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Efetividade da Terapia Medicamentosa e dos Procedimentos de Revascularização como Estratégia Inicial na Doença Arterial Coronariana Estável: Estudo de Coorte

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Int. J. Cardiovasc. Sci. [online]. 2017, vol.30, n.5, pp.408-415.

A cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) e a intervenção coronária percutânea (ICP) são estratégias amplamente utilizadas no manejo da doença arterial coronariana (DAC) estável. O objetivo deste estudo, publicado no periódico International Journal of Cardiovascular Sciences, foi avaliar o prognóstico de pacientes com DAC estável inicialmente tratada com terapia médica (TM), em comparação com os pacientes submetidos a procedimentos de revascularização. Foi realizado um estudo prospectivo de coorte com 560 pacientes ambulatoriais de um hospital terciário com seguimento médio de 5 anos. Os pacientes foram classificados nos grupos TM (n = 288), ICP (n = 159) e CRM (n = 113) de acordo com sua estratégia inicial de tratamento. Os desfechos primários foram mortalidade global e eventos combinados de morte, síndrome coronária aguda e AVC. Durante o seguimento, as taxas de mortalidade foram de 11,1% em TM, 11,9% em ICP e 15,9% em pacientes submetidos à CRM, sem diferença estatística (Hazard Ratio [HR] para ICP, 1,05; Intervalo de Confiança de 95% [IC95%], 0,59 a 1,84; e HR para CRM, 1,20; IC95%, 0,68 a 2,15). Os desfechos combinados ocorreram com maior frequência entre os pacientes inicialmente submetidos à ICP em relação à TM (HR 1,50, IC 95% 1,05 a 2,14) e não diferiram entre TM e CRM (HR 1,24, IC95% 0,84 a 1,83). Entre os pacientes com diabetes (n = 198), a ICP foi a única estratégia terapêutica preditiva de desfechos combinados (HR 2,14; IC 95%: 1,25 a 3,63). Os pesquisadores concluíram que neste estudo observacional de doença arterial coronariana estável, não houve diferença na mortalidade global entre as estratégias iniciais de terapia médico ou de cirurgia de revascularização. Os pacientes inicialmente tratados com ICP tiveram maior chance de desenvolver eventos cardiovasculares maiores combinados. Uma resenha de: Efetividade da Terapia Medicamentosa e dos Procedimentos de Revascularização como Estratégia Inicial na Doença Arterial Coronariana Estável: Estudo de Coorte Autores: Furtado, Mariana Vargas et al.

Influência de um protocolo de exercícios do método Pilates na contratilidade da musculatura do assoalho pélvico de idosas não institucionalizadas

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.4, pp.484-492.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi verificar a influência de um protocolo de exercícios do método Pilates na funcionalidade e contratilidade da musculatura do assoalho pélvico em mulheres idosas, em Campo Grande, MS, Brasil. Dez mulheres (idade mediana de 63,4±4,5 anos) com pouca ou nenhuma disfunção do assoalho pélvico foram submetidas a 24 sessões de exercícios do método Pilates com duração de 1 hora, por 12 semanas. A pressão da musculatura do assoalho pélvico (MAP) foi avaliada por um perineômetro (cmH20) e a contratilidade pelo esquema PERFECT. Os dados foram descritos em mediana ± intervalo interquartil, e análise inferencial foi realizada pelo teste pareado de Wilcoxon, sob um nível de significância de 5%. Diante do tratamento proposto, o grau de contração voluntária da MAP das participantes passou de 79,0±83,5 para 90,0±82,0 cmH20, com diferença estatisticamente significativa na comparação pareada (p=0,012). No esquema PERFECT houve aumento do tempo de sustentação das contrações (de 5,0±0,1 para 7,0±4,7 segundos) e do número de repetições rápidas (de 7,0±4,5 para 8,0±4,7), com diferença estatisticamente significativa para ambas as variáveis (p=0,017 e p=0,008 respectivamente). Segundo os pesquisadores, os resultados apontam que o método Pilates incrementou a contratilidade e a pressão da MAP em mulheres idosas com pouca ou nenhuma disfunção da MAP. Faz-se necessário estudos posteriores para determinar se o Pilates pode tratar mulheres com disfunções graves do assoalho pélvico. Uma resenha de: Influência de um protocolo de exercícios do método Pilates na contratilidade da musculatura do assoalho pélvico de idosas não institucionalizadas Autores: Souza, Ligia Muniz De; Pegorare, Ana Beatriz Gomes De Souza; Christofoletti, Gustavo e Barbosa, Suzi Rosa Miziara.

Deficiência de NAD, malformações congênitas e suplementação de niacina

30/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Aug 10;377(6):544-552

As malformações congênitas podem se manifestar como combinações de fenótipos que coocorrem mais frequentemente do que o esperado ao acaso. Em muitos desses casos, tornou-se difícil identificar uma causa genética. O objetivo deste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, foi buscar a causa genética de defeitos cardíacos, vertebrais e renais, entre outros, em pacientes não relacionados. Foi utilizado o sequenciamento genômico para identificar as variáveis genéticas potencialmente patogênicas em famílias nas quais uma pessoa apresentava múltiplas malformações congênitas. Foi testada a função da variante usando ensaios de atividade enzimática in vitro e quantificando os metabólitos no plasma dos pacientes. Foram criados modelos de camundongos com variantes similares usando o sistema CRISPR (do inglês: Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas -Cas9). As variantes foram identificadas em dois genes que codificam enzimas da via de quinurenina, 3,4-dioxigenase ácido 3-hidroxi antranílico (HAAO) e quinureninase (KYNU). Três pacientes apresentaram variantes homozigóticas que prevêem alterações de perda de função nas proteínas HAAO ou KYNU (HAAO p.D162*, HAAO p.W186* ou KYNU p.V57Efs*21). Outro paciente apresentou uma variante heterozigótica de KYNU (p.Y156* e p.F349Kfs*4). As enzimas mutantes tiveram uma atividade altamente reduzida in vitro. O nicotinamida-adenosina-dinucleotídeo (NAD) é sintetizado “de novo” a partir do triptofano através da via da quinurenina. Os pacientes tiveram níveis reduzidos de NAD circulante. Defeitos semelhantes aos dos pacientes se desenvolveram nos embriões de camundongos sem HAAO ou KYNU devido à deficiência de NAD. Nesses, a prevenção da deficiência de NAD durante a gestação evitou os defeitos. Os autores deste estudo concluíram que a interrupção da síntese de NAD causou uma deficiência de NAD e malformações congênitas em humanos e camundongos. A suplementação de niacina durante a gestação impediu as malformações em camundongos. Uma resenha de: NAD Deficiency, Congenital Malformations, and Niacin Supplementation Autores: Shi H, Enriquez A, Rapadas M, Martin EMMA, Wang R, Moreau J, Lim CK, Szot JO, Ip E, Hughes JN, Sugimoto K, Humphreys DT, McInerney-Leo AM, Leo PJ, Maghzal GJ, Halliday J, Smith J, Colley A, Mark PR, Collins F, Sillence DO, Winlaw DS, Ho JWK, Guillemin GJ, Brown MA, Kikuchi K, Thomas PQ, Stocker R, Giannoulatou E, Chapman G, Duncan EL, Sparrow DB, Dunwoodie SL.

Tendências na mortalidade internacional por asma: análise de dados do Banco Mundial de Mortalidade da OMS de 46 países (1993-2012)

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Aug 7. pii: S0140-6736(17)31448-4. doi: 10.1016/S0140-6736(17)31448-4

As tendências internacionais na mortalidade por asma foram fortemente afetadas ao longo do tempo pelas mudanças no manejo e em tratamentos medicamentosos específicos. No entanto, pouco se sabe sobre como a mortalidade da asma mudou na última década. Neste estudo, publicado no The Lancet, foram avaliadas essas tendências internacionais. Foram reunidas as taxas de mortalidade por asma específicas do país, padronizadas por idade, na faixa etária de 5-34 anos, do banco de dados online de mortalidade da OMS para 46 países. Para ser incluído na análise, especificou-se que um país deveria ter 10 anos de dados completos no Banco de Dados de Mortalidade da OMS entre 1993 e 2012. Na ausência de prevalência consistente e precisa de dados da asma e de prescrição, optou-se pelo uso uma curva LOESS (locally weighted scatter plot smoother), ponderada pela população individual do país na faixa etária de 5-34 anos para mostrar as tendências globais nas taxas de mortalidade por asma ao longo do tempo. Dos 46 países incluídos na análise da mortalidade por asma, 36 eram países de alta renda e 10 países de renda média. A estimativa LOESS da taxa global de mortalidade por asma foi de 0,44 óbitos por 100.000 pessoas (90% IC 0,39-0,48) em 1993 e 0,19 óbitos a cada 100.000 pessoas (0,18-0,21) em 2006. Apesar do fato de que não houve reduções significativas nas taxas de mortalidade no mundo, não houve variação significativa nas taxas de mortalidade de 2006 a 2012, quando a estimativa de LOESS também foi de 0,19 mortes por 100 000 pessoas (0,16 -0,21). Os pesquisadores concluíram que a tendência de redução da mortalidade global por asma observada desde o final da década de 1980 pode ter estagnado, sem diferença significativa na curva LOESS suavizada de mortalidade por asma entre 2006 e 2012. Embora seja necessária uma melhor implementação das estratégias de gestão estabelecidas que tenham demonstrado reduzir o risco de mortalidade, para se obter uma redução substancial adicional na mortalidade global por asma serão necessárias novas estratégias. Uma resenha de: Trends in international asthma mortality: analysis of data from the WHO Mortality Database from 46 countries (1993-2012) Autores: Ebmeier S, Thayabaran D, Braithwaite I, Bénamara C, Weatherall M, Beasley R

Manobra de Mueller-Hillis e ângulo de progressão: eles estão correlacionados?

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2017, vol.63, n.6, pp.527-531.

A manobra de Mueller-Hillis (MHM) e o ângulo de progressão da apresentação (AOP) medido através de ecografia transperineal têm sido utilizados para avaliar a descida do polo cefálico durante o segundo estágio do trabalho de parto. O objetivo deste estudo, publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, foi avaliar se o AOP se correlaciona com a MHM no segundo estágio do trabalho de parto. Foi conduzido um estudo observacional e prospectivo. Foram incluídas mulheres com gravidez unifetal com feto em apresentação cefálica, no segundo estágio do trabalho de parto. O AOP foi medido imediatamente após a manobra de Mueller-Hillis. Foi construída uma curva ROC (receiver-operating characteristics) para determinar o melhor AOP para a identificação de uma manobra positiva. Um valor p inferior a 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. Cento e sessenta e seis mulheres (166) foram incluídas no estudo, e em 81,3% (n=135) a MHM foi positiva. A mediana do AOP foi de 143º (106º a 210º). A área abaixo da curva para a previsão de uma manobra positiva foi 0,619 (p=0,040). Derivado da curva ROC, um AOP de 138,5º teve o melhor desempenho diagnóstico para a identificação de uma MHM positiva (especificidade de 65% e sensibilidade de 67%). Os pesquisadores concluíram que um AOP de 138º parece estar associado com uma MHM positiva no segundo estágio de trabalho de parto. Uma resenha de: Manobra de Mueller-Hillis e ângulo de progressão: eles estão correlacionados? Autores: Mendes, Sofia et al.

Hospitalização por exacerbação da DPOC: desfechos da "vida real"

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2017, vol.63, n.6, pp.543-549.

As hospitalizações por exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica (eDPOC) podem indicar um pior prognóstico. É importante conhecer o perfil dos pacientes internados e os desfechos das internações para personalizar e otimizar seu tratamento. O objetivo deste estudo, publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, foi avaliar os pacientes hospitalizados por eDPOC, com = 10 anos/maços e = 1 espirometria prévia com obstrução ao fluxo aéreo no período de um ano em um serviço de pneumologia de um hospital geral. Foram utilizados: teste de avaliação da DPOC (CAT); mMRC e Escala Analógica Visual (EAV) para aferição da dispneia; escala hospitalar de ansiedade e depressão (HAD); comorbidades pelos critérios de Divo e índice de Cote; espirometria; e exames laboratoriais, eosinófilos no sangue, proteína C reativa (PCR), brain natriuretic peptide (BNP). Observamos evolução dos pacientes, duração da internação e desfechos da hospitalização. Ocorreram 75 (12%) internações por eDPOC, sendo 27 reinternações, nove das quais com menos de 30 dias após a alta. Os principais desfechos foram: duração da internação de 17±16,5 (2-75) dias; 30 (62,5%) altas hospitalares; 18 (37,5%) altas/reinternações, oito pacientes reinternaram mais de uma vez; e sete (14,5%) óbitos, cinco durante as reinternações. Analisamos 48 pacientes em sua primeira internação. A amostra era um grupo heterogêneo que ordenamos em três clusters de acordo com idade, VEF1, índice de massa corporal (IMC) e CAT. Os clusters não se correlacionaram com os principais desfechos. Os pesquisadores concluíram que a eDPOC é causa frequente de internações. Foram frequentes as reinternações e estas se correlacionaram com o desfecho óbito. Os pacientes internados por eDPOC formaram um grupo heterogêneo, que pôde ser agrupado em três clusters com diferentes graus de gravidade e sem correlação com os desfechos das hospitalizações. Uma resenha de: Hospitalização por exacerbação da DPOC: desfechos da "vida real" Autores: Camargo, Lilia Azzi Collet da Rocha et al.

O uso de torniquete na artroplastia total do joelho causa um aumento paradoxal da perda total de sangue

30/10/2017 | Fonte: Fonte: J Bone Joint Surg Am. 2017 Aug 16;99(16):1331-1336

A utilização de torniquete na artroplastia total do joelho tem como intuito a diminuição da perda de sangue perioperatória, porém ainda há questionamentos acerca da segurança e da eficácia deste procedimento. Por outro lado, o ácido tranexâmico estabiliza a formação de coágulos e também contribui para o controle da perda sanguínea. Tendo em vista as considerações expostas, a utilização do torniquete tem sido preterida ao uso do ácido tranexâmico nos procedimentos realizados na instituição dos autores. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no Journal of Bone and Joint Surgery foi examinar a perda total de sangue perioperatória em três situações, a saber: uso do torniquete apenas; uso de torniquete e ácido tranexâmico; e uso de ácido tranexâmico apenas. Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo com 132 pacientes divididos em 3 grupos. O primeiro grupo foi submetido à artroplastia total de joelho com uso de torniquete apenas durante a cimentação. O segundo grupo realizou o mesmo protocolo, mas com administração conjunta de ácido tranexâmico. O terceiro grupo realizou o procedimento apenas com administração de ácido tranexâmico, sem utilização de torniquete. A perda de sangue perioperatória foi calculada utilizando a fórmula de Gross. Os resultados mostraram que a perda média de sangue calculada foi mais alta no grupo que utilizou apenas o torniquete (1.591,39 mL; intervalo de confiança de 95% [IC], 1.064,97 a 2.117,81 mL). O segundo grupo, que usou conjuntamente ácido tranexâmico e torniquete, obteve uma redução ligeiramente maior da perda de sangue em relação ao primeiro grupo (1.215,34 mL; IC 95%, 1.104,93 para 1.325,75 mL), sendo que o terceiro grupo (utilização de ácido tranexâmico, mas sem torniquete) foi o que obteve o resultado com menor perda de sangue (1.007,22 mL; IC 95%, 878,78 a 1.135,66 mL). Os pesquisadores concluíram que o protocolo limitado apenas ao uso de torniquete durante a artroplastia total do joelho resultou em um aumento paradoxal da perda de sangue. Segundo os autores, os cirurgiões devem cogitar desconsiderar o uso rotineiro de torniquete na artroplastia total do joelho. Uma resenha de: Use of a Tourniquet in Total Knee Arthroplasty Causes a Paradoxical Increase in Total Blood Loss Autores: Schnettler T, Papillon N, Rees H.

Osteoporose na WHI (Women's Health Initiative): há outro hiato de tratamento?

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Am J Med. 2017 Aug;130(8):937-948

Estudos demonstram que fraturas osteoporóticas estão associadas à alta morbidade, mortalidade e custos. Neste estudo, publicado no American Journal of Medicine, os autores realizaram uma análise post hoc dos dados dos ensaios clínicos da WHI (Women's Health Initiative). O intuito desta análise foi investigar o tratamento da osteoporose e identificar as características dos participantes associadas à utilização de medicação para osteoporose após novos diagnósticos de osteoporose ou fratura. Foram analisadas as informações para o uso de medicação decorrentes de visitas anteriores e imediatamente subsequentes ao primeiro evento de fratura ou diagnóstico de osteoporose. Foi adotado um modelo de regressão logística total a fim de identificar os fatores preditores do uso de medicação para osteoporose após uma fratura ou diagnóstico de osteoporose. A média de acompanhamento, desde a inscrição até a última visita à clínica WHI, para a coorte do estudo foi de 13,9 anos. Entre as 13.990 mulheres que relataram novos diagnósticos de osteoporose ou fratura no período de acompanhamento, e que também apresentavam dados de medicação disponíveis, um total de 21,6% relatou tomar uma medicação para osteoporose além do estrogênio. Dentre os fatores significativamente associados com uma maior probabilidade de utilização de farmacoterapia para osteoporose, incluíram: maior consumo diário de cálcio, diagnóstico de osteoporose isolada ou diagnóstico tanto de osteoporose como de fratura (comparado com o diagnóstico de fratura isolada), raça/etnia asiática ou das ilhas do pacífico (em comparação com mulheres brancas/caucasianas), maior renda, e uso de terapia hormonal (passado ou presente). Por outro lado, as mulheres menos menos propensas a realizarem o tratamento para osteoporose apresentavam as seguintes características: raça/etnia negra/afro-americana (em comparação com mulheres brancas/caucasianas), índice de massa corporal igual ou superior a 30 (em comparação com o índice de massa corporal entre 18,5-24,9), uso atual de tabaco (em comparação com o uso no passado ou sem uso ao longo da vida) e história de artrite. Os pesquisadores concluíram que o uso de farmacoterapia foi subótimo neste estudo, apesar das diretrizes de tratamento estarem bem estabelecidas em mulheres pós-menopáusicas com osteoporose ou história de fraturas. Segundo os autores, a iniciação do tratamento da osteoporose após fratura por fragilidade pode representar uma oportunidade para melhorar os resultados posteriores nessas mulheres de alto risco. Os autores destacam, ainda, que é preciso atenção específica em aumentar o tratamento entre mulheres com fraturas por fragilidade, obesidade, consumo atual de tabaco, história de artrite ou de raça/etnia negra. Uma resenha de: Osteoporosis in the Women's Health Initiative: Another Treatment Gap? Autores: Sattari M, Cauley JA, Garvan C, Johnson KC, LaMonte MJ, Li W, Limacher M, Manini T, Sarto GE, Sullivan SD, Wactawski-Wende J, Beyth RJ.

Análise de quatro marcadores sorológicos na artrite reumatoide: associação com manifestações extra-articulares no paciente e artralgia em familiares

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2017, vol.57, n.4, pp.286-293

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia, foi avaliar a frequência de quatro marcadores sorológicos em pacientes com AR e seus familiares e identificar possíveis associações com achados clínicos da doença. Foi realizado um estudo analítico transversal. Determinaram-se os níveis de anticorpos antipeptídeo citrulinado cíclico (anti-CCP), anticorpos antivimentina citrulinada-mutada (anti-MCV) e fator reumatoide (FR) IgA por Elisa e de FR-IgM por aglutinação em látex em 210 pacientes com AR, 198 familiares e 92 controles saudáveis do sul do Brasil. Coletaram-se dados clínicos e demográficos por meio da revisão de prontuários e questionários. Observou-se maior positividade para todos os anticorpos em pacientes com AR em comparação com os familiares e controles (p < 0,0001). O FR-IgA era mais frequente em familiares quando comparados com os controles (14,6% versus 5,4%, p = 0,03, OR = 2,98; IC95% = 1,11 a 7,98). O anti-CCP foi o biomarcador mais comum entre pacientes com AR (75,6%). A positividade concomitante para os quatro biomarcadores foi mais comum nos pacientes (46,2%, p < 0,0001). Familiares e controles eram positivos em sua maioria para apenas um biomarcador (20,2%, p < 0,0001 e 15,2%, p = 0,016, respectivamente). Não foi observada associação entre o número de biomarcadores positivos e a idade de início da doença, classe funcional ou exposição ao fumo. Em pacientes soronegativos, predominou a ausência de manifestações extra-articulares (MEA) (p = 0,01; OR = 3,25; IC95% = 1,16 a 10,66). A artralgia estava presente em familiares positivos, independentemente do tipo de biomarcador. Os pesquisadores concluíram que um maior número de biomarcadores estava presente em pacientes com AR com MEA. A positividade dos biomarcadores estava relacionada com a artralgia em familiares. Esses achados reforçam a ligação entre os diferentes biomarcadores e os mecanismos fisiopatológicos da AR. Uma resenha de: Análise de quatro marcadores sorológicos na artrite reumatoide: associação com manifestações extra-articulares no paciente e artralgia em familiares Autores: Nass, Flávia R. et al.

Qual o melhor ponto de corte de índice de massa corporal para diagnosticar a obesidade em mulheres com artrite reumatoide? Um estudo que usa a composição corporal pela absorciometria com raios X de dupla energia

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2017, vol.57, n.4, pp.279-285.

Medidas antropométricas universalmente usadas para diagnosticar obesidade na população geral podem não apresentar a mesma performance em pacientes com artrite reumatoide. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia, foi determinar pontos de corte do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência de cintura (CC) para detecção de obesidade em mulheres com artrite reumatoide (AR) por meio da comparação dessas medidas antropométricas habituais com os índices de adiposidade obtidos pela densitometria óssea por dupla emissão de raios X (DXA). Mulheres adultas com mais de seis meses de diagnóstico de AR foram submetidas a avaliação clínica com medidas antropométricas e à DXA com exame da composição corporal. Foram incluídas 82 pacientes, média de 55± 10,7 anos. O diagnóstico de obesidade na amostra foi de 31,7% pelo IMC, 86,6% pela circunferência de cintura e 59,8% pela DXA. Considerando a DXA o padrão-ouro, o valor de IMC acima de 25 kg/m2 foi o mais adequado para definição de obesidade nas pacientes com AR, apresentou sensibilidade de 80% e especificidade de 60%. Da mesma forma, para a CC, com 80% de sensibilidade e de 35% de especificidade, o valor encontrado foi de 86 cm para se detectar a obesidade. Segundo os pesquisadores, foi elevado o porcentual de pacientes obesas. Os pontos de corte tradicionalmente usados para obesidade não foram adequados para nossa amostra. Para essa população de pacientes femininas com diagnóstico de AR, o ponto de corte de 25 kg/m2 para IMC e de 86 cm para CC foi o mais adequado para definir obesidade. Uma resenha de: Qual o melhor ponto de corte de índice de massa corporal para diagnosticar a obesidade em mulheres com artrite reumatoide? Um estudo que usa a composição corporal pela absorciometria com raios X de dupla energia Autores: Guimaraes, Maria Fernanda B. Resende et al.

Sobrevida de pacientes nonagenários com fraturas de quadril: estudo de coorte

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Acta ortop. bras. [online]. 2017, vol.25, n.4, pp.132-136

O objetivo deste estudo, publicado no Acta Ortopédica Brasileira, foi avaliar os fatores que podem influenciar a sobrevida de nonagenários com fratura do quadril. Foram analisados retrospectivamente 134 pacientes nonagenários internados por fraturas de quadril e seus prontuários, em um período de nove anos. Efetuou-se a revisão de prontuários médicos e os dados sobre a taxa de sobrevida do Registro Nacional de População. A análise incluiu dados demográficos, classificação ASA, atrasos na cirurgia, tipo de tratamento e mortalidade. A média de idade dos pacientes foi 92,53 anos (de 90 a 103 anos). Do total, 35,8% das fraturas localizaram-se no colo do fêmur e 64,2% na região trocantérica. A mortalidade geral foi 18,7% aos 30 dias seguintes e 9% em um ano. A média de sobrevida de toda a amostra foi de 683 ± 78,1 dias, com mediana de 339 dias. A sobrevida em homens e mulheres foi, respectivamente, 595 ± 136,8 dias e 734 ± 94,6 dias. Constatamos que o tipo de fratura (p = 0,026) e a classificação ASA (p = 0,004) foram os principais fatores que influenciaram a sobrevida. A análise de sobrevida pelo método Kaplan-Meier indicou que os pacientes com fraturas extracapsulares tratados com fixação interna tiveram taxa de sobrevida melhor (p = 0,047). Não houve diferença significativa entre sexos (p = 0,102) ou no diagnóstico (p = 0,537). Os pesquisadores concluíram que apesar das numerosas comorbidades em pacientes nonagenários, o tratamento cirúrgico com fixação interna parece ser superior à abordagem conservadora. Uma resenha de: Sobrevida de pacientes nonagenários com fraturas de quadril: estudo de coorte Autores: Ovidiu, Alexa et al.

Anticorpos poliespecíficos sem antígeno persistente em esclerose múltipla, neurolupus e síndrome de Guillain-Barré: conectividade imunológica em doenças crônicas

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.8, pp.580-588.

A síntese de anticorpos poliespecíficos em esclerose múltipla (EM) ganhou relevância diagnóstica com a combinação frequente de anticorpos contra sarampo, rubéola e varicela-zoster (reação de anticorpos MRZ), mas seu papel fisiopatológico permanece desconhecido. Esta revisão, publicada nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, relaciona os dados da síntese intratecal de anticorpos poliespecíficos em EM e Neurolupus com observações no sangue de pacientes com síndrome de Guillain Barré (SGB). Simultaneamente, os títulos aumentados de anticorpos e autoanticorpos em amostras de sangue de SGB indicam que os anticorpos poliespecíficos se baseiam numa propriedade geral de uma rede imunitária, suportada pela variação determinística da concentração diária de anticorpos no sangue normal. As variações fortemente correlacionadas de anticorpos contra sarampo e rubéola apontam para uma conectividade particular entre os anticorpos MRZ. A rede imunitária, que fornece memória sorológica na ausência de um antígeno, implementa a mudança contínua do padrão MRZ no sangue, não seguida pelas células B que imigraram anteriormente sem conectividade no cérebro. Os pesquisadores concluíram que isto pode explicar os diferentes padrões de anticorpos no LCR, humor aquoso e sangue do paciente individual de EM. Uma abordagem complexa deve implementar uma visão diferente sobre a causalidade em doenças crônicas e terapias causais. Uma resenha de: Anticorpos poliespecíficos sem antígeno persistente em esclerose múltipla, neurolupus e síndrome de Guillain-Barré: conectividade imunológica em doenças crônicas Autores: Reiber, Hansotto.

Consenso brasileiro sobre distrofia muscular de Duchenne - Parte 1 diagnóstico, corticoterapia e perspectivas

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.8, pp.589-599.

Avanços na compreensão e no manejo da distrofia muscular de Duchenne (DMD) ocorreram desde a publicação de diretrizes internacionais em 2010. O objetivo deste trabalho, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, foi elaborar um consenso nacional baseado em evidências de cuidado multidisciplinar dos pacientes com DMD no Brasil. Foi utilizada a técnica de Delphi combinada com revisão sistemática da literatura de 2010 a 2016 classificando níveis de evidência e graus de recomendação. Os autores dividiram as recomendações em duas partes, sendo aqui apresentadas a parte 1, descrevendo a metodologia utilizada e conceitos gerais da doença, fornecendo recomendações sobre diagnóstico, tratamento com corticosteroides e novas perspectivas de tratamentos medicamentosos. Os pesquisadores concluíram que as principais recomendações são: 1) os testes genéticos deveriam ser a primeira linha para confirmação de casos suspeitos; 2) os pacientes com diagnóstico de DMD devem receber corticosteroides; 3) por enquanto, a falta de publicações de resultados dos ensaios clínicos de fase 3, dificulta recomendações de uso medicamentos que “saltam exons” ou “passam” por código de parada prematura. Uma resenha de: Consenso brasileiro sobre distrofia muscular de Duchenne - Parte 1 diagnóstico, corticoterapia e perspectivas Autores: Araujo, Alexandra P. Q. C. et al.

Espirometria e capnografia volumétrica na avaliação da função pulmonar de indivíduos obesos e eutróficos sem asma

30/10/2017 | Fonte: Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.4, pp.398-405.

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi analisar e comparar a função pulmonar de crianças e adolescentes obesos e eutróficos saudáveis, sem asma, pela espirometria e capnografia volumétrica. Foi realizado um estudo transversal com 77 indivíduos (38 obesos) entre cinco e 17 anos. Todos fizeram espirometria e capnografia volumétrica. Os obesos repetiram as avaliações após o uso de broncodilatador. Na avaliação da espirometria, os indivíduos obesos, quando comparados com o grupo controle, apresentaram menores valores no volume expiratório forçado no primeiro segundo pela capacidade vital forçada (VEF1/CVF) e nos fluxos expiratórios a 75% da CVF e entre 25-75% da mesma (p < 0,05). A capnografia volumétrica demonstrou que os obesos apresentam maior volume produzido de dióxido de carbono e volume corrente alveolar (p < 0,05). Além disso, a relação entre o volume espaço morto e volume corrente, bem como o slope da fase 3 normalizado pelo volume corrente, foi menor nos indivíduos saudáveis (p < 0,05). Esses dados sugerem que a obesidade não altera a homogeneidade da ventilação, mas sim dos fluxos. Ao subdividir os grupos por idade, foi observada maior diferença na função pulmonar entre indivíduos obesos e saudáveis na faixa acima de 11 anos (p < 0,05). Os pesquisadores concluíram que mesmo sem o diagnóstico de asma por critérios clínicos e sem resposta ao uso de broncodilatador, os indivíduos obesos apresentaram menores valores no VEF1/CVF e nos fluxos expiratórios forçados, o que indica a presença de processo obstrutivo. A capnografia volumétrica indicou nos indivíduos obesos maior volume corrente alveolar, sem alterações na homogeneidade da ventilação, o que sugere alteração nos fluxos, sem comprometimento dos volumes pulmonares. Uma resenha de: Espirometria e capnografia volumétrica na avaliação da função pulmonar de indivíduos obesos e eutróficos sem asma Autores: Ferreira, Mariana S. et al.

