissor para estudar e monitorar a patologia cortical ou os efeitos terapêuticos na esclerose múltipla, haja vista sua ampla disponibilidade e aplicação às varreduras clínicas disponíveis. Autores: Righart R, Biberacher V, Jonkman LE, Klaver R, Schmidt P, Buck D, Berthele A, Kirschke JS, Zimmer C, Hemmer B, Geurts JJG, Mühlau M.

Cirurgia bariátrica no idoso: uma revisão narrativa

02/03/2018 | Fonte: Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2017, vol.63, n.9, pp.787-792.

Em virtude do envelhecimento populacional, a população obesa idosa também está aumentando. A cirurgia bariátrica é o tratamento padrão-ouro para obesidade mórbida atualmente, porém sua realização rotineira em idosos ainda é controversa. O objetivo deste estudo, publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, foi revisar a literatura atual sobre a cirurgia bariátrica em idosos. Foi realizada uma revisão on-line das bases de dados eletrônicas Medline e Lilacs e compilação dos dados mais significativos. Os estudos mais relevantes na área nos últimos 16 anos foram considerados para esta revisão. Houve grande heterogeneidade metodológica nos estudos encontrados. Historicamente, a idade avançada estava associada a resultados inferiores após a cirurgia bariátrica, em relação tanto a complicações pós-operatórias quanto à perda de peso e resolução de comorbidades. Estudos mais recentes têm mostrado resultados melhores, com morbidade e mortalidade comparáveis às observadas em indivíduos mais jovens. A seleção criteriosa de pacientes e a evolução da técnica cirúrgica parecem estar ligadas a essa melhora. Uma equipe multidisciplinar expandida, com geriatra e assistente social, pode também colaborar para uma melhor abordagem pré-operatória. Os pesquisadores concluíram que a cirurgia bariátrica é uma opção terapêutica segura e efetiva na população idosa, mas uma seleção criteriosa de pacientes e avaliação pré-operatória específica precisam ser realizadas. Uma resenha de: Cirurgia bariátrica no idoso: uma revisão narrativa Autores: Cazzo, Everton et al.

Depressão dor-induzida em idosos: validação das propriedades psicométricas da versão brasileira do “Geriatric Emotional Assessment of Pain” - GEAP-b

02/03/2018 | Fonte: Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2017, vol.63, n.9, pp.741-746.

Este estudo, publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, teve por objetivo introduzir um instrumento que permita uma avaliação clínica abrangente da depressão dor-induzida em idosos. Para isto, foi proposta a tradução, adaptação transcultural para o Brasil e estudo das propriedades psicométricas do “Geriatric Psychosocial Assessment of Pain-induced Depression” (GEAP). Esse instrumento foi desenvolvido especialmente para rastreio da depressão associada à dor em idosos. Foram realizadas tradução e adaptação transcultural do GEAP, cujas propriedades psicométricas foram analisadas em uma amostra de 48 idosos. Foram apurados dados sociodemográficos e relacionados a dor crônica, além de depressão. O GEAP-b foi aplicado em três momentos distintos, em um mesmo dia por dois entrevistadores diferentes (E1 e E2), e após 15 dias por um daqueles entrevistadores (E3). O instrumento GEAP-b mostrou-se ser de fácil aplicação e alto valor de consistência interna, de acordo com o coeficiente alfa de Cronbach (0,835). Teve reprodutibilidade ótima, segundo as correlações intraclasses: valores de 98,5 e 92%, interobservador e intraobservador, respectivamente. As concordâncias para cada item do GEAP-b foram “consideráveis“ (entre 0,419 e 1,0), excetuando-se a concordância para o item 19, segundo a estatística kappa. Para a validade de critério do GEAP-b, correlações positivas e estatisticamente significativas foram obtidas para a dor, segundo o GPM-p (r=49,5%; p<0,001), e para a depressão, segundo o GDS (r=59%; p<0,001), com ambos os valores considerados regulares (entre 40 e 60%). Os pesquisadores concluíram que o GEAP-b demonstrou ser confiável e válido no rastreio da depressão associada à dor em idosos. Autores: Almeida, Carla Bezerra Lopes; Felix, Ricardo Humberto; Cendoroglo, Maysa Seabra e Santos, Fania Cristina.

Características das quedas em idosos que vivem na comunidade: estudo de base populacional

02/03/2018 | Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.5, pp.691-701.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi explorar as características da última queda em idosos brasileiros que caíram em 2008 e 2009 e identificar se há relação com as características sociodemográficas, de saúde física, comorbidades, condições clínicas e com as circunstâncias de quedas. Foi realizado um estudo transversal, de base populacional, com idosos de 65 anos de idade ou mais, de Barueri, SP e Cuiabá, MT, Brasil. Foi utilizado um inquérito multidimensional contendo dados sociodemográficos, de saúde física e mental e de quedas. As associações foram analisadas por meio de tabelas de contingência e foi usado o teste Exato de Fisher ou de qui-quadrado de Pearson. 774 idosos foram incluídos no estudo e destes, 299 (38,6%) relataram queda no último ano, sendo que 176 (58,9%) caíram uma vez e 123 (41,1%) relataram ter caído duas vezes ou mais. Entre os caidores, a idade média foi de 72,5 (±6,1) Cerca de 107 (35,8%) dos idosos relataram ter caído para frente,79 (26,4%) para os lados e 42 (14%) para trás. Quanto às circunstâncias, 107 (35,8%) idosos relataram ter perdido o equilíbrio, 79 (26,4%) referiram ter tropeçado e 42 (14%) ter escorregado. Houve associação entre o mecanismo e as circunstâncias das quedas e ter caído uma vez ou duas vezes ou mais. Houve associação entre as circunstâncias das quedas e o número de medicações. Os pesquisadores concluíram que as características das quedas são diferentes para os idosos que caíram uma ou duas ou mais vezes, o que pode nortear os profissionais de saúde, idosos e seus familiares em relação a estratégias específicas para prevenção de quedas. Autores: Moraes, Suzana Albuquerque de et al.

Relação entre força e massa muscular em mulheres de meia-idade e idosas: um estudo transversal

02/03/2018 | Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.5, pp.660-669.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi analisar a relação entre a força de preensão manual e a força de membro inferior com a quantidade de massa muscular esquelética segmentar em mulheres de meia-idade e idosas. Trata-se de um estudo observacional analítico de caráter transversal, realizado com 540 mulheres entre 40 e 80 anos, nos municípios de Parnamirim e Santa Cruz, no estado do Rio Grande do Norte. Foram avaliados dados sociodemográficos, medidas antropométricas, dinamometria de preensão manual, flexores e extensores de joelho dos membros dominantes, além da massa muscular segmentar dos respectivos membros. Os dados foram analisados utilizando o Test t de Student, o Teste de quiquadrado, o Tamanho do Efeito e a Correlação de Pearson (IC 95%). Houve correlações estatisticamente significativas fracas e moderadas entre força de preensão e massa muscular de membro superior, força de flexão de joelho e massa muscular de membro inferior e entre força de extensão e massa muscular de membro inferior para as faixas etárias de 40 a 59 anos e 60 anos ou mais (p<0,05). Os pesquisadores concluíram que a força muscular se correlaciona com a massa muscular esquelética. Desta forma, a mesma pode ser um indicador da diminuição da força, mas não o único, haja vista as correlações apresentarem-se de forma fraca e moderada, o que requer mais estudos sobre essa temática para elucidar quais os componentes que podem também influenciar na perda da força com o avançar da idade. Autores: Souza, Carine Fernandes de et al.

Associação entre tempo de espera e mortalidade em 30 dias, em adultos submetidos à cirurgia de fratura de quadril

02/03/2018 | Fonte: JAMA. 2017 Nov 28;318(20):1994-2003. doi: 10.1001/jama.2017.17606.

Embora o tempo de espera para a realização de cirurgia de fratura de quadril tenha sido associado à mortalidade e seja usado como indicador de qualidade de cuidados em todo o mundo, existe controvérsia sobre a duração da espera que leva a complicações. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Medical Association, foi utilizar dados populacionais de tempo de espera para identificar a janela de tempo ideal para realização da cirurgia de fratura de quadril antes de aumentar o risco de complicações. Foi realizado um estudo de coorte populacional retrospectivo de adultos submetidos à cirurgia de fratura de quadril entre 1º de abril de 2009 e 31 de março de 2014, em 72 hospitais de Ontário, Canadá. Os splines cúbicos restritos ajustados ao risco modelaram a probabilidade de cada complicação de acordo com o tempo de espera. O ponto de inflexão (em horas) quando as complicações começaram a aumentar foi utilizado para definir a cirurgia precoce ou tardia. Para avaliar a robustez desta definição, os resultados entre os pacientes cirúrgicos precoces e tardios pareados com escores de propensão foram comparados utilizando o percentual de diferenças de risco absoluto (RDs, com 95% de ICs). Para exposição, foi considerado o tempo decorrido da chegada ao hospital até a cirurgia (em horas). O desfecho primário foi a mortalidade dentro de 30 dias. Os resultados secundários incluíram um composto de mortalidade ou outras complicações médicas (infarto do miocárdio, trombose da veia profunda, embolia pulmonar e pneumonia). Entre 42.230 pacientes com fratura do quadril (idade média [DP] 80,1 anos [10,7], 70,5% mulheres) que atendiam aos critérios de inclusão no estudo, a mortalidade geral aos 30 dias foi de 7,0%. O risco de complicações aumentou quando o tempo de espera foi superior a 24 horas, independentemente da complicação considerada. Em comparação com 13.731 paciente pareados com scores de propensão que receberam cirurgia precoce, 13.731 pacientes que receberam cirurgia após 24 horas tiveram um risco significativamente maior de mortalidade em 30 dias (898 [6,5%] vs 790 [5,8%];% RD absoluto, 0,79; IC 95%, 0,23-1,35) e o resultado composto (1.680 [12,2%]) vs 1.383 [10,1%]; % RD absoluto, 2,16; IC 95%, 1,43-2,89). Os autores concluíram que, entre adultos submetidos à cirurgia de fratura de quadril, o aumento do tempo de espera foi associado a um risco maior de mortalidade em 30 dias e outras complicações. Um tempo de espera de 24 horas pode representar o limite que define maior risco. Autores: Pincus D, Ravi B, Wasserstein D, Huang A, Paterson JM, Nathens AB, Kreder HJ, Jenkinson RJ, Wodchis WP.

Efeitos do treinamento de equilíbrio e da marcha com sensores vestíveis (wearable) sobre o equilíbrio, a marcha e o desempenho funcional em populações de pacientes e indivíduos saudáveis: uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios randomizados controlados

02/03/2018 | Fonte: Gerontology. 2017 Nov 1;64(1):74-89.

Os sensores vestíveis ou wearables (WS, do inglês wearable sensors) podem avaliar com precisão o movimento corporal e fornecer feedback interativo para ajudar na aprendizagem motora. O objetivo desta revisão, publicada no Gerontology, foi sintetizar a evidência atual da eficácia do treinamento com WS para melhorar o equilíbrio, a marcha e o desempenho funcional. Foram realizadas pesquisas nas bases de dados PubMed, Cochrane, Web of Science e CINAHL. Foram incluídos ensaios controlados randomizados usando um programa de exercícios com auxílio de WS. A qualidade do estudo foi examinada pela escala PEDro. Foram realizadas meta-análises para estimar os efeitos do treinamento do equilíbrio com WS nos parâmetros de resultado mais frequentemente relatados. Foram incluídos 8 ensaios controlados randomizados (Parkinson n = 2, acidente vascular cerebral n = 1, Parkinson/acidente vascular cerebral n = 1, neuropatia periférica n = 2, idosos frágeis n = 1, idosos saudáveis n = 1). O tamanho da amostra variou entre 20 e 40 indivíduos. Foram utilizados três tipos de paradigmas de treinamento: (1) treinamento de equilíbrio estático em estado estável, (2) treinamento de equilíbrio dinâmico em estado estável, que incluiu treinamento de marcha e (3) treinamento de equilíbrio pró-ativo. Os ensaios controlados randomizados usaram apenas um dos tipos de paradigma de treinamento (tipo 2: n = 1, tipo 3: n = 3) ou combinaram diferentes tipos de paradigmas de treinamento dentro da intervenção (tipo 1 e 2: n = 2; todos os tipos: n = 2). As meta-análises mostraram efeitos globais significativos do treinamento com WS nos resultados do treinamento de equilíbrio estático em estado estável, incluindo mediolateral (olhos abertos: Hedges 'g = 0,82, IC: 0,43-1,21; olhos fechados: g = 0,57, IC: 0,14-0,99) e equilíbrio ântero-posterior (olhos abertos: g = 0,55, IC: 0,01-1,10, olhos fechados: g = 0,44, IC: 0,02-0,86). Não foram encontrados efeitos na velocidade da marcha habitual na meta-análise (g = -0,19, IC: -0,68 a 0,29). Dois ensaios controlados randomizados relataram melhorias significativas para as variáveis de marcha selecionadas, incluindo um único momento de ajuda e velocidade rápida da marcha. Um estudo identificou efeitos no equilíbrio pró-ativo (Alternate Step Test), porém não foi encontrado nenhum efeito para o teste Timed Up and Go e a Escala de Equilíbrio Berg. Dois outros estudos relataram resultados positivos sobre viabilidade e usabilidade. Apenas um estudo foi realizado em um cenário não supervisionado. Os pesquisadores concluíram que há evidências de um efeito positivo do treinamento com WS no equilíbrio estático em estado estável em estudos com controles de cuidados habituais e estudos com controles convencionais de treinamento de equilíbrio. Segundo os autores, parâmetros específicos da marcha e medidas de equilíbrio pró-ativo também podem ser melhorados pelo treinamento com WS, contudo as evidências ainda são limitadas. Os pesquisadores destacam, ainda, que paradigmas de treinamento heterogêneos, tamanhos reduzidos da amostra e durações de intervenção curtas limitam a validade dos achados. Por fim, os autores salientam que estudos maiores são necessários para estimar o verdadeiro potencial da tecnologia WS. Autores: Gordt K, Gerhardy T, Najafi B, Schwenk M.

Hidradenite supurativa: avanços no diagnóstico e tratamento

02/03/2018 | Fonte: Saunte DML, Jemec GBE.

A hidradenite supurativa (HS) é relativamente comum, com uma prevalência de 0,05% a 4,10%, porém muitos pacientes recebem tratamento inadequado. Este artigo, publicado no Journal of American Medical Association, teve como objetivo revisar o diagnóstico, epidemiologia e tratamento da HS com ênfase nos avanços dos últimos 5 anos. Uma pesquisa de literatura foi realizada utilizando as bases de dados PubMed, MEDLINE (Medical Subject Headings [MeSH]) e EMBASE para incluir estudos de tratamento recentemente publicados (pesquisados de 1 de setembro de 2011 a 1 de maio de 2017). Resenhas, guidelines, resumos de conferências e estudos com menos de 10 pacientes foram excluídos. Além disso, pesquisas na internet para guidelines sobre hidradenite supurativa utilizando os navegadores Baidu, Bing, Google e Qwant foram realizadas. O diagnóstico de HS é realizado por morfologia (nódulos, abscessos, túneis e cicatrizes), localização (axilas, pregas inframamárias, virilha, perigenital ou perineal) e progressão da lesão (2 recorrências dentro de 6 meses ou lesões crônicas ou persistentes por =3 meses). A HS é mais comum do que se pensava anteriormente, com base na análise epidemiológica (0,05%-4,10%) e pode ser significativamente incapacitante. Os pacientes com HS podem ter comorbidades significativas (por exemplo, obesidade, síndrome metabólica, diabetes e artrite) e aumento da mortalidade por todas as causas (taxa de incidência, 1,35 [IC 95%, 1,15-1,59]). A antibioticoterapia durante 6 meses é eficaz. Inibidores do fator de necrose tumoral são eficazes em uma proporção significativa de pacientes e os tratamentos com IL-1 e subunidade do receptor IL-12 beta 1 (Rb1) também podem ser úteis. Técnicas cirúrgicas conservadoras e tratamentos a laser de dióxido de carbono estão disponíveis, mas as evidências sobre os resultados clínicos com essas abordagens são limitadas. Para os autores, a hidradenite supurativa é mais comum do que o pensado anteriormente e pode ser tratada por uma série de técnicas farmacológicas e cirúrgicas. A hidradenite supurativa deve ser considerada no diagnóstico diferencial de lesões nodulares ou traços sinuosos presentes nas regiões de dobra axilar, virilha, perineal e mamilar.

Prevalência multicêntrica de anafilaxia em desafios clínicos com alimentos orais

02/03/2018 | Fonte: Ann Allergy Asthma Immunol. 2017 Oct;119(4):339-348.e1.

Diversos estudos de centro único estimaram que a taxa de anafilaxia para os desafios alimentares orais (OFCs) esteja entre 9% e 11%, porém ainda não há muita informação a respeito da epidemiologia dos OFCs clínicos em múltiplos centros nos Estados Unidos. O objetivo deste estudo, publicado no Annals of Allergy, Asthma and Immunology, foi investigar a epidemiologia, os sintomas e o tratamento de OFCs clínicos de baixo risco com base em um contexto prático ou de “não pesquisa” (nonresearch settings). Os dados foram obtidos entre 2008 e 2013 por meio de um questionário médico aplicado em 5 centros de alergia alimentar distribuídos pelos Estados Unidos. Foi utilizado o modelo misto linear para determinação das taxas de reação alérgica e a associação das taxas de reação com o ano, hospital e demografia. Foi utilizada uma metanálise para agrupar a proporção de reações e anafilaxia com variância invertida utilizando um modelo de efeitos aleatórios com intervalos de confiança exatos (ICs). Os resultados mostraram que a estimativa agregada de anafilaxia foi de 2% (IC 95%, 1% -3%) para o total de 6.377 OFCs realizados. A taxa de reações alérgicas, por sua vez, foi de 14% (IC 95%, 13% -16%) e considerada consistente durante o período do estudo (P = 0,40). As taxas de reações alérgicas variaram de 13% a 33%. Os homens reagiram 16% mais frequentemente do que as mulheres (IC 95%, 4% - 37,5%; P = 0,04). Os alimentos desafiados em 2013 variaram geograficamente, sendo o amendoim o alimento mais desafiado no Nordeste, Centro-Oeste e Oeste e o ovo como o mais desafiado no Sul dos EUA. Com base no maior questionário nacional de reações alérgicas de OFC clínicos abertos em um cenário prático nos Estados Unidos, os pesquisadores concluíram que a realização de OFC clínicos abertos de baixo risco em um contexto prático decorre em poucas reações alérgicas, com 86% dos desafios resultando em nenhuma reação e 98% sem anafilaxia. Palavras chave: Prevalência; anafilaxia; desafios; alimentos Autores: Akuete K, Guffey D, Israelsen RB, Broyles JM, Higgins LJ, Green TD, Naimi DR, MacGinnitie AJ, Vitalpur G, Minard CG, Davis CM.

Asma e risco de câncer de pulmão: uma metanálise

02/03/2018 | Fonte: Fonte: Oncotarget. 2017 Feb 14;8(7):11614-11620.

Evidências sugerem que existe uma associação significativa entre a asma e o risco de câncer de pulmão, contudo os resultados ainda não são conclusivos. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no Oncotarget, foi realizar uma metanálise abordando esta temática. Para a realização deste estudo os autores realizaram buscas em bases de dados eletrônicas para todos os artigos relevantes. A força da associação entre asma e risco de câncer de pulmão foi calculada por odds ratio (OR) com intervalo de confiança (IC) de 95%. Os resultados mostraram uma associação significativa entre asma e aumento do risco de câncer de pulmão (OR = 1,44; IC 95%: 1,31-1,59; P <0,00001; I2 = 83%). Além disso, pacientes com asma que não eram fumantes também tiveram o risco aumentado de câncer de pulmão. Com base em análise de subgrupos para etnia e gênero, os resultados indicaram que caucasianos, asiáticos, homens e mulheres com asma apresentaram maior risco de câncer de pulmão. No entanto, a asma não foi significativamente associada ao risco de adenocarcinoma pulmonar. Na análise estratificada por definição de asma, foram encontradas associações significativas entre asma e câncer de pulmão em subgrupos autorrelatados, avaliados por questionário, e subgrupo de registro em bancos de dados, porém não houve associação significativa no subgrupo cuja asma foi diagnosticada por médico. Os pesquisadores concluíram que os resultados da metanálise sugerem uma associação significativa entre asma e risco de câncer de pulmão. Autores: Qu YL, Liu J, Zhang LX, Wu CM, Chu AJ, Wen BL, Ma C, Yan XY, Zhang X, Wang DM, Lv X, Hou SJ.

Precisão diagnóstica da imagem de microscopia confocal versus biópsia punch para diagnóstico e subtipagem de carcinoma basocelular

02/03/2018 | Fonte: J Eur Acad Dermatol Venereol. 2017 Oct;31(10):1641-1648.

A microscopia confocal reflectante (MCR) in vivo é uma técnica de imagem da pele não invasiva, promissora e que poderia facilitar o diagnóstico precoce de carcinoma basocelular (CBC), ao invés da rotina de biópsias punch. Contudo, ainda não há dados suficientes sobre o valor clínico e a utilidade da MCR versus biópsia punch no diagnóstico e na subtipagem de CBC. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, foi investigar a precisão diagnóstica da MCR versus biópsia punch no diagnóstico e identificação de subtipos de CBC primário clinicamente suspeito. Entre 3 de fevereiro de 2015 e 2 de outubro de 2015 foi incluída no estudo uma coorte prospectiva e consecutiva de 100 pacientes com CBC clinicamente suspeito de dois hospitais terciários de Amsterdã, Países Baixos. Os pacientes foram randomizados entre dois procedimentos de tratamento: diagnóstico e subtipagem por meio de imagens MCR seguidas por excisão cirúrgica direta (MCR one-stop-shop); ou excisão planejada com base no diagnóstico histológico e subtipo de biópsia punch (cuidados padrão). Foi considerado como resultado primário a concordância entre os procedimentos índice (MCR versus biópsia punch) e o padrão de referência (amostra de excisão) no diagnóstico correto de CBC. O resultado secundário foi a concordância entre os procedimentos índice e o padrão de referência na identificação correta dos subtipos de CBC mais agressivos. Os resultados mostraram semelhança na sensibilidade para detecção do CBC entre a MCR e a biópsia punch (100% vs. 93,94%), entretanto a biópsia punch foi mais específica do que a MCR (79% vs. 38%). A avaliação de especialistas no procedimento de MCR para o diagnóstico de CBC teve sensibilidade de 100% e especificidade de 75%. A concordância entre MCR e a amostra de excisão na identificação do subtipo de CBC mais agressivo variou de 50% a 85% contra 77% por biópsia punch. Os pesquisadores concluíram que a MCR e a biópsia punch têm precisão diagnóstica comparável no diagnóstico e identificação correta dos subtipos de CBC, dependendo da experiência do operador da MCR. Os autores destacam que embora especialistas experientes em MCR pudessem diagnosticar com precisão o CBC à distância, houve diferenças importantes na subtipagem do CBC. Os autores sugerem, ainda, que estudos futuros de MCR precisam ter como foco a precisão diagnóstica, a confiabilidade e os critérios específicos para melhorar a diferenciação do subtipo de CBC. Autores: Kadouch DJ, Leeflang MM, Elshot YS, Longo C, Ulrich M, van der Wal AC, Wolkerstorfer A, Bekkenk MW, de Rie MA.

Sintomas depressivos, depressão e efeito da terapia biológica entre pacientes participantes do Psoriasis Longitudinal Assessment and Registry (PSOLAR)

02/03/2018 | Fonte: Fonte: J Am Acad Dermatol. 2017 Oct 25. pii: S0190-9622(17)32316-2.

Estudos demonstram um risco aumentado de depressão entre os pacientes com psoríase, porém, o impacto do tratamento sobre esse risco ainda não está completamente esclarecido. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, foi investigar a incidência e o impacto do tratamento na depressão entre pacientes com psoríase de moderada à grave. Participaram deste estudo pacientes do Psoriasis Longitudinal Assessment and Registry. Foi avaliada a incidência de sintomas depressivos (pontuação igual ou superior a 8 no Hospital Anxiety and Depression Scale-Depression) e eventos adversos de depressão dentro de coortes recebendo produtos biológicos, terapias sistêmicas convencionais ou fototerapia. Os pacientes foram avaliados em intervalos de aproximadamente 6 meses. O impacto do tratamento sobre o risco foi determinado por um modelo de análise multivariada. Os resultados mostraram taxas de incidência de sintomas depressivos de 3,01 por 100 pacientes-ano (intervalo de confiança de 95% [IC], 2,73-3,32), 5,85 por 100 pacientes-ano (IC 95%, 4,29-7,97) e 5,70 por 100 pacientes-ano (IC 95%, 4,58-7,10) para produtos biológicos, fototerapia e terapia convencional, respectivamente. Em comparação com a terapia convencional, os produtos biológicos reduziram o risco de sintomas depressivos (razão de risco, 0,76; IC 95%, 0,59-0,98), a fototerapia, entretanto, não apresentou os mesmos resultados (taxa de risco, 1,05; IC 95%, 0,71-1,54). As taxas de incidência de eventos adversos de depressão foram 0,21 por 100 pacientes-ano (IC 95%, 0,15-0,31) para produtos biológicos, 0,55 por 100 pacientes-ano (IC 95%, 0,21-1,47) para fototerapia e 0,14 por 100 pacientes-ano (IC 95% 0,03-0,55) para terapia convencional; o fato da ocorrência de poucos eventos adversos (37) impossibilitou a modelagem. Os autores destacam como limitação do estudo o registro incompleto de depressão e de fatores de confusão nos pacientes no momento da inclusão. Os pesquisadores concluíram que em comparação com a terapia convencional, os produtos biológicos parecem estar associados a uma menor incidência de sintomas depressivos em pacientes com psoríase. Autores: Strober B, Gooderham M, de Jong EMGJ, Kimball AB, Langley RG, Lakdawala N, Goyal K, Lawson F, Langholff W, Hopkins L, Fakharzadeh S, Srivastava B, Menter A.

Transfusão liberal ou restritiva de células vermelhas em cirurgia cardíaca

02/03/2018 | Fonte: N Engl J Med. 2017 Nov 12

O efeito de uma estratégia de transfusão de células vermelhas restritiva versus liberal sobre os resultados clínicos em pacientes submetidos a cirurgia cardíaca ainda não está claro. Neste estudo multicêntrico, aberto e de não-inferioridade, publicado no The New England Journal of Medicine, foram atribuídos aleatoriamente 5.243 adultos submetidos a cirurgia cardíaca, com uma pontuação de 6 ou mais no Sistema Europeu de Avaliação do Risco Operativo Cardíaco (EuroSCORE) I (em uma escala de 0 a 47, com pontuações mais altas indicando um maior risco de morte após cirurgia cardíaca), a receberem um limiar restritivo de transfusão de células vermelhas (transfundir se o nível de hemoglobina fosse <7,5 g por decilitro, a partir da indução da anestesia) ou a um limiar liberal de transfusão de células vermelhas (transfundir se o nível de hemoglobina fosse <9,5 g por decilitro na sala de operação ou unidade de terapia intensiva [UTI] ou <8,5 g por decilitro na sala não-UTI). O resultado composto primário foi morte por qualquer causa, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou insuficiência renal de novo aparecimento com diálise no momento da alta hospitalar ou no dia 28, o que ocorresse primeiro. Os resultados secundários incluíram transfusão de células vermelhas e outros desfechos clínicos. O resultado primário ocorreu em 11,4% dos pacientes no grupo limiar-restritivo, em comparação com 12,5% do grupo de limiar-liberal (diferença de risco absoluto -1,11 pontos percentuais, 95% intervalo de confiança [IC] - 2,93 a 0,72; odds ratio 0,90; IC 95% 0,76 a 1,07; P <0,001 para não-inferioridade). A mortalidade foi de 3,0% no grupo limiar-restritivo e 3,6% no grupo limiar-liberal (odds ratio 0,85; IC 95% 0,62 a 1,16). A transfusão de células vermelhas ocorreu em 52,3% dos pacientes no grupo limiarrestritivo, em comparação com 72,6% do grupo de limiar-liberal (odds ratio 0,41; IC 95% 0,37 a 0,47). Não houve diferenças significativas entre os grupos em relação aos outros resultados secundários. Para os autores, em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca, com risco de morte moderado a alto, uma estratégia restritiva em relação à transfusão de células vermelhas não foi inferior a uma estratégia liberal em relação ao resultado composto de morte por qualquer causa, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou nova insuficiência renal com diálise, com menos sangue transfundido. Autores: Mazer CD, Whitlock RP, Fergusson DA, Hall J, Belley-Cote E, Connolly K, Khanykin B, Gregory AJ, de Médicis É, McGuinness S, Royse A, Carrier FM, Young PJ, Villar JC, Grocott HP, Seeberger MD, Fremes S, Lellouche F, Syed S, Byrne K, Bagshaw SM, Hwang NC, Mehta C, Painter TW, Royse C, Verma S, Hare GMT, Cohen A, Thorpe KE, Jüni P, Shehata N; TRICS Investigators and Perioperative Anesthesia Clinical Trials Group.