Associação entre comportamentos de estilo de vida saudável e a qualidade de vida relacionada à saúde entre adolescentes

30/10/2017 | Fonte: Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.4, pp.406-412

O objetivo desta pesquisa, publicada no Jornal de Pediatria, foi examinar a associação entre o índice de massa corporal, a atividade física, a adesão à dieta mediterrânea e a qualidade de vida relacionada à saúde em uma mostra de adolescentes espanhóis. O estudo envolveu 456 adolescentes entre 11 e 14 anos. Eles preencheram questionários sobre a dieta mediterrânea (Kidmed), atividade física (Questionário de Atividade Física para Crianças mais velhas, PAQ-C) e qualidade de vida (Kidscreen27). Foi calculado o índice de massa corporal. Análises de regressão linear hierárquica foram usadas para determinar se a qualidade de vida relacionada à saúde pode ser prevista pelas variáveis medidas. As variáveis foram introduzidas de forma gradual com a dieta mediterrânea na primeira etapa, índice de massa corporal na segunda etapa e atividade física na terceira. A dieta mediterrânea representou 4,6% da variância na qualidade de vida relacionada à saúde dos adolescentes e uma maior adesão à dieta mediterrânea foi preditiva de maiores escores de qualidade de vida relacionados à saúde. O índice de massa corporal representou um adicional de 4,1% de variância e um maior índice de massa corporal foi preditivo de menores escores de qualidade de vida relacionada à saúde. Por fim, a atividade física representou um adicional de 11,3% da variância e um maior nível de atividade física foi associado a maiores escores de qualidade de vida relacionada à saúde. Juntas, essas variáveis representam 20% da variância na qualidade de vida relacionada à saúde dos adolescentes. Segundo os pesquisadores, a atividade física, o índice de massa corporal e a adesão à dieta mediterrânea são importantes componentes para considerar ao visar melhorias na qualidade de vida relacionada à saúde dos adolescentes, a atividade física é o componente com maior influência. Uma resenha de: Associação entre comportamentos de estilo de vida saudável e a qualidade de vida relacionada à saúde entre adolescentes Autores: Muros, José J. et al.

Índice de massa corporal na adolescência e mortalidade específica por doença cardiovascular na meia idade

27/10/2017 | Fonte: Fonte: J Clin Endocrinol Metab. 2017 Aug 1;102(8):3011-3020

Estudos indicam um aumento nas mortes cardiovasculares não relacionadas à doença arterial coronariana, ao passo que esta tem apresentado uma diminuição na taxa de mortalidade. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, foi investigar a associação entre o índice de massa corporal (IMC) no final da adolescência com mortalidade atribuída a resultados cardiovasculares não relacionados à doença arterial coronariana. Trata-se de uma coorte nacional que contou com a participação de 2.294.139 adolescentes entre 1967 e 2010. As medidas de massa corporal e estatura foram mensuradas quando os participantes tinham 17 anos. As notificações de morte como causas subjacentes a eventos cardiovascular foram codificadas pelo Central Bureau of Statistics e obtidas por Linkage com aplicação dos modelos de risco proporcionais de Cox. Foram consideradas como principais resultados: morte atribuída a arritmias fatais, doença cardíaca hipertensiva, cardiomiopatias, doença arterial, insuficiência cardíaca e embolia pulmonar. Os resultados revelaram um total de 3.178 mortes por causas cardiovasculares (42.297.007 pessoas-ano de seguimento), das quais 279, 122, 121, 114, 94 e 70 foram atribuídas, respectivamente, à morte por arritmias fatais, doença cardíaca hipertensiva, cardiomiopatias, doença arterial, insuficiência cardíaca e embolia pulmonar. Houve uma associação positiva entre o IMC e todos os resultados do estudo com variação da razão de risco (HRs) por unidade de incremento no IMC de 1,09 [95% de intervalo de confiança (IC): 1,03 a 1,16] para doença arterial e de até 1,16 (IC 95%: 1,11 a 1,21) para doença cardíaca hipertensiva. Quando o IMC foi tratado como uma variável categórica, houve um aumento graduado do risco entre as categorias de IMC “alto-normal” (22,0 a <25,0 kg/m2) para “excesso de peso” até “obesos”, com HRs de 1,4, 1,7 e 3,7 para arritmias; 1,9, 4,1 e 8,0 para doença cardíaca hipertensiva; 1,5, 2,4 e 4,0 para cardiomiopatias, 2,7, 5,0 e 3,5; para doença arterial, 1,7, 2,7 e 5,4 para insuficiência cardíaca; e 1,3, 1,8 e 3,0 para embolia pulmonar. Os resultados persistiram em extensas análises de sensibilidade. Os pesquisadores concluíram que o IMC do adolescente dentro de um intervalo considerado normal está associado a resultados cardiovasculares não graves e não relacionados à doença arterial coronariana. Uma resenha de: Adolescent Body Mass Index and Cardiovascular Disease-Specific Mortality by Midlife Autores: Twig G, Ben-Ami Shor D, Furer A, Levine H, Derazne E, Goldberger N, Haklai Z, Levy M, Afek A, Leiba A, Kark JD.

Preditores de Síndrome Metabólica em Idosos: Uma Revisão

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Int. J. Cardiovasc. Sci. [online]. 2017, vol.30, n.4, pp.343-353

Este artigo, publicado no International Journal of Cardiovascular Sciences, teve como objetivo analisar criticamente estudos que avaliaram a habilidade dos indicadores antropométricos e clínicos enquanto capazes de predizer a SM em idosos. Foi realizado uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados Medline/PubMed, LILACS e SciELO, além das referências de artigos selecionados e contato com autores. Foram analisados 21 artigos envolvendo indicadores antropométricos e clínicos em idosos, através de diferentes critérios da SM. Catorze estudos reportam aos indicadores antropométricos, sendo a circunferência da cintura (CC) e a razão cintura-estatura (RCEst) descritos como os melhores preditores de SM, com área sob a curva ROC (AUC) superior a 0,70 (p < 0,05). A circunferência do pescoço também foi descrita como indicador alternativo, porém com menor poder discriminatório. Para os indicadores clínicos, o lipid product accumulation (LAP) foi o parâmetro com melhor desempenho em identificar a SM em idosos, com AUC superior 0,85 e eficiência superior a 70%. O pesquisadores concluíram que os indicadores CC, RCEst e LAP foram os mais sensíveis na predicação da SM. Desta forma, o emprego desses parâmetros podem facilitar a identificação precoce da SM através de métodos diagnósticos de fácil aplicação, boa precisão e baixo custo. Além disso, é importante a determinação de pontos de corte específicos para idosos, uma ver que a obesidade por si só, parece não ser forte preditor de SM em idosos. Uma resenha de: Preditores de Síndrome Metabólica em Idosos: Uma Revisão Autores: Oliveira, Carolina Cunha de et al.

Gordura Corporal e Ácido Úrico Estão Relacionados com Escores de Risco Cardiovascular? Análise Transversal no Programa de Intervenção PROCADIOUFV

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Int. J. Cardiovasc. Sci. [online]. 2017, vol.30, n.4, pp.313-324

Os escores de risco são ferramentas utilizadas para indicar a probabilidade de ocorrência de certo evento cardiovascular e identificar previamente os indivíduos com baixo, médio e alto risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O objetivo deste estudo, publicado no International Journal of Cardiovascular Sciences, foi estabelecer o risco cardiovascular dos usuários de um programa de atenção à saúde cardiovascular de uma universidade, bem como avaliar a relação dos mesmos com estilo de vida, dados clínicos, sociodemográficos e outros marcadores de risco cardiometabólico. Foi realizado um estudo transversal com amostra de 197 participantes, dos quais foram coletados dados demográficos, antropométricos, clínico-metabólicos, hábitos alimentares e do estilo de vida por meio do Escore de Risco Global e do Escore de Risco de Framingham. Valor de p < 0,05 foi considerado estatisticamente significante. De acordo com o Escore de Risco de Framingham, 84% da população analisada foi considerada baixo risco e 16% de risco intermediário/alto, enquanto que, de acordo com Escore de Risco Global, 18% foram baixo risco, 45% de risco intermediário e 37% de alto risco para infarto ou morte por doença coronária em 10 anos. Os pesquisadores concluíram que o excesso de peso corporal e os valores séricos de ácido úrico se demonstraram importantes marcadores de risco cardiovascular, além daqueles dos escores, de modo que deveriam ser considerados na prática clínica. Uma resenha de: Gordura Corporal e Ácido Úrico Estão Relacionados com Escores de Risco Cardiovascular? Análise Transversal no Programa de Intervenção PROCADIO-UFV Autores: Rodrigues, Juliane Soares; Almeida, Alinne Paula De; Rosa, Carla De Oliveira Barbosa e Hermsdorff, Helen Hermana Miranda.

Associação de variantes genéticas relacionadas a inibidores da CETP e estatinas com níveis de lipoproteína e risco cardiovascular

27/10/2017 | Fonte: Fonte: JAMA. 2017 Sep 12;318(10):947-956

Estudos demonstram que inibidores da proteína de transferência de éster de colesterol (CETP) reduzem os níveis de colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) sem reduzir eventos cardiovasculares, sugerindo que o benefício clínico da redução de LDL-C depende também da forma como ocorre esta redução. O objetivo deste estudo, publicado no Journal of American Medical Association, foi estimar a associação entre as alterações nos níveis de LDL-C (e outras lipoproteínas) e o risco de eventos cardiovasculares relacionados a variantes no gene CETP, tanto de forma isoalada como em combinação com variantes no gene da 3-hidroxi-3metilglutaril-CoA redutase (HMGCR). Para a realização deste estudo, foi utilizada uma randomização mendeliana a fim de avaliar a associação entre os escores CETP e HMGCR, alterações nos níveis de lípides e lipoproteínas, além do risco de eventos cardiovasculares. Foram envolvidos cerca de 102.837 participantes de 14 estudos de coorte ou caso-controle realizados na América do Norte ou no Reino Unido entre 1948 e 2012. As associações com eventos cardiovasculares foram validadas externamente em 189.539 participantes de 48 estudos realizados entre 2011 e 2015. Foram avaliadas as diferenças nos níveis médios de colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL-C), LDL-C e apolipoproteína B (apoB) em participantes com escores CETP tanto acima como abaixo da mediana. O valor de odds ratio (OR) para eventos cardiovasculares maiores foi considerado como resultado primário. A análise primária incluiu 102.837 participantes (idade média, 59,9 anos, 58% mulheres) que apresentaram 13.821 eventos cardiovasculares maiores. As análises de validação, por sua vez, incluíram 189.539 participantes com média de idade de 58,5 anos, sendo 39% mulheres que apresentaram cerca de 62.240 casos de doença arterial coronariana. Considerado em uma análise isolada, o escore CETP foi associado a níveis mais altos de HDL-C, menores de LDL-C e apoB concordantemente menor, bem como um risco reduzido correspondente de eventos vasculares maiores (OR, 0,946 [IC 95%, 0,921-0,972]). Tais resultados foram semelhantes em magnitude à associação entre o escore HMGCR e o risco de eventos cardiovasculares maiores por unidade de alteração nos níveis de LDL-C (e apoB). Quando combinado com o escore HMGCR, o escore CETP foi associado à mesma redução nos níveis de LDL-C, mas uma redução atenuada nos níveis de apoB e um correspondente risco não significativo atenuado de eventos cardiovasculares maiores (OR, 0,985 [IC 95%, 0,955-1,015]). Em comparação com um escore genético associado a alterações concordantes nos níveis de LDL-C e apoB, análises de validação externa mostraram que um escore genético consistente em variantes com discordância natural entre os níveis de LDL-C e apoB foi associado a um risco similar de doença arterial coronariana por unidade de alteração no nível apoB (OR, 0,782 [IC 95%, 0,720-0,845] vs 0,793 [IC 95%, 0,774-0,812], P = 0,79 para a diferença), mas também houve associação com um risco significativamente atenuado de doença arterial coronariana por unidade de mudança no nível de LDL-C (OR, 0,916 [IC 95%, 0,890-0,943] vs 0,831 [IC 95%, 0,816-0,847]; P <0,001) Os pesquisadores concluíram que a exposição combinada a variantes nos genes que codificam os alvos de inibidores de CETP e estatinas foi associada a reduções discordantes nos níveis de LDL-C e apoB e a um risco correspondente de eventos cardiovasculares que foi proporcional à redução atenuada na apoB, mas significativamente menor do que o esperado por mudança de unidade no LDL-C. Segundo os autores, o benefício clínico da redução dos níveis de LDL-C pode, portanto, depender da redução correspondente nas partículas de lipoproteínas contendo apoB. Uma resenha de: Association of Genetic Variants Related to CETP Inhibitors and Statins With Lipoprotein Levels and Cardiovascular Risk. Autores: Ference BA, Kastelein JJP, Ginsberg HN, Chapman MJ, Nicholls SJ, Ray KK, Packard CJ, Laufs U, Brook RD, Oliver-Williams C, Butterworth AS, Danesh J, Smith GD, Catapano AL, Sabatine MS.

Propriedades elétricas avaliadas por espectroscopia de impedância bioelétrica como biomarcadores da perda quantitativa e qualitativa músculo esquelética relacionada à idade

27/10/2017 | Fonte: Fonte: J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2017 Sep 1;72(9):1180-1186

O músculo esquelético, além de ser composto por fibras celulares com propriedades fisiológicas e metabólicas heterogêneas, também é formado por componentes extracelulares que não contribuem para a geração de força tensional positiva. Neste estudo, publicado no The Journals of Gerontology. Series A, Biological Sciences and Medical Sciences, os autores investigaram a massa e a composição intracelular do músculo esquelético por espectroscopia de impedância bioelétrica segmentar (S-BIS). Segundo os autores, a S-BIS consegue avaliar propriedades elétricas que podem estar relacionadas à geração de força muscular, haja vista que as membranas das fibras musculares, que separam os componentes intra e extracelulares, são formadas por bicamadas lipídicas que atuam como capacitores elétricos. Os autores relataram que as medidas do S-BIS representaram cerca de 85% da diminuição da força muscular apendicular relacionada à idade em comparação com cerca de 49% para as medidas de absorciometria com raios-x de energia dupla (DXA). Os indicadores de compartimentos extracelulares (não contráteis) e celulares (contrácteis) do músculo esquelético foram determinados utilizando Cole-Cole plot a partir de medidas do S-BIS. Os resultados também mostraram que a análise conjunta da frequência característica, capacitância da membrana e ângulo de fase determinados pela análise de Cole-Cole apresentaram um modelo complexo S-BIS que explicava 79% da variância interindividual da potência muscular da perna. Os pesquisadores concluíram que os resultados do presente estudo reforça o valor do SBIS para mensurar a composição muscular, ao contrário do conteúdo de massa magra como mensurado pelo DXA, e propõe que o S-BIS deve ser altamente informativo na fisiologia do músculo esquelético. Uma resenha de: Electrical Properties Assessed by Bioelectrical Impedance Spectroscopy as Biomarkers of Age-related Loss of Skeletal Muscle Quantity and Quality Autores: Yamada Y, Buehring B, Krueger D, Anderson RM, Schoeller DA, Binkley N.

Impacto do declínio cognitivo pós-operatório na qualidade de vida: estudo prospectivo

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Anestesiol. [online]. 2017, vol.67, n.4, pp.362-369

Independente do progresso do tratamento no período perioperatório, o declínio cognitivo no pósoperatório (DCPO) é inequivocamente aceito como uma complicação importante e frequente da cirurgia em pacientes mais velhos. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Anestesiologia, foi avaliar a incidência de DCPO e sua influência na qualidade de vida três meses após a cirurgia. Foi realizado um estudo prospectivo observacional conduzido em Sala de Recuperação Pósanestesia (SRPA) com pacientes de idade superior a 45 anos, após cirurgia eletiva de grande porte. A função cognitiva foi avaliada com o teste de Avaliação Cognitiva de Montreal (MOCA) e a qualidade de vida (QV) com o Questionário sobre Qualidade de Vida (SF-36). As avaliações foram realizadas no pré-operatório (T0) e três meses após a cirurgia (T3). Foram avaliados 41 pacientes. A incidência de DCPO três meses após a cirurgia foi de 24%. Em T3, os escores MOCA foram menores nos pacientes com DCPO (mediana 20 vs. 25, p = 0,009). Ao comparar as medianas dos escores para cada um dos domínios do SF-36, não foram observadas diferenças entre os pacientes com e sem DCPO. Ao comparar cada um dos domínios do SF-36 obtidos antes e após três meses de cirurgia, os pacientes com DCPO apresentaram resultados semelhantes para cada uma das oito áreas do SF-36, enquanto pacientes sem DCPO apresentaram resultados melhores em seis domínios. Em T3, os pacientes com DCPO apresentaram níveis mais elevados de dependência na realização de atividades cotidianas. Segundo os pesquisadores, três meses após a cirurgia, os pacientes sem DCPO apresentaram melhora significativa dos escores MOCA. Os pacientes com DCPO não apresentaram aumento dos escores SF-36, mas os pacientes sem DCPO apresentaram melhora em quase todos os domínios do SF-36. Os pacientes com DCPO apresentaram taxas mais elevadas de dependência na realização de atividades cotidianas após a cirurgia. Uma resenha de: Impacto do declínio cognitivo pós-operatório na qualidade de vida: estudo prospectivo Autores: Borges, Joana et al.

Assepsia vaginal antes do parto por cesariana: revisão sistemática e meta-análise

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Obstet Gynecol. 2017 Sep;130(3):527-538

O objetivo deste estudo, publicado no Obstetrics and Gynecology foi investigar a eficácia da assepsia vaginal antes da cesariana na redução da endometrite pós-operatória. Para a realização do estudo foram realizadas buscas nas bases de dados MEDLINE, Ovid, EMBASE, Scopus, Clinicaltrials.gov e Cochrane Library até janeiro de 2017. Foram considerados para inclusão todos os ensaios controlados randomizados que comparavam a assepsia vaginal (o grupo de intervenção) com um grupo controle (placebo ou sem intervenção) em mulheres submetidas à cesariana. Não houve critérios de exclusão quanto ao método ou solução antisséptica utilizados na assepsia vaginal. A incidência de endometrite foi considerada como desfecho primário. A meta-análise foi realizada utilizando o modelo de efeitos aleatórios de DerSimonian e Laird para produzir efeitos de tratamento em termos de risco relativo (RR) com intervalo de confiança (IC) de 95%. Foram incluídos cerca de 16 estudos (4.837 mulheres) que investigaram a assepsia vaginal imediatamente antes da cesariana. Os resultados indicaram que o iodopovidona a 10% foi a solução mais utilizada na maioria dos estudos, sendo que o método mais comum de realizar a assepsia foi pelo uso de um bastão esponjoso por aproximadamente 30 segundos. As mulheres que receberam assepsia vaginal antes da cesariana tiveram incidência significativamente menor de endometrite (4,5% em comparação com 8,8%, RR 0,52, IC 95% 0,37-0,72, 15 estudos, 4,726 participantes) e febre pós-operatória (9,4% em comparação com 14,9%, RR 0,65, IC 95% 0,500,86, 11 estudos, 4.098 participantes) em comparação com o grupo controle. No entanto, os resultados das análises de subgrupos revelaram redução da incidência de endometrite após limpeza vaginal somente nas mulheres em trabalho de parto antes da cesariana (8,1% versus 13,8%, RR 0,52, IC 95% 0,28-0,97, 4 estudos, 440 participantes) ou naquelas com ruptura de membranas (4,3% em comparação com 20,1%, RR 0,23, IC 95% 0,10-0,52, 3 estudos, 272 participantes). Os pesquisadores concluíram que a assepsia vaginal imediatamente antes da cesariana nas mulheres em trabalho de parto e com ruptura de membranas reduz o risco de endometrite pós-operatória. Os autores destacam, ainda, que a assepsia vaginal com um bastão esponjoso e iodopovidona a 10% durante pelo menos 30 segundos é recomendada antes da cesariana por ser um uma intervenção simples e geralmente de baixo custo. Por fim, os autores salientam que são necessários mais dados para avaliar se esta intervenção também poderia ser útil em partos por cesariana, mas realizados em mulheres que não estão em trabalho de parto ou que não tiveram ruptura de membranas. Uma resenha de: Vaginal Cleansing Before Cesarean Delivery: A Systematic Review and Metaanalysis. Autores: Caissutti C, Saccone G, Zullo F, Quist-Nelson J, Felder L, Ciardulli A, Berghella V.

Mortalidades globais, regionais e nacionais, prevalência, anos de vida ajustados por incapacidade e anos vividos com incapacidade para doença pulmonar obstrutiva crônica e asma, 1990-2015: uma análise sistemática para o estudo Global Burden of Disease 2015

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet Respir Med. 2017 Sep;5(9):691-706

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a asma são doenças comuns com distribuição heterogênea em todo o mundo. Neste estudo, publicado no Lancet. Respiratory Medicine, os autores utilizam dados do estudo Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors (GBD) 2015 para descreverem os métodos e doenças, bem como as estimativas de risco para a DPOC e asma. O estudo GBD apresenta atualizações anuais para 188 países sobre estimativas de óbitos, prevalência e anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs), uma medida resumida de resultados fatais e não fatais, para mais de 300 doenças e lesões, desde 1990 até o ano mais recente. Neste estudo, o número de óbitos por DPOC e asma foi estimado por meio da ferramenta CODEm (Cause of Death Ensemble modelling). Primeiramente, foram analisados os dados do registro vital e autópsia verbal agregando todas as categorias de doenças respiratórias crônicas. Em seguida, os modelos foram analisados para asma e DPOC dependendo de covariáveis para prever taxas em países que têm dados de registro incompletos ou inexistentes. As estimativas de doenças para DPOC e asma foram baseadas em revisões sistemáticas de artigos publicados, relatórios não publicados, pesquisas e dados de serviços de saúde dos EUA. A definição de DPOC e asma teve como referência, respectivamente, o conceito baseado em espirometria da Global Initiative of Chronic Obstructive Lung Disease e um diagnóstico relatado de asma com sibilância atual. As estimativas de incidência e prevalência foram obtidas por meio de metarregressão bayesiana (DisMod-MR 2.1). Também foram estimadas as frações atribuíveis à população dos fatores de risco para DPOC e asma a partir de dados de exposição, riscos relativos e um nível teórico mínimo de exposição. Os resultados foram estratificados pelo Índice SocioDemográfico (SDI), uma medida composta pela renda per capita, anos médios de educação com idade superior a 15 anos, e taxa de fertilidade total. Os resultados mostraram que no ano de 2015, aproximadamente 3,2 milhões de pessoas (intervalo de incerteza de 95% [UI] 3,1 milhões a 3,3 milhões) morreram pela DPOC em todo o mundo, o que corresponde a um aumento de 11,6% (95% UI 5,3 a 19,8) em comparação com 1990. Embora tenha havido uma diminuição da taxa de mortalidade padronizada pela idade de 41,9% (37,7 a 45,1), tal resultado foi contrabalanceado pelo crescimento e pelo envelhecimento populacional global. Entre 1990 e 2015, a prevalência da DPOC aumentou 44,2% (41,7 a 46,6), enquanto que a prevalência padronizada pela idade diminuiu 14,7% (13,5 a 15,9). Em 2015, estima-se que 0,4 milhões de pessoas (0,36 milhões a 0,44 milhões) morreram de asma, uma diminuição de 26,7% (-7,2 a 43,7) em relação a 1990, enquanto que a taxa de mortalidade padronizada pela idade diminuiu 58,8% (39,0 a 69,0). Os resultados também indicaram aumento da prevalência de asma em 12,6% (9,0 a 16,4), enquanto que a prevalência padronizada pela idade diminuiu 17,7% (15,1 a 19,9). Os resultados relacionados ao índice sócio-demográfico (SDI) estimaram um aumento das taxas de DALY padronizadas pela idade devido à DPOC até o intervalo médio da SDI com redução acentuada subsequente. As taxas de DALY padronizadas pela idade devido à asma em ambos os sexos diminuíram de forma monótona com aumento do SDI. A relação entre as taxas SDI e DALY devido à asma foi atribuída à variação nos anos de vida perdidos (YLLs), enquanto as taxas de DALY devido à DPOC variaram de forma semelhante para YLLs e anos vividos com incapacidade em todo o continuo SDI. Os principais fatores de risco para DPOC incluem o tabagismo e o material particulado do ambiente, seguidos pela poluição do ar doméstico, partículas no ambiente de trabalho, ozônio e fumo passivo. Estima-se que juntos, esses riscos explicaram 73,3% (95% UI 65,8 a 80,1) de DALYs devido a DPOC. O tabagismo e a exposição a agentes no ambiente de trabalho foram os únicos riscos quantificados para a asma na GBD, representando 16,5% (14,6 a 18,7) de DALYs por asma. Os pesquisadores concluíram que a asma foi a doença respiratória crônica mais prevalente em todo o mundo em 2015, com o dobro do número de casos de DPOC. Segundo os autores, as mortes por DPOC foram cerca de 8 vezes mais comuns do que as mortes por asma, sendo que em 2015 a DPOC e asma causaram, respectivamente, 2,6% e 1,1% dos DALYs globais. Os autores argumentam que embora existam esforços colaborativos internacionais consideráveis para produção de pesquisas mais comparáveis entre asma e DPOC, não há consenso sobre as definições de casos e como mesurar a gravidade da doença para medidas populacionais de saúde como GBD. Por fim, os autores destacam que as comparações entre os países e ao longo do tempo são importantes, de modo que grande parte da carga respiratória crônica é evitável ou tratável com intervenções acessíveis. Uma resenha de: Global, regional, and national deaths, prevalence, disability-adjusted life years, and years lived with disability for chronic obstructive pulmonary disease and asthma, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Autores: GBD 2015 Chronic Respiratory Disease Collaborators.

Tarefas motoras simples predizem independentemente a falha de extubação em pacientes neurológicos críticos

27/10/2017 | Fonte: Fonte: J. bras. pneumol. [online]. 2017, vol.43, n.3, pp.183-189

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, foi avaliar a utilidade de tarefas motoras simples, tais como preensão de mão e protrusão da língua, para predizer extubação malsucedida em pacientes neurológicos críticos. Foi realizado um estudo prospectivo de coorte realizado na UTI neurológica de um hospital terciário em Porto Alegre (RS). Pacientes adultos que haviam sido intubados por motivos neurológicos e que eram candidatos ao desmame foram incluídos no estudo. O estudo avaliou se a capacidade dos pacientes de realizar tarefas motoras simples como apertar as mãos do examinador e pôr a língua para fora seria um preditor de extubação malsucedida. Foram coletados dados referentes ao tempo de ventilação mecânica, tempo de internação na UTI, tempo de internação hospitalar, mortalidade e incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica. Foram incluídos na análise 132 pacientes intubados que haviam recebido ventilação mecânica durante pelo menos 24 h e que passaram no teste de respiração espontânea. A regressão logística mostrou que a incapacidade dos pacientes de apertar a mão do examinador (risco relativo = 1,57; IC95%: 1,01-2,44; p < 0,045) e de pôr a língua para fora (risco relativo = 6,84; IC95%: 2,49-18,8; p < 0,001) foram fatores independentes de risco de extubação malsucedida. Houve diferenças significativas entre os pacientes nos quais a extubação foi malsucedida e aqueles nos quais a extubação foi bem-sucedida quanto à pontuação obtida no Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II (p = 0,02), pontuação obtida na Escala de Coma de Glasgow no momento da extubação (p < 0,001), abertura dos olhos em resposta ao comando (p = 0,001), PImáx (p < 0,001), PEmáx (p = 0,006) e índice de respiração rápida e superficial (p = 0,03). Os pesquisadores concluíram que a incapacidade de obedecer a comandos motores simples é preditora de extubação malsucedida em pacientes neurológicos críticos. Preensão de mão e protrusão da língua em resposta ao comando podem ser testes rápidos e fáceis realizados à beira do leito para identificar pacientes neurológicos críticos que sejam candidatos à extubação. Uma resenha de: Tarefas motoras simples predizem independentemente a falha de extubação em pacientes neurológicos críticos Autores: Kutchak, Fernanda Machado et al.