Próteses mecânicas ou biológicas para substituição de válvula aórtica e válvula mitral

02/03/2018 | Fonte: N Engl J Med. 2017 Nov 9;377(19):1847-1857

Em pacientes submetidos substituição de válvula aórtica ou mitral são utilizadas próteses mecânicas ou biológicas. As próteses biológicas têm sido cada vez mais favorecidas apesar das evidências limitadas que apoiam esta prática. O objetivo deste trabalho, publicado no The New England Journal of Medicine, foi comparar a mortalidade a longo prazo e as taxas de reoperação, acidente vascular cerebral e sangramento. Esta comparação foi realizada entre coortes ponderadas de probabilidade inversa de pacientes submetidos a reposição valvar aórtica ou substituição valvar mitral primárias com prótese mecânica ou biológica na Califórnia no período de 1996 a 2013. Os pacientes foram estratificados em diferentes faixas etárias com base na posição valvar (válvula aórtica vs. mitral). De 1996 a 2013 o uso de próteses biológicas aumentou substancialmente, para a substituição de válvula aórtica e mitral, de 11,5% para 51,6% para válvula aórtica e de 16,8% para 53,7% para válvula mitral. Entre os pacientes submetidos à reposição da valva aórtica, o uso de prótese biológica foi associado à mortalidade significativamente maior dentro de 15 anos do que com o uso de prótese mecânica entre os pacientes de 45 a 54 anos de idade (30,6% contra 26,4% aos 15 anos, razão de risco 1,23; intervalo de confiança de 95% [IC] 1,02 a 1,48; P = 0,03), mas não entre os pacientes de 55 a 64 anos de idade. Entre os pacientes submetidos à reposição da valva mitral, o uso de prótese biológica foi associado à mortalidade significativamente maior do que com prótese mecânica em pacientes com 40 a 49 anos de idade (44,1% vs. 27,1%, razão de risco 1,88; IC 95% 1,35 a 2,63; P <0,001) e entre os 50 aos 69 anos de idade (50,0% vs. 45,3%, razão de risco 1,16; IC 95%, 1,04 a 1,30; P = 0,01). A incidência de reoperação foi significativamente maior entre os receptores de prótese biológica do que entre os receptores de prótese mecânica. Os pacientes que receberam válvulas mecânicas apresentaram maior incidência cumulativa de sangramento e, em alguns grupos etários, acidente vascular cerebral do que os receptores de prótese biológica. Para os autores, conclui-se que o benefício associado à mortalidade a longo prazo relacionado à prótese mecânica, em comparação com uma prótese biológica, persistiu até os 70 anos de idade entre pacientes submetidos à reposição da valva mitral, e até os 55 anos de idade entre aqueles submetidos à reposição da valva aórtica. Autores: Goldstone AB, Chiu P, Baiocchi M, Lingala B, Patrick WL, Fischbein MP, Woo YJ.

SERCA2a: Um biomarcador não invasivo potencial da rejeição de aloenxertos cardíacos

02/03/2018 | Fonte: J Heart Lung Transplant. 2017 Dec;36(12):1322-1328.

A identificação da rejeição do transplante cardíaco por métodos não invasivos ainda é um grande desafio na prática clínica. Apesar da conhecida importância do estudo do Ca2+-ATPase do retículo sarcoplasmático (SERCA2a) no coração, seu papel como marcador de rejeição ainda não é conhecido. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Heart and Lung Transplantation, foi investigar se o nível circulante de SERCA2a poderia ser um bom marcador de rejeição cardíaca. Para a realização deste estudo os autores realizaram 127 biópsias endomiocardiais (EMB) consecutivas e coletaram amostras de soro de receptores adultos de transplante cardíaco (49 sem rejeição de aloenxertos e 78 com diagnóstico por biópsia de rejeição de aloenxertos, incluindo 48 de grau 1R, 21 de grau 2R e 9 de grau 3R). As concentrações séricas de SERCA2a foram determinadas por ensaio imunoenzimático ELISA (enzyme-linked immunosorbent assay). Também foram analisadas as alterações de expressão de SERCA2a em EMB por imunofluorescência. Os resultados mostraram que os níveis de SERCA2a no soro e no tecido cardíaco estavam diminuídos em pacientes com rejeição cardíaca (p <0,0001). Uma análise da curva ROC (receiver operating characteristic) revelou que o SERCA2a conseguiu discriminar fortemente os pacientes com e sem rejeição de aloenxertos: enxertos normais versus todos os enxertos rejeitados (AUC = 0,804); enxertos normais vs grau 1R (AUC = 0,751); enxertos normais vs grau 2R (AUC = 0,875); enxertos normais vs grau 3R (AUC = 0,922); enxertos normais vs grau 2R e 3R (AUC = 0,889), com p <0,0001 para todas as comparações. Os pesquisadores concluíram que as alterações de SERCA2a no tecido cardíaco e no soro ocorrem na rejeição do aloenxerto cardíaco. Segundo os autores, a avaliação da concentração de SERCA2a pode ser um teste não invasivo relativamente simples para a rejeição do transplante cardíaco, mostrando uma forte capacidade de detecção que melhora progressivamente à medida que os graus de rejeição aumentam. Autores: Tarazón E, Ortega A, Gil-Cayuela C, Sánchez-Lacuesta E, Marín P, Lago F, González-Juanatey JR, Martínez-Dolz L, Portolés M, Rivera M, Roselló-Lletí E.

Preditores da Indicação de Coronariografia Pós-Cintilografia Miocárdica de Perfusão

02/03/2018 | Fonte: Int. J. Cardiovasc. Sci. [online]. 2017, vol.30, n.6, pp.504-509.

Pacientes coronariopatas portadores de disfunção ventricular esquerda apresentam maior mortalidade e por isso são os maiores beneficiados de procedimento de revascularização miocárdica. Estudos anteriores demonstraram que a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) é um determinante negativo para realização de cateterismo cardíaco (CAT) após a realização de cintilografia miocárdica de perfusão (CMP). O objetivo deste estudo, publicado no International Journal of Cardiovascular Sciences, foi determinar os fatores clínicos e cintilográficos associados à indicação de cateterismo cardíaco em pacientes submetidos a CMP. População: Pacientes consecutivamente submetidos a CMP no período de março de 2008 a dezembro de 2012. Todos os pacientes submetidos a CMP durante o estudo foram cadastrados num banco de dados, onde foram registrados os dados epidemiológicos, clínicos e cintilográficos (escores de perfusão e FEVE). Pacientes ou seus médicos assistentes foram contatados semestralmente por telefone para acompanhamento. Para análise estatística, foram realizadas análise univariada e selecionadas as variáveis para a inclusão em um modelo de regressão logística. Foram submetidos a CMP 5536 pacientes, dos quais 643 realizaram CAT após o exame. Este grupo apresenta maior prevalência do sexo masculino, hipertensos, dislipidêmicos e revascularizados previamente. Os pacientes submetidos ao CAT têm angina com mais frequência, escores de isquemia mais extensos e menor FEVE. Apenas a presença de angina (IC 95% 1,2 - 1,7; p < 0,001) e a extensão de isquemia (IC 95% 1,2 - 1,3; p < 0,001) se mostraram variáveis independentes para indicação de CAT. Os pesquisadores concluíram que a presença de angina e a extensão de isquemia foram os principais preditores para indicação de CAT pós-CMP enquanto a FEVE menor não foi um preditor independente. Autores: Mesquita, Fernanda de Oliveira et al.

Resultado em longo prazo da remodelação da raiz aórtica em pacientes com e sem dissecção aórtica aguda

02/03/2018 | Fonte: Circ J. 2017 Nov 24;81(12):1824-1831.

A preservação cirúrgica da valva aórtica é cada vez mais utilizada na dissecção aórtica aguda tipo A (AADA). O objetivo deste estudo, publicado no Circulation Journal, foi comparar os resultados em longo prazo da remodelação da raiz aórtica (remodelação) para pacientes com e sem AADA. Neste estudo, cerca de 776 pacientes foram submetidos à reposição de raiz com preservação valvar entre outubro de 1995 e dezembro de 2013. Do total de pacientes avaliados, cerca de 59 com AADA (<2 semanas após o início, 56 ± 16 anos, 48 homens) foram submetidos à remodelação (grupo de remodelação); 7 tinham anatomia bicúspide (12%), 3 tinham síndrome de Marfan (5%) e 1 tinha sido submetido à cirurgia cardíaca prévia (2%). Para esta análise, o grupo controle de pacientes submetidos à remodelação para aneurisma estável (n = 59) foi gerado utilizando uma correspondência de propensão. Os resultados em longo prazo sobre a sobrevivência e a reoperação na valva aórtica foram comparados entre os dois grupos. Segundo os pesquisadores, as características pré e intraoperatórios dos pacientes foram comparáveis entre os grupos. Os resultados mostraram que a morte precoce foi de 7% no grupo AADA e de 3% no grupo controle (P = 0,40). A sobrevivência atuarial aos 10 anos do grupo AADA (72 ± 6%) foi insignificantemente inferior à do grupo controle (83 ± 5%) (P = 0,16). Não houve diferença entre os grupos para o tempo (10 anos) livre de reoperação (grupo AADA: 98 ± 2%, grupo controle: 97 ± 3%, P = 0,99). O modelo de risco proporcional de Cox multivariável não conseguiu identificar um preditor independente para reoperação tardia, além da idade avançada para a morte tardia. Autores: Kunihara T, Neumann N, Kriechbaum SD, Nomura R, Schäfers HJ.

Incidência de hipotensão ortostática e resposta cardiovascular à mobilização pósoperatória precoce em pacientes submetidos à cirurgia cardiotorácica e abdominal

02/03/2018 | Fonte: BMC Surg. 2017 Nov 28;17(1):111.

Na cirurgia cardiotorácica e abdominal, as complicações pós-operatórias ainda representam problemas clínicos importantes. Por outro lado, a mobilização precoce tem sido amplamente praticada e é um componente relevante na prevenção de complicações, incluindo hipotensão ortostática durante o controle pós-operatório. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no BMC Surgery, foi verificar a resposta cardiovascular durante a mobilização precoce e a incidência de hipotensão ortostática após a cirurgia cardiotorácica e abdominal. Trata-se de um estudo observacional prospectivo, em que foram analisados dados consecutivos de 495 pacientes submetidos à cirurgia cardiotorácica e abdominal eletiva. Foi investigada a incidência de hipotensão ortostática e os fatores de risco independentes associados durante a mobilização precoce após cirurgia maior. Foi utilizada uma regressão logística multivariada tendo como base várias características dos pacientes para identificar fatores independentes relacionados à hipotensão ortostática. A hipotensão ortostática foi observada em 191 (39%) de 495 pacientes. A incidência de hipotensão ortostática nos grupos cardíaco, torácico e abdominal foi de 39 (33%) de 119, 95 (46%) de 208 e 57 (34%) de 168 pacientes, respectivamente. Os resultados da análise multivariada revelaram que o sexo masculino (OR 1,538; p = 0,03) e a anestesia peridural (OR 2,906; p <0,001) foram independentemente associados com a hipotensão ortostática. Os pesquisadores concluíram que cerca de 40% dos pacientes experimentam hipotensão ortostática durante a mobilização precoce após cirurgia cardiotorácica e abdominal. Segundo os autores, o sexo foi identificado como um fator independente para hipotensão ortostática durante a mobilização precoce após os três tipos de cirurgias, enquanto a anestesia peridural só foi identificada após a cirurgia torácica. Os autores destacam, portanto, que a ocorrência frequente de hipotensão ortostática durante a mobilização pós-operatória precoce deve ser reconhecida. Autores: Hanada M, Tawara Y, Miyazaki T, Sato S, Morimoto Y, Oikawa M, Niwa H, Eishi K, Nagayasu T, Eguchi S, Kozu R.

Taxa de resultados indeterminados de ensaio de liberação de interferon-gama entre pessoas infectadas pelo HIV

01/03/2018 | Fonte: Fonte: J. bras. pneumol. [online]. 2017, vol.43, n.3, pp.215-218

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, foi avaliar a frequência de resultados indeterminados de um interferon-gamma release assay (IGRA, ensaio de liberação de interferon-gama) e os fatores relacionados com esses resultados em pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA). Foram avaliadas 81 PVHA na região Centro-Oeste do Brasil, por meio do teste tuberculínico e de um IGRA. Informações a respeito de variáveis sociodemográficas e clínicas foram obtidas por meio de questionários e prontuários médicos. A relação entre essas variáveis e os resultados indeterminados foi avaliada por meio do cálculo da OR ajustada em um modelo de regressão logística multivariada. A concordância foi avaliada por meio do coeficiente kappa. Os resultados do teste tuberculínico e do IGRA foram positivos em 18 (22,2%) e 10 (12,3%), respectivamente, dos 81 pacientes avaliados (? = 0,62). O resultado do IGRA foi indeterminado em 22 (27,1%) dos pacientes (IC95%: 17,8-38,1%). A chance de resultados indeterminados foi significativamente maior em fumantes (OR ajustada = 6,0; IC95%: 1,4-26,7) e em amostras armazenadas durante menos de 35 dias (OR ajustada = 14,0; IC95%: 3,1-64,2). Pacientes com imunossupressão avançada (contagem de células T CD4+ < 200 células/mm3) apresentaram maior risco de resultados indeterminados (OR ajustada para tabagismo e tempo inadequado de armazenamento das amostras = 4,7; IC95%: 0,91-24,0), embora a diferença não tenha sido significativa. Os pesquisadores concluíram que a alta prevalência de resultados indeterminados pode ser um grande obstáculo ao uso rotineiro de IGRAs em PVHA. A necessidade de repetir o teste aumenta seu custo e deve ser levada em conta em estudos da relação entre custo e eficácia. O processamento das amostras pode alterar significativamente os resultados. Autores: Oliveira, Sandra Maria do Valle Leone de et al.

Infecções virais em alergia e imunologia: como a inflamação alérgica influencia infecções e doenças virais

01/03/2018 | Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Oct;140(4):909-920.

As infecções virais do trato respiratório estão normalmente associadas ao começo da asma no início da vida, bem como às exacerbações de asma em crianças e adultos mais velhos. Apesar de ainda haver pouco entendimento a respeito da influência viral no início da asma, muitos estudos tiveram como foco a compreensão da resposta do hospedeiro aos vírus respiratórios, e como os vírus podem promover a infecção ou ainda, como a resposta do hospedeiro é afetada pela subsequente sensibilização e exposição ao alérgeno. Esta revisão, publicada no Journal of Allergy and Clinical Immunology, centra-se na resposta inata do hospedeiro mediada por interferon aos vírus respiratórios, bem como discute e sintetiza a evidência disponível de que esta resposta é prejudicada ou subótima. Os autores também discutem a capacidade dos vírus respiratórios de atuar de forma sinérgica ou aditiva em vias TH2. Segundo os autores, esses 2 resultados provavelmente estão ligados e apontam a evidência disponível que demonstra uma regulação negativa recíproca entre interferons inatos e mediadores de TH2. Tendo em vista o interesse renovado nos produtos biológicos anti-TH2, os autores também propõem um racional teórico sob o qual tais produtos são particularmente bem sucedidos no controle de exacerbações de asma, bem como sugerem formas pelas quais futuros estudos clínicos poderiam ser usados para encontrar evidências diretas para essa hipótese. Autores: Edwards MR, Strong K, Cameron A, Walton RP, Jackson DJ, Johnston SL.