Prevalência e variáveis preditivas de distúrbios respiratórios do sono em pacientes com DPOC e hipoxemia leve

27/10/2017 | Fonte: Fonte: J. bras. pneumol. [online]. 2017, vol.43, n.3, pp.176-182

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, foi inferir a prevalência e as variáveis preditivas de hipoxemia noturna e apneia obstrutiva do sono (AOS) em pacientes portadores de DPOC com hipoxemia leve. Foi realizado um estudo transversal realizado em pacientes ambulatoriais, clinicamente estáveis, portadores de DPOC e hipoxemia leve (saturação de oxigênio = 90-94%) em um centro clínico especializado no atendimento de doenças respiratórias em Goiânia (GO). Os pacientes foram submetidos à avaliação clínica, espirometria, polissonografia, ecocardiografia, gasometria arterial, teste de caminhada de seis minutos e radiografia de tórax. Foram avaliados 64 pacientes com DPOC e hipoxemia leve, e 39 (61%) apresentaram distúrbios respiratórios do sono (14 com AOS e 25 com hipoxemia noturna isolada). A análise de correlação mostrou moderada correlação da PaO2 com saturação média do sono (r = 0,45; p = 0,0002), saturação média do sono rapid eye movement (REM; r = 0,43; p = 0,001) e saturação média do sono não-REM (r = 0,42; p = 0,001). Um ponto de corte de PaO2 = 70 mmHg (OR = 4,59; IC95%: 1,54-13,67; p = 0,01) na gasometria arterial foi significativamente associada com distúrbios respiratórios do sono. O modelo mostrou que, para identificar distúrbios respiratórios do sono, o ponto de corte teve uma especificidade de 73,9% (IC95%: 51,6-89,8%), uma sensibilidade de 63,4% (IC95%: 46,9-77,9%) e valores preditivos positivo e negativo de 81,3% (IC95%: 67,790,0%) e 53,1% (IC95%: 41,4-64,4%), respectivamente. A área sob a curva ROC foi de 0,69 (IC95%: 0,57-0,80), e a proporção de observações corretamente classificadas foi de 67,2% dos casos. Os pesquisadores concluíram que a elevada prevalência de distúrbios respiratórios do sono em portadores de DPOC e hipoxemia leve nesta amostra (61%) sugere que esses pacientes podem se beneficiar da realização de estudos do sono. Uma resenha de: Prevalência e variáveis preditivas de distúrbios respiratórios do sono em pacientes com DPOC e hipoxemia leve Autores: Silva Junior, José Laerte Rodrigues et al.

Concentração de mucina na via aérea como marcador da bronquite crônica

27/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Sep 7;377(10):911-922

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é caracterizada por componentes bronquíticos crônicos e enfisematosos. Tendo como base um modelo biofísico, acredita-se que a concentração de mucina nas superfícies das vias aéreas seja um elemento chave para o transporte de muco em pessoas saudáveis, bem como a suspensão deste transporte em pessoas com doenças pulmonares muco-obstrutivas. Nesse sentido, postula-se que a alta concentração de mucina produz o escarro e a progressão da doença que são características da bronquite crônica. Para a realização deste estudo, publicado no New England Journal of Medicine, foi avaliado o estado da DPOC de 917 participantes pertencentes à coorte SPIROMICS (Subpopulations and Intermediate Outcome Measures in Study). Nesta avaliação, foram utilizados questionários administrados aos participantes, tomografia de tórax, espirometria e exame de escarro induzido. As concentrações totais de mucina no escarro foram medidas com o uso de cromatografia por exclusão de tamanho e refratometria. Em 148 desses participantes, as mucinas respiratórias secretadas MUC5AC e MUC5B foram quantificadas por meio de espectrometria de massa. As análises dos dados de questionários de bronquite crônica e das concentrações totais de mucina no escarro foram realizadas em uma coorte independente de 94 participantes. Os resultados indicaram concentrações (médias ± desvio padrão) maiores de mucina total em fumantes atuais ou ex-fumantes com DPOC grave do que em controles que nunca fumaram (3,166 ± 402 versus 1,515 ± 152 µg por mililitro). Tais valores também foram maiores em participantes com duas ou mais exacerbações respiratórias por ano do que naqueles com nenhuma exacerbação (4,194 ± 878 versus 2,458 ± 113 µg por mililitro). As concentrações absolutas de MUC5B e MUC5AC em fumantes atuais ou anteriores com DPOC grave foram aproximadamente 3 e 10 vezes mais altas, respectivamente, em comparação aos controles que nunca haviam fumado. O resultado da análise da curva característica de operação do receptor da associação entre a concentração total de mucina e o diagnóstico de bronquite crônica produziu uma área sob a curva de 0,72 (intervalo de confiança 95%, 0,65 a 0,79) para a coorte SPIROMICS e 0,82 (IC 95%, 0,73 a 0,92) para a coorte independente. Os pesquisadores concluíram que as concentrações de mucina da via aérea podem quantificar um componente “chave” da cascata fisiopatológica da bronquite crônica que produz escarro e intervém na gravidade da doença. Os autores destacam para a necessidade de mais estudos que investiguem as concentrações totais de mucina no escarro como biomarcador diagnóstico e alvo terapêutico para bronquite crônica. Uma resenha de: Airway Mucin Concentration as a Marker of Chronic Bronchitis Autores: Kesimer M, Ford AA, Ceppe A, et al.

Associações genéticas com a duração gestacional e o nascimento pré-termo espontâneo

27/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Sep 6. [Epub ahead of print]

Estudos demonstram evidências acerca da contribuição de fatores genéticos para a duração da gestação e para o risco de nascimento pré-termo, porém ainda não foram identificadas associações robustas com variantes genéticas. Neste estudo, publicado no New England Journal of Medicine, os autores utilizaram grandes conjuntos de dados que incluíam a duração gestacional para determinar possíveis associações genéticas. Foi realizado um estudo de associação genome-wide em um conjunto de amostras, denominadas aqui de conjunto “revelação”, obtidas de 43.568 mulheres com ascendência europeia. A duração gestacional foi utilizada como um traço contínuo e os nascimentos a termo ou pré-termo (<37 semanas) como resultado dicotômico. Também foram utilizadas amostras de três conjuntos de dados nórdicos (envolvendo um total de 8.643 mulheres; conjuntos “replicação”) para testar a replicação de loci genômicos que apresentaram associação genoma-wide significativa (P<5,0×108) ou uma associação com significância sugestiva (P<1,0×10-6) no conjunto “revelação”. Os resultados mostraram uma associação significativa de quatro loci (EBF1, EEFSEC, AGTR2 e WNT4) com a duração gestacional em ambos os conjuntos “revelação” e “replicação”. A análise funcional indicou que uma variante no gene WNT4 altera a ligação do receptor de estrogênio. Também foi identificada uma associação com significância sugestiva entre variantes nos genes ADCY5 e RAP2C e a duração gestacional no conjunto “revelação”, e uma associação com evidência significativa nos conjuntos “replicação”. Essas variantes também mostraram significância genoma-wide em uma análise conjunta. As variantes comuns em EBF1, EEFSEC e AGTR2 mostraram uma associação com o parto pré-termo com significância genoma-wide. Uma análise de díades mãe-bebê sugeriu que essas variantes atuam ao nível do genoma materno. Os pesquisadores concluíram que, neste estudo de associação genoma-wide, as variantes nos loci EBF1, EEFSEC, AGTR2, WNT4, ADCY5 e RAP2C foram associadas à duração gestacional e as variantes nos loci EBF1, EEFSEC e AGTR2 com parto pré-termo. Segundo os autores, os papéis previamente estabelecidos desses genes no desenvolvimento uterino, nutrição materna e controle vascular fundamentam o envolvimento dos mesmos em mecanismos subjacentes. Uma resenha de: Genetic Associations with Gestational Duration and Spontaneous Preterm Birth Autores: Zhang G, Feenstra B, Bacelis J, et al.

Efeito sinérgico da hiperglicemia e do estado da infecção por Helicobacter pylori no risco de adenoma colorretal

27/10/2017 | Fonte: Fonte: J Clin Endocrinol Metab. 2017 May 4. [Epub ahead of print]

Estudos demonstram uma possível relação entre o Helicobacter pylori e diabetes mellitus tipo 2 enquanto fatores de risco para o adenoma do cólon. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, foi investigar a relação entre o estado de H. pylori e hiperglicemia sobre o risco de adenoma colorretal. Trata-se de um estudo transversal e retrospectivo realizado no MacKay Memorial Hospital, em Taiwan. Foram selecionados cerca de 3.943 pacientes com idade superior a 40 anos, submetidos a uma endoscopia gastrointestinal bidirecional entre julho de 2006 e junho de 2015. Todos os indivíduos apresentavam uma amostra de biópsia gástrica testada para H. pylori. Foram analisados os pacientes com adenoma colorretal com e sem infecção por H. pylori em diferentes níveis de HbA1c. Os resultados indicaram prevalência de 37,3% e 27,29% para adenomas colorretais em pacientes com H. pylori positivo e negativo, respectivamente. A análise de regressão logística multivariada identificou os seguintes fatores de risco independentes para adenoma: gênero masculino, idade, índice de massa corporal, infecção por H. pylori e HbA1c >6,5%. O uso de agentes hipoglicêmicos diminuiu esse risco, além disso a prevalência de adenoma aumentou com níveis elevados de HbA1c, independentemente do estado de H. pylori. O odss ratio para adenoma foi de 1,44 (IC 95%: 1,20-1,73) com H. pylori presente ou 1,68 (IC 95%: 1,05-2,70) em pacientes H. pylori-negativos, mas com HbA1c >7,0%. No entanto, caso ambas as condições estivessem presentes, o odds ratio era 4,79 (IC 95% 2,92-7,84). Os resultados também mostraram que um aumento de 1% na HbA1c foi associado a uma maior prevalência de adenoma de 42,4% em indivíduos com H. pylori-positivos. Os pesquisadores concluíram que a combinação de infecção por H. pylori e HbA1c elevada está associada ao risco aumentado de adenoma colorretal. Uma resenha de: Synergistic effect of hyperglycemia and Helicobacter pylori infection status on colorectal adenoma risk Autores: Hu KC, Wu MS, Chu CH, Wang HY, Lin SC, Liu SC, Liu CC, Su TH, Chen CL, Liu CJ, Shih SC.

Características clínicas e demográficas preditivas de rinite alérgica e não alérgica em crianças de 6 a 18 anos: experiência de um único centro com 1.535 pacientes

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2017 Jul;98:103-109

A rinite crônica afeta consideravelmente tanto as atividades diárias dos pacientes pediátricos, que inclui o absentismo escolar, bem como onera e sobrecarrega as unidades de saúde. A utilização de características clínicas para a distinção entre causas comuns de rinite crônica, rinite alérgica e não alérgica é crítica, uma vez que o tratamento difere consideravelmente entre as condições. Este cenário é particularmente complexo em ambientes de cuidados primários ou instalações que não possuem testes de sensibilidade ao alérgeno. O objetivo deste estudo, publicado no International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology, foi descrever os fatores clínicos, particularmente as características faciais associadas com a rinite alérgica e não alérgica, utilizando uma grande coorte. Trata-se de uma análise de coorte retrospectiva de pacientes pediátricos de 6 a 18 anos. Foi avaliada a demografia do paciente, sintomas e sinais clínicos associados à rinite alérgica utilizando técnicas de regressão multivariada. Foram incluídos no estudo cerca de 1.490 pacientes com idade média de 10,11 ± 3,31 anos, sendo 48% mulheres, 69% dos pacientes com rinite alérgica e 31% com rinite não alérgica. Os resultados da análise de regressão multivariada revelaram que as principais características clínicas associadas à rinite alérgica foram: espirros (OR: 3,53; IC 95%: 2,35-5,32; p <0,001), rinorréia (OR: 1,77; IC 95%: 1,18-2,66; p = 0,006), coceira nasal (OR: 17,88; IC 95%: 11,92-26,83; p <0,001), prega nasal horizontal (OR: 5,09; IC 95%: 1,29-20,01; p = 0,020) e conjuntivite (OR: 4,66; 95% CI: 3,28-6,62; p <0,001). Por outro lado, fatores como a presença de dobra de Dennie-Morgan (OR: 1,67; IC 95%: 1,11-2,56; p = 0,014), sintomas persistentes de moderados a graves ou intermitentes, estavam provavelmente mais associados à rinite não alérgica do que com a rinite alérgica. Os pesquisadores concluíram que as características faciais servem como complemento ao teste de sensibilidade para o diagnóstico em pacientes pediátricos com sintomas de rinite, bem como na diferenciação entre rinite alérgica e não alérgica, embora individualizados após a história do paciente e características clínicas. Uma resenha de: Demographics and clinical features predictive of allergic versus nonallergic rhinitis in children aged 6-18 years: A single-center experience of 1535 patients Autores: La Mantia I, Andaloro C.

Ingestão de água e líquidos na prevenção e no tratamento da constipação intestinal funcional em crianças e adolescentes: existem evidências?

27/10/2017 | Fonte: Fonte: J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2017, vol.93, n.4, pp.320-327

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal de Pediatria, foi estudar as evidências sobre o papel do consumo de água e líquidos na prevenção e no tratamento da constipação intestinal funcional em crianças e adolescentes. Foram pesquisados na base de dados do Medline (entre 1966 e 2016) todos os artigos publicados com as seguintes palavras: constipação, água e líquidos, nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram selecionados, pelo título e resumo, todos os artigos originais com crianças e adolescentes. As referências desses artigos também foram avaliadas. Foram encontrados 1.040 artigos. Desses, 24 foram selecionados para leitura. Foram incluídos 11 artigos que estudaram crianças e adolescentes. Os artigos foram distribuídos em duas categorias, os que avaliaram o consumo de água e líquidos como fator de risco para constipação intestinal e os que avaliaram o seu papel na terapêutica da constipação intestinal. Cinco artigos se enquadraram na primeira categoria. Os critérios para avaliar consumo de líquidos e ritmo intestinal foram diferentes em cada estudo. Três estudos demonstraram relação entre baixo consumo de líquidos e constipação intestinal. Quanto ao tratamento, foram encontrados cinco artigos com metodologias heterogêneas. Em nenhum deles foi possível identificar com clareza o papel favorável do consumo de líquidos no tratamento da constipação intestinal. Segundo os pesquisadores, existem poucos artigos sobre a relação entre consumo de líquidos e constipação intestinal. Evidências epidemiológicas indicam associação entre menor consumo de líquidos com constipação intestinal. São necessários outros ensaios clínicos e estudos epidemiológicos que levem em consideração as recomendações internacionais para consumo de líquidos por crianças e adolescentes. Uma resenha de: Ingestão de água e líquidos na prevenção e no tratamento da constipação intestinal funcional em crianças e adolescentes: existem evidências? Autores: Boilesen, Sabine Nunes et al.

Avaliação dos índices de desmame com base na atividade do diafragma em pacientes submetidos à ventilação mecânica após cirurgia cardiovascular. Um estudo piloto

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2017, vol.29, n.2, pp.213-221

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva, foi avaliar a viabilidade do uso de índices derivados do sinal de eletromiografia de superfície para predizer desfechos do processo de desmame em pacientes mecanicamente ventilados após cirurgia cardíaca. Foram incluídos dez pacientes em pós-operatório de cirurgia cardiovascular que não cumpriram os critérios para extubação precoce. Os sinais da eletromiografia de superfície foram registrados, assim como as variáveis ventilatórias durante o processo de desmame, sendo o momento do procedimento determinado pela equipe médica, segundo sua experiência. Avaliaram-se diversos índices da atividade dos músculos respiratórios obtidos a partir da eletromiografia de superfície com uso de técnicas de processamento lineares e não lineares. Compararam-se dois grupos: pacientes com e sem sucesso no desmame. Os índices obtidos permitiram estimar a atividade diafragmática de cada paciente, demonstrando uma correlação entre atividade elevada e falha do teste de desmame. Segundo os pesquisadores, a eletromiografia de superfície está se tornando um procedimento promissor para avaliar as condições de pacientes ventilados mecanicamente, mesmo em condições complexas, como as que envolvem aqueles após cirurgia cardiovascular. Uma resenha de: Avaliação dos índices de desmame com base na atividade do diafragma em pacientes submetidos à ventilação mecânica após cirurgia cardiovascular. Um estudo piloto Autores: Ortega, Isabel Cristina Muñoz et al.

Impacto do consumo alcoólico entre pacientes em tratamento da hepatite C

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Gastroenterol. [online]. 2017, vol.54, n.3, pp.232-237

Estudos recentes têm questionado a recomendação de abstinência do álcool por pelo menos 6 meses para pacientes alcoolistas serem tratados para hepatite C. Este estudo, publicado no Arquivos de Gastroenterologia, objetivou avaliar o impacto do consumo de álcool entre pacientes submetidos ao tratamento para a hepatite C. Neste estudo transversal, foram avaliados 121 pacientes [78 (64,5%) homens; 28-70 anos). Eles foram divididos em três grupos: pacientes que consumiam <12 g de etanol/dia na vida (Grupo 1); 12-59 g/dia (Grupo 2) e =60 g/dia (Grupo 3). Pacientes foram tratados com interfe-ron-peguilado mais ribavirina. Os três grupos não puderam ser distinguidos em relação à gravidade da fibrose hepática e das frequências de infecção pelo genótipo-1 do HCV. No Grupo 3, descontinuação do tratamento (32,4%) foi maior do que no Grupo 1 (9,4%) ou Grupo 2 (0%), foi maior entre pacientes que beberam durante o tratamento (66,7% vs 21,4%) e entre aqueles que não estavam em abstinência por pelo menos 6 meses (72,7% vs 15,4%). Pacientes do Grupo 2 tiveram boa aderência e não descontinuaram o tratamento. As frequências de resposta virológica sustentada entre pacientes do Grupo-3 (44,4%) foi semelhante àquelas do Grupo 1 (61%) e do Grupo 2 (68,4%). Segundo os pesquisadores, os bebedores pesados mais frequentemente descontinuaram o tratamento da hepatite C, mas aqueles que foram tratados tiveram aceitáveis taxas de resposta virológica sustentada. Esses resultados sugerem que bebedores pesados não deveriam ser sistematicamente excluídos do tratamento, mas sim serem monitorados para evitar beber e abandonar o tratamento, principalmente aqueles que não estão abstinentes por pelo menos 6 meses. Uma resenha de: Impacto do consumo alcoólico entre pacientes em tratamento da hepatite C Autores: Vieira-Castro, Andréa Carvalho Maia e Oliveira, Luiz Carlos Marques de

A epidemiologia da sepse em unidades de terapia intensiva no Brasil (ensaio SPREAD, Sepsis PREvalence Assessment Database): um estudo observacional

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet Infect Dis. 2017 Aug 17. pii: S1473-3099(17)30322-5

A carga atribuída à sepse nos serviços de cuidados intensivos em países de renda média é considerada preocupante. Neste estudo, publicado no Lancet. Infectious Disease, os autores tiveram como objetivo investigar a incidência, prevalência e mortalidade por sepse em unidades brasileiras de terapia intensiva (UTIs) adultas, bem como avaliar a associação de fatores organizacionais da UTI com o resultado. Foi realizado um estudo de prevalência de 1 dia com acompanhamento de pacientes com sepse em UTI em uma amostra pseudoaleatória nacionalmente representativa. Os dados foram inicialmente organizados em um quadro de amostragem estratificado por região geográfica. Seguidamente, cada estrato foi estratificado pela principal fonte de renda dos hospitais (atendimento público geral versus indivíduos com seguro privado) e pelo tamanho da UTI (dez leitos ou menos versus mais de dez leitos), gerando finalmente 40 estratos. Em cada estrato, foi selecionada uma amostra aleatória de UTI para registrar o total de leitos necessários em 1.690 UTI adultas brasileiras. Os pacientes foram acompanhados por 60 dias ou até a alta hospitalar. Foram realizadas estimativas nacionais da incidência e da prevalência de sepse e do período de permanência na UTI. Os fatores prognósticos de mortalidade foram avaliados usando modelos de regressão logística de efeitos aleatórios. Com base nos dados de referência em 27 de fevereiro de 2014, cerca de 227 (72%) de 317 UTIs selecionadas aleatoriamente forneceram dados de 2.632 pacientes, dos quais, o total de 794 apresentou sepse (30,2 pacientes sépticos por 100 leitos de UTI, IC 95% 28,4-31,9). A incidência de sepse na UTI foi de 36,3 por 1.000 pacientes-dia (IC 95% 29,8-44,0) e a mortalidade foi observada em 439 (55,7%) de 788 pacientes (IC 95% 52,2-59,2). Os fatores “baixa disponibilidade de recursos” (odds ratio [OR] 1,67, IC 95% 1,02-2,75, p = 0,045) e “adequação do tratamento” (OR 0,56, 0,37-0,84, p = 0,006) foram independentemente associados com a mortalidade. A taxa de incidência projetada é de 290 por 100.000 habitantes (IC 95% 237,9-351,2) de casos adultos de sepse tratada em UTI por ano, que resulta em aproximadamente 420 mil casos por ano, dos quais, 230.000 morrem no hospital. Os pesquisadores concluíram que a incidência, prevalência e mortalidade por sepse tratada em UTIs é alta no Brasil, sendo que o resultado varia consideravelmente e está associado ao acesso a recursos e tratamentos adequados. Segundo os autores, os resultados mostram o ônus da sepse em ambientes de recursos limitados, destacando a necessidade de estabelecer programas visando prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado da sepse. Uma resenha de: The epidemiology of sepsis in Brazilian intensive care units (the Sepsis PREvalence Assessment Database, SPREAD): an observational study Autores: Machado FR, Cavalcanti AB, Bozza FA, Ferreira EM, Angotti Carrara FS, Sousa JL, Caixeta N, Salomao R, Angus DC, Pontes Azevedo LC; SPREAD Investigators; Latin American Sepsis Institute Network.

Escore de predição e estratificação do risco de tuberculose em contatos adultos de casos índice de tuberculose: estudo prospectivo de derivação e coorte de validação externa

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet Infect Dis. 2017 Aug 18. pii: S1473-3099(17)30447-4

Estudos demonstram que o risco de desenvolvimento de tuberculose é maior em contatos dos casos índice de tuberculose. Procedimentos como rastreio, terapia preventiva e vigilância da tuberculose são intervenções pouco utilizadas nos contatos, particularmente em adultos. Neste estudo, publicado no Lancet. Infectious Desease, os autores tiveram como objetivo elaborar um escore para predição do risco de tuberculose em contatos adultos dos casos índice de tuberculose. Para a realização deste estudo, foram selecionados contatos de 15 anos ou mais de casos índice de tuberculose pulmonar que viviam em favelas de Ventanilla, Peru, entre os anos de 2002 e 2006. O seguimento dos contatos para a tuberculose foi realizado até fevereiro de 2016. Foi utilizado o modelo de riscos proporcionais da Cox para identificar os fatores de risco do caso, contato e fatores domésticos para a tuberculose, a partir dos quais foram derivados escores e classificações dos contatos como sendo de baixo, médio ou alto risco. O escore foi validado em uma comunidade urbana recrutada em Callao, Peru, entre os anos de 2014 e 2015. Os resultados identificaram 2.017 contatos de 715 casos índice na coorte de derivação com mediana de seguimento de 10,7 anos (intervalo interquartil 9,5-11,8). Cerca de 178 (9%) contatos do total de 2.017 desenvolveram tuberculose durante 19.147 pessoas-ano de seguimento (incidência de 0,93 por 100 pessoas-ano, IC 95% 0,801,08). Foram identificados como fatores de risco para a tuberculose: índice de massa corporal, tuberculose anterior, idade, exposição sustentada ao caso índice, caso índice em paciente do sexo masculino, menor posição socioeconômica familiar, poluição do ar interior, tuberculose anterior entre os membros da família e residir em casa com número baixo de janelas por ambiente. Os resultados estimaram os seguintes riscos (IC 95%) de tuberculose em 10 anos para os grupos de baixo, médio e alto risco, respectivamente, 2,8% (1,7-4,4), 6,2% (4,8-8,1) e 20,6% (17,3-24,4). Os 535 (27%) contatos classificados como alto risco representaram 60% da tuberculose identificada durante o seguimento. O escore estimado conseguiu predizer a tuberculose independentemente do teste cutâneo de tuberculina e dos resultados da sensibilidade ao fármaco no caso índice. Na coorte de validação externa, o total de 65 (3%) de 1.910 contatos desenvolveu tuberculose durante 3.771 pessoas-ano de seguimento (incidência 1 a 7 por 100 pessoas-ano, IC 95% 1,4-2,2). Os riscos de tuberculose de 2 a 5 anos nos grupos de baixo, médio e alto risco foram, respectivamente, 1,4% (IC 95% 0,7-2,8), 3,9% (2,5-5,9) e 8,6% (5,9-12,6). Os pesquisadores concluíram que um escore de risco validado externamente poderia prever e estratificar o risco de 10 anos de desenvolver tuberculose em contatos adultos, de modo que poderia ser usado para priorizar intervenções de controle de tuberculose para pessoas com maior probabilidade de benefícios. Uma resenha de: A score to predict and stratify risk of tuberculosis in adult contacts of tuberculosis index cases: a prospective derivation and external validation cohort study. Autores: Saunders MJ, Wingfield T, Tovar MA, Baldwin MR, Datta S, Zevallos K, Montoya R, Valencia TR, Friedland JS, Moulton LH, Gilman RH, Evans CA.

Fatores associados à síndrome da bexiga hiperativa em idosas: um estudo transversal

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.4, pp.474-483

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi identificar os fatores clínicos e sociodemográficos associados à Síndrome da Bexiga Hiperativa (SBH). Foi realizado um estudo transversal, realizado com idosas (>60 anos) da comunidade de Ceilândia, DF, Brasil; avaliadas por meio de entrevistas e questionários. As variáveis clínicas e sociodemográficas analisadas foram: idade; índice de massa corpórea (IMC); paridade, escolaridade, cirurgias abdominais e uroginecológicas prévias, prática de atividade física, tabagismo, constipação, hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus; depressão e ansiedade. Os questionários aplicados foram Overactive Bladder Awerenees Tool (OAB-V8), Escala de Depressão Geriátrica e Escala de Ansiedade de Beck. Os dados foram analisados descritivamente. Utilizou-se a regressão logística binária para avaliar as associações significativas entre as variáveis independentes e o desfecho de interesse. As razões de risco foram calculadas para cada variável independente com intervalos de 95% de confiança. Foram recrutadas 372 voluntárias, sendo elegíveis 292, destas, 172 eram grupo caso (58,9%) e 120 (41,1%) eram grupo controle. Observou-se alta prevalência de SBH na população estudada, além de diferenças significativas para as variáveis: presença de HAS; ter realizado cirurgia abdominal ou cirurgia pélvica, sendo que o grupo caso apresentou maior frequência desses eventos. Na análise multivariada, observou-se que vida sexual ativa reduz em 70,8% a chance de ter SBH, e cirurgias uroginecológicas aumentam em 3,098 vezes esse risco. Os pesquisadores concluíram que na análise de regressão logística univariada, o IMC, a HAS, a história prévia de cirurgia abdominal e uroginecológica, quantidade de abortos, presença de sintomas de depressão e ansiedade, apresentaram-se como fatores associados à SBH. Uma resenha de: Fatores associados à síndrome da bexiga hiperativa em idosas: um estudo transversal Autores: Bontempo, Albênica Paulino dos Santos et al.

Relação entre função motora, cognição, independência funcional e qualidade de vida em pacientes com mielomeningocele

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.8, pp.509-514

Função motora, cognição, independência funcional e qualidade de vida foram descritos em pacientes com mielomeningocele (MMC), mas sua correlação não foi investigada. Este estudo, publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria, investigou correlações entre função motora, cognição, independência funcional, qualidade de vida, idade, nível de lesão em pacientes com MMC e a influência da hidrocefalia nessas variáveis. Quarenta e sete pacientes foram avaliados com a Medida de Função Motora Grossa, Matrizes Progressivas de Raven, Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade e Autoquestionnaire Qualité de vie Enfant Imagé. Testes de Spearman investigaram as correlações. ANOVAS de Friedman investigaram a influência da hidrocefalia. Os pesquisadores concluíra que a função motora correlacionou-se fortemente com mobilidade e nível de lesão e moderadamente com cognição, auto-cuidado e função social. A cognição e qualidade de vida correlacionaram-se moderadamante com independência funcional. A idade correlacionou moderadamente com independência funcional e qualidade de vida. A hidrocefalia associou-se a piores desfechos motores/cognitivos e menor independência funcional. Uma resenha de: Relação entre função motora, cognição, independência funcional e qualidade de vida em pacientes com mielomeningocele Autores: Luz, Carolina Lundberg et al.

Construção e validação da Escala de Identificação de Sintomas Psicopatológicos em Escolares (EISPE)

27/10/2017 | Fonte: Fonte: J. bras. psiquiatr. [online]. 2017, vol.66, n.2, pp.65-72

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria, foi construir e validar a Escala de Identificação de Sintomas Psicopatológicos em Escolares (EISPE). Trata-se de um estudo metodológico, realizado seguindo-se procedimentos teóricos: painel de juízes e estudo-piloto; experimentais, por meio de coleta com 201 crianças de seis a 12 anos; e estatísticos, com validação de construto testada por meio do Modelo Rasch e alfa de Cronbach. Na análise do painel de juízes quanto a clareza e representatividade, cinco itens foram excluídos e, após o teste-piloto, um item foi excluído, chegando a uma versão preliminar da EISPE de 23 itens, avaliando seis aspectos. O Modelo Rasch apresentou a EISPE como unidimensional, com a maior parte dos itens ajustados ao modelo, exceto quatro deles que apresentaram valores de correlação item-total abaixo de 0,2, e outros dois que apresentaram funcionamento diferencial conforme o sexo das crianças: A confiabilidade dos itens foi 0,97, e o valor do alfa de Cronbach, de 0,67. Os pesquisadores concluíram que a versão preliminar da EISPE apresentou qualidades psicométricas satisfatórias, o que sugere que esta é confiável para identificar sintomas psicopatológicos relacionados a ansiedade, humor, condutas sociais, atenção/atividade motora, padrões alimentares e uso/abuso de substâncias psicoativas em crianças com idades entre seis e 12 anos. Uma resenha de: Construção e validação da Escala de Identificação de Sintomas Psicopatológicos em Escolares (EISPE) Autores: Bittencourt, Marina Nolli e Vargas, Divane De.