Impacto da UVA no prurido durante a fototerapia UVA/B para doenças inflamatórias da pele: estudo duplo-cego randomizado

01/03/2018 | Fonte: J Eur Acad Dermatol Venereol. 2017 Jul;31(7):1208-1213.

Estudos demonstram eficácia da fototerapia UVB (UVB be) com banda estreita (TL-01) no tratamento de doença inflamatória da pele. Entretanto, a adição de UVA é tradicionalmente aplicada com o intuito de reduzir o prurido, mas ainda não há evidências conclusivas desta recomendação. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, foi investigar o efeito da fototerapia UVB be isolada ou em combinação com UVA no prurido, na atividade da doença e na qualidade de vida. Trata-se de um ensaio clínico randomizado e duplo-cego que avaliou 53 pacientes com doenças inflamatórias da pele e prurido pronunciado (escala visual analógica (VAS) para prurido = 5). Os pacientes foram randomizados em dois grupos de tratamento, sendo que um grupo recebeu apenas a fototerapia UVB be (311 nm) e o outro grupo recebeu uma combinação de fototerapia UVB be e UVA (320-400 nm). A terapia UV foi realizada três vezes por semana durante 16 semanas. O Prurido (VAS and 5-D itch score), a atividade da doença e a qualidade de vida (Dermatology Life Quality Index, DLQI) foram avaliados no início e nas semanas 4, 8, 12 e 16. Os resultados mostraram que em ambos os grupos de tratamento houve redução nos escores de prurido, atividade da doença e no DLQI. Não houve diferença no índice de prurido, atividade da doença e qualidade de vida entre o grupo que recebeu apenas UVB be e aqueles que receberam UVB be combinado com UVA. Os pesquisadores concluíram que a fototerapia apenas com UVB be e UVB be combinada com UVA são igualmente eficazes no tratamento da doença inflamatória da pele e indiferentes na redução do prurido associado à doença. Os autores destacam, ainda, que tendo em vista a não inferioridade para a monoterapia com UVB be, a recomendação de adicionar UVA à fototerapia UVB be para doença de pele inflamatória pruriginosa deve ser abandonada. Autores: Maul JT, Kretschmer L, Anzengruber F, Pink A, Murer C, French LE, Hofbauer GF, Navarini AA.

Invasão perineural clínica e incidental de carcinoma cutâneo de células escamosas: uma revisão sistemática e análise comum de dados de resultados

01/03/2018 | Fonte: JAMA Dermatol. 2017 Aug 1;153(8):781-788.

Estudos demonstram risco aumentado de resultados desfavoráveis associados à invasão perineural (PNI) no carcinoma cutâneo de células escamosas (CSCC). Embora pacientes com PNI possam apresentar sintomas clínicos e/ou evidências radiológicas de PNI (PNI clínico [CPNI]), a maioria dos pacientes é assintomática, de modo que a PNI é frequentemente encontrada no exame histológico (PNI incidental [IPNI]). Nesse sentido, ainda são limitadas as informações a respeito das estimativas com base em evidências dos riscos de resultados relacionados a doenças, que comparam IPNI e CPNI. O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Dermatology, foi revisar e sintetizar os dados de resultados para pacientes com CSCC e CPNI ou IPNI. Foi realizada uma revisão sistemática com buscas nas bases de dados MEDLINE e EMBASE para artigos de língua inglesa publicados até 11 de novembro de 2016. Foram incluídos todos os estudos que relataram um resultado relacionado à doença (recidiva local, metástase nodal, metástase à distância ou morte específica da doença) de CSCC com CPNI e IPNI. Os estudos foram incluídos de acordo com os critérios de elegibilidade e todas as discrepâncias possíveis nesta triagem foram resolvidas. Dentre os dados extraídos, incluem-se: características do tumor, tratamentos realizados e resultados relacionados a doenças. Os riscos globais de resultados relacionados à doença foram gerados pela associação de pacientes de estudos elegíveis. Foram utilizados estatística ?2 e testes exatos de Fisher para avaliar as diferenças nos resultados relacionados à doença. Foram considerados como principais achados os riscos de resultados relacionados à doença e 5 anos sem recidiva, doença específica e sobrevivência global. Foram incluídos na revisão e análise sistemática cerca de 12 estudos, contendo 241 pacientes com CPNI e 381 pacientes com IPNI. Os resultados mostraram riscos globais significativamente maiores de recidiva local e morte específica da doença em pacientes com CSCC e CPNI em comparação àqueles com CSCC e IPNI (recidiva local, 37% vs 17%; P <0,001; morte específica da doença, 27% vs 6%; P <0,001). Não houve diferença para os riscos de metástase nodal e metástase à distância com base na classificação PNI. Pacientes com CSCC e CPNI tiveram piores resultados de sobrevivência média de 5 anos livre de recidiva e sobrevivência específica da doença, em comparação com pacientes com IPNI (sobrevivência sem recidiva, 61% vs 76%, P = 0,009, sobrevivência específica da doença, 70% vs 88%; P = 0,002). Os pesquisadores concluíram que pacientes com CSCC e CPNI estão em maior risco de recidiva local e morte específica da doença em comparação com pacientes com CSCC e IPNI, além do risco de morte de 30%. Os autores destacam ainda, que pacientes com PNI podem se beneficiar de uma maior vigilância em longo prazo, e que são necessários mais estudos para estabelecer diretrizes padronizadas sobre acompanhamento e vigilância dermatológica nesta população de pacientes de alto risco. Autores: Karia PS, Morgan FC, Ruiz ES, Schmults CD.

Distúrbios da tireoide em pacientes com artrite reumatoide recém-diagnosticada estão associados a uma resposta de tratamento inicial fraca avaliada pelo índice de atividade da doença DAS28-CRP (disease activity score in 28 joints-C-reactive protein): estudo de coorte observacional

01/03/2018 | Fonte: Medicine (Baltimore). 2017 Oct;96(43):e8357

O objetivo deste estudo, publicado no Medicine, foi investigar a prevalência de distúrbios da tireoide entre os pacientes recentemente diagnosticados com artrite reumatoide (AR) e avaliar a associação entre as características clínicas da AR com distúrbios da tireoide. Também foi objetivo dos autores avaliar a resposta inicial do tratamento nos pacientes com AR e distúrbios da tireoide. Foram incluídos desde 01 de janeiro de 2010 os pacientes adultos recémdiagnosticados com AR de acordo com os critérios do American College of Rheumatology/European League Against Rheumatism de 2010. Foram extraídas do Danish Danbio Registry as seguintes informações: dados demográficos dos pacientes, resultados sorológicos, incluindo imunoglobulina M para fator reumatoide (IgM RF), anticorpo anti-CCP (peptídeo citrulinado cíclico) e anticorpo antinuclear (ANA), além do índice de atividade da doença pelo DAS28-CRP (disease activity score in 28 jointsC-reactive protein). Os dados foram avaliados no momento do diagnóstico e após 4 meses (± 1-2 meses) do início do tratamento. Os registros eletrônicos hospitalares dos pacientes dos últimos 10 anos também foram revisados para identificar possíveis diagnósticos para distúrbios da tireoide ou teste anormal para tiroide. Foram incluídos um total de 439 pacientes com idade média de 64,6 ± 15,0 anos e duração da doença de 2,6 ± 1,7 anos, sendo 60,1% mulheres. A prevalência de distúrbios da tireoide foi de 69/439 (15,7%), sendo hipotireoidismo o transtorno mais frequente (30,4%). A presença de distúrbios da tireoide entre os pacientes com AR foi significativamente associada ao sexo feminino (P <0,001), positividade para ANA (P = 0,04) e anti-CCP =100 EU/mL (P = 0,05). Os resultados também mostraram que pacientes com AR e distúrbios da tireoide apresentaram resposta inicial significativamente menor ao tratamento para AR, em comparação com pacientes diagnosticados apenas com AR após 4 meses de tratamento (P = 0,02). Não foram observadas associações entre distúrbios da tireoide e idade, duração da doença ou positividade para IgM RF. Os pesquisadores concluíram que a presença de distúrbios da tireoide em pacientes com AR é sugestiva de uma doença mais agressiva e piores desfechos, com efeito direto na resposta inicial do tratamento. Segundo os autores, para diagnosticar distúrbios simultâneos da tireoide em estágio precoce, recomenda-se a dosagem sérica rotineira do hormônio estimulante da tiroide em todos os pacientes com AR no momento do diagnóstico, seguida de avaliações anuais. Autores: Emamifar A, Hangaard J, Jensen Hansen IM.

Respostas anômalas de IgA à microbiota intestinal durante a infância precedem o desenvolvimento de asma e alergia

13/03/2018 | Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Mar;139(3):1017-1025.e14

Embora uma diversidade reduzida na microbiota intestinal e níveis baixos de IgA total da mucosa na infância tenham sido associadas ao desenvolvimento de alergias, as respostas de IgA à microbiota intestinal ainda não foram estudadas. Este estudo, publicado no The Journal of Allergy and Clinical Immunology, buscou determinar as proporções de revestimento de IgA juntamente com a caracterização da bactéria dominante, ligadas a IgA ou não, em amostras de fezes infantis e sua relação com o desenvolvimento de alergia. Uma combinação entre a classificação de células por citometria de fluxo e o sequenciamento profundo do gene rDNA 16S foi utilizada para caracterizar os padrões de reconhecimento bacteriano por IgA em amostras de fezes coletadas aos 1 e 12 meses de idade de crianças saudáveis ou com sintomas alérgicos até os 7 anos de idade. As crianças com manifestações alérgicas, particularmente a asma, durante a infância apresentaram uma menor proporção de IgA ligada às bactérias fecais aos 12 meses de idade em comparação com crianças saudáveis. Essas alterações não foram atribuídas a diferenças nos níveis de IgA ou a carga bacteriana entre os 2 grupos. Além disso, os alvos bacterianos das primeiras respostas de IgA (incluindo o revestimento do gênero Bacteroides), bem como os padrões de reconhecimento de IgA, diferiram entre crianças saudáveis e crianças com manifestações alérgicas. Os padrões de reconhecimento de IgA alterados em crianças com alergia foram observados já no primeiro mês de idade, quando os anticorpos IgA são predominantemente maternos em crianças amamentadas. Para os autores, uma resposta anômala de IgA à microbiota intestinal durante a infância precede o desenvolvimento de asma e alergia, possivelmente indicando uma mucosa com função de barreira prejudicada em crianças alérgicas. Autores: Dzidic M, Abrahamsson TR, Artacho A, Björkstén B, Collado MC, Mira A, Jenmalm MC.

Aumento da imunidade cutânea durante o envelhecimento a traves do bloqueio da inflamação induzida por MAP Quinase

01/03/2018 | Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Nov 16. pii: S0091-6749(17)31766-9

A imunidade diminui com a idade, o que leva à reativação do vírus da varicela zoster (VVZ). Nos seres humanos, as alterações imunológicas associadas à idade são geralmente medidas pelos leucócitos sanguíneos, porém isso pode não refletir alterações na imunidade específica de tecido. Para este estudo, publicado no The Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi utilizado um sistema de desafio antigênico para VVZ na pele com a finalidade de investigar mudanças nos mecanismos específicos nos tecidos envolvidos na diminuição da resposta a este vírus durante o envelhecimento. Foi avaliada a imunidade cutânea pela extensão do eritema e induração após a injeção intradérmica do antígeno do VVZ. Também foram realizadas análises imunológicas e análises de transcriptomas em biópsias cutâneas retiradas do local de desafio antigênico em indivíduos jovens (<40 anos) e idosos (> 65 anos). Os idosos exibiram uma diminuição do eritema e induração, de infiltração de células T CD4+ e CD8 + e ativação genética global atenuada, no local do desafio do antígeno do VVZ cutâneo em comparação com indivíduos jovens. Isso foi associado à inflamação estéril elevada na pele nos mesmos indivíduos, relacionada à produção de citocinas pró-inflamatórias vinculadas à MAPK p38 (p <0,0007). Foi inibida a inflamação sistêmica em indivíduos idosos com pré-tratamento com um inibidor de quinase MAP p38 (Losmapimod), o que reduziu a proteína reativa sérica e a secreção por monócitos em sangue periférico de IL-6 e TNF-a. Em contraste, as respostas cutâneas ao desafio antigênico VVZ aumentaram significativamente nos mesmos indivíduos (p <0,0006). Os autores concluíram que a inflamação excessiva na pele logo após o desafio antigênico retarda a imunidade específica do antígeno. No entanto, isso pode ser revertido pela inibição da produção de citocinas inflamatórias que podem ser utilizadas para promover a eficácia da vacina e o tratamento de infecções e malignidades durante o envelhecimento. Autores: Vukmanovic-Stejic M, Chambers ES, Farinas MS, Sandhu D, FuentesDuculan J, Patel N, Agius E, Lacy KE, Turner CT, Larbi A, Birault V, Noursadeghi M, Mabbott NA, Rustin MHA, Krueger J, Akbar AN.

Identificação de subgrupos de dermatite atópica em crianças de duas coortes longitudinais de nascimento

01/03/2018 | Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Nov 9. pii: S0091-6749(17)31739-6

A dermatite atópica (DA) é uma doença prevalente com história natural variável. Os estudos longitudinais de coortes de nascimentos proporcionam uma oportunidade para definir subgrupos com base em trajetórias de doenças, que podem representar diferentes mecanismos patogênicos genéticos e ambientais. Este estudo, publicado no The Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi investigar a existência de diferentes fenótipos de DA e testar se estes resultados são reprodutíveis em duas coortes independentes. A presença de DA foi examinada em dois estudos de coorte de nascimento, incluindo 9.894 crianças do Reino Unido (ALSPAC) e 3.652 da Holanda (PIAMA). A DA foi definida pelo relatório parental de erupção cutânea típica e/ou flexural. Uma análise longitudinal de classe foi utilizada para investigar padrões de DA desde o nascimento até a idade de 11 a 16 anos. Foram investigadas associações com fatores de risco conhecidos, incluindo mutações nulas (null mutation) FLG, outras 23 variantes de risco genético de DA estabelecidas e comorbidade atópica. Foram identificadas seis classes latentes, representando subfenótipos de DA, com coerência notável entre as duas coortes. A classe mais prevalente foi a de início precoce com resolução precoce da DA, que foi associada ao gênero masculino. Foram identificadas duas classes de doença persistente (de início precoce e persistente e de início precoce com resolução tardia) e estes foram mais fortemente associados ao score de risco genético de DA, bem como a história pessoal e parental de doença atópica. Uma classe ainda não reconhecida de DA de resolução de início médio, não associada a mutações FLG, mas fortemente associada à asma, foi identificada. Os autores concluíram que seis classes baseadas em trajetórias temporais de erupção cutânea foram consistentemente identificadas em duas coortes populacionais. Os diferentes perfis de fatores de risco e prognósticos diversos demonstram a importância potencial de uma abordagem de medicamentos estratificados para DA. Definiram como implicação clínica que a dermatite atópica varia de uma condição transitória para morbidade ao longo da vida. Este estudo identificou distintos subfenótipos de dermatite atópica em crianças, o que poderia indicar a importância de uma abordagem estratificada para o manejo dessa doença complexa. Palavras-chave: Subgrupos; dermatite atópica; crianças Autores: Paternoster L, Savenije OEM, Heron J, Evans DM, Vonk JM, Brunekreef B, Wijga AH, Henderson AJ, Koppelman GH, Brown SJ.

A especificidade de alérgenos do consumo precoce de amendoim e o impacto no desenvolvimento de doenças alérgicas na coorte do estudo LEAP

01/03/2018 | Fonte: Fonte: J Allergy Clin Immunol. 2017 Oct 30. pii: S0091-6749(17)31664-0

Resultados do estudo LEAP demonstraram que a introdução precoce de amendoim dietético em crianças de alto risco com eczema grave e/ou alergia ao ovo foi capaz de prevenir a alergia ao amendoim aos 5 anos de idade. A persistência deste efeito protetor foi também observada após 12 meses de restrição ao amendoim no estudo LEAP-On. Contudo, ainda não está claro se este benefício é particular ao alérgeno ou específico da doença alérgica. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, foi investigar o impacto da introdução precoce de amendoim no desenvolvimento de doenças alérgicas, sensibilização alimentar e sensibilização a aeroalérgenos. Foram realizadas avaliações clínicas para o diagnóstico de asma, eczema e rinoconjuntivite, e as reações alérgicas notificada. O consumo de frutos secos oleaginosos (amêndoas, castanhas, nozes, etc) e gergelim foram registrados por questionário. A sensibilização para alimentos e aeroalérgenos foi determinada por testes cutâneos e medidas específicas de IgE. Os resultados mostraram uma carga elevada e crescente de alimentos e sensibilização aeroalérgicas e doenças alérgicas em todos os pontos de avaliação ao longo do estudo, sendo que 76% dos participantes da coorte LEAP tinham pelo menos uma doença alérgica aos 60 meses de idade. Não houve diferenças na doença alérgica entre os grupos LEAP. No entanto, houve pequenas diferenças na sensibilização e reações alérgicas relatadas para frutos secos oleaginosos selecionados, sendo que os níveis foram maiores no grupo de consumo LEAP. A resolução significativa de eczema e sensibilização para ovos e leite ocorreu nos participantes da LEAP, não sendo, entretanto, afetado pelo consumo de amendoim. Os pesquisadores concluíram que o consumo precoce de amendoim em lactentes com alto risco de alergia a amendoim é alérgeno-específico e não previne o desenvolvimento de outras doenças alérgicas, sensibilização para outros alimentos e aeroalérgenos, ou reações alérgicas relatadas a frutos secos e gergelim. Os autores destacam, ainda, que o consumo de amendoim não acelera a resolução de eczema ou alergia a ovos. Autores: du Toit G, Sayre PH, Roberts G et al.

Tradução e adaptação cultural de um instrumento específico para medir o controle e estado da asma: Asthma Control and Communication Instrument

01/03/2018 | Fonte: Fonte: J. bras. pneumol. [online]. 2017, vol.43, n.4, pp.264-269

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, foi traduzir e adaptar culturalmente para a língua portuguesa falada no Brasil um instrumento que avalia a comunicação e o controle da asma, denominado Asthma Control and Communication Instrument (ACCI). O ACCI foi traduzido e adaptado culturalmente com um protocolo que incluiu etapas internacionalmente aceitas: autorização e cessão de direitos de uso do ACCI de seu idealizador; tradução do ACCI da língua inglesa para a língua portuguesa; reconciliação; retradução; revisão e harmonização da retradução; aprovação do idealizador do ACCI; revisão da versão em português do ACCI por especialistas; desdobramento cognitivo (teste da clareza, compreensibilidade e aceitabilidade da versão traduzida em uma amostra da população-alvo) e reconciliação para a elaboração da versão final. Na etapa do desdobramento cognitivo, foram entrevistados 41 indivíduos com asma que preencheram os critérios de inclusão. Todos responderam ao ACCI e avaliaram a clareza dos enunciados/questões e, para todos os itens, obteve-se um índice de clareza superior a 0,9, ou seja, todas as questões foram consideradas claras. Os pesquisadores concluíram que a tradução e a adaptação cultural do ACCI para a língua portuguesa falada no Brasil foram bem-sucedidas e mantiveram as propriedades psicométricas do instrumento original. O ACCI pode ser utilizado na prática clínica por ser simples e de fácil compreensão e aplicação. Autores: Tavares, Michelle Gonçalves de Souza et al.

Prescrição de drogas durante o último ano de vida em idosos com diabetes

01/03/2018 | Fonte: Fonte: Age Ageing. 2017 Jan 15;46(1):147-151

Este estudo de coorte populacional, publicado no periódico Age and Ageing, teve por objetivo avaliar a utilização de medicamentos de cuidados primários durante o último ano de vida, com foco em medicamentos antidiabéticos e cardiovasculares, em pacientes com idade avançada com diabetes. Foram considerados os pacientes do Banco de dados de cuidados primários no Reino Unido com diabetes tipo 2 que morreram com mais de 80 anos de idade entre 2011 e 2013. As principais medidas de resultado incluíram proporções de pacientes para quem foram prescritos diferentes tipos de drogas, comparando o primeiro (Q1) e o quarto trimestre (Q4) do último ano de vida. O estudo incluiu 5.324 pacientes, com média de idade de 86 anos e 50% feminino. Três quartos dos pacientes receberam cinco ou mais medicamentos e o número total de medicamentos prescritos foi quase estável em 6,2 ± 3,1 (média ± DP) durante o último ano de vida. Proporções substanciais de pacientes foram tratadas com medicamentos antidiabéticos (78%), medicamentos anti-hipertensivos (76%), estatinas (62%) e doses baixas de aspirina (46%) no primeiro trimestre. A prescrição dessas drogas diminuiu ligeiramente em 3-8% no quarto trimestre. Houve aumentos na prescrição de antiinfecciosos (35% no Q1 a 50% no quarto trimestre), medicamentos para o sistema nervoso (63% a 73%), medicamentos para o sistema respiratório (24% a 33%) e medicamentos hormonais sistêmicos (22 % a 27%). Pode-se concluir que os pacientes de idade avançada com diabetes tipo 2 foram frequentemente tratados com drogas antidiabéticas e cardiovasculares mesmo quando se aproximavam da morte. Mais pesquisas são necessárias para gerar evidências com o fim de orientar a utilização ideal de medicamentos para pessoas idosas com uma expectativa de vida limitada. Autores: Hamada S, Gulliford MC.

Problemas relacionados a medicamentos antimicrobianos em unidade de terapia intensiva neonatal

01/03/2018 | Fonte: Fonte: Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2017, vol.29, n.3, pp.331-336.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva, foi determinar os principais problemas relacionados a medicamentos em neonatos sob uso de antimicrobianos. Foi realizado um estudo observacional, prospectivo e longitudinal. Os problemas relacionados a medicamentos foram classificados de acordo com a versão 6.2 da Pharmaceutical Care Network Europe Foundation. Foi executada análise descritiva, na qual as variáveis clínicas e terapêuticas foram apresentadas por frequências absolutas e relativas, ou por média e desvio padrão, conforme apropriado. Foram incluídos 152 neonatos com predomínio do sexo masculino (58,5%), idade gestacional de 32,7 ± 4,2 semanas e peso de 1.903,1 ± 846,9g. A principal hipótese diagnóstica de infecção foi a sepse precoce (66,5%), detectando-se que 71,7% dos neonatos apresentavam algum fator de risco para infecção. Dentre os neonatos, 33,6% apresentaram pelo menos um problema relacionado a medicamento. Destes, 84,8% estavam relacionados à efetividade do tratamento e 15,2% a reações adversas. A principal causa de problemas relacionados a medicamentos foi a escolha da dose, sobretudo dos aminoglicosídeos e das cefalosporinas. Os pesquisadores concluíram que o uso de antimicrobianos em terapia intensiva neonatal relaciona-se principalmente a problemas relacionados a medicamentos de efetividade, predominando a prescrição de antimicrobianos em subdose, sobretudo os aminoglicosídeos. Autores: Nunes, Bruna Meirelly; Xavier, Tatiana Costa e Martins, Rand Randall.

Tempo de tela, percepção da qualidade de sono e episódios de parassonia em adolescentes

01/03/2018 | Fonte: Fonte: Rev Bras Med Esporte [online]. 2017, vol.23, n.5, pp.375-379.

O sono é um importante componente no processo de desenvolvimento biológico e mental das crianças e dos adolescentes, considerado fonte de revitalização das funções orgânicas. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, foi analisar a associação entre o tipo e tempo de exposição à tela, a percepção da qualidade de sono e os episódios de parassonia em adolescentes. Foi realizado um estudo transversal que incorpora um levantamento epidemiológico de base escolar com amostra representativa (n = 481) de estudantes (14 a 19 anos) do ensino médio da rede pública estadual do município de Caruaru, PE. Para a análise do sono e do estilo de vida, foi utilizada a versão traduzida e adaptada do Global SchoolBased Student Health Survey (GSHS). Recorreu-se à regressão logística binária para análise da associação entre as variáveis, considerando-se como desfecho a percepção negativa da qualidade de sono. A prevalência de percepção negativa da qualidade de sono foi de 58% (IC 95% 53,562,3). Entre os comportamentos analisados, verificou-se que dormir oito horas ou menos por dia e assistir mais de duas horas de TV por dia aumentam, respectivamente, 2,69 (IC 95% 1,61-4,71) e 1,71 (IC 95% 1,08-2,73) as chances de relatar percepção negativa de sono. O tempo excessivo de tela, sobretudo diante da TV, esteve associado à maior quantidade de episódios de parassonia. Os pesquisadores concluíram que a qualidade do sono está relacionada tanto com a quantidade de horas de sono, quanto com o tempo de exposição à TV. Além disso, uma quantidade maior de episódios de parassonia ocorreu entre os adolescentes que assistem mais de três horas de TV por dia. Autores: Silva, Alison Oliveira da; Oliveira, Luciano Machado Ferreira Tenório de; Santos, Marcos André Moura dos e Tassitano, Rafael Miranda

IL-6, TNF-a, IL-10 e estado nutricional em pacientes pediátricos com atresia biliar

01/03/2018 | Fonte: Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.5, pp.517-524.

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi avaliar se há associações entre a IL-6, o TNF-a, a IL-10 e a estado nutricional em pacientes com cirrose secundária a atresia biliar e comparar com controles saudáveis. Os parâmetros usados na avaliação nutricional foram desvio padrão de estatura para a idade e espessura da prega cutânea do tríceps para a idade. A gravidade da cirrose foi avaliada por meio da classificação de Child-Pugh e do PELD/MELD. As citocinas no soro foram medidas por citometria de fluxo – técnica de Cytometric Bead Array. A IL-6, o TNF-a e a IL-10 foram significativamente maiores no grupo de cirrose em comparação com o grupo de controle [2,4 em comparação com 0,24 (p < 0,001)], [0,21 em comparação com 0,14 (p = 0,007)] e [0,65 em comparação com 0,36 (p = 0,004)], respectivamente. A IL-6 e a IL-10 demonstraram correlação positiva com a gravidade da doença (0,450; p = 0,001) e (0,410; p = 0,002), respectivamente. O TNF-a não mostrou relevância na gravidade da doença (0,100; p = 0,478). Com relação à avaliação nutricional, a IL-6 demonstrou correlação negativa com o desvio padrão de estatura para a idade (-0,493; p < 0,001) e o desvio padrão de espessura da prega cutânea do tríceps para a idade (-0,503; p < 0,001), respectivamente. A IL-10 demonstrou correlação negativa com o desvio padrão de estatura para a idade (-0,476; p < 0,001) e o desvio padrão de espessura da prega cutânea do tríceps para a idade (-0,388; p = 0,004), respectivamente. O TNF-a não mostrou relevância em ambos os parâmetros antropométricos [(-0,083; p = 0,555); (-0,161; p = 0,253)]. Os pesquisadores concluíram que em pacientes com cirrose secundária a atresia biliar, a IL-6 pode ser utilizada como um possível biomarcador de suporte do estado nutricional deficiente e níveis aumentados de IL-10 podem ser usados como um possível biomarcador de suporte, em fase inicial, de deterioração do estado nutricional. Autores: Wilasco, Maria Ines de Albuquerque et al.

Curvas de referência de dobras cutâneas e sua utilização na predição do risco de síndrome metabólica em crianças

01/03/2018 | Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.5, pp.490-496

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi desenhar curvas de referência de quatro dobras cutâneas (subescapular, suprailíaca, bíceps, tríceps) e determinar pontos de corte para predizer o risco de SM em crianças de seis a 10 anos. Foi realizado um estudo epidemiológico de base populacional, corte transversal, com amostra probabilística, estratificada por segmento de ensino, com 1.480 crianças de seis a 10 anos idade, 52,2% do sexo feminino, oriundas de escolas públicas e privadas nas zonas urbana e rural do município de Uberaba (MG). Antropometria (dobras cutâneas), pressão arterial e as coletas de sangue em jejum foram feitas em espaço reservado na escola, seguiram protocolos específicos. O método LMS foi usado para desenhar as curvas de referência e análise de curva ROC para determinar a acurácia e os pontos de corte para as dobras cutâneas avaliadas. As quatro DC avaliadas (subescapular, suprailíaca, bíceps e tríceps) e o seu somatório (?4DC) foram acurados na predição da SM para meninas e meninos. Adicionalmente, pontos de corte foram propostos e curvas percentílicas (p5, p10, p25, p50, p75, p90 e p95) foram delineadas para as quatro DC e o ?4DC, para ambos os sexos. Os autores concluíram que as medidas de DC foram acuradas em predizer SM em escolares de seis a 10 anos. As curvas percentílicas de DC desenhadas por idade e sexo fornecem referência na detecção do risco de SM em crianças. Autores: Andaki, Alynne C.R. et al.