Treinamento cognitivo para crianças e adolescentes com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade como tratamento complementar aos psicoestimulantes: estudo de viabilidade e descrição de protocolo

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Trends Psychiatry Psychother. [online]. 2017, vol.39, n.2, pp.65-76

O treinamento cognitivo tem recebido atenção especial como abordagem não medicamentosa para o tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes. Poucos estudos avaliaram o treinamento cognitivo como abordagem complementar à medicação em ensaios clínicos randomizados controlados por placebo. O objetivo deste estudo, publicado no Trends in Psychiatry and Psychotherapy, foi explorar a viabilidade para a implementação de um programa de treinamento cognitivo computadorizado, descrever suas características principais e potencial eficácia em um pequeno estudo piloto. Seis pacientes com TDAH entre 10-12 anos de idade, em uso de psicoestimulantes e apresentando sintomas residuais, foram recrutados e randomizados para um dos dois grupos (treinamento cognitivo ou placebo) por 12 semanas. O desfecho principal foram os sintomas nucleares do TDAH avaliados através do Questionário de Swanson, Nolan e Pelham (SNAP-IV). Foi encontrada uma maior resistência do que a esperada no recrutamento dos pacientes em função de problemas logísticos para atender às sessões presenciais no hospital assim como para preencherem os critérios de status medicamentoso e ausência de algumas comorbidades. Ambos os grupos apresentaram diminuição nos escores dos sintomas de TDAH reportados pelos pais, mas sem diferença estatística entre eles. Além disso, foi observada melhora nos testes neuropsicológicos em ambos os grupos – principalmente nas tarefas treinadas pelo programa. Os pesquisadores concluíram que este protocolo revelou a necessidade de novas estratégias para melhor avaliar a eficácia do treinamento cognitivo tal como a necessidade de implementar a intervenção no ambiente escolar a fim de obter uma avaliação com maior validade externa. Devido ao pequeno tamanho amostral deste estudo, conclusões definitivas sobre os efeitos do treinamento cognitivo como abordagem complementar aos psicoestimulantes seriam prematuras. Uma resenha de: Treinamento cognitivo para crianças e adolescentes com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade como tratamento complementar aos psicoestimulantes: estudo de viabilidade e descrição de protocolo Autores: Rosa, Virginia de Oliveira et al.

Cúrcuma em combinação com os regimes de terapia tríplice melhora o estresse oxidativo e as alterações histopatológicas em gastrite crônica associada à infecçäo por Helicobacter pylori

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Gastroenterol. [online]. 2017, vol.54, n.3, pp.177-182

A infecção gástrica pelo Helicobacter pylori (H. pylori) é principal causa de alterações inflamatórias e de câncer gástrico. O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos de Gastroenterologia, foi encontrar os efeitos da cúrcuma no estresse oxidativo e as alterações histológicas na gastrite crônica associada ao H. pylori. Em um estudo randomizado clínico experimental, pacientes foram divididos em dois grupos: um grupo de terapia tríplice padrão e outro com terapia tríplice com e cúrcuma. Exames endoscópicos e histológicos foram analisados para todos os pacientes antes e depois de 8 semanas de tratamento. A terapia tríplice com grupo de tratamento de cúrcuma diminuiu significativamente os marcadores de malondialdeído, de peróxidos de glutationa, com aumento da capacidade antioxidante total da mucosa gástrica ao final do estudo em comparação com grupos de regime basal e tríplice. Além disso, o dano oxidativo ao DNA diminuiu significativamente em terapia tríplice com grupo de cúrcuma no final do estudo em comparação com a linha de base e comparado à terapia tríplice (P<0,05 para ambos). No grupo de terapia tríplice em combinação com cúrcuma houve diminuição significativa de todos os escores ativos de inflamação crônica e endoscópica dos pacientes em relação ao grupo de terapia de base e tríplice (P<0,05 para ambos). A taxa de erradicação por terapia tríplice + cúrcuma aumentou significativamente em relação à terapia tríplice isolada (P<0,05). Os pesquisadores concluíram que a cúrcuma pode ser um complemento útil para melhorar a inflamação crônica e prevenção de alterações cancerígenas em pacientes com gastrite crônica associada ao H.pylori. Uma resenha de: Cúrcuma em combinação com os regimes de terapia tríplice melhora o estresse oxidativo e as alterações histopatológicas em gastrite crônica associada à infecçäo por Helicobacter pylori Autores: Judaki, Arezu et al.

Reprodutibilidade da avaliação da microbiota fecal na constipação crônica

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Neurogastroenterology and Motility. 2017 Jul 28. [Epub ahead of print]

Estudos sugerem que há estabilidade no padrão da microbiota fecal ao longo do tempo em indivíduos saudáveis, no entanto tais resultados são ainda limitados e não há informações suficientes sobre a variabilidade intraindividual da microbiota fecal em pacientes constipados. Para a realização deste estudo, que foi publicado no Neurogastroenterology and Motility, foram selecionadas 25 pessoas saudáveis e 25 constipadas. Duas amostras de fezes foram coletadas (sem o uso e após o uso de laxante, respectivamente), para avaliação da reprodutibilidade intraindividual da microbiota fecal por meio do sequenciamento do RNAr do gene 16S. Os participantes completaram o registro alimentar de 3 dias antes da coleta das amostras. O trânsito colônico foi medido por meio de cintilografia. Os valores de índice de massa corporal foram semelhantes entre os grupos, porém, os indivíduos constipados eram mais velhos (48 ± 15 vs 39 ± 10 anos, P = 0,02) em comparação aos participantes saudáveis. Também houve diferença (P < 0,05) na ingestão calórica diária total entre os indivíduos constipados (1.265 ± 350 kcal) e os participantes saudáveis (1.597 ± 402 kcal). Cerca de 14 pacientes, mas apenas dois indivíduos controles (P <0,005), apresentaram trânsito colônico lento. Para a maioria das medidas de alfa (por exemplo, número observado de unidade taxonômica operacional, índice de Shannon) e diversidade beta (por exemplo, dissimilaridade de Bray-Curtis, UniFrac, abundância de phyla), os índices de correlação intraclasse (ICCs) entre as duas amostras de fezes foram elevados, indicando concordância moderada ou forte e similar em pessoas saudáveis e pacientes constipados. O ICC para a distância UniFrac ponderada, que é ponderada pela abundância, foi menor do que sua contraparte não ponderada, indicando que a medida não ponderada é mais robusta e reprodutível. Os pesquisadores concluíram que a reprodutibilidade intraindividual da microbiota fecal em pacientes constipados é alta e comparável à de participantes saudáveis. Os autores destacam que para a maioria dos propósitos, avaliar a microbiota fecal em uma única amostra de fezes deve ser geralmente suficiente em estudos com pacientes saudáveis e constipados. Uma resenha de: Reproducibility of assessing fecal microbiota in chronic constipation Autores: Parthasarathy G, Chen J, Chia N, O'Connor HM, Gaskins HR, Bharucha AE.

Ensaio randomizado controlado de probióticos após colonoscopia

27/10/2017 | Fonte: Fonte: ANZ J Surg. 2017 Sep;87(9):E65-E69

Estudos estimam que aproximadamente 20% dos pacientes possam ainda apresentar sintomas abdominais contínuos a partir do segundo dia da realização da colonoscopia. Especula-se que alguns desses sintomas estão relacionados a alterações na microbiota intestinal secundária à preparação intestinal, de modo que haveria certa melhora a partir do uso de probióticos em comparação com o placebo. Neste estudo, publicado no Australian and New Zealand Journal of Surgery, os pacientes receberam uma cápsula contendo probióticos ou placebo nos dias subsequentes à realização da colonoscopia. A colonoscopia foi realizada com insuflação de ar. A cápsula probiótica continha as cepas Lactobacillus acidophilus NCFM e Bifidobacterium lactis Bi-07. Os registros dos sintomas foram realizados pelos pacientes em 1 h, e após 1, 2, 4, 7 e 14 dias seguidos à colonoscopia. Os dados coletados foram entregues pelos pacientes assim que não houvesse mais sintomas. Foram considerados como resultados primários: período de dias para a finalização de inchaço, dor abdominal e alteração da função intestinal após a colonoscopia. Foram randomizados um total de 320 pacientes, sendo que após a perda de seguimento e retirada, cerca de 133 pacientes foram analisados no grupo probiótico e 126 no grupo placebo. Os resultados mostraram que pacientes com ingestão de probióticos tiveram menor número de dias de dor abdominal após colonoscopia, 1,99 versus 2,78 dias (P <0,033). Não houve diferença significativa no inchaço ou retorno à função intestinal normal (P = 0,139 e 0,265, respectivamente). A análise de subgrupos também revelou que os pacientes com dor abdominal pré-existente se beneficiaram de probióticos em número de dias de dor, 2,16 versus 4,08 (P = 0,0498). Os pesquisadores concluíram que houve uma redução significativa na duração dos dias de dor abdominal pós colonoscopia em pacientes que tomaram probióticos em comparação com o placebo. Os autores destacam, ainda, que não foi observado nenhum efeito no inchaço ou no retorno à função intestinal normal após a colonoscopia. Uma resenha de: Randomized controlled trial of probiotics after colonoscopy Autores: D'Souza B, Slack T, Wong SW, Lam F, Muhlmann M, Koestenbauer J, Dark J, Newstead G.

II Consenso Brasileiro sobre o uso de imunoglobulina humana em pacientes com imunodeficiências primárias

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Einstein (São Paulo) [online]. 2017, vol.15, n.1, pp.1-16

Nos últimos anos, novas imunodeficiências primárias e defeitos genéticos têm sido descritos. Recentemente, produtos de imunoglobulina, com aprimoramento em sua composição e para uso por via subcutânea, tornaram-se disponíveis em nosso meio. Este consenso, publicado no Einstein (São Paulo), teve como o objetivo de orientar os médicos no uso da imunoglobulina humana para o tratamento das imunodeficiências primárias. Os membros do Grupo de Assessoria em Imunodeficiências da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia produziram um documento que teve por base uma revisão narrativa da literatura e sua experiência profissional, atualizando o I Consenso Brasileiro publicado em 2010. Foram apresentados novos conhecimentos sobre indicações e eficácia do tratamento com imunoglobulina nas imunodeficiências primárias, aspectos relevantes sobre a produção, forma de utilização (vias de administração, farmacocinética, doses e intervalos), efeitos adversos (principais efeitos, prevenção, tratamento e notificação), monitorização do paciente, apresentações disponíveis e forma de obtenção deste recurso terapêutico em nosso meio. Uma resenha de: II Consenso Brasileiro sobre o uso de imunoglobulina humana em pacientes com imunodeficiências primárias Autores: Goudouris, Ekaterini Simões et al.

Síndrome de sobreposição asma e DPOC

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia. Abril-Junho 2017 - Volume 1 - Número 2

Conforme o presente estudo publicado nos Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, a asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são doenças crônicas altamente prevalentes na população geral. Ambas são caracterizadas por inflamação crônica heterogênea e obstrução das vias aéreas. Em ambas as condições, a inflamação crônica afeta todo o trato respiratório das grandes e pequenas vias aéreas, com recrutamento de diferentes células e com diferentes mediadores produzidos. A obstrução das vias aéreas é tipicamente intermitente e reversível na asma, mas é progressiva e frequentemente irreversível na DPOC. Quando asma e DPOC ocorrem juntas, o termo síndrome de sobreposição asma e DPOC tem sido usado. Realizou-se revisão de artigos originais, revisões e publicações indexadas nos bancos de dados PubMed, MEDLINE, LILACS e SciELO nos últimos 20 anos. Uma forma prática de diagnóstico da Síndrome de sobreposição asma e DPOC é incluir pacientes com diagnóstico de DPOC pelo critério do GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) e da Asma pelo critério do GINA (Global Initiative for Asthma). Assim, a síndrome inclui pacientes que preenchem os critérios de DPOC (obstrução fixa das vias aéreas) e que também têm típicos achados de asma (sibilância, atopia, eosinofilia e resposta positiva a broncodilatador). A presença de diferentes fenótipos ou componentes das doenças aéreas obstrutivas crônicas necessita ser analisada para individualizar e otimizar o tratamento para se alcançar os melhores resultados. Embora intervenções específicas variem conforme a doença, o objetivo do tratamento para as doenças obstrutivas respiratórias é semelhante e dirigido primariamente para a necessidade de controlar os sintomas, otimizar a saúde geral, e prevenir exacerbações. Uma resenha de: Síndrome de sobreposição asma e DPOC Autores: Ataualpa Pereira dos Reis; Roberto Stirbulov

A Teledermatologia na Prática Médica

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. educ. med. [online]. 2017, vol.41, n.2, pp.346-355

As doenças da pele são causas comuns da procura de atendimento na atenção primária em saúde, e a maioria desses atendimentos é realizada por médicos não dermatologistas. Em geral, o aprendizado insuficiente na graduação se reflete na atuação clínica e, consequentemente, em atendimentos referenciados, resultando em aumento de custo. Teledermatologia é a prática da dermatologia com uso de tecnologias de informação e sistemas de comunicação para a troca de informações médicas de um paciente entre médico não dermatologista e um dermatologista (teledermatologia secundária) – nos mesmos ou em diferentes momentos e em diferentes localizações geográficas. A teledermatologia secundária promete ser melhor, mais barata e mais rápida, embora as evidências não sejam suficientes em relação ao curso clínico da doença. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Educação Médica, foi revisar a literatura sobre as evidências científicas da teledermatologia secundária na prática médica. Foi realizada uma revisão da literatura, entre 1999 e 2014, de ensaios clínicos, estudos observacionais, revisões e revisões sistemáticas identificados no PubMed sobre a teledermatologia secundária na prática médica. Além desses estudos, foram incluídos ensaios clínicos mais recentes realizados no Brasil sobre acurácia ou concordância de diagnóstico da teledermatologia secundária da base bibliográfica Lilacs durante o mesmo período e outros estudos relevantes de outras bases em relação à educação médica e dados demográficos. Foram incluídos 11 estudos mais recentes e/ou relevantes quanto à amostra e ao padrão clínico de diagnóstico. O resultado desta revisão foi dividido em quatro tópicos: eficiência da teledermatologia na atenção primária em saúde; acurácia concordância ou confiabilidade do diagnóstico da teledermatologia na atenção primária em saúde em relação à consulta presencial; satisfação e qualidade de vida do paciente; custo da teledermatologia na atenção primária em saúde. A maioria desses estudos relatou boa eficiência e acurácia de diagnóstico com diminuição dos custos e melhora da qualidade de vida dos pacientes, em especial os de área rural. O acesso à dermatologia não pode ocorrer sem gestão. Devemos identificar situações em que a teledermatologia secundária funcione melhor, como em áreas remotas ou carentes, permitindo ao paciente acesso aos dermatologistas. A eficiência e acurácia de diagnóstico da teledermatologia secundária são inferiores às da consulta presencial, mas superior à da consulta dermatológica oferecida por médicos não dermatologistas. Uma resenha de: A Teledermatologia na Prática Médica Autores: Yarak, Samira; Ruiz, Evandro Eduardo Seron e Pisa, Ivan Torres.

A rinite alérgica local é um fenótipo de rinite independente: resultados de um estudo de seguimento de 10 anos

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Allergy. 2017 Aug 22. [Epub ahead of print]

O conhecimento sobre a história natural da rinite alérgica local ainda é limitado. Uma questão de certa forma ainda deslocada versa sobre a certificação de que a rinite alérgica local deve ser considerada como o primeiro passo no desenvolvimento da rinite alérgica ou como um fenótipo independente. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Allergy, foi investigar prospectivamente a história natural de uma população com rinite alérgica local, a potencial conversão em rinite alérgica com atopia sistêmica e o desenvolvimento de asma durante 10 anos. Esta é a segunda fase de um estudo de seguimento de 10 anos de uma coorte de 176 pacientes com rinite alérgica local de início recente e 115 indivíduos controles saudáveis. Os pacientes e controles foram pareados por idade e sexo e foram avaliados prospectivamente de 2005 a 2016. Os participantes foram avaliados anualmente por meio de questionário clínico-demográfico, espirometria, teste cutâneo e teste específico de IgE. Também foram realizados testes de provocação com alérgenos nasais (NAPT) na linha de base e após 5 e 10 anos com exposição a D. pteronyssinus, Alternaria alternata, Olea europaea e pólen de grama. Os resultados mostraram que após 10 anos, os pacientes com rinite alérgica local experimentaram piora significativa e clinicamente relevante da rinite, com aumento da assistência de emergência, desenvolvimento de asma, perda de tolerância ao alérgeno e comprometimento da qualidade de vida. Essa piora tornou-se significativa após 5 anos e progrediu ao longo de 10 anos. Os resultados também indicaram uma taxa de desenvolvimento similar de rinite com atopia sistêmica em pacientes e controles (9,7% vs 7,8%, Log-rank p = 0,623). Em 5 pacientes a conversão para atopia sistêmica ocorreu > 10 anos (3%). Os pesquisadores concluíram que a rinite alérgica local é uma entidade clínica bem diferenciada e apresenta taxa reduzida de desenvolvimento de atopia sistêmica e evolução natural em direção à piora, além de ser fator de risco para asma. Uma resenha de: Local allergic rhinitis is an independent rhinitis phenotype: The results of a 10years follow-up study Autores: Rondon C, Campo P, Eguiluz Gracia I, Plaza C, Bogas G, Galindo P, Mayorga C, Torres MJ.

Prevalência de miocardiopatia hipertrófica em fetos de mães com diabetes gestacional antes do tratamento

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Bras. Ginecol. Obstet. [online]. 2017, vol.39, n.1, pp.9-13.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, foi avaliar a prevalência de miocardiopatia hipertrófica em fetos de gestantes com diabetes mellitus gestacional antes do início do tratamento. Foi realizado um estudo de corte transversal, no período de 1o de julho de 2013 até 20 de dezembro de 2013, em uma maternidade pública. Foram objetos do estudo 63 fetos de gestantes portadoras de diabetes mellitus gestacional (DMG), em gestação única e sem outras patologias associadas. Foi realizada ecocardiografia fetal antes do início do tratamento do diabetes. O diagnóstico de miocardiopatia hipertrófica (MH) foi realizado quando a medida do septo interventricular ou da parede ventricular estava superior a dois desvios-padrão. O desfecho primário avaliado foi presença de MH. As gestantes apresentavam média de idade de 32,32 (±6,2) anos, e a idade gestacional média no momento da avaliação foi de 30,59 (±2,27) semanas. A medida do septo interventricular estava acima de 2 desvios-padrão em 50,8% (intervalo de confiança de 95% [IC95%]: 38,1-63,5%). A parede do ventrículo esquerdo estava acima de 2 desvios-padrão em 13 fetos, totalizando 20,6% (IC95%: 11,1-30,2%). A MH estava presente em 54% dos fetos (IC95%: 41,3-65,1%). A circunferência abdominal fetal estava normal em 46 (73%) fetos, e destes, 50% apresentavam MH. Os pesquisadores concluíram que a prevalência de MH em fetos de gestantes portadoras de DMG antes do tratamento foi de 54% (IC95% 41,3-65,1%). Uma resenha de: Prevalência de miocardiopatia hipertrófica em fetos de mães com diabetes gestacional antes do tratamento Autores: Palmieri, Carolina Rossi et al.

Denervação renal por cateter em pacientes com hipertensão não controlada na ausência de medicamentos anti-hipertensivos (SPYRAL HTN-OFF MED): um ensaio de prova de conceito, randomizado e controlado por sham

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Aug 25

Resultados preliminares de estudos randomizados não demonstram de forma consistente a eficácia da denervação renal na redução da pressão arterial. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no Lancet, foi investigar o efeito da denervação renal sobre a pressão arterial na ausência de medicamentos anti-hipertensivos. O estudo SPYRAL HTN-OFF MED foi um ensaio de prova de conceito, multicêntrico, internacional, unicego, randomizado e controlado por sham. Os pacientes foram registrados em 21 centros nos Estados Unidos, Europa, Japão e Austrália. Foram incluídos no estudo pacientes que nunca haviam tomado medicamentos para hipertensão ou que interromperam o uso. Foram elegíveis os pacientes com os seguintes valores de pressão arterial: pressão arterial sistólica no consultório (PAS) de 150 mmHg ou superior e menos de 180 mmHg, pressão arterial diastólica no consultório (PAD) de 90 mmHg ou superior, e PAS ambulatorial média de 24 horas de 140 mmHg ou maior e inferior a 170 mmHg em uma segunda aferição. Os pacientes foram submetidos à angiografia renal e distribuídos aleatoriamente para a denervação renal ou controle sham. Houve vendamento da randomização para os pacientes, cuidadores e aqueles que avaliaram a pressão arterial. Foi considerado como desfecho primário a mudança na pressão arterial de 24 h aos 3 meses comparada entre os grupos. Foi realizado um controle da restrição da medicação a fim de garantir a adesão do paciente à ausência de medicação anti-hipertensiva. A análise primária foi feita na população de intenção de tratar e os eventos de segurança foram avaliados aos 3 meses. O total de 353 pacientes foi avaliado entre 25 de junho de 2015 e 30 de janeiro de 2017. Cerca de 80 pacientes foram aleatoriamente designados para denervação renal (n = 38) ou controle sham (n = 42) e seguidos por 3 meses. Os resultados mostraram que o grupo de denervação renal apresentou uma redução significativa tanto da pressão arterial no consultório como da ambulatorial de 24 horas, desde a linha de base até 3 meses: 24 horas-PAS -5,5 mmHg (IC 95% -9,1 a -2,0; p = 0,0031), 24 horas-PAD -4,8 mmHg (-7,0 a -2,6; p <0,0001), PAS no consultório -10,0 mmHg (-15,1 a -4,9; p = 0,0004) e PAD no consultório -5,3 mmHg (-7,8 a -2,7; p = 0,0002). Não foram observadas alterações significativas no grupo controle sham: 24-h-PAS -0,5, mmHg (IC 95% -3,9 a 2,9; p = 0,7644), 24 horas-PAD -0,4 mmHg (-2,2 a 1,4, p = 0,6448), PAS no consultório -2,3 mmHg (-6,1 a 1,6; p = 0,2381) e PAD no consultório 0,3 mmHg (-2,9 a 2,2; p = 0,8052). A diferença média entre os grupos favoreceu a denervação renal para a mudança de 3 meses em ambas as condições (consultórios e 24 horas) a partir da linha de base: 24 horas-PAS -5,0 mmHg (IC 95% -9,9 a -0,2; p = 0,0414), 24 horas-PAD -4,4 mmHg (-7,2 a -1,6; p = 0,0024), PAS no consultório -7,7 mmHg (-14,0 a – 1,5; p = 0,0155) e PAD no consultório -4,9 mmHg (-8,5 a -1,4; p = 0,0077). Os resultados foram semelhantes para as análises ajustadas de linha de base. Não houve eventos adversos importantes em nenhum dos grupos. Os pesquisadores concluíram que os resultados do estudo SPYRAL HTN-OFF MED fornecem prova de conceito biológico para a eficácia da diminuição da pressão arterial a partir da denervação renal. Uma resenha de: Catheter-based renal denervation in patients with uncontrolled hypertension in the absence of antihypertensive medications (SPYRAL HTN-OFF MED): a randomised, sham-controlled, proof-of-concept trial Autores: Townsend RR, Mahfoud F, Kandzari DE et al.

Associação da Ingestão de frutas, vegetais e legumes com doenças cardiovasculares e óbitos em 18 países (PURE): um estudo prospectivo de coorte

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Aug 28. pii: S0140-6736(17)32253-5

A literatura apresenta dados diversos sobre a associação entre ingestão de frutas, vegetais e legumes com doenças cardiovasculares e óbitos na Europa, Estados Unidos, Japão e China, contudo ainda muito pouco ou nada se sabe a respeito desta mesma relação em lugares como Oriente Médio, América do Sul, África ou Sul da Ásia, conforme o presente estudo publicado no Lancet. O ensaio PURE (Prospective Urban Rural Epidemiology) é um estudo de coorte prospectivo, que contou com a participação de 135.335 indivíduos com idade entre 35 e 70 anos. Os participantes não apresentavam doença cardiovascular e pertenciam a 613 comunidades em 18 países de renda baixa, média e alta em sete regiões geográficas, a saber: América do Norte e Europa, América do Sul, Oriente Médio, China, África, Sul e Sudeste Asiático. O controle da dieta foi realizado na linha de base por diários de frequência alimentar específicos do país. Questionários padronizados foram utilizados para coletar informações sobre fatores demográficos, status socioeconômico (educação, renda e emprego), estilo de vida (tabagismo, atividade física e consumo de álcool), histórico de saúde, uso de medicamentos e história familiar de doença cardiovascular. O período de acompanhamento variou de acordo com a data de recrutamento em cada comunidade ou país. Foram considerados como resultados clínicos principais os eventos cardiovasculares maiores (definidos como morte por causas cardiovasculares, infarto do miocárdio não fatal, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca), infarto do miocárdio fatal e não fatal, acidente vascular cerebral fatal e não fatal, mortalidade cardiovascular, mortalidade não cardiovascular e mortalidade total. Foram utilizados modelos de Cox com efeitos aleatórios para avaliar as associações entre o consumo de frutas, vegetais e legumes com risco de eventos de doenças cardiovasculares e mortalidade. O registro dos participantes no estudo ocorreu entre 1 de janeiro de 2003 e 31 de março de 2013. Para a análise atual, foram incluídos todos os resultados de eventos não refutados na base de dados do estudo PURE até 31 de março de 2017. Em geral, a ingestão diária combinada de frutas, vegetais e legumes foram de 3,91 (desvio padrão 2,77) porções. Durante uma média de 7,4 anos (5,5-9,3) de seguimento, foram documentados 4.784 eventos cardiovasculares maiores, 1.649 mortes cardiovasculares e 5.796 mortes totais. Os resultados indicaram que houve associação inversamente proporcional entre a ingestão total de frutas, vegetais e legumes e eventos cardiovasculares maiores, infarto do miocárdio, mortalidade cardiovascular, mortalidade não cardiovascular e mortalidade total nos modelos ajustados para idade, sexo e centro (efeito aleatório). As estimativas foram substancialmente atenuadas nos modelos multivariáveis ajustados para eventos cardiovasculares maiores (razão de risco [HR] 0,90, IC 95% 0,74-1,10, p tendência=0,1301), infarto do miocárdio (0,99, 0,74-1,31; p tendência=0,2033), acidente vascular cerebral (0,92, 0,67-1,25; p tendência=0,7092), mortalidade cardiovascular (0,73, 0,53-1,02; p tendência=0,0568), mortalidade não cardiovascular (0,84, 0,68-1,04; p tendência=0,0038) e mortalidade total (0,81, 0,68-0,96; p tendência<0,0001). Os resultados também estimaram um menor valor de razão de risco para a mortalidade com o consumo de três a quatro porções de frutas, verduras e legumes por dia (0,78, IC 95%: 0,69-0,8) em comparação com o grupo de referência, sendo que não houve diminuição aparente da razão de risco com um consumo maior. Quando examinado separadamente, a ingestão de frutas foi associada ao menor risco de mortalidade cardiovascular, não cardiovascular e mortalidade total, enquanto a ingestão de legumes foi inversamente associada à morte não cardiovascular e à mortalidade total (em modelos totalmente ajustados). Para os vegetais, a ingestão de vegetais crus foi fortemente associada ao menor risco de mortalidade total, enquanto a ingestão de vegetais cozidos mostrou um modesto benefício contra a mortalidade. Os pesquisadores concluíram que o consumo mais elevado de frutas, vegetais e legumes foi associado ao menor risco de mortalidade não cardiovascular e mortalidade total. Os autores destacam que os benefícios parecem ser máximos para mortalidade não cardiovascular e mortalidade total com o consumo de três a quatro porções por dia (equivalente a 375-500 g/dia). Uma resenha de: Fruit, vegetable, and legume intake, and cardiovascular disease and deaths in 18 countries (PURE): a prospective cohort study Autores: Miller V, Mente A, Dehghan M et al.

Associações da ingestão de gorduras e carboidratos com doenças cardiovasculares e mortalidade em 18 países de cinco continentes (PURE): um estudo prospectivo de coorte

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Aug 28. pii: S0140-6736(17)32252-3

A literatura ainda não apresenta um consenso a respeito da relação entre o consumo de macronutrientes, doenças cardiovasculares e mortalidade, conforme o presente estudo publicado no Lancet. Grande parte das informações disponíveis é proveniente de populações europeias e norte-americanas, onde o excesso de nutrição é muito presente, de modo que a aplicabilidade dos resultados em outras populações é questionável. O ensaio PURE (Prospective Urban Rural Epidemiology) é um grande estudo de coorte epidemiológico de indivíduos de 35 a 70 anos (registrados entre 1º de janeiro de 2003 e 31 de março de 2013) em 18 países com um acompanhamento médio de 7,4 anos (IQR 5,3-9,3). O consumo alimentar dos participantes (135.335 indivíduos) foi realizado por meio de questionários de frequência alimentar validados. Foi considerado como resultado primário: mortalidade total e eventos cardiovasculares maiores (doença cardiovascular fatal, infarto do miocárdio não fatal, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca). Os resultados secundários foram: infartos do miocárdio de qualquer natureza, acidente vascular cerebral, mortalidade por doenças cardiovasculares e mortalidade por doenças não cardiovasculares. Os participantes foram organizados em quintis de ingestão de nutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas) com base na porcentagem de energia fornecida por nutriente. Houve avaliação das associações entre o consumo de carboidratos, a gordura total e cada tipo de gordura com doença cardiovascular e mortalidade total. Foram calculados os índices de risco (HRs) usando um modelo de Cox multivariável com interceptações aleatórias para explicar o agrupamento central. Foram registrados cerca de 5.796 óbitos e 4.784 eventos cardiovasculares maiores durante o acompanhamento. Os resultados mostraram uma associação entre a ingestão mais elevada de carboidratos e o risco aumentado de mortalidade total (maior [quintil 5] vs. menor quintil [quintil 1], HR 1,28 [IC 95% 1,12-1,46], p tendência=0,0001). No entanto, não houve uma associação correspondente com o risco de doença cardiovascular ou mortalidade por doenças cardiovasculares. Por outro lado, a ingestão de gordura total e cada tipo de gordura foram associadas ao menor risco de mortalidade total (quintil 5 vs quintil 1, gordura total: HR 0,77 [IC 95% 0,67-0,87], p tendência<0,0001; gordura saturada, HR 0,86 [0,76-0,99], p tendência=0,0088; gordura monoinsaturada: HR 0,81 [0,71-0,92], p tendência<0,0001 e gordura poli-insaturada: HR 0,80 [0,71-0,89], p tendência<0,0001). Também houve associação entre um menor risco de acidente vascular cerebral a partir da maior ingestão de gordura saturada (quintil 5 versus quintil 1, HR 0,79 [IC 95% 0,64-0,98], p tendência = 0,0498). Não foram observadas associações significativas entre gordura total, gorduras saturadas, não saturadas e risco de infarto do miocárdio ou mortalidade por doenças cardiovasculares. Os pesquisadores concluíram que a ingestão elevada de carboidratos foi associada com um risco maior de mortalidade total, enquanto que a gordura total e os tipos individuais de gordura estavam relacionados à menor mortalidade total. Segundo os autores, a gordura total e os tipos de gordura não foram associados a doenças cardiovasculares, infarto do miocárdio ou mortalidade por doenças cardiovasculares, enquanto que a gordura saturada teve associação inversa com acidente vascular cerebral. Os autores salientam, por fim, que as diretrizes dietéticas globais devem ser reconsideradas à luz desses achados. Uma resenha de: Associations of fats and carbohydrate intake with cardiovascular disease and mortality in 18 countries from five continents (PURE): a prospective cohort study Autores: Dehghan M, Mente A, Zhang X et al.