Influência da licença-maternidade sobre a amamentação exclusiva

01/03/2018 | Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.5, pp.475-481

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi descrever perfil das mulheres com filhos menores de quatro meses residentes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal segundo situação de trabalho e analisar a influência da licençamaternidade sobre o aleitamento materno exclusivo entre as mulheres trabalhadoras. Foi realizado um estudo transversal com dados extraídos da II Pesquisa Nacional de Prevalência do Aleitamento Materno feita em 2008. Inicialmente foi feita análise descritiva do perfil das 12.794 mulheres participantes do estudo segundo situação de trabalho e de licença-maternidade, bem como a frequência de licença-maternidade nas regiões brasileiras e capitais. Em seguida, para identificar a influência da licençamaternidade na interrupção do AME, fez-se modelo múltiplo, no qual foram incluídas 3.766 mulheres que declararam trabalhar e estar em licença-maternidade no momento da entrevista. O desfecho adotado no estudo foi a interrupção do AME, classificado de acordo com a definição da OMS. Em relação à situação de trabalho, 63,4% das mães entrevistadas no Brasil não trabalhavam fora do lar e dentre as que trabalhavam fora 69,8% usufruíam da licençamaternidade. Verificou-se maior concentração de mulheres que trabalhavam fora entre aquelas com mais de 35 anos, mais de 12 anos de escolaridade, primíparas, das regiões Sudeste e Sul. Não estar em licença-maternidade aumentou em 23% a chance de interrupção do AME. Segundo os pesquisadores, constatou-se que a licença-maternidade contribuiu para aumentar a prevalência do AME nas capitais brasileiras, reforça a importância da ampliação da licença-maternidade para seis meses. Autores: Monteiro, Fernanda R.; Buccini, Gabriela dos S.; Venancio, Sônia I. e Costa, Teresa H.M. da.

Efeito da hipotermia terapêutica iniciada 6 horas após o nascimento sobre a morte ou incapacidade em recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquêmica: um ensaio clínico randomizado

01/03/2018 | Fonte: JAMA. 2017 Oct 24;318(16):1550-1560

Evidências demonstram resultados positivos na redução da morte de lactentes com encefalopatia hipóxico-isquêmica, em gestações iguais ou superiores a 36 semanas, quando o procedimento de hipotermia foi iniciado em período inferior a 6 horas após o nascimento. No entanto, ainda não há estudos investigando os efeitos da hipotermia em recém-nascidos em períodos superiores a 6 horas. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Medical Association, foi verificar a probabilidade, na qual a hipotermia iniciada entre 6 e 24 horas após o nascimento, reduz o risco de morte ou incapacidade em 18 meses em crianças com encefalopatia hipóxico-isquêmica. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, realizado entre abril de 2008 e junho de 2016 em recém-nascidos de gestação de 36 semanas ou mais, apresentando encefalopatia hipoxica-isquêmica moderada ou grave e registradas entre 6 e 24 horas após o nascimento. Este estudo foi realizado em 21 centros da Rede de Pesquisa Neonatal dos EUA. Tendo em vista o tamanho de amostra antecipadamente limitada, as análises bayesianas foram pré-especificadas. Foi realizada uma análise da temperatura esofágica em 168 lactentes. 83 recém-nascidos hipotérmicos foram mantidos a 33,5°C (intervalo aceitável, 33°C-34°C) por 96 horas e reaquecidos posteriormente. Outros 85 bebês não arrefecidos foram mantidos a 37,0°C (intervalo aceitável, 36,5°C-37,3°C). Foi considerado como resultado primário o composto de morte ou incapacidade (moderada ou grave) entre 18 e 22 meses, ajustado para o nível de encefalopatia e idade na randomização. Os bebês hipotérmicos e não arrefecidos apresentaram nascimento a termo (gestação média [desvio-padrão], 39 [2] e 39 [1] semanas, respectivamente), sendo que 47 de 83 (57%) e 55 de 85 (65%) eram do sexo masculino, respectivamente. Ambos os grupos foram acidêmicos ao nascer, predominantemente transferidos para o centro de tratamento com encefalopatia moderada e randomizados a uma média (desvio-padrão) de 16 (5) e 15 (5) horas, para os grupos hipotérmicos e não arrefecidos, respectivamente. O resultado primário ocorreu em 19 dos 78 bebês hipotérmicos (24,4%) e 22 dos 79 bebês não arrefecidos (27,9%) (diferença absoluta, 3,5%, IC 95%, -1% a 17%). A análise bayesiana indicou probabilidade posterior de 76% de morte ou incapacidade reduzida com a hipotermia em relação ao grupo não arrefecido (taxa de risco posterior ajustada, 0,86; intervalo crível de 95%, 0,58-1,29). A probabilidade de que a morte ou a incapacidade em bebês hipotérmicos fosse de pelo menos 1%, 2% ou 3% menor do que nos bebês não arrefecidos foi de 71%, 64% e 56%, respectivamente. Os pesquisadores concluíram que entre os bebês a termo com encefalopatia hipóxico-isquêmica, a hipotermia iniciada entre 6 e 24 horas após o nascimento, em comparação com o não arrefecimento, resultou em uma probabilidade de 76% de redução de morte ou incapacidade e uma probabilidade de 64% de pelo menos 2% menos de morte ou incapacidade entre 18 a 22 meses. Segundo os autores, a hipotermia iniciada entre 6 e 24 horas após o nascimento pode ter benefício, mas ainda há incerteza da sua eficácia. Autores: Laptook AR, Shankaran S, Tyson JE et al.

Imagem corporal na infância: uma revisão integrativa da literatura.

01/03/2018 | Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.3, pp.331-339

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi analisar a literatura científica referente à avaliação da imagem corporal em crianças por meio de uma revisão integrativa da literatura. Foi realizado um cruzamento das palavras-chave “body image” AND “child” nas bases de dados Scopus, Medline e Biblioteca Virtual de Saúde. A pesquisa eletrônica foi feita com base nos estudos publicados de janeiro de 2013 até janeiro de 2016, com o intuito de verificar os mais atuais sobre o tema. Os critérios de exclusão foram: estudos em duplicata; cujos resumos não estivessem disponíveis; não empíricos; que não avaliassem algum componente da imagem corporal; cuja amostra não considerasse a idade alvo da presente pesquisa (crianças de 0 a 12 anos); que considerassem populações clínicas; e estudos não disponíveis na íntegra. Foram identificadas 7.681 referências e, após critérios de exclusão, 33 estudos foram analisados. Os resultados apontaram que as dimensões perceptiva e atitudinal, com foco na insatisfação corporal, têm sido exploradas, sendo avaliadas principalmente por escalas de silhuetas. Programas de intervenção foram desenvolvidos internacionalmente para prevenir o desenvolvimento de imagem corporal negativa em crianças. Segundo os pesquisadores, as pesquisas incluídas na presente revisão avaliaram aspectos específicos da imagem corporal de crianças, especialmente a percepção corporal e a insatisfação corporal. Recomenda-se o desenvolvimento de instrumentos específicos para crianças que busquem avaliar diferentes dimensões da imagem corporal, tendo em vista a promoção do bem-estar psicossocial dos indivíduos ao longo de todo o desenvolvimento humano. Autores: Neves, Clara Mockdece et al.

Qualidade de sono e sua associação com sintomas psicológicos em atletas adolescentes

01/03/2018 | Fonte: Rev. paul. pediatr. [online]. 2017, vol.35, n.3, pp.316-321

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, foi verificar a prevalência de má qualidade de sono e sua associação com características pessoais e sintomas de depressão, ansiedade e estresse em adolescentes atletas amadores. Foram avaliados 309 adolescentes atletas, entre 10 e 19 anos. Para a coleta de dados foram utilizados: questionário estruturado, contendo informações pessoais; Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI); e Escala de Ansiedade, Depressão e Stress de 21 itens (EADS-21). Na análise descritiva foram calculados a média e o desvio padrão das variáveis numéricas e as frequências absolutas e relativas das variáveis categóricas. Para a análise inferencial foram realizados teste t de Student e teste do qui-quadrado, além de regressão de Poisson, sendo calculadas as razões de prevalência (RP) em um intervalo de confiança de 95% (IC95%). A média de idade dos participantes foi de 14,1±2,1, sendo 13,8±2,0 para o grupo de adolescentes com boa qualidade do sono e 15,0±2,1 para o grupo com má qualidade do sono. A má qualidade do sono foi registrada em 28,2% (n=87), a depressão, em 26,9% (n=83) e a ansiedade/estresse, em 40,1% (n=124) da amostra. A má qualidade do sono se associou à faixa etária de 15 a 19 anos (RP 1,24; IC95% 1,14-1,37), a adolescentes com sobrepeso (RP 1,12; IC95% 1,01-1,24) e com sintomas de depressão (RP 1,23; IC95% 1,08-1,40) e de ansiedade/estresse (RP 1,16; IC95% 1,04-1,28). Os pesquisadores concluíram que a presença de sobrepeso e sintomas psicológicos, bem como a idade superior a 15 anos, se mostraram fatores de risco para aumentar a chance da má qualidade do sono em adolescentes atletas. Autores: Gomes, Gabriel Cordeiro et al.

Benefícios precoces de uma fórmula inicial enriquecida com prebioticos e probióticos na microbiota intestinal de bebês saudáveis nascidos de mães HIV +: um ensaio randomizado duplo-cego controlado

01/03/2018 | Fonte: Clin Med Insights Pediatr. 2017 Jan 8;10:119-130

A microbiota intestinal dos bebês é moldada pelo tipo de parto e alimentação. O intestino dos bebês nascidos por parto vaginal e cesariano é colonizado com taxas e espécies bacterianas diferentes, levando a diferenças na composição microbiana intestinal que podem persistir até os 6 meses. Neste ensaio multicêntrico randomizado, controlado, duplo-cego realizado na África do Sul, publicado no periódico Clinical Medicine Insightes: Pediatrics, foi testado o efeito de uma fórmula suplementada com um prebiótico (uma mistura de oligossacarídeos derivados de leite bovino [BMOS] gerados a partir de soro e contendo galacto-oligossacarídeos e oligossacarídeos de leite como 3'- e 6'-sialilactose) e o probiótico Bifidobacterium animalis subsp. Lactis (B. lactis) CNCM I-3446, sobre os níveis de bifidobactéria no intestino de bebês, nascidos por via vaginal ou via cesariana, no início da vida. Além disso, foi avaliada a segurança da nova formulação. Um total de 430 lactentes saudáveis nascidos a termo de mães HIV positivas que optaram por alimentar seu filho desde o nascimento (=3 dias de idade) exclusivamente com fórmula foram randomizados para este estudo multicêntrico de quatro grupos paralelos. Um total de 421 lactentes que tiveram a administração de qualquer fórmula do estudo foram incluídos no conjunto de análise completa. Os dois primeiros grupos consistiram em bebês nascidos por cesariana atribuídos à fórmula de teste (n = 92) (uma fórmula inicial para lactentes [FI] contendo BMOS com uma concentração total de oligossacarídeo de 5,8 ± 1,0 g/100 g de fórmula em pó [8 g/L na fórmula reconstituída] + B. lactis [1 × 107 unidades formadoras de colônias {cfu}/g]) ou uma FI controle (n = 101). O segundo grupo consistia de crianças nascidas por via vaginal randomizadas para as mesmas fórmulas de teste (n = 115) ou controle (n = 113) desde o momento da inscrição até os 6 meses. O resultado primário de eficácia foi a contagem de bifidobactérias fecais aos 10 dias e o resultado primário de segurança foi o ganho de peso diário (g/d) entre 10 dias e 4 meses. Aos 10 dias, a contagem de bifidobactérias fecais foi significativamente maior nas crianças que utilizaram a fórmula de teste do que no grupo controle, nascidas por parto cesariano (log mediano [intervalo]: 9,41 [6,30-10,94] cfu/g versus 6,30 [6,30-10,51] cfu/g; P = 0,002), mas não entre aqueles com parto vaginal (log mediano [intervalo]: 10,06 [5,93-10,77] cfu/g versus 9,85 [6,15-10,79] cfu/g; P = 0,126). O limite inferior do intervalo de confiança de dois lados de 95% na diferença no ganho de peso médio diário entre os grupos de fórmula de teste e controle foi de mais de -3 g/d nos bebês nascidos por via vaginal e cesariana, indicando que o crescimento nos bebês alimentados com fórmulas de teste não foi inferior aos dos lactentes alimentados com fórmula de controle. Aos 10 dias e 4 semanas, o pH fecal dos lactentes alimentados com a fórmula do teste foi significativamente menor do que naquela alimentada com a fórmula de controle, independentemente do modo de parto: para parto vaginal: 4,93 versus 5,59; P <0,001 (10 dias) e 5,01 versus 5,71; P <0,001 (4 semanas); para parto por cesariana: 5,14 versus 5,65, P = 0,009 (10 dias) e 5,06 versus 5,75, P <0,001 (4 semanas). Aos 3 meses, este efeito de acidificação só persistiu entre os bebês nascidos por cesariana. Os pesquisadores concluíram que a FI suplementada com o BMOS prebiótico e o probiótico B. lactis induziram um forte efeito bifidogênico em ambos os modos de parto, mas corrigindo mais explicitamente o baixo nível de bifidobactérias encontrado em bebês nascidos por cesariana. O FI suplementado diminuiu o pH fecal e melhorou a microbiota fecal em bebês nascidos de parto normal e por cesariana. O uso de bifidobactérias como um probiótico, mesmo em lactentes que estão imunologicamente em risco, é seguro e bem tolerado. Palavras-chave: Prebioticos; probióticos; microbiota intestinal; crianças; HIV + Autores: Cooper P, Bolton KD, Velaphi S, de Groot N, Emady-Azar S, Pecquet S, Steenhout P.