Risco de fibrilação atrial em indivíduos com diabetes tipo 1 comparados a controles pareados da população geral: um estudo prospectivo de caso-controle

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet Diabetes Endocrinol. 2017 Aug 21

Diversos estudos demonstram a associação entre o diabetes tipo 1 e o risco aumentado de desenvolver várias complicações cardiovasculares, no entanto a associação independente entre o diabetes tipo 1 e a fibrilação atrial parece não ter sido investigada até o presente momento. Trata-se de um estudo caso-controle prospectivo de indivíduos com diabetes tipo 1 inscritos no Registro Nacional Sueco do Diabetes. Os participantes com diabetes foram pareados por idade, sexo e condado de residência com 5 indivíduos controles selecionados aleatoriamente no Registro Sueco da População. Os casos de fibrilação atrial foram obtidos no Registro Nacional Sueco de Paciente. Um total de 36.258 pacientes com diabetes tipo 1 e 179.980 controles foram acompanhados entre 1 de janeiro de 2001 e 31 de dezembro de 2013. O seguimento médio foi de 9,7 anos (IQR 5,2-13,0) para pacientes e 10,2 anos (5,7-13,0) para controles. Cerca de 749 (2%) indivíduos com diabetes tipo 1 e 2.882 (2%) controles foram diagnosticados com fibrilação atrial, com uma razão de risco ajustada (HR) de 1,13 (IC 95% 1,01-1,25; p=0,029) em homens e 1,50 (1,30-1,72; p<0,0001) em mulheres (p=0,0019 para interação). Os resultados mostraram que o excesso de risco de fibrilação atrial em indivíduos com diabetes tipo 1 aumentou com o agravamento do controle glicêmico e complicações renais. Entre os indivíduos com normoalbuminúria, nenhum risco excessivo de fibrilação atrial foi observado em homens com diabetes tipo 1 que apresentaram HbA1c inferior a 9,7% (<83 mmol/mol) ou nas mulheres com diabetes tipo 1 e HbA1c inferior a 8,8 % (<73 mmol/mol). Os pesquisadores concluíram que em comparação com a população geral, o risco de fibrilação atrial em homens com diabetes tipo 1 foi levemente aumentado, enquanto que nas mulheres foi 50% maior. Segundo os autores, o risco de fibrilação atrial em pessoas com diabetes tipo 1 aumentou com complicações renais e controle glicêmico ruim. Uma resenha de: Risk of atrial fibrillation in people with type 1 diabetes compared with matched controls from the general population: a prospective case-control study Autores: Dahlqvist S, Rosengren A, Gudbjörnsdottir S, Pivodic A, Wedel H, Kosiborod M, Svensson AM, Lind M.

Fatores lipídicos de risco cardiovascular e taxa de eventos cardiovasculares após revascularização miocárdica

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Int. J. Cardiovasc. Sci. [online]. 2017, vol.30, n.1, pp.4-10

A doença arterial coronariana é um problema de saúde pública, e principal causa de morte prematura na Europa e no mundo. Há evidência epidemiológica de que o controle dos fatores de risco cardiovasculares após a revascularização do miocárdio encontra-se ainda abaixo do desejável. O objetivo deste estudo, publicado na International Journal of Cardiovascular Sciences, foi analisar a incidência de eventos cardiovasculares em pacientes em tratamento para prevenção secundária após revascularização do miocárdio. Foi realizado um estudo unicêntrico com pacientes com doença coronariana consecutivos, identificados retrospectivamente. O estudo foi conduzido no Instituto de Doenças Cardiovasculares em Timisoara, Romênia. Os pacientes com diagnóstico de revascularização por doença arterial coronariana (intervenção coronária percutânea, ICP ou ponte de artéria coronária, CABG) foram incluídos, seguindo-se os critérios de inclusão do estudo EUROASPIRE IV. Os dados foram analisados em três momentos - T0, quando a revascularização do miocárdio foi realizada; T1 (entrevista com pacientes submetidos à revascularização há mais de 6 meses e menos de 5 anos); e T2 (entrevista com pacientes submetidos à revascularização há mais de 5 anos). Dos 375 pacientes com doença coronariana, 341 foram incluídos no estudo. No T1, somente 5% e 34,9% dos pacientes atingiram os níveis desejáveis de LDL-c e nãoHDL-c, respectivamente. A taxa de MACE em T2 foi de 7,9% em um tempo de acompanhamento mediano de 4,33 anos. Encontramos uma associação significativa positiva entre taxa de MACE e LDL-c em T1 (p = 0,039). Houve diferenças significativas nos níveis médios de não-HDL-c entre as categorias de MACE em T1 (p = 0,02). Valores médios de não-HDL associaram-se significativamente com a incidência de insuficiência cardíaca (p = 0,007), diabetes com diagnóstico recente (p = 0,017) e taxa de reestenose (p = 0,04). Segundo os pesquisadores, este estudo destaca a necessidade de se controlar fatores de risco relacionados ao perfil lipídico após procedimentos de revascularização do miocárdio, mesmo em longo prazo, a fim de minimizar o risco de eventos cardiovasculares em pacientes com doenças coronarianas. Uma resenha de: Fatores Lipídicos de Risco Cardiovascular e Taxa de Eventos Cardiovasculares após Revascularização Miocárdica Autores: Catalina, Cosor Oana et al.

Inferência Bayesiana quanto ao valor do escore de cálcio zero como filtro na investigação da dor torácica aguda em unidade coronariana

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.2, pp.97-102.

A acurácia do escore de cálcio coronário zero como um filtro nos pacientes com dor torácica aguda tem sido demonstrada na sala de emergência e nos ambulatórios, populações com baixa prevalência de doença arterial coronariana (DAC). O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos Brasileiros de Cardiologia, foi testar o papel do escore de cálcio zero como filtro nos pacientes com dor torácica admitidos numa unidade coronariana intensiva (UCI), na qual a probabilidade pré-teste de DAC é maior do que em outras populações. Pacientes foram submetidos a tomografia computadorizada para quantificar o escore de cálcio, DAC obstrutiva foi definida por uma estenose mínima de 70% na cineangiocoronariografia invasiva. Um escore clínico para estimar a probabilidade préteste de DAC obstrutiva foi criado em amostra de 370 pacientes, usado para definir subgrupos na definição de valores preditivos negativos do escore zero. Em 146 pacientes estudados, a prevalência de DAC foi 41% e o escore de cálcio zero foi demonstrado em 35% deles. A sensibilidade e a especificidade para escore de cálcio zero resultaram numa razão de verossimilhança negativa de 0,16. Após ajuste com um escore clínico com a regressão logística para a probabilidade pré-teste, o escore de cálcio zero foi preditor independente associado a baixa probabilidade de DAC (OR = 0,12, IC95% = 0,04-0,36), aumentando a área abaixo da curva ROC do modelo clínico de 0,76 para 0,82 (p = 0,006). Considerando a probabilidade de DAC < 10% como ponto de corte para alta precoce, o escore de cálcio aumentou a proporção de pacientes para alta precoce de 8,2% para 25% (NRI = 0,20; p = 0,0018). O escore de cálcio zero apresentou valor preditivo negativo de 90%. Em pacientes com probabilidade pré-teste < 50%, o valor preditivo negativo foi 95% (IC95% = 83%-99%). Os pesquisadores concluíram que o escore de cálcio zero reduz substancialmente a probabilidade pré-teste de DAC obstrutiva em pacientes internados em UCI com dor torácica aguda. Uma resenha de: Inferência Bayesiana quanto ao Valor do Escore de Cálcio Zero como Filtro na Investigação da Dor Torácica Aguda em Unidade Coronariana Autores: Correia, Luis Cláudio Lemos et al.

Síndrome pulmonar do hantavírus: achados na tomografia computadorizada de alta resolução

27/10/2017 | Fonte: Fonte: Radiol Bras [online]. 2017, vol.50, n.3, pp.148-153

O objetivo deste estudo, publicado no Radiologia Brasileira, foi descrever os achados na tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) de pacientes com síndrome pulmonar do hantavírus. Foram revisados, retrospectivamente, os achados tomográficos de oito pacientes portadores da síndrome pulmonar do hantavírus, todos do sexo masculino e com idade de 19 a 70 anos (média de 41,7 anos). O diagnóstico foi estabelecido por teste sorológico de ensaio de imunoabsorção enzimática em todos os pacientes. Dois radiologistas de tórax analisaram as imagens e decidiram em consenso. Os achados predominantes na TCAR foram opacidades em vidro fosco e espessamento septal inter e intralobular, observados nos oito pacientes; porém, padrão de pavimentação em mosaico foi encontrado em apenas três deles. Derrame pleural e espessamento peribroncovascular foram observados em cinco pacientes. As anormalidades foram bilaterais em todos os pacientes. Os pesquisadores concluíram que a opacidades em vidro fosco e espessamento septal inter e intralobular foram os achados predominantes na TCAR nos pacientes com síndrome pulmonar do hantavírus, o que, provavelmente, se correlaciona com achados histopatológicos de edema pulmonar. Uma resenha de: Síndrome pulmonar do hantavírus: achados na tomografia computadorizada de alta resolução Autores: Barbosa, Diego de Lacerda et al.

Avaliação da fadiga utilizando a Escala de Identificação e Consequências da Fadiga em pacientes com câncer de pulmão

27/10/2017 | Fonte: Fonte: J. bras. pneumol. [online]. 2017, vol.43, n.3, pp.169-175.

O objetivo deste estudo, publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, foi avaliar as propriedades da Escala de Identificação e Consequências da Fadiga (EICF) em pacientes com câncer de pulmão (CP), analisando a intensidade da fadiga e fatores associados. Foi realizado um estudo transversal com pacientes com CP, atendidos em um hospital-escola no Brasil, que preencheram a EICF. Pacientes com doenças cardíacas crônicas (DCC) e controles saudáveis, pareados por idade e sexo, também preencheram a escala. Inicialmente, uma versão brasileira da escala foi aplicada a 50 pacientes com CP por dois entrevistadores independentes; para testar a reprodutibilidade, ela foi reaplicada aos mesmos pacientes. No momento basal, os pacientes com CP realizaram espirometria e teste de caminhada de seis minutos, bem como preencheram a Epworth Sleepiness Scale (ESS), Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS), Medical Outcomes Study 36-item Short-Form Health Survey (SF-36) e Fatigue Severity Scale (FSS). O estado inflamatório foi avaliado pelos níveis de proteína C reativa (PCR) no sangue. Para validar a EICF, avaliamos as correlações entre as pontuações na mesma e essas variáveis. A amostra foi composta por 50 pacientes em cada grupo (CP, DCC e controle). No grupo CP, os coeficientes de correlação intraclasse para confiabilidade intra e interobservador para as variáveis resumidas da EICF variaram de 0,94 a 0,76 e de 0,94 a 0,79, respectivamente. A EICF apresentou excelente consistência interna, e as disposições gráficas de Bland-Altman demonstraram boa confiabilidade teste-reteste. A EICF apresentou correlações significativas com as pontuações na FSS, HADS e SF-36, bem como com os níveis de PCR. As médias das pontuações na EICF do grupo CP diferiram significativamente das dos grupos DCC e controle. Os pesquisadores concluíram que a EICF é um instrumento válido e confiável para a avaliação de pacientes com CP, nos quais depressão, qualidade de vida e níveis de PCR parecem estar significativamente associados à fadiga. Uma resenha de: Avaliação da fadiga utilizando a Escala de Identificação e Consequências da Fadiga em pacientes com câncer de pulmão Autores: Nogueira, Ingrid Correia et al.

Uso da ultrassonografia endoanal como avaliação complementar para a detecção de lesão do esfíncter anal após parto vaginal

27/10/2017 | Fonte: Fonte: J. Coloproctol. (Rio J.) [online]. 2017, vol.37, n.3, pp.225-231.

A lesão de esfíncter anal após o parto é o fator principal na patogênese da incontinência fecal. Observa-se uma lesão clínica óbvia e específica ao esfíncter no canal anal em 3% dos partos vaginais. Em muitas mulheres não se percebe uma laceração nítida e específica, mas houve lesão nos músculos esfinctéricos do canal anal. A finalidade desse estudo, publicado no Journal of Coloproctology (Rio de Janeiro), foi investigar a frequência de lesão oculta de esfíncter no canal anal em seguida ao parto vaginal por meio da ultrassonografia endoanal. Cinquenta mulheres primíparas foram avaliadas no período de 27-33 semanas de gestação e também a 6 semanas e 6 meses após o parto vaginal por meio de questionário, exame e ultrassonografia endoanal. Foram anotados a idade das pacientes, a duração do parto, o efeito da anestesia epidural, episiotomias e peso do bebê ao nascer; também foram registrados os resultados da ultrassonografia endoanal. Antes do parto, todas as gestantes foram submetidas a um exame de manometria; e 5 mães com lesão esfinctérica também passaram por esse procedimento a 6 meses e 3 anos após o parto. Cinco (10%) pacientes, com média de idade = 29,4 ± 6,5 anos, peso médio do bebê ao nascer = 3874 ± 287 gramas e duração média do parto = 11,6 ± 1,51 horas, apresentavam sinais de lesão esfinctérica ao exame por ultrassonografia endoanal. Seis meses após o parto, as lesões persistiam. Também foram observadas diferenças significativas entre a manometria anal antes do parto e a 6 meses e 3 anos após o parto (p = 0,006 para média de pressão de contração) nas cinco mães. Os pesquisadores concluíram que a ultrassonografia endoanal pode ser um bom instrumento de triagem para a detecção precoce de lesões do esfíncter anal no pós-parto. Contudo, é importante que sejam realizados novos estudos prospectivos e de custobenefício, para que essa técnica possa ser proposta como padrão terapêutico. Uma resenha de: Uso da ultrassonografia endoanal como avaliação complementar para a detecção de lesão do esfíncter anal após parto vaginal Autores: Izadpanah, Ahmad et al.

Mastócitos discriminam esofagite eosinofílica em pacientes pediátricos

25/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Gastroenterol. [online]. 2017, vol.54, n.3, pp.192-196

Os mastócitos detêm papel fundamental na resposta imuno-alérgica gastrintestinal. Assim, é razoável admitir que essas células sejam úteis no diagnóstico diferencial das gastroenteropatias eosinofílicas. O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos de Gastroenterologia, foi determinar se a análise quantitativa de mastócitos na mucosa esofágica permite discernir esofagite eosinofílica, esofagite eosinofílica responsiva ao inibidor de bomba de prótons e esofagite péptica por doença de refluxo gastroesofágico. Foram revisados retrospectivamente os prontuários 53 crianças (idade: 7,8 anos; variação: 8-14 anos), atendidas consecutivamente, num serviço terciário e cujos diagnósticos definitivos estabelecidos após seguimento clínico foram esofagite eosinofílica (N=23), esofagite eosinofílica responsiva ao inibidor de bomba de prótons (N=15) e esofagite péptica por doença de refluxo gastroesofágico (N=15). As amostras histológicas foram revisadas quanto à contagem de eosinófilos na coloração de H-E e processadas para imunoistoquímica da triptase de mastócitos. Valores de eosinófilos/campo de maior aumento (CMA; 400X) >15 foram encontrados em 14 dos 15 pacientes com refluxo gastroesofágico. A média de eosinófilos/CMA foi similar nos pacientes com esofagite eosinofílica e com esofagite eosinofílica responsiva ao inibidor de bomba de prótons, respectivamente, 42 e 39 eosinófilos/CMA, P=0,47). Os valores de mastócitos triptase (+) foram superiores no epitélio esofágico dos pacientes com esofagite eosinofílica [mediana: 25 mastócitos/CMA; variação (17- 43)] e na esofagite eosinofílica responsiva ao inibidor de bomba de prótons [25 (16-32)], comparados aos pacientes com refluxo gastroesofágico [4(2-14)], P<0,001. Não houve diferença entre a média de mastócitos/CMA nos pacientes com esofagite eosinofílica comparados aos com esofagite eosinofílica responsiva ao inibidor de bomba de prótons, respectivamente, 26 e 24 mastócitos/CMA, P=0,391. Os pesquisadores concluíram que a coloração para mastócitos pela imunoistoquímica da triptase diferencia as esofagites eosinofílicas da esofagite péptica. Uma resenha de: Mastócitos discriminam esofagite eosinofílica em pacientes pediátricos Autores: Lomazi, Elizete Aparecida et al.

Métodos de avaliação do estado nutricional de crianças e adolescentes com Paralisia Cerebral Tetraespástica

25/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Gastroenterol. [online]. 2017, vol.54, n.3, pp.201-205

Devido a diversos fatores, como doenças do trato gastrointestinal e dificuldade de alimentação, frequentemente crianças com Paralisia Cerebral Tetraespástica apresentam prejuízo no estado nutricional. O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos de Gastroenterologia, foi avaliar o estado nutricional de pacientes pediátricos com Paralisia Cerebral Tetraespástica de acordo com curvas de referência para essa população e comparar com as curvas de referência utilizadas para a população pediátrica em geral. Foram obtidos os dados de: altura do joelho, estatura estimada, peso, circunferência braquial e dobra cutânea triciptal. Valores de dobras e circunferências foram comparados com Frisancho e curvas específicas para esses pacientes foram utilizadas como referência. A relação entre os valores plotados na curva de crescimento para crianças saudáveis, Escore-Z e comparação com a curva referencial foram verificados através do teste exato de Fisher. O nível de significância adotado foi de 5%. Foram avaliados 54 pacientes. A média de idade foi de 10,2 anos, 34 eram do sexo masculino. Vinte cinco se alimentavam via gastrostomia e 29 via oral. A frequência de baixo peso pela curva referencial foi de 22,22%. Mais da metade dos pacientes apresentaram os parâmetros indicativos de massa magra abaixo do percentil 5. A estatura de todos os pacientes foi classificada como adequada para idade pela curva referencial. Os pesquisadores concluíram que o baixo peso foi encontrado em 22% dos pacientes, e há maior tendência para que esses pacientes apresentem massa muscular reduzida e aumento da massa gorda, mostrando a necessidade de avaliação e intervenções apropriadas para pacientes com Paralisia Cerebral Tetraespástica. Uma resenha de: Métodos de avaliação do estado nutricional de crianças e adolescentes com Paralisia Cerebral Tetraespástica Autores: Caselli, Thaisa Barboza; Lomazi, Elizete Aparecida; Montenegro, Maria Augusta Santos e Bellomo-Brandao, Maria Angela.

Prevalência global do transtorno do espectro alcoólico fetal entre crianças e jovens: uma revisão sistemática e meta-análise

25/10/2017 | Fonte: Fonte: JAMA Pediatr. 2017 Aug 21. [Epub ahead of print]

Estimativas de prevalência são fundamentais para priorizar, planejar e administrar efetivamente os cuidados de saúde nas populações com alta necessidade, como por exemplo, crianças e jovens com transtorno do espectro alcoólico fetal (FASD). Contudo, dados de prevalência populacional para FASD ainda são limitados na maioria dos países. O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Pediatrics, foi realizar estimativas de prevalência de FASD entre crianças e jovens na população geral, estratificados por país, região da Organização Mundial da Saúde (OMS) e globalmente. Para a realização deste estudo foram realizadas buscas nas seguintes bases de dados da literatura: MEDLINE, MEDLINE in process, EMBASE, Education Resource Information Center, Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature, Web of Science, PsychINFO, and Scopus. Foram pesquisados sistematicamente estudos publicados entre 1º de novembro de 1973 até 30 de junho de 2015, sem restrições geográficas ou de idioma. Foram incluídos estudos quantitativos originais que relataram a prevalência de FASD entre crianças e jovens na população em geral, que usaram determinação de caso ativo ou cujos métodos tiveram fundamentação clínica e que especificaram a diretriz diagnóstica ou a definição de caso utilizada. Foram extraídas informações das características individuais do estudo e da prevalência de FASD. Foram realizadas meta-análises de efeitos aleatórios específicas de cada país. Para países com 1 ou nenhum estudo empírico sobre a prevalência de FASD, este indicador foi estimado com base na proporção de mulheres que consumiram álcool durante a gravidez por 1 caso de FASD. Finalmente, foi estimada a prevalência média regional e global da OMS de FASD ponderada pelo número de nascidos vivos em cada país. A prevalência de FASD foi considerada como resultado primário. A busca retornou para inclusão e análise um total de 24 estudos únicos, incluindo 1.416 crianças e jovens diagnosticados com FASD (faixa etária de 0 a 16 anos). Os resultados indicaram uma prevalência global de FASD de 7,7 por 1.000 habitantes (IC 95%, 4,9-11,7 por 1.000 habitantes) entre crianças e jovens na população geral. A Região Europeia da OMS teve a maior prevalência (19,8 por 1.000 habitantes, IC 95%, 14,1-28,0 por 1.000 habitantes) enquanto a menor foi observada na região do Mediterrâneo Oriental da OMS (0,1 por 1.000 habitantes, IC 95%, 0,1-0,5 por 1.000 habitantes). De 187 países, estima-se que a África do Sul tenha a maior prevalência de FASD com 111,1 por 1.000 habitantes (IC 95%, 71,1-158,4 por 1.000 habitantes), seguido pela Croácia com 53,3 por 1.000 habitantes (IC 95%, 30,9-81,2 por 1.000 habitantes) e Irlanda com 47,5 por 1.000 habitantes (IC 95%, 28,0-73,6 por 1.000 habitantes). Os pesquisadores concluíram que globalmente o FASD é uma deficiência de desenvolvimento relacionada ao álcool predominantemente evitável. Segundo os autores, os achados destacam a necessidade de estabelecer uma mensagem de saúde pública universal sobre o potencial dano da exposição pré-natal ao álcool e um protocolo de triagem de rotina, sendo que intervenções breves devem ser fornecidas quando apropriado. Uma resenha de: Global Prevalence of Fetal Alcohol Spectrum Disorder Among Children and Youth: A Systematic Review and Meta-analysis Autores: Lange S, Probst C, Gmel G, Rehm J, Burd L, Popova S.

Avaliação dos efeitos da terapia por ondas acústicas em queloides

25/10/2017 | Fonte: Fonte: Surgical and Cosmetic Dermatology Volume 9 Número 2

A terapia por ondas acústicas estimula os processos de regeneração e recuperação dos tecidos. Nesse sentido, espera-se que esse equipamento possa atuar em cicatrizes. O objetivo deste estudo, publicado no Surgical and Cosmetic Dermatology, foi avaliar a eficácia e segurança da terapia por ondas acústicas na melhora de queloides. Foi realizado um estudo aberto, prospectivo, unicêntrico que incluiu 20 participantes com diagnóstico clínico de queloide. Foram realizadas oito sessões de terapia por ondas acústicas, uma por semana, durante oito semanas. Os participantes foram avaliados no momento basal e uma e 12 semanas após o término do tratamento. Medidas de elasticidade e avaliação clínica pela Escala de Cicatrizes de Vancouver foram realizadas. Ao final do tratamento foi observada a satisfação dos participantes com o tratamento. Após o tratamento, a percentagem de participantes com espessura do queloide entre dois e 5mm caiu de 71% para 47%, aumentando a percentagem de participantes com espessura menor do queloide na amostra total (<2mm, de 24% para 41%). Os aspectos da vascularização e flexibilidade também apresentaram melhora em alguns participantes. Não foram relatados eventos adversos relacionados ao tratamento. Os pesquisadores concluíram que o tratamento por ondas acústicas é seguro e pode ser eficaz na melhora funcional de lesões de queloide e de alguns aspectos clínicos da lesão. Uma resenha de: Avaliação dos efeitos da terapia por ondas acústicas em queloides Autores: Doris Hexsel; Fernanda Oliveira Camozzato; Aline Flor Silva; Carolina Siega

O uso do plasma rico em plaquetas no tratamento da acne e suas cicatrizes: estudo-piloto

25/10/2017 | Fonte: Fonte: Surgical and Cosmetic Dermatology Volume 9 Número 2

A acne é doença multifatorial em que se evidenciam lesões inflamatórias constituídas por: pápulas, pústulas e comedões. É mais comum dos 11 aos 30 anos de idade, ocorrendo em várias regiões do corpo em que há altas concentrações de unidades pilossebáceas. A acne tem diferentes classificações e tratamentos. Recentemente, os fatores de crescimento de plaquetas têm sido indicados como terapia alternativa para cicatrizes da acne. O objetivo deste estudo, publicado no Surgical and Cosmetic Dermatology, foi descrever o caso de paciente com acne nódulo-cística e cicatrizes de acne graus 1, 2 e 3b tratado com plasma rico em plaquetas e, ao mesmo tempo, destacar a eficácia do tratamento. Foi realizada uma aplicação de plasma rico em plaquetas durante três meses no lado esquerdo da face de um paciente. De acordo com avaliações clínica e fotográfica, houve melhora na aparência e qualidade da pele, observando-se menor número de lesões e diminuição de fenômenos dolorosos. Segundo os pesquisadores, o presente estudo demonstrou a eficácia do plasma rico em plaquetas como tratamento para a acne assim como suas cicatrizes Uma resenha de: O uso do plasma rico em plaquetas no tratamento da acne e suas cicatrizes: estudo-piloto Autores: Lina Andrea Gómez; Valentina Casas Romero; William Hernando Merchan Rubiano

Eficácia da trombólise guiada por cateter e implante de stent na trombose venosa iliofemoral causada pela compressão da veia ilíaca

25/10/2017 | Fonte: Fonte: J Thromb Thrombolysis. 2017 Aug;44(2):254-260

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Thrombosis and Thrombolysis foi investigar objetivamente a morbidade da síndrome pós-trombótica na trombose venosa iliofemoral tratada com trombólise guiada por cateter e implante de stent sob proteção de filtro de veia cava inferior. Foram incluídos neste estudo os pacientes com episódio não provocado de trombose venosa iliofemoral combinada com síndrome da compressão da veia ilíaca entre janeiro de 2011 e janeiro de 2015. Foi realizada uma avaliação dos registros clínicos de todos os pacientes. Primeiramente, utilizou-se a regressão de Cox para identificar os fatores que impactaram na incidência de síndrome pós-trombótica. Em seguida, foi utilizada a análise de Kaplan-Meier para verificar a função desses fatores na síndrome pós-trombótica. Foram incluídos no estudo aproximadamente 247 pacientes que realizaram procedimentos para implante do filtro de veia cava inferior e trombólise guiada por cateter para a trombose venosa iliofemoral com presença de estenose na veia ilíaca após trombólise guiada por cateter. Deste total de pacientes incluídos, cerca de 74 sofreram síndrome pós-trombótica diagnosticados via escala de Villalta. Os resultados mostraram que os pacientes com implante de stent e retirada de filtro apresentaram menor risco de síndrome pós-trombótica em comparação com pacientes sem implante de stent e retirada de filtro. Porém, os pacientes com lesão na veia profunda proximal esquerda ou bilateral apresentaram maior risco de síndrome pós-trombótica. Resultados das análises da regressão de Cox revelaram que a implantação do stent foi uma medida preventiva para prevenir a síndrome pós-trombótica (OR 0,541, IC 95% 0,334-0,876, p = 0,012). Além disso, a curva de Kaplan-Meier mostrou que os pacientes com implante de stent apresentaram menor taxa de ocorrência de síndrome pós-trombótica (P = 0,008). Os pesquisadores concluíram que em pacientes com trombose venosa ilofemoral e síndrome da compressão da veia ilíaca, o implante de stent para resolver a obstrução residual após trombólise guiada por cateter pode desempenhar um papel importante na prevenção de síndrome pós-trombótica. Uma resenha de: Effectiveness of catheter directed thrombolysis and stent implantation on iliofemoral vein thrombosis caused by iliac vein compression Autores: Ming ZB, Li WD, Yuan RF, Li XQ, Ding WB.

Preditores de mortalidade em pacientes submetidos à nefrectomia por carcinoma de células renais não metastático em um centro de referência no Nordeste Brasileiro

25/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Col. Bras. Cir. [online]. 2017, vol.44, n.3, pp.257-262

O objetivo deste estudo, publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, foi identificar fatores prognósticos envolvidos no carcinoma de células renais não metastático. Foi realizado um estudo tipo coorte retrospectivo, utilizando dados obtidos em revisão de prontuários de pacientes portadores de carcinoma de células renais, submetidos à nefrectomia radical ou parcial, no Instituto do Câncer do Ceará. Foram estudados 117 pacientes com média de idade de 59,14 anos e mediana de 59 anos. Não houve predominância de sexo, o rim direito foi o mais acometido (64%) e o tipo histopatológico mais comum foi o carcinoma de células claras (77%). Predominou o estádio pT1 e o grau GII. Das variáveis analisadas, apenas o estadiamento patológico (pT) e o acometimento linfonodal revelaram-se preditoras de sobrevida global. Os pesquisadors concluíram que o estadiamento patológico (pT) e o acometimento de linfonodos regionais são fatores prognósticos importantes em pacientes portadores de carcinoma de células renais não metastáticos submetidos a nefrectomia. Uma resenha de: Preditores de mortalidade em pacientes submetidos à nefrectomia por carcinoma de células renais não metastático em um centro de referência no Nordeste Brasileiro Autores: Gurgel, Marcus Vinicius Silva Araújo et al.

Paratireoidectomia na doença renal crônica: efeitos no ganho de peso e na melhora da qualidade de vida

25/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Col. Bras. Cir. [online]. 2017, vol.44, n.3, pp.263-269

O objetivo deste estudo, publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, foi avaliar o benefício de paratireoidectomia em pacientes submetidos à hemodiálise, em relação ao estado nutricional e bioquímico, composição corporal e a qualidade de vida. Foi realizado um estudo longitudinal envolvendo 28 adultos em programa de hemodiálise, com hiperparatireoidismo secundário grave, avaliados antes e um ano após a cirurgia. Os critérios de inclusão foram: níveis de paratormônio dez vezes superior ao valor de referencia e doença renal crônica em programa de hemodiálise. O índice de massa corporal foi utilizado para classificação do estado nutricional. A bioimpedância elétrica para avaliação da composição corporal. A análise bioquímica incluiu dosagem de lipídios e marcadores do metabolismo ósseo. A qualidade de vida foi avaliada pelo questionário SF36 (Short Form Health Survey). Todos os pacientes foram submetidos à paratireoidectomia total com implante em antebraço. Houve ganho significativo de peso corporal (61,7 vs 66,0 kg; p<0,001), da massa celular corporal (22,0 vs 24,5 kg/m2; p=0,05) e da qualidade de vida (p=0,001) após a cirurgia. Com relação ao metabolismo ósseo, PTH intacto, cálcio, fósforo e fosfatase alcalina, se estabilizaram e houve melhora em parâmetros bioquímicos, tais como albumina e hemoglobina. Os pesquisadores concluíram que a paratireoidectomia melhora a sobrevida em pacientes de hemodiálise e está associada a aumento de peso, ganho de massa óssea e melhoria na qualidade de vida. Uma resenha de: Paratireoidectomia na doença renal crônica: efeitos no ganho de peso e na melhora da qualidade de vida Autores: Valente-Da-Silva, Henyse Gomes; Maya, Maria Cristina Araújo e Moreira, Annie Seixas.

Análise da sobrevivência em longo prazo após toracoscopia versus lobectomia aberta para o câncer de pulmão de células não pequenas de estágio I

25/10/2017 | Fonte: Fonte: Ann Surg. 2017 Aug 9. [Epub ahead of print]

As informações acerca da sobrevivência em longo prazo para lobectomia aberta comparada à toracoscopia (VATS) ainda são limitadas. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no Annals of Surgery, foi comparar a sobrevivência em longo prazo da lobectomia aberta versus VATS para câncer de pulmão de células não pequenas em estágio inicial. Para a realização deste estudo, foram analisados informações do National Cancer Data Base, para pacientes submetidos à lobectomia aberta e VATS para o câncer de pulmão de células não pequenas (T1-2, N0, MLCCN). Os dados foram analisados usando escores de propensão. Foram avaliadas cerca de 7.114 lobectomias, sendo 5.566 abertas e 1.548 VATS com acompanhamento médio de 52,0 meses. Os escores de propensão indicaram 1.464 pacientes que realizaram lobectomias abertas e 1.464 VATS que foram acompanhados com base em 14 covariáveis prognósticas comuns, incluindo tamanho e comorbidades do tumor. Os resultados mostraram que a abordagem VATS foi associada a um período de permanência médio mais curto (5 vs. 6 dias, P <0,001) e melhor sobrevivência de 5 anos (66,0% vs. 62,5%, P = 0,026). No entanto, não foi observa diferença estatística da abordagem aberta em relação ao estadiamento (11,2% contra 12,5%, P = 0,46) e mortalidade em 30 dias (1,7% vs. 2,5%, P = 0,14). Usando análise por escore de propensão de 2.928 pacientes, os resultados não mostraram diferenças significativas na sobrevivência de 5 anos entre o VATS e a abordagem aberta (66,3% contra 65,8%, P = 0,92). Os pesquisadores concluíram que a lobectomia VATS foi utilizada na minoria dos pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas do estágio I, sendo associada ao menor período de permanência e a uma sobrevivência similar na comparação com a lobectomia aberta. Segundo os autores, esses dados confirmam resultados anteriores que sugerem que o VATS não compromete os resultados oncológicos quando usado para câncer de pulmão em estágio inicial e sugere a necessidade de implantação mais ampla desta técnica. Uma resenha de: A National Analysis of Long-term Survival Following Thoracoscopic Versus Open Lobectomy for Stage I Non-small-cell Lung Cancer Autores: Yang CJ, Kumar A, Klapper JA, Hartwig MG, Tong BC, Harpole DH Jr, Berry MF, D'Amico TA.

Prevalência de doenças musculoesqueléticas autorreferidas segundo variáveis demográficas e de saúde: estudo transversal de idosos

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Cad. saúde colet. [online]. 2017, vol.25, n.2, pp.138-143.

O objetivo deste estudo, publicado no periódico Cadernos Saúde Coletiva, foi estimar a prevalência de doenças musculoesqueléticas autorreferidas por idosos segundo variáveis demográficas, dor, autoavaliação de saúde e quedas. Foi realizado um estudo transversal, de base populacional, com amostra probabilística de 934 idosos residentes em Goiânia, em Goiás. Aplicou-se um questionário padronizado e semiestruturado. Considerou-se doença musculoesquelética autorreferida pelo idoso como variável desfecho, enquanto as variáveis de exposição foram demográficas, autoavaliação de saúde, quedas, dor e atividade física. Para análise, foram utilizados os testes qui-quadrado ou Fisher e regressão de Poisson (valor de p<0,05). Dos 934 idosos, 62,2% eram mulheres, com média de 71,4 anos (±8,3). A prevalência de doenças musculoesqueléticas foi de 39,1% (IC95% 35,9-42,3), sendo as mais frequentes: osteoporose (24,6%), artrose (2,9%), reumatismo (1,2%) e artrite (0,6%). A prevalência foi superior nas mulheres (44,7%; p=0,000); faixa etária =80 anos (44,7%; p=0,002); autoavaliação de saúde ruim (55,9%; p=0,000); relato de dor (43,4%; p=0,001). Não houve associação entre doenças musculoesqueléticas e quedas (p=0,671) e sedentarismo (p=0,167). Segundo os pesquisadores, observaram-se elevada prevalência de doenças musculoesqueléticas nos idosos de elevada faixa etária e associação com autoavaliação de saúde ruim e relato de dor, o que sugere intervenções no controle das condições de saúde gerais. Uma resenha de: Prevalência de doenças musculoesqueléticas autorreferidas segundo variáveis demográficas e de saúde: estudo transversal de idosos de Goiânia/GO Autores: Melo, Anna Cássia Fernandes et al.

Prevalência do medo de cair em uma população de idosos da comunidade

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.3, pp.309-318

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi verificar a prevalência do medo de cair em uma população de idosos da comunidade e analisar a sua correlação com idade, autopercepção de saúde, dificuldade para andar, uso de dispositivo auxiliar, histórico de quedas e capacidade funcional. Foi realizado um estudo transversal com 314 idosos, não institucionalizados, residentes na cidade de Juiz de Fora, MG, em 2015. Foi realizado inquérito domiciliar e o medo de cair foi avaliado usando Falls Efficacy Scale Internacional - Brasil (FES-I-BRASIL). Para verificar a correlação das variáveis independentes com o medo de cair, foi utilizada correlação de Spearman. Nível de significância do estudo foi de 5%. A prevalência do medo de cair entre os idosos foi de 95,2% (IC95%=92,3; 97,3). O medo de cair correlacionou-se significativamente com todas as variáveis analisadas: idade (r=0,199), autopercepção de saúde (r=0,299), dificuldade para andar (r=-0,480), uso de dispositivo auxiliar da marcha (r=0,337), histórico de quedas (r=-0,177) e capacidade funcional (r=-0,476). Os pesquisadores concluíram que foi verificada uma alta prevalência do medo de cair e correlação significativa entre o desfecho e as variáveis estudadas. Esses achados apontam para a necessidade de estratégias de reabilitação, prevenção e promoção à saúde que possibilitem o envelhecimento saudável. Uma resenha de: Prevalência do medo de cair em uma população de idosos da comunidade Autores: Cruz, Danielle Teles da; Duque, Raphaela Ornellas e Leite, Isabel Cristina Gonçalves.

Radioterapia parcial da mama após cirurgia de conservação da mama para pacientes com câncer de mama precoce (ensaio UK IMPORT LOW): resultados de 5 anos de um estudo multicêntrico, randomizado, controlado, de fase 3, de não inferioridade

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Aug 2. pii: S0140-6736(17)31145-5

Estudos estimam que possa haver uma redução acentuada do risco local de recidiva para o câncer após cirurgia de conservação da mama seguida de radioterapia. Segundo os autores, tal redução é amplamente observada em diversos países e parece ser influenciada pela idade do paciente e por fatores clínico-patológicos. Nesse sentido, os autores do presente estudo, publicado no Lancet, tiveram como objetivo investigar se em comparação com a radioterapia total mama, a radioterapia restrita à proximidade do tumor original em mulheres com risco de recidiva local menor que a média irá apresentar um melhor equilíbrio entre resultados benéficos e efeitos adversos. Trata-se de um ensaio multicêntrico (IMPORT LOW), randomizado, controlado, de fase 3, de não inferioridade realizado em 30 centros de radioterapia no Reino Unido. Foram selecionadas para a participação no estudo mulheres de 50 anos ou mais que haviam sido submetidas à cirurgia de conservação da mama para tratamento de adenocarcinoma ductal invasivo [grau 1-3 com tamanho de tumor de 3 cm ou menor (pT1-2); nenhum a três linfonodos axilares positivos (pN0-1); e margens microscópicas mínimas de tecido não cancerígeno de 2 mm ou mais]. As pacientes foram distribuídas aleatoriamente na razão 1:1 para receber um dos seguintes procedimentos em 15 frações diárias: 1) radioterapia total da mama de 40 Gy (grupo controle); 2) radioterapia total da mama com 36 Gy, além de radioterapia parcial da mama com 40 Gy (grupo dose reduzida); ou 3) apenas radioterapia parcial da mama com 40 Gy (grupo mama parcial). A estratificação das pacientes por centro de tratamento foi realizada de forma computadorizada gerando blocos mistos aleatórios (tamanhos de seis e nove). Não houve vendamento dos procedimentos ou de alocação dos grupos tanto para os pacientes quanto para os clínicos envolvidos. A radioterapia de intensidade modulada foi administrada usando feixes tangenciais padrão que foram simplesmente reduzidos em comprimento para o grupo mama parcial. Foi considerado como desfecho primário a recidiva local ipsilateral (poder de 80% para excluir um aumento de 2,5% [margem de não inferioridade] em 5 anos para cada grupo experimental. A não inferioridade foi mostrada se o limite superior do IC de 95% para a razão de risco de recidiva fosse inferior a 2,03. Os dados foram analisados por intenção de tratar. Foram realizadas análises de segurança em todos os pacientes para os quais havia dados disponíveis (ou seja, uma população modificada de intenção de tratar). Foram recrutadas cerca de 2.018 mulheres entre 3 de maio de 2007 e 5 de outubro de 2010, sendo que duas retiraram o consentimento para o uso de seus dados na SP, 31/08/2017 análise. O número de pacientes em cada grupo foi: 674 no grupo controle, 673 no grupo de dose reduzida e 669 no grupo de mama parcial. O acompanhamento médio foi de 72,2 meses (IQR 61,7-83,2) e as estimativas de 5 anos da incidência cumulativa de recidiva local foram de 1,1% (IC 95% 0,5-2,3) nos pacientes no grupo controle, 0,2% (0.02-1,2) no grupo de dose reduzida e 0,5% (0,2-1,4) no grupo de mama parcial. As diferenças absolutas estimadas de 5 anos na recidiva local em comparação com o grupo controle foram -0,73% (-0,99 a 0,22) para a dose reduzida e -0,38% (0,84 a 0,90) para o grupo de mama parcial. A não inferioridade pode ser assumida tanto para a radioterapia de dose reduzida quanto para de mama parcial, sendo confirmada pelo teste contra a razão de risco crítica apresentando um valor superior a 2,03 (p = 0,003 para o grupo de dose reduzida e p = 0,016 para o grupo de mama parcial, em comparação com o grupo controle). Avaliações clínicas, fotográficas e dos pacientes registraram efeitos adversos semelhantes após a radioterapia em doses reduzidas ou em mama parcial, incluindo dois domínios de pacientes atingindo efeitos adversos estatisticamente significativamente menores [alteração na aparência da mama (p = 0,007 para mama parcial) e mama mais firme (p = 0,002 para doses reduzidas e p <0,0001 para mama parcial)] em comparação com a radioterapia total da mama. Os pesquisadores concluíram que a radioterapia parcial da mama e com dose reduzida não é inferior à radioterapia total da mama em termos de recidiva local em uma coorte de pacientes com câncer de mama precoce. Além disso, foram observados efeitos adversos equivalentes ou normais. Segundo os autores, esta técnica de radioterapia simples é implementável em centros de radioterapia em todo o mundo. Uma resenha de: Partial-breast radiotherapy after breast conservation surgery for patients with early breast cancer (UK IMPORT LOW trial): 5-year results from a multicentre, randomised, controlled, phase 3, non-inferiority trial Autores: Coles CE, Griffin CL, Kirby AM, et al.

Densidade do antígeno específico da próstata em combinação com PI-RADS na precisão do prognóstico do câncer de próstata.

24/10/2017 | Fonte: Fonte: J Urol. 2017 Sep;198(3):575-582

Estudos recentes com ressonância magnética multiparamétrica destacam a eficácia da informação clínica advinda desta análise como preditor confiável para o diagnóstico do câncer de próstata. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Journal of Urology, foi investigar se o valor preditivo negativo da imagem de ressonância magnética multiparamétrica para descartar o câncer de próstata clinicamente significativo poderia ser melhorado usando fatores clínicos, especialmente a densidade do antígeno prostático específico. Participaram deste estudo cerca de 1.040 homens com suspeita de câncer de próstata. Primeiramente, os indivíduos foram submetidos à imagem de ressonância magnética multiparamétrica, seguida de biópsia sistemática transperineal e biópsia guiada por fusão de imagens de ressonância magnética e ultrassonografia transretal. Diferentes fatores clínicos foram testados como preditores do câncer de próstata significativo por análises de regressão logística com subsequente elaboração de nomogramas. Com o intuito de simplificar estes nomogramas para uso clínico, os pacientes foram estratificados em 3 grupos quanto à densidade de antígenos específicos da próstata, a saber: grupo 1 (0,15 ng/ml/ml. Após a estratificação, foi calculado o valor preditivo negativo de um índice de Likert PI-RADS (Prostate Imaging Reporting e Data System) inferior a 3. O câncer de próstata significativo foi definido como um escore de Gleason de 3 + 4 ou superior. O câncer de próstata de alto grau foi definido como um escore de Gleason de 4 + 3 ou superior. Os resultados mostraram que um total de 451 homens foram diagnosticados com câncer de próstata significativo, incluindo 187 com um escore de Gleason de 4 + 3 ou superior. Nas análises da curva ROC, o poder preditivo do nomograma desenvolvido para câncer de próstata significativo apresentou maior área sob a curva do que o de PI-RADS isolado (0,79 vs 0,75, p <0,001). O valor preditivo negativo para considerar câncer de próstata significativo aumentou em homens com imagem de ressonância magnética não suspeita de 79% até 89% quando a densidade de antígeno específico da próstata era de 0,15 ng/ml/ml ou menos. Os resultados para a biópsia de repetição estimaram um aumento de 83% para 93% no valor preditivo negativo do câncer de próstata significativo. Os resultados também mostraram aumento de 92% para 98% no valor preditivo negativo para considerar o câncer de próstata de alto grau em toda a coorte. Os pesquisadores concluíram que o uso de densidade de antígeno específico da próstata combinada com a ressonância magnética multiparamétrica melhorou o valor preditivo negativo da pontuação de PI-RADS. Segundo os autores, o SP, 31/08/2017 aumento da probabilidade de excluir o câncer de próstata significativo contribui para que 20% das biópsias desnecessárias sejam evitadas com segurança. Uma resenha de: The Value of PSA Density in Combination with PI-RADS™ for the Accuracy of Prostate Cancer Prediction Autores: Distler FA, Radtke JP, Bonekamp D, Kesch C, Schlemmer HP, Wieczorek K, Kirchner M, Pahernik S, Hohenfellner M, Hadaschik BA.

Análise plasmática do DNA do vírus Epstein-Barr para detecção do câncer de nasofaringe

24/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Aug 10;377(6):513-522

A detecção do carcinoma de nasofaringe pode ser realizada pela análise do DNA circulante do vírus Epstein-Barr (EBV). Assim, o objetivo deste estudo, publicado no New England Journal of Medicine, foi avaliar a relação entre o DNA de EBV em amostras de plasma e a detecção do carcinoma de nasofaringe precoce em indivíduos assintomáticos. Para a realização deste estudo, os autores analisaram o DNA de EBV em amostras plasmáticas de indivíduos assintomáticos para o câncer de nasofaringe. Os participantes com resultados inicialmente positivos foram reanalisados após 4 semanas, de modo que aqueles com DNA de EBV persistentemente positivo foram submetidos ao exame endoscópico nasal e ressonância magnética. Participaram da triagem cerca de 20.174 indivíduos e o DNA de EBV foi detectado em amostras plasmáticas de 1.112 participantes (5,5%). Um total de 309 amostras (1,5% de todos os participantes e 27,8% daqueles que inicialmente apresentaram resultados positivos) tiveram resultados persistentemente positivos na reanálise da amostra. Entre esses 309 participantes, 300 foram submetidos ao exame endoscópico e 275 foram submetidos ao exame endoscópico e ressonância magnética, ao passo que destes, 34 participantes foram diagnosticados com carcinoma de nasofaringe. Os resultados mostraram que o número de participantes com carcinoma de nasofaringe com estágio I ou II foi significativamente maior quando a triagem foi realizada pelo DNA de EBV em comparação a uma coorte histórica (71% versus 20%, P <0,001 pelo teste do qui-quadrado), apresentando melhor sobrevida livre de progressão (97% vs. 70%; razão de risco, 0,10; intervalo de confiança de 95%, 0,05 a 0,18). Um total de 9 participantes não concordou em realizar testes adicionais e 1 destes apresentou carcinoma de nasofaringe avançado 32 meses após a inscrição no estudo. Além disso, 1 participante com DNA EBV negativo em amostras de plasma foi diagnosticado com carcinoma de nasofaringe cerca de 1 ano após o teste. A sensibilidade e a especificidade do DNA de EBV em amostras de plasma na seleção de carcinoma de nasofaringe foram de 97,1% e 98,6%, respectivamente. Os pesquisadores concluíram que a análise do DNA de EBV em amostras de plasma foi útil na triagem para o carcinoma de nasofaringe precoce assintomático. Os autores destacam que o carcinoma de nasofaringe foi detectado significativamente mais cedo e os resultados foram melhores nos participantes identificados pela triagem por DNA de EBV do que nos indivíduos de uma coorte histórica. SP, 31/08/2017 Uma resenha de: Analysis of Plasma Epstein-Barr Virus DNA to Screen for Nasopharyngeal Cancer. Autores: Chan KCA, Woo JKS, King A, Zee BCY, Lam WKJ, Chan SL, Chu SWI, Mak C, Tse IOL, Leung SYM, Chan G, Hui EP, Ma BBY, Chiu RWK,Leung SF, van Hasselt AC, Chan ATC, Lo YMD.

Ácido úrico e demência incidente ao longo de 12 anos de acompanhamento: um estudo de coorte baseado em população

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Ann Rheum Dis. 2017 Jul 28. pii: e210767

Terapias para a manutenção dos níveis baixos de ácido úrico sérico em pacientes com gota são importantes, no entanto, o ácido úrico é considerado um agente neuroprotetor, de modo que a relação entre ácido úrico sérico e demência ainda não está completamente esclarecida. O objetivo deste estudo, publicado no Annals of the Rheumatic Diseases, foi avaliar o impacto do nível de ácido úrico sérico na incidência de demência. Para a realização deste estudo, os autores avaliaram a associação longitudinal entre o nível de ácido úrico sérico e a demência incidente (Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais Versão IV - DSM-IV) em uma grande coorte de idosos saudáveis (coorte Three-City Dijon). Também foi avaliada a relação entre o nível de ácido úrico sérico e os marcadores de ressonância magnética do envelhecimento cerebral (volume de hiperintensidade da substância branca (WMHV), lacunas e volume do hipocampo). Participaram do estudo cerca de 1,598 pessoas com idade média (desvio padrão) de 72,4 (4,1) anos, sendo 38,3% do sexo masculino. Durante os 13,357 pessoas-ano de seguimento (duração média: 10,1 anos), a demência desenvolveu-se em 110 participantes (taxa de incidência bruta: 8,2/1000 pessoas-ano). Os resultados mostraram que a razão de risco (HR) multivariada foi de 1,79 (IC 95%: 1,17 a 2,73; p = 0,007) na comparação ajustada entre o maior (> 75º percentil) e o menor nível de ácido úrico sérico. A associação foi mais forte com demência vascular ou mista (HR = 3,66 (IC 95%: 1,29 a 10,41), p = 0,015) do que com a doença de Alzheimer (HR = 1,55 (IC 95% 0,92 a 2,61), p = 0,10). Os resultados também indicaram tendência não significativa para associação entre alto nível de ácido úrico sérico e WMHV extensivo (p = 0,10), um biomarcador de doença de pequeno vaso, mas não para o volume do hipocampo (p = 0,94) ou lacunas (p = 0,86). A associação entre o nível de ácido úrico sérico e demência vascular ou mista pode ser afetada por isquemias cerebrais temporárias. Os pesquisadores concluíram que o risco de demência, especialmente demência vascular ou mista, pode ser aumentado com altos níveis de ácido úrico sérico em pessoas idosas. Uma resenha de: Uric acid and incident dementia over 12 years of follow-up: a population-based cohort study Autores: Latourte A, Soumaré A, Bardin T, Perez-Ruiz F, Debette S, Richette P.

Banda de tensão versus fixação com placas para fraturas de olécrano: um ensaio prospectivo randomizado

24/10/2017 | Fonte: Fonte: J Bone Joint Surg Am. 2017 Aug 2;99(15):1261-1273

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of Bone and Joint Surgery, foi comparar os resultados da banda de tensão e da fixação com placa para fraturas simples isoladas e deslocadas do olécrano. Trata-se de um ensaio clínico prospectivo, randomizado, envolvendo 67 pacientes com idade entre 16 e 75 anos que tiveram uma fratura isolada e deslocada do olécrano. Os pacientes foram randomizados para banda de tensão (n = 34) ou fixação com placa (n = 33), sendo avaliados em 6 semanas, 3 meses, 6 meses e 1 ano. Foi considerado como resultado primário o escore DASH (Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand) em 1 ano. Não houve diferença entre os grupos para características basais demográficas e de fratura, com exceção da idade que foi menor no grupo banda de tensão. A taxa de seguimento de 1 ano foi de 85% (n = 57), com 84% (n = 56) completando o DASH, sendo que houve melhora significativa no escore DASH neste período após a cirurgia (p <0,001). Os resultados não mostraram diferença para o escore DASH entre os grupos (12,8 banda de tensão e 8,5 fixação com placas, p = 0.315) após 1 ano de seguimento. Os grupos também não diferiram significativamente em termos de amplitude de movimento e nos escores de Broberg e Morrey, MEPS (Mayo Elbow Performance Score) ou DASH em todos os pontos de avaliação ao longo de 1 ano (todos p = 0,05). As taxas de complicações foram significativamente maiores no grupo banda de tensão (63% vs 38%; p = 0,042), principalmente devido a uma taxa significativamente maior de remoção de implantes metálicos em pacientes sintomáticos (50,0% vs 22%, p = 0,021). Os resultados também mostraram a ocorrência de 4 infecções, sendo todas no grupo fixação com placas (0% contra 13%; p = 0,144), assim como 3 cirurgias de revisão (0% versus 9,4%; p = 0,238). Os pesquisadores concluíram que entre pacientes ativos com fratura isolada e deslocada do olécrano, não houve diferença entre banda de tensão e fixação com placa no resultado relatado pelos pacientes no primeiro ano após a cirurgia. Os autores destacam que a taxa de complicações foi maior após a banda de tensão devido a uma maior taxa de remoção de implante em pacientes sintomáticos, no entanto as complicações mais graves de infecção e a necessidade de cirurgia de revisão ocorreram exclusivamente após a fixação com placa. Uma resenha de: Plate Versus Tension-Band Wire Fixation for Olecranon Fractures: A Prospective Randomized Trial Autores: Duckworth AD, Clement ND, White TO, Court-Brown CM, McQueen MM.

Comparação entre duas órteses de abdução no tratamento do pé torto congênito

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Acta ortop. bras. [online]. 2017, vol.25, n.4, pp.125-128.

O objetivo deste estudo, publicado no Acta Ortopédica Brasileira, foi analisar e comparar a eficácia entre dois tipos de órtese de abdução para o pé, tipo DenisBrowne (tradicional) e a proposta por Dobbs (dinâmica), quanto à manutenção da correção das deformidades e da prevenção das recidivas. Foi realizado um estudo de casos, retrospectivo e comparativo, com levantamento de prontuários de crianças com PTCI. Foram avaliados 28 pacientes, totalizando 43 pés, divididos em dois grupos: Grupo 1 - tratados com aparelho tradicional, 16 pacientes, 24 PTCI. Grupo 2 - tratados com aparelho dinâmico, 12 pacientes, totalizando 19 PTCI. A análise estatística comparou as variáveis categóricas entre os grupos com o teste ANOVA. Foi adotado nível de significância de 5% (p = 0,05). No grupo 1, a recidiva ocorreu em dois pés (8,33%) e no grupo 2 em um pé (5,26%). Na comparação das duas órteses, a eficácia não apresentou diferença significante. Os pesquisadores concluíram que ambos os aparelhos de abdução mostraramse eficazes na manutenção da correção das deformidades do pé torto congênito. Não ocorreu significância estatística em relação às órteses e a ocorrência de recidivas. Uma resenha de: Comparação entre duas órteses de abdução no tratamento do pé torto congênito Autores: Lara, Luiz Carlos Ribeiro; Gil, Bruno Leite; Torres Filho, Lucio Carlos de Azevedo e Santos, Tarsila Pagnan Silva dos.

Mortalidade e função depois de tratamento cirúrgico de fratura de quadril em adultos com menos de 60 anos

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Acta ortop. bras. [online]. 2017, vol.25, n.4, pp.129-131

As fraturas de quadril em adultos jovens podem ocasionar capacidade funcional insatisfatória durante toda a vida, devido a várias complicações. A finalidade deste estudo, publicado no Acta Ortopédica Brasileira, foi avaliar prospectivamente a mortalidade e os desfechos funcionais em um ano, em pacientes com 60 anos de idade ou menos com fratura de quadril. Foram coletados prospectivamente dados de todos os pacientes consecutivos com idade de 60 anos ou menos, com qualquer tipo de fratura de quadril, que foram tratadas por cirurgia entre 2008 e 2014. Depois de um ano, os desfechos dos pacientes foram avaliados de acordo com as mudanças da intensidade da dor, estado funcional (índice de Barthel modificado) e taxa de mortalidade. Do total de 201 pacientes, 132 (65,7%) eram homens (média de idade: 41,8 anos) e 69 (34,3%) eram mulheres (média de idade: 50,2 anos) (p < 0,001). A menor intensidade de dor foi relatada em 91,5% dos pacientes. A média do índice de Barthel modificado foi 22,3 em homens e 18,6 em mulheres (p < 0,001). No acompanhamento de um ano, 39 pacientes (19,4%) dependiam de dispositivos auxiliares da marcha, enquanto apenas 17 pacientes (8,5%) usavam esses dispositivos no pré-operatório (p < 0,001). Sete pacientes (4 homens e 3 mulheres) morreram durante o período de acompanhamento de um ano; dois morreram no hospital, depois da cirurgia. Os pesquisadores concluíram que as fraturas de quadril em adultos jovens têm baixa taxa de mortalidade, redução da intensidade da dor e desfechos funcionais aceitáveis um ano depois da cirurgia. Uma resenha de: Mortalidade e função depois de tratamento cirúrgico de fratura de quadril em adultos com menos de 60 anos Autores: Pourabbas, Babak et al.