Fatores de risco e implicações da dilatação coronariana progressiva em crianças com doença de Kawasaki

01/03/2018 | Fonte: BMC Pediatr. 2017 Jun 6;17(1):139

A doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite sistêmica aguda que ocorre em crianças e pode levar à morbidade cardiovascular e mortalidade. A dilatação coronariana progressiva durante pelo menos 2 meses está associada a pior prognóstico coronariano tardio em pacientes com DK com aneurismas médios ou gigantes. Este estudo, publicado no periódico BMC Pediatrics, aborda os fatores de risco e a ocorrência de dilatação coronariana progressiva em pacientes com DK, mas sem aneurismas médios ou gigantes. Retrospectivamente, foram inscritos 169 pacientes com DK de um centro médico terciário em Taiwan durante 2009-2013. Os registros médicos de todos os pacientes foram revisados. A ecocardiografia foi realizada durante a fase aguda de DK e 3-4 semanas, 6-8 semanas, 6 meses e 12 meses após o início da DK. A dilatação coronariana progressiva foi definida como o aumento progressivo das artérias coronárias em três ecocardiogramas consecutivos. A análise de regressão logística foi conduzida para avaliar os possíveis fatores de risco para aneurismas coronários e dilatação coronariana progressiva. De um total de 169 pacientes com DK, 31 (18,3%) tiveram Z-score coronários máximos = + 2,5 durante a fase aguda, 16 (9,5%, masculino/feminino: 9/7) tiveram aneurismas coronarianos no 1º mês após DK e 5 (3,0%) adequaram-se à definição de dilatação coronariana progressiva. A análise de regressão logística multivariada revelou que um Z-score coronário máximo inicial = + 2,5 [odds ratio (OR): 5,24, intervalo de confiança de 95% (IC): 1,31-21,3, P = 0,020] e hipoalbuminemia (OR: 4,83, 95 % IC: 1,11-20,9, P = 0,035) foram fatores de risco independentes para aneurismas coronários e foram significativamente associados à dilatação coronariana progressiva. No entanto, a associação entre a falta de resposta à imunoglobulina intravenosa e o desenvolvimento de aneurismas coronários no primeiro mês após o início do DK não atingiu o nível de significância (P = 0,058). Os pesquisadores puderam concluir, no presente estudo, que 3% (5/169) dos pacientes com DK apresentaram dilatação coronariana progressiva, que foi associada a aneurismas coronários persistentes no primeiro ano após o início da DK. A dilatação coronariana inicial e a hipoalbuminemia foram associadas de forma independente à ocorrência de dilatação coronariana progressiva. Portanto, tais pacientes podem exigir monitoramento cardíaco intensivo e terapias adjuvantes além das terapias de imunoglobulina. Autores: Liu MY, Liu HM, Wu CH, Chang CH, Huang GJ, Chen CA, Chiu SN, Lu CW, Lin MT, Chang LY, Wang JK, Wu MH.

Gerenciamento de nível de lipídios após o primeiro diagnóstico de doença arterial coronariana: resultados contemporâneos de um estudo de coorte observacional

01/03/2018 | Fonte: Clin Ther. 2017 Nov;39(11):2311-2320.e2.

Embora a eficácia da medicação para redução de lipídios (MRL) em pacientes com doença arterial coronariana (DAC) esteja bem estabelecida, a maioria dos pacientes não consegue alcançar os objetivos de níveis de LDL-C. A evidência da medição do nível de LDL-C para atingir esses objetivos é limitada. O objetivo do presente estudo, publicado no periódico Clinical Therapeutics, foi analisar o gerenciamento ambulatorial da MRL em relação ao desempenho das medidas de LDL-C e o alcance dos níveis de LDL-C após o diagnóstico inicial de DAC. O estudo acompanhou uma subcoorte de 200 pacientes com DAC diagnosticada do estudo INTERCATH, um estudo observacional que incluiu pacientes submetidos a uma angiografia coronariana. Além das informações iniciais, foram coletados dados sobre a MRL, desempenho dos níveis de lipídios e resultados laboratoriais por um período mínimo de 6 meses após alta. A média de idade da amostra foi de 67,9 anos e 36,0% eram mulheres. Em 34,5% de todos os pacientes, nenhuma medida dos níveis de LDL-C foi realizada durante o seguimento. Não foram encontradas diferenças nas características iniciais entre pacientes com e sem medições de LDL-C durante o seguimento. Em pacientes com medição dos níveis de LDL-C, a frequência de intensificação da estatina de acordo com a redução de LDL-C foi maior em comparação com os pacientes sem medição de LDL-C (23,6% contra 4,3%; P <0,001). Todas as outras categorias de ajuste de intensidade foram comparáveis. Em pacientes com 3 medições de LDL-C, os níveis de LDL-C alcançados foram significativamente menores (média 81 mg/dL) e uma proporção maior de pacientes atingiu um nível de LDL-C <70 mg/dL (44,7%) em comparação com pacientes com uma (95 mg/dL [P = 0,013]; 21,8%) ou duas (91 mg/dL [P = 0,037]; 28,9%) medições de LDL-C, apesar dos níveis comparáveis de LDL-C iniciais. Ezetimibe foi utilizado em 3,5% da coorte do estudo. Os pesquisadores não encontraram diferenças de características entre pacientes com e sem medições de LDL-C após o diagnostico de DAC. O desempenho e a frequência das medidas de LDL-C foram claramente associados a uma melhor frequência de intensificação da estatina, níveis mais baixos de LDL-C e uma maior proporção de pacientes atingindo a meta de LDL-C <70 mg/dL. Estes resultados sugerem um papel importante das medidas de LDL-C para prevenção secundária após o diagnóstico inicial de DAC. Autores: Waldeyer C, Seiffert M, Staebe N, Braetz J, Kohsiack R, Ojeda F, Schofer N, Karakas M, Zeller T, Sinning C, Schrage B, Westermann D, Sydow K, Blankenberg S, Brunner FJ, Schnabel RB.

Uso de Ezetimibe e alcance do objetivo de níveis de LDL-C: uma análise retrospectiva de banco de dados de pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica clínica ou provável hipercolesterolemia familiar heterozigótica

01/03/2018 | Fonte: J Manag Care Spec Pharm. 2017 Dec;23(12):1270-1276.

Ezetimibe é recomendado pelas diretrizes da clínica médica como uma terapia de segunda linha para baixar os níveis da lipoproteína de baixa densidade (LDL-C), mas pouco se sabe sobre seu uso e eficácia nas populações no mundo real. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Managed Care & Specialty Pharmacy, foi entender o impacto no mundo real de se adicionar ou mudar o tratamento para ezetimibe nas tentativas de se alcançar as metas de níveis de LDL-C em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) clínica e/ou hipercolesterolemia familiar heterozigótica (HFHe). Dados de pacientes com idade =18 anos com uma medição do LDL-C disponível entre 1 de janeiro de 2013 e 30 de junho de 2014 foram identificados utilizando o banco de dados Inovalon MORE 2. Os dados tomada como referência foram o dia da primeira medida de LDL-C. Para inclusão dos pacientes, foram considerados: evidência de DCVA clínica ou HFHe provável, com base nos códigos ICD-9-CM, e uma ou mais requisições farmacêuticas de estatina no período de 1 ano antes da data de referência, bem como o acompanhamento médico e farmacêutico contínuo por um ano pré e pós referência. Os pacientes que adicionaram ezetimibe à terapia com estatina já existente ou mudaram para ezetimibe dentro dos 90 dias após a data referência da medição de LDL-C foram identificados com a finalidade de replicar o tempo típico que um clínico leva para avaliar o uso de ezetimibe. Como desfecho primário foi considerada a proporção de pacientes que atingiram o objetivo de LDL-C <70 mg/dL no período de seguimento. Os pacientes foram agrupados de acordo com os níveis de LDL-C inicial: <70 mg/dL, 70-99 mg/dL, 100-129 mg/dL ou =130 mg/dL e em 4 categorias de acordo com o diagnóstico do paciente: todos os pacientes, somente com DCVA clínica, somente com HFHe provável e DCVA clínica combinada com HeFH provável. Foram relatadas análises descritivas. As variáveis categóricas foram resumidas como o número e porcentagem correspondente de pacientes. As variáveis contínuas foram apresentadas como média e desvio-padrão (DP) do número de observações, mediana e intervalo quando apropriado. Dos 125.330 pacientes que preencheram os critérios de inclusão, a média de idade foi de 70,1 (DP = 9,9) anos e a medida LDL-C inicial média foi de 90,7 (DP = 34,0) mg/dL. Mais da metade dos pacientes (70%) estavam recebendo terapia com estatina. No período pós-referência, 1,05% (n = 1.309) dos pacientes adicionaram ou combinaram a terapia com o ezetimibe. Destes, 26% atingiram o objetivo de LDL-C durante o seguimento de 90 dias (59,5% não atingiram o objetivo e 14,4% não possuíam um valor laboratorial de acompanhamento). Os alvos terapêuticos foram alcançados em 30% dos pacientes com nível inicial de LDL-C de 70-99 mg/dL, 14% daqueles com LDL-C inicial de 100-129 mg/dL e 7% daqueles com LDL-C inicial de =130 mg/dL. O alcance de objetivos de LDL-C também variou por categoria de diagnóstico inicial. Os autores concluíram que a adição ou mudança para a terapia com ezetimibe foi associada a uma porcentagem relativamente pequena de alcance do objetivo de LDL-C (<70 mg/dL) em pacientes com DCVA clínica e/ou HFHe, mesmo entre pacientes com LDL-C inicial entre 70 e 99 mg/dL. Para fornecer cuidados individualizados superiores para pacientes com hiperlipidemia, há um potencial papel para as terapias mais recentes na redução dos níveis de lipídios, como os inibidores de PCSK9, em determinadas populações de alto risco. Autores: Menzin J, Aggarwal J, Boatman B, Yu J, Stern K, Harrison DJ, Patel JG.

A incidência regional do tromboembolismo venoso no Brasil

01/03/2018 | Fonte: J. vasc. bras. [online]. 2017, vol.16, n.3, pp.227-231

Vários estudos realizados em climas temperados sugerem que há uma variação na incidência de tromboembolismo venoso (TEV) de acordo com as estações climáticas. Entretanto, nenhum estudo foi feito comparando áreas de clima semiárido com áreas de clima temperado. O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Vascular Brasileiro, foi analisar se existe correlação entre a incidência do TEV em áreas de clima semiárido e de clima temperado no Brasil. Foi feito um levantamento de dados retrospectivos de pacientes com diagnóstico de TEV no Sistema Único de Saúde de janeiro de 2011 a dezembro de 2014 provenientes dos seguintes estados com clima semiáridos: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, localizados na Região Nordeste do Brasil; e dos seguintes estados com clima temperado: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, localizados na Região Sul do Brasil. Os dados de variação climática foram obtidos do Instituto Nacional de Meteorologia e os dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Houve correlação significativa na incidência de casos de TEV em regiões de temperaturas mais baixas (p < 0,001). A Região Sul apresentou temperaturas significativamente menores que as da Região Nordeste (p < 0,001) e apresentou número significativamente maior de casos de TEV do que a Região Nordeste (p < 0,001). Os pesquisadores concluíram que há mais casos de TEV em regiões de clima temperado, onde as temperaturas são mais baixas. No entanto, pouco ainda é conhecido na literatura sobre a flutuação sazonal e a incidência de TEV. Sendo assim, mais estudos são necessários nessa área. Palavras-chave: tromboembolismo venoso; trombose venosa; sazonalidade; clima. Autores: OHKI, Alan Vitor e BELLEN, Bonno van.

Diagnóstico clínico e laboratorial da febre pelo vírus da zika: uma atualização

01/03/2018 | Fonte: J. Bras. Patol. Med. Lab. [online]. 2017, vol.53, n.4, pp.252-257

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, foi fornecer uma atualização sobre o diagnóstico clínico e laboratorial da febre pelo vírus da zika. A febre zika pode ser definida como uma doença viral febril aguda, transmitida principalmente pelo mosquito do gênero Aedes, e faz diagnóstico diferencial com doenças causadas por outros flavivírus, como a dengue e a Chikungunya. Muitos indivíduos infectados pelo vírus da zika (ZIKV) não terão ou terão apenas leve sintomatologia clínica. O quadro clínico é inespecífico e caracterizado por febre baixa, exantema maculopapular pruriginoso, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia e cefaleia. A doença é autolimitada, de curta duração e de evolução benigna, mas podem ocorrer complicações, como síndrome de Guillain-Barré (SGB), aborto espontâneo e malformações fetais, principalmente microcefalia e lesões retinianas. A investigação laboratorial apresenta maior importância nos casos suspeitos de infecção pelo ZIKV que evoluíram com complicações neurológicas, em gestantes, aborto ou malformações congênitas, sendo fundamental para definição diagnóstica. A reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR) pode detectar o vírus em amostras de sangue por volta de quatro a sete dias após o início dos sintomas. Na urina, é possível identificar o ácido ribonucleico (RNA) viral até 15 dias após o início do quadro clínico, mesmo que a viremia tenha cessado, sendo uma alternativa para o diagnóstico tardio. Os testes sorológicos também podem ser realizados, embora haja possibilidade de reação cruzada com outros flavivírus. A imunoglobulina da classe M (IgM) pode ser pesquisada entre a 2ª e 12ª semana após o início do quadro clínico; a da classe G (IgG), após o 15º dia, estando presente mesmo na fase de convalescência e na cura. As alterações laboratoriais inespecíficas, em geral, não apresentam alterações significativas. Nos casos em que os pacientes apresentam SGB, é importante a coleta e a análise do liquor. Palavras-chave: Aedes; flavivirus; infecções por arbovirus; reação em cadeia da polimerase; testes laboratoriais. Autores: Xavier, Analúcia R.; Kanaan, Salim; Bozzi, Ronielly P. e Amaral, Luiza V.

Doença renal crônica e síndrome metabólica como fatores de risco para doença cardiovascular em um programa de atenção primária

01/03/2018 | Fonte: J. Bras. Nefrol. [online]. 2017, vol.39, n.3, pp.246-252

A doença cardiovascular (DCV) é especialmente prevalente em pacientes com doença renal crônica (DRC). O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Nefrologia, foi avaliar o papel da DRC e da síndrome metabólica (SM), que é um conjunto de fatores de risco para DCV, como previsores de DCV. Foi realizado um estudo observacional, transversal, com uma amostra representativa da população assistida pelo programa de atenção primária em Niterói, RJ, Brasil, incluindo pacientes com idade igual ou maior do que 45 anos. A DRC foi diagnosticada segundo o K/DOQI e a SM, pelo critério harmonizado. A DCV foi dita estar presente diante de um ou mais dos seguintes achados: anormalidades ecocardiográficas ou história de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou insuficiência cardíaca. Um modelo de regressão logística foi desenvolvido para analisar os fatores de risco cardiovasculares usando a DRC como a variável de interesse primário. Foram analisados 581 participantes (38,2% homens), com idade média de 59,4 ± 10,2 anos. A taxa de prevalência da DRC foi de 27,9%. Em participantes sem DRC, a SM foi associada com um ligeiro, mas estatisticamente significativo aumento no risco cardiovascular (OR = 1,52, p = 0,04); naqueles com DRC, mas sem SM, o risco para DCV também foi estatisticamente significativo e com maior magnitude (OR = 2,42, p = 0,003); quando ambos estavam presentes, o risco para DCV foi substancialmente mais elevado (OR = 5,13, p < 0,001). Segundo os pesquisadores, neste estudo, envolvendo uma população assistida por um programa de atenção primária, a DRC foi confirmada como um fator de risco independente para DCV. A presença da SM concomitante com a DRC ampliou substancialmente esse risco. Autores: Greffin, Suzana et al.