Práticas das equipas na prevenção de queda nos idosos institucionalizados: construção e validação de escala

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Texto contexto - enferm. [online]. 2017, vol.26, n.3, e2310016 Enfermagem

O objetivo deste estudo, publicado no Texto & Contexto - Enfermagem, foi construir e determinar as características psicométricas da escala de práticas e comportamentos das equipes na gestão do risco de queda dos idosos institucionalizados. A escala foi desenhada com base na revisão da literatura e na observação do trabalho das equipes numa instituição de longa permanência para idosos. Foi realizada a análise de conteúdo e a verificação do índice de concordância dos 14 itens iniciais por nove juízes. A escala foi aplicada a uma amostra de 152 cuidadores de seis instituições de longa permanência para idosos. A investigação respeitou os princípios éticos. Garantiu-se o anonimato e a confidencialidade dos dados. Após a determinação das caraterísticas psicométricas, verificámos que a escala, unidimensional, ficou constituída por seis itens, com um Alfa de Cronbach de 0,918, pontua entre 6 e 30 pontos. A análise dos resultados permite constatar que a informação sobre os fatores de risco e a discussão em equipe sobre as medidas preventivas nem sempre são mantidas, possibilitando que elementos diferentes da equipe possam valorizar medidas diferentes, o que não garante a continuidade de cuidados e a individualização das medidas face ao risco avaliado. Os pesquisadores concluíram que a escala tem boas características psicométricas, podendo ser usada na investigação e na prática clínica para avaliar as práticas e os comportamentos das equipes na gestão do risco de queda em idosos institucionalizados. Uma resenha de: Práticas das equipas na prevenção de queda nos idosos institucionalizados: construção e validação de escala Autores: Baixinho, Cristina Lavareda e Dixe, Maria Dos Anjos.

Dispositivos de assistência ventricular e cuidados de enfermagem

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Texto contexto - enferm. [online]. 2017, vol.26, n.3, e0980016.

O objetivo deste estudo, publicado no Texto & Contexto - Enfermagem, foi descrever o funcionamento, os benefícios e as complicações associadas ao uso de dispositivos de assistência ventricular e identificar as intervenções realizadas por enfermeiros no cuidado ao paciente com este dispositivo, de acordo com as evidências. Foi realizada uma revisão integrativa, com artigos coletados em bases de dados da saúde, em fevereiro de 2015. Os descritores utilizados foram: heart diseases, heartassist devices e nursing. Identificaram-se 34 artigos, os quais foram submetidos à análise temática. Os dispositivos de assistência ventricular funcionam como bombas mecânicas promotoras de débito cardíaco adequado. Seu principal benefício é a estabilização hemodinâmica. A complicação mais comum é a infecção. Educação em saúde, suporte emocional, cuidados com sítio de saída e realização de curativo são os principais cuidados realizados por enfermeiros. Segundo os pesquisadores, as evidências comprovam a melhoria da sobrevida de pacientes com insuficiência cardíaca grave com o uso dos dispositivos de assistência ventricular, reiterando a importância da ampliação dessa tecnologia no Brasil como possibilidade de tratamento. Uma resenha de: Dispositivos de assistência ventricular e cuidados de enfermagem Autores: Cestari, Virna Ribeiro Feitosa et al.

Aneurismas da artéria cerebral média: morfologia angiográfica dos aneurismas e sua relação com ruptura pré-operatória e intra-operatória

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2017, vol.75, n.8, pp.523-532

O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos de Neuro-Psiquiatria, foi correlacionar a morfologia do aneurisma da bifurcação da artéria cerebral média com o risco de ruptura pré-operatória e intra-operatória. 40 pacientes com 46 aneurismas de bifurcação da artéria cerebral média receberam tratamento microcirúrgico pelo mesmo cirurgião. Os aneurismas foram classificados de acordo com a morfologia e o teste de Fisher foi aplicado para analisar o efeito da morfologia sobre a ruptura pré-operatória e intra-operatória. As rupturas pré e intra-operatória foram observadas em 8/46 pacientes (17,4%) e 14/46 (30,4%) respectivamente. Trinta e dois casos (69,6%) não apresentaram sintomas pós-operatórios, pontuação de Rankin modificada (MRS) de 0, 6,5% tinham MRS de 1 (sem incapacidade significativa), 13% tinham MRS de 2 (leve incapacidade), 4,3% moderadamente grave (MRS de 4) e houve 3 óbitos (6,5%) durante o pós-operatório. A morfologia não estava diretamente relacionada à taxa de ruptura pré-operatória ou intra-operatória. Os pesquisadores concluíram que, em geral, as rupturas não são afetadas pela morfologia ou pelas variáveis estudadas. São necessárias séries maiores para validar esses resultados. Uma resenha de: Aneurismas da artéria cerebral média: morfologia angiográfica dos aneurismas e sua relação com ruptura pré-operatória e intra-operatória Autores: Estevao, Iracema Araújo et al.

Condilomas anogenitais em crianças: análise descritiva de 20 casos

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Surgical and Cosmetic Dermatology Volume 9 Número 2

A ocorrência de verruga anogenital em crianças é relativamente infrequente, porém gera angústias para a família e para o médico diante da possível associação com abuso sexual. O objetivo deste estudo, publicado no Surgical and Cosmetic Dermatology, foi demonstrar casos de verruga anogenital em crianças e opções terapêuticas utilizadas. Foi realiado um estudo retrospectivo descritivo de verrugas anogenitais em menores de 12 anos de idade, com média de idade de quatro anos, atendidos entre 2011 e 2015, em ambulatório público de doenças sexualmente transmissíveis na cidade de São Paulo. Foram analisados 20 casos, sendo 12 crianças do sexo feminino e oito do sexo masculino. A localização preferencial das lesões foi em região perianal (70%), e 30% das crianças apresentavam verruga extragenital. O tratamento de escolha em 65% dos casos foi com medicamentos tópicos (podofilina e imiquimode). O tempo máximo para a cura foi de 20 semanas. Os pesquisadores concluíram que o condiloma anogenital foi mais frequente em meninas, a média de idade foi de quatro anos, a localização mais acometida foi a região perianal e apresentou boa resposta terapêutica com o tratamento tópico de escolha. Uma resenha de: Condilomas anogenitais em crianças: análise descritiva de 20 casos Autores: John Verrinder Veasey; Marina Dall'Antonia; Barbara Arruda Fraletti Miguel; Silvia Assumpção Soutto Mayor; Adriana Bittencourt Campaner; Thiago da Silveira Manzione

Utilização da técnica da prega para diminuir a dor no microagulhamento do couro cabeludo: estudo comparativo

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Surgical and Cosmetic Dermatology Volume 9 Número 2

O microgulhamento vem sendo realizado em diversas áreas da Dermatologia, incluindo o tratamento da alopecia androgenética. Porém, um dos seus maiores limitantes é a dor, que ocorre tanto com o uso de cilindros agulhados, como com aparelhos motorizados dotados de microagulhas. O objetivo deste estudo, publicado no Surgical and Cosmetic Dermatology, foi descrever uma nova técnica para minimizar a dor durante o microagulhamento do couro cabeludo. Oi realizado um estudo observacional, prospectivo e comparativo, do microagulhamento realizado com aparelho motorizado, utilizando ou não o pregueamento da pele da área a ser tratada, entre os dedos polegar e indicador da mão não dominante do cirurgião. Este procedimento teve a denominação pelos autores, de Técnica da Prega. A dor foi avaliada pelo paciente com base em escala visual analógica, e os dados submetidos ao teste t-Student, a fim de verificar a existência de diferença estatística entre os dados analisados. Foram tratados 14 pacientes portadores de alopecia androgenética, 13 homens e 1 mulher. Após análise dos dados sobre a dor referida pelos pacientes, observou-se que a média aritmética dos dados das áreas não submetidas à Técnica da Prega era mais alta do que a média dos dados das áreas submetidas à referida técnica. Os pesquisadores concluíram que a técnica descrita mostrou-se eficaz na diminuição da dor durante o procedimento de microagulhamento do couro cabeludo, em consequência da alteração da percepção dolorosa pelo estímulo tátil, e pelo distanciamento das agulhas em relação à gálea que é ricamente inervada. Uma resenha de: Use of the pinch technique to reduce the pain in scalp microneedling: a comparative study Autores: Marina de Souza Barletta; Leticia Arsie Contin; Fernanda Freitas de Brito; Gabriela Nero Mitsuushi; Kedima Caldeira Nassif; Livia Mendes Sabia

Obesidade, circunferência da cintura, variação de peso e risco de psoríase incidente: dados prospectivos do estudo HUNT

24/10/2017 | Fonte: Fonte: J Invest Dermatol. 2017 Aug 2. pii: S0022-202X(17)32744-6

Diversos estudos demonstram uma associação entre psoríase e obesidade, no entanto, ainda são poucos os dados consistentes decorrentes de estudos prospectivos e com medidas objetivas. Assim, o objetivo deste estudo, publicado no Journal of Investigative Dermatology, foi investigar prospectivamente o efeito do índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura, relação cintura-quadril e variação de peso em 10 anos sobre o risco de desenvolver psoríase. Foram avaliados os dados de 33.734 pessoas pertencentes à coorte populacional HUNT, na Noruega. O risco relativo (RR) da psoríase foi estimado a partir da regressão de Cox. Durante o seguimento, ocorreram 369 casos de psoríase incidente. Os resultados mostraram que a variação superior em 1 desvio padrão (DP) para IMC, circunferência da cintura e relação cinturaquadril apresentou os respectivos RRs (intervalo de confiança (IC) de 95%: 1,22 (1,11-1,34), 1,26 (1,15-1,39) e 1,18 (1,07-1,31). Em comparação com o peso normal, as pessoas obesas tiveram RR de 1,87 (IC 95%: 1,38-2,52), de modo que a comparação entre o 4º e o 1º quarto da circunferência da cintura, resultou em um RR de 1,95 (1,46-2,61). A variação superior a 1 DP na variação do peso representou um RR de 1,20 (1,07-1,35), sendo que as pessoas que tiveram aumento do peso corporal igual ou superior a 10 kg apresentaram RR de 1,72 (IC 95%: 1,15-2,58) em comparação com o peso estável. Os pesquisadores concluíram que a obesidade e a massa abdominal elevada duplica o risco de psoríase com aumentos substanciais do risco a partir do aumento de peso a longo prazo. Os autores salientam que a prevenção para o aumento de peso e medidas de manutenção do peso corporal normal pode reduzir a incidência de psoríase. Uma resenha de: Obesity, waist circumference, weight change and risk of incident psoriasis: prospective data from the HUNT Study Autores: Snekvik I, Smith CH, Nilsen TIL, Langan SM, Modalsli EH, Romundstad PR, Saunes M.

Trombocitopenia como marcador de esteatose hepática em áreas de baixa endemicidade de esquistossomose mansoni

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2017, vol.63, n.6, pp.532-537

Trombocitopenia é um achado comum em pacientes que residem em áreas com alta endemicidade de esquistossomose mansônica. Recentemente, diferentes graus de esteatose hepática também têm sido associados a níveis baixos de plaquetas em todo o mundo. Neste estudo, publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, foi investigada a associação de níveis séricos de plaquetas com a forma grave da esquistossomose e com esteatose hepática em área de baixa prevalência de esquistossomose no Brasil. Pains, cidade localizada no estado de Minas Gerais/Brasil, tem população de 8.307 habitantes e prevalência de esquistossomose de 8%. Em quatro microáreas dessa região, 1.045 habitantes foram avaliados para o estudo. Amostra de sangue foi coletada para realização do hemograma. Oitenta e sete (87) pessoas com níveis baixos de plaquetas formaram o grupo 1 (8,3%), e 94 voluntários com hemograma normal foram randomizados para compor o grupo 2 (8,9%). Todos os participantes dos grupos 1 e 2 foram submetidos a exame clínico e ultrassonografia (US) abdominal. Esteatose hepática foi caracterizada como presente ou ausente pela ultrassonografia (US) abdominal. Baços com mais de 12 cm de comprimento à US foram considerados aumentados. Os dados coletados foram analisados pelo programa de estatística SPSS 19.0. Vinte e dois (22) indivíduos do grupo 1 (25,3%) e 11 do grupo 2 apresentaram esteatose hepática (11,7%) (p=0,02). Esquistossomose hepatoesplênica foi diagnosticada em dois pacientes (p>0,05). Os pesquisadores concluíram que a trombocitopenia não foi um bom marcador de esquistossomose mansônica hepatoesplênica em área de baixa prevalência da esquistossomose no Brasil. Esteatose hepática foi associada com trombocitopenia no presente estudo. Uma resenha de: Trombocitopenia como marcador de esteatose hepática em áreas de baixa endemicidade de esquistossomose mansoni Autores: Otoni, Alba et al.

Prevalência de diabetes mellitus e fatores associados na população adulta brasileira: evidências de um inquérito de base populacional

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. epidemiol. [online]. 2017, vol.20, n.1, pp.16-29.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia, foi estimar a prevalência de diabetes mellitus (DM) autorreferida e fatores associados na população adulta brasileira. A prevalência de DM foi aferida na Pesquisa Dimensões Sociais das Desigualdades (PDSD), um survey nacional com representatividade para as macrorregiões, conduzido em 2008. Foram entrevistados 12.423 indivíduos de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 20 anos. Para a identificação de fatores associados, foi realizado teste do ?2 ao nível 5,0% e calculadas as razões de chance ajustadas por meio de regressão logística. A prevalência de DM no Brasil foi de 7,5%. Após o ajuste para potenciais fatores de confusão, o diabetes permaneceu associado com a idade (= 40 anos), a escolaridade (< 8 anos de estudo), o estado conjugal (não casados), a obesidade, o sedentarismo, a comorbidade com hipertensão arterial e hipercolesterolemia, bem como com a procura por serviços de saúde. Segundo os pesquisadores, os resultados indicam elevada prevalência de DM e vários dos seus fatores associados (identificados como evitáveis) apontam a necessidade de mudanças comportamentais como estratégia para prevenção e controle do diabetes e suas complicações. Uma resenha de: Prevalência de diabetes mellitus e fatores associados na população adulta brasileira: evidências de um inquérito de base populacional Autores: Flor, Luisa Sorio e Campos, Monica Rodrigues.

Avaliação da ingestão de nutrientes antioxidantes pela população brasileira e sua relação com o estado nutricional

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. epidemiol. [online]. 2017, vol.20, n.1, pp.30-42

O estudo dos antioxidantes dietéticos tem ganhado destaque em função da elucidação dos efeitos deletérios do estresse oxidativo ao organismo. O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia, foi avaliar a ingestão de nutrientes antioxidantes pela população brasileira e sua relação com o estado nutricional. Realizou-se um estudo transversal com coleta de dados secundários do consumo alimentar de 33.459 indivíduos de ambos os sexos, de 10 ou mais anos, de todas as regiões do Brasil, a partir dos microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (2008 - 2009), Inquérito Nacional de Alimentação. Foram analisados os teores das vitaminas E, A e C, zinco, manganês, cobre e selênio de 188 itens alimentares, divididos em 12 grupos, conforme a forma habitual de consumo. As médias de ingestão dos nutrientes antioxidantes de acordo com o estado nutricional foram comparadas por meio do teste t de Bonferroni. Foram observados maiores percentuais de ingestão insuficiente para as vitaminas do que para os minerais antioxidantes. Notou-se diferença significativa na ingestão da vitamina E em relação ao estado nutricional, sendo que a ingestão por indivíduos com excesso de peso foi inferior em relação aos com peso adequado. Verificou-se que os indivíduos com baixo peso apresentaram menor ingestão de quase todos os minerais antioxidantes, exceto o cobre, em que a ingestão por indivíduos com baixo peso foi igual à ingestão por aqueles com peso adequado. Segundo os pesquisadores, elevados percentuais de ingestão insuficiente de nutrientes antioxidantes foram observados na população estudada, especialmente para as vitaminas. Além disso, a ingestão de nutrientes antioxidantes variou conforme o estado nutricional, o sexo e o estágio de vida. Uma resenha de: Avaliação da ingestão de nutrientes antioxidantes pela população brasileira e sua relação com o estado nutricional Autores: Tureck, Camila; Locateli, Gelvani; Correa, Vanesa Gesser e Koehnlein, Eloá Angélica

Análise custo-efetividade do controle padrão da pressão arterial em comparação a um controle intensivo

24/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Aug 24;377(8):745-755

Resultados do ensaio SPRINT (Systolic Blood Pressure Intervention Trial) indicam haver reduções significativas nas taxas de morte e de eventos cardiovasculares em adultos com alto risco de doença cardiovascular que receberam controle intensivo da pressão arterial sistólica (alvo <120 mm Hg) em comparação àqueles que receberam controle padrão (alvo, <140 mm Hg). Nesse sentido, os autores do presente estudo, publicado no New England Journal of Medicine, tiveram como objetivo comparar os efeitos dos controles padrão e intensivo da pressão arterial sobre os benefícios para os indivíduos ao longo da vida, assim como os custos para o sistema de saúde. Neste estudo, foi utilizado um modelo de microssimulação para avaliar os efeitos do tratamento SPRINT e os custos para o sistema de saúde. Os autores se basearam em fontes nacionais, a partir de uma coorte hipotética de adultos elegíveis para o ensaio SPRINT. Neste modelo foram realizadas projeções dos custos do tratamento ao longo da vida e monitoramento de pacientes com hipertensão, eventos de doenças cardiovasculares e custos para tratamentos subsequentes. Também foram realizadas estimativas dos riscos relacionados ao tratamento de eventos adversos graves e os custos subsequentes. Estas estimativas foram realizadas através dos anos de vida ajustados pela qualidade (QALYs) como medida de benefício para comparação entre controle intensivo e controle padrão da pressão arterial sistólica. Os resultados mostraram que o número médio QALYs seria 0,27 maior entre os pacientes que receberam controle intensivo da pressão arterial do que entre aqueles que receberam controle padrão, sendo que ainda custariam aproximadamente mais US$ 47.000 por QALY ganhos se houvesse uma redução na aderência e efeitos do tratamento após 5 anos. Porém, se os efeitos do tratamento persistissem durante o tempo de vida restante do paciente, o custo seria de aproximadamente mais US$ 28.000 por QALY obtido. A maioria dos resultados de simulação indicou que, independentemente dos efeitos do tratamento reduzirem após 5 anos ou se manterem durante a vida útil, o tratamento intensivo seria custo-efetivo, ou seja, 51% a 79% abaixo do limite de disponibilidade de pagamento de US$ 50.000 por QALY e 76% a 93% abaixo do limite de US$ 100.000 por QALY. Tendo como base os resultados simulados, os pesquisadores concluíram que o controle intensivo da pressão arterial sistólica preveniu eventos cardiovasculares com aumento do tempo de vida, sendo que tais resultados foram obtidos com níveis abaixo dos limiares comuns de disponibilidade de pagamento por QALY, independentemente dos benefícios serem reduzidos após 5 anos ou persistirem durante toda a vida do paciente. Uma resenha de: Cost-Effectiveness of Intensive versus Standard Blood-Pressure Control Autores: Bress AP, Bellows BK, King JB, et al.

Efeito do tratamento intensivo da pressão arterial sobre resultados relatados pelo paciente

24/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Aug 24;377(8):733-744

Resultados preliminares do ensaio SPRINT (Systolic Blood Pressure Intervention Trial) revelaram taxas menores de eventos cardiovasculares entre indivíduos com hipertensão e risco cardiovascular aumentado, mas sem diabetes, que receberam tratamento com foco inferior a 120 mmHg para a pressão arterial sistólica (tratamento intensivo) em comparação aos indivíduos que tiveram como foco um valor inferior a 140 mmHg (tratamento padrão). No entanto, ainda não há informações a respeito dos efeitos do tratamento intensivo sobre os resultados relatados pelo paciente, de modo que o objetivo dos autores neste estudo, publicado no New England Journal of Medicine, foi abordar esta questão e descrever estes resultados. Participaram deste estudo cerca de 9.361 indivíduos hipertensos, que por sua vez foram aleatoriamente designados para receberem um dos seguintes tratamentos: valor alvo da pressão arterial sistólica inferior a 120 mmHg; ou valor alvo inferior a 140 mmHg. Foram utilizadas como medidas dos resultados relatados pelo paciente os seguintes instrumentos: escores relacionados aos componentes físicos (PCS) e mentais (MCS) do questionário Veterans RAND 12-Item Health Survey; escala de depressão de 9 itens derivada do PHQ-9 (Paciente Health Questionnaire 9-item); satisfação relatada pelo pacientes a respeito dos cuidados para sua pressão arterial e medicamentos relacionados; e aderência à medicação. As análises foram realizadas por meio de comparações das pontuações no grupo de tratamento intensivo com as do grupo de tratamento padrão entre todos os participantes e entre os participantes estratificados de acordo com a função física e cognitiva. Os resultados mostraram que os participantes que receberam tratamento intensivo receberam, em média, uma medicação anti-hipertensiva adicional e apresentaram pressão arterial sistólica 14,8 mmHg (intervalo de confiança de 95%, 14,3 a 15,4) menor em comparação ao grupo que recebeu tratamento padrão. Tendo como base uma media de 3 anos de seguimento, os escores médios de PCS, MCS e PHQ-9 foram relativamente estáveis, sem diferenças significativas entre os dois grupos de tratamento. Também não houve diferença estatística entre os grupos de tratamento quando os participantes foram estratificados de acordo com as medidas basais da função física ou cognitiva. A satisfação com o cuidado da pressão arterial foi alta em ambos os grupos de tratamento, sendo que não houve diferença significativa na adesão aos medicamentos para controle da pressão arterial. Os pesquisadores concluíram que houve similaridade nos resultados relatados pelo paciente entre aqueles que receberam tratamento intensivo, que visavam uma pressão arterial sistólica inferior a 120 mmHg, e os pacientes que receberam tratamento padrão, inclusive entre os participantes que apresentavam diminuição da função física ou cognitiva. Uma resenha de: Effect of Intensive Blood-Pressure Treatment on Patient-Reported Outcomes Autores: Berlowitz DR, Foy CG, Kazis LE, et al.

Associações longitudinais de 25-hidroxivitamina-D sérica, atividade física, dor e disfunção de joelho com perda muscular em idosos

24/10/2017 | Fonte: Fonte: The Journals of Gerontology: Series A, glx157 https://doi.org/10.1093/gerona/glx157

Este artigo, publicado no The Journals of Gerontoly, teve por objetivo descrever as associações de variabilidade inter e intrapessoais da 25-hidroxivitamina D (25 (OH) D), atividade física (AF), dor e disfunção de joelho com a massa muscular, força e qualidade muscular, durante 10 anos em idosos. As mensurações dos participantes (n = 1033; 51% mulheres; média de idade 63 ± 7,4 anos) foram tomadas ao início, 2,5, 5 e 10 anos. A massa magra do membro inferior (MMI) foi avaliada utilizando DXA, força muscular do membro inferior (FMI) por meio de um dinamômetro e a qualidade dos músculos dos membros inferiores (QMI) calculada como FMI/MMI. A dor e disfunção do joelho foram avaliadas utilizando o índice Western Ontario and McMaster Universities Osteoarthritis (WOMAC). A AF foi medida utilizando pedômetros. Modelos de regressão lineares mistos, com ajuste para fatores de confusão, foram utilizados para estimar a associação da variabilidade intra e interpessoal de AF, 25 (OH) D e escore WOMAC com massa muscular, força e qualidade muscular. Aumentos inter e intrapessoais de AF foram associados com MMI, FMI e QMI (todos P <0,05). Os aumentos intrapessoais e interpessoas de dor e disfunção no joelho foram associados com FMI e QMI, mas não MMI (todos P <0,05). Os efeitos interpessoais mostraram que a média mais alta de 25 (OH) D foi associada com médias mais altas MMI, FMI e QMI (P <0,05) aos 10 anos, enquanto intrapessoalmente, o aumento da média de 25 (OH) D foi associado à FMI e QMI maiores, mas não a MMI. Os pesquisadores concluíram que a variabilidade em 25 (OH) D, dor e disfunção dentro de um indivíduo, ao longo do tempo, relacionam-se a mudanças musculares nesse mesmo indivíduo. Aumentar o próprio nível de atividade física aumenta ainda mais a massa, força e qualidade muscular, apoiando a recomendação clínica de promover AF para reduzir a perda de músculo relacionada à idade. Uma resenha de: Longitudinal Associations of Serum 25-hydroxyvitamin-D, Physical Activity, and Knee Pain and Dysfunction with Muscle Loss in Community-dwelling Older Adults Autores: Saliu Balogun, Dawn Aitken, Tania Winzenberg, Karen Wills, David Scott, Michele Callisaya, Graeme Jones.

A dependência em idades avançadas está aumentando? Uma comparação dos estudos CFAS (Cognitive Function and Ageing Studies)

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Aug 14. pii: S0140-6736(17)31575-1

Ainda não há informações suficientes sobre as mudanças nas proporções dos diversos estados de dependência de pessoas idosas entre as coortes geracionais. Nesse sentido, o presente estudo publicado no Lancet, teve como objetivo estimar os anos vividos em diferentes estados de dependência aos 65 anos entre 1991 e 2011, bem como elaborar projeções atualizadas das necessidades futuras de cuidados. Trata-se de um estudo populacional baseado em 2 seguimentos (CFAS I e CFAS II) dos estudos CFAS (Cognitive Function and Ageing Studies), que avaliou idosos com idade igual ou superior a 65 anos permanentemente registrados com uma prática geral em três regiões do Reino Unido; Cambridgeshire, Newcastle e Nottingham. Estes estudos foram realizados com intervalo de duas décadas (1991 e 2011). As práticas gerais contribuíram para discriminar tanto os indivíduos a serem contatados, bem como os que deveriam ser excluídos, seja porque morreram ou aqueles com chances elevadas de óbito nos meses subsequentes. As entrevistas para coleta de dados de linha de base foram realizadas na comunidade e em casas de repouso, e ocorreram somente após o consentimento por escrito dos indivíduos. Os participantes foram estratificados por idade e a informação coletada incluiu sociodemografia básica, estado cognitivo, incontinência urinária e habilidade autodeclarada para fazer atividades da vida diária. O estudo CFAS I foi designado como coorte de 1991 e CFAS II como coorte de 2011, sendo que ambos os estudos forneceram estimativas de prevalência de dependência em quatro estados: alta dependência (atendimento 24 horas), dependência média (atendimento diário), baixa dependência (menos do que diariamente), e independente. Os anos em cada estado de dependência foram calculados pelo método de Sullivan. As projeções das necessidades futuras de assistência social tiveram como base as proporções em cada estado de dependência (por faixa etária e gênero) relacionadas às projeções de população de 2014 na Inglaterra. Os resultados indicaram que houve aumentos significativos nos anos vividos a partir dos 65 anos com baixa dependência tanto para os homens (1 a 7 anos; IC 95%, 1,0-2,4) como para as mulheres (2,4 anos; 1,8-3,1), e correspondente aumento nos registros de alta dependência para ambos os sexos (0,9 anos [0,2-1,7] para homens e 1,3 anos [0,5-2,1] para mulheres) entre os anos de 1991 e 2011. A maior parte dos anos extras de vida foi vivida de forma independente (36,3%) ou com baixa dependência (36,3%) entre os homens e com baixa dependência (58,0%) entre as mulheres, sendo que apenas 4,8% eram independentes. Os resultados também mostraram reduções substanciais nas proporções de indivíduos com dependência média e alta que viviam em casas de repouso. Porém, caso essas proporções entre dependência e casas de repouso se mantenham constantes no futuro, estima-se que o envelhecimento da população demandará cerca de 71.215 instituições de repouso adicionais até 2025. Os pesquisadores concluíram que atualmente homens e mulheres idosos passam, respectivamente, cerca de 2,4 e 3,0 anos com necessidades substanciais de cuidados, sendo que a maioria viverá em instituições de repouso. Segundo os autores, os resultados têm implicações importantes para as famílias de idosos que em maioria não paga por cuidados especializados, além de também fornecer informações atualizadas e relevantes para os governos e prestadores de cuidados de saúde que planejam os recursos e o financiamento necessários para o cuidado do envelhecimento populacional futuro. Uma resenha de: Is late-life dependency increasing or not? A comparison of the Cognitive Function and Ageing Studies (CFAS) Autores: Kingston A, Wohland P, Wittenberg R, Robinson L, Brayne C, Matthews FE, Jagger C; Cognitive Function and Ageing Studies collaboration.

Cromoscopia vital com Lugol versus cromoscopia óptica na detecção de câncer de esôfago em pacientes com estenoses cáusticas esofagianas

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Gastroenterol. [online]. 2017, vol.54, n.3, pp.250-254

A suspeita do câncer de esôfago na lesão cáustica ocorre quando os pacientes com estenoses previamente estáveis, após um período latente sem sintomas, apresentam disfagia, baixa resposta as dilatações ou sintomas respiratórios. A cromoscopia com luz de banda estreita detecta o câncer superficial de esôfago mais frequentemente que a luz branca, com alta sensibilidade e acurácia. O objetivo deste estudo, publicado no Arquivos de Gastroenterologia, foi determinar a aplicabilidade clínica da luz de banda estreita versus a cromoscopia vital com Lugol na detecção do câncer precoce de esôfago em pacientes com lesões cáusticas. Um total de 38 pacientes, entre 28 e 84 anos, foram alocados seguidamente e submetidos à cromoscopia com luz de banda estreita e com Lugol. Um gastroscópio de 4,9 mm de diâmetro foi usado para facilitar o exame da área estenosada, sem necessidade de dilatação. A cromoscopia com luz de banda estreita era realizada primeiro e as áreas suspeitas anotadas. Depois, a cromoscopia com Lugol era realizada e as áreas suspeitas biopsiadas. Foram detectadas nove lesões suspeitas com a luz de banda estreita e 14 com o Lugol. A sensibilidade e especificidade da cromoscopia com luz de banda estreita foi de 100% e 80,6%, e a do Lugol foi de 100% e 66,67% respectivamente. Cinco (13%) lesões suspeitas foram detectadas coincidentemente pelos dois métodos, sendo duas (40%) com diagnóstico anatomopatológico de câncer de esôfago. Os pesquisadores concluíram que a cromoscopia com luz de banda estreita é opção concreta para o diagnóstico de câncer em pacientes com estenoses esofágicas por corrosões cáusticas, comparado a cromoscopia com Lugol. Uma resenha de: Cromoscopia vital com Lugol versus cromoscopia óptica na detecção de câncer de esôfago em pacientes com estenoses cáusticas esofagianas Autores: Pennachi, Caterina Maria Pia Simoni et al.