Parada cardíaca súbita durante participação em esportes competitivos

01/03/2018 | Fonte: N Engl J Med. 2017 Nov 16;377(20):1943-1953

A incidência de parada cardíaca repentina durante a participação em atividades esportivas continua desconhecida. Os programas de triagem de pré-participação destinados a prevenir a parada cardíaca súbita durante atividades esportivas parecem ser capazes de identificar atletas em risco, mas a eficácia desses programas continua controversa. Com esta pesquisa, publicada no The New England Journal of Medicine, buscou-se identificar todas as paradas cardíacas súbitas ocorridas durante a participação em atividades esportivas, dentro de uma região específica do Canadá, para determinar suas causas. Em estudo retrospectivo foi utilizado o banco de dados de parada cardíaca Rescu Epistry (que contém registros de cada parada cardíaca atendida por paramédicos na região da rede) para identificar todas as paradas cardíacas extra-hospitalares ocorridas entre 2009 e 2014, em pessoas de 12 a 45 anos de idade, durante a participação em atividades esportivas. Os casos foram triados como parada cardíaca súbita (ou seja, causa cardíaca) ou como um evento resultante de uma causa não cardíaca, com base em registros de fontes múltiplas, incluindo relatórios de chamadas de ambulâncias, relatórios de autópsia, dados hospitalares e registros de entrevistas diretas com pacientes ou membros da família. Ao longo da observação de 18,5 milhões de pessoas por ano, 74 paradas cardíacas repentinas ocorreram durante a participação em atividades esportivas, e destes 16 ocorreram durante esportes competitivos e 58 durante esportes não competitivos. A incidência de parada cardíaca súbita durante esportes competitivos foi de 0,76 casos a cada 100 mil atletas por ano, com 43,8% dos atletas sobrevivendo até alta hospitalar. Entre os atletas competitivos duas mortes foram atribuídas à cardiomiopatia hipertrófica e nenhuma à cardiomiopatia ventricular direita arritmogênica. Três casos de parada cardíaca súbita que ocorreram durante a participação em esportes competitivos foram determinados como sendo potencialmente identificáveis se os atletas tivessem sido submetidos à triagem pré-participação. Os autores concluíram que neste estudo envolvendo pessoas que tiveram parada cardíaca extra-hospitalar, a incidência de parada cardíaca súbita durante a participação em esportes competitivos foi de 0,76 casos por 100 mil atletas por ano. A ocorrência de parada cardíaca súbita por doença cardíaca estrutural foi incomum durante a participação em esportes competitivos. Uma resenha de: Sudden Cardiac Arrest during Participation in Competitive Sports Autores: Landry CH, Allan KS, Connelly KA, Cunningham K, Morrison LJ, Dorian P; Rescu Investigators.

Fenótipo e resultados clínicos da cardiomiopatia dilatada por truncamento de titina

01/03/2018 | Fonte: J Am Coll Cardiol. 2017 Oct 31;70(18):2264-2274

Resultados de estudos que possibilitem a ampliação do entendimento sobre a cardiomiopatia dilatada devido ao truncamento de titina (TTNtv) podem ajudar na orientação aprimorada da estratificação do paciente. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the American College of Cardiology, foi investigar as relações entre o genótipo TTNtv, o fenótipo cardíaco e os desfechos na cardiomiopatia dilatada. Trata-se de um estudo prospectivo, de coorte e observacional. Os pacientes com cardiomiopatia dilatada foram submetidos à avaliação clínica, ressonância magnética cardiovascular de realce miocárdico tardio com gadolínio e sequenciamento de TTN. Foi também realizado acompanhamento cego para o genótipo, tendo como base o desfecho primário, composto de morte cardiovascular e eventos maiores de arritmia e insuficiência cardíaca. Dos 716 indivíduos registrados no estudo (média de idade 53,5 ± 14,3 anos, 469 homens [65,5%]; 577 [80,6%] classe funcional I/II - New York Heart Association), 83 (11,6%) apresentaram TTNtv. Os pacientes com TTNtv eram mais jovens no registro (49,0 anos vs. 54,1 anos; p = 0,002) e apresentaram menor índice de massa ventricular esquerda (redução de 5,1 g/m2, P ajustado = 0,03) em comparação com pacientes sem TTNtv. Não houve diferença na fração de ejeção biventricular entre grupos TTNtv+/-. No total, 78 dos 604 pacientes (12,9%) preencheram o desfecho primário (seguimento médio de 3,9 anos, intervalo interquartil: 2,0 a 5,8 anos), incluindo 9 dos 71 pacientes com (12,7%) e 69 de 533 (12,9%) sem TTNtv. Não houve diferença no resultado primário composto de morte cardiovascular, insuficiência cardíaca ou eventos arrítmicos para pacientes com ou sem TTNtv (razão de risco ajustada para o desfecho primário: 0,92 [intervalo de confiança de 95%: 0,45 a 1,87]; p = 0,82). Segundo os pesquisadores, neste grande estudo prospectivo, genótipo-fenótipo de pacientes com cardiomiopatia dilatada ambulatorial, ficou demostrado que os fatores prognósticos para cardiomiopatia dilatada por todas as causas também preveem o resultado para cardiomiopatia dilatada devido à TTNtv e que a mesma não parece estar associada a um pior prognóstico a médio prazo. Uma resenha de: Phenotype and Clinical Outcomes of Titin Cardiomyopathy Autores: Tayal U, Newsome S, Buchan R et al.

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Participação em atividades ao longo da vida, desde o início, meio e final da idade adulta, como determinantes do envelhecimento cognitivo: The Lothian Birth Cohort 1921

25/04/2018 | Fonte: J Gerontol B Psychol Sci Soc Sci. 2017 Jan;72(1):25-37

O objetivo deste estudo, publicado no Journals of Gerontology.Series B, Psychological Sciences and Social Sciences, foi investigar períodos potencialmente sensíveis para a participação em atividades (físicas, sócio-intelectuais, laborais e de lazer) ao longo de toda a vida adulta na redução do declínio cognitivo, e determinar se estas associações persistem após levar em consideração a estabilidade vitalícia da capacidade cognitiva. A Lothian Birth Cohort 1921 é um estudo longitudinal sobre o envelhecimento cognitivo. Os participantes nasceram em 1921 e a maioria completou um teste de habilidade mental aos 11 anos de idade. As idades médias dos participantes na conclusão das avaliações cognitivas foram: 79 (N = 550), 83 (N = 321), 87 (N = 235) e 90 anos (N = 129). Os participantes forneceram detalhes retrospectivos de sua participação em diversas atividades enquanto jovens (20-35 anos), durante a meia idade (40-55 anos), ao final da idade adulta (60-75 anos) e contemporaneamente aos 79 anos. As associações entre a atividade com o nível e a mudança na capacidade cognitiva na velhice foram examinadas com modelos de curva de crescimento latente. A demografia e a capacidade cognitiva na infância, e o envolvimento em atividades de lazer na meia idade foram positivamente associados ao nível de habilidade cognitiva (coeficiente de trajetória = 0,32), ao passo que níveis elevados de atividade física ao final da idade adulta foram associados a um menor declínio cognitivo (0,27). Os pesquisadores concluíram que os achados do presente estudo apoiam uma abordagem do curso da vida na identificação de determinantes do envelhecimento cognitivo. Segundo os autores, o lazer e a atividade física durante diferentes períodos na idade adulta podem aumentar as habilidades cognitivas ou diminuir o declínio cognitivo. Autores: Gow AJ, Pattie A, Deary IJ.

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Níveis elevados de proteína C-reativa prediz a incidência, duração e gravidade do delirium pós-cirurgia não cardíaca maior

25/04/2018 | Fonte: J Am Geriatr Soc. 2017 Aug;65(8):e109-e116

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the American Geriatrics Society, foi investigar as associações entre a proteína C-reativa (PCR), enquanto marcador inflamatório, mensurado no pré e no pós-operatório (dia 2; POD2) e a incidência, duração e características da gravidade do delirium. Trata-se de um estudo prospectivo de coorte realizado em 2 centros médicos acadêmicos. Foram selecionados adultos de 70 anos ou mais submetidos à cirurgia não cardíaca maior (N = 560). A PCR plasmática foi mensurada por ensaio imunoenzimático. O Delirium, por sua vez, foi avaliado utilizando o CAM (Confusion Assessment Method) e revisão de prontuários, enquanto que a duração do delirium foi mensurada de acordo com o número de internações hospitalares com delirium. As características de gravidade de delirium foram definidas como a soma dos escores CAM-Severity (CAM-S) em todos os dias de internação pós-operatória. Foram utilizados modelos lineares generalizados para avaliar associações independentes entre a PCR (pré-operatório e POD2 separadamente) e incidência, duração e características da gravidade do delirium; duração da internação hospitalar (LOS, >5 dias); e disposição de alta. Foi observada ocorrência de delirium pós-operatório em 24% dos participantes, sendo que 12% tiveram 2 ou mais dias de delirium e a média ± desvio padrão da soma CAM-S foi de 9,3 ± 11,4. Após ajustes para a idade, sexo, tipo de cirurgia, via de anestesia, comorbidades médicas e complicações infecciosas pós-operatórias, os participantes com PCR pré-operatório de 3 mg/L ou mais, comparados àqueles com PCR inferior a 3 mg/L, apresentaram risco de delirium 1,5 vezes maior [intervalo de confiança (IC) de 95% = 1,1-2,1], 0,4 dias de delirium (P <0,001), delirium mais grave (3,6 pontos maiores no CAM-S, P <0,001), além de um risco de LOS prolongado, que foi 1,4 vezes maior (95% IC = 1,1-1,8). Com base nos valores de PCR POD2, os participantes no quartil mais alto (≥235,73 mg/L) comparado àqueles no quartil mais baixo (≤127,53 mg/L), foram 1,5 vezes mais propensos a desenvolver delirium (IC 95% = 1,0-2,4), tiveram 0,2 mais dias de delirium (P <0,05) e tiveram delirium mais grave (4,5 pontos maiores no CAM-S, P <0,001). Os pesquisadores concluíram que níveis elevados de PCR pré-operatória e no POD2 foram independentemente associados com a incidência, duração e característica de gravidade do delirium. Os autores destacam que a PCR pode ser útil para identificar indivíduos em risco de desenvolver delirium. Autores: Vasunilashorn SM3, Dillon ST, Inouye SK et al.

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Padrão de marcha, prevalência de quedas e medo de cair em idosas ativas e sedentárias

25/04/2018 | Fonte: Rev Bras Med Esporte [online]. 2017, vol.23, n.1, pp.26-30

O envelhecimento desencadeia alterações da marcha e aumenta o risco de quedas e o medo de cair, comprometendo a saúde e a capacidade funcional do idoso. Estudos anteriores investigaram a prática de exercício físico como possível fator de redução desses problemas, porém os resultados encontrados até o momento são inconclusivos. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, foi analisar os parâmetros da marcha, a prevalência de quedas e o medo de cair em idosas ativas e sedentárias. Trinta e cinco mulheres com idades entre 60 e 75 anos foram divididas em dois grupos: grupo sedentárias (GS), que não praticavam exercícios físicos regularmente no último ano e grupo ativas (GA), que praticavam exercício físico em um projeto de extensão de uma universidade pública, há pelo menos seis meses. Os dados referentes aos parâmetros espaço-temporais da marcha foram coletados por meio de um tapete (4,88 m) com sensores de pressão. As idosas caminharam sobre o tapete em duas condições experimentais: velocidade preferida e maior velocidade possível. Foram realizadas três tentativas em cada condição de forma aleatória, totalizando seis tentativas. As voluntárias também responderam dois questionários: questionário de Baecke, para avaliar a aptidão física, e questionário de quedas para avaliar a ocorrência e consequências das quedas. A velocidade da marcha, a cadência, e o comprimento da passada foram significativamente maiores nas idosas ativas, enquanto o tempo em duplo suporte foi significativamente maior nas idosas sedentárias em ambas as condições analisadas. Além disso, as idosas ativas apresentaram menor prevalência de quedas (22%) e de medo de cair (22%) comparadas às idosas sedentárias (58% e 70%, respectivamente). Os pesquisadores concluíram que a prática de exercícios físicos realizados de forma sistemática em programas de educação física para idosos parece ser uma estratégia interessante para minimizar os efeitos do processo de envelhecimento na marcha, no risco de quedas e no medo de cair em mulheres idosas. Autores: Abdala, Roberta Pellá; Barbieri Junior, William; Bueno Junior, Carlos Roberto e Gomes, Matheus Machado.

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Surto de toxoplasmose no Sul é investigado

23/04/2018 | Fonte: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2018/04/19/santa-maria-rs-investiga-surto-de-toxoplasmose-entenda-causa-e-prevencao.htm

Uma investigação sobre a ocorrência de 14 casos confirmados de toxoplasmose em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, foi iniciada. Segundo uma reportagem publicada pela repórter Fabiana Marchezi para o Portal UOL, existem outros 45 casos clínicos suspeitos de ligação com a doença. Foi criada uma força-tarefa envolvendo as secretarias de Saúde municipal e estadual para adotar as medidas de investigação, prevenção e controle da doença. As autoridades explicam que neste momento procuram definir a magnitude deste evento e encontrar a fonte comum de contaminação dessas pessoas, que ainda é desconhecida. Uma das hipóteses é de que a contaminação esteja ocorrendo por meio da água distribuída no município. Porém, até o momento, todas as análises feitas confirmam que a água se encontra dentro dos padrões recomendados. Outra suspeita investigada está relacionada com os alimentos ingeridos pela população. A toxoplasmose é uma doença parasitária, transmitida pela ingestão do protozoário Toxoplasma gondii em água ou alimentos contaminados, geralmente encontrado em fezes de gato e outros felinos. Os especialistas ouvidos na reportagem explicam que não há motivo para pânico, já que a maioria dos casos evolui para cura. A toxoplasmose, geralmente, é uma doença assintomática, mas a principal preocupação é com as gestantes. Esta doença pode ser transmitida para o bebê caso não tratada e, em casos graves, pode levar ao aborto, má-formação fetal e provocar cegueira no bebê. Outros grupos de risco incluem as crianças menores de dois anos de idade e pessoas com baixa imunidade. O tratamento se dá por meio de antibióticos. Geralmente, na maioria das ocorrências, as pessoas contaminadas nem se dão conta da contaminação, já que podem não apresenta nenhum sintoma. As principais medidas para a prevenção da toxoplasmose são evitar o consumo de carnes cruas ou mal cozidas, comer vegetais e frutas bem lavados em água corrente, e evitar contato direto com fezes de gatos.

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