Controle e acompanhamento dos pólipos da vesícula biliar: diretrizes conjuntas entre a Sociedade Europeia de Radiologia Gastrintestinal e Abdominal (ESGAR), Associação Europeia de Cirurgia Endoscópica (EAES), Sociedade Internacional de Cirurgia Digestiva - Federação Europeia (EFISDS) e Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrintestinal (ESGE)

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Eur Radiol. 2017 Sep;27(9):3856-3866

Conforme o presente artigo, publicado no European Radiology, ainda nota-se certa controvérsia a respeito do controle de pólipos de vesícula biliar detectados incidentalmente em exames radiológicos. O achado radiológico incidental de um pólipo da vesícula biliar pode, portanto, ser problemático para o radiologista e o clínico que encaminhou o paciente para o exame radiológico. Nesse sentido, foi elaborada uma diretriz conjunta entre a Sociedade Europeia de Radiologia Gastrintestinal e Abdominal (ESGAR), Associação Europeia de Cirurgia Endoscópica (EAES), Sociedade Internacional de Cirurgia Digestiva - Federação Europeia (EFISDS) e Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrintestinal (ESGE). A abordagem utilizada nesta diretriz teve como base artigos publicados na literatura pertinente e as recomendações de consenso foram criadas usando uma série de questionários Delphi e uma escala Likert de sete pontos. Foram realizadas um total de 3 rodadas Delphi. Foi estabelecido um consenso a respeito de quais pacientes devem ser encaminhados para colecistectomia, quais devem ter acompanhamento por ultrassom, bem como a natureza e duração desse acompanhamento. Os autores também apresentam recomendações completas, bem como um algoritmo resumido. Os pesquisadores concluíram que essas recomendações de consenso de especialistas podem ser utilizadas como orientação quando um pólipo da vesícula biliar é encontrado na prática clínica. Os autores destacam que a colecistectomia é recomendada para pólipos da vesícula biliar superiores a 10 mm, mas que dependeria das características do paciente e do pólipo para pólipos inferiores a 10 mm. Por fim, os autores argumentam que pesquisas adicionais são necessárias para determinar o controle ótimo dos pólipos da vesícula biliar. Uma resenha de: Management and follow-up of gallbladder polyps: Joint guidelines between the European Society of Gastrointestinal and Abdominal Radiology (ESGAR), European Association for Endoscopic Surgery and other Interventional Techniques (EAES), International Society of Digestive Surgery?-?European Federation (EFISDS) and European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE). Autores: Wiles R, Thoeni RF, Barbu ST, Vashist YK, Rafaelsen SR, Dewhurst C, Arvanitakis M, Lahaye M, Soltes M, Perinel J, Roberts SA.

Ritmos de atividade e correlatos clínicos na fibromialgia

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Pain. 2017 Aug;158(8):1417-1429

O objetivo principal deste estudo, publicado no periódico The Journal of the Internacional Association for the Study os Pain, foi avaliar ritmos de atividade na síndrome de fibromialgia (SFM) e sua associação com sintomas relacionados à SFM a partir da hipótese de que ritmos de atividade mais fortes e consistentes estariam associados à redução da gravidade e da apresentação dos sintomas na SFM. Duzentos e noventa e dois pacientes com SFM (média de idade = 45,1 ± 11,1; 272 mulheres) forneceram uma gravação de actigrafia de 7 dias e respostas a questionários sobre o grau de dor, fadiga, humor e deficiência física. Usando um modelo de cosseno simples, foi extraída a Amplitude (faixa de atividade), Phi (tempo no máximo), Mesor (atividade média) e suas variabilidades (em dias) da actigrafia de cada participante. As medidas clínicas e actigráficas foram operacionalmente independentes. Houve uma relação canônica significativa entre os parâmetros de ritmo de atividade e as medidas clínicas de SFM (r = 0,376, R = 0,14, P <0,001). O conjunto de parâmetros de atividade de Mesor, Amplitude e Phi permaneceram associados à medidas clínicas quando controladas estatisticamente tanto para dados demográficos como para a variabilidade da atividade (P <0,001). Cada parâmetro de atividade proporcionou discriminação única do conjunto clínico por teste multivariante (P = 0,003, 0,018 e 0,007 para Amplitude, Phi e Mesor, respectivamente). Esses resultados revelaram que melhorias nos relatos de dor, fadiga, humor, comprometimento físico e resultados do sono foram associados a uma maior atividade e ritmicidade (Amplitude), aumento da atividade média (Mesor) e horário de atividade máxima (Phi) mais precoce. As análises exploratórias revelaram significativa piora no sono para indivíduos com baixa amplitude e Phi mais tardio. Uma resenha de: Activity rhythms and clinical correlates in fibromyalgia Autores: Neikrug AB, Donaldson G, Iacob E, Williams SL, Hamilton CA, Okifuji A.

Segurança e eficácia da estimulação talâmica profunda de dupla derivação para pacientes com tremores de esclerose múltipla refratário à terapia: um teste piloto, cego, randomizado em centro único

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet Neurol. 2017 Sep;16(9):691-700

Estudos prévios mostraram uma eficácia variável dos tratamentos cirúrgicos para o tremor refratário de esclerose múltipla utilizando a lesão ou estimulação cerebral profunda (DBS). O objetivo deste estudo, publicado no The Lancet Neurology, foi investigar a segurança e a eficácia da DBS talâmica de dupla derivação (uma visando a borda do núcleo ventral intermédio-ventral oral posterior [a VIM direcionada] e outra visando a borda ventral oral anterior-ventral oral posterior [a VO direcionada]) para o tratamento do tremor da esclerose múltipla. Foi realizado um estudo piloto em um único centro, cego, prospectivo e randomizado na clínica do Centro de Distúrbios do Movimento e Neurorrestauração da Universidade da Flórida (Gainesville, FL, EUA). Recrutaram-se pacientes adultos com diagnóstico clínico de tremor de esclerose múltipla refratária à terapia medicamentosa. Antes da cirurgia para implantar ambas as derivações, foram designados aleatoriamente pacientes (1:1) para receber 3 meses de DBS com foco único - VIM ou VO. A randomização foi realizada a partir de sequência gerada por computador, usando três blocos de quatro pacientes, e membros independentes do Centro foram designados. Os pacientes e todos os clínicos, com exceção do profissional de enfermagem programador da DBS, foram vendados para a escolha da estimulação. Os pacientes foram submetidos à cirurgia, um mês após a sua visita inicial, para a implantação do sistema DBS de dupla derivação. Um gerador de pulso e dois cabos de extensão foram implantados em uma segunda cirurgia, 3-4 semanas depois. Os pacientes receberam um período inicial de 3 meses de estimulação contínua VIM ou VO direcionada, seguida de avaliação de segurança cega de seu tremor com a Escala de Avaliação de Tremor de Tolosa-Fahn-Marin (TRS) durante a estimulação VIM ou VO ao final dos 3 meses. Após essa visita, ambas as derivações foram ativadas em todos os pacientes durante 3 meses adicionais e programadas durante as visitas seriadas, conforme ditado por um algoritmo de programação pré-especificado. Na visita de acompanhamento de 6 meses, o escore TRS foi medido e as baterias de testes psicológicos e de humor foram aplicadas sob quatro condições de estimulação: VIM ativado, VO ativado, ambos ativados e ambos inativados (a ordem do teste foi de acordo com uma sequência aleatória gerada por computador, atribuída por membros independentes do centro e promulgada pelo profissional de enfermagem programador de DBS não vendado). Cada uma das quatro configurações de estimulação foi testada em 4 dias consecutivos, com configurações de estimulação mantidas constantes durante pelo menos 12 horas antes do teste. O desfecho primário foi a alteração no escore TRS total médio na avaliação pós-operatória de 6 meses com ambos (VIM e VO) ativados, em comparação com o escore TRS médio pré-operatório. A análise foi por intenção de tratar. A segurança foi analisada em todos os pacientes que receberam a implantação cirúrgica, exceto em um paciente que interrompeu o acompanhamento antes da avaliação de segurança. Entre 16 de janeiro de 2007 e 17 de dezembro de 2013, foram matriculados 12 pacientes que foram aleatoriamente designados para 3 meses iniciais de estimulação apenas VIM ou apenas VO. Um paciente do grupo de estimulação apenas VO desenvolveu uma infecção, necessitando a remoção de DBS, e foi excluído da avaliação do desfecho primário. Comparando-se com o escore médio inicial TRS de 57,0 (DP 10,2), o escore médio aos 6 meses diminuiu para 40,1 (17,6), redução de 29,6%; T = -0,28, p = 0,03. Três dos 11 pacientes não responderam à intervenção cirúrgica. Um paciente morreu repentinamente 2 anos após a cirurgia, mas isso foi julgado como não relacionado à implantação de DBS. Eventos adversos graves incluíram: uma infecção superficial da ferida em um paciente, solucionada com antibioticoterapia, e estado mental alterado transitório e exacerbação tardia da esclerose múltipla em outro paciente. Os eventos adversos não graves mais comuns foram dor de cabeça e fadiga. Os pesquisadores concluíram que a dupla DBS talâmica pode ser uma opção segura e efetiva para melhorar o tremor de esclerose múltipla severo e refratário. Estudos mais abrangentes são necessários para mostrar se esta técnica é amplamente aplicável, segura a longo prazo e efetiva no tratamento de tremores de esclerose múltipla ou outros distúrbios de tremor severos. Uma resenha de: Safety and efficacy of dual-lead thalamic deep brain stimulation for patients with treatment-refractory multiple sclerosis tremor: a single-centre, randomised, single-blind, pilot trial Autores: Oliveria SF, Rodriguez RL, Bowers D, Kantor D, Hilliard JD, Monari EH, Scott BM, Okun MS, Foote KD.

Sintomas depressivos persistentes são preditores independentes de início de inflamação de baixo grau em indivíduos saudáveis

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2017, vol.109, n.2, pp.103-109

Sintomas depressivos estão associados de forma independente ao risco aumentado de doença cardiovascular (DCV) em indivíduos com DCV não diagnosticada. Os mecanismos subjacentes a essa associação, entretanto, não estão claros. Inflamação tem sido indicada como um possível elo mecanicista entre depressão e DCV. Este estudo, publicado no Arquivos Brasileiros de Cardiologia, avaliou a associação entre sintomas depressivos persistentes e o início de inflamação de baixo grau. De um banco de dados de 1.508 indivíduos jovens (idade média: 41 anos) sem diagnóstico de DCV submetidos a pelo menos duas avaliações de saúde de rotina, 134 tinham sintomas depressivos persistentes (Inventário de Depressão de Beck - BDI =10, BDI+) e 1.374 não apresentavam sintomas em nenhuma das ocasiões (BDI-). Todos os participantes foram submetidos a repetidas avaliações clínicas e laboratoriais em seguimento regular, cuja média foi de 26 meses desde a condição basal. Definiu-se inflamação de baixo grau como concentração plasmática de proteína C reativa (PCR) ultrassensível > 3 mg/L. O desfecho foi a incidência de inflamação de baixo grau por ocasião da segunda avaliação clínica. A incidência de inflamação de baixo grau foi maior no grupo BDI+ em comparação ao grupo BDI- (20,9% vs. 11,4%; p = 0,001). Após ajuste para sexo, idade, circunferência abdominal, índice de massa corporal, níveis de atividade física, tabagismo e prevalência de síndrome metabólica, os sintomas depressivos persistentes continuaram sendo um preditor independente de início de inflamação de baixo grau (OR = 1,76; IC 95%: 1,03-3,02; p = 0,04). Os pesquisadores concluíram que, os sintomas depressivos persistentes foram independentemente associados com início de inflamação de baixo grau em indivíduos saudáveis. Uma resenha de: Sintomas Depressivos Persistentes são Preditores Independentes de Início de Inflamação de Baixo Grau em Indivíduos Saudáveis Autores: Franco, Fábio Gazelato de Mello et al.

Fatores associados à síndrome de burnout em médicos residentes de um hospital universitário

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2017, vol.63, n.6, pp.504-511

O objetivo deste estudo, publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, foi determinar a prevalência da síndrome de burnout entre médicos residentes de várias especialidades e avaliar os fatores associados. Foram aplicados o questionário Maslach Burnout Inventory e um questionário sóciodemográfico para avaliar fatores associados à síndrome. Burnout foi definido pela associação de alto desgaste emocional e despersonalização e baixa realização profissional. Análise multivariada foi realizada por meio do ajuste do modelo de Poisson com a identificação dos fatores de risco e calculadas as razões de prevalência (RP). Dos 250 médicos residentes cadastrados no Hospital das Clínicas de Pernambuco, 129 participaram do estudo. Nos três domínios que caracterizam a síndrome de burnout, encontramos um baixo nível de realização profissional em 94,6% dos médicos residentes entrevistados, alto nível de despersonalização em 31,8% e 59,7% com alto nível de desgaste emocional. A prevalência de burnout encontrada foi de 27,9%. Ter sofrido evento estressante nos seis meses anteriores (RP: 8,10; IC 95% 1,2-57,2) e cursar especialidade cirúrgica (RP: 1,99; IC 95% 1,2-3,3) estiveram associados de forma independente ao burnout. Segundo os pesquisadores, a prevalência de burnout encontrada em médicos residentes está de acordo com estudos brasileiros prévios. Residentes de especialidades cirúrgicas e aqueles que sofreram evento estressor foram identificados como susceptíveis neste estudo. A identificação precoce dos fatores de risco é fundamental para a implementação de medidas preventivas para o não desenvolvimento da síndrome. Uma resenha de: Fatores associados à síndrome de burnout em médicos residentes de um hospital universitário Autores: Gouveia, Pedro Alves da Cruz et al.

A prevalência de dor neuropática é alta após tratamento para câncer de mama: uma revisão sistemática

24/10/2017 | Fonte: Fonte: Pain. 2017 Jul 3. [Epub ahead of print]

Apesar da dor ser um sintoma frequente após o tratamento para o câncer de mama, especula-se que, por vezes, os procedimentos terapêuticos sejam mal administrados. Nesse sentido, abordagens como os questionários de triagem e o NeuPSIG (Neuropathic Pain Special Interest Group) são importantes na prática clínica para determinar se a dor possui componentes neuropáticos, permitindo um melhor recurso terapêutico para a dor. Os objetivos desta revisão, publicada no Pain, foram: 1) sintetizar dados da literatura sobre a prevalência da dor neuropática em mulheres após o tratamento do câncer de mama; 2) investigar se a prevalência de dor neuropática diferiu entre os estudos usando questionários de triagem e os critérios NeuPSIG. Foram realizadas buscas por estudos que administraram um questionário validado de triagem de dor neuropática e/ou os critérios NeuPSIG em mulheres tratadas para câncer de mama em estágio inicial (I-III). Foram incluídos um total de 13 trabalhos utilizando questionários de triagem (N = 3,792) e outros 3 estudos utilizando componentes dos critérios NeuPSIG (N = 621). Foram realizadas meta-análises para dados do questionário, mas não para dados de critérios NeuPSIG, haja vista a homogeneidade inadequada. Os resultados mostraram uma variação entre 14,2% (IC 95%; 8,3 a 21,4) e 27,2% (24,7 a 88,4) na prevalência combinada para s estudos que utilizaram questionários de triagem e de 24,1% e 31,3% nos estudos com critérios NeuPSIG, considerando todos os participantes tratados para câncer de mama em estágio inicial. Entre os que relataram dor após o tratamento, a estimativa da prevalência combinada (intervalo de confiança de 95%) da dor neuropática nos questionários de triagem variou de 32,6% (24,2 a 41,6) a 58,2% (24,7 a 88,4). Os dados correspondentes para os estudos utilizando os critérios NeuPSIG relataram taxas de prevalência de 29,5% a 57,1%. Os pesquisadores concluíram que as estimativas de prevalência observadas no presente estudo são mais altas do que as relatadas para outros tipos de câncer e enfatizam a necessidade de avaliar a contribuição da dor neuropática após o tratamento do câncer de mama. Uma resenha de: The prevalence of neuropathic pain is high following treatment for breast cancer: a systematic review. Autores: Ilhan E, Chee E, Hush J, Moloney N.

Estimativas da carga de doenças globais, regionais e nacionais de infecções respiratórias inferiores agudas por vírus respiratório sincicial em crianças no ano de 2015: estudo sistemático de revisão e modelagem

23/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Jul 6. pii: S0140-6736(17)30938-8

Estudos anteriores demonstraram que o vírus respiratório sincicial (RSV) esteve associado com 22% dos episódios de infecção respiratória aguda severa (ALRI), o que resultou em aproximadamente 55.000 dos 199.000 óbitos de crianças menores de 5 anos em 2005. Ao longo dos últimos 5 anos, entretanto, foram apresentados dados atualizados sobre o RSV de países em desenvolvimento. Nesse sentido, o objetivo deste estudo, publicado no Lancet, foi estimar a incidência global, a taxa de admissão hospitalar e a mortalidade por episódios de RSV-ALRI em crianças no ano de 2015. Para a realização deste estudo, foram realizadas estimativas da incidência e da taxa de admissão hospitalar para RSV-ALRI em crianças menores de 5 anos. Os dados foram analisados com base em estratificações por idade e regiões de renda do Banco Mundial. Para as analises, foi utilizada uma revisão sistemática de estudos publicados entre 1 de janeiro de 1995 e 31 de dezembro de 2016, além de dados não publicados de 76 estudos de base populacional de alta qualidade. A partir de um modelo baseado em fatores de risco e estimativas de população de 2015, a incidência de RSV-ALRI foi estimada para 132 países em desenvolvimento. Foram também realizadas estimativas da mortalidade intra-hospitalar por RSV-ALRI combinando taxas de fatalidade com estimativas de admissão hospitalar a partir de estudos em ambiente hospitalar (publicados e não publicados). Além disso, foi estimada a mortalidade global por RSVALRI ao identificar estudos que relataram dados mensais para mortalidade por ALRI na comunidade e atividade do RSV. Os resultados mostraram que cerca de 33,1 milhões (variação de incerteza [UR] 21,6 - 50,3) de RSV-ALRI refletiram em aproximadamente 3,2 milhões (2,7-3,8) de internações hospitalares, que por sua vez resultaram em 59.600 (48.000 – 74.500) mortes intra-hospitalares em crianças menores de 5 anos. Os resultados correspondentes para crianças menores de 6 meses, estimam que entre 1 e 4 milhões internações hospitalares (UR 1,2 – 1,7) e 27.300 mortes hospitalares (UR 20.700 – 36.200) ocorreram em razão de RSV-ALRI. Além disso, estima-se que a mortalidade geral de RSV-ALRI poderia ser tão alta quanto 118.200 (UR 94.600 – 149.400). A incidência e a mortalidade variaram substancialmente de ano para ano em qualquer população. Os pesquisadores concluíram que o RSV é causa comum de ALRI infantil e uma das principais causas de internações hospitalares em crianças, resultando em uma carga substancial sobre os serviços de saúde. De acordo com os autores, aproximadamente 45% das internações e mortes hospitalares por RSV-ALRI ocorrem em crianças menores de 6 meses. Os autores sugerem, por fim, que uma vacina materna eficaz de RSV ou anticorpo monoclonal poderia ter um efeito substancial na carga desta doença nessa faixa etária. Uma resenha de: Global, regional, and national disease burden estimates of acute lower respiratory infections due to respiratory syncytial virus in young children in 2015: a systematic review and modelling study Autores: Shi T, McAllister DA, O'Brien KL.

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Efetividade da Terapia Medicamentosa e dos Procedimentos de Revascularização como Estratégia Inicial na Doença Arterial Coronariana Estável: Estudo de Coorte

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Int. J. Cardiovasc. Sci. [online]. 2017, vol.30, n.5, pp.408-415.

A cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) e a intervenção coronária percutânea (ICP) são estratégias amplamente utilizadas no manejo da doença arterial coronariana (DAC) estável. O objetivo deste estudo, publicado no periódico International Journal of Cardiovascular Sciences, foi avaliar o prognóstico de pacientes com DAC estável inicialmente tratada com terapia médica (TM), em comparação com os pacientes submetidos a procedimentos de revascularização. Foi realizado um estudo prospectivo de coorte com 560 pacientes ambulatoriais de um hospital terciário com seguimento médio de 5 anos. Os pacientes foram classificados nos grupos TM (n = 288), ICP (n = 159) e CRM (n = 113) de acordo com sua estratégia inicial de tratamento. Os desfechos primários foram mortalidade global e eventos combinados de morte, síndrome coronária aguda e AVC. Durante o seguimento, as taxas de mortalidade foram de 11,1% em TM, 11,9% em ICP e 15,9% em pacientes submetidos à CRM, sem diferença estatística (Hazard Ratio [HR] para ICP, 1,05; Intervalo de Confiança de 95% [IC95%], 0,59 a 1,84; e HR para CRM, 1,20; IC95%, 0,68 a 2,15). Os desfechos combinados ocorreram com maior frequência entre os pacientes inicialmente submetidos à ICP em relação à TM (HR 1,50, IC 95% 1,05 a 2,14) e não diferiram entre TM e CRM (HR 1,24, IC95% 0,84 a 1,83). Entre os pacientes com diabetes (n = 198), a ICP foi a única estratégia terapêutica preditiva de desfechos combinados (HR 2,14; IC 95%: 1,25 a 3,63). Os pesquisadores concluíram que neste estudo observacional de doença arterial coronariana estável, não houve diferença na mortalidade global entre as estratégias iniciais de terapia médico ou de cirurgia de revascularização. Os pacientes inicialmente tratados com ICP tiveram maior chance de desenvolver eventos cardiovasculares maiores combinados. Uma resenha de: Efetividade da Terapia Medicamentosa e dos Procedimentos de Revascularização como Estratégia Inicial na Doença Arterial Coronariana Estável: Estudo de Coorte Autores: Furtado, Mariana Vargas et al.

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Influência de um protocolo de exercícios do método Pilates na contratilidade da musculatura do assoalho pélvico de idosas não institucionalizadas

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2017, vol.20, n.4, pp.484-492.

O objetivo deste estudo, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, foi verificar a influência de um protocolo de exercícios do método Pilates na funcionalidade e contratilidade da musculatura do assoalho pélvico em mulheres idosas, em Campo Grande, MS, Brasil. Dez mulheres (idade mediana de 63,4±4,5 anos) com pouca ou nenhuma disfunção do assoalho pélvico foram submetidas a 24 sessões de exercícios do método Pilates com duração de 1 hora, por 12 semanas. A pressão da musculatura do assoalho pélvico (MAP) foi avaliada por um perineômetro (cmH20) e a contratilidade pelo esquema PERFECT. Os dados foram descritos em mediana ± intervalo interquartil, e análise inferencial foi realizada pelo teste pareado de Wilcoxon, sob um nível de significância de 5%. Diante do tratamento proposto, o grau de contração voluntária da MAP das participantes passou de 79,0±83,5 para 90,0±82,0 cmH20, com diferença estatisticamente significativa na comparação pareada (p=0,012). No esquema PERFECT houve aumento do tempo de sustentação das contrações (de 5,0±0,1 para 7,0±4,7 segundos) e do número de repetições rápidas (de 7,0±4,5 para 8,0±4,7), com diferença estatisticamente significativa para ambas as variáveis (p=0,017 e p=0,008 respectivamente). Segundo os pesquisadores, os resultados apontam que o método Pilates incrementou a contratilidade e a pressão da MAP em mulheres idosas com pouca ou nenhuma disfunção da MAP. Faz-se necessário estudos posteriores para determinar se o Pilates pode tratar mulheres com disfunções graves do assoalho pélvico. Uma resenha de: Influência de um protocolo de exercícios do método Pilates na contratilidade da musculatura do assoalho pélvico de idosas não institucionalizadas Autores: Souza, Ligia Muniz De; Pegorare, Ana Beatriz Gomes De Souza; Christofoletti, Gustavo e Barbosa, Suzi Rosa Miziara.

Novidade

Deficiência de NAD, malformações congênitas e suplementação de niacina

30/10/2017 | Fonte: Fonte: N Engl J Med. 2017 Aug 10;377(6):544-552

As malformações congênitas podem se manifestar como combinações de fenótipos que coocorrem mais frequentemente do que o esperado ao acaso. Em muitos desses casos, tornou-se difícil identificar uma causa genética. O objetivo deste estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, foi buscar a causa genética de defeitos cardíacos, vertebrais e renais, entre outros, em pacientes não relacionados. Foi utilizado o sequenciamento genômico para identificar as variáveis genéticas potencialmente patogênicas em famílias nas quais uma pessoa apresentava múltiplas malformações congênitas. Foi testada a função da variante usando ensaios de atividade enzimática in vitro e quantificando os metabólitos no plasma dos pacientes. Foram criados modelos de camundongos com variantes similares usando o sistema CRISPR (do inglês: Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas -Cas9). As variantes foram identificadas em dois genes que codificam enzimas da via de quinurenina, 3,4-dioxigenase ácido 3-hidroxi antranílico (HAAO) e quinureninase (KYNU). Três pacientes apresentaram variantes homozigóticas que prevêem alterações de perda de função nas proteínas HAAO ou KYNU (HAAO p.D162*, HAAO p.W186* ou KYNU p.V57Efs*21). Outro paciente apresentou uma variante heterozigótica de KYNU (p.Y156* e p.F349Kfs*4). As enzimas mutantes tiveram uma atividade altamente reduzida in vitro. O nicotinamida-adenosina-dinucleotídeo (NAD) é sintetizado “de novo” a partir do triptofano através da via da quinurenina. Os pacientes tiveram níveis reduzidos de NAD circulante. Defeitos semelhantes aos dos pacientes se desenvolveram nos embriões de camundongos sem HAAO ou KYNU devido à deficiência de NAD. Nesses, a prevenção da deficiência de NAD durante a gestação evitou os defeitos. Os autores deste estudo concluíram que a interrupção da síntese de NAD causou uma deficiência de NAD e malformações congênitas em humanos e camundongos. A suplementação de niacina durante a gestação impediu as malformações em camundongos. Uma resenha de: NAD Deficiency, Congenital Malformations, and Niacin Supplementation Autores: Shi H, Enriquez A, Rapadas M, Martin EMMA, Wang R, Moreau J, Lim CK, Szot JO, Ip E, Hughes JN, Sugimoto K, Humphreys DT, McInerney-Leo AM, Leo PJ, Maghzal GJ, Halliday J, Smith J, Colley A, Mark PR, Collins F, Sillence DO, Winlaw DS, Ho JWK, Guillemin GJ, Brown MA, Kikuchi K, Thomas PQ, Stocker R, Giannoulatou E, Chapman G, Duncan EL, Sparrow DB, Dunwoodie SL.

Novidade

Tendências na mortalidade internacional por asma: análise de dados do Banco Mundial de Mortalidade da OMS de 46 países (1993-2012)

30/10/2017 | Fonte: Fonte: Lancet. 2017 Aug 7. pii: S0140-6736(17)31448-4. doi: 10.1016/S0140-6736(17)31448-4

As tendências internacionais na mortalidade por asma foram fortemente afetadas ao longo do tempo pelas mudanças no manejo e em tratamentos medicamentosos específicos. No entanto, pouco se sabe sobre como a mortalidade da asma mudou na última década. Neste estudo, publicado no The Lancet, foram avaliadas essas tendências internacionais. Foram reunidas as taxas de mortalidade por asma específicas do país, padronizadas por idade, na faixa etária de 5-34 anos, do banco de dados online de mortalidade da OMS para 46 países. Para ser incluído na análise, especificou-se que um país deveria ter 10 anos de dados completos no Banco de Dados de Mortalidade da OMS entre 1993 e 2012. Na ausência de prevalência consistente e precisa de dados da asma e de prescrição, optou-se pelo uso uma curva LOESS (locally weighted scatter plot smoother), ponderada pela população individual do país na faixa etária de 5-34 anos para mostrar as tendências globais nas taxas de mortalidade por asma ao longo do tempo. Dos 46 países incluídos na análise da mortalidade por asma, 36 eram países de alta renda e 10 países de renda média. A estimativa LOESS da taxa global de mortalidade por asma foi de 0,44 óbitos por 100.000 pessoas (90% IC 0,39-0,48) em 1993 e 0,19 óbitos a cada 100.000 pessoas (0,18-0,21) em 2006. Apesar do fato de que não houve reduções significativas nas taxas de mortalidade no mundo, não houve variação significativa nas taxas de mortalidade de 2006 a 2012, quando a estimativa de LOESS também foi de 0,19 mortes por 100 000 pessoas (0,16 -0,21). Os pesquisadores concluíram que a tendência de redução da mortalidade global por asma observada desde o final da década de 1980 pode ter estagnado, sem diferença significativa na curva LOESS suavizada de mortalidade por asma entre 2006 e 2012. Embora seja necessária uma melhor implementação das estratégias de gestão estabelecidas que tenham demonstrado reduzir o risco de mortalidade, para se obter uma redução substancial adicional na mortalidade global por asma serão necessárias novas estratégias. Uma resenha de: Trends in international asthma mortality: analysis of data from the WHO Mortality Database from 46 countries (1993-2012) Autores: Ebmeier S, Thayabaran D, Braithwaite I, Bénamara C, Weatherall M, Beasley R
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